O preço de uma dívida
25 Uma conversa a muito adiada
Notas iniciais
“....Especially for you
I wanna tell you, you mean all the world to me;
How I’m certain that our love was meant to be;
You changed my life;
You showed me way;
And now that I’m next to you;
I’ve waited long enough to find you;
I wanna put all the hurt behind you;
And I wanna bring out all the love inside you...”
Specially For You
Kylie Minogue feat Jason Donovan
Residência Merlin (domingo, 3/10 – 04:34 a.m)
Tommy
Sento-me sobre o colchão, piscando diversas vezes até meus olhos habituarem-se a pouca luminosidade em nosso quarto, atentando-me aos sons noturnos na busca por entender o que me havia acordado, no entanto apenas o silêncio vem-me em resposta.
Aguço mais os ouvidos a espera de algo acontecer, mas tudo permanece como estava quando despertei: silencioso.
Suspiro, apoiando a cabeça em uma mão, esperando não sei bem o quê, assustando-me (confesso) ao sentir o toque suave em minhas costas.
—Que há meu marido? Estás sedento? Queres te traga água? – a voz rouca de minha esposa questiona-me e sinto o colchão ceder indicando que se levantava.
Mais que depressa, puxo o cobertor, escondendo minha ereção ainda presente por estar, até bem pouco atrás, abraçado a ela.
—Não, nada. Podes ficar deitada — digo, voltando meu rosto para vê-la, já de pé a meu lado, sorrindo ao notar que mais uma vez confundira sua camisola com minha camisa – Definitivamente, esta camisa cai-te melhor que a mim! – elogio, não resistindo em trazê-la a meu encontro, envolvendo-a em meus braços de modo a fazê-la sentar-se em meu colo, beijando-lhe pescoço e ombro parcialmente descoberto, sentindo-a estremecer.
—Desta feita não a confundi com minha camisola, como da outra vez – confessa, suspirando e inclinando a cabeça de tal forma a me dar mais acesso – Amo sentir teu cheiro impregnado no tecido! – diz e rio contra sua pele macia.
—É tua. Espera-me vestindo-a quando vieres a nosso quarto antes de mim – peço, mordendo levemente a pele delicada, arrancando mais suspiros. Confesso estar surpreso, porém adorando, a maneira como reage não somente a meu toque, mas a cada nova intimidade que proponho entre nós sem, no entanto, perder a timidez e até certa dosa de recato, devo dizer – És linda Cait! Amo-te mais e mais a cada dia que passamos juntos – digo, distribuindo beijos molhados em seu pescoço, sugando minimamente a pele– E desejo-te. Estás sentindo? – pergunto, pressionando seu quadril sobre o meu, o gemido rouco fazendo-me arder.
—S-sim... eu ...sinto o mesmo por ti!!– ofega, sua respiração tornando-se mais densa na medida em que movo-me sob ela, pressionando meu membro ereto, por sob o coberto, contra sua bunda – Thomas....Tommy... eu....- balbucia de forma trôpega, colando-se mais a mim, deitando a cabeça em meu ombro, olhando-me de lado, seus lábios entreabertos em um convite tentador o qual não me faço de rogado em aceitar.
Beijo-a com ardor, pressionando meus lábios contra os seus com força, fazendo com que abrisse a boca. Me deixo guiar pelo desejo e acabo fazendo o que havia prometido a mim mesmo não fazer: apressar as coisas.
Sinto-a retesar-se e congelar quando introduzo minha língua no interior de sua boca, a mão indo a meu peito de imediato, exercendo leve pressão contrária, afastando-me.
—Perdão....Perdoe-me Cait. Eu não.... perdão – balbucio, afrouxando o abraço de forma a permiti-lhe sair de meu colo, caso desejasse, mas não o faz, para meu deleite. Apenas senta-se em minha perna esquerda de forma a poder olhar-me, um braço envolvendo-me o pescoço, nossos rostos muito próximos– Não quis faltar-te com o respeito ....
—Gostas de beijar assim? É bom? – me corta, o brilho de curiosidade em seus olhos destacando-se na semiescuridão de nosso quarto – Senti tua língua passeando em meus lábios outro dia...
—E gostou? – a interrompo, ansioso.
—Uhum. Sim. Bastante – admite e mesmo não podendo enxergá-la bem, sei que está vermelha.
