Notas iniciais
O que não podemos deixar para trás
Resumo: Eu o amava até confessar meus sentimentos e ele rejeitá-los, ficar com outra e ainda ir embora. Agora, quatro anos depois, ele volta e quer que eu ainda sinta o mesmo de antes?
Disclaimer: Twilight pertence a SM. Acham que eu estaria aqui escrevendo fanfictions se fosse meu? Eu estaria em Paris numa hora dessas!

Capítulo 2

Segundas-feiras são entediantes ao extremo para muita gente, mas, para mim, sempre foi meu dia favorito. Porque é o dia em que posso dizer, com toda segurança, que começo uma nova fase.

Trabalhava há nove meses numa universidade particular em Seattle. O começo não foi fácil por conta da exigência dos diretores com o conteúdo e as aulas que os novatos ministram, mas depois de algumas semanas eu já havia entrado no ritmo. Podia até dizer que os alunos gostavam de mim.

Pelo menos nisso eu acreditava.

Passei o final de semana vendo House M.D. numa maratona viciante, evitando telefonemas de Rose e corrigindo trabalhos e provas. De sábado para domingo eu praticamente não dormi, tentando terminar a pilha de trabalhos e lançando notas. Domingo eu terminei a quarta temporada e resolvi descansar.

Isso depois de chorar horrores com o final.

Depois da choradeira que durou até meio-dia de domingo, resolvi dar um tempo em House e planejar minhas aulas.

Com isso consegui organizar minha semana e tinha certo tempo livre para ver mais uma temporada até sábado.

Rose que esperasse mais um pouco.

Claro que não ia conseguir ignorar os telefonemas dela por muito tempo... e, conhecendo minha amiga, ela reviraria o mundo para ter de volta as coisas que emprestava aos outros.

Saindo do apartamento na picape, aproveitei para respirar fundo naquele final de manhã de segunda-feira.

Seattle podia ter o tempo mais instável do mundo, mas eu amava a cidade. Não há outro lugar do mundo que eu mais adore estar do que aqui. Calma, com os imigrantes, os Starbucks, as lembranças que ainda se formavam. Meus poucos amigos me ajudaram na adaptação nos primeiros meses...

E Rose foi uma delas.

Senti remorso e resolvi mandar um SMS falando que ligaria depois do trabalho.

Ela vai entender meu vício e vai deixar ficar mais um pouco com os DVDs.

Mal articulei meu plano de lidar com o ciúme doentio que Rose tinha pelas coisas dela e já estava no estacionamento da faculdade. Tomei muito cuidado para não bater em nenhum carro e não deixar minha picape ser chamada pelos adjetivos mais coloridos.

Minha picape era tão especial para mim que, mesmo sendo de 1953, eu não queria me livrar dela. A não ser que alguém me desse um carro lindo e especial, isso se depois da minha preciosa ter sua 16ª morte sem possibilidade de ressurreição.

Subi as escadas e cheguei à sala dos professores, apenas para pegar algumas pastas e livros do meu armário e sair. Notei logo que os professores engajados em alguma discussão sobre salário e cortes do governo. Eram esses os tópicos mais normais, porque eles também, em alguns dias mais frequentes, falavam sobre férias em Paris ou no Caribe ou sobre a mulher de alguém que não era bonita o bastante para o marido.

Tinha ânsia de vômito quando estou por perto dessas discussões.

-Bella. – Angela Weber, uma das colegas com quem mais gostava de conversar e que também era do departamento de Literatura, chamou meu nome da forma como eu gostava – Muito trabalho no final de semana?

Percebi que ela indicava com o queixo o material que eu tinha em mãos. Muitas pastas com trabalhos e provas corrigidas.

-Sim. – respondi com um sorriso. Angela não era uma daquele grupo que gostava de falar sobre quantos cursos fizera ou como ferrou o aluno engraçadinho no semestre passado. Ela era uma pessoa extremamente simples, e muito competente no serviço – Você também?

-Pode-se dizer que sim... — ela deu uma risada meio sem graça – Na verdade, fiquei vendo um seriado e não parei até ver que precisava passar umas horas dormindo menos para corrigir as provas.

-Meu Deus, você também faz isso? – não pude deixar de exclamar num sussurro forçado, sentindo uma divertida excitação invadir meu ser. Como poderia deixar? – Eu fiquei vendo House M.D sexta e sábado!

