Ao entrarem na casa, os servos vieram recebê-los, fazendo profundas reverências a Diana, seguidos por Hera, a esposa do pai de Diana e inimiga declarada da mãe dela, por isso sempre havia um clima desagradável no ar, nesses encontros, Alex não a conheceria no futuro, ela desaparecera durante a guerra que viria em breve.

— Hera, é uma honra de encontrar – Diana disse, com frieza.

— Não esperávamos por você, Diana. Você mandou uma mensagem avisando que não viria.

— Eu não sou bem-vinda na casa do meu pai? — Diana alfinetou.

— Você é sempre bem-vinda aqui, minha poderosa filha! – o pai dela apareceu, abrindo os braços como sinal de boas-vindas.

Enquanto isso, Alex e Jessica ficaram para trás, tentando passar despercebidos, mas foi em vão.

— Quem são esses? – o Senhor perguntou intrigado, olhando para a estranha dupla, erguendo uma das sobrancelhas, principalmente por deles ser um homem imortal, que não era a companhia preferida da sua filha.

— São viajantes, meu pai. O jovem imortal é Aleph e a mortal é Jessica.

— Companhias estranhas para você, minha filha.

Diana se limitou a sorrir enigmática, depois se virou para um dos servos.

— Acomodem os dois, mas não os deixem sair do palácio — ordenou.

O servo se curvou e indicou o caminho para Alex e Jessica que o seguiram, olhando ao redor, esperando não encontrar Caio ou Nix. Mas, seus desejos foram em inúteis, pois ao entrarem por um corredor, Caio surgiu na frente deles como uma porta.

— Vocês, de novo?! – Caio urrou, fazendo um gesto de ataque, já fizeram ele passar por papel de bobo, fugindo do palácio antes, mas o servo interpôs entre eles.

— Eles vieram com a senhora Diana – Ao ouvir isso, Caio abaixou a guarda, sem entender qual era a relação entre eles.

— Vou ficar de olho em vocês! – Caio ameaçou o jovem casal, que se esgueirou para longe dele.

— Por que veio, Diana? – O Senhor do Ocidente perguntou a filha.

— Vim para conferir com meus próprios olhos, já que soube que tem uma visita ilustre – Diana explicou.

— Sim, o príncipe Enlil é meu hóspede, atualmente.

— Hóspede ou prisioneiro?

— Diana, está questionando meus atos? – Júpiter indagou, zangado, mas Diana manteve a calma.

— Pai, você sabe o que isso pode significar. Enlil é um dos mais antigos, um dos primeiros, ele é muito poderoso e influente entre o povo deles. O Senhor do Oriente pode considerar isso como uma declaração de guerra.

— Estamos preparados para lutar!

— Estamos mesmo? Pai, eu sonhei com a guerra, só restará destruição.

— É melhor morrer do que viver como escravo, minha filha. Todavia, se o fim chegar, nos encontrará lutando — ele encarou a filha e declarou.

Aquela fala assustou Diana, agora ela sabia que seu pai estava disposto a tudo para manter o poder.

— Tudo parece estar seguindo o rumo certo! – Jessica observou, satisfeita. – Em breve, poderemos voltar para o nosso tempo.

O servo os levou a quartos separados, mas, próximos, e em seguida avisou que as portas ficariam destrancadas, assim eles tinham permissão para circular pela casa, mas não podiam sair dela, depois Alex e Jessica foram levados a uma pequena sala, onde em uma mesa baixa estava disposta uma refeição leve, composta de pão, queijos, carnes frias, alguns legumes e frutas.

— Estou morrendo de fome! – Jessica disse, se jogando no divã em frente à mesa e atacando um cacho de uva. – É bem difícil ser vegetariana em um acampamento de caçadoras, quase não comi nada ontem à noite.

Alex, também, estava com um pouco de fome, pois para ele só mandaram alguns restos de caça, que teve que dividir com os cães, então se sentou ao lado dela e fez um sanduíche de carne e queijo, para beber havia hidromel, que era mel misturado com água e um bom vinho.

— Eu sempre li que os deuses do Olimpo bebiam néctar e comia ambrosia, mas, até agora não vi nada parecido como isso – Jessica comentou, enquanto tomava um gole do hidromel.

— Primeiro, como você percebeu, não existem, realmente, deuses do Olimpo. E se houve alguma vez uma comida e bebida especiais, eu não conheci, talvez, no passado, ou seja, agora. Talvez, eles estejam guardando para eles mesmos – Alex explicou, depois deu uma mordida no seu sanduíche.

