Era Roxy como sempre a saltar jogou-se para cima da cama. Daniele começa a remungar:

– O que foi avestruz?

– Vamos para a escola juntos? Quero ir contigo.

– Mas não tenho pachorra. Deixa-me dormir – e abafa-se novamente.

– Vamos, vamos, vamos e vamos!

– Vamos! Está bem, já vou. – diz Daniele tentando despachar Roxy.

– Eu já vinha, Roxy não precisavas de acordar o Dani. – disse Rafael.

– Rafael, ‘tas a usando o meu elástico? – diz Sam.

– Estou, porque tu precisas? – perguntou Rafael.

– Só para ter a certeza que não foi a “menina” do Roxy que me tirou.

– Ahaha! Porquê? Eu não posso usar as tuas coisas? – diz Roxy com um beicinho.

– Por isso mesmo “porque são minhas”, vá bora Dani, já tas…

– Pronto? Sim, estou. – diz Dani, levando um casaco na mão.

– Vamos!!! – grita Dani alto, quando estavam a acabar o pequeno-almoço.

As folhas no céu pairavam, os rapazes vinham distraídos e fingiam que o que não era natural para os outros, era natural para eles. Naquela rua havia coisas que não eram boas, o seu cheiro parecia apodrecido e os sons eram pesados. Todos os dias atravessavam aquela rua e só na escola sentiam que eram mesmo diferentes. Na escola todos se conheciam fosse pelo nome, alcunha ou pela forma como eram. Eram todos “irmãos”, uns eram muito amigos, outros nem por isso. Na turma de Sam havia uma coisa que não separava-os, que unia-os…a arte. Todos amavam-na, viviam-na.

A professora de Artes chamava-se Rose Mira. Ela era como o nome indicava uma flor, delicada e bela, todos os alunos a adoravam e a respeitavam. Embora flor sabia impor-se e por isso ninguém lhe levantava a voz. Chegando à sala de aula, os alunos viram nas suas mesas um avental, barro e folhas de jornal. A professora já esperava sentada, com o seu avental branco, afastando o seu cabelo longo encaracolado disse com os seus olhos castanho esverdeados que sempre preocupados andavam com os seus alunos mais queridos:

– Hoje vamos trabalhar com barro, trouxe uns aventais e não se esqueçam de forrar a mesa para não sujar e deixar tudo limpo! Por favor!?

– Claro e obrigado! – disseram em coro.

– De nada. Lindos meninos e lindas meninas!

Sam ajudava Dani a vestir o avental. Daniele ajudava Sam, o Roxy e muitas raparigas que diziam necessitar da sua ajuda. Daniele começou a pensar e encontrou a sua inspiração. Daniele começou a moldar o barro. Roxy não conseguia fazer o que queria e pediu à professora que lhe desse a máquina de fazer vasos de barro. Começou a moldar o vaso até que sentiu uma coisa na sua cara, barro. Tinha sem querer mandado barro para a sua própria cara, mas não se apercebera disso e pensou que tinha sido um dos seus colegas:

– Dani porque me mandaste barro!?

Este não respondeu e continuou a moldar a sua figura, indignado Roxy mandou-lhe barro para a cara de Dani, mas este voltou a não ligar-lhe e continuou o seu trabalho.

Roxy voltou a mandar barro mas falhou e calhou no Rafael, este cá não gostava de brincadeiras e mandou de volta o barro à sua origem, ao Roxy. Dois bocados de barro passaram pelo ar e aterraram no Roxy e na Fátima que mandou e calhou na Rouxinol, voltou a mandar para Tiago e daí a um instante estava toda a turma a jogar barro e até a professora tinha sido atingida. Só uma pessoa continuava a trabalhar, como entranhado no trabalho, Daniele parecia que nem se encontrava naquele mundo de algazarra. Depois Roxy encontrou uma coisa mais interessante….tin…ta…rosa! Teve a ideia mais descabida que lhe disse joga-a. E assim o fez, caiu um monte de tinta do rosa pelo ar até que aterrou num alvo inesperado. A estatueta do Daniele e todos os presentes naquela sala tornaram-se rosa. Daniele levanta-se da sua mesa que estremece e grita:

– Mas quem foi a besta-quadrada!? Quem deitou esta cor horrenda na minha escultura!? Eu vou pendura-lo na antena da TV Cabo. Eu vou…

Roxy ia se esondendo até que a professora falou pondo a mão no queixo concentrada na estátua rosa.

