Acordei assustada com um estrondo e o barulho que a chuva forte fazia ao bater nos vidros da janela.
O quarto ainda estava escuro, então me sentei ouvindo o som das batidas aceleradas do meu próprio coração, a janela havia aberto durante a tempestade e começado a molhar o chão por perto, levantei-me num salto e a fechei.
"Perfeito, agora eu também estava molhada" pensei ainda sonolenta.
Fui até o banheiro, me enrolei no roupão seco e peguei um pano para secar o piso molhado, mas perdi meu chão no momento em que vi aquela figura ao lado da janela.

*três meses antes*

Respirei fundo enquanto a brisa salgada tocava o meu rosto. Minha vida havia mudado tanto nas últimas semanas que se alguém me dissesse que tudo isso aconteceria eu nunca seria capaz de acreditar.
— Vai pegar a mala ou ficar ai parada respirando a maresia? — indagou Julia em tom sarcástico.
Abri os olhos e encarei minha irmã mais velha completamente impaciente parada ao lado do porta malas.
— Já estou indo. — respondi em tom ameno.
Meus pais e ela haviam concordado facilmente com a mudança, eles achavam que me tirar da cidade iria tirar todas aquelas lembranças de mim. Embora eu soubesse que isso era mentira eu havia concordado, queria começar uma vida nova em um novo lugar.
— As chaves estão com você? — perguntou revirando a bolsa.
— Você as deixou no porta luva enquanto saiamos de casa. — falei puxando minha mala cinza do carro.
— Achei! — falou em tom debochado chacoalhando as chaves.
Revirei os olhos enquanto ela abria o portão da nova casa, assim que ela o abriu voltou para dentro do carro e foi entrando com ele na garagem.
— Julia? — falei desacreditada — Não acredito que me fez tirar essa bendita mala do carro sendo que iria entrar com ele na casa!
— Você não perguntou... — falou com um sorriso debochado de dentro do carro.
"Morar com a minha irmã mais velha seria muito... Muito relaxante..." pensei frustrada.
Julia havia concordado com a mudança porque havia conseguido um emprego na cidade "o emprego dos meus sonhos" disse ela antes de virmos, meus pais só viriam nos ver nos fins de semana por conta do trabalho na capital.
— Feche o portão para mim Raquel! — gritou de dentro do carro.
Revirei os olhos e fiz o que ela me pediu, era melhor evitar brigas.
A casa era um sobrado com três quartos e três banheiros o que muito me animou "Sem filas para o banho", o lugar todo em si era bem maior que o apartamento em que morávamos na capital
— Hora da mudança! — falou animada apos entrarmos na nova casa. As caixas estavam todas fechadas na sala sobre o sofá ainda no plástico — Raquel pegue as caixas que estão com o seu nome e as leve para o seu quarto.
— Eu sei... — falei sem emoção, havia me esquecido o quanto se mudar era algo exaustante.
Peguei a menor caixa, subi as escadas e me deparei com quatro portas.
— Qual é o meu quarto?! — gritei.
— A última porta do corredor!
" Perfeito..." pensei colocando a caixa no chão e abrindo a porta.
O quarto era maior do que eu havia imaginado, tinha uma cama perto da porta e um guarda roupa daqueles antigos que parecem fazer parte da parede, uma escrivaninha ao lado de uma janela grande com um parapeito almofadado.
Me aproximei da janela ao abri-la dei de cara com uma outra janela a mais ou menos três metros da minha.
"Agora entendi o porque ela me deixou com o maior quarto da casa." pensei começando a me sentir irritada "Um quarto desse tamanho não viria de graça."
— Ande logo Raquel! — Julia gritou do andar de baixo — Tem um monte de caixas esperando por nós!
— Já vou! — devolvi ríspida.
" Não vou deixar isso barato!" pensei ainda ainda encarando a janela com cortinas escuras a tres metros de mim.
Desci as escadas irritada, mas logo que vi a quantidade de caixas que ainda estavam espalhadas no chão da sala deixei que a irritação desse lugar para o cansaço.
— Pronta para a arrumação? — falou animada com um sorriso debochado nos lábios.
"Perfeito..." pensei me sentindo ainda mais exausta "A minha noite seria bem longa..."