O preço do prazer
21 Devotion and possession
Notas iniciais
Eriço minha coluna sentindo meus poros arrepiarem. O colchão descia e subia a medida que ele se move sobre mim. Embaixo. Com o corpo esticado e os braços sob a cabeça, afundo a cabeça no travesseiro. Sinto o cheiro do meu próprio corpo quente, febril. Cada vez mais intimidada de prazer. Sinto sua boca passando por mim, me ambicionando. Cobiçando. Ansiando. Gemo incontida, tremendo um pouco mais perante seu toque.
Apenas meus pulsos estão atados, mãos livres, eu tenho liberdade de movê-las. Anseio de necessidade em abrir-me totalmente pra ele. De ficar sob seus cuidados. Debaixo daquela boca salivante e excitada que descia e subia impiedosamente beijando, mordendo e cheirando toda a extensão a minha carne. Proporcionando-me um incrível boquete. Fazendo-me duvidar ser capaz de aguentar até que ele se canse de brincar comigo e me coma de uma vez.
A base de minha coluna descola do colchão e meus seios empinam duros no ar quando uma outra onda de prazer me faz gemer ruidosamente, pedinte. Sinto seus lábios em meus quadris, sinto sua necessidade através da boca em me ter chamando por seu nome, toda vez que ele chega fundo o suficiente tocando-me sem sequer me penetrar. Sinto sua devoção.
Abro os olhos com diligência, vislumbrando a penumbra do quarto, minha garganta está seca por não ter fechado a boca uma única vez perante suas carícias. Eu oscilava entre o céu e o inferno toda vez que ele me seduzia. Neji tinha carência por mim que ficava evidente em cada vez que me tocava, que me fodia. Era incrível, fazia-me estar no topo do mundo sem sair debaixo ou de cima dele.
Tudo o que você tem.
— Hmmm... — gemo de boca fechada contorcendo-me sob a cama. Pele na pele.
Sinto-o querendo brincar comigo, deixar-me pedinte. Ele faz menção de afastar a boca do meu prazer e baixo os braços ordenando que fique. Olho com os olhos cansados de desejo minhas mãos amarradas pelos pulsos, empurrá-lo direto para lá. E Neji obedientemente volta a fazer milagre com aquela boca. ai meu Deus.
Não pare, garoto.
— Pode gritar, Tenten. — sussurra, seu timbre me excita, sinto minhas pernas tremerem. Fecho os olhos sentindo meus lábios tremularem. — E quando perguntarem a você o motivo, diga meu nome. — e volta a me chupar, com mais veemência. Grito, por ordem dele, por necessidade de extravasar.
Sinto sua língua me dominando, como um parasita que dita o ritmo da minha excitação. Mantenho minhas mãos sob sua cabeça, numa vã tentativa de impor meu próprio ritmo. Neji me lambe, e eu jogo a cabeça pra trás. A ponta de sua língua brincando com meu clitóris duro e pulsante. Gemendo, quase implorando pra que ele não afastasse aquela deliciosa boca da minha boceta.
Suas mãos apertam meus quadris, com força, enquanto voltava a me chupar. Passo minhas pernas por sob seus ombros, cruzando-as. Prendendo-o bem ali.
— Me chupa, vadia. — esganiço, rouca. Com a voz irreconhecível de pura luxúria e putaria.
Reviro os olhos, jogando a cabeça pra trás. Meu organismo é pura endorfina. O filho da puta chupa bem, chupa bem demais.
Havia tanta maestria e poder em seu ato. Ele se deliciava em mim, me chupando. Movia a língua e a cabeça para o lado que eu indicava, puxando seus cabelos sem dó. Descontando em seu couro cabeludo toda a tensão que eu não conseguia extravasar em gemidos, me faltava voz. Parecia uma gazela rouca, tentando gemer. Os fios castanhos emaranhados em meus dedos, qualquer movimento meu podia causá-lo dor e isso era fodidamente erótico. Tê-lo assim, literalmente nas mãos.
Algo em você. Faz eu me sentir uma mulher perigosa.
Puxo seus cabelos, obrigando-o a erguer a cabeça. Olho-o com a visão turva. Seus olhos incolores, cerrados. Sua boca totalmente lambuzada e entreaberta de uma respiração pesada e difícil. O vejo erguer os olhos lentamente pra mim, e apesar de escuro, nossos olhos faíscam ao se encontrarem. Sorrio lentamente, satisfeita.
Não gozei, mas o fiz me deixar no ponto. Os músculos no interior da minha vagina se contraem lentamente, esperando seu pau ou o retorno de sua língua.
