Você já teve um amor impossível? Impossível do tipo, você até sonha muito com a possibilidade de Deus ouvir suas preces sobre como você ama aquela pessoa e quer ela, ou uma estrela cadente passar quando você tá pensando em como deve ser beijar a pessoa, ou uma bela fada madrinha bacana aparecer com a varinha mágica dela do nada e dizer “Ei, você ai, vou te fazer namorar a pessoa que você quer! Bibidi, bobidi, bum!” (Eu não tenho certeza se é a frase é escrita Bibidi, bobidi, bum! mas decidi que fica mais natural colocar deste jeito, me processem), porém, mesmo assim você sabe que nunca vai rolar? É apenas inconcebível que o ser desejado por você te olhe da mesma forma, não importa qual o tipo de reza, magia ou fenômeno estelar, só não tem como acontecer. É impossível. Por questões até mesmo científicas.

Ok, nesse ponto vocês que estão lendo devem estar pensando que eu estou apaixonado pelo meu cachorro, ou algo assim. Eu não estou, pessoal. Nem cachorro eu tenho, na verdade. Bom, uma vez eu tive um cachorro, mas um dia meus pais abriram o portão e ele saiu correndo e nunca mais voltou. Não julgo ele, naquela época tudo que eu queria também era sair correndo da minha casa. Enfim... Do que eu estava falando mesmo? Ah, sim! Amores impossíveis. Então, continuando, eu já tive vários amores impossíveis, tipo, muitos, tipo, demais, tipo, pra caramba. Não sei se é porque eu sou de câncer, ou porque eu sou um romântico incurável, ou porque eu assisti vários filmes de romances não convencionais enquanto crescia, e por isso sempre sonhei em também viver um. Não sei, talvez eu tenha um fetiche por sofrer. Hum. Para ser sincero, talvez eu tenha um fetiche mesmo, e esse fetiche também pode ser o motivo do porquê eu tive tantos amores impossíveis:

Héteros.

Sim, eu sei que provavelmente metade dos gays lendo isso agora estão me julgando mentalmente, mas quer saber a real? Só Deus pode me julgar. E o Bruno Mars, ele pode me julgar também. Ele é tão gatinho, será que ele é hétero mesmo? Certeza de que ele é no máximo bissexual, afinal, ele canta música pop né? Qualquer um que cante o mesmo gênero musical que a Madonna provavelmente faz parte da comunidade LGBT, mesmo que ainda não saibam. Enfim, voltando ao que eu estava falando, amores impossíveis e fetiche por héteros.

Eu não sei bem explicar... Tudo começou quando eu tinha quatorze anos de idade e me apaixonei por um garoto pela primeira vez. Ele era um amigo virtual meu (outro fetiche que eu tenho, me apaixonar por amigos, mas isso fica para outra hora) que sempre foi reservado quanto a sexualidade, entretanto, ele parecia tão gay que eu não pude me controlar e comecei a gostar dele. Essa coisa de talvez “fazer” alguém se descobrir com você e viver um romance bacana é apenas tão fofo pra mim, e foi assim que eu comecei a me apaixonar perdidamente pelo meu amigo, pensando que talvez eu fosse conseguir “fazer” ele se descobrir um gayzão e a gente ia namorar e ia ser lindo, mesmo que virtualmente.

Pois, é. Não rolou.

Ele continuou sendo reservado quanto á sexualidade, mas deixava bem claro que era hétero quando falava das meninas que ele estava apaixonado para mim. Era deprimente porque eu nunca tive coragem de contar para ele o que eu sentia, e depois de um tempo sofrendo durante nossas conversas, eu apenas deixei para lá. Alguns anos depois, ele estava mais aberto quanto a sexualidade e revelou que era bissexual. Bom, em alguma coisa eu estava certo, pelo menos. Talvez eu tenha errado a época. Será que deveria tentar agora, gente? Vou pensar nisso mais tarde.

Continuando. Minha segunda paixão por um hétero foi na oitava série. Ou no primeiro ano, não sei. Eu tive amores não correspondidos em todos os anos da minha vida até agora, ás vezes acabo confundindo a ordem deles (Pessoas sem reciprocidade problems). E para falar a verdade, não foi bem paixão, foi mais uma quedinha bem leve por um garoto chamado João. Foi assim que começou:

Eu entrei na sala no primeiro dia de aula e me sentei na minha carteira.

Reparei que havia um garoto bonitinho e fofinho do outro lado da sala, era obviamente hétero, mas era bonitinho e fofinho.

O garoto bonitinho e fofinho, mas obviamente hétero, chamava-se João.

Eu olhei para João. João me olhou.

João arqueou os lábios em um sorriso para mim.

E assim eu gostei dele pelo resto do ano letivo.

