O que o destino aprontou dessa vez?
29 Capítulo 29 - Em meio a suspiros e trocas de olhares
Notas iniciais
O tempo estava nublado, assim como nos dias anteriores. A brisa era calma e fria, e as nuvens moviam-se lentamente a medida em que o tempo se passava.
Daniel tinha combinado de buscar Luana em seu apartamento às 19:30 e como em todas as vezes, estava atrasado. Já eram 20:08 quando enfim o porteiro anunciou sua chegada. A ruiva desceu pelo elevador e o encontrou escorado em uma das laterais do carro.
Ele vestia uma calça jeans escura, juntamente com uma jaqueta clara, também jeans, e uma blusa branca por debaixo. Tinha os cabelos levemente bagunçados e penteados para o lado. Isso sem falar no perfume que exalava de longe. Simplesmente deslumbrante. Ela, usava um vestido roxo escuro, um sapa tênis azul desbotado e tinha o cabelo totalmente solto, que balançava levemente enquanto andava até ele.
— Belo como um cortês. – Disse ela com malicia no olhar.
— E você, linda como uma donzela. – Retrucou, e ainda escorado na lateral do carro, puxou-a pela cintura com umas das mãos e a trouxe para si, dando-lhe um beijo delicado. – Podemos ir?
— Claro. – Ele, praticamente um cavalheiro, abriu a porta do carro para que Luana entrasse. Ela o fez e ele também logo em seguida, quando enfim puderam sair. – Você não me disse onde íamos.
— Até por que eu também não sei ainda. Então estou aberto a sugestões.
— Hm... você curte cinema?
— Sim. Você quer ir?
— Seria bom.
— Então próxima parada: cinema. Eu conheço um bom que não fica muito longe daqui. Se o trânsito ajudar, chegamos lá em 45 minutos. – Dito e feito. Em meio a conversas, piadas e risadas, eles chegaram pouco mais que 45 minutos depois. Era um shopping não muito movimentado, porém nobre e pouco conhecido.
— Eu não costumo vir aqui.
— Eu sim. Aqui tem menos movimento que os outros shoppings, então acho melhor.
— Por quê? – Ela perguntou enquanto ele procurava uma vaga no térreo.
— Bem, assim eu evito coisas do tipo “Oh meu Deus! É o Daniel Nascimento dos Barbixas!”. – Disse ele com um grito abafado e histérico. Ambos riram bobamente de sua imitação, enquanto finalmente encontravam uma vaga. Saíram do automóvel e se dirigiram ao terceiro andar, onde ficava o cinema.
De fato o lugar não era tão movimentado, havendo apenas algumas pessoas que andavam calmamente, conversando e olhando vitrines.
— Que filme vamos ver? – Perguntou ele olhando para os filmes em cartaz.
— Prefiro esse aqui. – Disse ela apontando para um dos pôsteres.
— Já eu prefiro aquele.
— E como vamos decidir?
— Vamos de joquempô. – Exclamou já posicionando a mão para iniciar a disputa. Luana teve uma crise de risadas espontânea. – Que foi?
— Então é dessa forma que vamos decidir qual filme veremos? Jogando joquempô?
— É. – Disse ele com uma expressão óbvia.
— Tá. Vamos fingir que essa é a opção mais madura de se decidir. – Ela rendeu-se, também posicionando a mão.
— Uma, duas, meia e... já!
— Rá! Ganhei! – Ela exclamou relativamente alto, chamando a atenção das pessoas ao redor.
— Droga! Mas parece ser bom filme. Vamos em frente. – Ele conformou-se, olhando para o pôster.
Ambos foram para a bilheteria e compraram os dois ingressos. Visto que faltavam apenas 15 minutos para começar a sessão, eles decidiram comprar logo um lanche.
Em seguida, foram para a sala 4 e lá procuraram seus respectivos lugares. Enquanto o filme não começava, se ouvia a música de fundo. Daniel então começou a jogar pipocas para o alto, tentando acertar em sua boca.
— O que está fazendo? – Ela riu ao ver todas as suas tentativas falhas.
— Me divertindo. – Esta última pipoca acertou seu olho. – Ai! – Ela começou a rir mais ainda. Aliás, já não ria, e sim gargalhava.
— Olha só o que você fez, seu bobo.
— Meu olho está ardendo. – Tentando não rir, Luana soprou o olho dele na tentativa de ajudar, porém teve outra crise de risadas e no lugar de soprar, acabou cuspindo. – Ah! Meu Deus! Agora além de estar ardendo tem baba! – Eles riam loucamente, enquanto as outras pessoas os olhavam como se fossem duas crianças completamente idiotas.
— Desculpa.
— Tudo bem. Além do que você já deve ter aprendido que pra andar comigo, tem que ter um parafuso a menos. – Nesse instante, a música de fundo parou, as luzes apagaram-se, os traillers foram apresentados e enfim o filme teve início.