-Eu adoro House, mas comigo o caso é com NCIS. – ela falou com um enorme sorriso, quase sussurrando para não chamar a atenção dos outros – Não tive como parar!

-Sei como se sente. – tive que responder. Minha tarde mal começou e já estava completa com Angela revelando mais um ponto em comum.

A discussão à mesa dos professores ficou mais acirrada. Eles riam e contavam algum caso que envolvia alunos tirando chacota de professores novatos.

-Sobre o que é agora? – resolvi perguntar a Angela – Mais uma sobre os alunos que perseguem professores?

-Não... – ela deu outra risada – Parece que um professor foi demitido na semana passada e contrataram um novo.

-Hmm. – murmurei com indiferença. Aquilo era motivo para rir? Estávamos na metade do semestre de verão e era o pior momento para um professor chegar. Ele iria encontrar um caos em sala de aula e levaria um tempo para se adaptar.

-Eles riem de tudo, sabe disso. – Angela falou e eu assenti. Ela também se incomodava com aquelas coisas.

-Bem... – olhei meu relógio e dei um suspiro – Preciso entrar em sala. Nós nos vemos...?

-Depois. – ela piscou, como se indicasse que queria continuar conversando comigo sobre as séries de tevê – Boa aula, Bella.

-Igualmente. – acenei e saí da sala dos professores, dirigindo-me à turma que teria aula de Literatura Americana.

o-o-o

-Até amanhã, senhorita Swan. – o último ano disse ao sair e fechar a porta. Apenas quando isso aconteceu permiti que um suspiro de cansaço escapasse.

Algumas vezes era cansativo ser professor.

Tive uma longa conversa com a turma com relação aos ensaios e algumas notas e tivemos que adotar mais alguns critérios de avaliação para ajudar a turma, pois a média estava abaixo do estabelecido logo no começo do semestre.

Alunos que não estudavam... Até quando?

Há cinco anos que comecei a lecionar, depois de uma longa jornada de graduação e mestrado, e ficar um ano desempregada. Sempre fiquei em Seattle, pois achava que não estaria tão longe assim de meu pai. Forks nunca foi lugar para mim. Não que eu não gostasse – ou tivesse os mesmos pensamentos de minha mãe, que aquela cidade era pequena demais –, o problema é que eu nunca conseguiria seguir a carreira que eu quisesse apenas ficando lá.

Em Seattle eu consegui lugar para estudar, formar e um emprego numa época muito difícil, economicamente falando. Para estar numa faculdade particular como essa em que trabalhava, a pessoa precisa no mínimo ter mestrado e muita qualificação. Era mesmo uma sorte eu ter sido contratada e, com isso, ter me estabilizado de certa forma.

Houve gente que já falou que seguir a área de Literatura nunca me permitiria ter dinheiro para comer.

Como ele.

Segurando meu diploma, aproximei-me dos meus amigos e meus pais. Charlie fingia não chorar escondendo os olhos atrás da câmera (digital) e Renée não quis esconder nada, optando por deixar as lágrimas à mostra, maquiagem borrada e tudo.

Rosalie e Jacob estavam lá também... E ele, que me abraçou mais forte e me deixou sentir o cheiro da colônia que usava.

E eu adorava aquele cheiro.

-Não se esqueça de juntar o dinheiro no cofrinho... – ele riu e tive que dar um tapa de brincadeira no braço dele.

Depois me abraçou de novo para sentir o calor dele e ouvi-lo falar o quanto estava feliz e orgulhoso de mim.

A entrada do pessoal da limpeza fez com que voltasse a arrumar minhas coisas. Era com frequência que eu lembrava esse dia.

Eu já havia declarado o que sentia a ele.

Saí da sala, agora não mais disfarçando o bocejo provocado pela última aula do dia. Era hora de voltar para casa e ver mais um episódio de House.

Ou dois. Dois não matariam o trabalho que tenho a fazer.

Sempre pensando positivamente, né, Isabella Marie Swan?

Isso fez com que me lembrasse de Angela, ela provavelmente na sala dos professores naquele horário. Podíamos conversar só um pouco e trocar mais seriados. Ela disse que gostava de House. E eu não conhecia o que ela citou. Será que ela pode me emprestar os DVDs?

Antes mesmo de entrar, já do corredor eu conseguia ouvir as vozes mais marcantes falando e rindo alto do santuário dos docentes. De vez eu quando aquilo ali parecia um bar de tanta conversa alta, casos e boatos que tinha.

