O preço do prazer
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Notas iniciais
Guio meus passos com destreza sendo seguida por quase dois metros de músculos e testosterona. Procuro um presente de noivado pra minha quase cunhada. Ah, como o meu namorado havia feito a gentileza de me acompanhar, eu me aproveitava da situação. Embora homens odiassem acompanhar mulheres em suas compras. Ele era tão doce, só que não.
E tornava nosso passeio ainda mais demorado.
— Não pode fazer isso. — ele me disse enquanto andávamos pela calçada da 5th Avenue, a avenida mais famosa de Nova York. Ela cruza a cidade de norte a sul, e é um bom lugar pra comércio.
E sendo assim, não pode ser possível que não haja um maldito lugar pra encontrar o presente.
— E você não devia mentir pra sua prima, mas o fez. E se você mente pra ela, quem garante que não vai mentir pra mim também? — disse virando-me com a postura ereta e a bolsa pendurada em meu braço esquerdo.
Neji tinha vindo aqui com um objetivo, e lá estava ele tentando me fazer desfazer a bagunça com Hinata.
— Você não entende, Tenten. — ele vinha mais atrás, com aquele terno Armani e as mãos no bolso. Já era comum pensar em Neji daquele jeito. — Se soubesse como são os Hyuuga's, não estaria tão contente em comprar presente pra ir nesse noivado. — quase posso vê-lo fechar os olhos e respirar fundo, mas continuo andando na frente. Revirando os meus. — E ainda me mete nessa encrenca. — ouço-o resmungar.
Giro os calcanhares, agora irritada.
— Relacionamentos a base de mentiras não duram, sabia? — questionei. Ele desviou o olhar, fechando os olhos.
— Isso nem é um relacionamento de verdade. — suas palavras não me abalaram, mas...
— Não!? — falo amarga, questionando. Sorrio dando de ombros. — Certo então... — dei as costas pra ele a tempo dele segurar meu braço e me girar de volta.
— Não! — a fala acompanhou seu gesto. Vi Hyuuga Neji tremer. — Você nem me ama de verdade, droga. — sibilou entredentes, com as orbes claras vigiando tudo ao redor como se fôssemos ser pegos a qualquer momento.
Fiquei estática por um momento, observando-o. Neji tinha os olhos cravados em qualquer coisa que não fosse eu. E de certa forma, suas palavras me atingiram.
Ele respirou fundo, me soltando.
— Eu não menti pra você, Tenten. Só estou tentando resolver as coisas. — eu nunca o vi ser tão sincero. Aquilo me quebrou por dentro. Sua fala, sua expressão, tudo nele dizia que estava falando a verdade, ou pelo menos parte dela.
Eu me rendi.
— Eu não vou mais falar nisso, mas espero que saiba que a sua prima conta com você, e eu também.
Um aglomerado estranho chamou minha atenção do outro lado da rua, logo reconheci os paparazzi. Não era apenas por conta de Neji, era por mim também. A proporção que o assassinato de Kiba tomou ainda não havia sido varrido totalmente pra baixo do tapete.
Ainda éramos alvo, ainda éramos assunto.
— Sorria, você está sendo filmado. — repeti os dizeres, erguendo os olhos de volta pro Hyuuga.
Ele não fez a sua parte, não sorriu. Só continuou a me encarar com aquelas mãos no bolso por um longo período, até que eu me dei conta o porquê. Eu estava sorrindo.
***
— Obrigada. — agradeço ao champanhe que um dos garçons me serve, gentilmente.
A mansão Hyuuga está cheia, lotada. E eu consigo identificar alguns do gene apenas pelos olhos brancos. Um pouco surpresa, não sabia que haviam tantos. Se multiplicam feito baratas. Porém, uma única certeza eu tenho, eles não são daqui.
O pessoal da imprensa ronda o local com seus crachás, embora a permanência deles sejam de fato restrita. Já que só permanecerão até o anúncio.