Neji puxa meus braços de seus cabelos num movimento brusco, obrigando-me a soltá-lo. Avançando em mim. Sua mão grande segurava meus pulsos com força, então senti-me livre do amarro. Nossas bocas se encontram ferozes, ergo a perna direita esfregando-a no corpo duro do homem. Sentindo sua rigidez. Sinto o gosto da minha própria excitação descer por minha garganta. E minhas mãos, agora livres, vagam desesperadas sob seu dorso e peitoral. Esfrego minha unha em sua carne, sem dó, descendo para sua calça de encontro ao membro rígido.
Ouço meu dente trincar nos seus quando aperto o falo pulsante, que treme na minha mão. Sinto sua cabeça molhada de seu pré-gozo. Ele fecha os olhos, virando um pouco o rosto. Sua respiração pesada parecem lufadas de ar quente contra minha pele efervescente e suada, se torna mais intensa, guio com destreza minha mão esquerda pela extensão do cacete grosso. Sinto suas veias e a dureza na minha palma.
Era difícil não imaginar Neji assim, duro.
Agarro o pau, e ele trinca os dentes. Ofegando.
— Deixa eu te chupar. — imploro, olhando-o desejosa.
Ele abre os olhos pra mim, respirando pesado. O ar quente constantemente batendo contra minha pele e meu rosto. Eu só quero sentir seu pau descendo pela minha garganta. Sussurro em seu ouvido.
O ouço grunhir incontido. Tremendo de desejo.
Algo em você. Ele sai de cima de mim, e sei que vai atender meu pedido. Sento-me no colchão. O vejo levar as mãos ao zíper, desesperado. Suas mãos grandes tremiam, e isso ficou evidente quando ele a trouxe para meu rosto, puxando-me para seu membro. Abracei com os lábios e com vontade o falo ereto. Usando minhas mãos livres como auxílio para o seu prazer. Algo em você. Ajoelhado sob o colchão, sinto-o vir firme contra minha garganta, uma mão em minha cabeça da mesma forma que eu o dominava momentos antes. Ele serpenteava o pau na minha boca com vontade, rosnando de prazer por sentir minha língua girar na cabeça. Sempre que saía, pronto pra voltar, chupava por toda a base quando entrava. Devorando, com fome.
Ele joga a cabeça pra trás, ensandecido. Minha mão esquerda aperta a base do pênis rígido, masturbando-o num movimento inverso aos meus lábios. Enquanto a direita estimulava seu saco. Suas mãos segurarem meu cabelo. Puxando. Retira o membro da minha boca, e ele se vai levando uma quantidade generosa de minha saliva que forma uma linha que se estica até se romper. Segura meu queixo e ergue minha cabeça, fazendo-o fitá-lo.
Alisando meus cabelos com as mãos, afasta os fios dos meus olhos. Com uma mão segurava e prendia os fios e com a outra, usa a fita de cetim azul para amarrá-los. Sei que meus olhos transmitem a necessidade de mendigar seu sexo. Algo em você.
Segura meu queixo, levanta meu rosto até que eu sinta as pontas de meus cabelos baterem na minha bunda. Ele passa uma mão por meu rosto e puxa o rabo de cavalo para o lado. Os fios cobrem meu seio esquerdo, e continuo a olhá-lo. Submissa.
Um sorriso perverso brota em seu rosto e se dilata lentamente, olhando pra mim. Vejo o sadismo em seus olhos brancos, satisfeito em me controlar. Fecho meus olhos. Tem uma angustia crescendo cada vez mais dentro de mim, como uma viciada. Neji mete a mão na minha boceta, tocando diretamente meu clitóris duro. E me sinto contrair deliciosamente, minha respiração pesa. Ele me beija, mordendo meu lábio inferior com força. E então se afasta. Tirando as mãos de mim.
A visão é turva quando abro os olhos, mas posso ver o falo duro pulsando bem na frente. Com a cabeça rosada expelindo o líquido transparente de sua lubrificação. Volto a olhá-lo, ele me puxa. Fico de joelhos sob a cama sentindo-o acoplar seu corpo ao meu.
Agarrando-me com uma necessidade palpável, beijando meu pescoço. Sinto seu pau pressionar minha virilha e passo a torcer pra ele escorregar um pouco mais pra baixo e encontrar o caminho da minha cavidade quente e pulsante. Minha vadia interior quer sair de mim e puxar aquela rola pra me comer de uma vez, mas tudo o que eu sou capaz de fazer é permitir que ele me use. Gemo fechando os olhos, jogando a cabeça pra trás. Enquanto ele me devora com a boca. Portanto que me coma no fim.
Me leva a fazer coisas que eu não deveria.
Suas mãos passam por mim, desesperadas. Alcançando minhas costas e minha bunda, me prendendo a ele e usando da própria força pra isso. Sou uma mera espectadora do meu próprio ato sexual, uma boneca, marionete. Estou sendo usada por ele como se estivesse dopada, mas eu tô ciente de tudo. E eu sei o que estou fazendo.
