O reverso do Diamante
19 Os balneários....
Ela vai para o balneário com as suas colegas. Sentadas elas conversam um pouco antes de começarem a tirar a roupa.
– Luísa espero que consigas o dinheiro logo. – Taty tira as meias.
– Tu e o Daniele são muito maus um para o outro. Deviam começar a dar-se melhor. – aconselha Lisa só de roupa interior.
– Eu não tenho culpa. Ele irrita-me…- Luísa olha para os seus pés descalços.
– Não lhe ligues. Dá-lhe desprezo os rapazes gostam disso. – diz Joana.
– Pelo amor de Deus, raparigas difíceis… Bahh. Eles nem sabem o que pensamos e já dizem que somos maluquinhas. – diz Lisa.
– Pois, meninas, somos como somos, loucas e difíceis! – diz Joana saltando.
– Eles que se lixem. Afinal com a modéstia à parte, somos boas como eles dizem. – ri Fátima.
– É isso mesmo! Auto-estima em cima. Nada de chorar por homens que não nos merecem. – diz Mariana e Taty olha-a sorrindo.
Elas já estavam todas despidas, prontas para o banhinho. Luísa continuava sentada com vergonha de tirar a sua roupa. Tinha vergonha de um corpo que tentava esconder de todos os modos. Se pudesse a cara também esconderia. Sofria com isso, mas não queria que ninguém soubesse. Olhava para as colegas e reparava como eram lindas, com as curvas todas tão desejadas pelos rapazes. Uma cara linda, com pele sem um vestígio de borbulhas e cabelos bem arranjados. Luísa não tinha um corpo assim, não se achava magra de todo. Quanto às curvas essas eram poucas. Achava o que tinha pouco. Sonhava em ser, um dia tão bela, quanto as princesas perfeitas em todo o seu ser. O seu cabelo negro liso, que por vezes nem isso parecia principalmente de manhã que estava espigado e mal penteado. Sua cara transportava cicatrizes de antigas borbulhas e borbulhas novas. Tinha umas sobrancelhas negras da cor do carvão e grossas que herdara do pai. Não era alta como as modelos. Tinha os olhos castanhos, grande coisa… Uma boca vermelha, um nariz arrebitado e sua pele tinha cor esquisita não era branca, nem morena, era mais amarela misturado com branco. Se não usasse lentes usaria óculos que ainda mais lhe escondiam os olhos. Suas unhas eram compridas, embora isso, não tinha tempo para as pintar. Que horror! Que vergonha! Por mais que se arranjasse ninguém lhe dizia a quão bonita estava. Apenas os amigos ou a família, embora os amasse e o que lhe diziam ser muito importante para ela, faltava algo. Ouvia as amigas falarem de rapazes apaixonados por elas e dos seus namoros. Ela não sabia o que era isso. Sentir os lábios de alguém lhe tocarem nos dela… De sentir que essa pessoa só precisa dela para se sentir bem. A sociedade agora olhava tanto para o de fora, esquecera-se do de dentro. Rapazes e raparigas ofuscados em perseguir aquilo a que chamavam beleza. O que é a beleza? E aqueles que são considerados feios, para onde vão? Não merecem encontrar O amor. Luísa queria tirar sua pele, destrui-lo por completo para nem ter de vê-lo nos espelhos. Ela lembra-se de quando percebeu que não era o ser perfeito:
“Estava toda muito bem bonitinha. Pensava eu. Levava colar, brincos, uma camisola verde com bordados laranja, uma saia comprida de ganga com umas correntes e umas botas castanhas que a minha mãe me dera. Estava contente, ia para a festa do natal da escola, o que significava amigos e férias. Deitei um perfume que cheirava muito bem. Meu cabelo estava bem penteado. Sorri, ri-me com os meus amigos. Eles também estavam a gostar de começar as férias. Brinca-mos e vimos os espectáculos. Estava tudo bem. Virei uma esquina à procura das minhas amigas, queria falar com elas. Ao vira-la um rapaz, sentado, olha-me e diz-me:
– Sabes uma coisa, és feia! E estás horrível. – diz ele sério.