Há algumas pessoas de interesse no local, consigo reconhecer alguns rostos. Dentre eles o Uchiha mais novo, herdeiro da posição que o irmão abandonou. Um amigo de longa data do futuro noivo que estava ao seu lado, tirando fotos. O rapaz, Uzumaki, sorria como se não houvesse amanhã. E eu sabia muito pouco deles, a não ser, talvez, que os pais eram donos dos maiores hospitais e clínicas da cidade. Sendo nove no total. A família era discreta, não se envolviam em grandes escândalos. Como os Hyuuga. A não ser até então, o babado do Kiba. Que eu estive envolvida, claro.
Tomo um gole generoso do líquido alcoólico. Em um outro aglomerado está a felizarda da noite. Hinata possui um riso um pouco mais discreto, e as bochechas que se avermelham tanto que chegavam a brilhar quando o rapaz loiro a puxou pela cintura para a próxima foto. Isso é que é amor.
No mais, não podia estar menos feliz por ela.
Seus olhos esbarram nos meus e eu ergo a taça brindando pra ela. Ela diz algo ao noivo que assente e se afasta. E lá vem. Com esse sorriso tão grande e essa cara tão vermelha que parece estar ficando roxa. A menina é um camaleão.
Rejeita educada do champanhe quando ofereço, talvez tentando ficar sóbria o suficiente pra não acordar amanhã sem lembrar de nada.
— E então!? Já aproveitou da lua de mel antecipada? — indago com um sorriso acusativo, e a garota muda de cor mais uma vez. Olhando pros lados como se alguém estivesse nos ouvindo, e não pudesse. Hinata parecia desesperada.
E provou isso quando segurou meu pulso e praticamente me arrastou pra fora dali. Poderia confundir seu nervosismo com o fato de estar prestes a ser pedida em casamento oficialmente na frente de tanta gente, mas algo me alertava que o motivo não era esse.
— Não fale isso, por favor. — pediu assim que paramos num lugar vazio, próximo a uma saída. Me fechei, havia acabado de levar um fora. E nem foi de um cara.
— Desculpe!? — retruquei.
Ela levantou aqueles intensos olhos incolores pra mim, pareceu notar que eu havia ficado chateada, irritada talvez. Embora eu não tivesse feito muita questão de esconder.
— Não... Não é isso. — voltou a olhar pros lados. — As pessoas aqui... Se dependesse de muitos esse casamento jamais aconteceria. — ela deu ênfase nisso, confesso que fiquei horrorizada. Mentalmente procurando qualquer que fosse o motivo pra tamanha idiotice. Certo, eu não conhecia bem o tal noivo, Uzumaki Naruto, mas o garoto parecia ser um bom rapaz. Além de rico, não que fosse desculpa também, mas pra certas pessoas isso conta muito.
E foi então que me lembrei das palavras de Neji: Se soubesse como são os Hyuuga's, não estaria tão contente em comprar esse presente pra ir nesse noivado. Entretanto, como eu poderia não vir? Como eu poderia não prestigiar um momento tão importante na vida de uma pessoa tão doce e incrível quanto Hinata?
E então me peguei me perguntando, seria esse o motivo de sua recusa? Não. Ainda parecia fútil e distante demais para o imponente Hyuuga Neji, fugir de alguém. Ele fazia mais o tipo que enfrentava. E era algo que eu achava muito sexy nele.
— Então? — eu proferi a palavra que me deu um nó.
— Alguns Hyuuga's acham que temos que manter nossa linhagem limpa. — fiquei ainda mais confusa com a revelação, tal como o nojo que ela proferiu as palavras.
— Tá me falando que metade das relações dessa família são incestuosas? — ela não me respondeu, só me olhou. E eu entendi que a resposta era positiva. — Que nojo. — sibilei.
— Por sorte meu pai e meu tio são diferentes. — disse com carinho olhando na direção de um homem de meia idade e uma mulher, o qual reconheci serem os pais dela. A mulher como tal, não possuía os traços Hyuuga.