Estou me dando, me doando. Eu quero isso, quero que ele me use. Porque eu confio plenamente nesse homem pra me satisfazer. E ele continua a me devorar, como um animal faminto. Rasgaria minha carne se pudesse, me comeria com a boca. Farejava minha pele, puxava meus cabelos. E eu continuava presa naqueles braços que pareciam correntes grossas de ferro. Me cedendo pra ele. Isso Neji, se liberta em mim. Penso. Fechando os olhos, sorrindo lentamente. Minhas pernas!? Eu mal posso senti-las.
A ponta de seus dedos pressionavam a minha carne onde alcançavam. Costas e bunda, apertando. O sexo com Neji que era bom, porque eu me doava pra ele na mesma intensidade que ele precisava de mim. Toda foda com ele era única e inesquecível. Tem uma química aqui, não dá pra forçar isso. Fazer existir. Ou tem, ou não tem. E com a gente tinha pra caralho. Eu soube disso a primeira vez que a gente se viu, que a gente fodeu e quando eu rebolei no pau dele a noite toda. Sabia que não ia rebolar assim no pau de mais ninguém. Era por isso que, sem medo, eu me dava totalmente pra ele. Que descontava tudo no único lugar onde eu seria totalmente dócil.
Dizem que sexo bom prendem as pessoas e as tornam dependentes daqueles que causaram isso em si. É verdade, eu sou dependente de Neji. Do sexo dele. Do toque dele. Do pau. E até do seu joguinho perverso de sedução. E isso, hum, isso é algo que eu sabia não ser capaz de encontrar com mais ninguém. Eu tava procurando algo quando encontrei ele, e encontrei nele.
A boca quente e molhada passava por mim, necessitada em me ter. Me venerando. A língua atravessa meu colo e chega a base de meu maxilar, arrepia cabelos que eu nem sabia que tinha.
Sua respiração pesada e curta. Gira-me como uma boneca. Fico de costas pra ele, ainda de joelhos sob o colchão. Passa uma perna no meio das minhas, me arreganhando. Sinto falta de ar, com uma mão ele tapa minha boca.
— Eu não preciso que ninguém escute o que eu vou fazer com você. — sussurra, ao pé do meu ouvido.
Sei que ele sente todo meu corpo tremer de excitação. Chicoteando meu sexo com prazer. Minha vadia interior grita por mim, sinto vontade de chorar. Chorar de tesão. Tentando expelir de alguma forma esse desejo, já que sou capaz de me mover e até falar.
O jeito como nos movemos, estamos sendo introduzidos a algo novo.
Sinto-me rasgar numa estocada profunda. Meus olhos lacrimejam outra vez, e tudo parecia mais turvo que o normal. Sou apenas uma marionete, sentindo tudo, incapaz de me mover. Fecho os olhos expelindo com força o líquido salgado a medida que ele me fode. Meu corpo está totalmente preso ao dele, seus braços me prendem como um parasita, tomando conta de mim.
O pau sai e entra sem dó. Neji esganiça no meu ouvido. Tento gemer, mas minha garganta seca doí. Um prazer doentio, seu prazer doentio. Eu sou apenas uma boneca com um laço de fita azul. Enquanto ele me come. Sinto-o farejar em mim, se satisfazendo. Sua pélvis bate em minha bunda com uma força sobrenatural, num ritmo que parecia inumano. Ele continua me comendo, e eu continuo chorando. Chorando de prazer. Mole e incapaz de me mover. Eu quero provar, salvar pra mais tarde. Nenhuma parte de mim queria sair dali. Totalmente submissa ao que ele fazia comigo. Minhas lágrimas molham sua mão que calava minha boca, deixando um mínimo espaço em meu nariz. Como se até minha respiração ele controlasse. Neji tinha tudo sob controle, ele me tinha sob controle.
E eu nunca, nunca me senti tão realizada por ser uma mera espectadora do meu próprio coito. Dando meu corpo assim pra outra pessoa.
Eu gosto do sabor.
Ele se desfalecia em mim, lentamente. Seu corpo suado sarrando no meu, só seus quadris se afastavam e voltavam com toda a força, se chocando na minha boceta. Metendo tão fundo que podia senti-lo espancar o colo do meu útero. O sentia grunhir, baixinho, ao pé do meu ouvido. Gemendo insano naquele prazer. Fechei meus olhos, sentindo minha vagina abraçar com mais vontade seu pau grosso a medida que meu baixo ventre esquentava cada vez mais. Sentia espasmos por todo meu corpo, uma onda de prazer que parecia não ter fim. Explodindo.
Eu sou uma doadora, é minha natureza.
Neji continuava a me foder, eu já estava ficando louca, mas meu corpo não parava de gozar. Exaurindo todas as minhas forças, mesmo sendo controlada desde o início.
