– Pode ser.

– Está bene, comecemos. Hoje vamos formar pares, pessoal a Cátia saiu da dança por isso os pares vão ser novos e melhores.

O professor junta os pares, que vão-se rindo e falando entre si. Luísa olha-os, olha depois para o chão e alguém lhe estende a mão. Era o professor a sorrir:

– És nova aqui, mas não vais dançar sozinha e tenho o par ideal para ti.

O Dani procurava par. A Cátia, tinha sido o seu par, mas tinha ido para outro país.

– Queres ser o meu par?

– Eu já tenho obrigado.

– Tu já tens par?

– Tenho querido, desculpa.

– Roxy, sabes de alguém sem par? É que a Cati era o meu par e…

O professor puxa a mão de Dani e a mão de Luísa e junta-as.

– Aqui está o vosso par e não quero nem uma fala.

Dani olha para Luísa com uma cara séria e de descontentamento, Luísa olha para o chão e fica envergonhada. Dani repara que ela não está à vontade e ele também não lhe apetecia dançar com quem não conhecia e não sabia dançar. Esfrega cabeça com uma mão. A música começa a tocar. Luísa continua a olhar para o chão, não sabia o que fazer, quase chorava. O professor chega e junta-os os dois e quase que suas caras se tocam, mete a mão de Daniele na cintura de Luísa, a dela no ombro dele, junta as outras mãos e depois faz uma pausa e diz:

– Ah, já sei, o que tem de errado. – o professor levanta o rosto de Luísa para o Daniele.

– Aha, perfeito! Agora Dani o homem guia a mulher.

– Está bem.

O professor vai embora e explica os passos. Os dois ficam muito envergonhados no princípio, ele olha para Luísa de relance. Luísa tenta acompanha-lo desastradamente, ele nota que ela esforça-se e que ela não o quer atrapalhar. Começa a dançar Luísa olhou para a cara dele, estava tão sério e levava-a pela mão como uma princesa, e os olhos azuis sempre com a mesma expressão. Pisou-lhe o pé:

– Desculpa. – disse encolhendo a cara para o chão.

– Continua a dançar. – disse Daniele olhando para o infinito.

Volta a acontecer o mesmo diversas vezes. Ela pede desculpa e ele começa a zangar-se com ela. Ela quase que cai em cima dele. Pisa-o mais uma vez no pé e ele briga com ela, para que ela tenha mais cuidado. Daí a pedaço começam os dois aos berros, um contra o outro:

– És estúpida. Não sabes onde metes os pés!

– Parvo, tu é que pões os pés no lugar errado.

– Não sabes dançar, nem sei porque tenho que te aturar.

– Bronco, odeio-te mesmo muito!

– Boa! Eu já não gostava de ti, assim não tenho que te gramar mesmo.

– Eu vou-me embora.

– Parem os dois, amanhã os dois irão ficar mais 2 ou 3 horas depois das aulas, a fazerem estes exercícios. – diz o professor

– Eu não sei se volto.

– Isso mesmo! Não voltes e vai para casa, não serves mesmo para isto. – diz Daniele.

– Cala-te!

– Calem-se os dois tu vens e não ligues ao Daniele porque ele sabe que todos podem dançar e tu não és excepção à regra.

– Obrigada.

– Mas também errastes e quero que peçam, desculpas um ao outro. Vamos estão à espera de que? Que o Papa volte de Roma?

Eles dão uma mãozada e Luísa vai-se embora depois do professor dizer os horários, que material trazer e o de terem de tomar banho depois da dança e comer e beber sempre algo antes da dança. Luísa telefonou para a mãe, porque já era tarde e tinha receio de ir sozinha.

No carro a mãe tinha-se arranjado, o pai e ela faziam anos de casados. Começou a mastigar chiclete e perguntou:

– Porque demoraste tanto?

– Porque encontrei um amigo e convidou-me para ir a uma aula de dança, noutro sítio.

– Noutro sítio? E tu queres? Tu te inscreveste?

– Sim e já estou inscrita.

– Vais vir pelo teu próprio pé?

– Acho que sim.

– Vai ter que ser, quando começas?

– Terça, ou seja amanhã.

– Já, mas hoje também havia?

– Acho que sim, dancei uma dança gira.

– Ainda bem que gostastes. E o teu amigo como se chama? Eu conheço?

– Alguém. – respondeu Luísa a milhões de distância dali.

– Alguém quem? – perguntou a mãe confusa.

– Ele chama-se Daniele é um parvo, só briga com as pessoas.

– Tem cuidado com essas amizades, hoje vou jantar num restaurante com o teu pai.

– Por isso é que te puseste toda linda.

– Claro, ele merece.

– Pois é.

Chegando a casa Luísa tentou acordar o irmão. Levantou-lhe a pálpebra para cima e soprou-lhe, este começou a resmungar. Puxou ele para fora da cama da sua mãe e este caiu. E começou a brigar com ela. Depois de toda a resmunguice, ela guiou-o até à cama dele e abafou-o. É mesmo um bêbado quando dorme, pensou Luísa. Foi para o seu quarto, depois de jantar com o seu avô. Tinha tanto carinho por ele e ele por ela. Admirava-o muito. Quando era mais pequena sempre lhe dava chocolates Kit Kat ou Ferrero Rocher, enfim um monte deles. Tal como ela, gostava de animais embora deixasse claro que o lugar deles é na rua. Querido com todos, sofreu quando a avó partira. Ela era muito ciumenta, um pouco vaidosa, achava nojento os animais, mas tembém era carinhosa, preocupada com os outros e era inocente. Tinha saudades dela, embora por vezes andassem às turras adorava-a, enfim… amava-a. Quando lhe deram a notícia não queria acreditar, chorou e depois suas lágrimas deixaram de cair, fingia que ela estava no hospital e voltaria um dia. Foi dormir depois de ler, ter lavado os dentes e a cara. O telemóvel toca e o som acorda Daniele. Daniele ouve uma voz toda risonha e alegre.