O preço do prazer

18 Negotiating a heart


Notas iniciais
Oi meus docinhos! Sangrei fazendo esse capítulo, mas consegui. Eu espero que gostem de verdade. E ao final da leitura, se possível, deixe um comentário. Fará uma autora muito feliz, obrigada. *A ponto de curiosidade, o título do capítulo se chama "negociando um coração", na tradução. Boa leitura!

Vinhos secos são mais chiques, eles são feitos das uvas mais nobres e por isso são para gostos mais requintados. Eu, no entanto, prefiro o gosto açucarado e macio do suave. É curioso pensar que algo que rasgue a garganta seja apreciado por aqueles que se dizem experts no assunto. Mas quem sou eu pra julgar? Há tantas outras coisas de gosto forte ao paladar que apreciamos.

Certo, um riso devasso permeou meus lábios. Como diz o ditado: Para bom entendedor, meia palavra basta.

Ergo meus olhos piscando os longos cílios na direção de meu acompanhante. A taça do líquido escuro de um vermelho intenso está próxima aos meus lábios, contrastando na cor mais clara do mesmo. Todavia de mesma tonalidade. Vermelho. Escarlate. Ou sangue, se preferir.

O jogo se dava pela troca de olhares, e eu adorava isso.

— Fez um ótimo trabalho com a entrevista. — elogia-me. Educadamente ergo a taça de vidro como se oferecesse um brinde, agradecendo. Juntamente com um meio sorriso nos lábios fechados.

Baixo os olhos para a taça outra vez, girando a mesma e balançando o líquido em seu interior.

— Não sabia que era uma apreciadora de vinhos. — comentou simplesmente, enquanto permanecia a girar o fluido carmesim.

— Não sou. — digo-lhe simplesmente.

Esse local é quieto, requintado e discreto. O tom dourado e branco das paredes pintadas e os grandes lustres que mais serviam de enfeite do que realmente iluminação, uma vez que a luz aqui ficava em lugares estratégicos. As enormes janelas de madeira e vidro abertas não tornavam o ambiente menos reservado. No entanto, a brisa suave e gélida da noite que adentrava por ela era uma delícia. Tudo aqui ludibriava, instigava, excita. Propício para quem aprecia um pouco privacidade.

Como eu e meu acompanhante em questão.

Hyuuga Neji está perigosamente sensual hoje. E eu não sei se sou capaz de me controlar perante isso. Tudo nele soa como proibido, uma perversão sem tamanho acumulada em quase dois metros de testosterona. Ele tinha um controle sobre mim, e era um perigo estar tão próxima a ele em um lugar tão reservado. Mas cá estou eu, correndo perigo. Porque a verdade é que eu adorava isso. E, mesmo a cerca de um metro e meio de distância de mim, o vento insistia em trazer consigo o cheiro amadeirado e cítrico a cada lufada de ar, fazendo minha vadia interior ter uma convulsão.

Pobrezinha, ela fica arranhando as paredes do meu libido igual uma gata no cio. Choramingando. Eu tô sempre no cio com esse homem.

O Hyuuga estava uma delícia, e eu podia deduzir ele bem com várias palavras com o mesmo sinônimo. Charmoso. Atraente. Sedutor. Envolvente. Matador. Irresistível.

Eu o liguei.

Eu fui atrás dele, de novo. Neji havia me dito algo que me deixou inquieta: Ele me teria, fosse pelo amor ou pelo sexo. Então eu pensei, por que não os dois? Embora isso não dependesse unicamente de mim, eu sabia que poderíamos fazer dar certo. Sorrio.

— Imagino que não saiba o motivo de eu ter ligado pra você. — pronunciei-me, trazendo a taça para perto mais uma vez. Olhando-o.

— Pra me usar, de novo. — jogou simplesmente. Como se não se importasse.

Franzi o cenho, ofendida. Não ganharia nada discutindo com Neji, então eu ignorava suas acusações, o que o deixava muito puto.

— O real motivo. — falei seca, irritadiça. Solvendo um gole do líquido, revirando os olhos. Seus olhos tornaram-se fendas, ele controlava a própria respiração. — Digamos que eu tenha uma proposta pra você.

