O que o destino aprontou dessa vez?
28 Capítulo 28 - O tempo não destrói e a distância não separa
Notas iniciais
— Trás mais farinha. – Disse Ellen enquanto checava a textura da massa do futuro bolo.
— Toma. – Luana lhe estendeu um pequeno saco de farinha de trigo. Depois de mexer mais um pouco, Ellen pôs a massa em uma forma e a levou até forno. Logo em seguida, virou-se para a ruiva, com uma expressão um tanto sensual.
— Que foi? Quer um beijo?
— Então dona Luana...
— Diga Srta. Ellen. – Respondeu com a mesma formalidade e ironia.
— Desde que você chegou ontem, ainda não me disse como foi a noite com o Sr. Nascimento.
— Isso são modos dona Ellen? Não se deve perguntar algo tão indecente a esse ponto à uma moça casta como eu. – Ellen começou a rir escandalosamente, não só pela formalidade que a outra usou para dirigir-se a ela como também pelo fato dela ter dito que era uma moça casta. – Você tá bem? – Perguntou tentando não rir, ao ver que Ellen começou a ficar roxa. A morena apenas balançou a cabeça em sinal de afirmação, enquanto tentava falar em meio as risadas.
— Ai, Lua... – Pôs as mãos no rosto. – Moça casta, né? Ok.
— Tá. Acho que exagerei. – Ela pegou os utensílios de cozinha que estavam sujos sobre a mesa, os levou até a pia e começou a lava-los.
— Então?
— O que?
— Não vai contar como foi a noite excitante?
— Ellen!
— Ué, vocês fizeram, né? Ou não? – Ela disse a ultima frase com bem menos ânimo, talvez crendo nisso.
— É... não.
— Luana Bell?! – Disse notavelmente indignada. – Como é que você tem a oportunidade de dormir na casa dele e não apronta nada? Você é uma fraca! Eu no seu lugar...
— Olha lá, hein? Não vai falar o que não deve.
— Ah Lua! Por que não rolou? – Disse já mudando seu estado de indignação para desanimação.
— Eu sei lá. Na hora foi como se eu não estivesse pronta ainda.
— Ah me poupe. Você fala como uma virgem. E porque isso de repente?
— Talvez por que a gente só se conheceu mesmo a dois meses e...
— E eu conheço gente que transa no primeiro encontro, e você aí depois de dois meses ainda está nessa carência.
— Opa lá. Eu não sou qualquer uma não. – Parou para pensar um pouco e depois prosseguiu pensativa. – Pelo menos eu espero que não...
— Tudo bem, acho que te entendo. Mas embora eu compreenda, estou muito decepcionada com essa sua falta de atitude, ouviu dona Luana? Quero que vocês fiquem juntos logo. – Elas trocaram olhares e sorrisos.
— Eu sei e acredite eu também quero muito, mas vamos mais com calma. Quero que aconteça naturalmente.
— Entendi. Só não entendi esse seu romantismo todo. Antes você era só curtição e agora está aí apaixonada. Eu não sei é de mais nada... – Disse ela com uma expressão um tanto engraçada de se ver. Luana riu das caras e bocas da amiga, enquanto lavava mais uma colher. – Mas e aí? Você pelo menos dormiu no quarto dele?
— Não só no quarto, como na cama e acordei com ele dormindo de conchinha comigo. – Ela sorriu meiga e timidamente, enquanto via Ellen lhe lançar um olhar brilhante. – Vem, vamos terminar de limpar a cozinha.
Horas depois comendo recheados, m&ms, sorvete no pote, e vendo vídeos, a maioria da Cia. de humor preferida, o bolo de chocolate enfim ficou pronto. E ele era somente o “prato” principal de todos os aperitivos da noite.
— Sabe de uma coisa, Lua? – Ellen perguntou enquanto punha mais um pedaço de bolo na boca.
— O que?
— Você tem sorte.
— Sorte? Por quê?
— Por que tem o Daniel. Sem dúvidas toda e qualquer fã queria ser você agora. Mas não só uma fã, como também qualquer mulher que o conheça, por que ele é uma pessoa incrível. Então você tem sorte, e muita, de conseguir esse feito.
— Eu não acredito em sorte... eu acredito em destino.
...
Muito longe dali, no interior de São Paulo, quatro humoristas, uma mulher, que era irmã de um deles e um outro também irmão de um dos comediantes, jogavam vídeo game e enchiam a cara de cerveja, pizza, camarão e lasanha. Eram Elídio, Daniel, Anderson, Eduardo Nunes, Luana Bizzocchi e Gustavo Sanna. O hotel onde estavam hospedados era bem grande e amplo, além do que a cidade escolhida para turnê tinha vários atrativos e um público muito caloroso.
