Assim como no dia anterior, só ficara eu e mamãe em casa e como no dia anterior, os trabalhos domésticos ficaram muito atrasados devido ela sempre atender pessoas chamando no portão, com isto, resolvi me despir daquela roupa de passeio, vestir apenas um short e uma camiseta surrados e ajudá-la em seus afazeres mais fáceis. Ela sempre educada, não ficava nervosa, mesmo que tivesse que ir ao portão diversas vezes em poucos minutos e mesmo que os repórteres a interrompesse com algumas perguntas.

Mesmo eu, apesar de evitar sair ao portão, algumas vezes, sentia na obrigação em fazê-lo, quando mamãe estava com o almoço no fogo, ou trabalhando no fundo do quintal, ou no banheiro…

Ao atender uma dessas vezes o portão, um dos repórteres me pediu:

— Regis, nos dê mais algumas respostas.

— Não posso agora! — neguei. — Papai não me autorizou!

— O que você disser agora, a gente pede permissão a ele depois.

— Desculpe — pedi educadamente. — Não quero ter problemas com meu pai. Nem pra mim, nem pra você! Antes do meio dia ele voltará. Quem sabe então…

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Quando meu batalhão familiar chegou quase todos juntos, só havia um dos repórteres de televisão a espera no portão. Este pediu permissão à papai para que eu falasse mais um pouco. A princípio ele tentou recusar, mas como eu percebera, fui até ele e pedi:

— Só mais algumas perguntas papai! Ele ficou esperando até agora. Está aqui desde cedo.

— Quanto mais você falar, mais transtorno pra você.

— Já estou me vendo de volta à NASA.

— Está bem então! Desde que seja rápido! Pois preciso almoçar. Vá se trocar!

— Não há necessidades — negou o repórter — É bom que Regis seja uma criança natural.

Papai me olhou dos pés à cabeça e insinuou:

— Parece uma doméstica com essa roupa molhada!

Puxei a camiseta confirmando e dando de ombros.

— Vamos lá — concordou papai.

— Regis, como está sendo sua nova vida na Terra? — Perguntou-me o repórter.

— Estou parecendo famoso! — Ri. — Não posso nem sair no portão! Acho que vou acabar dando autógrafos.

— Está complicado, ou você gosta?

— Prefiro ser eu mesmo! Ser famoso é coisa de artista de cinema! Mas se você permitir gostaria de aproveitar esta chance pra agradecer a todos que querem me visitar e dizer que estou acostumado a ser muito amado. Em Suster eu era... Aliás, sou amado por mais de três bilhões de pessoas, homens e mulheres.

— O que você tem feito na Terra, desde que chegou?

— Tenho deixado de ser vagabundo! Em Suster eu era muito mimado. Faziam tudo por mim! Se deixasse, até banho davam em mim! Aqui, como mamãe tem muito trabalho, inclusive atendendo o portão por minha causa, tenho procurado ajudá-la um pouquinho. Por isto estou com a roupa molhada. Estava esfregando o chão com pano molhado.

— Você disse que estudava em Suster. Estudava matérias de lá ou daqui? Ou é tudo igual?

— Nada igual! — Neguei — Estudava matéria dos dois lugares! Tinha professores particulares pra estudar assuntos de lá e outros pros assuntos daqui! Não poderia continuar analfabeto!

—Professores que davam aulas a você com assuntos da Terra! Como eles se formaram com assuntos daqui?

— Essa história é um tanto complicada! — Retruquei. — Acho melhor pular.

— O que você estudava?

— Tudo! Matemática, Língua Portuguesa, Inglesa, Geografia, História dos dois mundos, Ciências…

— De novo a mesma pergunta: Como eles sabem nosso currículo escolar?

— Prefiro pular!

— Como é o convívio entre as pessoas neste planeta?

— Não muda muito daqui! Existe amizade, mas também há divergências. O sistema de saúde é muito avançado. Não existem doenças físicas ou psicológicas. Só as acidentais. Embora eles sejam praticamente imortais, alguns acidentes são fatais e o número de habitantes tem se reduzi-do bastante. Suster é maior do que a Terra, porém seu número de habitantes por metro quadrado é bem menor e tende a se diminuir drasticamente, devido abusos.