Sei que atraí sua atenção, embora fosse cauteloso.

Levantei-me, revelando toda magnificência chamada Mitsashi Tenten. Num vestido vinho e justo até os joelhos. O scarpin preto tinha amarração no tornozelo. Esse visual valorizava minha bunda, e era pra lá que ele olhava. Viu Hyuuga, você gosta. Penso comigo.

Lentamente sigo em sua direção, chocando o chão de cerâmica com meus saltos. Emitindo um som sutil. Com a coluna ereta, utilizo da mão esquerda para alcançá-lo. Os dedos finos deslizaram por seus braços. Longos; Fortes; Masculinos. Subiram por sua camisa até que eu me posicionasse atrás de si, tocando demoradamente e com maestria os ombros largos do homem.

O senti reagir a mim, positivamente. Aceitando minha carícia, relaxando.

Inclinei meu corpo, abraçando o tórax masculino. E que tórax. O homem era uma muralha. Era erótico, viril. Senti seu hálito quente quando virou o rosto em minha direção, nos encaramos demoradamente. Minhas unhas arranhavam com carinho o peitoral sob a blusa, enquanto nossas faces permaneciam próximas. Apreciei um pouco a beleza do homem:

O maxilar quadrangular tensionado, as sobrancelhas cheias, os olhos líquidos, derretidos como prata. Prata. E esse cheiro dele, puta que pariu! Que homem cheiroso do caralho. Era tentador a ideia de aproximar-me de sua orelha, puxar o ar com forças em meus pulmões e aprisionar seu cheiro em mim. E eu o fiz. O senti tenso, Neji fechou os olhos respirando fundo, engolindo em seco. Girando o rosto para que nossos olhos se encontrassem outra vez, encarando-me. Não havia luxúria em sua expressão, mas havia desejo. Era como conhecer um lado dele só meu, e eu gostei disso. Ele ficava ainda mais bonito assim.

— Não sou seu brinquedo, Tenten. — sua fala foi quase uma súplica, desesperada. E isso me quebrou por dentro, trazendo-me bruscamente de volta a realidade. Neji era muito bom em esconder seus sentimentos, é verdade. Mas tão de perto assim, eu quase conseguia sentir sua dor. Quase conseguia tocá-la de tão palpável. E isso me quebrou mais um pouco.

— Não, não é. — suspirei. Não é pena, é ser humano. Ninguém merece que alguém que você goste tenha pena de você. É humilhante. — É por isso que eu te proponho um acordo. — desconfiado, Neji continuou a me ouvir. — Vamos assumir um relacionamento. Então você terá a chance de me mostrar porque eu deveria me apaixonar por você. — pensei em outro jeito de dizer isso, mas não tinha outro jeito.

Pisquei ignorando o pequeno ponto de angústia que eu sentia na boca do estômago. Voltando rapidamente para o meu lugar.

Bebi mais um gole do vinho, molhando minha garganta que estava perturbadoramente seca. Entretanto, ela continuou seca. E eu passei a beber lentamente o líquido alcoólico como se fosse água. Ele continuava a me encarar, e isso já estava se tornando perturbador. Consegui me recuperar gradativamente.

Com poucos mililitros de vinho em minha taça, o Hyuuga finalmente se pronunciou, fazendo-me largar a bebida de volta sob a mesa:

— O que você ganha com isso? — isso me instigou, ou talvez fosse o álcool. Respondi rapidamente, objetiva:

— Você. — dei de ombros, com um meio sorriso. Minha feição não escondeu o sentido da minha resposta. Eu teria seu sexo. — E você terá a mim! — afirmei com o dedo enriste.

Ele riu anasalado, descrente. Como se fosse uma piada.

Isso me perturbou.

Naquele instante Neji escolhia bem as palavras antes de proferi-las, como se nenhuma fosse boa o bastante ou formasse a frase que queria. E quanto a sua expressão, era difícil falar se ele estava alegre ou não com a ideia. O único sentimento que eu captava bem naqueles belíssimos olhos era dúvida. Então desviou o olhar numa outra direção, ficando quieto.

Talvez ponderando minha proposta, ou melhor, meu pedido.