Não respondi, segui meu caminho...mas… por dentro…. estava partida. Tive tanto trabalho para ficar radiante e no final daquilo tudo eu era horrível. Era isso que pensavam da minha aparência. A partir daí deixei de pensar o contrário. E não foi preciso muito para que com o passar do tempo ouvisse mais comentários assim, acostumar e aceitar foi o que decidi fazer para não arranjara confusão.”
Joana a acorda.
– Vais tirar a roupa? Ou tomas banho assim? – Joana era sempre muito amável.
– Vai tomar o teu que eu já vou. – Luísa olha para o lado abraçando o seu corpo.
– Não me digas que tens vergonha. Vai somos todas mulheres, o que tu tens eu tenho. Anda lá. – diz Joana.
– Eu não me sinto bem, o meu corpo…
– Não quero saber, vem nem que seja de fato de banho. – sorri Joana.
– Está bem. – ela tira a sua roupa e fica em fato de banho.
Fica num canto sozinha. Enquanto as outras vão para o outro e riem-se. Elas ainda a chamaram mas nada feito. Depois de se vestirem, umas penteiam o cabelo e vão falando:
– Os rapazes ainda devem estar a tomar banho. – ri-se Mariana penteando-se.
– Podes querer, devem estar lindinhos. – Joana ri alto.
– Suas raparigas perversas. – diz Taty vestindo as calças.
– Também acho. – diz Luísa baixinho.
– Quando foi a ultima vez que os vi…. vocês sabem… — diz Alicia uma rapariga morena de cabelo castanho amarrado.
– Ah muito tempo! Temos de voltar a mandar uma espiã, inexperiente no campo. – Joana olha de raspão para alguém que já tentava sair sem ninguém perceber. – Luísa tu já viste gajo todo nu?
– Joana, isso não se pergunta à menina!!!! – ri Tina uma loirinha de pele muito branca.
– Não me lembro, talvez o meu irmão em bebé. Ah e nos livros de ciências aqueles bonecos esquisitos. – diz ela a medo.
– Isso não conta! Vamos mostrar-te os verdadeiros machos! Ahahahaha! – ri Joana que pega em Luísa pelos braços.
Luísa não querer percebe a intenção das colegas.
– Vão levar um soco largam-me!!!!! – grita ela a bom som.
Elas continuam a leva-la à força, Luísa já estava vermelha, nervosa e quente. Vê o sinal de Wc/balneários com um homenzinho desenhado. Elas abrem a porta e Luísa é jogada pelo ar, até aterrar no chão escorregadio. Está cheio de vapor aquela atmosfera. Ela tenta abrir a porta que é puxada pelo outro lado. Vira-se para o interior e por meros segundos, vê os rapazes todos excepto um. Logo esconde a cara. Todos tapam com as mãos ou o que tivessem por perto para tapar o seu “lugar privado”. Luísa fica agachada e com a cara tapada pelas mãos. Os rapazes aproximam-se dela envoltos em toalhas. Alguns riem-se e dizem:
– Que menina pervertida!
– Luísa nunca pensei que entrasses aqui para nos veres nus! – diz Roxy deceppcionado.
– Eu… naão queria! – diz Luísa sempre de cara tapada pelas mãos.
– Pois, mas viste-nos…
– Por isso, nós vamos te castigar.
Alguém interrompe o falar desse rapaz e pega em Luísa e põe-a num dos Wc’s. Ela olha para cima e vê Daniele, vermelho e chateado grita aos colegas:
– Vistam-se já! E saiam que ela já não vai ve-los!
– Mas Daniele queríamos brincar um pedacinho com ela!
– Saíam! – ordenou Daniele.
Logo ouviu-se eles a vestirem-se e a irem embora. Luísa continuava com o coração a bater sentada numa sanita, com o Daniele de pé e com as suas mão na parede. Ele estava tão envergonhado, mas mantinha a sua cara de zangado. Ele tinha apenas umas calças de ganga vestidas. Depois de todos saírem, ele abre a porta do Wc e vai vestir-se:
– Agora vou te por no autocarro e vê se não me chateias. – Luísa ia dizer qualquer coisa mas é interrompida. – Ah, e não voltes a entrar aqui pervertida!
Ela amua, não era culpa dela. Seguem até ao autocarro sem fala. Ele tinha a tratado mal hoje e ele achava o mesmo dela, além do acrescento de perversidade. Olham-se uma ultima vez e ela sobe para o seu autocarro desta vez ambos tinham e não tinham razão.
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