Notas iniciais
Intenso, o capítulo. Intenso. Literalmente uma explosão! Antes de começarem, gostaria de fazer um singelo pedido. Um pedido, pessoal. Por favor, comentem. Sei que pra alguns não deve importar ou deve ser besteira, mas pra mim é muito importante saber o que estão achando. Aos que estão sempre comentando, eu agradeço de coração. De verdade mesmo. Desde já, agradeço! Boa Leitura!

Dizem que o maior amor da sua vida vai vir depois do seu maior erro. É verdade, eu cometi uma série de erros que me levaram à Neji. E interpretei tudo errado. Eu errei indo àquele prostíbulo; errei permitindo que ele se aproximasse; errei permitindo que ele continuasse na minha vida; errei quando não caí fora depois daquele maldito sequestro; e principalmente, errei me apaixonando também. Eu me permiti estar em apuros, o tempo todo. Era como se jogar nos braços do perigo. Um perigo que talvez só seja bom nos livros.

Quando começou estava bom, era só um jogo, né!? Mas esse jogo se estendeu demais, e a gente acabou se entregando mais do que devia.

Estou num bar, e estou tentando aliviar um pouco da minha frustração.

Levo uma mão à testa, fechando os olhos. Final de quinta, trabalharia o dobro no dia seguinte e não podia me dar ao luxo de estar bêbada e ser refém de uma ressaca. Mas parecia tão mais fácil entrar num coma alcoólico e apagar, simplesmente. Suspiro, isso não é solução. É só uma droga que te dá uma sensação de liberdade repentina, como Neji.

Olho o conteúdo do copo transparente. É vodka e soda, tem até um limão boiando no fundo. Uma canção melancólica, o cheiro de madeira e a pouca luz do ambiente. Um perfeito cenário. Um dia inteiro pra pensar, e conclusão nenhuma.

Se eu fecho os olhos, sou tragada pra um looping do tempo. Revivendo aquilo tudo. E um nó se forma na minha garganta, enxergando seus olhos mais uma vez... naquela escuridão dos meus pensamentos.

Parada naquela porta, eu só esperava uma palavra de Neji. Qualquer coisa. Eu acho que ele conseguia ver com clareza o que há nos meus olhos, não dá pra esconder. Eu sinto medo. Um medo crescente do que estava por vir e do que eu nem sabia ainda. Busco seus olhos, quase desesperada, esperando uma resposta.

Ele se aproxima de mim e parece estar difícil fazer isso, seguro seu terno, com força. Fitando-o. Por favor. Embora eu não dissesse nenhuma palavra. Desculpe. Dizia os seus. Não mente pra mim, Neji. Não mais. Eu mereço essa verdade. Aqueles olhos brancos que expressavam uma tristeza e preocupação que eu não conseguia mais ignorar. Arrasado. Num beco sem saída.

Seu polegar afaga minha bochecha, tão triste. Sua mão está fria. Ele olha pra mim como se fosse a última vez que fosse fazê-lo, isso me assusta. Eu não queria ser protegida, eu queria protegê-lo. Seu toque trêmulo contra o meu rosto febril, era de partir o coração vê-lo assim, desamparado.

— Eu não mereço a verdade!? — questiono, tocando seu ponto fraco. Sabendo que nunca o vi tão transparente assim.

— Tenho medo de me odiar ao sabe-la. — odiá-lo? Sua voz é rouca e forte, como se controlasse pra não chorar também. É óbvio que Neji tá tão quebrado quanto eu.

— É um risco que precisa correr. — refutei.

Ele ergue os olhos, respirando fundo com a boca aberta. Evitando olhar pra mim. Eu tinha medo da verdade, mas era melhor do que viver sem sabe-la.

— Hoje não. — beija minha testa. Segurando a minha nuca com as duas mãos. E naquele toque, naquele momento, eu senti tanta coisa... tanta coisa vindo dele. Amor, desespero, medo... era difícil listar. Mas Neji estava apavorado, suas mãos tremiam. E algo me dizia que não era por enfrentar seus problemas, era por me perder. Ele continuava beijando a minha testa como não fosse mais fazê-lo. Isso me assusta, me magoa. Justo agora, uma parte do meu peito parece bater mais rápido enquanto a outra se recusa a bater. Doendo. Eu também não queria perde-lo, mas ele tinha medo que eu não o aceitasse de volta, por que? Conta pra mim, Neji, por favor.

Um molhar em minha testa denota que ele está chorando. Isso me quebra um pouco mais. Ele se afasta de uma vez, como se não quisesse que eu o visse assim. O vejo caminhar de costas para fora daquele corredor, pra fora daquele apartamento, pra longe de mim. Uma sensação terrível me assola, e eu me sinto inútil por não conseguir fazer nada.

Eu não fui capaz de impedi-lo, não fui capaz de fazê-lo me dizer o que estava acontecendo. Não fui capaz de ajudar.