— Não precisa responder agora, apenas aprecie seu vinho. Está uma delícia! — finalizei. Voltando a erguer minha taça como se lhe oferecesse um brinde. A verdade é que eu só queria afastar aquela sensação que estava bem aqui, dentro de mim.

.

.

.

A quietude dele é gritante, sufoca.

O único som audível é do meu salto que ecoava a cada passo que dava por essa rua vazia em direção a entrada do meu apartamento. Ele me acompanhava de perto, calado. E a cada segundo que se passava, eu sentia que isso não era uma coisa boa. Sentia pouco a pouco uma raiva me consumir, a coisa que eu mais odiava na vida era ser ignorada. Ainda mais quando ele parecia fazer questão de estar tão perto, trazendo-me até o portão.

Segurava minha pequena bolsa com ambas as mãos de frente ao corpo, com um casaco caído em meus ombros, porém não vestindo-o. Em frente à entrada, virei-me e encarei Neji.

— Eu sinceramente não entendo você. — joguei simplesmente. Estava furiosa, enraivecida. Afinal não era isso que esse filho da puta queria? Por que agora bancava a virgem indo trepar pela primeira vez?

Meu olhar fatal, mortífero. Tenho certeza que faiscava por eles.

Nos encaramos por um certo tempo. Então, como se eu fosse uma qualquer, ele simplesmente se virou e passou a caminhar de volta pro seu carro milionário de mauricinho rico. Não consigo distinguir bem o sentimento terrível que eu senti nesse segundo, mas se eu tivesse uma pedra, teria jogado na cabeça dele. Desgraçado.

— Vai trabalhar, Hyuuga? — gritei, praticamente cuspindo as palavras, irônica. Sentindo o sangue subir à cabeça ao nível da raiva que eu me controlava pra conter.

Os faróis amarelados piscaram quando ele destravou o veículo, virando apenas para abrir a porta e olhar-me com a mesma indiferença de antes. Que vontade de esfregar essa cara no asfalto e pular no saco dele com meus saltos finos. Entrou no carro, deu partida e se foi. Já era. O automóvel passou tão rápido que esvoaçou meus cabelos, e eu fiquei lá, parada que nem uma idiota, olhando o caminho que ele fez quando partiu.

Respirei fundo uma, duas, três vezes. Permaneci quieta ali no meio da calçada comprimindo meus dedos na minha bolsa como se pudesse aplacar minha cólera. Não, você não vai sair por cima. Seu miserável.

Girei meus calcanhares para entrar de uma vez no prédio, esbarrando com Sakura que saía.

— Aquele era Hyuuga Neji? — indagou-me curiosa, mas eu estava no modo automático.

E da mesma forma que Neji me ignorou, eu ignorei a Haruno. Entrando no prédio sem olhar pra trás.

Filho da puta. Gritei em pensamento.

***

— Bom dia. — adentro a sala gélida devido ao ar ligado cumprimentando minha companheira de trabalho, Temari.

Parando de teclar, a Sabaku me seguiu com os olhos até sentar-me em minha mesa. Éramos amigas há algum tempo, e seria natural ela notar algo que não fazia muita questão de esconder.

Eu não estava em um bom dia.

Separando as funções daquele dia, começo os afazeres no intuito de afastar meus pensamentos dos problemas e da noite mal dormida. Temari não falou mais nada, que bom. Existia uma coisa que era muito importante até mesmo entre melhores amigos, tempo.

Ela sabia que se eu quisesse, falaria sobre o assunto. E era uma das coisas que eu mais apreciava nela, sua discrição.

Um silêncio agradável se instaurou no ambiente, sendo quebrado apenas pelos dedos rápidos das jornalistas presentes, ela e eu.

E embora meu dia não tenha começado bem, não era raiva que eu sentia. Não mais. Senti muita, muita mesmo quando o Hyuuga partiu e me ignorou daquele jeito. Mas agora, não mais.

Gradativamente a raiva se transformou em melancolia; A fúria, em ânsia. Os relógios eram meus piores inimigos, o tempo não passava. Quando a ira passou, a dúvida veio: O que foi aquilo? Por que ele agiu assim?

E estava na hora de ser sincera comigo mesma.

