O que há no silêncio...
2 Capítulo 2 - Singelas mudanças..
Notas iniciais
Como pode em um pouco mais de vinte e quatro horas a situação mudar completamente? Ei.. essa quebra de tempo tem que realmente acontecer? Há ainda 4 mensagens não lidas, por que o meu visor do celular insiste em me notificar com essa luz quase insuportável, eu vi no mesmo segundo que chegou a mensagem, eu só posso ter o direito de não querer conversar agora?! (Eu sei que é loucura gritar para a tela do celular), são quase três horas da manhã, o sono insiste em me largar numa hora dessas, e porque diabos ele continua me chamando a atenção. Foram semanas sem me responder, sem apenas um 'bom dia', eu sei que tinha visita dos seus amigos por aí (as milhares de fotos e demonstrações de alegria eram compartilhadas a cada minuto), mas custava um sinal de vida? EU REALMENTE NÃO LIGO QUE VOCÊ TENHA OUTROS AMIGOS!, só não precisava omitir a minha existência novamente... eu estou cansada de ser o passatempo dos horários "sem-algo-melhor-para-fazer"
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Os dias no colégios passaram como um borrão, era sempre a mesma situação:
"Eu afastada do restante da turma e na primeira fileira e a primeira carteira, os 'eme-esse-ene' de papel comentando o quão ridícula era usando aquele uniforme completo e, sempre com agasalho, calça bailarina e all star nos pés (..era confortável, e eu estudava cedo, não tinha o hábito de acordar horas antes pra ter que arrumar o cabelo ou passar quilos de maquiagem.. e POR FAVOR aquilo era um colégio).
No intervalo me zoavam pois, minha família não era muito rica então, eu tinha que levar o lanche, não podia pagar todos os dias... não era de todo ruim, aposto que o meu misto frio estava mais saudável que aqueles salgados fritos rsrs (Isso não é inveja, eu realmente não gosto muito de fritura, coxinha é uma das poucas exceções..)
Os professores eram do tipo "puxa-saco", e não se importavam que alunos saíssem durante a aula ou mesmo que ficasse naquele papinho inútil aleatório. E bom na saída era divertido, pegar ônibus, ou ir apenas caminhando... não importa o clima ou temperatura que estivesse, era sempre uma ótima alternativa andar sozinha, ou mesmo entre pessoas que pareciam não me ver...
Mas, se caminhar sozinha já era magnífico, chegar em casa e poder entrar no computador era melhor ainda... naquele dia eu entrei mais cedo do que era de costume (eu não me lembro a razão, mais eu havia esquecido de entrar para conversar com aquela tal pessoa... talvez não soasse tão interessante a conversa, ou devo ter ficado lendo algum livro e não larguei antes que ele acabasse) por via das dúvidas vou ficar com a opção menos trágica que foi a do livro... O curioso era que agora ele estava online havia se passado o que? Dois dias? Talvez três, eu não sei dizer com precisão, e eu não precisei iniciar a conversa, ele parecia de certa forma .... ler minha mente?!... Foi bem bizarro quanto parece..
– Oe? Sumiu,
está tudo bem ? — ele disse.
– Oie (:
tudo ok... E vc, bem? — eu sempre menti com uma determinação incrível.
– Bem mesmo?
Certeza?
Estou com alguns problemas, nd tão desesperador...
– ...
– Ei?
– OI — porque ele continua interrogando..
– Ainda está ai?
Ocupada?
– Desculpe, não sabia que deveria ser 100% atenção... — eu sei que soou um pouco agressiva, é meu modo automático, foi sem querer.
– Não, tudo bem... dá pra continuar a falar?
Ou melhor outra hora?
– Não, ok, desculpe..
– Tá tudo ok? Pode falar se quiser, sou todo ouvidos.
– Pq? — isso realmente de era estranho.
– O que?
– Pq o interesse em saber se estou bem realmente?
– Não precisa atacar, foi somente curiosidade, relaxa kk
– Meus dias no colégio são como outros quaisquer... completamente terríveis kkk
– Deixa eu adivinhar.. brigou com alguma amiga por causa de algum garoto?
Ou pior brigou com um garoto por causa de uma menina???
– NÃÃÃÕO...
Está louco?!.. nada disso
Só a mesma exclusão de sempre.. e eu nem sei o pq de te contar isso.
– UAI... Pensei que fizesse o tipo patricinha, você leva jeito.
...
(com tamanho jeito de nerd eu realmente não precisava escutar mais aquele tipo de coisa)
– Eu preciso almoçar... a gente conversa outra hora
– Espera...
– O que?
– Desculpa,não disse por ofensa. Só não precisa ser tão fria com isso. Relaxa, okay?
– Nãoo.. OK
Não precisa se desculpar, relaxa. E ... esse é meu jeito
– Ei? Vai entrar mais tarde? Ou esse é o único horário que pode entrar?
– Eu sempre estou on por aqui, mas não posso ficar até tarde, minha mãe me mataria.
– Acho que terei que me adaptar aos seus horários então...
– What? O.O
– Não se assuste, é só conversa ok.
– Tá.. eu acho.
– Vai comer então. Até depois. Se cuida
– Tchau
– Ei?
– O que é ?
– HAHAHAHAHHA... Não fique nervosa, e não suma..
– Eu não sei se posso cumprir essa ultima observação rs
– OK então..
(eu desconectei para ter certeza que ele não ia ficar puxando assunto comigo, eu ainda tinha milhões de livros pra ler.. e talvez eu entre pra falar com ele...Mas, por que ele continua tão misterioso? Interessado no que estou pensando? Ele realmente não deve ter o que fazer...)
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Só para constar, não há mais mensagens para ser lidas. Todas elas respondidas, e eu juro que fui educada, e do modo mais natural que eu consegui... E continua difícil, não é só pelo súbito interesse de volta, não é só por me esconder da sua família e amigos.. há algo mais no qual eu ainda não consigo decifrar
Há palavras vagas, explicações desnecessárias, e um certo nervosismo exagero que não sei explicar por qual motivo começa... Por que você depois de tanto tempo continua tão enigmático? Por que me pede sinceridade? Por que me mudou? Me fez alguém mais sociável se não tinha a intenção de ver isso de perto e pessoalmente fazer parte disso tudo comigo?!
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