Entrei e percebi logo que estava lotada. Com um aglomerado bem no meio, ocupado espaço e atrapalhando o caminho. Procurei por Angela apenas com os olhos, porque muito provavelmente com tanto barulho ali ninguém conseguiria me ouvir se eu perguntasse.

Foi quando eu o vi.

O marcante cabelo cor de cobre bagunçado, a risada que fez com que eu me apaixonasse, os ombros largos...

Era ele.

NÃO. NÃO. NÃO. NÃO.

De costas, ouvindo algum comentário, rindo de alguém.

Então era dele que falavam? Era ele o professor substituto?

Não. Não. Não. Não!

Quando foi que ele voltou para Seattle? Por que ele tinha que trabalhar no mesmo lugar que eu?

Não...

Não podia ficar no mesmo espaço que ele. Nunca eu ia conseguir aguentar mais de cinco segundos perto dele, sem lembrar o que já aconteceu entre nós.

Acho que ele sentiu alguém observando-o, porque ele começou a virar o rosto para olhar para trás.

Ele não pode me ver. Eu não posso vê-lo.

Não!

Como uma covarde, saí correndo da sala e tomei cuidado para não tropeçar num dos degraus ao descer as escadas.

Foi sem ar que cheguei ao estacionamento, procurando pela minha picape para voltar para casa. Eu tinha que sair dali logo.

Logo que avistei o vermelho mais arruinado de todos, vi uma cabeleira loura próximo ao meu carro. Senti meu corpo ficar tenso com a possibilidade de ter sido seguida da sala dos professores, até perceber que a cabeleira loura estava em cima do capô, de pernas cruzadas, batendo os dedos lentamente na lataria.

Era Rosalie.

Em todos os momentos de crise, ela sempre esteve lá.

Ela já estava aqui.

Provavelmente porque queria pegar de volta os DVDs dela, mesmo assim... Era tão gratificante vê-la aqui.

Acho que ela notou que acontecera algo, porque deu um salto do carro e veio em minha direção quase correndo, mostrando no rosto a preocupação que sentia.

-O que houve? – foi a única pergunta.

Não consegui responder na hora porque senti as primeiras lágrimas escorrerem. Talvez já estivessem ali, mas só agora as havia notado.

Assim como notei a pressão no estômago e a vontade de vomitar.

Corri para um arbusto e despejei todo meu lanche e almoço em cima das plantas. Rose segurou meu cabelo, esfregando minha costa e ficando mais nervosa. Consegui distinguir as palavras “bem”, “aconteceu”, “hospital”...

Apenas aproximadamente vinte minutos depois eu estava no meu carro, no banco do passageiro, bebendo longos goles d’água para tirar o gosto ruim da boca. Rose comprou pelo menos três garrafas e limpou meu rosto com lenços umedecidos.

E me fez entrar no carro porque “de maneira alguma eu ia sujar o carro dela”.

-Bella... – ela começou já num tom preocupado que me fez querer recomeçar a chorar – Conta o que houve... Há tempos que você não chora assim, só quando...

Não virei o rosto para ver a expressão dela. Mas senti-a ficar tensa de novo, com algo na ponta da língua, quase deixando escapar o nome da pessoa que me fez tremer na sala dos professores.

-Ele está aqui. – murmurei. Minha garganta doía. Minha voz estava irreconhecível até mesmo para mim.

-Ele? – ela apertou minha mão.

Apenas assenti a cabeça.

-Edward está aqui? – ela parecia incrédula. Fechei os olhos e estremeci ao ouvir o nome dele – O que ele faz aqui? Veio atrás de você?

Deixei escapar uma curta risada sarcástica. Como se eu já tivesse significado alguma coisa para ele ter que vir atrás de mim.

-Na sala dos professores... – consegui pronunciar – Parece que ele vai trabalhar aqui.

-Oh...

Rose queria dizer alguma coisa. Mas ela sabia que não era o momento adequado para conselhos ou palavras de consolo.

-Vamos... – finalmente ela decidiu anunciar – Vamos pra casa.

Pelo menos ela não se lembrou de cobrar os DVDs. Eu ia precisar mesmo deles.

Notas finais
Nota:

Obrigada pelos comentários :) comecei bem? E o que acharam do segundo capítulo? Dá pra continuar?

Próxima atualização será dia 14/10!

Um beijo, Marie.