Via-me dentro do carro. O veículo padrão dos táxis novaiorquinos seguia tranquilo pelas ruas de Manhattan com destino ao Queens. O rádio transformava a voz do locutor em ondas de som.

Meus olhos fitavam a cidade de Nova York que passava como um filme, as casas, prédios e comércios de diferentes tamanhos. Um som suave ressona dentro do ambiente móvel. O cheiro cítrico artificial do aromatizador. E também um coração partido.

Ei, você aí. Podemos ir para o próximo nível? Algumas coisas acontecem desde que o mundo é mundo. Uma vez me contaram que quando descobrimos sobre os sentimentos de alguém e sentimos medo, tendemos a ignorá-los. Bobagem. A necessidade de ter alguém sob seu comando só mostra o quão necessitado desse sentimento você é.

Uma lágrima escorre pelo meu olho esquerdo e sinto a quentura da gota em minha face, real. Eu fiz isso com Neji, eu soube o que ele sentia cedo demais. E por mais que eu me inclinasse a aceitar que ele me tocasse o corpo, eu me recusava a aceitar que, mesmo na mais ínfima possibilidade, o meu peito também se alegrasse e eu pudesse estar me apaixonando também. Eu me sinto horrível por isso, pelo que fiz com ele, com nós dois.

Queria correr como uma criança pros braços da minha mãe ou me esconder na minha casinha de bonecas. Queria fingir que isso era um sonho ruim, mas se o fizesse, também corria o risco de perde-lo. Então eu aceitava a dor. Porque eu também tenho culpa nela.

Querida, você se atreve?

O sequestro. O assassinato. Assumir aquele risco. Eu queria mentir e dizer que faria isso por qualquer um, mas era mentira. Era uma mentira que eu contei pra mim mesma. Eu estive envolvida demais desde o início. E talvez ele soubesse disso, do meu declínio a quebrar a cara no fim.

Eu também sempre soube.

Arrasada. Murmuro pra mim mesma. Eu ignorei a dor do Neji mesmo sabendo que ela estava lá, o tempo inteiro. Pro meu próprio bem, eu fui egoísta.

Não tenha medo. Pede-me. Pede-me como se fosse fácil. Como se fosse fácil não sentir medo. Eu sinto medo. Do que você sente medo? Questiona-me, e meneio em negação. Eu não sei. De tudo, talvez.

Sozinha. Eu mereço isso. Eu evitei meus amigos; estampei um sorriso que não era meu o dia inteiro; eu trabalhei; fui elogiada... a matéria vai sair na primeira página. Fingindo pra todo mundo, até pra quem me conhecia bem, que não tava difícil respirar dentro daquele vestido. Que uma parte de mim não estava faltando, mesmo estando inteira.

Que cada passo pra qualquer canto parecia um passo mais perto do abismo. Neji fazia isso comigo, a ausência dele. Pensar que eu poderia perde-lo por qualquer motivo. Eu estou com medo, de quê? Eu descobri, Neji... estou com medo de perder você.

Porque aqui estou eu. Estou dando tudo o que posso, mas tudo o que você faz é estragar as coisas.

Eu senti medo quando fomos sequestrados; senti medo quando vi os olhos de ódio de Kiba e o vi ameaçar Neji; senti medo quando ouvi os tiros e vi o morto do Inuzuka. O único momento que eu não senti medo algum foi quando ele disse estar apaixonado por mim, eu senti alívio. Senti alívio por ele estar vivo, por ele estar bem. Mesmo com as mãos sujas de sangue, eu sabia que, assim como ele fez por mim, eu faria qualquer coisa pra protege-lo também. Como fiz ao me entregar a polícia; ou quando a maldita viúva do Kiba ameaçou tirá-lo de mim, de alguma forma naquele tribunal. Eu percebi que, era Neji que me tirava da inércia. Era ele quem me tornava esse mulherão da porra que eu vim a me tornar. E então, longe dele como agora, eu vivia fingindo que não havia algo errado comigo.

Eu sinto medo de perder você, Hyuuga. E eu não vou permitir que isso aconteça.

Sim, estou bem aqui. Estou tentando deixar claro que ter metade de você simplesmente não é o suficiente. James dizia, em sua música. Mas parecia Neji dizendo pra mim. Era como ouvir o próprio Neji.

— Pode desligar o rádio, por favor!? — peço ao motorista.

O homem, apesar de prestar atenção no trânsito, leva a mão até o aparelho de som e baixa o volume até o mudo. Baixo os olhos ainda imersa em pensamentos e problemas. Depois de me dar conta dos fatos: eu queria a verdade e não queria perder Neji.

Neji, você me perguntou o que eu faria por você!? Não me pergunte isso, porque nem eu mesma sei. Penso sozinha. De olhos fechados.

