O que há no silêncio...
1 Capítulo 1 - Primeiras considerações
Notas iniciais
'Eu não sou alta, nem muito baixa... OK! Devo estar quase na estatura baixa. Eu sou o que todos conhecemos como NERD do tipo mais estranho e bizarro que existe, eu adoro ler e sempre preferi ficar em casa ao invés de sair com os amigos.. e como ocorre na maioria dos casos ter uma grande amiga (BFF) pra contar todos os segredos... Desculpa, essa última parte nunca me ocorreu desde a 5ª série depois de mudar para o colégio particular.
Não é que eu não tenha amigos, o meu problema é que eu falo demais com quem eu tenho muito intimidade e ai pronto, é um caminho sem volta. Apesar que sempre me acharam estranha por ter mais amigos homens do que mulheres (eu não sei se isso ocorre com alguém, mais garotos são bem mais amigáveis e a maioria não são fúteis, nem te trata feito um lixo por não ser como o padrão manda).
Eu também não faço o tipo 'rebelde sem causa', aliás eu sempre quis desabafar em algum canto e cá estou na internet, contando a minha vida para quem quer que queira saber, ao passo de um click .
Voltemos a apresentação correto? OK! A pergunta que não quer calar, minha idade. Se eu perguntar isso para qualquer pessoa, a resposta seria: "Não deve passar dos 17" ou "15 ou 16" e acreditem até a minha irmã já me deu "17" quando na verdade eu tenho 20... EXATO! Duas longas décadas é o que descreve as minhas desventuras, eu devo ter muito paranóica e complexada. Os bons que me desculpem, mais eu não passo de um grande amontoado de pedaços, alguns mal colocados, outros estilhaçados e grande parte organizado de uma forma qualquer... E assim eu vou vivendo meus dias, com uma única promessa em mente, eu prometi a mim que nunca choraria perto de quem não tivesse intimidade pra entender a razão sem eu precisar falar algo... então eu simplesmente disfarço colocando o melhor sorriso que eu conseguir! (Isso aqui está ficando muito longo, estão conseguindo captar algo?!)
Eu realmente não sei de onde começar... infância..adolescência... isso tudo parece um borrão pra mim. Já sei! Talvez eu deva começar, por de fato, o assunto que tem me atormentado (e diga-se de passagem não é a universidade).'
Antes mesmo de começar, para medida de informações há 1 mensagem não lida ... há um coração partido... há dúvidas no ar... e minha cabeça parece querer explodir... então realmente se há alguém ai desse lado, "por favor, não me deixe sozinha!"
–--
Era de noite, dia vinte de um mês qualquer, que diga-se de passagem nove dias depois do meu aniversário, foi a cinco anos atrás... Mesmo a minha memória sendo péssima eu consigo lembrar cada detalhe. Uma casa grande demais, um quarto enorme, todos os cômodos apagados, somente a luz naquele quarto indicava alguém acordado, uma cama de solteiro no canto, uma cômoda, um telefone de mesa num criado mudo, uma mesa de escritório e um computador antigo, daqueles de monitor de tubo e um gabinete que fazia mais barulho do que todos os bichos noturnos lá fora... Devia ser nove senão dez da noite, aquela garota inocente insistia em não dormir (eu acostumei dormir muito tarde devido escola e curso técnico uns anos mais tarde), navegando entre site de jogos, notícias e até mesmo um garoto grudento que dizia ter um "namoro virtual" com ela... Naquela época era muito comum criar fakes e se aventuras pelas salas de bate papo online em busca de amizade ou quem sabe uma paquera (eu não sou tão velha para usar esse termo)
Foi ai que ele apareceu nickname 'angel' alguma coisa, aliás tu não esperava que eu lembrasse de cada detalhe, certo? rsrs ... Enfim, ele tava lá, e eu nem sabia até então que era ele... eu só possuía o mesmo sentimento de agora, depois de tantos anos eu continuava a me isolar e me sentir solitária, ninguém no mundo parecia conseguir ver além do uniforme azul do colégio num corpo magrelo, do cabelo bagunçado, dos óculos quadradinhos.
(desculpe.. uma pausa de cinco minutos kkk essas malditas lágrimas continuam atrapalhando a digitar... e eu acho que realmente tenho que parar de ignorar as mensagens)
Voltando... antes que eu comece a desabafar aqui novamente essas malditas lágrimas continuem a cair.
Ele é um ano mais velho, é para minha surpresa não aparentava ser um babaca (naquela época eu costuma ser o tipo de pessoa boa que acreditava em muita coisa, salve doce inocência, eu ainda costumava contar tudo para a minha mãe, ela sempre fez o tipo mais descolada do que eu , aliás qualquer um aparenta fazer esse tipo comparado ao que eu era ou talvez ainda posso ser). Ele adorava tocar, e ainda fazia alguma luta... (ele não fazia o tipo atlético, ele era só mais um nerd perdido nesse espaço da internet) naquela mesma noite a gente conversou até duas horas da manhã, pois minha mãe entrou no quarto dizendo que chamaria meu pai por estar acordada até aquela hora (deixe me registrar aqui, o sono dela é realmente impressionante, ela acorda com o simples clique do mouse). A gente conversou sobre algumas coisas, eu não lembro ao certo, mas deve ter sido aquele trágico roteiro de cidade/idade/música/gostos/... Vamos confessar sempre tem isso não é ? Embora não lembre muito ele aparentava ser do nível de inteligência (sim! Eu nivelava isso naquela época) as horas pareceu se extinguir em questão de segundos até que as últimas mensagens continuam arranhadas na minha mente feito um CD antigo:
– "Vai entrar amanhã?" — ele disse, quando avisei que teria que sair.
– "Não sei, talvez a tarde..."
– "14h30 pode ser?"
– "OK!"
– "Dorme com Deus, bj
até amanhã então"
– "Durma bem " — sabe eu nunca fiz o tipo religiosa demais, desculpe.
"ele ficou offline..."
E foi ai que realmente tudo começou, eu só não consigo concluir se é feliz ou infelizmente todos esses fatos! (Se conseguir decifrar e concluir pra mim, por favor não hesite!)
Fale com o autor