O sangue do Olimpo
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Pov. Reyna
Foi rápido assim. Em um minuto Reyna encarava os olhos gélidos de Octavian, no outro, os romanos desceram em ataque.
Os gregos não tinham chance, não por serem mais fracos ou nada disso. Por seu número estar muito reduzido e ainda por cima, estarem desarmados.
O caos tomou o lugar da ordem em menos de um segundo. Foi rápido assim.
Reyna não teve tempo de esboçar reação. Ao olhar para o lado, ela viu uma criança de onze anos, apenas onze anos, ter a cabeça brutalmente decepada.
A casa grande estava em chamas. Gritos para todo lado. Catapultas lançando bolas ( Reyna não sabia feitas do que) pelos ares.
Reyna nunca foi assim. Ela tinha que se mexer ou ia acabar morta.
Ela estava em pânico. Era como se ela fosse a culpada por tudo.
O chalé de Ares estava indo bem, eles pareciam sempre ter uma lamina com eles. O chalé de Apolo não parecia se desfazer de suas flechas facilmente.
Mesmo assim, não era muita coisa.
Reyna sentiu a respiração de alguém em seu pescoço. Indo e vindo. Uma gota do suor de seu oponente caiu em seu cabelo.
–Você não tem ideia o quanto eu esperei por isso.
Reyna virou-se de frente para ele.
–Octavian. –ela disse.
Ele desceu a lamina. Reyna fechou os olhos esperando a lamina rasgar sua carne e derramar seu sangue. Ela não tinha arma para se defender. Ela não tinha por que lutar. Ele ia a matar de um jeito ou de outro. Ela sabia disso. Morta pelo próprio companheiro. Ela sempre tentou fazer tudo certo. Mas, não foi o suficiente. Nunca seria.
Porém Reyna sentiu o impacto do chão. Ela ouviu o som de metal com metal. Ela abriu os olhos. Um menino de aparência travessa, cabelos castanhos estava ali. Salvando sua vida.
–Reyna! –alguém a chamou. Ela virou-se e viu Grover. Então ela correu em sua direção. Seria ela um ser humano horrível? Provavelmente.
–Connor! Não! –ela ouviu alguém gritar. Ela não pode evitar olhar. Octavian enfiou a lamina no pescoço de seu oponente. O menino desabou no chão. Ele estava morto. Uma lagrima desceu o rosto de Reyna.
Grover puxou seu braço e começou a correr na direção à estátua. Atenas Partenon, situada na pequena praia do acampamento.
Assim que chegaram a praia ela viu o sátiro Hedge, a menina… Clarisse, Rachel, Katie Gardner (do chalé de Demeter),Chris , Tyson e mais dois campistas que Reyna não sabia o nome e o deus Hermes.
–Eu posso transportá-los para Atenas. –disse Hermes tristemente.
–As pessoas estão se matando. Um menino acabou de morrer para salvar a minha vida, a troco de nada e você quer que os deixemos ai? Lutando até a morte?- gritou Reyna.
–Não erga esse tom de voz comigo! Aquele menino que acabou de morrer era meu filho! Meu filho! Eu tenho outros morrendo. Nossa batalha, não é aqui e sim em Atenas. Você tem noção o quanto eu me odeio nesse momento? Dêem as mãos. Grover coloque umas das mão sobre a estatua.
Nesse momento um menino em lagrimas chegou até nos. Ele trazia uma cabeça com sigo.
A cabeça de Octavian.
Por um momento Reyna pensou ser o menino que salvara sua vida. Mas não era. Existia uma diferença de altura entre os dois. Havia um ódio que não consigo descrever em seu olhar.
–Eu vou destruir Gaia. –ele diz.
–Travis...eu sinto muito pelo Connor. –diz Grover.
Hermes acena com a cabeça indicando ao filho que ele deve entrar na roda com o resto das pessoas. Travis joga a cabeça de Octavian pro lado. Reyna sente... pena dele.
Então ele entra na roda e uma escuridão sufocante toma conta deles. Eles estão deixando varias pessoas para se matarem, como se não fossem nada.
Pov. Jason.
Assim que viram as ondas, os sete e Apolo, correram desesperadamente até Atenas. O mais rápido possível. Quando entraram na cidade, Jason viu o caos. Pessoas saindo de suas casas as pressas.
–O que fazemos agora? –pergunta Nico.