— Você voltaria a viver lá?

— Não! Jamais sairei da Terra!

— O que vai acontecer a você, a partir de então?

— Pretendo ter uma vida normal. No próximo ano, voltarei à escola, creio que na sétima série... Se eles deixarem! Mesmo porque eu estava cursando a sétima série. No futuro, não tão já, vou namorar e pretendo me casar. Vou trabalhar também, é lógico!

— Você comentou seu retorno à NASA. Você irá pra lá?

— Da outra vez, há sete anos, fui e gostei. Se depen-desse só de minha vontade preferia não ir, ou pelo menos dar um tempo. Mas acredito que tão logo, receberemos a visita de alguns de seus especialistas.

— Você se considera inteligente?

— Sou igual a todos! Sei mais do que um menino de nove anos! Não por ser mais inteligente, mas sim por ser mais estudado e mais velho. Tenho dezessete anos e não sei tanto quanto um jovem desta idade. Estou atrasado em relação a minha idade. Nunca estudei física, biologia, química, fisiologia e outras matérias dessa faixa etária. O que me faz estar atrasado na escola.

— Você se considera um jovem ou uma criança?

— É muito bom ser criança! — Afirmei orgulhoso — Acho que é assim que me sinto. Apesar de já ter a idade de um adolescente, meu metabolismo é de uma criança. Só que agora, estou sem amigos dessa idade. Preciso conquistar outros.

— Será a coisa mais fácil do mundo, Regis — afir-mou convicto o repórter — Eu lhe garanto.

Ele mesmo fez sinal para a câmera, para encerrarem aquela conversa.

— Obrigado Regis — agradeceu ele. — Vamos deixar você almoçar.

— Você é realmente um menino especial — alegou o cameraman — Seu coração é bondoso. Não tem maldade e é muito educado.

— Outro dia a gente conversa mais — lhes disse, dando um abraço em cada um. Em Suster, estava habituado a este tipo de carinho.

Papai, alegando estar atrasado, pediu licença e entramos, mesmo antes deles irem embora. Iriam demorar um pouco, pois tinham que recolher seus equipamentos.

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Após o almoço, segui à meu quarto, tirei a camiseta e deitei um pouco para descansar.

Quando acordei, ouvindo vozes, já eram quase três horas. Levantei-me e segui até a cozinha, onde encontrei mamãe falando com Beth.

— Oi Beth! — Cumprimentei-a, com a maior cara de sono — Que bom que você veio!

— Estava com saudades — alegou ela carinhosa.

Segui ao banheiro, onde lavei o rosto, depois retornei à cozinha.

— Vista uma roupa, filho — pediu mamãe.

— Não se preocupe — alegou Beth. — Ele está bem, assim!

Na verdade, estava sem camiseta, mas estava de short e embora fosse um pouco curto, não me incomodava tanto.

Deixamos mamãe com seus afazeres e seguimos juntos para a sala, sentando juntos no mesmo sofá.

— Você continua estudando? — Perguntei-lhe.

— Estou no terceiro ano do segundo grau. Estudo de manhã.

— Eu também deveria estar no último ano.

— Não se preocupe com isso — pediu ela. — Você ainda é muito jovem! Voltará à escola no ano que vem e loguinho estará lá.

— Vou tentar me matricular na sétima série.

— Acredito que você terá que se matricular na terceira, novamente.

— Já concluí a terceira, quarta, quinta e sexta série. Mesmo estando em Suster.

— Será que tem validade?

— Espero que sim.

Uma pequena tristeza dominou meu semblante.

— O que foi? — Perguntou-me ela.

— Você… Não tem mesmo… Namorado?

Colocou o dedo indicador direito em meus lábios, insinuando:

— Nunca tive outro namorado. Não é brincadeira.

— Na verdade, nós nunca fomos namorados. Éramos crianças e amigos.

— Sei disso. Nem mesmo é por sua causa que não tive namorados. Acho que não arranjei alguém que fosse minha alma gêmea.