—Fiz para sondar se gostarias. É uma forma mais intensa de beijar. Se queres, posso ensinar-te – sugiro, cuidadoso.
—Quero – responde e sorrio. Sua curiosidade era algo extremamente excitante. E a disposição para aprender também – Que faço? Como .... o que eu...? – enrola-se, mordendo o indicador e novamente sorrio.
—Primeiro, acalma-te. Não há erros ou acertos nisto. Apenas permita-te sentir e segue teus instintos – respondo.
—Mas.... E se não conseguir fazer como te agrada? – preocupa-se.
—Cait, apenas em querer aprender já estas me agradando – garanto, roubando-lhe um beijo rápido – Mas se queres que te oriente, o farei – digo, colocando parte de seu cabelo preso atrás da orelha, acariciando lhe a lateral do rosto.
—Quero, pois, desejo agradar meu marido – responde, sorrindo doce.
—Já estas me agradando, asseguro-te – reforço, olhando-a intensamente – Ouça, quero que te sintas bem em recusar caso este tipo de beijo não te agrade. Podes ser honesta comigo. Lembra que prometemos isto um ao outro – lembro-a.
—Lembro-me e direi caso não goste – tranquiliza-me – Então, que devo fazer? – pergunta, deixando uma mão pender na lateral do corpo enquanto a outra permanece descansando displicentemente sobre meus ombros.
—Bem... – começo, refletindo em como explicar em palavras o tipo de beijo que gostaria – Quando pressionar meus lábios, entreabra os teus e permita minha língua entrar em sua boca e....- me calo ao notar que não me fazia entender com precisão – Melhor demonstrar. Não estou sabendo como te explicar o que fazer e posso mais te assustar do que tranquilizar – assumo, vendo-a rir docemente – Apenas deixe-se levar pelas sensações. Caso não goste, toque meu ombro e cesso o contato – peço.
—Uhum – concorda, tensa.
—Apenas relaxe meu amor – oriento, acariciando suas costas com lentidão, beijando-lhe primeiramente o queixo, mordiscando de leve, deslizando meus lábios por sua bochecha, sem pressa.
Beijo todo seu rosto enquanto acaricio ombros (parcialmente expostos por conta de a camisa, bem maior que ela, ceder um pouco), colo, pescoço, braços e costas. Faço-a relaxar o mais que consigo para somente então me apossar de seus lábios com suavidade e delicadeza.
Lenta e cuidadosamente, respeitando seu tempo, aumento a pressão do beijo, fazendo com que entreabrisse os lábios, me dando acesso ao interior de sua boca. Mantendo a mesma calma, deslizo minha língua por seus lábios, introduzindo-a aos poucos, sentindo-a dar pequenos sobressaltos a cada novo movimento mais íntimo. Aperto-a junto a meu corpo transmitindo-lhe confiança. Introduzo a língua mais um pouco, buscando a sua, tocando-a com suavidade. Prossigo no mesmo ritmo, me aprofundando em sua boca doce e úmida gradativamente, fazendo-a tremer de desejo.
Sorrio, satisfeito, ante seus suspiros de prazer quando aprofundo mais um pouco o contato em uma clara aprovação. Inclino-me lateralmente fazendo-a deitar-se sobe o colchão, cobrindo-a com meu corpo sem jamais interromper o contato, deslizando mais para o centro da cama, levando-a comigo.
Puxo o cobertor de forma deixar de ser um empecilho entre nós, ficando completamente nu sobre ela. Me encaixo entre suas pernas com a mesma e controlada calma que vinha mantendo. Levo as mãos a lateral de seu corpo, segurando minha camisa, erguendo-a lentamente, separando nossos lábios apenas o tempo de retirá-la por sobre sua cabeça, deixando-nos, agora, a ambos nus. Nos amamos durante um tempo impreciso, relaxando ao final, exaustos e satisfeitos, nos braços um do outro (ela sobre meu corpo) até nossos corações e respiração baterem em ritmo normal outra vez.
Em um silêncio repleto de cumplicidade, levantamo-nos algum tempo depois, quando os primeiros raios de sol venciam a barreira da cortina na janela. Encho a banheira e banhamo-nos mais uma vez juntos.