Eu gostava de sexo, eu admito. E porra, Neji transa bem demais. Ele me proporcionou meu primeiro orgasmo, e os seguintes. Mas depois da primeira vez, foi diferente. Ele buscou uma conexão comigo desde o primeiro dia, que eu ignorei com muito êxito.

E, embora eu achasse que era parte da sua função, ele não precisava ter continuado naquilo se não quisesse. Aos poucos passei a sentir-me culpada, mesmo que minha precaução tenha fundamentos. Ele era Hyuuga Neji, caralho. Um puta mulherengo que já deve ter transado com metade das mulheres dessa cidade, seu empreguinho extra ajudava nisso.

Ainda assim, passei a sentir uma parcela de culpa depois da forma que o tratei, a forma como ele reagiu. Tão frágil, parecia ter medo de mim. E mesmo que eu já houvesse visto ele assim antes, agora era diferente, foi algo que ele não conseguiu esconder. Isso mexe com a gente de algum jeito.

Mesmo com todas as controvérsias eu tinha que admitir, ele foi o cara. Por que pela primeira vez pra alguém, sua prioridade era eu. Eu não era parte do sexo pra um cara qualquer, eu era quem ele queria satisfazer.

E era aí que pesava minha culpa.

E apesar de seu sentimento unilateral, eu não sou uma pessoa fria. Eu tenho os meus. São apenas distintos. Com o esvair da raiva eu passei a refletir. Eu pensei sobre tudo: a forma como a gente se conheceu, como nos reencontramos. Parecia tão errado.

Pouco a pouco eu me sentia cada vez pior. Ele tinha razão, ele tinha toda razão: Ele não era um brinquedo. Ele era uma pessoa. E pela primeira vez eu passei a entender e aceitar a raiva dele. Eu estou sentindo culpa, que droga.

Busquei meu aparelho celular sob a mesa de vidro, deslizando o dedo pelos contatos. Entre os contatos, procurei por Neji, que estava apenas Hyuuga. Como um desconhecido, um trabalho, um momento.

Alguém de pouca importância.

Engulo em seco, numa indecisão tremenda se seria ou não uma boa ideia realizar aquela chamada. Bobagem, Neji não queria me ver. Eu não iria querer me ver depois de tudo.

Abandonei novamente o celular sob a mesa, com uma sensação terrível na boca do estômago e as paranoias tomando conta de mim. Ele havia voltado pra lá. Eu tinha certeza! E só de pensar nisso a ânsia subiu, acelerando minha pulsação. Uma dose de raiva mesclado naquela melancolia boba. Se ele me queria, por que não vinha até mim? Era horrível perder o controle das coisas. Horrível.

Castigava uma caneta apertando seu botão incessantemente, parecia a beira de um colapso. De dentro pra fora, me consumindo lentamente. Não me lembro de já ter estado tão perturbada assim. Suspiro, de novo.

Foco, Tenten, foco! Peço pra mim mesma.

O trabalho era complicado, minucioso. Temari e eu trabalhávamos na área política e empreendedora da NY:News!, e a gente considerava isso um papel fundamental para as pessoas.

Escorrego a caneta estereográfica pelo papel com pequenas palavras impressas, rabiscando. Corrigindo. Isso ajudava demais a não pensar em mais nada, pois exigia atenção. Estava me saindo bem na minha busca por meu equilíbrio interior, quando um toque do meu celular manda todo meu autocontrole pro espaço.

Congelo.

Congelo meus olhos na direção do aparelho que ascendeu com a chegada da mensagem e então apagou após algum tempo. Sinto a garganta seca ao mesmo nível que balanço o pé nervosamente. Por que? Por que estou tão nervosa!? Ansiosa.

Poderia ser Neji, ou não. Ele poderia estar aceitando minha proposta ou simplesmente mandando eu me foder. Ou simplesmente poderia não ser ele. Mas era algo ruim? Por que de repente eu tive medo de encará-lo de novo? No fundo eu sabia a resposta, eu tinha medo de ver aqueles olhos aflitos mais uma vez.

E saber que era a culpada disso. Eu tinha culpa.