Annabeth vai até uma cidadã que está correndo para fora da cidade e começa a… falar com ela? Jason não faz ideia do que eles estão conversando. A cidadã está assustada. Ela está de mão dada para uma criança, as duas têm mochilas nas costas.
Todos os semideuses gregos parecem entender.
A mulher e a criança voltam a correr assim que Annabeth termina.
–Estão evacuando a cidade. Está muito perigoso ficar aqui. –diz Annabeth.
As ondas estão se tornando cada vez maiores e os ventos cada vez mais fortes.
–Onde você acha que eles estão?- pergunta Jason se referindo a Percy e Thalia. –Acha que são os dois? Ou Gaia?
–Não tenho ideia. –diz Annabeth. Jason sabe que ela tem a esperança que sejam eles. Tem que ser eles.
–Eu sei onde encontrar Percy. –diz alguém atrás deles. Aquele é... Grover?
Jason se vira para trás e vê algumas pessoas do acampamento meio sangue, o treinador Hedge e Reyna.
Annabeth corre e abraça o menino bode.
–Obrigada por vir. –ela diz a Grover.
Ele assente. Jason vê Annabeth olhar para alguém atrás de Grover.
–Will Solace. –ela diz. Parece ter uma enorme divida com ele.
–Annabeth Chase. Trouxe o máximo de néctar e Ambrosia que pude. –Falou ele apontando para a mochila em suas costas.
–Ótimo. Vamos precisar. –ela diz.
–Você trouxe a estatua? Ela deveria ficar no acampamento! –disse Hazel.
–Ela não fez nada lá. –disse Rachel.
–E vai fazer aqui? –perguntou Leo.
–Ela não deveria ser uma arma? –perguntou Nico.
–Se for é uma baita de uma coisa inútil. Não serve para MATAR! -Disse Hedge.
–Então, por que trouxeram para cá? –perguntou Leo. –É como um sinalizador. Essa coisa é que nem o Edward do crepúsculo, só serve para brilhar.
–Ei! –disse Katie. –O Edward tem muitas habilidades. Ele é um vampiro, seu invejoso!
–Não é hora disso!- disse Piper.
–Não sabíamos muito bem o que fazer com ela. Pareceu interessante. –disse Clarisse.
–Trouxemos reforços. –Disse Hermes.
Não tem mais que 6 campistas ali. Pelo menos, há um deus a mais.
–Cadê o resto do acampamento?-pergunta Annabeth.
–Lutando. –responde Grover.-Não pudemos impedir.
–Octavian é o novo pretor. Quer dizer era. Não havia o que fazer. O acampamento romano o seguiu. Perdi meu posto e autoridade. – Reyna disse.
Jason reparou nela pela primeira vez. Seu olhar era cabisbaixo. Ela tinha tantos planos. Planejou tudo. Então, ela abriu mão de tudo. Seria ele egoísta? Ele se importou com os sentimentos dela? Ou apenas os esmagou?
Annabeth abaixa a cabeça.
–Travis, onde está seu irmão?
Ele encara o horizonte e todos parecem entender. Connor Stoll está morto.
–Eu sinto muito.- diz Annabeth em choque.
–Eu também. –disse Travis. Aquilo, era de partir o coração. Jason se lembrava exatamente dos irmãos se divertindo e rindo. Como imaginar um deles sem o outro?
–Cadê a briga?Destruição? Gigantes? Desordem? Corpos? –começou Clarisse
–Se fosse você, não me apresaria. –disse Jason.
–E eu vou perder a festa? – Baco disse.
Baco e mais uns quatro semideuses romanos se aproximavam. Parecia não ser muita coisa, talvez não fosse, mas era uma gota de esperança.
–Vejo que seu acampamento não foi tão promissor. –disse Baco a Hermes. –Estava esperando mais.
–Se o seu não tivesse atacado...
–Vai tacar cartas em mim Hermes? –provocou Baco.
–Olha aqui seu...
–Parém- disse Jason. Os dois deuses se controlaram. –Não é isso que importa. Nos temos que bolar um plano. Annabeth, alguma ideia?
–Eu estive pensando...
Quando Jason olhou Nico di Ângelo estava no chão. Com as duas mãos pressionado a cabeça. Ele estava em desespero.
–Nico!- Hazel correu para ajudá-lo. Assim como Jason.
–Hazel, se afasta!- ele gritou.
Nico parou de gritar. Seus olhos estavam dourados. Todos sabiam exatamente o que significava. Eidolons.
–Nunca prometemos não nos apossar do filho de Hades. –As palavras que saiam da boca de Nico, não pertenciam a ele.
