O sangue do Olimpo
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Pov. Leo
Leo se lembrava de quando tinha seis anos e tropeçou, cortando o joelho.
Ele não se lembrava no que tinha tropeçado e por que estava correndo, mas ele se lembrava de voltar para casa chorando.
Assim que chegou, sua mãe o olhou preocupada e o levou para o banheiro, para limpar o machucado.
–Mi hijo! Tem que começar a prestar mais atenção. –ela o reprendeu de um jeito carinhoso.
–Está doendo! –ele choramingou.
Ela o olhou e depositou um beijo no machucado.
–Sua dor é minha dor. –ela dissera. Sempre que estava cuidado dele ela dizia coisas assim.
Ele sempre achou a frase meio tola. Se alguém te esfaquear, seu amigo não vai sentir. As maquinas sempre fizeram mais sentindo do que os humanos, por isso Leo gostava mais delas.
Mais agora, segurando o corpo dela, ele entendeu o que a mãe quis dizer.
Leo não podia salvá-la, mas podia ficar ali, esperando pelo inevitável instante que ela pararia de respirar. E ficar ali doía nele, exatamente como uma faca o perfurando-o.
Quando entraram no labirinto, guiados por Rachel, Leo sentiu um calafrio. O lugar fedia a mofo, era apertado para que mais de duas pessoas andassem lado a lado, escuro e era extremamente abafado.
–Parece que faz séculos desde a última vez. –murmura Rachel baixo, mesmo assim, por causa do silencio sufocante, Leo escuta perfeitamente.
Os dois meninos do acampamento Júpiter, que Leo descobriu se chamarem Marcos e Billy, estavam na retaguarda. Katie estava bem atrás de Leo e Rachel a frente.
Marcos era moreno, muito alto, forte e filho de Marte. Billy era baixo, meio gordinho, loiro e filho de Baco.
Ninguém diz mais nada por um longo tempo depois que Katie liga a lanterna e a mão de Leo pega fogo.
Rachel vira corredores e mais corredores em silencio total, Leo achou que ela sabia o que estava fazendo, pelo menos ela não parecia hesitante. Era incrivelmente assustador o som dos passos ecoando pelo labirinto silencioso.
Leo não sabia quanto tempo havia passado. Parecia não ser tanto tempo. Mas isso era incerto.
Logo, os semideuses, estavam em um longo corredor largo, que ao final, havia uma porta grande de madeira velha e escura. Não havia maçanetas e um desenho havia sido esculpido na porta. O rosto de Hades e em baixo os terríveis rostos das três Parcas. A cima das figuras havia uma inscrição em grego: Θανάσιμο και θεία του αίματος θα πρέπει να σμίξει, γιατί κανείς δεν έχει σωθεί από το θάνατο.
Cada vez que ele pensava na ideia de salvar as Parcas, suas mãos tremiam e suavam. Se ele não fizesse isso a ilha de Calipso desapareceria, pois estava no domínios delas, e… ele não podia perdê-la.
–O que está escrito na inscrição? –perguntou Rachel quando os semideuses se aproximaram com cuidado.
– Sangue mortal e divino devem se misturar, pois da morte ninguém se salva. –respondeu Katie.
Katie tenta empurrar a porta, mas ela não abre. Todos tentam ajudar, mas é como empurrar uma parede e eles desistem.
–Os imortais não morrem. –disse Leo encarando a inscrição.
–Nossa, Leo, como você é esperto. –caçoou Rachel.
–Não é isso que eu quis dizer! Tecnicamente, eles escapam da morte. – fala Leo.
–Talvez, fosse apenas um jeito de deixar as coisas mais ameaçadoras ou sei lá. –disse Marcos.
–Ou talvez um presságio. –disse Rachel. –Se perdemos amanhã…
–Os deuses não morrem. –explica Katie a Rachel. –Eles podem ser reduzidos a tal estado onde não existe mais uma consciência e eles não possam mais se refazer, exatamente o que houve com Cronos, mesmo assim, continuam vivos pela eternidade.
–Eu sei, apenas estou tentando entender. Eu não consigo ver o que vai acontecer amanhã. –falou Rachel. –Isso não é um bom pressagio, certo?
Leo fechou os olhos, ele tinha medo do que isso poderia significar.
–E se isso se referir a semideuses? –pergunta Billy incerto. –Somos a mistura dos dois sangues…
–É uma ideia. Mas não muda muita coisa agora, pois não temos como entrar. — bufa Marcos.
Katie retira sua faca do bolso e corta a palma da mão e sangue escorre.
–O que você está fazendo? –pergunta Leo.
–Tenho uma ideia. –ela responde.
Ela avança e esfrega a palma da mão ensanguentada na porta.