Eu não vou esperar até que você termine de fingir que não precisa de ninguém. Abro os olhos, visando o motorista que diria normalmente. Confusa, ele não havia abaixado o rádio? Por que eu continuava ouvindo-o? Olho pro som, ouvindo sua melodia. Estou aqui... vulnerável.

— Moço!? — questiono-lhe, mas ele não me olha, não me ouve. Como se eu fosse invisível. Estou aqui, vulnerável.

Eu não vou tentar até você decidir que está pronta pra engolir todo o seu orgulho. Levo as mãos à cabeça, são indícios da loucura? Ou talvez eu já esteja perturbada o suficiente. Louca.

Eu estou aqui, Tenten. Vulnerável. Eu posso vê-lo... Neji. Com as mãos no bolso do terno e seu relógio prata rolex enquanto me diz isso. Não, por favor... não.

Ei, vá embora. Ergo a cabeça, abrindo os olhos. O ambiente mudou, o cheiro mudou, mas a música não. Estou de volta ao bar, e a voz melancólica ressona nas caixas de som. Não tenho nada mais para dar, e você não me dá nada agora. Talvez eu tenha exagerado no álcool. Talvez eu esteja perturbada demais. Poucas coisas eu tinha certeza agora, e uma delas era que eu precisava dele, precisava estar com ele. Embora eu não soubesse onde procurar. Passei a necessitar dele pra ficar bem. Eu também não quero te perder, Neji. Repito, como um mantra.

Eu sobrevivi a hoje, não sei se aguento amanhã. Não sem saber de você, sem saber que está bem. Custa ligar? Mandar mensagem. Tenho certeza que alguns trocados de crédito não te farão falta.

Respiro fundo, buscando a sanidade que eu abandonei quando entrei aqui. Você tá bem, Tenten? Ino me perguntou. Ino, que era tão distraída às vezes, percebeu que algo estava errado. Melhor impossível. Falei, dando um sorriso que não era meu.

Se você me quiser de volta, então vai precisar se abrir comigo. Lembrei da revista; lembrei do almoço, dos seus olhos tão expressivos; lembrei de estar feliz por estar com ele; lembrei de nós. Uma notificação desperta um lado dormente meu, na possibilidade de ser ele. Operadora.

Ótimo. Penso comigo, com um gosto amargo na boca, e o coração batendo devagar.

Deixo de lado o resto da bebida pela qual já paguei, pegando meu casaco azul que estava atrás da cadeira. Tem alguém me esperando em casa, meu orgulho, talvez.

***

O seu pior inimigo é sempre sua consciência. Esperar por algo que não vai acontecer, mas que deveria, é terrível.

— E esse!?

— Horrível.

É sexta. Sexta-feira. E desde que viajou ele não deu mais notícias. O que me deixa frustrada e triste, ao mesmo tempo. Observo a chuva que caiu sem prévia enquanto permaneço sentada na poltrona, recusei o champanhe por estar em horário de almoço, me dando ao descaso de chegar alterada no trabalho.

Estou fazendo meu papel de madrinha, ajudando Hinata na prova dos vestidos. Ou melhor, estou de corpo presente, com a mente bem longe. Já deve ser o quarto ou quinto, eu acho, que a Hyuuga prova e o projeto de irmã venenosa que ela tem reprovou todos.

Ela aparentemente se cansou, e veio até mim:

— O que achou, Tenten!? — desviei minha atenção do vidro da boutique e fitei a Hyuuga.

— Você está incrível, Hinata. Entraria em farrapos na igreja e continuaria maravilhosa. — sorri abertamente pra minha amiga que baixou a cabeça com um pequeno sorriso, corando.

— Não! Você é Hyuuga! — exclamou a irmã de Hinata, Hanabi. Fazendo-me fechar o sorriso e revirar os olhos, olhando pra ela com cara de poucos amigos. Ainda bem que a outra dupla do trio de hienas não pode vir, ou eu estaria correndo com as mãos na cabeça. Isso ou Hinata choraria num colapso. — Uma Hyuuga é tradicionalista, e tem que mostrar isso!

— Tradicionalista até demais... — ao ponto de curtir incesto. Sussurrei, e completei em pensamento. Porém o suficiente para que ela escutasse. Fingi roer as unhas olhando pro teto.

Fitando-me com a maior raiva do mundo, só faltava soltar fogo pelo nariz.

— Vamos escolher os sapatos! — exclamou, praticamente cuspiu. Tenho certeza que ela pensou mil coisas pra cuspir em mim, isso era evidente na forma como apertava os punhos e praticamente rangia os dentes perante meu deboche. Sigo plena.