–Piper... –disse Hazel.
–Olha eu...- Piper começou a usar o charme.
–Piper! –Frank tentou avisá-la.
Grover, que também tinha os olhos dourados, pulou nas costas de Piper, a impedindo de usar o charme. Jason pegou a moeda em seu bolso e a jogou no ar, revelando sua espada.
Grover tentou dar um soco no rosto de Piper, mas ela não deixou. A ação se repetiu, dessa vez o punho de Grover, acertou em cheio o rosto de Piper.
–Não mate ele!- berrou Annabeth.
Jason conseguiu retirar Grover de cima de sua namorada. Porém agora tinha que lutar contra Grover, ele não podia matá-lo, mas Grover, podia.
–Menino bode, não é você. Você não quer fazer isso. –disse Jason. –Você sabe que não quer. Grover, por favor...
Grover o atacou. Tentou socá-lo, mas Jason desviou.
–Grover, eu não quero machucá-lo.
Assim que a ultima letra saiu da boca de Jason uma cobra se enrolou no corpo de Grover o deixando imóvel.
Frank.
O Eidolon deixou o corpo de Grover, antes mesmo que Piper pudesse usar o charme.
Grover ficou inconsciente. O que o tornava inútil.
Frank voltou a ser Frank.
–Não podemos deixá-lo ai. –disse Frank.
–Onde está o Nico? –perguntou Leo.
Nico sumiu. Ele aproveitou a situação e fugiu.
–Merda. Ele não pode ter ido longe...- começou Annabeth.
–Quantas pessoas tem aqui? Ninguém reparou no Nico correndo para longe? -gritou Jason.
–Uma coisa sobre Nico é que ele nunca teve muita presença como eu. -disse Leo.
Todos reviraram os olhos. Essa não é a hora de piadas, pesou Jason. Ele achou melhor não comentar, seu olhar já dizia tudo.
–Foi mal! Não dá para evitar! Eu falo besteira quando estou nervoso! -ele disse.
–Leo, você só fala besteira. Esse não é o momento de piadas! -disse Hazel furiosa, completamente, imersa em desespero.
Ele pensou na possibilidade.
–Tá, foi mal. Falando sério, o que fazemos?-ele disse.
–Nico provavelmente usou viagem nas sombras... –começou Will.
–Gente. –disse Hazel atordoada .
–O que? –Disse Jason, a voz e olhar de Hazel, não pareciam boas notícias.
–Não haviam três eidolons? –perguntou ela.
Um possuiu Nico, o outro Grover... da última vez haviam três...
Hazel estava certa onde estava o terceiro eidolon?
–Não acho que haja muito tempo para pensar nisso. -disse Frank. Jason virou-se para encarar o que seu amigo encarava.
Ao longe, eles avistaram o primeiro gigante. Destruindo prédios. Definitivamente, não era nada amigável.
Para a sorte deles a estátua parou de brilhar. Os deixando em um escuro reconfortante. O suficiente para que eles se enxergassem. Mesmo assim, era possível ver a enorme criatura.
Além de gigante, a criatura era roxa escura, cabelos crespos oleoso, bolhas no rosto, dentes enormes, ele estava despido.
A coisa mais feia e ameaçadora que alguém poderia encarar.
Piper ficou enjoada. Parecia ofegante, apenas encarando a criatura. Jason a segurou, dando-lhe apoio.
–Não me diga que... –começou Leo.
–Anti-afrodite. –disse Apolo.
–Eu tenho um plano. -suspirou Annabeth. –Hazel, Piper e você do acampamento Júpiter...
–Dakota.- disse o menino.
–Ninguém liga. Vão procurar pelo Nico. Hazel, tem alguma ideia de onde ele está?-perguntou Annabeth.
–Tenho.
–Will, entregue um pouco de Néctar e Ambrosia a todos os grupos que eu falar. Apollo entregue as armas a eles. –Apolo assentiu. –Leo, vocês, seja lá qual for seus nomes, -ela apontou para dois campistas do acampamento Júpiter- Rachel e Katie, vão salvar as Parcas. Rachel, elas estão no subterrâneo, no labirinto. Terá que ser a guia. Eu, Jason, Frank, Você do acampamento Júpiter, Will, Apollo, Chris, Clarisse, Póllux, Baco e Hermes, vamos deter aquela coisa.
Era um plano inteligente.
–Quanto a mim?- pergunta Hedge.