Ainda juntos, após nos vestirmos, arrumamos nosso quarto (mesmo ela protestando faço questão de ajudar), deixando tudo em ordem antes de deixarmos o aposento fazendo o mínimo de barulho possível posto a casa estar completamente silenciosa, indicando não haver ninguém acordado além de nós. Ao menos no andar superior.
Descemos as escadas constatando que a boa senhora Stone já se encontrava na lida assim como o senhor Miller. Cait então ajuda-a preparar o desjejum enquanto ajudo Miller a verificar as armadilhas que ele, eu e meu pai montáramos a fim de evitar visitantes indesejados, descobrindo que nenhuma fora disparara.
Estamos terminando a verificação quando meu pai se junta a nós, admirando-se por haver acordado tão cedo em plena manhã de domingo.
—Cait e eu acordamos e resolvemos ajudar – resumo, não especificando a quanto tempo isto se dera nem o que fizéramos enquanto não descíamos ao encontro dos serviçais.
—Entendo – diz meu pai, olhando a volta enquanto massageia o rosto, ainda amassado– Nenhuma visita inoportuna, pelo que vejo? – inquere.
—Não meu senhor – Miller responde – Nenhuma armadilha foi desarmada e nada foi roubado – relata, orgulhoso posto ter sido ele a sugerir o fazermos.
—Muito bom. Tomaremos as mesmas providências para está e as demais noites até que Quentin consiga solucionar este mistério. Devemos manter-nos em alerta – pondera – Agora vamos tomar nosso desjejum. Sua mãe já está pronta para a celebração dominical. Iremos acertar os detalhes para o batismo de suas irmãs, se ela finalmente decidir-se pelos nomes! – exclama, suspirando e rio, acompanhando-o.
Mamãe simplesmente não conseguia decidir-se quais nomes poria em minhas irmãs. Ora optava por usar as mesmas iniciais, ora por diferentes, porém próximas, ora queria nomes compostos, logo mais descartava tal opção. E de nada adiantava sugerirmos. Não aprovou nenhuma dada por mim ou papai. Cait e a senhora Stone ainda tiveram suas sugestões apreciadas e postas como opção. Papai e Monsenhor já estavam a se condoer em cólicas tamanha ansiedade, um por não poder tratar as próprias filhas com outro nome que não bebês, outro por desejar batizá-las, tornando-as cristãs.
—Outra coisa, filho, quero ter com teu sogro ainda hoje– papai avisa, de repente, enquanto caminhamos e sinto-me gelar – Ontem conversamos, sua mãe e eu, e julgamos por bem o fazê-lo o mais rápido possível. Não temo a verdade aparecer posto confiar nas poucas pessoas, além de nós, a conhecê-las, mas não me agrada a idéia de deixar entregue a sorte ele saber como deu-se o casamento da filha. Fatalidades são algo que parecem me perseguir algumas vezes – relembra, amargo e concordo em meu íntimo– Quero que te prepares. Ainda não sei se o convidarei a vir aqui ou se marcamos em outro local. Verei o melhor ao término da celebração e comunico-te – avisa e suspiro.
—Sim, senhor meu pai – concordo, limpando os pés no tapete ao deixarmos o pátio externo para adentrarmos a cozinha – É meu desejo esclarecer as coisas com meu sogro também – acresço, adentrando imediatamente após ele, enrugando o cenho ao escutar os risos e palmas de Cait, da senhora Stone, Davi e as servas.
—Parece-me estarmos perdendo algo, filho – meu pai diz e sorrio.
—Parece-me que sim meu pai – anuo, postando-me ao lado de minha esposa – Que se passa? Por que os risos? – quero saber.
—Porque escolhi os nomes de suas irmãs – mamãe explica.
—Outra vez? – deixo escapar, desculpando-me logo em seguida – Perdão minha mãe – peço, sem graça.
—Tudo bem, meu querido. Reconheço haver mudado muito de idéia desde que nasceram, mas não sentir-me-ia segura ou confortável com os nomes que escolhera anteriormente. E julgava ser apenas um bebê não dois! – justifica-se.
—O que faz toda a diferença – papai acresce, beijando sua face com carinho e sorrio novamente, vendo, pelo canto do olho, Cait fazer o mesmo, encantada – Então, como devo chamar minhas meninas? – quer saber, ansioso.
—Katherine e Michaella – revela – Gostaram? – pergunta, olhando de meu pai para mim, ansiosa.