Levantei-me. Só estava aqui em respeito a Hinata, eu realmente gostava da Hyuuga mais velha e não sabia como as duas haviam sido projetadas no mesmo útero pelo mesmo testículo, porque haja diferente, céus! Hinata olhou com aquela carinha fofa e sem jeito dela, quase pedindo desculpas pelo comportamento da irmã. Sorri pra ela, vendo-a girar os calcanhares. De certa forma eu concordava com a ideia de que quanto mais rápido escolhêssemos, mais rápido eu me livraria dessa garota.

— Hina... — chamei antes de me dar conta, meus lábios proferiram em meio à confusão da minha cabeça. Mas já era tarde, ela já tinha virado de volta pra mim e aguardava que eu continuasse. Droga! Eu gostaria de perguntar a ela se ela sabia algo sobre Neji... ou sobre Naruto. Afinal eram noivos. Mas eu não tive coragem, não tive coragem de envolve-la nisso. Sorri. — O seu casamento é sobre você, não permita que um dia tão feliz seja uma lembrança triste. — toquei seu queixo com carinho. — Não está feliz com isso, não é? — questiono e sua expressão se torna triste. — Você é a dona de uma empresa, aprenda a ser dona de si mesma! — exclamei, firme. Passando-lhe confiança. Eu estava tão apegada a essa menina, era como uma irmã mais nova que eu tinha necessidade de proteger. Ela era tão importante pra mim quanto Sai, Ino ou Temari. Era o meu quarteto.

Ela deu um sorriso lindo, e tímido. Oh, céus! É uma boneca.

Cuidem! — a criatura gritou de dentro da sala reservada pra calçados. Revirei os olhos.

.

.

Hinata estava... Linda. Bem, ela era linda. Mas sua carinha estava estragando o visual. Ela nitidamente não estava feliz e isso estava acabando comigo. O vestido era extremamente tradicional estilo princesa. O modelo era uma réplica perfeita do qual a princesa Grace Kelly usou em seu casamento em 1956, com véu e tudo. Porém, aqueles olhinhos... eu conhecia bem. Hinata não estava feliz. Notoriamente não era o vestido dos sonhos dela, quem dirá o casamento.

Suspirei. Hanabi não parava de dar ordens pras vendedores que, claro, traziam tudo. Um casamento do ano desses? Bobo era quem perdia a chance de lucrar. Só que eu ainda não conseguia ficar feliz com isso e ficava ainda mais irritada por não fazer nada pra ajudar.

— Senhorita Hyuuga, o seu noivo está aí! — a balconista entrou na sala, informando. A expressão de Hinata e seus olhos brancos arregalados falaram por si só, a menina ficou mais branca do que se deve.

— O quê!? Ele está louco? — a voz estridente da Hyuuga mais nova ecoou pelo ambiente, e acho que pela quadra inteira.

— Pode deixar, eu vou falar com ele. — pronunciei-me. Olhei Hinata, sorrindo confiante. Ela sorriu agradecida, apesar de ainda estar visivelmente atônita.

Caminhei apressada pra fora dali, meus saltos ecoavam pelo ambiente e o extenso corredor até o pequeno hall de entrada da renomada boutique novaiorquina. Encontrei Uzumaki Naruto olhando as peças como uma criança em loja de doces.

— Uzumaki, Naruto. — disse pausadamente. Com as mãos dadas em frente ao corpo. Ele pareceu se assustar com a minha fala repentina, e ao olhar-me, abriu um largo sorriso. Ele pretendia falar algo, pretendia. — Queira acompanhar-me, por favor. — indiquei um caminho no corredor, voltando até uma sala de espera que ficamos ao chegar. Era reservado e tinha porta. A qual ele mesmo fez questão de fechar ao passar.

— Tenten... que surpresa! — falou assim que a porta se fechou.

De braços cruzados, girei os calcanhares fitando seus olhos azuis. Naruto em nada lembrava a imagem do homem perturbado que eu havia visto na manhã do dia anterior, ele parecia despreocupado e até simpático. Ostentando aquele sorriso amigável de quem não precisava trabalhar pra sobreviver. Na verdade, essa costumava ser a imagem que passava. Novidade era o que eu havia visto ontem.

— De fato! Uma grande surpresa você aparecer na prova do vestido de sua noiva, mesmo sabendo que não fosse vê-la... e ah, sabendo também que eu sou madrinha e, curiosamente, estaria aqui também! — exclamei, sorrindo irônica durante toda a frase. Seu sorriso morreu.

Isso, essa cara que eu estou acostumada. Máscaras não funcionam comigo. Ele riu anasalado, como se lembrasse de uma piada interna.

— Você é perspicaz. — alegou o óbvio. Sou Mitsashi Tenten, meu bem. — Não é à toa que amarrou o Neji. — ele colocou as mãos no bolso. Franzi o cenho, por um momento ele assumiu uma postura e expressão que costumava ser do Hyuuga. Suspirou, fechando os olhos e então meneando. — Sei o que deve estar pensando...

— Você não tem ideia do que eu estou pensando! — cortei-o. Ditando pausadamente, meus olhos fitando-o com cuidado. Ele riu sem mostrar os dentes, olhando pro chão.