— Por que os convidou? — indaguei e ela me olhou daquele jeito, porra Hinata, eu sou boa em ler expressões de luxúria, putaria ou safadeza. Carinhas fofinhas e indecisas não são comigo.
E pior, me abraçou.
— Você é uma das poucas coisas que eu pude escolher nesse casamento. — que?
— Que? — repito a indagação do meu cérebro. Ela me solta, rindo de novo. Ah meu pai.
— Quero que conheça algumas pessoas. — e lá vai ela me puxando como se eu fosse uma boneca, de novo.
Saímos passeando no meio da multidão, aproveitei a deixa de um garçom para trocar minha taça de champanhe por um drinque. Sem dúvidas iria precisar de algo mais forte pra continuar de pé essa noite, ou não.
Onde está Neji?
— Pronto. Meninas, essa é Mitsashi Tenten. — me apresentou. E puta que pariu, quanto olho branco.
Dancei meus olhos entre as três presentes, todas Hyuuga, sem dúvida.
— Hinata, essa é a última? — última? ah, por favor.
Quem questionou foi uma branquela de cabelos verdes e curtos, até os ombros. Ao seu lado uma que lembrava a própria Hinata em alguns detalhes, mas a Hyuuga ao meu lado tinha traços mais delicados e femininos, sem dúvidas. E outra criatura branca, de cabelos brancos, e olhos brancos. Danou-se.
— Sim, Natsu-chan. — olhei pra Hinata com certa desconfiada, ela estava vinte vezes mais mansa que o normal falando com essa garota.
— E então? — a nanica de cabelos castanhos pergunta, notoriamente à Hinata, já que a olha fixamente. A Hyuuga ao meu lado pigarreia. Sinto uma coisa subir pela minha garganta, e não era excitação. Quem me dera fosse.
Era raiva, era ódio. Eu estava odiando a forma como essas coisas tratavam a Hyuuga, que por sinal era da família, e pior ainda era ela não revidar.
— Tenten. — escutei a voz suave e girei o rosto apenas o suficiente para olhá-la. A menina estava praticamente sendo oprimida. Vadias. Eu vou massacrar vocês. — Essas são Hanabi, Haidê e Natsu. — certo, sei que Natsu é a vaca de cabelo verde. Agora por eliminação, Hanabi poderia ser a de cabelo branco e Haidê a de cabelo castanho, ou não. Ah Hinata, pelo amor...
— Hyuuga. — a patricinha albina estendeu uma mão e um sorriso cínico. Ergui meus olhos lenta em sua direção, devolvendo o cumprimento.
— Mitsashi. — sibilei, saboreando as palavras. Soltando a mão da coisinha.
— E então? — a nanica de cabelo castanho falou, agora olhando pra mim. Essa pirralha adora encarar, quero ver ela fazer isso com ácido nos olhos. Arqueio uma sobrancelha, e então? Então o que?
— O que? — questiono, séria. Diferente de Hinata, elas não me colocam medo. Elas se encaram e começam a rir, como se eu houvesse dito algo engraçado. Arqueei ainda mais a sobrancelha, olhando Hinata. Que porra é essa?
— A culpa é minha. — tomou a responsabilidade. — Eu ainda não disse a ela. — o trio de hienas parou de rir. Olhando fixamente a futura noiva. Aos poucos eu começava a entender a intenção dela.
— E por que trouxe ela aqui? — a nanica perguntou. — Nem sabe se ela vai aceitar...
— E eu espero que não. — a albina sussurrou pra outra, mas alto o suficiente pra me provocar.
— É claro que eu vou! — afirmei, com um largo sorriso. Cínico, claro. As três me olharam.
— Você nem sabe o que é. — disse a criatura de cabelo branco, com aquela cara de tédio. Ela parece um fantasma, tipo aqueles do filme gasparzinho. Tão branco que tem nela.
— Tem razão, o que é, Hinata? — viro pra Hyuuga, só espero não estar me metendo numa encrenca.