—Katherine e Michaella Merlin – papai repete, acrescendo seu sobrenome – Com TH, suponho – indaga, mamãe confirmando com um menear de cabeça– Adoráveis! – exclama, dando mais um beijo em sua face, caminhando direto aos carrinhos onde elas estavam deitadas, olhando-as longamente – Está é Michaella – diz, pegando uma das nenés nos braços, erguendo-a durante alguns segundos, pondo-as de volta ao carrinho, repetindo o gesto com a outra – E você, é minha pequena Katherine – comemora, a pequenina parecendo sorrir para ele.
—Quais as chances de ele haver acertado quem é quem? – Cait cochicha após fazer-me inclinar em sua direção.
—Poucas, acredito eu – assumo, olhando meus pais – Mas mamãe não o corrigirá, caso tenha-se enganado, e dará um jeito para que não as confunda doravante – asseguro, emocionando-me ante o evidente carinho que um demonstra pelo outro.
Meus pais haviam tido momentos difíceis. Muito difíceis. E não apenas depois de chegarmos a Starling. Ainda na Inglaterra enfrentaram uma crise que quase destruiu o casamento deles. Mas mamãe foi paciente e sábia. Soube ouvir, acalmar e perdoar. Não tenho dúvidas de ter sido isto a os manter juntos até hoje. Além, é claro, do amor. Instintivamente, volto meu olhar a minha esposa.
Seremos assim, você e eu? Iremos envelhecer lado a lado, nos amando a cada novo dia? Será capaz de perdoar-me caso cometa algum deslize, como meu pai fez no passado? Irá superar ou mandar-me-á sair de sua vida para sempre? Se o fizer, confesso não estar certo se sobreviverei longe de ti!.... Penso, retendo o ar quando olha-me daquele jeito terno e apaixonado que me aquece não apenas o coração, mas a alma, segurando minha mão como se estivesse a lê meus pensamentos.... Talvez esteja mesmo. Talvez possa ver em meus olhos o quanto a amo da mesma forma que vejo seu amor por mim nos seus.
—Agora que já lhes comuniquei minha decisão, tomemos nosso dejejum. Não desejo atrasar-me para a celebração – ouço mamãe dizer, tirando-me do devaneio – Após o término iremos ter com Monsenhor meu marido. Quero marcar a data do batizado de nossas meninas o quanto antes– avisa.
—Certamente meu amor – papai concorda, pondo minha irmãzinha de volta ao carrinho, sentando-se a mesa, senha para todos fazermos o mesmo.
Tomamos a refeição conversando alegremente a respeito de como mamãe finalmente escolhera os nomes. Ao terminarmos, as damas utilizam-se do lavabo para fazerem sua higiene bucal enquanto meu pai e eu utilizamos a pia instalada na área de serviço, aguardando-as pacientemente na sala.
Saímos a caminhar, Cait tendo seu braço enlaçado ao meu, mamãe ao de meu pai, Adissa e Annabelle conduzindo cada uma um carrinho com as bebês dentro enquanto meu primo, Davi, seguia, obedientemente, alguns passos a nossa frente. Ao passarmos em meio a praça central, instintivamente dirijo meu olhar a varanda dos Snow, notando movimento na última janela do terraço. Estava claro que alguém nos observava. Olivia talvez. Ou minha diletíssima sogra, quem sabe, arrependida da maneira como tratara minha doce Cait.
—Pouco provável – murmuro baixinho, voltando meu olhar para minha esposa, sorrindo-lhe.
Mais adiante, ganhamos a companhia de Eddie e Raymond, que conversavam a porta da delegacia, vindo a nosso encontro ao nos verem, cumprimentando as mulheres com acenos. Igualmente os Queen, a nos verem aproximar, aguardam-nos para seguirmos juntos. Espanto-me, admito, ao ver a forma educada e até carinhosa com que Moira Queen e mamãe se tratavam mesmo havendo um passado conturbado entre elas. Meu pai e Roberto Queen igualmente tratam-se amistosamente, no que agradeço posto ter possibilitado a Oliver e eu nos tornarmos amigos. Na verdade, o considerava o irmão que não tive e ele o mesmo em relação a mim. Fiquei deveras feliz quando confidenciou-me estar apaixonado pela filha de mama Smoak mesmo ciente das implicações que isto lhe traria. Sei que não estava sendo fácil enfrentar o preconceito da sociedade, a começar por sua própria mãe. Ainda assim, exibia sua esposa com orgulho, especialmente agora que esperava seu primeiro filho. Tinha muito orgulho de meu amigo.
