O reverso do Diamante
12 A nova amiga
No dia seguinte.
Estavam todos prontos, só faltava a professora que estava a fumar um cigarro no intervalo. Luísa não dizia nada , estava outra vez envergonhada como sempre acontecia num novo ambiente. O rapaz ao lado dela também pouco falava, era natural… era um dos únicos no meio daquelas raparigas todas. As raparigas falavam umas com as outras e cochichavam. Luísa nem sabia bem o nome de todas elas, a com uns olhos verdes chamava-se Sandra, uma baixinha que dançava muito bem era a Mónica, a de cabelo frisado que por vezes também não acertava o passo era a Vera, a mais nova com os dentes tortinhos era Guida (Luísa achava muito querida) e as outras não sabia mesmo. Os rapazes era o Rui, que era o mais velho e loirinho e o Pedro, o mais pequeno com um curto cabelo castanho-escuro e que dançava com Mónica. Nessa aula apareceu uma aluna que não tinha visto antes, Carolina, que todos gostavam muito. Parecia da sua idade e era tão baixa quanto Sandra.
A professora pôs Luísa a dançar sozinha atrás. Luísa tinha que aprender “sozinha” era complicado, não conseguia fazer os movimentos iguais às outras. Estavam a dar valsa inglesa e Luísa não compreendia nada. Os seus pés baralhavam-se. Que vergonha!!! Não sabia nada de nada. Sentia-se mal e só, no meio daquelas quase profissionais. Para elas aquilo parecia canja. Depois a professora mandou dançarem em pares. Luísa não sabia quem escolher, sem que ela desse por nada já tinham todos par, menos ela.
– Você dança sozinha. – declarou a professora.
Luísa lá foi tentando imitar aqueles passos complicados para ela. Só queria voltar para casa, sair dali. Mudaram de pares e a professora praticamente “obrigou” Sandra a dançar com Luísa:
– Porque sou sempre eu que tenho que fazer isto? – protestou ela.
– Sandra porque sim. Ela vai aprender rapidinho como a Carolina.
– Não sei, tenho mesmo de dançar com ela? — diz ela apontando para Luísa.
– Sim.
Luísa fez uma careta como a pedir desculpa e diz:
– Darei o meu melhor.
Ela pega nas mãos dela e põe onde ela devia por. Luísa erra por diversas vezes, pede desculpa, olha para o chão à procura dos pés da sua par e depois olhava para a sua cara que não se encontrava lá muito feliz com aquilo. Sandra decide tentar-lhe explicar:
– Tu fazes de mulher por isso é direita para a frente, junta os pés para o lado esquerdo, esquerda para trás, junta, depois junta para a direita. Agora vamos.
Luísa nas primeiras vezes errou mas logo depois foi acompanhando o ritmo. A professora disse que havia partes que era para se por nas pontas dos pés e ainda explicou o que era rabo para cima e para baixo:
– Para baixo é normal e para cima é como quando se vão sentar na sanita. – enquanto dizia isto fazia os movimentos engraçados.
Todos riram até Luísa.
Depois para melhorar os passos a professora pôs Luísa de costas para o Rui e os outros colegas teriam que passar entre eles sem tocarem neles. Elas e ele (o Pedro que tinha chegado atrasado) passavam rindo. Luísa ria também. Depois foi a vez dela e do Rui, tinham que passar entre Sandra e Vera. O Rui passou, as outras raparigas e quando chegou a vez de Luísa esta olhou para a professora e a professora disse que sim com a cabeça. Ela tinha que o fazer. Quase caiu ao tentar passar, todos riam. Passou e tocava neles. E voltavam a rir dos seus disparates.
No final da aula estavam-se todas a vestir as roupas normais. Elas tinham um fato especial, um top vermelho e preto, uma saia também dessas cores e até tinham sapatos altos. Luísa apenas tinha as suas calças justas, t-shirt do Mickey e sabrinas pretas sem sola. As mães e pais vinham busca-las. Luísa tinha, que descer o caminho sozinha e apanhar o carro do pai (isso porque era de noite, senão era de autocarro). Estava a calçar os sapatos quando vê alguém que parecia conhecer, mas não acreditava que podia ser isso, não podia ser.
Ao sair da sala com o ipod já nos ouvidos, sente alguém tocar-lhe:
– Ei! Tu não ouves!? Então és mesmo tu. – diz uma rapariga com um longo cabelo castanho e com um enorme sorriso.