Ele queria me morder, queria descontar em mim o prazer que estava sentindo. Eu queria dizer que ele pode, porra, ele pode. Ele pode fazer o que quiser comigo. Podia senti-lo farejar minha nuca como um cão faminto. Sinto sua mão subir e passar por meu colo, segurando minha cabeça com força enquanto seu rosto se afundava em meu pescoço, sua boca proferindo palavras sujas, furioso.
— Gostosa pra caralho, e minha. — rosnava. Gozando.
Neji se derrete dentro de mim, sinto seu pau veiudo tremer expelindo o gozo quente, esganiçando em minha pele como um doente. Pode ficar com a fita, ficou linda em você. Sussurra, beijando a minha tez. Tremo.
Esse homem vai acabar comigo.
Eu vivo pelo perigo.
***
Eram quase onze da manhã quando saímos do quarto, já prontos. Hinata me emprestou o que vestir, e vindo dela, eu parecia uma boneca naquele vestido floral de alças finas e uma sandália rasteira. Meus cabelos estavam presos num rabo de cavalo no alto da cabeça, por uma peça que me deixava ainda mais inocente. Doce.
Neji está sentado ao meu lado, observando-me com os braços cruzados. O olho de relance e vejo seus olhos em mim.
— Admirando a beleza? — dedilho os dedos em meu ombro, sorrindo sapeca pra ele. Tudo o que ele faz é continuar me olhando, e aquilo de incomoda de certa maneira.
Conhecia muitos olhares de Neji. Já o vi com raiva, com ciúmes, com muita raiva, com muito ciúme, excitado... Mas agora, havia algum mistério naqueles olhos brancos que pareciam me estudar. Franzi o cenho para ele, demonstrando desconfiança. Ele riu.
— Belo laço. — diz por fim, sorrio mais. Levando uma mão para o alto de minha cabeça, onde uma fita azul prendia as madeixas castanhas.
— Obrigada, amei o presente. — estico-me alcançando seus lábios num beijo casto. Ele ainda tinha aquele olhar misterioso. Seus olhos não desgrudavam de mim, apesar de não falar nada. Era como se Neji realmente me admirasse, como se eu fosse inédita ou surreal.
Entretanto, começava a ficar exasperada com a forma que ele me olhava. Não era um olhar safado, de quem dizia que queria me comer, ao contrário disso, seus olhos brancos emitiam um brilho de admiração que de certa forma mexia comigo. Sinto minha respiração pesar, incomodada de certo modo. Tento abordar outro tema, quando próximo às escadas, vejo uma figura familiar da noite anterior.
— Achei que ela estivesse num hotel ou no raio que os parta. — descontraio, não tão alegre com a visão. Repetindo as palavras dele. Ela olhou pra mim, e virou a cara como uma pirralha rica mimada. Descendo as escadarias. Com um humor tão doce quanto o meu.
— Ela é irmã de Hinata, mora aqui. — o olhei com cara de poucos amigos, ele riu. Percebo que perdi a atenção do moreno, que observava a então prima chegar no andar de baixo. Incomodo-me, estalando a língua. Sem fazer questão de disfarçar meu desgosto com a garota em sua presença. — Comporte-se. — fala. Sorri piscando os cílios, como uma boa menina.
— Sempre. — pela primeira vez em minha vida, vi Hyuuga Neji revirar os olhos, e voltar a caminhar pelo corredor.
Apesar de manter sua expressão altiva, indiferente, tinha algo diferente no olhar de Neji. Observava. Algo que ele não queria deixar muito evidente, mas que ao mesmo tempo não conseguia esconder. Pergunto-me se tem alguma relação com o fato de seus pais estarem aqui, ou se apenas não queria vir. Já que eu literalmente o forcei. Suspiro comigo, fechando os olhos. Então os abri para voltar a observar o Hyuuga. Ele caminhava com sua postura típica e uma mão no bolso da calça jeans, a outra balançava displicente enquanto andava. Observei sua postura, aproveitando que estava centímetros mais adiante, parecia distraído. Havia algo nele que tinha me deixado curiosa. Eu queria descobrir. Acabei me dando conta que não era o fato dele ter mudado em algo, era apenas sua expressão. Ele parecia... tranquilo. E embora não admitisse em voz alta, ficava tão bonito assim. Como se não tivesse preocupação alguma.
E eu não dizia isso com um olhar sexy, erótico, eu o olhava como pessoa. Uma pessoa linda, apesar de tudo. Neji fez tanto por mim... Sinto a sombra de um sorriso brotar em meus lábios. E apesar de haver muito sexo em nossa relação, não era como se fosse só isso. Não éramos aqueles casais dos quais tiravam a transa e não restava nada, nós tínhamos uma história juntos. Uma perturbada, complexa e ao mesmo tempo incrível história.
