Notas iniciais
Demorei mas voltei! Gente, me perdoem a semana que passei sumida, sei que acostumei vocês muito mal kkk, a verdade é que tive um bloqueio terrível e sempre que escrevia não me agradava do resultado. Eu literalmente reescrevi o capítulo umas três vezes, mas acabou BOM DEMAIS DA CONTA! Eu espero que também sintam tudo o que eu senti enquanto escrevia!!! AVISO: Gente, sério, vocês amam me matar do coração, não é? Essa semana ausente me presenteou com duas maravilhosas recomendações no Nyah! Uma feita nessa fic pela Bárbara Lins, e a outra feita em Amaldiçoado pela Naraten, é uma outra NT minha, mas como ela já está concluída e a babe também é minha leitora dessa fic, vai ser esseeee capítulo divoso que eu dedico às duas. Sérião gente, eu chorei de felicidade sentindo esse carinho todo. Espero de coração que valha a pena e que continuemos sempre com esse laço lindo que criamos. MUITO OBRIGADA!!!! No mais, não quero mais enrolação. Boa Leitura e até as notas finais.

Quem era eu? O que eu tinha me tornado? E todo meu esforço pra chegar até aqui? Eu vou deixar que um filho da puta que vende o próprio corpo como um fetiche doentio e uma namorada sociopata me pisem? A Mitsashi Tenten que eu conhecia jamais permitira. Não mesmo. E é dela que eu preciso.

Algumas coisas são necessárias para abrirmos os olhos. Hyuuga Neji me foi necessário me fazendo encarar a realidade que cheirava a sangue e perfume da Dolce Gabbana. Foi assim que eu despertei.

***

Quando o dia seguinte chegou, eu decidi que não ia deixar ninguém passar por cima de mim. E que tudo o que estava acontecendo comigo, aguardando por um dia melhor, não era uma questão de esperar passar, era uma questão de fazer acontecer. E eu ia fazer acontecer. Faz acontecer. Não importa o quão você é durão, a vida vai botar você de joelhos e você vai ficar de joelhos pra sempre se você deixar.

Ser forte não significa não cair, ser forte significa que em algum momento você vai cair, mas vai continuar levantando. Ser forte é uma questão do quanto você suporta tentar e continuar tentando. Eu cheguei até aqui e eu vou até o fim.

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Olhos. Olhos. Olhos. Eu amo esses olhos. Eu a forma como eles me encaram e me comem por inteiro. Eu amo a forma como os cílios dançam a medida que a pupila dilata encarando a mulher magnífica pelo espelho. Os olhos são meus.

Os dedos femininos com unhas feitas deslizaram suavemente pelos batons enfileirados no cômodo, observando as variações das cores. Optei por um que realçasse o vestido e que fazia meu estilo. Era um tom vermelho que costumava usar apenas em determinadas situações.

Inclinei-me sob a penteadeira e deslizei o bastão sob meus lábios. Não era o que bastão que eu queria, mas no momento era o que eu precisava. Um sorriso de canto brotou em meus lábios segurando na altura do rosto o batom que me trazia lembranças deliciosas, como quando Neji me comeu no banheiro daquela festa. Que pena, vou sentir saudade daquele pau, mas vida que segue. E fechei o batom pegando minha bolsa sob a cama.

O que houve comigo? Houve tudo. Houve eu. Me cansei de fugir e me esconder atrás das pessoas.

Obrigada Neji, a forma como você me tratou me fez lembrar a mulher que eu era antes dessa merda toda. Aquela mesma que eu libertei por sua culpa e a qual eu aprisionei pelo mesmo motivo. Você. Eu acabei me dando conta que é dela mesma que eu gosto, sabe?

Girei a maçaneta dando de cara com o policial de plantão que já me aguardava. Meus lábios se curvaram abrindo bem meu sorriso, aquele meu típico sorriso de vadia. A vadia que eu sou e que eles amam. Ergui os pulsos para ser algemada e suspirei:

— Cuidado com as unhas, acabei de fazê-las!

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Homens de preto são tão... Ah.