A Hyuuga olha pro trio de hienas e pra mim, ela parece encurralada, perdida. Elas se olharam de forma suspeita, soube que tramavam algo. Acho que ela é boazinha demais pra entrar nessa briga, tudo bem Hina, eu entro por você e ganho.
— Ser minha madrinha. — oh!
— Oh! — e lá está o trio de hienas rindo de novo. Giro o pescoço pra elas, será que elas percebem como estão sendo ridículas? Céus.
— Desculpa Hina-chan, mas só sangue assinam os papéis. — elas pareciam tentar ridicularizar a futura noiva.
— Sangue? Achei que era com caneta. — retruquei. A garota de cabelos brancos me olhou com cara de poucos amigos e os braços cruzados.
— Só Hyuuga, meu bem. — devolveu. Arqueei uma sobrancelha. Que tipo de família é essa?
— Eu conversei com o papai. Ele concordou. — Hinata saiu em minha defesa, ou a dela própria. Soltei o ar dos pulmões com força, aquele ambiente parecia sugar minhas energias.
— Regras são regras, Hina-chan. — Natsu falou. — E no casamento de um Hyuuga, só Hyuuga's são padrinhos.
Eu já tava pronta pra mandar aquelas garotas pro inferno, quando a razão do meu libido se fez presente. Melhorando cem por cento meu humor.
— Ou um deles, pelo menos. — era isso que faltava pra minha noite ficar ainda mais deliciosa.
Essa voz, essa deliciosa voz. Do dono que parecia ser um psicopata por aparecer sempre em momentos chave, parecendo estar esperando o melhor momento pra dar o ar da graça.
E lá vem ele, fechando um botão do paletó com aquele rolex prata no pulso. Sem gravata, vale ressaltar. Ficava tão sensual. Os cabelos soltos, Hyuuga Neji de cabelos soltos. E eu só conseguia devorá-lo com os olhos. Veio direto pra mim, e eu só queria tá aberta pra ele agora.
— Amor, tava com saudade. — digo sorrindo pra ele, daquele jeito que só ele entendia. Erguendo o queixo, retribuindo o selinho.
Seus lábios também provinham um sorriso malicioso, e eu adorava isso.
E cheiroso? Hmm.
Enquanto isso o tempo ao nosso redor pareceu parar, não no sentindo romântico da palavra. Mas sim porque realmente as três hienas haviam congelado, pareciam perplexas. E eu estava amando isso. Discretamente, é claro. Só Hinata ficava com aquele sorriso bobo dela, também te amo bebê.
— Bom, eu estava esperando o acontecimento da noite pra anunciar oficialmente, mas já que se conheceram... Essa é minha namorada, Mitsashi Tenten. — me apresentou pro trio. Hinata já sabia, claro.
Com uma mão na minha cintura, agradeci o gesto de passar a minha própria em seu quadril, sentindo a temperatura do meu corpo subir. Esse homem é o meu perigo. Elas continuam estáticas, será que alguém parou o tempo e as substituiu por três estátuas realistas? Porque não é possível.
— Não pode namorar! — a nanica de cabelos castanhos exclama, quase gritando pra Neji. Arqueio uma sobrancelha, tomando a fala:
— Por que não, Haidê!? — menciono, cínica. Ostentando um riso meus lábios que apresentavam o tom nude do meu batom.
— Eu sou Haidê! — cuspiu a criatura albina, e com a expressão que eu mantinha pra outra, girei o rosto pra ela.
— Tanto faz. — dei de ombros. Senti o hálito quente do Hyuuga bater bem na área sensível da minha orelha e nuca quando ele riu com o nariz no local, inalando meu cheiro, tá se divertindo, né filha da puta? Eu também, confesso.
E foi olhando pras duas Hyuuga's em questão que eu captei algo, uma hostilidade, uma agonia. Um ódio. Hanabi, que é a de cabelos castanhos — agora eu sei — olhou desesperada pra tal Haidê que estava praticamente tremendo. Saquei. Ela estava com ciúmes.