–Você, protege Grover. – disse Jason.
–Acha que eu sou tão inútil assim?
–Estou entregando-lhe uma vida. Em minha opinião, não há nada mais nobre que salva uma. Pode cuidar dele até ele melhorar? –perguntou Annabeth.
–Posso. – ele disse. –Lembre-se. Morte é meu nome do meio.
–Percebemos isso. – disse Jason. –Você podia ver se descobre uma utilidade a estátua, após Grover acordar. – sugeriu Jason. –Quem sabe ela, não é a maior arma de destruição e morte que o senhor já viu.
Jason percebeu os olhos do sátiro brilharam.
–Quanto a Percy e Thalia? –perguntou Hazel.
–É para lá que Nico está indo. –ela disse. – Salve-o.
Desta vez, ela não estava se referindo a Nico di Ângelo.
Pov. Percy.
Percy estava na praia. Atrás dela havia uma mureta um pouco alta.
Percy estava exausto. Mas ele fez um bom trabalho em evacuar a cidade. Thalia parecia ainda pior. Ele nunca vai esquecer o desespero de correr no vazio, gritando seu nome e não ter resposta. De sentir o sangue de Thalia manchando ainda mais suas roupas. De como sua pele estava gelada. De como ele implorou a seu pai, para que não a levasse. Ela era sua amiga, não podia perdê-la.
Ele também nunca vai esquecer de ser atacado por Nico di Ângelo. Do nada.
Percy havia desejado ver seus amigos de novo. Principalmente Annabeth. Ele precisava voltar a vê-la. Não ser atacado por Nico di Ângelo.
Ele foi atacado por trás. Percy quase esfaqueou Nico com a Contracorrente, mas Percy não conseguiu alcançar o alvo, sendo assim derrubado no chão. Ao virá-lo de frente, ele viu o rosto do filho de Hades.
–Percy! –Thalia gritou.
–Nico? Como você... –disse Percy surpreso.
Nico retirou a sua espada do cinto. Foi ai que Percy notou os olhos dourados. Não era Nico di Ângelo.
–Puta merda.- disse Percy.
Nico foi o esfaquear, mas Percy desviou, saindo de baixo dele antes do impacto.
–Nico, olha, eu sei que me odeia, mas você não quer me matar. –Percy suplicou.
Nico desferiu outro golpe. Percy desviou. Quanto ele poderia aguentar? Estava exausto e ele não podia matar seu oponente. Ele ia acabar morrendo se não pensasse em alguma coisa. Ele podia ter por um único minuto o charme de Piper ou a brilhante mente de sua namorada.
Ele tinha que viver, por ela.
–Thalia, será que você pode...
Os olhos de Thalia também estavam dourados.
–Só pode ta de brincadeira.
Thalia tacou seu escudo em direção de Percy. Ele tentou desviar. Mas o escudo acertou sua perna esquerda. Ele caiu no chão. Ele não podia vencer os dois. Ele sabia disso. Ambos eram extremamente poderosos.
Nico estava vindo em sua direção.
Ele olhou para o mar.
Água.
Percy com dificuldade, ficou de pé e criou braços de água segurando Thalia e Nico.
–Deixe-nos em paz. –disse Percy. Suor escorria por sua testa.
–Semideus, você foi longe, mas não vai nos reter para sempre. –disse “Thalia”. “Nico” ria como se não houvesse amanhã. Percy precisava de um plano. Rápido.
Quando ele olhou para o lado. Um exército de *Undead Legionnaire corriam em sua direção.
Percy quase quis rir, será que ele não podia ter um descanso? Dormir parecia uma boa ideia.
Quando Percy olhou para “Thalia”, ela ria. A risada não era dela. Não era amigável. Era de pura malicia. Aquele tipo de risada maldosa que você dá quando está caçoando de alguém.
–Minha senhora me chama. Divirta-se, morrendo. Queria poder assistir a isso. Gaia manda lembranças Jackson. –“Thalia” foi sugada pelo chão e Percy foi obrigado a deixar suas mãos de água se desfazerem. Os soldados estavam cada vez mais próximos. –Thalia...- ele sussurrou. Percy havia se livrado das armas de Nico e Thalia. Nico era menor que ele...
Percy agarrou Nico pela cintura e começou a correr, enquanto o mesmo batia em suas costas. Não seria fácil. As não fosse a adrenalina, Percy jamais conseguiria essa proeza. Então ele pulou a mureta.
Ele tem que sair dessa.
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