— Essas algemas não estão apertadas demais? — sua voz grave percorre o ambiente e meu sistema nervoso, e sinto-me arrepiar. Ele indaga se aproximando e tocando meus pulsos. Captei alguns olhares indiscretos de meu advogado em direção ao meu corpo e principalmente meu decote. E usei de meu autocontrole para demonstrar indiferença. Dei de ombros.

— Não... Na verdade estou começando a gostar delas. — me aproximei confidenciando e sussurrando em seu ouvido. Já me encontro no fórum e estamos próximos da sala que ocorrerá o julgamento. Vi sua boca deliciosa se fechar numa linha fina e ele engolir em seco após minhas palavras, notoriamente entendendo meu recado. Assim como sua respiração pesada, aquilo me excitou.

Os olhos negros voaram para algum outro ponto enquanto os meus lhe fitavam com certa devoção, quanta beleza pra um macho só. Esses olhos me incitam perigosamente, assim como o movimento lento de sua garganta ao engolir a própria saliva. Então ele suspirou, fechando os olhos e voltando a abri-los em minha direção. Engoli o próprio gemido ao ser engolida por aquela pupila negra dilatada.

— Também estou adorando vê-la algemada, mas não como gostaria. — sua voz soou grave, firme. Meu clítoris piscou. Senti um frio percorrer minha espinha e os músculos de meu ventre se comprimirem deliciosamente com a insinuação erótica. — Depois eu posso te ensinar algumas formas de usa-las, mas vai ter que concordar. — revelou e me senti travar com luxúria. Pisquei algumas vezes bagunçando minha mente de possibilidades após seu veredito, Itachi é sadomasoquista?

Minha resposta foi encara-lo buscando algo, algum sinal. O Uchiha estava irredutível, sua expressão dura e séria, extremamente autoconfiante e parecia também excitado. Por um momento lembrei da nossa foda no carro, ele realmente pareceu gostar quando usei sua gravata em mim como se eu fosse uma cachorra e ele meu dono. Bom, eu sou uma cachorra, mas ele não é meu dono. Mas me diz, Uchiha Itachi, quais segredos teus olhos ônix escondem?

Engulo em seco tentando não relevar nada do que penso. Por que as possibilidades são tão excitante? Céus, eu tô viçando a momentos de ser julgada.

— É melhor irmos, Tenten. — ele colocou uma mão em minha cintura, indicando para onde deveria seguir. — O julgamento se iniciará em breve. —ele acenou discretamente para o policial distante e voltou a me fitar frígido enquanto caminhávamos. Puta que pariu, que homem é esse porra?

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Brancos. Aqueles olhos brancos. Meus olhos se cruzaram aos seus. Ele que já estava no interior do ambiente dialogando com alguma autoridade sobre... Ora, quem mais? Eu. Vi sua expressão travar bruscamente assim que as orbes claras percorreram de relance meu corpo e voltar a me encarar, teria dado um belo de um sorriso vitorioso por vê-lo comer o pão que o diabo amassou me vendo tão linda enquanto ele parecia um belo lixo mascarado. Mas acabei me dando conta de que não me importava tanto assim. Nossa, mas num lixo desses eu me esbaldava. Nossas desavenças não diminuem a vontade que eu tenho de dar pra ele.

— Você deveria ficar satisfeita, Mitsashi. Porquê apesar de ser uma assassina, te farei a caridade de retirar a queixa e impedir as suas chances de passar o resto da vida vendo o sol nascer quadrado. — a voz azeda de Inuzuka Tamaki adentrou meus ouvidos e girei os calcanhares em sua direção, olhando-a indiferente da cabeça aos pés. Itachi não se encontrava comigo. — Mas eu devia deixar você apodrecer numa cela suja e empoeirada. Eu devia deixar você morrer lentamente convivendo com ratos e baratas que são mais limpos que você! — arqueei uma sobrancelha, ela me olhava com tanto nojo. Tanta raiva.

— Qual o motivo da sua revolta, Tamaki? E convenhamos que você nem se importa com a morte de Kiba! — disse convincente e ela bufou.