– Desculpa, mas quem és tu? E desculpa não te ouvir estava com isto nos ouvidos. – diz Luísa atrapalhada vendo que ela era do outro grupo de dança.
– Não faz mal. – diz ela sorridente. – Não acredito que não te lembres do meu nome… Sou da aula do professor Pedro. Não sabia que frequentavas duas aulas. Eu não gosto muito desta, não é tão livre. Tens que olhar para os pés dos outros…
– Pois coisas de mãe. E tu que fazes aqui?
– Bem, minha irmã anda aqui, nesta aula de dança. Vim busca-la. Ah! O meu nome é Joana e ando na escola Tamarim na turma do teu par. E tu?
– Do parvo… Eu chamo-me Luísa e ando na escola do Caniço.
– Na escola dos… Esquece, betinha. Desculpa, lá é que pareces tão certinha e ouvi dizer que lá é tudo muito normal. Tipo não acontece nada de emocionante.
– Eu gosto de lá andar e não sou perfeita. Melhor sou um nabo.
– Que nada! Tu és boa no que fazes.
– Na dança, não. – diz Luísa suspirando.
– Isso, aperfeiçoas com o tempo. Além disso não queiras tornar-te numa “superstar” dum dia para outro. Isto leva o seu tempo e sei que conseguirás, danças “bué” (muito) bem na aula do stor Pedro. E aquela dança que inventaste era muito fixe. – diz Joana tentando anima-la.
– Isso foi o professor de hip-hop, lá da escola.
– Mas, à mesma, amei. – diz ela juntando as mãos feliz.
Luísa sorri para Joana. Ela era mesmo positiva e muito simpática. Parecia uma pessoa excelente. Toda bem vestida e radical ao mesmo tempo. Apetecia-lhe agradecer por tudo aquilo.
– Eu também acho que danças bem.
– Obrigada! Só há uma coisa que não percebo…
– O quê?
– Porque é que o professor escolheu-te para dançar como par do Daniele Não é por nada, é que a cara dum não tem nada a ver nem com o cu do outro. Vocês são completamente diferentes, nada a ver. O Daniele, bem, tu sabes… Ele é aquela máquina, não para quieto, ele vive dançando, sabe muitos passos e está sempre a inventar. Tu estás a começar, embora sejas boa nisso… Tu compreendes e as vossas personalidades também são muito diferentes.
– Eu sei, queria outro par. – diz Luísa.
– Não digas isso! Fogo eu adorava dançar com ele! E gostava muito de aprender alguns movimentos com ele. Ele já ganhou muitos prémios de dança. Ele e a Cátia que no final era uma perfeita estúpida. Eu danço com o Sam o melhor amigo dele, ele é porreiro e é o segundo melhor da nossa turma. E claro o Rafael também é o segundo melhor.
– Por mim podíamos trocar. – disse Luísa tentando vender o seu par à Joana.
– Não, eu gosto de dançar com o Sam, já estou habituada. E tu e o Daniele ainda vai dar coisa boa.
– Não vai nada! – diz Luísa dando um leve soco na Joana, olha para uma pulseira que ela tinha na mão. – Essa pulseira…
– Eu sei é gira. Mas queria mais uma de misangas.
– Eu tenho umas que estou a vender, se quiseres trago para a próxima aula do professor Pedro.
– Isso era óptimo e podias vender aos outros.
– Não sei se estão suficientemente boas.
– Não faz mal. O pessoal é porreiro e gostam sempre.
Com ela parecia sentir-se livre, não precisava de ser outra pessoa. Ela não reparava no que Luísa vestia ou fazia, como as outras pessoas. Sentia-se mesmo bem.
– Luísa, gostava mesmo de ser tua amiga. Pareces uma pessoa muito fixe e boazinha. Embora sejas por vezes calada, usares roupas que tapam todo o teu corpo e tudo isso, és espectacular rapariga!
Luísa corou. Ela era mesmo boa pessoa, embora parecesse um coisita louca.
– Tu és também uma rapariga espectacular!
– Nem sabes o quão louca sou! Amigas? – disse Joana sorrindo.
– Claro! – Luísa também lhe sorri.
Trocaram de número de telemóvel e de e-mail para puderem falar mais uma com a outra. Luísa corre para o pai e tira as suas conclusões: aquele dia não tinha sido tão mau assim. Fizera uma amizade nova e isso bastava-lhe para tornar o dia melhor.
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