A minha terceira paixão por um hétero aconteceu no ano seguinte a este, que pode ter sido o primeiro, ou segundo ano do ensino médio. Ah, não. Provavelmente foi no primeiro, porque no segundo ano do ensino médio a paixão foi... Bom, jajá eu conto sobre a paixão do segundo ano do ensino médio. Esta terceira paixão na verdade foi bem trágica, porque foi tão ou mais forte do que a primeira paixão (o amigo virtual). Foi por um menino do meu curso de informática. Sabe, desde o primeiro dia do curso eu já tinha notado que ele gostava de trocar olhares comigo, que ele ria de todas as minhas piadas e que ele tinha a constante mania de me elogiar. Era óbvio que ele era hétero, mas eu gostei de me iludir com a possibilidade de finalmente aquilo de fazer com que alguém descobrisse a sexualidade por causa de mim e vivêssemos um amor bacana juntos fosse real. Então, eu comecei a encarar os olhares, risadas e elogios como fatos reais e comprovantes de que ele me amava e estava confuso sobre amar um garoto e de que eu seria a luz em sua vida que o ajudaria a se aceitar gay ou bissexual, e assim, seríamos felizes para sempre. Sim, certo. Nós começamos a ficar próximos nos meses seguintes do curso, e eu adorava conversar com ele e a minha habilidade de conseguir o fazer dar risada tão facilmente. Eu adorava que ás vezes a gente conversava em um tom de flerte, e adorava como eu me sentia corajoso perto dele. Qualquer coisa que ele me chamava ou pedia, eu não me sentia nervoso ou intimidado de ir ou fazer, e para mim, isto era um sinal óbvio de que eu tinha encontrado minha alma gêmea com apenas quinze anos. E, claro que eu ignorava os sinais de que ele não era minha alma gêmea, nem era um garoto confuso se descobrindo e sim um hétero bem resolvido. Eu ignorava quando ele agia de forma machista e dizia que alguma garota era gostosa sem nenhum pudor, eu ignorava quando ele tinha um tom homofóbico ao comentar meus gostos e trejeitos, e eu até mesmo ignorei quando ele ficou com uma menina do curso, na minha frente. Eu apenas disse a mim mesmo “Oh, que menino nunca ficou com uma menina antes de se descobrir, né?”. Eu estava tão desesperado para ter um romance não convencional e tirar alguém do armário naquela época, era trágico. Porém a nossa proximidade só fazia eu me apaixonar mais e mais por ele, até que as coisas chegaram a um limite. Ele me disse que gostava de uma amiga minha do mesmo curso, e meu coração se partiu ao meio, porque então, eu caí na real e percebi que:

a) Ele era hétero.

b) Ele realmente era hétero.

c) Ele era hétero e gostava de uma amiga minha, não de mim.

d) Ele era muito hétero, e eu era muito trouxa por ter fingido que não sabia desde o inicio a letra E.

e) Ele era hétero.

Depois disso, eu notei que não dava para continuar sendo amigo dele. Reuni coragem e contei para ele sobre meus sentimentos, contei para a amiga também o que eu sentia por ele e ele sentia por ela (porque né, ela precisava saber disso antes de ficar com ele acidentalmente e me magoar sem querer, o que ela totalmente nunca faria comigo, pois ela era minha amiga). E de certa forma, eu ainda estava sonhando secretamente quando fiz isto. Ele não foi um babaca quando eu falei a verdade, ele disse que entendia e estava tudo bem. E eu sempre fui tão acostumado com meninos héteros sendo babacas e preconceituosos e nojentos, que parecia impossível para mim ele lidar tão bem com o fato de que eu tinha sentimentos por ele. E isto me fez sonhar que ele realmente era gay, e ainda ia se descobrir, e um belo dia ele ia olhar para trás e dizer “Ei, eu me descobri, agora podemos viver um amor ardente”.

Não rolou.

Na verdade, foi horrível o que rolou depois. A gente parou de se falar, ele e a minha “amiga” começaram a namorar, os dois praticamente me mandaram para a casa do cacete e foram felizes para sempre sem mim. Então, esta paixão apenas tomou o mesmo caminho das outras. Foi um caminho um pouco mais dramático, triste e raivoso, mas acabou do mesmo jeito, porque eu superei e esperei pelo próximo hétero.

E então, ele veio.

E é por causa dele que eu estou aqui, contando tudo isso para você, caro estranho que está me julgando por ser tão otário, sem amor próprio, iludido e viciado em héteros. O nome dele era Lucas, e ele entrou na minha sala no segundo ano do ensino médio. E não, ele não foi uma paixão forte e dramática, mas ele foi a maior queda eu que já tive por alguém. Pode-se dizer que ele foi um tombo. Um escorregão. Um empurro da Nazaré Tedesco pela escada naquele capítulo de Senhora do Destino.

