O senhor do tempo

13 O sonho que contei a você


— Então, Jessica, você vai me contar a verdade? – Diana insistiu, a garota engoliu seco, lembrando-se de como a mãe de Alex conseguira convencer seu pai a deixá-la ficar hospedada na casa deles e que Alex tinha dito como ela podia ser convincente.

— Estamos em uma missão – começou Jessica, Diana levantou as sobrancelhas, curiosa.

— Que missão?

Jessica pensou como e o que poderia contar a ela, escolheu falar uma quase verdade.

— Queríamos pedir a sua ajuda – Jessica continuou com cautela.

— Minha ajuda? Para quê? – Diana quis saber, erguendo as sobrancelhas

— Ajudar o Senhor dos Ventos, que está sendo mantido prisioneiro no palácio do seu pai.

— Não me meto nos assuntos do meu pai, não quero saber dos problemas palacianos, nem diplomáticos – Diana rebateu, dando os ombros.

— No entanto, isso poderá desencadear uma guerra, senhora! – Jessica insistiu.

— Não sei como poderei ajudar a impedir isso. Porque eu não sou uma pessoa diplomática, prefiro a natureza e as caçadas, em vez das intrigas palacianas e políticas.

— Talvez, por isso mesmo, a senhora pode ter a mente aberta para ouvir e entender o príncipe do Oriente tem a dizer.

— Essa ideia é absurda. Eu não falo com homens, além disso, os homens não tão importância a opiniões das mulheres.

— Mas, se a senhora tentar? Nós mulheres somos mais flexíveis e abertas a mudanças.

— Os homens não acham isso. Eles não querem mudanças.

— Mas nada é mais certo que as mudanças, elas acontecerão de uma maneira ou de outra.

— Quem são vocês, espiões? – Diana insistiu.

— Não, no entanto, ouvi falar que a senhora tem uma intuição muito poderosa. O que pressente a nosso respeito, senhora? – Jessica indagou, em resposta Diana olhou fixamente para dentro dos olhos dela.

— Não acho que sejam espiões. Mas, também, acho que vocês não estão contando toda a verdade — Diana concluiu. – Esse rapaz me parece família. Afinal, qual é o interesse dele nisso tudo?

— Ele está preocupado com o futuro dos pais deles.

— Quem são os pais deles? – Diana ficou curiosa.

— Com certeza, a senhora ainda não os conhece.

Diana ficou pensativa, por algum tempo.

— Calisto, alimente nossa convidada e o seu acompanhante – disse, levantou e caminhou até o outro lado do acampamento.

Já havia passado algum tempo, quando Calisto se aproximou de Diana.

— Não vai comer, senhora? – a seguidora perguntou.

— Estou sem fome – respondeu Diana.

— O que houve, Diana? Você vem agindo, estranhamente, desde que os bárbaros chegaram. Por quê?

— Lembrasse do sonho que contei a você? O sonho em que eu via uma guerra, envolvendo nosso povo e que só havia sobrado destruição.

— Sim – confirmou Calisto, sentindo um arrepio subir pela sua espinha, pois o sonho que Diana contara era terrível.

— Eu só não falei que havia um homem nele, um imortal, que parecia e se vestia como um guerreiro do Oriente.

— E aí? – Calisto perguntou ansiosa – Foi ele o responsável pela guerra? Se for isso poderemos achá-lo e matá-lo – concluiu, que não gostava nada do gênero masculino.

— Não, ele não foi responsável, ele tentava evitá-la. Então, quando eu vi o rapaz pensei que fosse ele, o guerreiro do Oriente, porém percebi que ele era muito mais jovem do que o homem do meu sonho.

— E o que você pretende fazer, Diana

— Eu não sei o que está acontecendo, realmente, Calisto. Mas acho que tenho que ir à casa do meu pai, apesar de não querer me envolver com a política, ela veio me procurar e vou responder seu chamado.