— Sua culpa. Tudo isso que aconteceu foi sua culpa. — arqueei a sobrancelha outra vez. — Procurei Neji por dias lá e dia após dia me diziam que ele não tinha ido, que não disse quando ia voltar e que sequer tinha dado satisfação e foi tudo culpa sua. O meu Neji parou de ir pro nosso ninho de amor porquê estava correndo atrás de uma pobretona feito você! — seus olhos chegaram a lacrimejar. Tamaki tremia falando como se recordasse daqueles momentos.

Meus olhos lhe estudaram, minha mente trabalhou inúmeras respostas a mulher, mas minha boca não e moveu. Ela não valia meu tempo, ela é uma pobre coitada que depende de chantagem para conseguir o que quer. Meneei imperceptivelmente.

— Você é doente. — concluí me dando conta de uma coisa, Inuzuka Tamaki não é digna de ódio. Ela é digna de pena. Não há nada pior do que correr atrás de alguém que nunca vai ser seu de verdade.

Tamaki não tinha amor próprio, ela não tinha motivo pra se amar. Ela era uma infeliz psicótica e isso mostrava que estávamos intelectualmente anos luz de distância uma da outra. Era por isso que eles me queriam ao invés dela, era por isso que ele me amava ao invés dela. Porquê por mais que seja macho, homem gosta de mulher.

— Do que está rindo sua desgraçada? — ela indaga quando a sombra de um riso se faz presente em meus lábios vermelhos, observando-a de cima e sentindo o poder que apenas meus saltos podem me dar. É outro ângulo, outra forma de ver o mundo, estou por cima dela por estar na ponta do salto alto.

— Não sei, a vida é tão... Bonita, não é? — ironizei e vi seus olhos inflamarem de ódio puro. Se não estivéssemos no fórum, Tamaki muito provavelmente voaria em mim naquele momento.

— Você é uma vadia, Mitsashi. Os homens só querem te comer e te deixar pra lá! — disse entredentes e revirei os olhos.

— Seu namorado disse a mesma coisa. — respondi. — Mas deixa eu te dizer, em tese, o que eu disse pra ele... Vadia não é xingamento. E se eles só querem me comer, estou feliz, porque eu só quero dar pra eles. — mordi o lábio inferior tentando não rir da expressão que ela emitiu. Tadinha. — E aliás, era na dele mesmo que eu tava quicando nas noites que se perguntava onde ele estava.

— Senhora Inuzuka. — uma voz grave, de timbre moderadamente fodido e gostoso ecoou por meus ouvidos e tive um orgasmo psicológico. Esquecendo-me momentaneamente da mulher com quem debatia. — É melhor irmos antes que o julgamento comece. — lancei minha atenção na direção do tom e meus olhos se cruzaram a um misterioso rosa púrpura que jamais vi antes. Seu olhar continha tanta maldade e sensualidade que qualquer mulher arriscaria abrir as pernas pra ele só pra sentir o pau gostoso resvalando lá dentro enquanto mantinha-se hipnotizada por seus olhos. E que olhos. Puta que pariu. Vi a sombra de um sorriso vadio brotar em seus lábios, controlei-me tentando não demonstrar como aquela expressão me deixou molhada, porque o filho da puta também deve ter controlado o pau ao me ver. Desejos mútuos, acabei de me recuperar e já quero dar. Que vadia interior insaciável que eu tenho. Vai, eu sei que gosta do que vê. — Muito prazer senhorita, sou Hidan, advogado da família Inuzuka. — ele então disse estendendo a mão e retribui erguendo as duas, já que estava algemada, e notei quando ele estranhou o fato.

— Mitsashi Tenten, a réu. — seus olhos não demonstraram surpresa diante do fato. — Me desculpe mas... Não era o senhor quem estava acompanhando o caso, não é mesmo? — indago com um sorriso de canto e nossos olhos se cruzam mais uma vez quando ele volta a me encarar. Tem tanta maldade nele, caralho esse cara é o filho da puta gostoso mais descarado que eu já encontrei. Isso é sensual, porque eu quase posso sentir em pensamento o pênis dele latejar de desejo.

