O romance que eu posso te dar
5 Roupas novas
Notas iniciais
Aquela mulher miserável e vulgar. Somente ela conseguia tirar ele do sério assim e sair viva. Vegeta estava transtornado, com tudo e com ele mesmo, como pôde? Como caiu tão baixo, sendo chantageado e ridicularizado por um ser tão inferior como aquela mulher? Ela tinha um poder estranho sobre ele, mesmo que ele quisesse não conseguia machucá-la de verdade, e não era pelas chantagens dela, era algo que ele não sabia explicar. Ela estava sempre com aquelas roupas vulgares, mostrando o corpo. Ele lembrava das guerreiras saiyajins, tão orgulhosas e belas, com suas armaduras de batalha, só se despiam para banhar-se e no momento de se acasalar para gerar um novo e magnífico guerreiro, junto claro com um guerreiro tão ou mais poderoso que elas. Agora aquela mulher, o tempo todo com os seios e as pernas à mostra, fazia ele ficar olhando para ela, pensando nela quando ela não estava por perto. Tentando entendê-la, se é que isso era possível.
— Humf, maldita! Como eu quero apertar aquele pescoço e fazê-la perder o ar – Vegeta dizia para si mesmo.
Logo em seguida foram ao shopping mais próximo. A Sra. Briefs disse que iria, mas acabou mudando de idéia, resolveu preparar novos e deliciosos doces cujas receitas eram exibidas no programa matinal de televisão.
Assim, Bulma pegou o carro voador e foi com Vegeta. Fizeram todo o trajeto em silêncio. Vegeta sentado no banco do passageiro com os braços cruzados e os olhos fechados, de vez em quando Bulma olhava para ele. Depois da discussão de mais cedo, ele ficou estranhamente calado, com certeza deveria estar irritado, então Bulma achou melhor não provocá-lo, ela já tinha conseguido o que queria mesmo, que ele ficasse e treinasse para depois ajudar a defender a Terra, e principalmente parasse com as ameaças, ela achou que essa era uma maneira sábia de lidar com ele. Depois que comprassem as roupas, ela deixaria ele treinar à vontade e prometeu a si própria ficar fora do caminho dele. Assim poderia se dedicar inteiramente ao Yamcha, ela estava pensando que depois da conversa que eles teriam, dependendo de como as coisas saíssem eles teriam a sua primeira noite. Só de pensar ficou arrepiada.
— Chegamos finalmente! – Bulma parou o carro e após saírem, uma leve explosão de fumaça e ele voltou a ser do tamanho de uma cápsula que ela guardou em uma pequena caixa junto com outras.
Vegeta olhava intrigado aquela bizarra tecnologia. Bulma percebeu e começou.
— Caso queira saber, meu pai inventou essas cápsulas. Aqui você pode armazenar o que quiser, até mesmo uma casa totalmente mobiliada, um avião ou um barco, qualquer coisa. Com a patente ele começou a produzir e logo ficamos muito ricos, hoje somos a única empresa no mundo que detém essa tecnologia, então, nós somos o máximo!
— Humf – Vegeta deu de ombros.
— Vamos logo, porque ainda quero ir ao salão de beleza hoje.
Entraram no shopping e Vegeta ficou muito incomodado, todos olhavam para eles. Bulma parecia não se importar, estava cantarolando distraída. Logo ele percebeu que as mulheres olhavam muito pra ele e davam risadinhas, ele ficou furioso de pensar que estavam rindo de suas roupas. Rapidamente entrou numa loja e Bulma o seguiu.
— Ei, espera aí! Você quer comprar aqui?
— Qualquer coisa e que seja rápido.
— Nada disso, vamos ver bem as lojas, pesquisar direito.
— Não! Eu vou pegar aqui mesmo! – ele foi entrando na loja.
Um vendedor se aproximou.
— Posso ajudá-lo, senhor?
Vegeta empurrou-o e o pobre coitado caiu de costas no chão sem entender nada. Vegeta foi direto na prateleira das camisas e pegou a primeira que viu, uma camisa preta de botão. Ele rasgou aqueles panos rosas que a Bulma chamava de camisa e logo foi vestindo a camisa preta. As pessoas ao redor olhavam alarmadas. Pensando que fosse algum vândalo que destruiria a loja, o vendedor que havia sido derrubado no chão foi até ele e pediu para parar, que chamaria a segurança. Vegeta agarrou o homem pelo pescoço e estava quase jogando ele longe, quando Bulma apareceu.
— Tá bom, tá bom, é suficiente! Largue o homem, ele é o vendedor, não precisa fazer mal à ele.
Vegeta colocou ele no chão.
— Ele está com a senhorita? – perguntou o vendedor atônito.
— Infelizmente – ela respondeu – mas pode ficar tranquilo que ele vai se comportar de agora em diante, vou dar o calmante dele.
O vendedor saiu de perto não sabendo quem era mais doido.
— Está louco? Quer que sejamos presos? – ela olhava irritada para Vegeta.