— E quanto aos jovens bárbaros, o que faremos com eles, Diana?

— Eles vêm comigo, quero mantê-los por perto.

— E quando irá partir?

— Amanhã cedo. Vocês ficarão aqui, me esperando.

— Alex! Alex! – Jessica chamou baixinho, atrás de uma moita, fingiu que estava dormindo e quando todo o acampamento estava em silêncio, se esgueirou, sorrateiramente, até onde o rapaz se encontrava, mas a sua presença despertou os cães adormecidos, que levantaram a cabeça e ameaçaram latir.

— Quietas! – Alex ordenou e os cães voltaram a deitar.

— Como fez isso? – Perguntou Jessica, atônita.

— Estou muito tempo aqui, ficamos amigos – explicou Alex, sorrindo – O que está fazendo aqui?

— Precisa contar, que conversei com sua mãe, quer dizer, com Diana.

— O que disse a ela — indagou, ansioso.

— Parte da verdade, mas omiti alguns detalhes. Falei sobre o príncipe do Oriente que tenta evitar o conflito, mas que foi feito prisioneiro.

— E ela? – Alex quis saber, curioso.

— Não pareceu se importar muito. Ela perguntou, também, qual era seu interesse nisso tudo?

— E o que disse?

— Eu disse que você estava preocupado com seus pais, por causa da guerra. E agora, Alex? O que faremos?

— Agora, só podemos esperar.

— Acorde, rapaz! – Alex acordou com a ponta de uma sandália cutucando suas costelas. – A senhora deseja vê-lo.

Alex virou-se, lentamente, ainda com sono e ao olhar para cima, uma das caçadoras de Diana estava parada ao lado dele, segurando em uma das mãos uma lança.

— Vamos! – ela o cutucou de novo, agora com o cabo da lança, Alex levantou em um pulo, e seguiu na frente dela, até o centro do acampamento e lá estavam Diana e Jessica, as duas vestiam roupas delicadas e finas, com os cabelos arrumados e usavam joias.

— Rapaz, tome um banho, você está cheirando a cachorro! – Diana ordenou, Alex teve vontade de responder o que ela esperava, já que ele tinha dormido junto aos cães. – Calisto, arrume algo para ele vestir, assim como esta não é digno de entrar na casa do meu pai.

— Que casa do pai? – Alex imaginou qual seria, mas não queria acreditar que voltariam para o palácio do seu avô, de onde haviam fugido.

— Calado, homem! – A mulher atrás dele cutucou suas costelas, outra vez, com o cabo da lança, porém Diana levantou a mão para que ela parasse e comunicou a ele.

— Vamos a casa do meu pai, conferir o que sua amiga Jessica me contou.

Alex se viu sem saída, foi até o riacho se banhar, atrás das moitas, sempre seguido por uma caçadora.

— E melhor, não tentar fugir, rapaz. Lembre-se que estamos com sua amiga, apesar de saber que os homens não são confiáveis.

— Você poderia se virar para eu poder tirar minha roupa – Alex pediu, pois, apesar de nunca se sentir intimidado por nenhuma mulher, aquelas eram diferentes, o fazia se sentir tímido.

As roupas que lhe arrumaram eram muito simples, era quase de um servo, pois os escravos vestiam menos do que aquilo.

— É está melhor assim – Diana observou assim, que ele apareceu. – Pelo menos, está cheirando melhor. Rapaz, não tente fazer nada de errado, pois eu o perseguirei e o matarei, pessoalmente – Diana avisou. — Então, para casa do meu pai – decretou ao nada e em um turbilhão estava na frente do palácio do Senhor do Ocidente.

— Mesmo, ela sendo da família, é uma descortesia aparecer dentro da casa, aquela atitude demonstrava desrespeito ao seu dono – Alex cochichou no ouvido de Jessica sobre as regras de educação do seu povo, enquanto subiam os degraus, que levavam a porta principal. Eles sabiam que as presenças deles ali causariam muitas surpresas.