O reverso do Diamante
3 Alinhas?
– Rafa, Cala-te ‘tas a enervar todo o pessoal! — diz uma rapariga que se levanta.
Há um balbucio entre uns alunos. O professor dá um sermão e depois dá o toque de saída. Os alunos não deixam o professor sair e tentam convencê-lo a não dar uma participação geral da turma. Rafael intervém:
– É só um papel, não vamos deixar de vir à escola por isso!
– Rafa, vai cala-te. É verdade que um papel não mata, mas por favor… Mano… a nossa turma…
– É A PIOR DA ESCOLA TODA!
Daniele apaga com corrector a participação e senta-se em frente ao professor calmamente:
– Mas podemos melhorar se o professor tentar ajudar.
– Daniele, mas isso depende mais de vocês do que eu.
– Deixe-nos conversar e nós resolvemos.
– Mas a culpa é do vosso colega Rafael!
– Mas uma participação não lhe faz diferença, pode pensar noutra coisa.
– Bem, então acho que já sei. Rafael, vais escrever 90 páginas sobre o mau comportamento, a adolescência e o seu futuro.
– Ok, Bem agora vamos bazar que isto já chateia.
Sam, Daniele, Roxy e Rafael vão os três pela cidade. O Daniele aposta com Sam que ele não conseguia saltar de um prédio para o outro. Roxy e Rafael ficam à espera e Roxy reza para que nenhum deles caia. Ambos conseguem saltar e trocam ambos de chocolates. Roxy pede um, mas ninguém lho dá, dizem que lho davam se saltasse e ele acaba amuado.
Encontram as raparigas e foram com elas para um local tipo um ginásio mas sem nenhumasmáquinas, com um espelho enorme.
Luísa estava em casa depois de fazer os trabalhos de casa, viu se estava sozinha. Os pais estavam a trabalhar, o avô foi para a vila e o irmão continuava na escola. Fechou as portas e as cortinas e … carregou no botão do ipod.Daniele carregou no botão dum rádio. A música começou a soar, a voar, os pés ficaram irrequietos, não conseguiam ficar parados e tudo começou. Passos a ritmos nunca antes vistos, todo o corpo estava sincronizado, não podiam parar, os braços e as mãos pareciam ter vontade própria, estavam livres naquele momento, não estavam presos ao mundo numa palavra estavam livres naquele momento, como diria Rafa livres sem intenção. A música era como umvício, delicioso, calmo, que os embalava.
Sam dá um quick quick step e depois mistura com um passo de hip-hop.
Luísa move as mãos de forma a transmitir os seus sentimentos e os da música, dá um salto. Dalaila dança hip-hop e depois faz a espargata.
De repente ouve-se a porta a abrir, tudo pára, os corações continuam a bater.
Luísa fica mais quente do que antes e a mãe diz:
– Porque paraste? Eu queria ver.
– Por…porque acabei e não gosto que me vejam a dançar. E tu o que fazes aqui?
– Não tive que ir ver casas e vim mais cedo para casa.
– Ta bem.
– Vamos jantar que o teu pai já te chamou mais de 5 vezes. Está a ficar farto.
– Está bem, já vou.
– Não te chamo mais nenhuma vez.
– Está bem
Luísa vai jantar e diz para consigo mesma: “Fogo! Que vergonha, ela tinha que aparecer e ver-me dançar daquela forma.”
No ginásio depois da porta se abrir sai Rui, um dos colegas mais velhos:
– Rui, então entras aqui do nada, onde está o stor? – diz Rafael.
– Yes, where is the teacher? – diz Daniele
– Não vem.
– O quê?
– Não acredito…
– O que se passa…
– Ohuohoh calma aí, se o professor não vem é por bom motivo. – diz Sam.
– Sim, mas ficamos aqui até á noite, agora não tenho tempo para jantar e tenho de ir trabalhar. – diz Carolina ou Chica para os amigos.
– Eu tenho as minhas clientes, ‘tadinhas estão à espera – diz Roxy
– Vamos então, parem com o paleio e vamos ao travail. – diz Rafael
– Sam, esta noite tu ficas à frente. – diz Daniele.
– ok, mas tu arrumas o material. – diz Sam, rindo.
– Também, vou dormir mais tarde e tudo por tua causa – diz Daniele desanimado.
– LOL, ‘tadinho do menino da madrasta.
– AHAHAHA- diz Daniel ironicamente.
Noutro local, perto do mar, Luísa estava vendo TV com a mãe e esta diz-lhe toda feliz:
– Não queres ir para a dança filha?
– Não sei, tipo não sei dançar e ainda à frente dos outros ainda pior.
– Mas vais para lá aprender e ficas melhor nisso.
– Mas mãe, não sei e quais são os tipos de dança que há lá?
– Acho que são latinas.
– Latinas?
– Sim, o chacha, tango, o samba e mais algumas acho eu.
Luísa pensa: “ Mas gostava de aprender hi-hop e dança moderna, mas também não tenho nada a perder”
– Está bem, pode ser.
– Vou falar com a professora Safira.
– Safira, ela é daqui?
– Não, do Brasil.
– Uhum parece que vai ser giro.