— Infelizmente não. — ele diz e a Inuzuka irrita-se. Quando Hidan olhou de soslaio para mulher, notei no mesmo instante que ela não era sua cliente preferida, uma vez que ele pareceu incomodado com o caso. — Retornei há três dias de Toronto. Estive presente em um outro caso. — explicou voltando-se pra mim. Arqueei as duas sobrancelhas fazendo sinal de entendimento e assenti com um meio sorriso, que homem céus. E ele me come com os olhos descaradamente. Sinceramente, estou gostando muito dessa indiscrição toda. É excitante.

— E como pretende resolver esse caso? Soube por fontes confiáveis que a senhora Inuzuka pensa em retirar a queixa. — joguei displicentemente e ele abriu um sorriso torto, sexy, meu clítoris piscou.

— Não se preocupe, senhorita Mitsashi. Nenhum inocente hoje será injustiçado. — ele novamente ergueu a mão e segurou a minha, senti o roçar de sua mão masculina na minha tez e aquilo me fez arfar visivelmente. — Nem que eu precise leva-la para cumprir prisão domiciliar na minha casa. — caralho, o cara é descarado mesmo. Mas por que o sorriso vadio dele se espelha no meu? É contagiante. Ele é sexy, perigosamente sexy.

Cuidado Hidan, está pulando de barco. Mas também com uma sereia dessa no time inimigo, não te culpo.

— Espero não estar atrapalhando, o julgamento já irá começar. — uma quarta voz soou próxima o suficiente para que meu corpo captasse o calor do dele, assim como o cheiro fodidamente bom adentrasse minhas narinas.

Girei o pescoço na direção do moreno que mantinha as mãos no bolso, costumeiramente, assim como uma expressão dura e fria. O Hyuuga baixou os olhos na direção de minhas mãos dadas à de Hidan, que continuava a acariciar-me, seu escárnio foi nítido e ri no âmago. Continuo fitando Neji com minha melhor expressão, não me canso de ser rodeada por esses machos gostosos que tem cara que fode bem. Bem, Neji fode bem. Mas também aposto minhas fichas em Hidan. Sorrio e volto-me para o homem a minha frente.

— Foi um prazer conhece-lo, Hidan. Espero que tenhamos a oportunidade de nos encontramos mais vezes. — confidencio soltando-me de sua mão ávida e quente, girando os calcanhares ao momento enquanto o cheiro do filho da puta Hyuuga continuava a castigar minha sanidade. Que delícia de macho.

— A oportunidade somos nós quem fazemos, senhorita Mitsashi. — sorrio de canto e pisco para ele antes de virar-me completamente. Homem inteligente.

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— O tribunal de justiça se inicia agora. — o juiz disse pausadamente enquanto averiguava seu relógio de pulso.

Assim que o horário bateu às dez da manhã, as portas se fecharam e ninguém dos envolvidos estava permitido sair para fins banais.

Não seria um julgamento aberto, como de costume. O pedido foi feito pelo atual advogado da Inuzuka, Hidan. O mesmo estava numa mesa rente a minha direita, acompanhado da mulher. Haviam os jurados ao lado direito do juiz que estava voltado para nós, o promotor que inciava seu diálogo e o Hyuuga sentado do lado oposto dos jurados também voltado pra nós.

O circo se iniciou, quer dizer, meu julgamento.

Através das palavras do promotor que lia minhas acusações relatando meu depoimento, quase fui capaz de reviver tudo outra vez, quase. Ele parecia bastante empenhado em me fazer incapaz.

— ...Esta mulher assumiu publicamente que assassinou a sangue frio Inuzuka Kiba, um dos promissores nomes de nossa cidade...

— Protesto! — mirei de soslaio Itachi que estava sentado ao meu lado esquerdo. Que homem, céus. Ele trajava sua beca preta e os cabelos longos estavam amarrados num rabo de cavalo fixo, mas alguns fios deslizavam em seu rosto. — A função do promotor é unicamente redigir em voz alta as acusações, ele não tem direito algum de acusa-la. — falou e girei um pouco a cabeça para ele. Seu tom era firme, possesso. Os olhos negros que queimavam o dito cujo e encaravam o juiz ao mesmo tempo.

— Protesto aceito. — voltou-se para o promotor. — Por favor, mantenha o decoro e foque em relatar a narração do ocorrido.