Baixo os olhos observando sua grande mão se mover num movimento sutil, balançando. Acho que pela primeira vez me pego olhando-a sem maldade alguma, seguro-a. Ele para meio perplexo, meio assustado com o meu ato. Olhando pra mim com confusão visível em seus olhos. Sim, isso eu conseguia identificar naquelas orbes brancas. Sorrio, dando de ombros. Éramos namorados, afinal. Andar de mãos dadas era algo comum. Ou deveria ser. E eu queria isso, queria que aquele Neji mais relaxado ficasse ali. Pelo menos um pouco mais. O faço perceber que meu olhar não transmitia fingimento, nem meu sorriso maldade. Era um ato comum, Neji, não precisa ter medo de mim. Penso, não digo.
O sinto tenso por um instante, como se estar perto de mim lhe causasse dor. Sinto tristeza, mágoa talvez. Faço menção de afastar-me, separando nosso contato. Porém, surpreendo-me ao senti-lo buscar de volta o meu toque, segurando com firmeza a minha mão. Me vejo... estranha. Neji me olha de relance e volta a andar, me levando junto com ele. Seus dedos entrelaçados aos meus como um cadeado.
O Hyuuga guiou-me até uma área fora da mansão, ao ar livre, onde ocorreria o almoço. Caminhamos por um bom tempo pela grama, pego-me observando a paisagem. Ao final desta, havia um lago. Ele parecia ser artificial. Mas era belíssimo. Cheio de flores ao redor, haviam pássaros, gansos e peixes até onde posso enxergar.
Pouco antes estava uma enorme mesa disposta em uma área de lazer aberta, apenas com teto e colunas de tijolos. Os pratos e talheres já estavam organizados.
— Tenten! — uma voz doce, suave, profere meu nome.
E reconheço o timbre da mãe de Neji. Paramos, olhando na direção oposta que viemos a mulher de cabelos azulados como a noite se aproximar. Com seus braços abertos como os de uma mãe que recebia a filha com saudade. A presença dessa mulher era algo revigorante, Elizabeth tinha uma áurea iluminada ao redor dela, como se houvesse atingindo sua paz interior da qual ninguém seria capaz de tirá-la.
Sorrio, retribuindo o gesto quando ela se aproxima. Com a mão livre, passo em seus ombros devolvendo o abraço caloroso de sogra, ou mãe.
— Oi também, mãe. — Neji estala a língua, fingindo ciúme. Ele não olha pra gente, parece fazer birra. Neji não soltou minha mão, e quando separamos do abraço, noto ela olhar travessa para nossas mãos dadas. Parecia contente.
— Neji... — ela abre os braços e fica na ponta dos pés, beijando com fervor a bochecha do Hyuuga. Quis rir da cara que ele fez, aparentemente meu namorado não gostava de ser tratado como criança.
Ele olha pra mim, e revira os olhos perante o beijo demorado que recebia. E eu rio, colocando a mão livre sob a boca. Noto que apesar de tudo, a sombra de um sorriso permeava seus lábios. Como se apreciasse a situação. Hmm.
Ela finalmente se afasta, voltando sua atenção pra mim:
— Tenten queria, eu... posso falar com você!? — com as mãos dadas em frente ao corpo, ela me pergunta olhando fundo nos meus olhos. Parecia apreensiva. Confesso que senti um pouco de medo, receio talvez. Céus, o que a mãe de Neji queria comigo? Sua expressão dizia que era algo sério, e por um segundo eu só conseguia pensar em coisas terríveis.
Os problemas são bem maiores dentro da sua cabeça. Recordei-me de uma frase que Temari falava bastante, então entoei esse mantra mentalmente. Respirando. Sorri.
— Claro, senhora Hyuuga. — tento manter meu sorriso o mais firme possível, lembrando-me do autocontrole que costumava ter no trabalho. Sempre séria e altiva, não deixava absolutamente nada me abalar. Mas com ela... ela não era trabalho, era a mãe do meu namorado.
— Liza, me chame de Liza, por favor. — seu sorriso gentil junto a expressão tranquila que emitiu trouxe um pouco de paz pro meu coração. Confesso.
Sinto um peso enorme sair de minhas costas. Sorrio, agora tranquila.
— Liza. — imitei, ela sorriu mais.
Com a mão livre, seguro a sua dada pra mim. Antes do terceiro passo que dei, sinto um aperto mais firme em minha mão esquerda. A qual momentos antes Neji segurava, e ainda segurava. O olhei intrigada.
O Hyuuga olhava pra mim com uma expressão estranha, parecia triste, não o compreendi ao certo. Olhou pra baixo, onde nossas mãos estavam dadas, segui seu olhar. Ele não queria me soltar. Dei-lhe um sorriso sincero, não iria fugir dali.
— Neji, é rapidinho. Eu já te devolvo ela. — ouço Liza falar. Olho pra ela e depois pra Neji, que voltou a me olhar também após a fala da mãe, mantenho meu sorriso e assinto.
