Notas iniciais
Como nenhum ser humano é perfeito, se notar erros me avisem... Comentem e me digam o que acharam

Era uma manhã preguiçosa, o sol havia nascido há algumas horas, eu havia acabado de abrir meus olhos. O quarto feito de roupas sujas espalhadas e calçados jogados me dizia um bom dia muito agradável, em um acaso meu pai havia acabado de abrir a porta no mesmo instante em que eu contemplava uma das belíssimas pilha de roupas.

– Brielle! Quando você vai arrumar essa bagunça? Sua mãe chega amanhã de viagem, se ela ver isso vai dizer que eu não sei cuidar de você.

–Qual é pai? Acabei de levantar, dá um tempo. – Minha voz se arrastava de tanto sono que eu possuia ainda.

– Se ficar fazendo esse corpo mole você nunca vai arrumar nada... E foi o que me prometeu antes de ontem! Arrumaria o quarto se eu deixasse você ir a festa da Sara.

Ah, a festa da Sara... Me diverti muito aquele dia! Fiquei feliz, não tinha problemas , meu cérebro estava a mil, mas também não lembro de nada, tudo que sei é o que minhas amigas me contarão depois e que eu cheguei em casa de carona com um garoto, foi o que meu pai me disse. Quem era? Eu e a Sara não temos muitos amigos em comum e como meu pai também não conhecia , creio que alguém que conheci na festa . Sabe de uma coisa que eu lembro muito bem? Era da minha dor de cabeça no dia seguinte e meu pai brigando por eu ter bebido, consequências dessa vida.

–Filha? Está me ouvindo ? – Ele gritou comigo, simplesmente berrou do nada

– Han? Han?

–Você entendeu o que eu te disse, – e então veio o seu famoso tom irônico na pergunta que eu nunca gostei – certo?

–Claro que sim , óbvio que eu vou fazer isso.

Eu praticamente não havia ouvido nada, mas ele não precisava saber disso. Ele sabia, por que ele nota nas minhas expressões o que eu me recuso a dizer, seja de um reles motivo para choro até uma mentira mal contada.

Meu pai era alto, lutou muito para se consagrar em um time de basquete , mas não deu certo e então virou chefe de um restaurante italiano. Quem esperava? Foi uma surpresa até para minha mãe que conhece ele desde os quatorze anos. O homem que mal estudava, só treinava basquete dia e noite, acima de tudo, nunca relou na panela perto dela nem para fazer um ovo frito, sabia cozinhar. Quando ele chegou em casa e disse que ia trabalhar em um restaurante como ajudante de chefe, eu ri quase chorei, mas não é que ele era bom! Logo virou chefe , chegou todo empolgado e minha mãe quase matou-o de tanta alegria. Ela nunca quis ele como jogador e por mais que ele gostasse muito nunca foi um dos melhores do time. Paul, esse sim se deu bem, era um dos amigos de papai, entrou para um time muito conhecido desses que eu nunca quero lembrar o nome, e se mudou para o exterior, sempre manda correspondência para cá e meu pai as recebe super contente.

– Então o que eu te disse? – ele me olhou severo, com aqueles olhos castanhos cor de mel que só ele tinha

– Para arrumar o quarto ? – Falei sem jeito quando finalmente me sentei na cama. O próximo passo, se levantar, estava próximo.

– Espertinha, e o que mais? – Aqueles olhos estavam perfurando os meus – Vamos, diga.

– Fazer o almoço? – Tentei mais uma vez

–Ótimo, então irá arrumar seu quarto, fazer o almoço e ir ao mercado. Muito bom você se oferecendo para as tarefas de casa.

– Pai .... Mas pai .. – Resmunguei.

Ele sempre fazia isso, quando falava para eu fazer algo e ignorava o que havia dito, simplesmente acrescentava tarefas e assim ia minha tarde toda cumprindo deveres de casa. Decidi começar pelo quarto e na hora que enjoasse começaria o almoço. Isso me levou quase o dia todo, meu quarto estava pior do que o lixão, se eu deixasse daquele jeito uma hora começaria a surgir baratas e aranhas. Odeio esses bichos.

A gentileza do meu pai dessa vez se superou, ele não me deixou fazer o almoço. Eu pegava o óleo e ele já falava da sala, não é assim que se faz. Até que eu cansei e gritei que se ele quisesse comer que viesse fazer, e nisso ficou, eu com fome e ele cozinhando umas três da tarde.