A porta faz um clique poucos segundos depois.
–Fácil demais. –ela diz a encarar a fresta da porta aberta. –Não tivemos nenhum desafio na ida e eu só tive que cortar minha mão e pronto, porta aberta.
–Você está certa. – disse Rachel.
Rachel passou por Katie e empurrou a porta.
A porta se abriu e eles entraram em um aposento amplo preto. Havia uma bola de luz no centro da sala. As Parcas não estavam lá. Porém havia alguém deitado no chão inconsciente, cujo só a metade do rosto era visível.
Leo disparou pela sala sem se importar se morreria no caminho.
–LEO! –berrou Rachel, correndo atrás dele. Logo, todos estavam ao lado da menina a qual agora, era aninhada por Leo.
Ela era pálida, seus cabelos pretos como a noite, havia um corte na testa dela e seus lábios estavam azulados.
Leo a reconheceria em qualquer lugar.
–Thalia? –Leo chamou a chacoalhando.
Não houve reação.
Leo começa a entrar em desespero. Ela não pode morrer.
–Thalia! – ele começa a chama-la com maior urgência. Lagrimas enchem seus olhos. –Thalia!
Rachel se ajoelhou a seu lado e pegou o pulso da irmã de Jason.
–Ela tem pulso. Está viva. –ela anuncia e Leo solta o ar que não sabia estar prendendo.
Lentamente, ela abre os olhos e Leo pode ver a única coisa que os irmãos Grace tem incomum, os olhos azuis como o céu.
–O que você está fazendo aqui? Você e Percy deviam estar juntos…
Ela a ajuda a se sentar. Ela parece confusa.
–Leo?
–Oi, o que aconteceu com você? –ele pergunta. Dá última vez que a viu, ela parecia determinada e assustadora ao mesmo tempo. Agora, ele podia ver o medo em seus olhos.
Ela olha em volta e vê os outros semideuses que acompanham Leo.
–Percy. Onde ele está? –ela pergunta. Ela olha observa a sala. –Onde eu estou? Por que está tão frio?
–Não sei onde ele está. –responde Rachel. –Você está no… lar das Parcas. Aqui está frio pois é aqui que a Terceira Parca, a Morte, corta o fio que o conecta a esse mundo.
–Onde estão as Parcas? –pergunta Billy.
A porta se fechou atrás deles com um som ensurdecedor.
Leo escutou um barulho. Uma espécie de rugido. Um rugido, muito, muito alto.
–LEO! –Katie berra. Quando ele vira de costas, um cão infernal o encarando com o olhar predatório, olhos amarelos e mostrando os dentes.
Todos da sala param de importar, exceto ele e a besta a sua frente.
–Cachorrinho bonzinho… — ela começa com a voz com uma mescla de pânico e aquela voz retardada que falamos com cachorros ou bebês. -é feio quando cachorrinhos tentam arrancar as tripas das pessoas.
O cachorro saltou sobre Leo e ele fez a coisa mais heroica de todos os tempos: Gritou como uma garotinha.
Uma faca é arremessada do outro lado da sala.
Ela atravessou o pescoço do cão, o fazendo evaporar. Leo a encarou admirada.
–Semideuses. Chegaram tarde demais. –uma voz que Leo nunca se esqueceria. A voz de Gaia. Alta e clara. Ele odiava sua voz, ela parecia ser capaz de penetrar a mente e ecoar por um bom tempo. – Não se preocupem, elas não estão mortas. Estão sendo mantidas em outro lugar. Ainda trabalham. Quando a ilha… A ilha foi destruída, Leo.
Leo levou um soco no estomago.
–NÃO! –Leo berrou. –NÃO!
Leo, se sentou no chão e as lagrimas rolaram. Ele não estava nem ai se Gaia o visse chorar.
Quando Leo percebeu os semideuses estavam todos de mãos dadas. Inclusive ele.
–Vocês ficaram aqui, até que alguém decida tirá-los. Vão poder acompanhar todo o show, por minha cortesia. Olhem o acampamento de vocês.
Leo pode ver a imagem na bola se transformar, mas não conseguiu olhar. Fechou os olhos e ignorou os sons de horror emitidos pelos amigos.
Quando abriu os olhos, eles estava cercado pela escuridão. Ele não sentia mais mãos apertando as suas.
–Semideuses, para que não sintam que não fizeram parte do show, um presente.
Leo escuta um barulho. Uma espécie de rugido.
Isso não podia ser boa coisa.
Um arrepio percorre lhe o corpo. O ar fica mais pesado. Um minuto de um silencio sufocante. Por que ninguém diz nada?
–Todos bem?- ele se atreveu a perguntar. Sua voz quase falhou e estava quase inaudível. Mas sem duvida qualquer um daquela sala, seria capaz de escutá-lo.