– Primeiro vou falar com o Dinis, o cabeleireiro, eles são muito amigos.1
No quarto Rafa mandava uma bola de ténis contra a parede e depois entra Roxy que quase leva com a bola na cabeça:
– Aí, cuidado com isso!
Silêncio….
– Estás a ouvir-me!
– O quê? Ah, és tu fedelho. – diz Rafael desinteressado do que o amigo poderia lhe dizer.
– Já não sou fedelho, sou homem. Hehehe. O que tens? O que pensas? Não tens clientes? Estás aborrecido? – diz Roxy aproximando-se cada vez mais dele.
– Não estou pensando e tu estás a aborrecer-me. – diz Rafael noutra dimensão e afastando o amigo do pé dele.
– Hehehehe. Desculpa, não sabia. Estás a pensar no que? – diz Roxy rindo curioso.
– Numa coisa minha.
– Ai “uma coisa minha”, bem vou trabalhar e já vem alguém para te entreteres.
– Ok. Xau galinha dos ovos rosa.
Passadas algumas semanas:
– Finalmente, depois de tanto pedir, vamos inscrever-me.
– Desculpa, é mesmo ali, a seguir vais para casa de autocarro.
– O que!? – diz Luísa surpreendida habituada a ser posta e buscada de carro em qualquer sitio.
– Sim.
– Mas eu, não sei como…
– Vais e se te perderes telefonas, eu vou explicar-te…
Depois de a mãe ir para casa, Luísa pôs os auscultadores nos ouvidos e começou a andar. Estava pensando que ia voltar para casa sã e salva de repente vê um “inglês” a dançar e fez-lhe lembrar do piquenique. Aqueles turistas tinham mesmo, um estilo de vida diferente. E aquele desgraçado! Sim aquele rapaz esquisito que nem lhe dissera o seu nome. Talvez se chamava mesmo “Parvo” ou “Alguém”, quem sabe? Certo esta conversa estava dando-lhe cabo da cabeça. Tinha de parar de pensar naquele infeliz, mas o seu olhar era o que tinha provocado maior impacto nela. Também ele gostava de dançar. Começou a ouvir música, que vinha do fundo. Ela vira-se e vê alguém num ginásio, o seu coração bate rapidamente e umas palavras saem-lhe pela boca sem querer:
– Alguém!!!
Tinha dito tão alto que todos que estavam dentro do ginásio olharam para ela, incluído a quem ela chamar de Alguém. Depois todos começaram a desatar a rir-se da situação:
– Oh. Rapariga ‘tas bem? Alguém, o que? Lol. – ri-se uma rapariga.
– És muito engraçada.
– Sim, mas estás bem.
A quem ela chamara continuava quieto, a olhar para ela espantado. Ela estava envergonhada e com a mistura de emoções dirigiu-se para o rapaz, deu-lhe várias chapadas no corpo, ele afastou-a e começou a rir e disse tentando ser sério:
– Estúpida porque me “bateste”? – disse tentando segurar o riso.
– Tu mentiste-me, não me disseste o teu nome, mentiroso – disse Luísa vermelha e tentou, dar-lhe um soco no peito mas este desviou-se.
– Para que queres o meu nome, ó Estúpida?
– Porque prometeste-me! És mesmo Parvo!
– Hei Daniele parece que a miúda está doidinha por ti. Percebestes? Doidinha. – diz Sam que faz gestos que fazem explicar que Luísa era maluquinha.
– Ahahaha. Que piada, não tenho culpa.
– É tua cliente?
– Não conhecia na serra, estava a dançar.
– A dançar? Então chamas-te Daniele.
– Si…Não!
– Eu não sou tonta, ele disse Daniele.
– Eu tenho nome chamo-me Sam e Dani não confundas a pequena, coitadinha.
– Coitado é de mim, deviam-me dar o céu por aturar loucos. Agora que já sabes o meu nome podes ir!?
– Já? Não Dani, quero vê-la dançar. Vai faz o que ensinastes ao meu amigo.
– Eu não sei dançar. – diz ela timidamente.
– Isso é mentira, eu vi-te dançar lindamente.
– E além disso todos sabem dançar só tem medo de o demonstrar.
– Não vou dançar.
Rafa liga o rádio e Dani começa a dançar a dança que ela tinha-lhe ensinado. Os seus pés queriam mover-se, mas tinha vergonha e nada fazia. O Daniele engana-se num passo (de propósito é claro) e Luísa vai lá e demonstra como se faz. Os outros ficam curiosos e começam a imita-los, de repente em sua volta estão todos a dançar, a sua dança. Chega o professor e tudo para menos Luísa e Daniele que continuam. Luísa finalmente apercebe-se e fica vermelha, Dani fica embasbacado. O professor ergue a sua voz e pergunta:
– Quem é esta nova rapariga? Uma aluna nova?
– Sim, professor é uma aluna nova.
O professor sorri. Luísa diz em voz alta:
– Não, eu sou apenas uma visitante.
– Vai, não digas isso, fica. Dança connosco.
– Dança, por favor, connosco. – pedem os alunos.
Daniele ri-se. O professor começa a falar novamente:
– Bem, se quiseres pode assistir, mas os teus novos colegas gostavam que fizesses, mais que isso. Porque não experimentas? Se gostares ficas, senão segues o teu rumo. Então como diriam os meus alunos: “Alinhas?”
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