— Nós vamos ser padrinhos, isso não é ótimo!? — exclamei sorrindo pra Neji, depositando uma mão carente em seu peito. Ainda sorrindo pra ele.
Ele sorria também, mas não abertamente como eu, típico. Mas eu gostava, era sexy. Ele continuou me encarando até que eu me afastei e lhe dei as costas, olhando para o salão cheio a procura de algo específico:
— Agora, onde eu posso conseguir mais uma bebida?
***
A cerimônia de anúncio havia acontecido.
— Onde você estava? Achei que não fosse estar aqui! — finalmente à sós, o questionei. Bebericando do drinque que o meu namorado havia trazido pra mim. Eis a vantagem de ser íntimo de alguém da festa.
— Lá em cima, separando um quarto. — arqueei uma sobrancelha, terminando de beber o líquido. Eu conhecia bem essa cara. Se conhecia.
— Não vou dormir aqui, a casa tá cheia demais. — torci o nariz olhando de soslaio na direção mais concentrada da festa, onde haviam muitos convidados e muitos Hyuuga's. Incluindo o trio de hienas.
— Eles não vão ficar aqui, só a família. — franzi o cenho pra ele, ele riu da própria afirmação. Mas de certa forma eu havia entendido. — Vão pra um hotel ou pro raio que os parta. — fez pouco caso. — A casa vai ficar vazia.
— Então por que a necessidade de separar um quarto? — peguei ele, suspeita. Ele riu sem me olhar.
— Você vai descobrir. — uau.
Saiu me puxando com uma mão na cintura e outra em meu braço. É mania de Hyuuga fazer isso? Tsc.
— Neji! — chamou uma voz feminina, assim que parou em nossa frente. O Hyuuga respirou fundo.
A mulher parecia mais velha, apesar de ter uma aparência jovial. Ela me olhava tão fixamente que eu já estava ficando nervosa, e se controlava pra não rir. Colocando a mão sob o rosto.
Me preparei pra falar, já que ela parecia não tomar a iniciativa. Quando fui surpreendida por um super abraço. É tia da Hinata, só pode.
— Ahh, ela é tão linda! — tô ficando sem ar, meu Deus. As mulheres dessa família são muito calorosas. O que eu tô fazendo aqui?
Calorosa só sou em um canto.
— É um prazer conhecê-la também. — disse quase sem fôlego enquanto ela me embalava naquele abraço, mega abraço.
— Perdoe os modos de minha mulher. — o timbre masculino se faz presente. E a mulher finalmente me solta. — Neji, por que não nos apresenta sua amiga? — um homem mais velho — e sem dúvidas Hyuuga — se aproxima. Eu sabia que eram os pais dele, só não sabia como uma mulher tão gentil colocou um menino tão carrancudo no mundo.
— Ela não é uma amiga, pai. — sua voz era firme. Eu nem percebi que o bonitinho tinha pego minha bebida, e tava tomando dela agora. Ele parece tentar ignorar a presença dos dois, olhando pra outro canto.
Observo o casal à minha frente, o homem que era gêmeo ao pai de Hinata de certa forma lembrava o próprio Neji. Ele tinha poucos traços da mãe.
— Ela é maravilhosa. — sussurra pro marido. Ah, que mulher doce. Gostei dela. Adoro elogios. Adorei essa mulher.
Sogrinha.
— Namorada. — me apresento, sorrindo de canto a canto. A gente recepciona as pessoas do jeito que elas merecem. Essa merece o mundo, por exemplo.
Ela ri batendo palmas e olha pro homem ao seu lado, a mulher parece que ganhou o melhor presente de natal que já pediu. Eu, claro. Justa a empolgação.
— Eu sabia. — falou, sorri abraçando o Hyuuga mais novo que tava com uma cara muito engraçada. Neji parecia pedir socorro, mas eu estava me divertindo demais pra interromper. Então ele é do tipo durão que não leva mulheres pra casa? — Desculpa a empolgação, mas não pude acreditar quando Hinata me disse. — dedurou.