— Lu, vai lá no freezer e pega mais cerveja pra gente. – Disse Edu, já meio alegre por conta do álcool. Luana levantou-se do tapete felpudo da sala e foi buscar.
— Ráááá! Ganhei de novo! – Disse Elídio zombando do irmão.
— Tá, não vou mais jogar. – Falou Gustavo meio desanimado depois da quarta derrota seguida, e arremessando o controle de vídeo game no sofá.
— Ih... qual é? Vai arregar? – Elídio o desafiou.
— Ah Lico, você sabe que joga FIFA melhor que eu. Cansei. – Inclinou-se sem sair do sofá, para alcançar o último camarão que havia na bandeja sobre a mesa. – LUANA! APROVEITA E TRÁS MAIS CAMARÃO TAMBÉM! – Ele gritou para que ela pudesse ouvir do outro cômodo.
— Assim não dá! – Retrucou Elídio. – Será que tem alguém aqui à minha altura querendo jogar?
— Ih, tá se achando só porque ganhou as quatro partidas. – Disse Daniel, que estava jogado na poltrona numa posição um tanto torta para se sentar.
— Quer jogar, Dani? – Sanna o desafiou. O barbixa da poltrona apenas o olhou com um tédio irônico, visto que Elídio sempre soube que ele não dava a mínima para futebol. – Tá. Entendi. Vem jogar então Andy.
— Eu vou só pra acabar com esse seu orgulho repugnante. – Anderson levantou-se da outra poltrona e sentou-se do lado dele no sofá. Enquanto isso, Luana vinha da cozinha com as cervejas e os camarões.
— Tá aqui o que vocês pediram. – Ela pôs sobre a mesa de centro e sentou-se no chão, escorada no sofá para assistir mais uma partida de vídeo game.
— Luaninha... – Daniel disse com a voz meiga e carinhosa.
— Ah o que é agora?! – Ela por certo já sabia que ele ia pedir algo.
— Calma, eu só ia pedir pra você pegar meu celular.
— Cansei de buscar as coisas pra vocês. Não sou escrava.
— Calma, mana. O celular tá aí na sua frente, é só se inclinar um pouquinho. – Disse Anderson, focado no jogo. Ela bufou e pegou o aparelho, entregando-o nas mãos de Daniel.
— Obrigado, serva. – Respondeu ele com um sorriso malicioso, ligando o telefone. Ela retribuiu o sorriso, porém tentando escondê-lo, e deixando suas famosas “covinhas” à mostra.
Enquanto todos assistiam ao duelo entre Anderson e Elídio, o terceiro barbixa sequer olhava para a grande televisão suspensa na parede da sala. Ele checava quem estava online, quando viu um pouco mais abaixo da lista, o conhecido nome “Luana Bell”. Abriu um leve e involuntário sorriso no canto de seus lábios.
Daniel Nascimento: Como vai a noite?
Ela demorou um pouco a responder.
Luana Bell: Bem.
Daniel Nascimento: O que está fazendo?
Luana Bell: Nada. Estou deitada na cama, já ia dormir. E você?
Daniel Nascimento: Curtindo minha folga.
Luana Bell: Pensei que estivesse em turnê.
Daniel Nascimento: E estou. Só que hoje não tem espetáculo. Agora só amanhã.
Luana Bell: Entendi. Quem está aí com você?
Daniel Nascimento: Os dois patetas, o Edu, o irmão do Lico e a irmã do Andy, que vieram com a gente. O resto do pessoal foi turistar. Eles estão jogando um game de futebol aqui.
Luana Bell: E você, como grande fã de jogos de futebol, está isolado, não é mesmo?
Daniel Nascimento: Acertou em cheio.
Luana Bell: Hahaha. Tô cheia de saudade, sabia?
Daniel Nascimento: Eu sei, mas volto aí em poucos dias. Você vai ter que me aturar muito ainda.
Luana Bell: Estou a espera. Agora vou dormir.
Daniel Nascimento: Então boa noite.
Luana Bell: Ótima noite. Até segunda, lindo.
“Lindo” ele pensava. “Como ela acha que eu sou lindo?” mas aí lembrou-se de que não só ela diz isso como também todas as fãs, além é claro, de sua adorável mãe. E ela sempre tem razão. “É, acho que sou lindo mesmo” sorriu. Se pôs a comer outro pedaço de pizza e imaginar aqueles olhos verdes e hipnotizantes, emoldurados àquele sorriso encantador e aqueles chamativos cabelos ruivos.
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