– Está pronto, venha... – Quando eu me aproximei já veio a desculpinha – Só não briguei com você por que eu vi uns monstros saindo de debaixo da sua cama, umas anomalias.

Fiz uma cara de pouco caso, me pus a comer. Estava divino, como a comida dele me agradava, cada pedaço me parecia um pouco do paraíso, eu voava longe com aquela macarronada com frango... Sim era uma simples refeição, mas parecia um banquete dos deuses. Se fosse eu teríamos comido um delicioso miojo, por que eu tenho o dom da cozinha, sou muito poderosa com uma panela na mão, tanto que tudo fica preto, ou seja, queima. Uma vez eu coloquei fogo em casa, ao invés de ligar pros bombeiros eu comecei a rir e meu pai pegou um balde furado cheio de água para apagar o fogo, demorou um bom tempo, mas ele apagou.

– Pai, quem me trouxe da festa da Sara? – Me lembrei daquilo enquanto mordia o frango, e realmente não conseguia me lembrar de rosto nenhum.

– Ah filha, não conhecia o garoto. Ele era educado, não olhei para o rosto. Eu tive que carregar você também, estava dormindo no banco do passageiro. – Notei que ele ficou um pouco triste por ter que dizer que sua filha ficou tão bêbada que não aguentou nem chegar em casa por conta própria

– Me desculpa pai. Nunca mais vou tomar nada, não vou fazer o senhor passar por isso novamente.

–Espero que não. A louça é sua. – Já havia limpado o prato, e seu rosto estava cheio de molho.

– Com prazer – tentei me redimir por não ter feito o almoço.

****

Louça lavada, quarto organizado... Só faltavam as compras, meu pai me mandou ir ao mercado com os meus dois pés, disse que eu estava ficando sedentária. Um absurdo isso, eu não gostava de esportes, o máximo que fazia era andar por ai com alguns amigos as vezes, mas também não era nenhuma sedentária. Já tentei de tudo, começou pelo futebol, foi pro vôlei, tênis, handball, biribol e não adiantava, nada me agradava, nem mesmo o basquete que estava no sangue. Minha estatura não ajuda muito para os esportes, essa é a minha eterna desculpa.

Chegando ao mercado, comecei a ver o que eu compraria. Meu pai havia pedido coisas simples para fazer o jantar para minha mãe, ela iria chegar de Boston. Fui direto aos doces, uns chocolates daqui e outros dali, e depois a óleos e farinha... PUM! Esbarrei em alguém. Fiquei atônita, com a cara branca e o saco de farinha havia explodido, no instante seguinte passou um jovem que trabalhava lá, disse que eu teria que pagar, eu só assenti. O garoto que havia me deixado branca passou por mim e apenas disse um desculpa.

Desculpa? Eu devia fazer você pagar por toda a minha compra, sua peste. Agora vou ter que devolver os doces que peguei a mais para mim.

Pensei em dizer, mas a feição dele me prendeu e só o observei passando, enquanto o carinha do mercado ia falando e eu assentia afirmativamente. Aquele rosto me era familiar, de onde eu não sabia, mas era. Continuei a fazer compras com a face branca, provavelmente mais branco do que meu normal, pois onde eu passava as pessoas me olhavam com uma cara de interrogação, depois seus olhos curiosos passavam pelo carrinho de compras e então riam ao ver o saco de farinha estourado.

Fica a dica: Quer chamar atenção? Passa farinha no rosto, todos irão olhar para você.

Meu pai riu pouco da minha cara branca, imagina. Tive que contar a história para ele, o que o fez rir mais ainda. Meu pai as vezes fazia um barulho de porco no meio das risadas, parecia que nunca tinha visto alguém com farinha na cara. Pelo que ele me disse não tinha apenas farinha, mas as minha digitais também, quando eu tentei limpar com a mão de leve, pelo jeito só piorei as coisas.

Quando cheguei em casa recebi uma mensagem : Você fica linda pálida kkk.

Não conhecia o número, mas também não estava a fim de descobrir, estava cansada demais, o máximo que eu consegui foi tomar um banho e desmoronar na cama... e sonhei, voei longe aquela noite, para perto de minha mãe, em Boston.