Meneio meio triste, perdida. Eu havia lhe lançado uma proposta, ele ainda não havia me dado uma resposta, apesar de ter me ignorado o resto da noite. Bastava aceitar e pronto. Era mais fácil quando a gente aceitava, pelo menos deveria ser.

Alcanço o aparelho telefônico no intuito de acabar logo com o mistério. Era Sai, convocando-nos para comemorar sua promoção. Tudo bem, eu estou feliz pelo meu amigo.

Olho pra trás alcançando Temari em meu campo de visão, a loira também está com seu aparelho em mãos e olha em minha direção.

— Vai? — ela sibila. Apenas assinto em resposta.

Volto a focar-me no serviço, precisava terminar a tempo para sair sem atrasos. Estou bem, apesar de tudo. Só não conseguia ignorar muito bem a sensação ruim que pesava em meu peito ao constatar que não foi Neji.

O que você tá fazendo, Hyuuga!?

***

Com um leque de opções de bebidas, aprecio sem pressa o cardápio em mãos, enquanto meus amigos fazem seus pedidos para o garçom. Era necessário pra mim estar aqui, não podia me dar um luxo de sentir pena de mim mesma. Eu ainda tinha orgulho, muito. Decidi que a melhor saída seria deixar o Hyuuga entrar em contato por vontade própria e só então decidirmos de uma vez por todas o que seria entre nós. Como dois adultos sensatos fariam.

E era importante ressaltar isso, não éramos adolescentes.

— Um dry martini, por favor. — solicita Temari, sem se demorar com o cardápio. Objetiva. Ela sempre pedia esse drinque por ser característico de um personagem que ela apreciava. James Bond. E embora eu duvidasse muito da sua aceitação naquela altura do campeonato, eu também não sabia o que isso significava.

Yamanaka Ino levava tanto tempo quanto eu, colando seus grandes olhos claros no menu alcoólico e pedindo opiniões sobre o que deveria pedir. Ela era quase uma alcoólatra, rio. Tsc. Enquanto Sai aguardava pacientemente que terminássemos nosso pedido para liberar o garçom. Aguardando a chegada de seu balde de cervejas.

— Pede logo, Ino! — irrita-se meu amigo moreno.

A Yamanaka lhe olha perplexa, quase ofendida. Defendendo-se:

— Tenten também tá demorando, pega no pé dela também... — jogando a batata quente nas minhas mãos. No segundo seguinte os olhos negros do rapaz albino se voltam pra mim, em fendas. Devolvo-lhe um sorriso fechado, inocente. A loira magricela bufa, então. Estalando a língua. — Ah, pede pra mim! — praticamente jogando o cardápio sob Sai que a lançou um olhar mortífero, e engraçado.

Enquanto a mim, permanecia olhando cautelosamente todo aquele mar de opções. O boteco possuía uma ínfima variedade de bebidas. Eles tinham drinques divididos em teor alcoólico, cores e até por região. Isso é o paraíso dos pinguços.

— Vaca. — xingou a Yamanaka, abrindo o cardápio.

— Vadia albina. — a briguinha infantil é interrompida por um pigarreio de Temari. Que aponta para o rapaz que permanecia esperando nossa boa vontade.

— Vocês vão deixar o homem trabalhar? — falou ríspida. Arregalei minimamente os olhos, fingindo não prestar atenção. A Sabaku era um furacão quando queria, e muito assustadora também.

— Traz um absinto pra ela! — ele exclama, devolvendo o cardápio. Ino arregala os olhos em sua direção e ele lhe dá um sorriso vitorioso, tsc.

— E você...

— Vou beber as cervejas dele, por enquanto... — conclui então, devolvendo também o meu cardápio. Foi a vez de Sai me olhar perplexo, ofendido. A outra riu. Assim era nossa amizade, uma zona.

Sai começou a fofocar sobre coisas aleatórias, atraindo totalmente a atenção da Yamanaka que se deliciava com um copo d'água pedido anteriormente. Temari e eu nos contínhamos em apenas ouvir, sem muita animação.

Pouco mais de uns três minutos depois, o garçom volta. Trazendo consigo uma bebida exótica, que não foi pedida por nenhum de nós.

Arqueei uma sobrancelha quando ele a colocou sobre mim, me entregando um guardanapo.

