O sangue do Olimpo
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Pov. Narrador
Zeus estava tremendo.
Pela primeira vez em sua vida, uma longa vida, ele estava aterrorizado.
Nem mesmo quando ele lutou e travou uma guerra contra seu pai e sua espécie, ele estivera nesse estado.
Zeus tinha o bom senso de saber que, Gaia, era muito pior que seu pai. Tão pior que chegava a ser inimaginável.
Ele queria parar o tempo e evitar que amanhã, o temido amanhã, chegasse.
Ele conseguia ouvir murmúrios dos deuses cada vez mais altos. Zeus sabia muito bem que tinha que fazer alguma coisa para não perder a lealdade dos deuses.
Mas o que?
Qualquer plano resultava em destruição do mundo.
Athena, permanecia calada há meses. Ele precisava dela, mas do que nunca.
Ele não podia lutar...
–Zeus. –Ele ouviu uma vozinha chamar seu nome. Ele olhou para a menina na frente que acabara de falar. Ainda parecia uma doce menina. Zeus nem precisava olhar para saber que Afrodite tinha um olhar de ódio profundo. A menina não tinha sido notada até o momento. Sua voz, mesmo sendo baixa e doce, estava firme e ecoou pelo Olimpo. Seus lindos olhos encaravam Zeus com determinação.
Seu coração parou. Como ela entrará ali?
Então ele viu a figura ao seu lado.
Zeus queria tirar aquele sorrisinho de Hermes, dando-lhe um soco. Mas sentiu a mão da esposa,Hera, em seu braço. O primeiro contato físico em dois anos.
Ele fixou o olhar na menina.
Era impossível. Ela deveria estar isolado em sua ilha.
–Eu tenho uma proposta a vocês. –disse a menina.
Calypso.
Pov. Percy
Percy estava correndo sem rumo. Seu corpo doía muito. Nico continuava esperneando, dificultando ainda mais a corrida. Porém Percy nunca poderia cogitar a ideia de deixá-lo para trás, por mais que estivesse dificultando, aquele não era Nico de verdade.
Logo ele seria obrigado a parar. Ele sabia muito bem que se parasse, não ia conseguir continuar.
Havia um exercito atrás deles. Percy poderia ter lançado uma onda sobre eles e afogá-los todos. O único problema: Ele não tinha forças para isso.
Ele não podia correr para sempre, mas no momento não tinha plano melhor.
A saída, foi entrar em uma oficina pelo caminho, que possuía as portas de ferro, o que daria Percy um minuto para pensar. Podia ter uma janela nos fundos, por onde ele pudesse fugir. Percy trancou a porta e começou a correr para tentar sair pela janela e despistar os monstros…
Porém, Percy tropeçou durante a corrida, derrubando Nico. Nico, agora fora de seus braços, levantou-se e sorriu. Um sorriso maníaco.
Seus olhos ainda eram dourados. O corpo de Percy tremia e naquele momento ele soube que não conseguiria se levantar.
Droga. –Foi tudo o que ele pode pensar.
Ele venceu o Tártaro, a tortura de Gaia e vários monstros para morrer pelas mãos de Nico di Ângelo.
Tudo bem, não era ele, mas mesmo assim…
–Não vai lutar semideus? –perguntou “Nico”.
Percy tentou se sentar, mas falhou na tarefa, continuando deitado. Ele lançou um sorriso irônico a Nico.
–Nos dois sabemos a resposta. –ele disse. Seu corpo inteiro doía. As batidas na porta ficavam cada vez mais altas. Não tinha nada que ele pudesse fazer. Seu corpo já tinha ido longe demais. Pelo menos era o fim.
–Esse vai ser o fim do grande Percy Jackson? –perguntou aquela coisa possuindo Nico.
–É o que parece. Nico, por favor se está ai…
Nico não ia voltar a tempo de impedir seu próprio corpo do que estava prestes a fazer e Percy sabia muito bem dessa horrível verdade.
Valeu à tentativa.
Nico pegou a caneta de Percy que jazia próximo a seu corpo. Abriu a tampa, revelando a Contracorrente.
Morto pela própria lamina.
–Não tem problema. –disse Percy. -Eu não vou lutar. Vá enfrente, eu não vou culpá-lo. Nico, eu te perdoou, vá em frente.
Nico segurou a espada e esfaqueou Percy uma vez.
Percy sentiu a dor. Mas não ligava. Não gritou. Ele não sabia exatamente onde a faca havia acertado, ele mal conseguia pensar.
Seu corpo havia desistido. Ele sentiu uma lagrima, por conta da dor, desceu sua face.
Ao quase perder a consciência algo surgiu das sombras…
–Hazel… Piper… — Percy sussurrou.
As meninas correram em sua direção.
Pov. Hazel
–Nico!- ela berrou se jogando em cima do corpo do irmão o tirando de cima de Percy. Hazel lançou a espada para longe de Nico. Ele a socou. Porém, ela foi capaz de segurá-lo no chão. -PIPER!
A filha de Afrodite surgiu ao seu lado.
–Ei. –disse ela usando o charme. –Sabe, acho que você é muito interessante. Vamos fazer as coisas do meu jeito, pode ser? Deixe meu amigo agora.
–Nu-nun-nunca!- ele gaguejou, já caindo nos encantos.
–Jure pelo rio Estige. Jure, vamos lá. Jure que nunca mais, nem você e nem seus amigos possuíram qualquer coisa novamente.
O olhar de Nico estava preso em Piper.
–Eu juro pelo rio Estige. –ele disse deixando o corpo de Nico. Por um momento Hazel pensou em ver um sorriso divertido nos lábios de Nico.
Nico piscou confuso, mas ao abrir os olhos, eles não estavam mais dourados e sim negros.