Foram várias lutas, tiros e diversas outras cenas de ação. Ao final do filme, as luzes voltaram a acender e começaram a aparecer os créditos no grande telão. Ambos saíram da sala e decidiram dar mais uma volta no shopping.
— Adorei o filme. – Disse ele enquanto tirava algumas mechas de cabelo do rosto dela.
— Idem. – Sorriu enquanto pegava o punho dele, levando-o a sua cintura, propondo que ele a abraçasse.
— Hã... Lua... – Disse tirando o braço lentamente enquanto andavam pelos corredores do lugar.
— O que foi? Algum problema?
— Não acho que seja uma boa ideia.
— O que não é uma boa ideia?
— Andarmos assim. Você sabe, mesmo que aqui o movimento de pessoas seja pouco, alguém pode...
— Ah claro. Desculpe. – Logo que entendeu do que se tratava, ela o interrompeu e virou o rosto timidamente.
— Mas olha, não fica chateada.
— Não estou chateada. Eu entendo.
— Mas sabe...
— O que?
— Eu sei de um lugar em que podemos ficar a sós sem ninguém nos preocupar.
— Onde?
— Na minha casa.
— Sei... – Ela disse desconfiada.
— Não quer ir comigo? – Ele sugeriu mais diretamente ao ver que ela não deu uma resposta clara.
— Adoraria. – Formou-se um simpático e brilhante sorriso em seu rosto, que foi retribuído logo depois.
Foram para o clichê de estacionamento, pegaram o carro e foram para a casa do barbixa. Eles não pareciam ter pressa para chegar. Já eram 23: 15 da noite quando enfim avistaram a residência.
— Vamos. – Disse ele ao saírem do carro, que foi posto na garagem. Entraram na sala escura, que foi acendendo luz por luz depois que o moreno ligou os refletores e puderam enxergar o lugar com mais nitidez. – Meu celular está descarregando.
— Então bote pra carregar.
— O carregador está no quarto. – Baixou a cabeça, indo até o corredor, enquanto ela ainda estava parada no meio da sala. – Vem comigo. – Pediu solenemente andando lentamente até o cômodo, seguido dela, que assim fez.
Quando chegaram, ele procurou pelo carregador na primeira gaveta do criado mudo e não demorou muito para achar. Conectou à tomada ao lado da cama e voltou seu olhar para ela. Sorriram.
— A Lua está linda hoje. – Disse ao aproximar-se da ruiva.
— É... está mesmo. – Daniel passou por ela, abraçando-a por trás.
— Mas eu estava falando de você.
— Pelo visto a Ellen não é a única a fazer trocadilhos com o meu apelido. – Ele começou a depositar beijos em seu pescoço perfumado. Luana fechou os olhos lentamente, usufruindo do momento.
— Porque não dorme aqui de novo? Só que... – Ela já podia imaginar o que ele queria, e sem dúvidas queria tanto quanto ele. – ...desta vez estou disposto a mais. – Ela virou-se, ficando frente a ele em meio aos beijos e cheiros que recebia, pegou delicadamente seu queixo pela barbicha e selou seus lábios aos dele. Um beijo suave, porém ímpar. Certamente isso seria um “sim”.
Aos poucos ele foi pressionando-a contra a parede, quando enfim alcançou a tomada de luz. Apagou os refletores e o quarto ficou iluminado apenas pela fraca e amarelada luz do abajur. Cravou uma das mãos em seus cabelos ruivos e com a outra pressionava sua coxa, guiando-a até a cama. O desejo já tomara conta dos dois, enquanto agarravam-se e beijavam-se com voracidade. Sentaram-se na cama, ela sobre suas coxas, beijava e mordia seu pescoço, este que por sua vez já estava totalmente arrepiado.
Luana se desfez de sua jaqueta e sua camisa, arremessando-as para longe. Como réplica, o homem tirou-lhe o vestido, deixando-a desprovida de qualquer roupa, e tendo a deslumbrante oportunidade de vê-la apenas de lingerie. Seu corpo era admirável e seu busto ainda mais. Pouco tempo depois, em meio a suspiros e trocas de olhares, finalmente ficaram completamente despidos.
Só então, sem interromper o momento, ele tirou um preservativo de dentro da última gaveta, que alcançou ao esticar o braço.
Nunca que a sincronia entre romantismo e indecência rolaria tão bem. A selvageria e o romance entravam em perfeita harmonia naquele instante.
A única coisa que os dois desejavam agora era desfrutar de tudo o que o outro tinha a oferecer. Palavras, beijos, cheiros, calor e suor, gemidos, arranhões e prazer. Traçava-se ali, mais uma linha de destino. Era um passo a ser dado, uma paixão a ser vivida, e cada momento valeria a pena, dependendo não só do destino, como de ambos e de tudo o que os cercava.
A lua alta escondida entre as nuvens e uma garoa fina que insistia em cair, presenciavam a tão esperada noite de amor que há tempos foi escrita para acontecer, naquele dia, naquela noite, naquele quarto e naquela cama quente e aprazível.
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