— Então foi ela? — falou Neji.
— E foi ótimo! — completei, cortando o humor duvidável do meu namorado.
— E eu fiquei tão feliz! — exclamou com as mãos em sinal de reza. — Permita que eu me apresente, Hyuuga Elizabeth. — pôs as mãos no peito. — E esse é meu marido...
— Hyuuga Hizashi. — estendeu a mão para mim, cortando a esposa. Assumi uma pose mais altiva, séria, cumprimentando meu sogro. — É uma prazer conhecê-la senhorita...
— Tenten, Mitsashi Tenten. — apresentei-me de volta, observando os dois que pareciam ser tão perfeitos um pro outro. Um belo casal, sem dúvidas.
Elizabeth tinha traços americanos, seus cabelos eram de um azul tão escuro que enganava a visão, seus olhos de um verde esmeraldino belíssimos. Já Hizashi, o pai, não havia muito para falar dele, ele lembrava o Neji mais velho, mas o filho ainda era mais bonito. Sem dúvidas traços herdados da mãe.
— Foi um prazer te conhecer, Tenten. Espero que possa nos agraciar mais vezes com a sua presença. — Hizashi disse, sorri simpática. Agradecida. — Você já falou? — voltou-se pra Neji. Franzi o cenho. Ele suspirou:
— Amanhã teremos um almoço em família, você está...
— Convocada! — sua mãe o cortou, exclamando.
Meu cérebro trabalhou em mil desculpas possíveis para não precisar estar presente nesse acontecimento. Entretanto, a empolgação nos olhos daquela mulher e um fio de esperança acabaram comigo.
— Eu estarei! — sorri forçada o melhor que pude.
Talvez não seja de todo ruim. Bom, hora do jantar. E depois, de alimentar o meu namorado.
***
Era tarde da noite, estava frio lá fora. O jantar havia sido um sucesso, apesar do empecilhos. O quarto estava agradável, escuro. Apenas a penumbra noturna transpassava a janela de vidro, e o reflexo da lua morria no chão.
Abandono o meu último copo de whisky sob um criado-mudo próximo a janela gélida, erguendo o pescoço e sorrindo preguiçosa ao sentir o toque ousado e agressivo na minha nuca, e o hálito quente do homem que sorriu ao me ouvir reagir assim, pra ele. Eu adorava esses momentos, Neji era um perigo pra mim, e eu adorava correr perigo perto dele.
Não preciso de autorização
Sinto a mão grande escorrer da base do meu pescoço até meu seio esquerdo, acariciando. Resvalando na minha pele arrepiada, perdida entre o frio e o calor que ele me causava.
Com sua cabeça ainda repousando na curva do meu pescoço, eu sinto sua protuberância prensar meu quadril. Sua deliciosa protuberância. Foi uma ótima ideia dormir aqui, afinal. O desgraçado ainda ri contra minha pele, me provocando, fazendo um arrepio subir minha espinha e todos os meus pelos eriçarem. Enquanto fecho a boca e gemo, sentindo a garganta seca.
O riso baixo, contido e extremamente sensual bate bem ao pé do meu ouvido e percorre dois caminhos distintos, alertando meu cérebro e contraindo minha vagina. Por dentro. Sinto cada músculo se comprimir numa dança erótica e estimulante. Arfo, girando pra ele.
Protestando quando ele vai embora.
O Hyuuga se afasta um pouco, o suficiente pra eu ver sua silhueta viril e de aço se esconder nas sombras. Aquilo era tão sexy. Que joguinhos está fazendo comigo, Neji? Cuidado, eu gosto.
Não havíamos transado mais. Não depois de começar a namorar e nem mesmo após minha criminosa visita ao prostíbulo que ele trabalhava. E de certa forma eu estava bem com isso. Nesse jogo, aquele jogo, eu estava adorando. Essa brincadeira de gato e rato, provocações e puro ódio. Tudo isso que a gente podia guardar pra resolver aqui. Nossa conversa era na cama, e nossos acertos se limitavam até onde o outro pudesse ir. Claro que nesse quesito eu sempre perdia, desgraçado. Tsc.