— Eu não sou o vilão aqui, Tenten. — seu tom se tornou mais sério, seu olhar também.

— Vilão!? Isso não é uma novela. Todos nós somos vilões. — alego. Ainda de braços cruzados. Caminhando a passos lentos e curtos pela sala, sem tirar os olhos dele.

Seu cenho loiro se franze, enquanto me observa. Ele sem dúvidas entendia o que eu queria dizer.

— Eu só estou tentando proteger alguém... O que você faria pra proteger alguém que ama? — questiona-me, frio. Parei:

— Eu mataria. — sibilei, entre dentes. Ele arqueou uma sobrancelha. Com um pequeno sorriso.

Pareceu pensar por um curto período de tempo, fitando o chão. Ainda com as mãos no bolso. Então assentiu, como se chegasse a uma conclusão.

— Alguém está ameaçando trazer tudo à tona, e se isso acontecer, muita gente se machuca. Eu só quero evitar que ela se machuque. — caminhei até a sua frente, encarando sob meu salto o homem alguns centímetros maior que eu. — Você sabe o quê. — sim, eu sei. O sequestro.

— Sim, eu sei. Mas não se esqueça, pra eles... eu sou uma assassina. — sussurro. Sem mudar minha expressão. Pisando na cara do perigo.

Ele me observou alguns segundos, calado. A forma como meus olhos cravavam nos seus, não vacilava.

Meu olhar não vacilava um único segundo.

— Você é uma mulher perigosa, Mitsashi. — assumiu.

— Você não tem ideia do quanto. — respondi.

O abrir repentino da porta chamou nossa atenção, e encerrou nossa conversa. Hanabi nos olhava com cara de poucos amigos, falando com aquela voz entojada dela sobre o que estávamos fazendo ali. Cunhadinha. Ele gritou, voltando a assumir aquela postura cínica e espontânea. Como se possuísse dupla personalidade. Mantive-me quieta, observando.

***

Óculos de descanso. Trabalho. Café. Triangulo das bermudas, você entra nisso e é consumido por um tempo. Nossa! Que tarde... penso observando a tela do celular. Passavam das dez da noite. Dez da noite de um sexta-feira. E eu estou em casa. Não há recados, eu deveria me surpreender!?

A falta de notícias de Hyuuga Neji não me surpreende mais. Porém, ainda me assusta.

Escorreguei na cadeira, olhando pro teto. Queria fugir um pouco de tudo o que estava acontecendo. Assuntos de madrinha, o trabalho, Hyuuga Neji. Queria fugir dele e de tudo que estar com ele acarretava, como uma imensa bagagem. Ao mesmo tempo que queria poder fazer algo a respeito. Eu queria fazer. Queria mesmo. Porém, ajudar o quê? Eu sequer sabia.

Sentei-me de volta na cadeira. Alcancei a xícara de café, percebendo ao leva-la à boca, que já estava vazia. Respirei fundo, levantando e indo até à cozinha pegar mais. Acabou.

Contei até três mentalmente, e no dois e meio a campainha tocou, atraindo minha atenção.

— Ino... — sussurrei. Eu havia dito a Yamanaka por mensagem que não era pra vir, ela queria passar uma noite das meninas aqui. Disse que tinha novidades. Eu disse hoje não. É claro que ela não visualizou.

Talvez Temari e Sai estivessem junto com ela. Já até podia vê-lo com os travesseiros dizendo que ia colar o meu coraçãozinho partido. Sai tinha uma espécie de radar amoroso que apitava relacionamentos desastrosos. Era incrível. Sempre deu certo comigo, pelo menos.

Porém, no fundo, eu os agradeceria por terem vindo. O silêncio da solidão às vezes era gritante.

— Neji... — surpreendo-me. Vendo-o parado bem ali. Travei no segundo que os meus olhos alcançaram os seus, nervosa. Uma inercia repentina me impossibilitou de mexer.

Ele sorriu fraco, cansado. O olhar vermelho, os olhos profundos e a barba por fazer... até com a mesma roupa estava.

— Está ocupada!? Eu posso... voltar depois. — ele disse, com uma mão no bolso enquanto se apoiava na parede, como se até ficar de pé demandasse muito esforço. Assim que terminou a frase, se virou. Como se estivesse fugindo.

— Eu não respondi! — exclamei, segurando a manga do terno preto. Ele olhou por sob o ombro, sua expressão pouco lembrava aquele cara firme, frígido e altivo que ele costumava ser. Um cansaço evidente, arriscava até dizer que não dormiu nos últimos dois dias.

Então passou pela minha memória que o Hyuuga também não havia dormido quando passei a noite lá. Como se algo o perturbasse.

