O romance que eu posso te dar
10 Despistando
Notas iniciais
Ao acordar, Bulma viu que Vegeta não estava mais na cama junto com ela. Ela se entristeceu um pouco, mas pensou no sonho maravilhoso que tinha sido a noite anterior e ficou reconfortada. A cama ainda tinha o cheiro dele, os lençóis também, tocou-se embaixo e sentiu a umidade do líquido dele. Estava tudo ali, a prova da noite de amor que teve com aquele homem delicioso. Não sentiu culpa, nem vergonha, só aquela sensação de plenitude que a fazia suspirar.
Levantou-se e foi tomar um banho. Se sentia tão bem, o corpo tão relaxado, a alma completa o coração flutuando, a mente vazia de preocupações. Depois do banho colocou um vestido folgado branco acima dos joelhos, perfumou-se e passou uma maquiagem leve.
Desceu para o café da manhã, encontrou o pai na cozinha, o beijou e o abraçou.
— Nossa, mas o que houve com essa menina? – Dr. Briefs estranhou tanta felicidade depois de um período de reclusão.
— Ai papai, estou feliz, muito feliz!
Nisso a Sra. Briefs entrou na cozinha, ela trazia flores amarelas que havia acabado de colher e pretendia enfeitar a mesa.
Bulma foi até ela e a girou nos braços, ficaram dançando para lá e pra cá, rindo muito.
— "São doidas as mulheres dessa família." — Dr. Briefs pensou, mas não pôde deixar de ficar enternecido com a felicidade da filha.
Ele já imaginava qual era o motivo: o rapaz forte e mal encarado que habitava sua casa, sem pedir permissão nem nada, que ficava trancado o dia todo na sala de treinamento e calado nos poucos momentos que estava perto das outras pessoas. Bom, por pior que fosse, ele pelo menos parecia ser mais confiável do que o anterior, aquele Yamcha, tão educado e galante, conhecia pessoas assim, a vida inteira lidou com pessoas que se mostravam perfeitas até conquistar o que queriam, depois suas verdadeiras faces eram reveladas.
— "Ainda bem que me minha filha se livrou daquele traste" — ele pensou. E torceu para que o mal encarado e pessimamente humorado Vegeta pudesse fazer sua filha verdadeiramente feliz.
**********
Vegeta acordou bem cedo, eram cerca de cinco horas da manhã quando abriu os olhos. O corpo estava relaxado. Olhou ao redor e viu Bulma, se sentiu péssimo quando lembrou que se entregou completamente ao seu desejo por ela. Se sentiu um fraco, afinal, é claro que aquilo iria atrapalhar seus planos de treinar firmemente para superar o nível do Super Sayajin. Além disso, se Bulma tivesse se apaixonado por ele, ele teria que ir embora e abandonar as vantagens de ficar na casa dela.
— "Mas o que eu estou dizendo? — ele pensou".
Apaixonada? Impossível a terráquea nunca se apaixonaria por ele e ele com certeza não se envolveria emocionalmente com ela, esse tipo de relação só traria problemas aos dois, principalmente para ele, que era um príncipe guerreiro com o único objetivo de ser o mais forte do universo. E existia o inútil do Yamcha, eles ainda deveriam estar juntos de alguma forma.
— "Ela deve ter feito isso para se consolar do Yamcha" — ele pensou.
Mas então lembrou de como ela o abraçou e parecia muito lânguida nos seus braços, seus gemidos, parecia que ele ainda podia ouvi-la, não era possível ela ter estado com ele daquela maneira tendo o pensamento em outro homem.
Ele ficou olhando para o rosto dela, belo e sereno, parecia uma deusa, com os cabelos azuis, aquela boca carnuda que ele tanto desejava, queria tocá-la denovo, entrar naquele corpo mais uma vez, mas não poderia, não poderia continuar com essa fraqueza, ele teria que focar nos seus objetivos de superar Kakarotto e assumir o papel de guerreiro mais forte do universo que deveria ser dele. Resolveu se afastar o mais rápido possível antes que a situação se complicasse, como príncipe era a melhor coisa a fazer, não poderia usar uma mulher. Então antes que ela pudesse se envolver por ele, ele somente iria focar nos seus objetivos. Iria manter-se distante dela, custe o que custar.