Silencio. Onde estava os sons das respirações e corações batendo tão alto por conta do medo?
Leo conseguia escutar o seu muito bem.
Ele tenta iluminar a sala, fazendo suas mãos pegarem fogo. Mas nada acontece.
Ele tenta novamente.
Ele ia à loucura em pouco tempo. Suor escorria por seu rosto. Ele estava apavorado.
Outro… rosnado. O som foi tão alto que quase explodiu os tímpanos de Leo.
Um berro. Uma voz que Leo conhecia muito bem.
Calipso. Mas… ela não estava ali. Não. Não era possível.
Involuntariamente e do nada as mãos de Leo acendem, iluminando vagamente o local. Ele não está mais na casa das Parcas. Está na ilha de Calipso. Dentro da caverna onde ela costumava dormir. Ela estava sentada na cama e encarando ela, uma criatura enorme a encarava com voracidade.
Um ciclope.
–Calipso? –o som escapa de seus lábios.
Calipso não o responde. Apenas o encara. Ela está apavorada.
Então todas as dúvidas desaparecem e ele sabe o que tem que fazer. Tem que matar à criatura.
Leo se aproxima e o ataca com as próprias mãos. Ele tenta morder Leo, mas não funciona. De alguma maneira completamente inexplicável, com um único movimento. Leo domina o animal. Ele sorri vitorioso.
–LEO! PARE! LEO! –berra Calipso. Mas a voz que sai da boca dela, não a pertence. Pertence a Thalia. -Leo. –a voz dela é baixa e chorosa. –Pare.
Então Leo se afasta da besta e uma dor de cabeça terrível o atinge. Ele berrava, seu corpo queimava, seus joelhos cederem, ele caiu no chão e mal conseguia respirar.
Ele estava na caverna, com excesso de iluminação. Seus olhos doeram ao abrirem, seu corpo doía também e Thalia o segurava.
–Leo? –Thalia chamou. Sua voz estava baixa e maternal.
–O que aconteceu?
–Você entrou em combustão. –ela explicou. –Rachel… desapareceu e Katie, está morrendo.
–Morrendo? –Leo perguntou confuso. Morrendo pareceu ser uma palavra vazia. Ele levantou a cabeça e viu os meninos do acampamento Jupiter. Ele pode ver as pernas de Katie esticadas.
–Eu fiz isso, Leo. Tive uma alucinação. Estavam matando o Luke e… eu enfiei uma lança na barriga dela…
Ela começou a chorar. Chorar não combinava com ela.
Ele deveria abraçá-la, mas precisava ir até Katie.
Ele levantou ignorando a dor e correu até ela. Ele colocou a cabeça dela sobre seu colo. Lagrimas caiam dos olhos escuros da menina e seu sangue escorria, manchando suas roupas de vermelho. Ela respirava com dificuldade.
–Katie…
Ela sorriu levente.
–Está tudo bem. Minha escolha. Tudo bem, falo sério. –ela sussurrou. Leo não entendeu o que ela quis dizer.
Leo apenas assentiu.
Eles dois nunca foram próximos. Ele já havia praticado algumas atividades com ela e falado com ela por um cinco minutos. Mesmo assim, ela era engraçada e cheia de vida. Ele sentia um imensa culpa por vê-la morrer.
Ela não merecia;.
–Katie… eu sinto muito. –Thalia disse aparecendo atrás de Leo.
–Thalia, meu colar. Meu pai… entregue pro meu pai, se saírem daqui. Diga para ele que eu o amo. –ela pediu.
–Eu irei. Juro pelo rio Estige. –Thalia falou.
Katie sorriu.
Katie tinha um sorriso lindo. Meigo e suave.
Leo olhou em seus olhos, sabendo que seria a última vez que ele a veria sorrir. Não tinha como salva-la.
Seus olhos viram de marrons para dourados.
–Semideuses, o jogo apenas começou. Mudei de ideia e aproveitem a começo de uma nova era. –A Voz de Gaia atravessou a boca de Katie. -Me convenci de que não tem graça, deixá-los ai.
Katie voltou a respirar.
–Não dessa vez, sua vaca. Minhas últimas palavras pertencem a mim. Luz. Esperança. Amor. Alegria. Flores.
–Suas palavras favoritas. –sussurrou Thalia.
Katie assentiu, antes de fechar os olhos para sempre e parar de respirar. Continuando com um leve sorriso.
Leo começou a soluçar. Todos começaram, até mesmo os outros dois campistas.
Foram dez minutos de pura tortura.
Então as portas, antes trancadas, se abriram.
E Leo pode ouvir a risada de Gaia ecoando pelas paredes.
Isso, não ia ficar barato.
Fale com o autor