Ele sentiu o gosto amargo na boca quando fez o que lhe era mandado. Sempre velando as acusações atrás de suas próprias acusações. Aquilo se tornava cada vez mais massante e cansativo, comecei a trabalhar baboseiras na mente. Totalmente confiante da competência de meu advogado. E que competência.

Dancei meus olhos entre os presentes. Hidan pareceu captar meu olhar e nos encaramos brevemente outra vez; Hyuuga Neji estava mais calado e quieto do que normalmente é, mesmo que o promotor lhe fizesse perguntas; E Itachi continuava protestando. Será que ele é bom protestando na cama também? Na cama, porra, no carro não.

— O que estava fazendo no apartamento da réu naquela noite? Certamente procurando meios para realizar o crime, não é isso senhor Hyuuga? — acusou novamente.

— Protesto! — o Uchiha interveio outra vez. — Este homem está ultrapassando todos os limites. Ele não tem direito algum de indagar certas coisas uma vez que foi o próprio Inuzuka Kiba quem os raptou. Há provas concretas disso! — exclamou numa expressão tão séria que apenas seus lábios se moviam a medida em que os dentes batiam uns nos outros enquanto falava. Caralho tio, quanto auê. Eu tô chocada e perdida com a autoridade do Uchiha que agora se encontra de pé com as mãos espalmadas na mesa e o corpo inclinado pra frente. Isso era, sem sombra de dúvidas, deliberadamente sexy.

O promotor parecia bem mais empenhado em me colocar atrás das grades do que o próprio Hidan, que marcava presença como advogado de acusação e o qual encontrava-se sentado desleixadamente com um braço apoiado no alto da cadeira, sem beca e com o paletó no assento. Seus lábios pareciam serem desenhados para sempre esboçar aquele sorriso febril e cheio de maldade.

— Protesto aceito. Por favor encerre sua fala e passe a vez para o advogado de acusação. — o juiz falou e escorreguei um pouco no lugar. Fala sério, quanta enrolação. O promotor não parecia satisfeito, seus olhos me queimaram e devolvi displicentemente enquanto ele se retirava para sentar-se nas cadeiras vazias que seria para o público ausente.

Olhei de soslaio Hidan se levantar abotoando o paletó que já lhe vestia o corpo. Ele seguia para o meio de todos e meus olhos lhe acompanhavam interessada e discreta. Seus passos lentos pareciam estudados, ele caminhava com uma firmeza de macho. Começou:

— Vossa excelência. — chamou girando os calcanhares na direção do juiz que ouvia tudo atentamente. O mesmo assentiu. — Minha cliente em questão gostaria de anunciar publicamente que analisou melhor a situação e que irá retirar a queixa feita contra a réu, Mitsashi Tenten. — após findar sua fala, os olhos róseos púrpura me procuraram numa discreta olhadela de soslaio. Semicerrei os meus. Os presentes envolvidos em sua maioria ficou perceptível a surpresa expressiva. Itachi se manteve impassível e do lado do juiz vi o Hyuuga fechar os olhos e menear lentamente, como se retirasse um grande peso de suas costas. Tadinho.

— Certo. Com a palavra, senhora Inuzuka Tamaki. — o juiz passou a vez para a dita cuja que levantou-se. Observei Tamaki trocar olhares com Neji enquanto seguia até ficar frente a frente com o homem da lei, ele parecia frígido em sua decisão e lhe dizia isso com os olhos. Assim que chegou ao destino, a mulher pigarreou e ergueu o queixo. Tadinha. Um casal de tadinhos. Combinam até.

— B-Bom... — começou bem, Tamaki. Gagueja bastante pra eu apreciar o show. — ...Eu conversei com alguns médicos e terapeutas, eles disseram que eu estava de cabeça quente e muito abalada com a morte de meu esposo. — ah, abaladíssima. Quase senti pena. Quase. — Eles me afirmaram que Kiba sofria de algum tipo de doença psicológica que o levou a cometer aquele... Triste fato. — sim, uma doença muito conhecida como chifrios em execcios, por causa do garoto de programa gostoso. — E após pensar melhor, decidi por bem que seria mais viável não levar esse caso adiante. — ela declarou e sorri de canto, até cruzaria os braços se pudesse. Quanta pagação de mico por causa de um cara, Inuzuka. Faça-me o favor. E isso só confirma minhas suspeitas. Essa coitada nunca deve ter ouvido falar em amor próprio.