Baixa os olhos, com nossas mãos ainda dadas, ele me solta lentamente. Pela primeira vez naquele dia, vi o que parecia ser um olhar triste na expressão dele. Liza me leva dali, nos deixando a pelo menos uns dez metros de distância do Hyuuga que continuou parado no mesmo lugar, esperando.
— Tenten... — ela começa, ficando de frente para mim. Segurava minhas mãos entre as suas com carinho, sorria. Seus olhos verdes como esmeraldas vagavam por meu rosto como se eu fosse algo inédito, algo incrível. — Eu queria tanto agradecer a você. — sua fala me pegou de surpresa. Uma enorme surpresa. Seu aperto em minhas mãos aumentou, ela abraçou-as com brandura.
— M-Me agradecer? — pego-me gaguejante. Me agradecer? Repito em mente. Ao que, exatamente?
Assente, respirando fundo. Soltando minhas mãos lentamente. Volta a olhar-me nos olhos.
— Eu tenho notado uma mudança drástica no meu menino. — confessa, parecendo pensativa, como se buscasse as palavras certas. Olhei para trás, como se buscasse o alvo da conversa. O encontrei com as mãos no bolso no mesmo lugar que o deixamos. Neji nos olhava atentamente. Quieto. Olhei novamente para a mulher à minha frente. — Neji sempre foi tão discreto, compenetrado! — gesticulou com as mãos, assenti. Dando espaço para ela continuar. — Sempre me preocupei muito com o futuro dele, sabe? Apesar de ser incrível como um líder nato, Neji nunca demonstrou muito interesse em ter afeições por outras pessoas. Até comigo, se perceber, ele é muito reservado. — ah meu Deus. — Mas há algo diferente nele... — seu olhar se tornou distante, vejo-me estranha, inquieta perante suas palavras. Eu entendia bem o que ela queria dizer, só não queria acreditar. Talvez. — Algo que você não descobre numa ligação telefônica ou chamada de vídeo. Eu só percebi isso quando cheguei aqui, Tenten. Eu vi algo nos olhos dele, algo que você não vai ver se não prestar muita atenção. Ele é muito bom em camuflar o que sente. — confidenciou a última frase sorrindo.
Eu imitei seu gesto, fingindo estar atenta à cada palavra que ela pronunciou a seguir. Entretanto, agora, minha mente estava exatamente onde ela havia falado momentos atrás. Que havia algo diferente nele, eu já havia percebido.
— Eu já percebi isso. — falei, ela sorriu assentindo. — Mas não tem que me agradecer por isso. — gesticulei.
— Não é só isso, meu amor. — ela me interrompeu, meu sorriso morreu. Olhei pra ela levemente desconfiada, preocupada. Hm, o que teria mais? — Tenten, você salvou a vida do meu filho. Não há nada no mundo que eu possa fazer pra retribuir isso à você!
— A-ah por favor...
— Me refiro ao sequestro, Tenten. — clareou. Por um segundo me pareceu que tudo o que eu não estava entendendo até então ficou claro, como uma nuvem negra que se dissipa rapidamente. O... sequestro.
Memórias retornam à minha mente. Acho que fiquei aérea por breves segundos. Engulo em seco. Um riso fraco vem aos meus lábios.
O sequestro, meu céus. Não fui eu quem salvou Neji, foi ele... ele quem me salvou. Ele quem fez de tudo, absolutamente tudo pra me manter à salvo. Disposto até mesmo a dar a própria vida. Fungo, puxando o ar com força para os pulmões, minha visão... minha visão está embaçada.
Ela seca minhas lágrimas, antes mesmo que caíssem.
Olhei em seus olhos, havia tanto amor naqueles olhos de mãe. Sinto meus lábios tremerem, incapaz de continuar seguindo com aquela mentira. Quis contar a verdade, mas a verdade tinha consequências. E eu seria incapaz de prejudicar Neji por isso. Eu o fiz para acobertá-lo. Eu assumi a culpa.
— E faria tudo de novo. — surpreendi-me com as palavras que foram proferidas pela minha própria boca. Convictas. Eu faria tudo de novo, eu assumiria a culpa outra vez, por ele. Do mesmo jeito que ele fez por mim. Ela sorriu, abraçando-me forte. Bem forte. Como se minha própria mãe o fizesse.
Ao voltarmos pra lá, Neji continuava esperando.
Seus olhos brancos estavam nos meus, ele me olhava como se esperasse que eu fizesse algo.
— Está entregue. — sua mãe diz. Ela tocou meu braço, deslizando a mão até chegar a minha, sorrindo. Se afastou.
Continuei olhando pro Hyuuga, tentando mais uma vez decifra-lo. Lembrei de quando nos afastamos, ele não queria soltar minha mão. Mesmo incerta, refiz o ato, oferecendo um pequeno sorriso. Estendi minha mão, e o vi baixar os olhos. Achei que fosse demorar mais, mas no segundo seguinte, seus dedos entrelaçaram os meus. Como se esperasse isso. E a gente voltou a seguir na direção da qual o almoço já começava a ser servido.