Ele saiu em silêncio, atravessou a casa e foi para o seu quarto no andar inferior. Lá tomou um banho, passou na cozinha e tomou um café, sempre havia uma mesa pronta à sua disposição logo cedo, ele não fazia idéia de quem preparava. E foi imediatamente treinar. Resolveu alterar os horários das pausas, assim evitaria Bulma, afinal ela já conhecia a rotina dele e poderia fazê-lo perder o foco.
**********
Bulma passou a manhã inteira despreocupada, ajudou a mãe nas tarefas, que consistiam em cuidar das flores e preparar chá e doces. Ficou apreensiva quando deu meio-dia e nada do Vegeta sair da sala, foi lá olhar e ele treinava loucamente, estava com o olhar muito concentrado, sem camisa, seu corpo todo suado, ela viu os músculos das costas contraindo a cada golpe, e lembrou da noite anterior, com ele dentro dela e ela se agarrando àquelas costas.
Quando deu uma hora da tarde, já com muita fome ela foi almoçar. Ao terminar voltou para a sala e viu que agora ele não estava mais, imediatamente voltou até a cozinha, ele não estava lá, foi até o quarto dele e nada. Ficou preocupada.
— "Onde será que ele se meteu?" — ela pensou.
Foi andar ao redor da casa, e nada. De longe, no alto da casa Vegeta a observava, como ele havia imaginado, ela ficou aguardando por ele nos horários habituais, com sacríficio conseguiu despistá-la. Resolveu que voar até o alto da casa seria o melhor a fazer, lá encontrou um local isolado e de difícil visualização para quem estava no chão e fez seu almoço ali. Esperou ela se afastar da sala de treinamento para ir até lá. Quando ela voltou ele já havia voltado a treinar, e ela não poderia interromper, além de não ter sido esse o combinado, para abrir a sala, a gravidade do lado de dentro teria que ser a mesmo que a do lado de fora, senão o corpo da pessoa não poderia resistir, ele já estava treinado a mais de 200 vezes a gravidade da Terra, se ela abrisse a sala ele poderia morrer, era muito perigoso. Deitou-se ali na frente e acabou cochilando. No fim da tarde, Vegeta fez uma nova pausa enquanto ela dormia, depois voltou rapidamente e ela achou que ele não havia saído.
Já alimentado ele pôde estender o treino até meia noite. Mas cansada de esperar, Bulma retirou-se para ir dormir muito antes disso.
***********
Nos dois dias que se passaram foi a mesma coisa, Vegeta driblou todos os horários e conseguiu se manter longe de Bulma. Até que ela entendeu que ele a estava evitando. Aquilo tudo deve ter sido uma noite e nada mais pra ele, rapidamente ela se entristeceu denovo e passou a ficar trancada no quarto durante todo o dia. Ela sentava-se diante da janela e ficava horas e horas olhando para a direção da sala de treinamento. Quando via ele saindo ela chorava, não acreditava que tinha sido tão boba se entregado para um homem sem ter nenhuma garantia do amor dele, ainda mais o Vegeta, com o histórico terrível de crueldades que ele tinha, ela não acreditava que podia existir qualquer sentimento de amor ali.
Agora o Yamcha era só uma sombra na mente dela, a escuridão verdadeira chamava-se Vegeta. Depois de vários dias de reclusão a mãe foi até ela para saber o que estava acontecendo. Ela temeu em falar, pois achou que a mãe a repreenderia.
— Ai mãe, eu quero morrer! Eu fiz a maior besteira da minha vida – ela chorava dolorosamente.
A Sra. Briefs, sabendo que dessa vez era diferente confortou a filha, dizendo que não precisava contar nada se não quisesse, somente que chorasse no seu colo para limpar a alma. Com isso Bulma se sentiu segura que a mãe não a repreenderia e contou tudo, a confusão com o Yamcha e algumas semanas depois que havia se entregado ao Vegeta e que agora ele a estava evitando.
Como esperado a Sra. Briefs, não disse nada, somente tomou a filha nos braços e a deixou chorar.
Fale com o autor