— E nós iremos ficar aqui, esperando o desenrolar dos acontecimentos, Alex?

— Não, vou procurar pelo meu pai – disse, colocando o último pedaço de pão na boca e bebendo mais um gole de hidromel, depois continuou:– Se minha mãe, quer dizer Diana, aparecer por aqui e perguntar por mim, dê uma desculpa para ela.

— Qual desculpa? – Jessica perguntou, apressada, pois ele já se pôs de pé.

— Diga que fui dar um passeio, para apreciar a arquitetura. – Inventou, sorrindo e desapareceu.

— Apreciar a arquitetura? – Jessica franziu a testa.

Alex apareceu em um apartamento, elegantemente, decorado para época, composto por uma sala, um quarto de banho e outro de dormir, que dava para um grande terraço, onde estava Enlil, sentado em um banco de pedra, com o olhar perdido no horizonte. Parado na porta, Alex observou o pai, pensando em tudo que ele vivera e ainda viveria, antes de ele nascer. Mesmo sem que Alex emitisse nenhum som, Enlil virou se lentamente em sua direção.

— Você! – Enlil exclamou, surpreso ao ver Alex. – O que você está fazendo aqui?

— Vim falar com você, Enlil.

— Então, realmente, você era um espião do Ocidente! – Enlil falou com os olhos faiscando de rancor.

— Não! Não pertenço a nenhum dos lados. Estou aqui porque a Senhora da Lua nos trouxe.

— Afinal, o que quer de mim, garoto?

— Avisá-lo, senhor.

— Avisar me sobre o quê? – Enlil quis saber, curioso.

— Do que acontece em sua casa, enquanto o senhor está aqui.

— E como sabe disso, garoto?

— Por favor, não me chame de garoto – Alex pediu irritado.

— Desculpe-me, senhor – Enlil respondeu com ironia, e Alex respirou fundo, não queria brigar com ele agora. – Então, conte-me o que sabe.

— Seu irmão Enki está aliado com o povo do Ocidente, sua prisão seria o preço para convencer o seu pai a aceitar uma nova partilha de terra.

— Imaginava que Enki pudesse estar envolvido nisso – Enlil falou com mais calma do que Alex esperaria.

— Mas, o que o povo do Ocidente não sabe, é que Enki contou outra história ao seu pai, o convenceu a armar um exército, mandou representantes aos povos do Norte, que estão insatisfeito, e propôs uma aliança.

— Como você sabe tudo isso? Como posso saber que você não está mentindo para mim? – Enlil indagou cheio de dúvidas.

— Você não vai saber, mas conhece bem seu irmão. Sabe o que ele pode ser capaz de fazer. E, enquanto, você está aqui, mirando o horizonte, achando que está evitando a guerra, ela começa a acontecer longe dos seus olhos – Alex proferiu um tanto exasperado, aquela atitude deixou Enlil surpreso.

— Você parece muito certo disso, meu jovem?

— E vocês, antigos, acham que sabem tudo – replicou Alex.

— Aí que você se engana, meu jovem, sou antigo o bastante para saber que sei muito pouco – Alex se surpreendeu, nesse momento, seu pai demonstrou todo a idade que tinha e a sabedoria que havia adquirido.

— Então, o que pretende fazer, senhor? Vai fugir daqui?

— Talvez, mas preciso encontrar o momento certo. Pelo o que você me falou, os acontecimentos se desenrolam, não creio que minha volta vai fazer alguma diferença. Não há como impedir o que está para vir – Enlil proclamou.

— Talvez, esteja certo, o futuro já está escrito. Eu tenho que voltar, não posso ser encontrado falando com você. Isso poderá trazer problemas para nós dois, senhor.

— Você tem razão. Obrigado, Aleph – Alex ficou surpreso, pois era a primeira vez que seu pai o chamou pelo o seu falso nome, já ia saindo quando se lembrou de uma pergunta que nunca fizera a Gabriel, o nome que Enlil usaria no futuro.

— O senhor tem filhos? – Alex sempre foi curioso sobre ter irmãos.

— Sim, tive alguns que se perderam com o tempo, agora, só me resta um. Por um instante, imaginei que você pudesse ser o meu filho, que jamais conheci – Enlil acrescentou e, apesar de já esperar a resposta, Alex balançou.

— Eu lamento, mas não sou eu, senhor. E onde ele está agora?

— Com a mãe, em outro mundo.

Em seguida, Alex fez uma leve reverência e se retirou.