Antes de alcançamos nosso destino, ouço mais uma vez meu nome ser chamado. Parece que tá doce hoje.
— Hina! — vejo Hinata vir atrás da gente, paramos pra esperá-la.
Ela me dá um abraço rápido passando as mãos pelos meus ombros. Vejo a cara de poucos amigos de Neji, e o repreendo com o olhar. Voltamos a caminhar os três. Neji não soltou minha mão, tsc. Possessivo.
— Que fita linda... combinou com o vestido. — comentou e naquele momento meu mundo inteiro caiu. Puta que pariu, a fita azul que eu usei pra foder com Neji, tá bem na minha cabeça.
Ouço o Hyuuga rir ao meu lado, se eu pudesse, pisava o pé dele. Hinata ficou sem entender, tadinha.
***
O que eu faria sem sua boca esperta? Estou me arrastando e você me dispensando. Estou com a cabeça a mil, sem brincadeira.
Enquanto trabalho em minha mesa, resolvi adquirir o estranho hábito de Sabaku no Temari, ouvir alguma música enquanto o cérebro trabalha como um condenado. Revisando e reescrevendo alguns artigos. Logo eu, que sempre apreciei o silêncio para fazer minhas coisas, passo a receber de bom grado uma música suave tocar diretamente para os meus tímpanos através dos fones sem fio.
Alguns papéis espalhados sob a mesa, havia recém chegado de uma reunião com Kakashi e outros jornalistas secundários, parece que as notícias passam rápido por aqui. Bem mais rápido do que eu esperava. Justo eu, envolvida nesse meio, me vejo um pouco perplexa com o fato de já terem tanta informação sob o noivado de Hyuuga Hinata e Uzumaki Naruto. Eles tinham detalhes que nem mesmo eu, que estive presente, notei ou lembrava. Bom, não que eu estivesse lá para trabalhar. Eu era uma convidada, minha função era apenas me divertir. E isso eu fiz, ah se fiz, a noite toda. Hum.
O timbre suave de John Legend ressonava em meus ouvidos, à medida que a caneta em minhas mãos rabiscava os papéis impressos. Corrigindo os erros. Não posso te forçar a nada. Ele me disse. E nesse instante, a imagem dele me vem à mente. Eu quase pude ver o próprio Neji me dizer essas palavras. Olhando-me com aqueles olhos líquidos, que pareciam sempre esconder algo. Como ficava sempre sublinhado em suas ações, algo que ele não pode alcançar.
Levo a mão livre a cabeça, massageio a têmpora. De repente sinto-me pesada, cansada. Tenho tido picos de humor constante, parece que minha consciência grita em meu cérebro ao ponto de não me permitir ouvir mais nada. Eu quase a odeio nesse instante. Me chama de suja, me chama de porca. Só não me chama de santa. Fecho os olhos, suspiro lentamente.
O que está se passando nessa mente linda? Nada, nada de bom. Peso, peso em minhas costas. Sinto-me esgotada. A mão direita repousa sob meus olhos abertos, e vejo a bagunça de minha mesa entre as frestas de meus dedos. Estava me cansando tentar decifrar Neji, embora eu não estivesse tentando o bastante. E ele quem dizia que eu era o mistério. Estou passando pelo seu mágico mistério. Posso até ouvi-lo dizer em meu ouvido, enquanto transa comigo. Algo que eu não posso enxergar por causa do torpor. O que ele queria me dizer. Sou até capaz de vê-lo sorrir daquele jeito vagabundo. Tentando me seduzir. Pare, Hyuuga. Foi você quem começou, vindo atrás de mim. Eu só segui sua teia.
E estou tão confuso que não sei o que me atingiu. Mas eu vou ficar bem. Diz-me, como se me acusasse.
Retiro os fones, deixando-os sob a mesa de vidro. Estou me permitindo enlouquecer lentamente, tudo culpa de um homem que parece ser impossível de ser lido. Neji diz que eu sou complicada, que ele não consegue me entender, mas é ele quem não quer enxergar o que eu sou. Ele não aceita a verdade. E sempre age assim, tão frio e distante, mesmo quando quer expressar algo. Parece ter dificuldades, então sempre joga a culpa pra mim. "Eu vou me entregar pra você hoje, e vou me arrepender amanhã", "Eu não sou seu brinquedo, Tenten". É difícil para ele expressar algo que não sejam incógnitas? Kiba me fez crer por um instante que ele havia se apaixonado por mim, embora não estivesse pronta. E ainda não estou. No entanto, ele sempre pareceu agir pela culpa. Culpa por ter me levado pra junto da merda dele, ao invés de simplesmente se importar mesmo. Ele sempre alega que eu sou a pior parte de nós dois, mas eu digo e mostro o que eu quero, sem distinções. Enquanto ele se esconde sempre atrás de enigmas e frases de efeito. Jogando a culpa que ele deveria sentir em mim.