Protesto. — minha voz ecoou pelo ambiente.

Levantei-me lentamente. Os olhares me queimaram, em sua maioria perplexos, tal como os brancos e o rosa púrpura, mas os negros pareciam me entender bem. Ele não esboçou reação alguma.

Saí de trás da mesa de madeira e dei alguns passos comedidos, meu salto tilintava no chão a cada vez que me aproximava.

— Mitsashi? — o homem de cabelos curtos e acinzentados chamou-me. Desculpe, meu bem, mas você não está me fazendo um favor.

— Hidan? — devolvi girando o pescoço em sua direção. Meus olhos fincaram nos seus, tomando uma postura que não tomava há muito, muito tempo. — Eu quero falar, meritíssimo. — dei minha palavra ainda fitando o advogado da Inuzuka. Minha voz séria, frígida e decidida bateria de frente facilmente com todos esses homens. — Todos falaram. Mas eu, que sou a principal acusada do caso, não me expressei. — reafirmei num movimento sutil encarando os olhos negros do juiz que parecia sentir minha áurea. O clima ficou tenso naquela sala de tribunal. Todos estavam calados. Pareciam temer o que estava por vir. — Eu não dei a minha opinião sobre esse circo que se montou num lugar onde a lei e a justiça deveriam predominar. — repousei uma mão na outra delicadamente, aguardando que o mesmo se pronunciasse a respeito. — Que justiça é essa que condena os inocentes e acolhe os vilões? — notoriamente minhas palavras lhe atingiram em cheio. Acho que usei minha chave para girar as engrenagens de sua consciência. Uma chave chamada palavra. Vi um juiz que deveria ter o triplo da minha idade engolir em seco e bater seu martelinho.

— Com a palavra, a réu, Mitsashi Tenten. — quase esbocei um sorriso torto em agradecimento, mas contive-me. — Qual o motivo de seu protesto? — indaga-me.

Pensei com cautela antes de abrir a boca. Então me dei conta quê, só havia uma coisa que eu realmente queria falar:

— Eu gostaria de saber, de verdade, quantos de vocês realmente gostariam de estar aqui? — indago. Noto alguns cenhos se franzindo com minha pergunta. Baixei os olhos sem baixar minha cabeça, pensativa. — Quais de vocês me acham culpada? — questiono e volto minha atenção para eles. —Uma vez li em algum lugar que quando se prova a legítima defesa do acusado, não se faz necessário um julgamento. Então, o que estou fazendo aqui? O que significa tudo isso? Isso é justiça para os homens que a representam? — calo-me por alguns meros segundos. — Eu tirei a vida de alguém! Direta ou indiretamente isso vai me assombrar pelo resto de minha vida. Eu não estou feliz com isso, mas é justiça. — a medida que os cito, os fito. — Advogado; Jurado; Testemunha; Réu. — aponto para mim. — Promotor. — miro de soslaio na direção do mesmo, embora não chegasse a vê-lo já que estava atrás. — Juiz. — completei. — Assinar um acordo com a justiça não é acolher alguns, é acolher à todos. Uma vez Platão disse, "o juiz não é nomeado para fazer favores a justiça, mas para julgar segundo as leis". — citei, assim como fiz a menção de um outro romancista russo, falecido há alguns anos. — Justiça é consciência, não uma consciência pessoal mas a consciência de toda a humanidade. Aqueles que reconhecem claramente a voz de suas próprias consciências normalmente reconhecem também a voz da justiça. — pausei, aquele silêncio tão gritante que apenas o som do ar trabalhando para gelar a sala se fazia presente. Conversávamos com os olhos. Gritávamos em juízo. Era o grito mudo da culpa por aqueles que se calaram. — Minha consciência já muito perturbada finalmente começa a encontrar sossego. Mas eu pergunto pra vocês: E as suas? — voltei-me para os jurados presentes, minha voz passível. Indagadora. Puxando-lhes para a realidade bruta a qual estamos passíveis nesse mundo tão bárbaro. — Hoje acordei disposta a receber meu veredito. Todavia não quero que ele venha pela justiça já tão imunda, emporcalhada. Mas sim por suas consciências. E elas vos dizem, sou culpada ou inocente?