Na entrada da igreja, somos todos recebidos por Monsenhor Robinson, que exulta ao saber que finalmente poderá batizar minhas irmãs. Os Lance e os Allen chegam seguidos dos West, cumprimentando-nos. Em pouco tempo, quase toda a cidade encontrava-se reunida, sentada nos bancos aguardando nosso pastor começar seu tradicional sermão após as leituras terem sido proclamadas.
Duas coisas haviam-me chamado atenção logo de início: as ausências de minha sogra e de meu algoz, Adrian Chase. A primeira descubro, durante o sermão, que fora a casa da filha mais velha cujo marido encontrava-se acamado, Monsenhor conclamando a todos rezar por seu restabelecimento apesar de o quadro ser grave. Ao que tudo indicava, em breve minha dileta cunhada tornar-se-á viúva em breve. E a julgar por sua atitude, das bem alegres. Imagino o quanto isto alegraria minha sogra posto que o velhote não possuía herdeiros (bem, até tinha filhos do primeiro casamento, mas como estes viviam em Londres e haviam rompido relações com o pai quando este viera para o novo continente, a viúva seria sua única herdeira. E o filho que esperava, óbvio).
Já meu algoz e inimigo ferrenho de meus pais (sabe-se Deus por qual motivo) não se sabia qual a razão de sua ausência, muito embora não seja anormal não estar presente em momentos onde a comunidade se reúne, como estes, dominicais. Admito preferir assim. Sempre que está por perto sinto seu olhar agourento e invejoso sobre minha família e amigos. É ainda mais incômodo que Slade Wilson, que aliás, comportava-se de forma completamente diversa ante a filha. Parecia outra pessoa. Chase era estranho. Parecia estar com raiva do mundo todo o tempo.
—Para finalizar, com imensa alegria anuncio que na próxima celebração iremos batizar nossas mais novas ovelhas, Katherine e Michaella Merlin, filhas de Malcolm e Rebecca – a voz de Monsenhor tira-me do devaneio fazendo-me atentar-me a meus pais, pondo-me de pé juntamente com Cait quando estes o fazem, papai segurando minhas irmãs, uma em cada braço, sob o olhar aflito de mamãe e atento de Adissa e Annette, orgulhoso, voltando-se para que todos pudessem vê-las, o que atrai todos os olhares para nós.
Mesmo sabendo tratar-se de uma tradição apresentar as crianças que seriam batizadas diante da comunidade, não pude evitar sentir-me incomodado com a atenção. E minha esposa igualmente. Estávamos cientes de que parte daqueles olhares dirigiam-se a nós. Nem todos afáveis. Agradeço quando finalmente termina, Monsenhor proferindo sua benção final, nos liberando para irmos embora.
À saída, reunimo-nos a Oliver, Felicity, Sara e Laurel, uma Thea estranhamente quieta, além de nossos demais amigos, incluindo Stephen Crumble e Harper.
—Sentimos vossa ausência Harper. Por onde anda? – Ollie questiona, ajudando a esposa abrir a sombrinha florida, protegendo-a do sol que começava esquentar, trazendo calor e mormaço.
—Estive a viajar senhor Oliver. Com a iminente construção do porto, estamos assoberbados, graças a Deus! – comemora e rio discretamente – O patrão mandou-me pesquisar material de boa qualidade a um preço acessível além de mão de obra especializada posto que erguer um porto em nada assemelha-se erguer uma casa, por maior que seja – explica, orgulhoso.
Meu pai depositava nele grande confiança. Em outros tempos, sentir-me-ia incomodado, mas hoje, sinto-me feliz por haver encontrado alguém em quem confia plenamente.
—De fato. O porto nos dará fama e crescimento caso seja bem executado. Muitos outros contratos virão depois, estou certo – digo, confiante.
—O que somente aumenta minha responsabilidade – Eddie declara e todos o olhamos, intrigados – Adrian Chase já não esconde a rixa que tem de vosso pai Tommy. Logo, que poderia ser mais atrativo a ele senão fazer com que as obras do porto não dêem certo, mesmo que isto venha a prejudicar a cidade inteira? – inquere.