— Entra. — pedi, amena. Com um tom de voz sereno, pedinte. Soltei seu braço, e ele se virou lentamente outra vez. Afastei-me andando de costas, dando caminho pra ele passar.

Vendo o estado que ele se encontrava agora, não conseguia sentir raiva do seu sumiço, da sua falta de notícias. Neji parecia ter vivido os dois piores dias de sua vida, como se cada minuto durasse uma eternidade. Sentamos no sofá, eu percebi que ele não parava de olhar pra mim.

— Tenten, eu...

— O que quer me contar? — questionei quando ele se calou. Ainda olhando pra mim, parecia travar uma batalha interna sobre alguma coisa. Ele estava com medo também, e isso me fez lembrar da nossa última conversa antes dele viajar: tenho medo de me odiar... disse-me.

O que fazia novamente um frio atravessar minha espinha. Uma sensação parecida com a que senti quando escutei a conversa dele e Uzumaki Naruto.

Desviou os olhos, respirando rápido. Sem dúvidas perturbado. Os cotovelos apoiados sob as coxas, as mãos dadas. Apertando-as firme.

— Por favor, Neji... — implorei, mais uma vez. Sem desviar meus olhos.

Olhou-me de soslaio, como se fazê-lo doesse. Eu via isso em suas orbes brancas. Ele respirou fundo, e eu só me preparava pro pior.

Cobriu o rosto com as mãos, falando abafado:

— É a Tamaki, ela voltou. — pane. Era só nisso que eu conseguia pensar. O meu sistema deu pane. Como se eu fosse uma robô e me jogassem num lago. Errado, eu ouvi errado!?

Pisco os olhos alguns segundos, minha boca está aberta mas eu não consigo proferir nada. Ele ainda esconde o rosto entre as mãos.

— Você tá se encontrando com ela!? — desgosto, desgosto em minha voz. Assim que consigo dizer. Questiono descrente, com uma sensação terrível na boca do estômago e o coração acelerado.

Ele meneia negativamente, retirando as mãos da face, e uma onda de alívio atravessa meu corpo. Deixando-me mole e fraca ao mesmo tempo.

Não suportaria. Não ela, não essa mulher. De novo. Como um fantasma voltando pra me assombrar. Porém, quando ele negou estar se encontrando com ela, outra pergunta surgiu em minha mente... o que ela tinha a ver com o que estava acontecendo?

— Tudo. — ele responde, e eu percebo que pensei alto. Sua resposta me surpreende. Ele respira fundo outra vez. — Mas só irá entender se souber do começo... — suspense. Faz um maldito suspense que me apavora. — Tudo começa na Heaven. — ele diz, e olha pra mim. Franzi o cenho, perdida.

— Heaven!? — questiono. Ele me observa.

— A casa de prostituição, Tenten. Que nome achou que era!? — questiona-me, dou de ombros. Confesso, ainda estou aérea e perdida. Só chamava de prostíbulo... penso.

— O que uma coisa tem a ver com a outra?! É por que foi lá que se conheceram? — exalto-me, nervosa. Respostas. Eu preciso delas como água no deserto. Preciso agora.

— Tem tudo a ver, Tenten... foi lá que começou. — disse. — Começou bem antes de nos conhecermos...

— Neji... — ele desviou os olhos. Um outro frio percorreu minha espinha.

— Heaven tem três donos, mas só um assina como proprietário do local. Dois deles eram Naruto e eu. — jogou a bomba nas minhas mãos, prestes a explodir. Neji!? Hyuuga Neji é um dos donos do prostíbulo? Naruto!?

— E quem é o terceiro!? — questiono, embora minha taquicardia me pouco permitisse falar. Um frio na espinha. Eu tinha uma hipótese.

— Inuzuka Kiba. E ele era o dono nos papéis. — respondeu. Eu permaneci estática, trêmula. Perplexa.

Não, não, não. Isso é um pesadelo ou alguma brincadeira de mau gosto. Olhei-o, quase implorando para que contasse a verdade, dissesse que não era aquela. Porém, os olhos lúcidos e tristes de Neji diziam por si só. O buraco era muito mais embaixo. Ainda havia esqueleto pra desenterrar.

— Eu não tinha amizade com ele, pouco falávamos. — explicava, mas minha mente ainda dava um nó. E se embaraçava mais quando eu tentava puxar. — Ele e Naruto se conheciam desde crianças, e eu conheci o Uzumaki na faculdade, quando ele começou a namorar a Hinata. — baixou os olhos. — Era pra ser só uma brincadeira, um passatempo. — respirou pesado, tremendo também. Eu via suas mãos, podia vê-las, dadas em seu colo. Como se falar fosse um grande esforço.

Escolhendo as melhores palavras, o melhor discurso. Uma boa explicação. Mas eu, eu ainda estava estática, perplexa.