— Entendo.

— Mas gosto de você, de verdade.

Exibi um sorriso moderado.

— Mas acho que não poderemos mesmo sermos namorados.

— Provavelmente me acusariam de pedofilia — brincou ela. — Mas seremos namoradinhos de faz de conta!

— Acho que não é a mesma coisa — insinuei triste.

— Espero que você vá a minha casa me ver.

— Lógico que irei!

— Então tá — se levantou, deu-me um beijo no rosto. — Deixe-me ir embora! Tenho um trabalho de Química pra amanhã.

— É cedo ainda! Fique mais um pouquinho comigo.

— Pode deixar que eu voltarei.

Despediu-se de mamãe e saiu.

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Naquela noite, todos os noticiários de todas as emissoras de televisão mostravam como matéria principal, o relato, sobre meu retorno do espaço. Alguns deles, analisando o acontecido, como um fato real e importante, sendo algo a se pensar com muita cautela; outros, porém, ironizando, como se fosse algum truque de publicidade, duvidando inclusive, de minha foto de nove anos de idade no passado, dizendo que era alguma montagem e que talvez, a foto fosse na verdade de papai. Isso porém não me afligia. Talvez fosse até bom se todos acreditassem nesses jornalistas que ironizavam minha longa viagem, ou seja: se ninguém acreditasse em mim, provavelmente a NASA ou a CERN[1], também não se importaria com minha história e me deixaria em paz, levando a vida de simples criança, que almejava ser.

Pouco depois das nove horas, deitei-me na cama de meus pais.

Uma hora depois, já estava praticamente dormindo, quando percebi que papai tentava me carregar no colo, para minha cama.

— Me deixa! — Pedi, preguiçoso.

— Regis, filho! — Insistiu ele — Você está grande. Tem que dormir em sua cama.

— Não quero! — Neguei, praticamente dormindo.

Realmente eu estava grande, para ainda pensar em dormir com meus pais. E mais: Nunca havia dormido com eles antes. Mesmo quando bebê dormia em um berço no mesmo quarto, mas nunca na mesma cama.

Mas ainda naquela noite, acabei dormindo ali, enquanto papai seguiu para o quarto, o qual eu deveria dividir com os demais irmãos.

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Na manhã seguinte, percebi que o sarcasmo de alguns jornalistas não me deixaria livre do assunto “espaço sideral”. Ao me levantar, novamente acordado por Paulinho, pouco depois das seis horas, fiquei sabendo que lá na rua existiam dezenas de outros jornalistas, querendo novamente falar sobre a tal viagem ao planeta Suster.

Quem os atendeu desta feita foi Luis, meu irmão mais velho, dizendo que eu falaria com eles, mas demoraria um pouco, pois ainda estaria dormindo.

Tomei um banho, escovei os dentes, vesti roupa chique, incluindo calça e camisa de manga longa, tomei um reforçado café à base de leite, pão e queijo, tornei a escovar os dentes. Com apoio de mamãe, penteei meus cabelos castanhos, que não eram tão curtos e só por volta das sete horas, quando meus irmãos já haviam se retirados, uns para a escola, outros para o trabalho, é que saí acompanhado por papai, que cumprimentou os jornalistas e pediu.

— Essa gravação tem que ser bem rápida, pois tenho que ir para o trabalho.

Descobrimos que entre os jornalistas, alguns eram correspondentes internacionais e que com certeza, em poucas horas, meu retorno já estaria nos ouvidos dos conferentes da NASA americana.

Para mudar um pouco a cara das imagens, a pedido de alguns jornalistas, seguiríamos até uma represa da prefeitura existente próximo à minha casa, onde seria feita a reportagem.

Antes porém, me ausentei por alguns segundos, para colocar em meu peito, sem contar a ninguém, meu aparelhinho tradutor, ganho do senhor Frene, para com isto, poder entender as perguntas ou metáforas, formuladas em Inglês, pelos correspondentes de outros países.