— Esse verme quis se aproximar de mim, eu tinha que matá-lo.
— Demente! Este é o vendedor, ele é funcionário da loja, está aqui para nos ajudar a escolher as roupas que vamos comprar.
— Eu não preciso da ajuda de ninguém. Viu? Já até comprei uma camisa.
— Não, seu idiota, você não comprou nada, você só pegou a primeira coisa que viu e vestiu. Até um macaco é capaz de fazer isso. Ah! Mas nossa, ia me esquecendo, você é um macaco mesmo, mostra o rabo pra mim, mostra! – Bulma ria com a própria piada.
— Maldita! Deixe dessas vulgaridades, mulher. Afinal o que tem de errado com a minha camisa?
Bulma olhou bem, ela pensou em sacanear com ele mas foi sincera. Era uma camisa preta, o tecido firme porém suave ao toque, caía perfeitamente nos ombros largos e deixou os braços musculosos bem livres, além disso, a cor da pele dele contratava com o negro do tecido, que por sua vez era tão escuro quanto o cabelo e os olhos dele. O conjunto combinava perfeitamente.
— Não tem nada de errado. Está muito bom na verdade – Bulma foi ajustar o colarinho e Vegeta recuou – Calma, só vou arrumar aqui – e muito segura se aproximou dele para arrumar o colarinho.
Vegeta prendeu a respiração, ela estava bem perto dele, as mãos macias passavam suavemente pelo colarinho da camisa ajustando aqui e ali, de repente sem querer seus dedos encostaram no pescoço dele e ele sentiu como se tivesse tomado um choque. Sem se dar conta disso, Bulma continuou.
— Olha o serviço, olha o serviço! Você fechou os botões errados! Tem que colocar cada botão em seu respectivo furo! – disse isso e foi abrindo a camisa dele.
Vegeta estava paralisado. Não sabia o que fazer, pensou em explodir todo o lugar e sair voando dali, mas não, ela se machucaria. Ficou abismado que estava pensando na segurança dela. Bulma abria os botões da camisa e enquanto isso o peito forte e musculoso de Vegeta era revelado, ela tentou não olhar, mas ele era forte demais, muito mais que o Yamcha, além disso a pele era lisa e levemente bronzeada, como podia? Afinal o homem vivia com aquele collant de bailarino que ele chamava de “roupa de batalha”, em que momento ele tomava sol?
— "Essa deve ser a cor dele mesmo- ela pensou — Que cor de pele linda..."
Desceu até o abdomên. Minha nossa! O que era aquilo? Era o abdômen mais perfeito que jamais vira, todo trabalhado e desenhado, era perfeito demais. Instintivamente, Bulma passou os dedos suavemente por aquele abdômen. Vegeta deu um pulo.
— Deixe que eu faço isso – ele puxou a camisa bruscamente e começou a fechar os botões, dessa vez tomando cuidado para fechar certo.
Bulma estava envergonhada.
— "Nossa que idiota que eu fui! Porque tinha que por a mão nele? Estou ficando doida e nem percebi?" — ela pensava.
— "Nossa, mas é um corpo bonito demais, queria ver tudo, tocar em tudo. O quê? O que está pensando? Está louca de vez?" Era a consciência dela novamente.
Para disfarçar, Bulma chamou o vendedor e pediu que ele trouxesse algumas calças jeans. O vendedor perguntou o número, como ela não sabia perguntou ao Vegeta.
— Número de quê? – ele perguntou seco.
— Da sua calça oras, que número você veste?
— Eu não faço idéia, nunca precisei saber disso.
— Deixe eu olhar então – ela foi atrás dele e colocando a mão dentro da calça para pegar etiqueta.
— Está louca, mulher? Tire as mão de mim! – Vegeta deu um pulo e o vendedor disfarçou o riso.
— Fique parado e quieto, assim poderei ver o número da sua calça – ela colocou a mão novamente e puxou a etiqueta, Vegeta estava com um olhar terrível – Pronto aí está, é 42 moço. Pode trazer várias.
Antes de devolver a etiqueta, ela não pôde deixar de notar a rigidez daquelas nádegas.
Depois disso escolheram as roupas sem maiores confusões. Vegeta queria levar somente uma camisa e uma calça e Bulma precisou argumentar que aqueles não eram tecidos especiais para batalha, eram tecidos que se desgastavam mais rápido e sujavam com facilidade, portanto ele teria que ter várias calças e camisas, além de cuecas, meias, blusas, bermudas e malhas para treinar.
Acabaram levando um montão de coisas. Vegeta se sentiu muito estranho saindo com sacolas nas mãos, nunca havia feito isso antes. Estava irritado por ser algo completamente fora do normal pra ele, mas no fundo achou a experiência até mesmo agradável.
Na volta, Bulma foi falando o tempo todo, ela narrava os acontecimentos do dia como se por acaso ele não soubesse de nada, mesmo tendo participado de tudo. Ela ria bastante e o som da sua risada parecia menos irritante daquela vez, foi o que Vegeta pensou.
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