— E você lá!? O que explica? Era pelo sexo? Eu duvido muito... você não precisa disso pra ter... — minhas frases eram curtas, cortadas. Como se meus lábios não acompanhassem a velocidade dos meus pensamentos. Voando e me nocauteando. Olhei seus olhos, buscando respostas. Que não veio. Ele desviou dos meus, fechando os lábios numa linha fina.

Eu me levantei, não querendo chegar a uma conclusão. Embora o fizesse espontaneamente. Era só diversão. Uma atitude estúpida de um cara que ignorava as consequências. Dos três, sem dúvidas, o mais fodido era Neji. Embora quem estivesse morto fosse Kiba. Inconsequente, eu pensava. Indo em direção à cozinha. Preciso de um café, de algo que me mantenha lúcida ou que me enlouqueça de vez. Ele me acompanhou.

— Tenten, por favor... — pedia, embora eu tendesse a ignorá-lo. Um mar de sentimentos ruins, sensações. Sentindo-me estúpida, idiota, mais uma. E olha no que esse fetiche idiota deu. — Preciso dizer isso agora, não sei se vou ter coragem depois. — implorou.

— E eu!? — virei-me, brusca. Com as mãos tremendo e os lábios também, de raiva. Desgosto. Ele parou, quieto, observando minha fúria. — Eu tenho que ficar calada engolindo tudo de uma vez!? — questionei, entredentes. Ele permaneceu calado, como um animal encurralado. — Essa merda é sua... e você me arrastou pra ela. — falei, sentindo a voz faltar. Numa estúpida vontade de chorar, virei-me. Antes disso, vi seus olhos se tornarem tristes, culpados. Ele sabia que era. Um estúpido, idiota. Inconsequente.

Respirei fundo, diversas vezes. Com uma mão apoiada na bancada. Desisti do café, bebi água. Gelada. Não ofereci a ele. Com o copo sob o queixo, tilintava a unha do indicador no vidro fino enquanto pensava, ainda de costas. Eu confesso, estava com medo da verdade, do que estava por vir. Não bastava ser um filho da puta, ele era o dono do puteiro.

Olhei pra trás, virando-me lentamente. Continuava lá, parado com aquela expressão perdida.

— Conta tudo, essa merda. — ditei. Firme. Voltando a sala e sentando no sofá, era melhor estar sentada. Ele me seguiu outra vez, cuidadoso:

— Quando eu comecei a encontrá-la, ela era solteira. Mas dinheiro, ela não tinha. Não tinha como sustentar idas até o Heaven. — eu evitava olhá-lo, não queria que os meus olhos encontrassem os seus. Eu já tava magoada demais. — Então ela descobriu sobre o dono, Kiba. E seduziu ele ao ponto que se casaram bem rápido. — girei meu rosto lentamente, com um nojo evidente em minha expressão, ele sabia o que eu estava pensando: — Eu não sabia! — falou. — Não éramos amigos, eu não fui pro casamento.

— Eram sócios. — disse com uma voz rouca, irônica. Ele respirou fundo, Neji sabia que não tinha como debater, não tinha como entrar em uma guerra comigo agora. Tinha que aguentar tudo, calado. — E não eram só negócios que compartilhavam... — deixei no ar. A última frase continua uma dose de ciúmes ao pensar nele, neles dois, juntos. Quis chorar de raiva, mas disfarcei como se não me importasse. Me importando até demais.

— Quando Kiba descobriu ele tentou impedi-la, estava apaixonado. Mas ela ameaçou fazer um escanda-lo. Ela tinha provas de que ele era o dono da Heaven e se usasse isso contra ele... ele perderia tudo. — explicou.

— Coitado do Naruto. — ironizei, rindo sarcástica. Girando os olhos pela sala.

— Naruto estava prestes a pedir a Hinata em casamento, não queria se envolver. — sua voz era mansa. — Eu parei de vê-la, de aceitar ela. Querendo ou não Kiba tinha como me ferrar, só que ele se afundava junto... mas não tinha como parar ela...

— Então tentou matar você. — concluí. Seu silêncio confirmou. — Tentou cortar o mal pela raiz. — recostei sob o sofá, cruzando os braços e pernas simultaneamente. Assumindo uma falsa postura altiva e provocativa, me escondendo atrás dela. Escondendo o que eu realmente sentia. — Tamaki. — sibilei. Proferindo o nome que eu esperava não ouvir nunca mais. Porém, como uma dívida não paga, voltava pra me assombrar.

Após algum momento, olhei pra um canto e ri anasalado.

— Achei que nunca mais ia ouvir o nome dessa mulher. Ela sumiu... — falei olhando-o, como se fosse obvio. Ele suspirou, fechando os olhos.