Além de Neji ser mais experiente que eu, o homem só me olha e eu já tô praticamente abrindo as pernas. Então, venhamos e convenhamos, nós éramos um belo par. Um belo par de foda. Porque ele estava disposto a fazer qualquer coisa comigo, e eu a aceitar qualquer coisa com ele.
No fim, transa.
Tomei a decisão de testar meus limites.
Uma fraca luz amarelada toma conta do ambiente quando o Hyuuga ascende um abajur ao lado da cama. Vi sua silhueta curvada, com a mão ainda sob o interruptor da luminária. Era uma luz sutil, tão sutil que mal mostrava os músculos talhados naquele peitoral grande. Mas eu consegui ver a penumbra do tórax afiado quando ele ajeitou a postura. Pois só me diz respeito, Deus é minha testemunha.
— Eu vou deixar você escolher um. — disse e se afastou. Dando espaço e visão para a superfície de lençóis brancos e cinzas da cama, onde haviam alguns coisinhas.
Sorri sapeca, me aproximando no intuito de ver melhor.
Haviam objetos, cinco no total. Um par de algemas; Uma fita adesiva; Um cordame; Algumas abraçadeiras; E uma fita azul. Olhei pra ele, tentando buscar algo em sua expressão. Mas ele não entregava nada. Isso tornava o jogo ainda mais perigoso e excitante. Ah Neji...
— Só um? — indaguei manhosa, fazendo um charme. Sorrindo meiga, ou tentando, porque eu sei que falho miseravelmente com essa cara de vadia no cio.
— Só um. — afirma simplesmente.
Ah, tô sentindo uma taquicardia ao mesmo nível que meus pés comichavam. E esfrego um no outro, imitando o movimento com a perna. Rindo. Mordendo o lábio inferior tentando conter o sorriso de canto a canto que quer sair aqui, me dominar. Rir histérica e não sei se de animação ou nervosismo, enquanto olho as peças mais uma vez.
Decido entrar no jogo dele, provocá-lo um pouco, talvez. Imagino que há algo aqui que ele esteja torcendo pra eu escolher, sem dúvidas. Eu o conhecia bem o suficiente pra isso. Só me bastava descobrir o quê.
Dedilho um toque superficial primeiro sob a fita adesiva. Provavelmente aquela usada para praticantes de BDSM, e disso ele entendia bem, pelo que me lembro. Ergo os olhos em sua direção, ele apenas me observa. Hmm.
Você é bom em esconder seus desejos, Hyuuga. Mas eu também sou boa em provocá-los. Começar o que terminei.
Passo a mão para o objeto ao lado. Uma algema. Uma algema normal, sem nenhum apetrecho de proteção ou almofadas nos pulsos. E hum, poderia deixar marcas. Poderia até ferir dependendo do movimento brusco. E não é isso que queremos, ou talvez sim. Amanhã temos um almoço em família, Tenten. Foco. Repito o processo de olhá-lo enquanto acaricio a pela metálica, ele me encara no mesmo instante.
Sinto uma reação aí, Hyuuga? Alargo um pouco mais meu riso, e vejo que ele tenta se controlar pra não rir também. Era um jogo erótico, ele entendia ao mesmo nível que eu, as consequências de usar aquela peça. Mas se eu quisesse, ele o faria. Estou esquentando. Não preciso hesitar.
Certo, próximo.
Seguro a corda sem desviar os olhos dele. É isso. Vejo as orbes incolores, líquidas, voarem para minhas mão que seguravam o cordame. Ele queria usá-las. E ele sabia que eu sabia disso, ele se entregou quando voltou a olhar pra mim e percebeu que havia caído na própria armadilha. Era uma delícia provocá-lo. Rio, mostrando todos meus dentes brancos. Gostou de me ter amarrada, meu bem? Eu gostei de estar.
Tomando o controle deste tipo de situação.
