O senhor do tempo
27 A jornada na escuridão.
— Então, está certo. Você irá, meu rapaz! – O Velho parecia estranhamente animado, com a decisão de Alex.
— Sim, eu irei! – Alex repetiu.
— Eu vou com você! – Jessica se prontificou.
— Nada disso, mortal! Você não poderá ir ao mundo inferior, pois não regressará para o seu mundo, outra vez – o Velho informou, para desolação da garota.
— Fique aqui, Jessica. Eu voltarei, pode ter certeza! – Alex a conformou.
— Mas, antes de ir você deve saber de alguns detalhes. Primeiro tomei isso – O Velho disse e da sua mão surgiu uma ampulheta. – Isso marcará o tempo que terá lá, deve voltar antes que toda a areia se escoe, em proximamente, vinte e quatro horas. — Depois, abriu a outra mão, onde havia uma espécie de bússola.
— Uma bússola? – Alex olhou o presente, espantado.
– Essa não é uma bússola comum. Ela mostrará o caminho da saída do mundo inferior – O Velho disse.
— Obrigado.
— Alex, posso falar com você um minutinho, para me despedir? – Jessica solicitou, o puxando pelo braço para bem longe dos ouvidos do Velho, para a surpresa de Alex. – Não confie nele – sussurrou. – Ele está sendo muito bonzinho.
— É, eu percebi.
— Pode ser uma armadilha, Alex.
— Mas, eu preciso ir. Tenho que me libertar.
— Então, por favor, Alex, tenha muito cuidado, não confie em ninguém, nessa sua jornada – Jessica recomendou.
— O que eu faço agora? – Alex voltou-se, decido, para Velho.
— Entre na caverna e siga em frente! Não pare mesmo que não veja o caminho – o Velho orientou, assim Alex suspirou fundo, se empertigou e deu o primeiro passo para dentro da caverna.
Passou por ambiente rústico, com toscas mesa e cadeiras e uma cama de madeiras, vários objetos antigos estavam espalhados por todos os cantos, escudos e espadas de várias épocas, moedas, relógios, baús, caixas de todos os tamanhos e estátuas, formavam uma estranha coleção, devia ser ali que o Velho morava. Continuou andando, para o interior da caverna, onde a luz do dia não alcançava, por isso empunhou sua espada, que iluminava tenuamente o lugar com sua luz azulada. A sua volta, as paredes de pedra ficavam mais próxima e o túnel tornava-se mais estreito e baixo, a ponto de Alex ter que se curvar para passar por ele, dando uma insuportável sensação de claustrofobia. Teve vontade de sair correndo dali, de volta para a entrada, mas imaginou que deveria ser alguma espécie de magia. Lutando contra o pânico, ele continuou, ofegante, sentindo dificuldade de respirar, o suor escorria pelo rosto, as pedras arranhavam seus braços e suas pernas, até o momento que caiu de joelhos e engatinhou, até um pequeno buraco, por onde conseguiu passar com muita dificuldade. Saiu em um enorme salão, com grandes estalagmites e estalactites, ficou perdido sem saber em que direção seguir, por isso continuou em frente, até deparar com um lago de águas verdes escuras e, para sua surpresa, uma mulher estava sentada em pedra em suas margens, cantarolando. À medida que se aproximava, notou que ela estava de costa, podia ver sua comprida cabeleira negra, que se estendia e se espalhava pelo chão, sua pele muito branca, sua roupa diáfana.
— Olá! – ele falou alto, quando chamar sua atenção, no entanto, ela continuou cantando e olhando para o lago. Então, se aproximou e abaixou ao lado dela, com prudência. – Oi! – Insistiu, ela se voltou lentamente na direção dele. Ela era belíssima, tinha a pele muito clara e grandes olhos castanhos. – Você é uma ninfa? Ou algo parecido? – indagou.
— Eu sou a guardiã das águas subterrâneas e das cavernas. – Alex ouviu, apesar dela não ter falado. – O que faz aqui, jovem guerreiro?
— Procuro a entrada do mundo inferior – Alex respondeu.
— Por que que ir para aquele lugar tão terrível? – ela falava dentro da cabeça dele, sua voz soava melodiosa, lhe dando uma sensação de paz.
— Por que preciso ir? – ele declarou, sem muita convicção.
— Fique aqui comigo, eu me sinto tão sozinha – lamentou-se, Alex teve muita pena dela, queria protegê-la.
— Venha comigo! Vamos sair daqui juntos! – Alex propôs, já desistindo do seu propósito para ficar com a ninfa.
— Eu não posso – revelou, com pesar, e levantou o vestido para mostrar a fina e curta corrente de prata presa no seu tornozelo e cuja outra ponta era fixada na pedra onde estava sentada. Alex ficou revoltado, imaginando que teria feito isso a alguém tão bela e delicada.
— Eu libertarei você! – Ergueu a espada no alto da cabeça, pronto para quebrar a corrente, ela levantou os braços para impedi-lo.
— Não! – Sua voz soou alto, em desespero — Se você fizer isso serei mandada para o mundo inferior para sempre – revelou.
— Como poderei ajudá-la? – Alex questionou, inconformado.
— Pegue um pouco d’água para mim, estou com tanta sede – pediu, sedutora, lhe entregando um cálice dourado.
Alex se debruçou sobre o espelho d’água escuro, se equilibrando sobre as pedras para chegar mais perto esticou o braço, na outra mão, sua espada lhe dava uma tênue luz. Foi em um rápido lampejo, em que pode perceber o cenário. Para se certificar se era real, desceu o braço que segurava a espada, para iluminar as águas e revelar a macabra visão, de esqueleto e corpos em decomposição que jaziam no fundo do lago. Assustado, se afastou rapidamente, se voltou para a ninfa, em busca de alguma resposta, mas ela havia se transformado. Seus dentes estavam pontudos e amarelos e seus olhos inteiramente negros. O novo susto fez Alex se desequilibrar sobre a pedra, quase o derrubando dentro do lago, mas ele se manteve de pé.
— Filho do Oriente, não passará! – Agora, a voz saia da sua boca áspera e estridente, avançou na direção dele, que ficou encurralado entre ela e o lago, não tinha como passar. Lembrou-se da corrente que aprendia e como ela ficou desesperada quando quis quebrá-la, era uma chance, resolveu arriscar. Então, invés de atacar a criatura diretamente, virou-se de lado e desceu sua espada com força, contra a corrente que se partiu.
— Não! – gritou a criatura e se desfez no ar. Alex respirou fundo, aliviado. Depois, imaginou que agora os moradores do mundo inferior saberiam da sua chegada, quando a criatura aparecesse por lá. Mesmo assim, estava determinado a seguir o seu caminho, seja ele qual fosse.
Olhou para a ampulheta que o Velho lhe deu, ainda tinha um bom tempo. Ao ver a bússola teve a ideia, se ela indica a saída, seu oposto seria a entrada.
Pegou a bússola a segurando na palma da mão e esperou a agulha estabilizar, assim seguiu pelo caminho oposto
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