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As algemas se foram, vou sentir falta delas.

Caminhava por um dos milhares de corredores do fórum quando senti um aperto firme em meu braço direito, puxando-me ao ponto de me fazer girar os calcanhares em sua direção. Meus olhos castanhos se cravaram nos incolores do homem de um metro e oitenta de pura testosterona — e nervosismo — que me buscava.

— Mitsashi. — ele disse acenando com a expressão séria para um dos jurados que passou distante. Sem me fitar. Porém meus olhos não largaram dos seus, estudando-o.

— Hyuuga. — respondi assim chamando sua atenção. Neji congelou ao sentir a forma como lhe fitava, talvez por isso não o tivesse feito antes. Estava claro que minha presença notoriamente lhe desconcertava.

Minha pose altiva e séria, minha expressão que não entregava nada do que pensava ou sentia. Ele claramente se perdia tentando encontrar uma brecha e me adentrar. Bem, se ele perguntasse eu responderia um belo lugar que ele poderia me adentrar. Sorrio discretamente cerrando os olhos com o pensamento, ainda com os olhos cravados nele. Vejo sua expressão mudar, era obvio na minha cara de vadia que ele havia entendido meu recado, mas continuava com receio de dar o primeiro passo. Qual é, Neji? Eu não mordo. Só se você pedir.

Continuei em silêncio, adentrando o âmago sofrido dele lentamente enquanto nossos olhares se condensavam um no outro. Hyuuga Neji era uma bela caixinha de surpresas. Sua deliciosa e promíscua boca se fechava numa linha rígida sempre que pensava em falar algo.

Aos poucos me pegava novamente desejando e recordando de como aquele homem e seu magnífico pau me fizeram gritar como uma gazela gasguita. Duas vezes. E aquelas veias. Ah, as veias. Espalhadas por todo o corpo dele em locais estratégicos e lá também, no pênis. Embriagada de excitação, mas lúcida, observei os olhos brancos vagarem para qualquer lugar que não fosse eu. Parecia difícil pra ele me encarar. Ainda demonstrava ter algo entalado em sua garganta, já que engolia em seco frequentemente.

— Poupe seu tempo, Hyuuga. — disse finalmente. Quebrando o silêncio. Vi os olhos líquidos me queimarem por dentro quando novamente ele voltou a me encarar. Abri a bolsa pegando a caixinha de meu óculos de sol. — Se você quer mesmo arruinar sua vida, ótimo. Mas não ficar aqui vendo você se destruir. — guardei a caixa e fechei a bolsa. Fitando-o outra vez. Sorri displicentemente, um sorriso que não permeava meus lábios há muito, muito tempo. Dei alguns passos me afastando do homem enquanto colocava o óculos como apetrecho para adornar meu rosto. — Sentiu saudades da vadia Mitsashi, Hyuuga? Volteei. — cantarolei baixando um pouco o óculos, piscando o direito em sua direção.

Notas finais
Tem um episódio de 'Todo mundo odeia o Chris' que o avô dele morre e a mãe fica toda estranha, e quando ela volta a gritar com todo mundo ele narra todo feliz: ELA VOLTOOOOOOOU. SOU EU AGORA NENE, ELA VOLTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOU!!!! Eu já estava ficando desesperada em ver minha menina tão fragilizada, até porque não é um dos pontos que quero realmente abordar na fic kk Espero que tenha agradado vocês, sério. Mais uma vez obrigada por todo o carinho e força que me dão. Comentando, favoritando e recomendando, claro. Aguardo vocês nos comentários e me dizem o que achou? Vamos lá, estou louca pra ver a reação de vocês HAHAH Vestido da nossa vadia: https://i.imgur.com/T8sbuNp.jpg Té mais!