Pego a fita azul, escolhendo-a. Era uma fita simples, de seda. De um azul turquesa. Daquelas que encontramos em qualquer papelaria, e não em um sexy shop. Dei duas voltas na fita usando minha mão como medida, e sigo em sua direção até os pés da cama, onde ele estava de pé. Eu o via querendo rir, provavelmente gostando da minha ousadia. Ele me espera chegar perto, calmamente. Esse jogo de paciência eu sempre perdia, mas era divertido.
Dei em suas mãos, desenrolando da minha. Ele pegou, sem desviar os olhos dos meus. Pergunto-me se imaginando algum castigo ou apenas pra me provocar.
— Não me diga que cada um tinha um roteiro, ou fico triste. — peço, imaginando que os mais perigosos provavelmente seriam os da algemas e cordas. Ele nega, girando o rosto de um lado pro outro num movimento sutil e preguiçoso, sem deixar de me encarar. Ótimo. — Então é agora que a gente vai transar no teto de cabeça pra baixo!? — indago, alegre. Ele arqueia uma sobrancelha. E ri.
— Tá assistindo muito filme. — debocha, com aquela mesma cara de filho da puta gostoso.
— Lendo. — corrijo, com o dedo enriste. — Prefiro livros.
— E a autora tinha quantos anos? Doze? — ele se vira e puxa o edredom que cobria a cama, jogando-o no chão de uma vez, juntamente do resto dos objetos. Nem deve ter visto minha cara ofendida.
— Por que diz isso? Acha que eu não aguento? — vou pro outro lado da cama, cruzando os braços. O vejo sentar-se no colchão. Vendo esse monumento másculo de pura testosterona, com aquele volume chamativo em suas calças. Era tão duro e grande, tão gostoso lembrar. Ou pelos cabelos soltos, ou pelo cheiro do perfume... Tudo nele me convidava a entrar no cio.
— Não é isso. Acho que você aguenta bastante coisa. Me aguentou, afinal. — como se alguém chicoteasse meu clitóris, senti uma onda de prazer e excitação atravessar minha coluna, minhas pernas fraquejaram, a intensidade da minha respiração aumentou. Hmm. Gemo por dentro.
Ele se estica me puxando pra cama, vindo pra cima de mim.
Fiquei tão mole e excitada com a forma que ele falou que pareci uma boneca sendo manejada por ele, enquanto amarrava meus pulsos com aquela fita azul. Sinto o pau duro pressionar meu ventre e fecho os olhos, gemendo. Eu havia entendido o sentido de suas palavras, aguentar isso aqui, meu amigo... Neji não era só grande, ele era grosso, e tinha veias. Deliciosas veias. Tipo aqueles geladinhos gourmet, só que o dele era de carne e quente, bem quente. Que não derretia, mas que dava pra chupar por um bom tempo. E ainda tinha bis. Era um pacote completo, com extra.
Estou pronta e segura.
Sinto seu hálito quente outra vez, mas a excitação me obrigou a fechar os olhos e permitir a percepção do prazer através dos demais sentidos. Ouço-o falar:
— Na verdade, Tenten... você precisa descobrir até onde isso pode ser bom pra você. O que é prazeroso pra outros, pode não ser pra você. — ele rir, gemo. Minha garganta rasga quando tento engolir minha própria saliva seca. — Você não me parece o tipo de mulher que gosta de apanhar, apanhar de verdade. Uns tapas eu sei que sim, mas apanhar... — abri os olhos, procurando os seus.
Ele me encarou e se afastou, saindo de cima de mim sem desgrudar os olhos.
— Acho que não... — minha voz sai sôfrega ao nível da minha excitação.
— Eu também não. — ele fala apenas. — Mas eu vou descobrir. — completa, me jogando na cama. Sinto meu corpo pular sob as molas do colchão a medida que um oscilação borbotoante acelerava minha pulsação. Hyuuga Neji, eu quero mesmo descobrir do que você é capaz.
Completamente focada, minha mente está aberta.
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