— Isso... não é meu! — afirmei, crendo ter sido apenas um engano.

Eu sabia que meus adoráveis amigos me olhavam como se eu fosse uma sonsa, mas evitei o contato com eles. Apenas.

— Sim, é. Aquele rapaz pediu para a senhorita. — apenas pisquei os olhos visando a bebida em minha frente, antes de finalmente erguer a cabeça e girar o rosto na direção indicada pelo garçom.

Uma mesa com cinco amigos, um me acenava. Forcei um sorriso, acenando em resposta. Agradecendo. Revirei os olhos por dentro, as pessoas ainda acham legal esse tipo de flerte?

Tirando o fato de que eu não havia pedido o drinque, eu poderia admitir que ele era bonito. O drinque, é claro. O rapaz também, mas não fascina os meus olhos. Ele possuía algumas camadas, sendo as mais marcantes a azul e a laranja. Uma fatia de limão siciliano repousava sob a borda, dando-lhe um charme a mais. Bem, não custa nada beber.

— Com licença. — pediu o garçom antes de se retirar.

— Tenten arrasando corações, como sempre. — alfinetou Sai. Cala a boca, vadia albina. As outras duas riram, frescando com a minha cara.

Com mais algum tempo e nossos pedidos finalmente chegaram. Os nossos mesmo, sem nenhuma surpresa. Temari havia pedido alguns aperitivos para acompanhar.

Seguimos por um bom tempo conversando, conversando de tudo um pouco. Estávamos comemorando a promoção de Sai na NY:News!, que trabalhava na mesma área de Ino. Atualidade e moda. O que Temari e eu chamávamos de duas velhas fofoqueiras vigiando a vida alheia.

Era ótimo estar com eles, fugir de tudo. Com meus amigos eu não precisava ser uma mulher forte, decidida. Eles despertavam em mim um lado mais espontâneo e natural, eu os amava. Eu amava quem eu era, mas era bom não ser aquela mulher de pedra por alguns segundos. E, apesar de aos poucos eu passar a interagir mais com meu trio, ainda era difícil ignorar aquela sensação ruim sempre que me lembrava.

— Eu vou ao banheiro. — Sai já está bêbado. Ele acabou bebendo a dose que havia pedido pra Ino, misturando com a cerveja e até um pouco do drinque que meu admirador nada secreto me presentara.

— De novo! — exclamou a Yamanaka, havíamos feito a festa com o balde de cervejas de Sai. — Que mijadeira braba! — colocou a garrafa na boca, bebendo ali mesmo. Temari riu.

— Cerveja, meu amor, cerveja! — falou com o dedo enriste. Ino revirou os olhos, mostrando que também estava bebendo e nem por isso estava indo ao banheiro a cada cinco minutos. Assim como eu.

— Eu acho é que o Sai se interessou por alguém nesse banheiro. — alfinetei de volta, o mundo gira bebê. Falei em pensamento vendo seu olhar ofendido em minha direção.

— Deve ter sido, o faxineiro! — Ino completou.

Sai se afastou da cadeira mandando o dedo do meio pra nós duas, que rimos. Ah Sai... Vocês são ótimos. A Yamanaka fez uma careta e se levantou também. Dizendo que também ia ao banheiro, troquei olhares com Temari.

Comento rapidamente que iria até o bar, saindo em seguida. Não havia muitas pessoas no boteco, era dia de semana. Dificilmente alguém abriria mão do divino descanso depois de um longo dia de trabalho.

A não ser, é claro, que houvesse algo para comemorar. O que era nosso caso.

— Então finalmente eu consegui te pegar sozinha. — uma voz masculina atrai minha atenção em sua direção. Era o mesmo cara do drinque, sorrindo daquele jeito pervertido como um virgem de vinte anos. Será que ele achava isso sexy? Talvez fosse, pra alguma adolescente com quinze.

Sorri de volta, acenando com a cabeça.

— Não é!? — fingi surpresa, voltando a admirar a bela decoração do local. Uma enorme parede de espelhos ostentava garrafas nobres de vários tipos de bebidas em suas prateleiras. Algumas mais raras eram guardadas dentro de caixas de vidro, ostentadas ali como uma espécie de troféu.