— Tamaki perdeu tudo após a morte de Kiba, ela não era bem vista e aceita pela família dele. Eles fizeram questão de deixá-la sem nada. — ele olhou pra mim, como se observasse minha reação. Arqueei uma sobrancelha, sem mudar de expressão ou descruzar os braços e pernas, mantendo certa distância do que eram os trapos de um homem. — Mas ela levou os papéis com ela... ela ainda tem as provas que podem comprometer muita gente se vierem à tona. — fechou os olhos, levou as mãos à cabeça inclinando o corpo pra frente. Com os cotovelos apoiados nas coxas. Era aí... era aí que o calo doía.

Doía em mim também, mesmo que eu tentasse disfarçar. Continuou:

— Quando me fez a proposta... eu não soube o que fazer e nem dizer, eu não podia aceitar... mas também não podia negar. — como um flash tudo passou novamente na minha cabeça, me vi perplexa. Ele não precisou dizer mais nada, eu deduzi tudo. Então foi isso!? Esse foi o motivo do silêncio e do sumiço de Neji!? Tamaki já estava ameaçando-os desde aquela época? É claro, tudo ficou mais nítido, com a notícia do namoro em primeira página de revistas, ela sem dúvidas deve ter ameaçado jogar tudo no ventilador. Com o casamento de Hinata e Naruto se aproximando, o Uzumaki se desesperou. Um escândalo desse nas mãos sem dúvidas Hiashi não o aceitaria como genro. Dono de Bordel, tsc. E Neji... Neji tinha os próprios demônios pra enfrentar. — Naruto e eu já tentamos negociar, mas ela não quer dinheiro...

— Quer você. — cortei, afirmando. Ele se calou por alguns instantes, confirmando novamente minha suspeita.

Baixei minha guarda lentamente. Naquele momento, enfim, eu consegui entende-lo. Consegui compreender a merda toda que ele se meteu, mesmo que parcialmente tivesse culpa. Ninguém merecia uma psicopata que tinha um certo poder pra destruir sua vida na palma das mãos. Se esse assunto viesse à tona, o nome dos Hyuuga's ficaria manchado, ninguém iria querer mais fazer negócios com a empresa, poderia falir... Naruto perderia a noiva e eu... eu poderia perde-lo também. Uma dor imensurável atacou meu peito com o pensamento.

Agradeci por ele ainda estar cabisbaixo, não ver meus olhos cheios d'água. Lágrimas, na verdade. Eu estava em lágrimas. Chorando com a simples ideia de perder esse maldito filho da puta. Funguei, limpei-as. O meu ato chamou a atenção do Hyuuga, que levantou a cabeça lentamente. Seus olhos estavam vermelhos, não deveria dormir direito há dias. Ele parecia desesperado, implorando por ajuda.

— Eu tô em pedaços, Tenten... mas cada um dos meus cacos sabem o que eu sinto por você. — eu não suporto. Não suporto esses olhos de Neji. Como um cão perdido, abandonado. Está bem aqui, na minha frente, meio lúcido, meio louco, mas totalmente transparente. Disposto a dar a cara a tapa, eu tinha um pouco de inveja disso. Dessa coragem. Ele não sabia o que eu sentia, e eu não tinha coragem de dizer. Ainda parecia tão... errado. Começamos errados. Continuamos errados e ainda assim, queríamos que desse certo. — Você não é virgem, não é!? — balançou um pouco a cabeça, rindo. Lembrando de algo. Provavelmente a mesma coisa que eu. Foi a primeira coisa que eu disse pra ele. Naquele prostíbulo, onde tudo começou.

Eu não tinha coragem pra falar, sequer abrir a boca. Por um momento a mulher forte e independente que eu me tornei fugiu, ela riria de mim, me chamaria de trouxa. Mas eu só conseguia pensar em quão sortuda eu era naquele momento. Porque com toda merda, eu tinha ele.

Puxei-o para um abraço, o deixei mais perto. Ouvindo as batidas do meu peito. Seu corpo todo tremeu, fazendo o meu arrepiar. Não era no sentido sexual, era algo bem além disso.

Afaguei seus cabelos. Dedilhei meus dedos pelos fios. Tão macios e lisos. Respirava pesado contra meu pescoço, indicando o início de um sono perturbado. O corpo relaxado com a chegada do cansaço. Toquei seu maxilar com o indicador, a barba rala que crescia pelo descuido, porém, que não deixava-o menos belo. Hyuuga Neji tinha uma beleza singular, e perigosa também.

— Pode dormir, meu amor. Eu vou cuidar de você. — sussurrei, sabendo que naquela altura, ele já dormia.

Notas finais
Nossa, eu nem sei o que falar. Eu me pego refazendo o capítulo várias vezes até que fique como eu quero, mas vale a pena. Enfim, mais uma vez peço que comentem caso esqueçam. Pelo menos um continua, tudo bem? Fico bem agradecida e muito feliz! Justo falar que ainda não sei como serão os próximos, eu sei como vai ser o fim, mas até lá ainda tem muita coisa pra rolar kkk Então, vejo vocês nos comentários! Até o próximo :*