Quando saiu do quarto, seus amigos de trabalho estavam indo para o refeitório. Alguns lhe cumprimentavam. Miles andava sério, aquilo que não sabia o que era o incomodava. Depois de passar tanto tempo fora voltar para casa era estranho voltar assim.

O navio cruzava o que ele achava ser o Golfo do México, quando chegassem em terra, Miles pegaria um rápido voou para sua cidade. Então ele chegaria lá e iria visitar sua mãe, talvez ficasse na casa de seu pai, mas não tinha certeza. Não tinha vontade de levar malas. Tinha vontade de chegar apenas como uma chuva de açoite que bate e corre. Queria chegar na pontas dos pés, silenciosamente e matar a saudade. Chegar de surpresa e de forma poética. Tinha uma lista de amigos que queria ver, e com certeza Thomas estava entre elas.

Seus amigos que ali já tomavam café da manhã lhe desejaram feliz aniversário adiantado, pois não o veriam no dia seguinte. Enquanto uns comemoravam a vida, outros comemoravam o luto, os anos que se completavam diante da morte de alguns dos companheiros que Miles fizera em batalha. Sentia-se um pouco chato, e tentou se alegrar, pois estaria em terra firme depois de algumas horas.

Uma lembrança simplesmente aparecera em sua mente como um aperto em seu coração, se lembrou de um aniversário em que o Thomas lhe dera um chapéu do exército. Thomas amava dá-lhe presentes. E aquele ele gostaria que fosse especial. Thomas contará que procurou na internet, e em ateliês de costura. Queria comprar um quepe igual o que Miles usaria em breve. Thomas não conseguiu realizar seus planos. Miles insistia que ele não deveria ficar triste por aquilo, mas Thomas não se contentava, dizia que Miles não merecia nada menos que o perfeito. Era um pouco irritante. Mas Thomas se contentou em ver o Miles todo arrumado pronto para fazer a marcha e cantar os hinos. Thomas estava tão orgulhoso do Miles. Era algo lindo de se ver. Agora o Thomas sofria por não ver o Miles, apenas de vez em raridades. Miles prometeu voltar. E ele sempre fazia.

Miles terminou de comer e procurou se informar quais tarefas ele tinha para aquele dia. Fora um dos três homens escolhidos para ter o dia de folga. Aquilo era raro. Seus dias envolviam lavar as coisas, treinar, treinar, lavar outro cômodo, e mais treino. A véspera de seu aniversário seria um dia sem lavar banheiros. Miles se alegrou com aquilo.

Decidiu começar por praticar a artilharia. Seus olhos estavam cansados por causa das horas de sono que lhe faltavam, a virada do feriado para um dia comum foi gasta com uma crise de ansiedade pensando em como seria reencontrar todas aquelas pessoas.

Imaginou como seria rever aquelas que ele deixou para trás, ex amigos, ex-namoradas, garotas que ele gostou e desperdiçaram de ter a chance de um futuro ao lado dele. Miles achava um pouco engraçado, os filmes sobre soldados o traumatizaram em relação a encontrar o amor de sua vida. Aquela pessoa que ele poderia deixar em casa, mas seria fiel para quando ele retornasse. Ele esperou por essa pessoa que nunca apareceu.

Um fato era verdade. Mulheres adoravam soldados e isso ele aproveitou. Sua vida não era um romance do Nicholas Sparks. Porém comparar o que via antes de começar servir com o que vivia agora era inevitável.