As perguntas iniciaram imediatamente sem muita novidade. Ou seja: praticamente as mesmas do dia anterior. O que os deixaram muito impressionados, foi a de não saber como poderia eu, simples criança, entender perfeitamente Inglês, sem nunca ter estudado tal idioma. Quando me perguntaram se já havia estudado tal idioma, respondi que teria estudado desde á quinta série, na escola de Suster. Mas qualquer um sabe, que ninguém aprende a falar Inglês fluente, apenas com o curso básico da escola primária. Preferi não revelar a eles a verdadeira razão. Embora tenham ficado admirados, não insistiram muito nesta pergunta.

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Naquela noite, deitei-me primeiro que meus pais, em sua cama e antes que eles fossem se deitar, eu já estaria dormindo.

Acordei por volta das onze horas da noite, naquela que deveria ser a minha caminha de criança. Levantei-me e caminhando devagar no escuro, segui para seus quarto, onde me enfiei no meio dos dois. Papai resmungou alguma coisa, se levantou e saiu. Mamãe me abraçou e eu já estava dormindo.

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Sábado, nove horas da manhã, mamãe atendeu o chamado no portão. Pediu para aguardar e chamou papai. Eu o acompanhei e apesar de encontrá-lo bem mais velho, com o cabelo puxando para o grisalho, já o reconheci de longe. Meu coraçãozinho bateu assustado.

— Bom dia! — Cumprimentou-nos ele. — Lembra-se de mim?

— Já sabia que o senhor viria — afirmei, franzindo os lábios, com certo receio. — Mas torcia pra que não viesse.

— Que isso garoto! Sou tão mal assim?

— O motivo de sua vinda é que me assusta. Não é papai?

— É doutor Marcelo. Sua visita não é de cordialidade — retrucou papai.

— Que isso pessoal! Só vim lhes oferecer mais um passeio, com tudo pago pelo governo americano.

— Já passeei muito doutor Marcelo — insinuei. — Prefiro descansar um pouco.

— A viagem só será em dez de Outubro. Até lá dá pra descansar bastante.

— Hoje já é dia primeiro, doutor — alegou papai. — Tem só uma semana. Que dia será dia dez?

— Segunda feira! Às nove horas, um carro oficial buscará vocês e os levarão à São Paulo, onde embarcaremos juntos aos Estados Unidos.

— O que vai acontecer dessa vez por lá? — Perguntei-lhe.

— Nada de mais. Será a mesma coisa que aconteceu da outra vez. As mesmas perguntas e simples exames.

— As mesmas perguntas e simples exames, o senhor diz! — Exclamei de cara feia — Então serão as mesmas respostas! Não seria melhor evitarmos tudo isso? O governo americano economizaria muito dinheiro. E eu ficaria com minha família.

— Regis, a NASA investe milhões de dólares mensais, em pesquisas espaciais — alegou doutor Marcelo — Qualquer novidade que você levar a ela, será de muito grande importância e o dinheiro que ela vai gastar com você, não significa nada.

— Essa é boa! — Ri com sarcasmo, devido pleonasmo no jeito de homem culto falar — Muito grande importância! É irrelevante doutor.

— Um jeito exagerado de falar — justificou doutor Marcelo. — Mas é real.

— Quantos dias ficaremos por lá? — Perguntou-lhe papai.

— Uma semana no máximo. A diferença é que desta vez, pra compensar o sacrifício de Regis, eles proporcionarão dois, ou até mais dias inteiros para um passeio, onde todas as crianças adoram. Sabe onde é Regis?

— Disneylândia! — Exclamei com leve sorriso.

— Isso mesmo garoto! Serão dois dias só de alegria. Você se divertirá merecidamente. Eu e seu pai iremos de carona.

— Dá outra vez em que fui lá, vocês fizeram um exame radioativo em mim sem nos pedir permissão.

— Quem lhe falou isso? — Se espantou o homem.

— O senhor Frene.

— Esse homem sim lhe prejudicou! — Reclamou o homem visivelmente nervoso — Não nós!