Eu posso não me importar com ele do jeito que ele espera, mas me importo com ele de alguma forma. Neji parece um brinquedo quebrado ou então alguém que não consegue se aproximar o suficiente pra ser claro, como eu sempre sou. Não consegue ser sincero consigo mesmo. Como sua própria mãe disse, será que ele ao menos sabe o que é estar apaixonado? Ou pra ele transar mais gostoso com alguém é amor? Não é porque nossos lençóis se encharcam de suor que nossos corações se unem de alguma forma. Neji nunca demonstrou gostar mesmo de mim, apesar de sempre fazer alusão à isso quando eu tento me aproximar. Como se eu só lhe usasse. Ele não age como alguém apaixonado, e sim possessivo. Então o brinquedo aqui sou eu.
Respiro fundo, recostando-me sob a cadeira macia e jogando a cabeça pra trás com os olhos fechados. Girando-a lentamente.
Hyuuga Neji, você precisa de ajuda. Uma ajuda que talvez eu não seja capaz de dar, precisa entender melhor o que são sentimentos. Você poderia facilmente me quebrar se eu me permitisse acreditar nos seus devaneios, sabia!? Suspiro outra vez, todo meu esforço parecia ser incapaz de alcança-lo de alguma forma. Porque ele não está aqui. Apenas eu e minha mente traiçoeira.
Abro os olhos lentamente, buscando o teto branco de minha sala de trabalho. Dando de cara com Temari que estava praticamente em cima de mim.
— AH! — ajeito-me na cadeira. A Sabaku continua com aqueles olhos verdes sobre mim, como se tentasse ler algum código morse. Arqueei uma sobrancelha.
— O que está acontecendo com você? Parece sensível... é tpm? — questiona, subindo mais os olhos como se procurasse algum defeito. Seus braços estão apoiados sob os braços da cadeira. Fecho a cara.
— É cansaço! — exclamo, sem humor. — Sai fora, Temari. Tá parecendo a Ino! — empurrei-a, buscando de volta o espaço que era meu.
Ela ficou ereta com os braços cruzados.
— Hm. — resmunga, meus olhos se encontram aos seus, faiscando. De fato, Temari era bem invasiva quando queria. Eles diziam que eu estava diferente desde que fui ao prostíbulo pela primeira vez, talvez estivesse. Só não deixava mais ninguém passar por cima de mim.
— Hm, nada. — resmungo de volta, girando na cadeira e voltando a dar mexer nos papéis sob minha mesa, estava tudo uma verdadeira bagunça.
— Falando em Ino, ela deixou uma revista aqui pra você ver. — comentou mostrando o objeto folheado entre os papéis, franzo o cenho. Voltou a se sentar em sua própria cadeira, revirei os olhos.
— Não tenho interesse em ver as fofocas da revista da Ino. — digo, convicta. Voltando a dar a devida atenção ao meu trabalho.
— Não é dela, é outra revista. Ela disse que você estava na capa. — sua fala me fez parar, curiosa. Oi!? Eu, na capa? Olhei para a revista com um misto de curiosidade e até medo, já estive sob os holofotes antes. E se fosse algo sob o assassinato de Kiba? Tsc, Tenten. Isso é passado, a justiça já foi feita. Penso comigo. Alcancei a revista que estava com a capa para baixo, afim de acabar com o mistério.
Surpreendendo-me no mesmo instante ao virá-la. De fato, eu estava na capa. Mas não estava sozinha. Recordo-me do momento flagrado como o dia que fui comprar o presente para o noivado de Hinata, quando alguns fotógrafos dispararam flash por cima de flash sob mim e meu então namorado, Hyuuga Neji.
"Jornalista e empresário envolvidos em assassinato engatam namoro".
Dizia a matéria principal, com algumas outras fofocas e notícias ao redor da maior foto que era a nossa. Nos olhando. Não conseguia me importar com o título tendencioso, havia outra coisa que gritava mais por minha atenção. A imagem me flagrava sorrindo, como uma menina, lembro-me de fazê-lo. Entretanto, o que mais pegou-me em ver essa foto... foi Neji. Seus olhos brancos cravados em meu rosto, recordo-me de vê-lo me encarar... mas não de... tanta devoção. Ardor. Seus olhos e expressão, fitando o que parecia ser a coisa mais incrível. Era eu. Nunca o vi tão transluzente, como transpareceu aquelas imagens. Parecia me venerar.
Sinto algo me corroer por dentro, um sentimento muito estranho no qual sou incapaz de distingui-lo. Mas que fazia tudo em mim desvertebrar. O que é isso? Que sensação é essa?
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