– Acho que não ficou assim tão mau, acho que está interessante. Não acham?

Todos abanavam a cabeça com a mão no queixo e dizem todos em coro:

– Francamente sim professora. Parabéns Dani!!!

Saíram da sala para o balneário, todos olhavam para eles perguntando que desastre ocorrera naquela sala de aula. Já na rua:

– Então Dani parece que fostes o único com nota positiva na aula.

– Ya, mas tinha imaginado noutra cor.

– Ei Sam, vamos ao centro comercial juntos?

– Roxy, nem penses que te escapastes, eu vou vingar-me.

– Desculpa foi sem intenção.

– Ok desta vez passa, mas compras-me um chocolate Crunch.

– Ok! Sam por favor?

– Não posso, tenho cenas combinadas e dança. A propósito Dani como vai a dança com a menina garina nova? La la la – diz Sam dando uns passos de dança e depois fazendo uma cara de zangado.

– Não gozes, o stor passou-se. Nunca hei-de conseguir dançar naquelas condições.

– Sim, não há condições… Não há Dani sinceramente – abana a cabeça em forma de negação e depois dá uma enorme gargalhada.

Luísa na sua escola, fala com Jorge e conta-lhe acerca de DAniele:

– Ele não sabe ensinar e depois briga comigo. Odeio-o! Pronto odiar é muito forte, portanto não gosto dele. Não me respeita.

– Sim, mas podias falar com o professor para trocar de par.

– Não, não posso.

– Vais ver, vais conseguir dançar optimamente com ele.

– Não sei, mas vou lá hoje. Estou começando a fazer novas pulseiras.

– Devem ‘tar cutties. Lol

No final do dia o Jorge acompanhou Luísa à paragem e Sofia também.

– Não te percas no autocarro, já sabes…

– Sim, Luísa apanha o autocarro certo.

– Ahaha não precisam de gozar.

Luísa foi andando de autocarro, enquanto olhava para o mar. Era tão linda a paisagem, relaxava-a e levava-a para novos sítios. Pensava e sonhava, imaginava histórias até que chegara ao lugar pretendido. Agora pensava o quanto vai ser difícil aturar o seu par. Não gostava dele, tinha um ar esquisito e brigava com ela a todo o tempo. Chegou à sala logo as raparigas começaram a falar com ela em forma de boas-vindas. Depois olhou para o lado e lá estava ele com umas calças pretas, sapatilhas azuis escuras e branca, uma t-shirt larga branca com uns desenhos azuis e claro aquele cabelo esquesito. Olhou-a com cara séria, depois continuou a arranjar-se e a falar com colegas principalmente com um tão alto quanto ele, com um enorme cabelo negro. O professor chegou e começaram a dançar. A dança tinha de ser feita perto do seu par em que os seus corpos tocavam. Luísa não queria. Dani já estava habituado mas ela se afastava e não podia dançar assim com ela. Puxou-a para o seu pé. Luísa sentiu-se desconfortável, sentiu a mão grande do Dani na sua barriga e afastou-se. Daniele voltou a puxa-la, ela ficou a dançar direito até que sentiu a mão de Daniele a descer-lhe pelas costas abaixo. Explodiu, gritou com ele, deu-lhe uma chapada e chamou-o de pervertido. Daniele também se passou e agarrou-a mesmo de propósito, Luísa tentava afastar-se, depois ele pô-la nas suas costas como um saco de batatas e ela gritou e abanava os pés tentando dar-lhe pontapés. O professor decide parar com a confusão novamente:

– Sinceramente, acho que vou desesperar! Vocês dos dois por favor são adolescentes não crias de gorilas ou cangurus ou coisa parecida. Vou pôr-vos a dançar correctamente hoje nem que seja a última coisa que faça.

– Separe-nos. – disseram ambos em coro.

– Nunca a partir de agora serão um par de dança para sempre! E vão ficar até mais tarde, tenho uma surpresa para vocês os dois.

– ‘Tas a ver a culpa é tua, por pores as tuas mãos em lugar que não era teu!

– Sim, a dança é assim senão nem tocava em ti!

– Pervertido!

– Está bem vamos dançar.

Dançaram a aula toda “amuados” e no final depois de todos irem para casa eles ficaram os dois sozinhos à espera do professor. Quando ele chegou vinha sorrindo e trazia numa mão cintos negros.