— Ele pode ter me prejudicado, mas vocês não estão se importando com isso. Vocês até acham muito bom. Pra suas pesquisas aeroespaciais. E ele ter me prejudicado, não quer dizer que vocês podem fazer o mesmo.

— Só injetamos pequena quantidade de mercúrio em suas veias, para criar certo contraste e medir seu nível de radioatividade.

— Não nos pediu permissão! — Insisti com certa revolta.

— Nada nocivo! — Negou ele.

— Mercúrio em minhas veias, não é nocivo? Que tal em suas veias?

— A quantidade foi tão insignificante, que seu organismo o eliminou em menos de vinte e quatro horas.

— Não nos pediu permissão! — Insisti — E quem me garante que meu organismo eliminou em menos de vinte e quatro horas?

— Os médicos do mundo inteiro fazem exames deste tipo, centenas de vezes por dia, em pacientes de todas as idades.

— Doutor Marcelo, o meu organismo é diferente do organismo de qualquer pessoa, do planeta inteiro.

— Prometo que desta vez não faremos nada escondido. Qualquer coisa que tentarmos contra ti, será muito bem esclarecido antes.

— E a experiência genética que fizeram em outras crianças? Que resultado deu?

— O quê? — Se espantou o doutor.

— Não se faça de ignorante doutor! Aplicaram meu sangue em outras crianças pra ver se elas deixariam de envelhecer.

— Não foi bem assim! Naquela data, injetamos pequena quantidade de seu sangue em crianças com doenças terminal, pra ver se conseguiríamos retroceder a doença. Foi por uma boa causa, mas não conseguimos resultado desejável.

— Também não me pediu permissão?

— Tem coisas dentro da Nasa que tem que ser feito em segredo, para que informações importantes não vazem para o mundo.

— E eu fui apenas uma cobaia?

— Não concordo — negou o doutor com leve sorriso. — Talvez cobaia tenham sido as outras crianças. Porém elas não tinha o que perder. Já estavam condenadas à morte certa.

— Quero levar toda a minha família — pedi.

— Impossível garoto! As passagens já estão compradas.

— É só comprar outras!

— Não dá garoto! Muita gente.

— Só mais seis!

— Negociar isso será muito complicado — alegou doutor Marcelo.

— Então não irei! Pede pra NASA vir até aqui!

O doutor Marcelo não esperava por isso. Pensou um pouco e disse:

— Posso conseguir passagem pra mais dois!

— Nesse caso Regis, viaja você, sua mãe e seus irmãos menores — concordou papai. — Eu fico.

— Doutor Marcelo, o senhor mesmo disse, que a NASA não se importa com esse dinheiro — cobrei. — Que é muito pouco em vista do que eles investem mensalmente.

— O problema não é a NASA, mas sim o governo. A verba pra esta viagem já está orçada.

— Orçada como? Se ninguém sabia que eu iria voltar?

— No começo do ano, se cria uma verba pros assuntos extras. É daí que vem.

— Touchê! — Ri, franzindo os lábios — As outras seis passagens, sairão da verba dos assuntos extras!

— É complicado garoto. Não são só as passagens. Tem também os hotéis, os passeios e o mais difícil: os passaportes.

— Tudo bem doutor Marcelo — concordei. — Eu, mamãe, Paulinho, Henrique e papai.

— Tire um dessa conta — pediu ele.

— Eu! — Caçoei.

— Desta vez eu ficarei no Brasil, Regis — aceitou papai. — Tenho que trabalhar.

— Papai é quem decide — concordei. — Posso ir agora? Preciso sair!

— Tudo bem — concordou ele. — Te vejo dia dez, no aeroporto de Cumbica.

— Aonde você vai, Regis? — Perguntou-me papai.

— Na casa de Beth.

— Namoradinha? — Brincou doutor Marcelo.

— Sorte sua que não pedi pra levá-la também!

[1]– A Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (em francês: Organisation Européenne pour la Recherche Nucléaire), conhecida como CERN (antigo acrônimo para Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire) , é o maior labora-tório de física de partículas do mundo, localizado na região noroeste de Genebra, na fronteira Franco–Suíça e foi criada em 1954.

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