Ele parecia perdido e confuso.
–Onde eu estou? –ele pergunta.
–Bem vindo de volta. –diz Hazel.
–Hazel, temos problemas maiores. Viaje nas sombras e nos tire daqui. AGORA!
O exercito estava quase adentrando a oficina. As portas, não aguentariam muito mais tempo.
Hazel foi até Percy, por sorte, Nico o esfaqueara na coxa. Mesmo assim o ferimento sangrava muito. Ele permanecia consciente, com o rosto pálido. Hazel se assustou com o quão magro o semideus estava.
–Oi. –ele diz a Hazel a se aproximar.
– É tão bom te ver. Eu precise que você se mantenha consciente. Por favor, não ouse morrer, você entendeu?
Percy lhe lançou um sorriso fraco.
–O que está acontecendo?-perguntou Nico.-Percy…
–Tire a gente daqui. –disse Piper.
–Podemos matá-lo com a viagem… — começou Nico.
–Eu não ligo!- disse Dakota. -Hazel!
–Deem as mãos. Piper segure a mão do Percy. Nico, preciso da sua ajuda.
Nico assentiu hesitante sem desviar os olhos de Percy, que gemia de dor.
Logo eles mergulharam nas trevas. Enquanto se sufocavam pela opressão do escuro, Hazel ouviu alguém gritar. Ela nunca havia se sentido tão enjoada e olha que ela havia passado por esses mesmo desafios no Argo II.
Hazel precisou de um tempo até abrir os olhos. A claridade os invadiu. Após se acostumar com ela, Hazel pode ver a figura distante do anti-Afrodite.
–É impressão minha ou estou começando a ter alucinações? –diz Percy.
Foi isso que fez Hazel voltar à realidade. Ao ver o amigo, ela viu que o corte havia aumentado devido a viagem.
Xingou-se mentalmente, então disparou até ele.
–Piper, pelo amor de Zeus, me diga que você tem algum dracma. –fala Hazel em desespero ao lado do amigo.
–Tenho… -começa Piper.
–Mande uma mensagem pro Will. Agora. –manda Hazel.
Dakota retirou sua camiseta e a entregou a Hazel, para que ela pudesse pressionou o ferimento. Percy gemeu de dor. Ele estava mais pálido possível e estava suando frio.
–Você não vai morrer agora. Percy Jackson olhe para mim. –ele o fez, encarando Hazel. – Se mantenha consciente.
–Will. –Hazel ouviu a voz de Piper com alivio. –Eu preciso da sua ajuda.
–Hãm, Piper, eu estou um pouco ocupado com um gigante a menos de um metro de mim. Meus amigos podem morrer…
–Percy está morrendo e nenhum de nos sabe o que fazer. –ela diz.
–O que?–Hazel ouviu a voz de Annabeth.-Will…
– Onde é a ferida? –pergunta Will.
–Ele foi esfaqueado na coxa esquerda.
–Não é fatal. Pressionem a ferida…
–Já estamos fazendo isso! –berrou Hazel. –Mas não para de sangrar!
–Frank, leve Will até ele e volte. –Disse Annabeth pela ligação.
–Tá, estou a caminho. Onde vocês estão?
–Perto do Paternon.
A ligação se encerra.
–Annabeth… -diz Percy fracamente. A cor de seu rosto, que Hazel não sabia que lhe restava, estava sumindo.
–Ela está bem. Concentre-se em voltar a vê-la.
–Alguém pode me dizer como ele… — começa Nico, Hazel sentiu sua voz tremer. Ele sabia.
Mas ele se interrompe ao ver um dragão vindo em sua direção.
Frank.
Will está em suas costas. Ele não aguenta e pula das costas de Frank antes que o mesmo aterrisse. Will corre até Percy.
–Se afastem. –ele diz. Todos dão espaço. –Se afastem, vocês não vão querer ver isso. –Wil examina o ferimento. -Não se preocupe Percy, o ferimento não é grave, amanhã, você estará em um estado bom suficiente para lutar. –Will se vira e vê que os semideuses ainda o observam. –Serio, saiam.
Hazel tenta protestar, mas ela sente alguém puxando seu braço dali. Frank. Ela o segue, assim como os outros. Percy da um berro abafado de cortar o coração e Hazel não tem coragem suficiente de se virar.
–Eu tenho que voltar para batalha contra o gigante. –Frank diz ao conduzi-la para a uma distância para que fosse possível escutar Will sem vê-lo.
–Não pode ficar um pouco mais? – ela pergunta.
–Eu queria, mas… tenho que ajudar os outros.
Hazel olha para o gigante e pode ver que seus amigos estão se saindo muito mal, mesmo com a ajuda de dois deuses.
–Posso ir com você. –ela sugere. –Eles realmente precisam de ajuda.
–Nico precisa de você. Assim como Percy. Amanhã, a verdadeira guerra começa. Você tem que descansar, podemos todos morrer amanhã ou até mesmo hoje. Temos que guardar alguns soldados e acredite, você é uma das melhores. –Hazel fica feliz com a fé que ele deposita nela. Mas… e se ele não voltar? Como se lesse a mente dela, ele diz: — Eu prometo que vou voltar.
–Eu te amo. –ela sussurra.
Ele a beija e ela não se importa que todos estejam olhando.
–Eu também te amo. –ele responde.
Frank vira um dragão e sai voando pelos céus. Enquanto Hazel e o resto assistem, ouvindo a melodia aterrorizante de Percy Jackson berrando de dor.
Pelo menos vão poder dormir um pouco.
Hazel fechou os olhos e fez uma prece silenciosa.
O dia estava amanhecendo e podia ser a última vez.
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