— Então, o que achou da bebida? Gostou? — sua voz novamente rompe o adorável silêncio, enquanto eu tentava enxergar o ano de um vinho antigo que estava um pouco distante. Controla, Tenten.

Girei novamente o rosto em sua direção, meu sorriso era forçado, mas ele não poderia distinguir. Não ele, não esse tipo de homem.

Padrão ex, agora eu sei por que nunca tive um orgasmo antes.

— Você acha que eu gostei? — devolvo com outra pergunta, ele parece surpreso. Gostando da minha audácia.

— Ela combina com você, por isso achei que fosse gostar. — certo, confesso que a resposta dele me pegou de surpresa. E isso atraiu minha atenção, talvez ele não fosse tão ruim assim. Embora eu soubesse bem que sua ganância se resumia em me levar pra cama. Padrão playboy da atualidade. Nada de novo sob o sol.

— Combina comigo? — questionei, interessada.

— É. Exótica. — uau.

Ri, sendo acompanhada por ele. Outra vez voltei a admirar a arquitetura do ambiente, eu gostava de locais assim. Discreto, ao mesmo tempo que marcante. Ganhei essa característica desde o meu aniversário. Eu podia sentir seus olhos sob mim, me queimando. Até poderia imaginar facilmente ele me imaginando nua, enquanto me comia com os olhos. Como se eu não estivesse vendo através do espelho. Inocente.

Travei, o sorriso morreu em minha face. Em meu campo de visão apareceu uma terceira, com um terno sob medida listrado num cinza escuro, seus cabelos estão presos no meio das costas. Como um verdadeiro CEO. Isso que é homem, porra.

Sinto a boca seca, meu lábio ressecar. Arrependo-me de não ter trazido minha cerveja.

— Então, posso ter o prazer de finalmente saber o seu nome? — meu corpo tá quente, e eu sabia que não era o álcool. Ignorei o rapazinho ao meu lado, admirando o homem. O homem. — Princesa? — o cara do meu lado atrai minha atenção quando tem a audácia de tocar meu rosto, segurando minha nuca.

O olho perplexa, irritadiça. O ambiente fica mais quente quando ele para atrás de mim, entre nós dois. Seu cheiro vigoroso me faz fechar os olhos, em êxtase. Um cheiro que me associava a sexo. Sexo bom e sujo. Do jeito que eu amava, do jeito que ele me dava. Um contração deliciosa bate em meu baixo ventre.

— Que porra é essa? — que voz, Hyuuga. Que voz.

Minha vadia interior diz olá, piscando pra chamar a atenção do homem. E eu sei que preciso me controlar. Tu me quebra, homem. E eu amo isso.

Sinto os olhos de Neji me queimarem, pegar fogo em minhas costas. O prata líquido escorrendo atrás de mim. Talvez em busca de uma resposta. Embora eu não tenha uma, foi só uma triste coincidência. Droga.

O cara fita o Hyuuga, mas ele só olha pra mim. Ou melhor, pras minhas costas. Também não entendendo o que está acontecendo. É possível ver suas reações através do espelho, o semblante fechado e furioso. Ele bufa, fechando os olhos.

— Tira essa droga de mão de cima dela. — diz, entredentes.

Seu tom é tão incontido, como um aviso.

— E você, quem é? — pergunta sem muito interesse. Demonstrando não intimidar-se.

Pego-me quieta, controlando-me também. Estava bem por fora e tendo um colapso por dentro. Eu não vou me passar pra isso, não sou propriedade desse maldito filho da puta. Que insiste em sumir e reaparecer na minha vida do nada, como se fosse algo normal no mundo dele. E é isso que eu mais odeio nele.

— Eu sou a porra do namorado dela. — espera, que? filho da puta.

Notas finais
Eu não demorei a atualizar pro capricho, mas não irei abandonar minha fanfic. Ainda assim peço desculpas a todos que fiz esperar! Gente, deixe um comentário! Uma palavra de incentivo, o que está achando. Isso me ajuda tanto a melhorar quanto a saber se estão gostando, além de ser muito importante pra mim. Real. Espero voltar mais rápido, e espero que tenham gostado. Desde já, obrigada.