Lucas era apenas a coisa mais linda e deliciosa que eu já tinha visto em todos estes anos de indústria vital. Eu vou tentar descrever ele para vocês: Lucas era de uma altura média, a pele morena e bronzeada como se ele morasse na praia, braços fortes e grossos (mas de uma forma natural, não de uma forma ele-faz-academia-sete-dias-por-semana), cabelos encaracolados pretos e bagunçados, olhos redondinhos, lábios carnudos e o principal: um bumbum muito, muito, muito grande e bonito. Ah, ele era um sonho.

Eu estou nem aí se vocês acharam imoral a parte do bumbum grande, eu era um adolescente de dezesseis anos, okay? Os hormônios estavam explodindo em cada parte do meu ser, e um Deus grego daqueles de bumbum grande parecia á coisa mais graciosa do universo. Principalmente porque, pasmem, Lucas nunca usava cinto! Sim, sim, sim! As calças dele eram largas e estavam sempre caindo por sua cintura, mostrando uma grande parte da sua cueca e toda a extensão daquela bunda. Desde o primeiro dia de aula, quando ele sentou na carteira da frente e eu vi aquela cueca cinza parecendo acomodar duas luas cheias, eu soube, eu estava apaixonado. E caramba, sim, eu também sabia que ele era hétero, e sim, eu também estava cansado de gostar de héteros, mas eu não consegui controlar, ainda mais com o jeito meio gay que Lucas tinha, como não se iludir que o garoto é gay quando ele se veste bem de uma forma que meninos héteros nunca se vestiriam, tem zero de preconceito ao falar com você e se agacha exatamente como a Nicki Minaj sempre que vai sentar em algum lugar? Vocês provavelmente estão dizendo que essas coisas não significam nada e eu sou um idiota cheio de estereótipos e ilusões, minha melhor amiga diz o mesmo, mas quer saber? É a verdade. É apenas a verdade. Aceitem.

Eu nunca cheguei a ficar próximo de Lucas, mas minha melhor amiga (não a amiga talarica que citei lá em cima), Tisha, era bastante, e ela sempre me contava sobre as coisas que ele falava e poderiam ser considerados sinais de gayzice aguda. E eu gostava de saber desses sinais. Eu não tentaria nada, óbvio, naquela altura do campeonato eu estava com trauma de tentar com prováveis gays não descobertos, mas era bom saber que o lindo do Lucas podia jogar pro mesmo time. Isto me bastava. E então, assim passou-se o ano, comigo apenas desejando ele em segredo e admirando o fato de que ele era bem burrinho e nunca notou isto. Comigo sempre sussurrando “Eu te amo, filha da puta” quando ele passava no corredor perto de mim. Comigo e as minhas mãos sempre tremendo quando ele me cumprimentava, sentava do meu lado ou pedia a borracha emprestada. Comigo sempre trocando olhares com ele durante as aulas, e desviando quando ele olhava de volta.

Mesmo com todas essas coisas, Lucas nunca notou que eu gostava dele. De alguma forma, o jeito lento e distraído dele o deixava ainda mais atraente e fofo. Confesso que de vez em quando, eu queria apenas pular em cima dele e o beijar, e talvez morder seu bumbum mais tarde. Mas nunca o fiz. Apenas esperei que o segundo ano acabasse, e eu o superasse, como todos os outros héteros. E foi isto mesmo que aconteceu, o segundo ano acabou, e eu superei. No terceiro ano ele já não estudava mais comigo, a escola acabou e eu nunca mais vi ele.

Os anos se passaram, eu comecei a morar com Tisha em um apartamento na cidade, e ter quedas por héteros aleatórios a cada dia que passava, sabendo que nunca daria em nada demais. Era apenas a mania estranha que eu tinha e já tinha aprendido a conviver com, provavelmente nunca iria conseguir mudar isto. Talvez fosse um fetiche que sempre ia existir em mim. Fetiche por amores impossíveis. Fetiche por héteros que parecem héteros, andam héteros, falam héteros, se vestem héteros, agem héteros e mesmo assim eu finjo que devem ser gays e me iludo. Após certo tempo, eu nem me chocava mais quando descobria que tal garoto não era realmente gay e não tinha realmente sentimentos por mim. Porém, apenas alguns anos após o segundo ano do ensino médio ter acabado, a coisa mais chocante do universo aconteceu:

Lucas voltou.

E desta vez, ele não parecia nada hétero.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, eu estou só gritos porque é minha primeira fanfic na categoria originais. Eu não tenho nem muito o que falar nas notas finais deste prólogo por enquanto, apenas espero que vocês tenham gostado da trama, e caso não tenham, comentem aí o que vocês não curtiram e me ajudem a melhorar, mas se gostaram, também comentem porque, né? Não tenho previsão da postagem dos capítulos, mas podem esperar um a cada semana, se tudo der certinho. Bom, por hoje é isso só, comentemmm e beijão ♥