—Que tipo de atitude poderia tomar para tal coisa acontecer? – Crumble questiona, preocupado, certamente, por conta de o pai ser um dos que está investindo na empreitada idealizada pelo prefeito Darhk.
—Pagar para atearem fogo a construção, por exemplo – Ollie responde, fazendo nosso novo amigo abrir a boca, espantado.
—Ele seria capaz de tal gesto grotesco? – inquere, olhando-nos alternadamente.
—Já foi. Só não temos como provar – é Harper quem responde, olhando em volta – Nada tira-me de a cabeça ter sido ele o responsável pelo incêndio que destruiu a antiga sede da companhia – afirma, sério.
—Faço minhas as palavras de Harper – corroboro – E mais: também foi ele a orquestrar o empréstimo pessoal a qual meu pai viu-se obrigado recorrer para poder reerguer-se. Agora não tenho mais dúvidas sobre isto – digo, escutando Cait suspirar.
—E meu pai o ajudou, infelizmente – diz, triste.
—Perdoe-me intrometer-me senhora Caitlin, mas discordo – Adissa diz, corando quando nos voltamos para ela, que havia ficado ao lado de minha esposa cuidando das gêmeas enquanto meus pais conversavam com Monsenhor e Annabelle olhava Davi, que brincava com outras crianças na lateral da igreja.
—Por que pensa assim senhorita? – Ray inquere, curioso.
—Pois é já que, ao que sabemos, foi o próprio senhor Snow a sugerir o pai de Tommy realizar tal empréstimo que, se num primeiro momento o ajudou sair do aperto, em um segundo lhe custou muito caro – Sara relembra, voltando-se para minha esposa — Perdão, Cait – pede, sorrindo-lhe fraco.
—Não por isto. Meu pai deu sua contribuição para a situação atual de meu marido, bem sei – lamenta-se minha esposa e aperto levemente a mão que apoiava em meu braço, solidário. Sabia o quanto este fato lhe era doloroso – Por que discorda, Adissa? – reinquire.
—Quando sugeriu um empréstimo a terceiros, vosso pai não teve intenção prejudicar o senhor Merlin, senhora – afirma, tranquila – Ele foi induzido acreditar ser, de fato, a melhor solução posto que vosso sogro havia excedido o limite de crédito do qual dispunha no banco e ainda restava muito a pagar – conta e enrugo o cenho – Sei disto porque servia a mesa quando da reunião e pude ouvir parte da conversa – elucida, baixando o olhar, envergonhada.
—Não deve envergonhar-se senhorita. Não é surda. Ser-lhe-ia humanamente impossível nada escutar enquanto servia – digo, Ollie e os demais concordando.
—Que mais pode ouvir senhorita? – Crumble pergunta, mantendo a seriedade que o assunto pedia, porém, o brilho em seu olhar o denunciava. Estava cada vez mais encantado com ela.
—Que foi a senhora Snow a sugerir ao patrão ser ele próprio a emprestar parte do valor que o senhor Merlin precisava para quitar suas dívidas e reconstruir a empresa e que o senhor Chase deveria complementar o que faltasse – revela, acrescentando – Também a senhora sugeriu não ser revelada a identidade do segundo credor ao senhor Merlin antes de ele haver aceito o dinheiro, posto saber da rixa entre eles. Somente por ter negociado diretamente com meu patrão o senhor Malcolm assinou o acordo com o senhor Chase e novamente afirmo, senhora e senhor Thomas, que não houve qualquer intenção desonesta por parte deste – reforça, dando atenção uma de minhas irmãs que começava chorar.
—Estas a dizer que minha mãe orquestrou uma armadilha para meu sogro? – Cait interroga, alarmada, a aproximação de meu pai adiando sua resposta.
—Bons dias a todos – cumprimenta, fazendo pequenas reverências a meus amigos – Filho, vamos indo. Teremos visitas para o almoço e sua mãe deseja caprichar na refeição – avisa, adiantando-se em segurar os carrinhos, deixando Adissa livre – Busque Davi e a senhorita Tudor, sim, senhorita Adissa – pede, movendo os carrinhos com agilidade – Até mais ver meus caros – despede-se, caminhando ao encontro de mamãe enquanto a ex aia de Cait vai em busca de Annabelle e Davi.
—Teremos de adiar nossa conversa. Nos falamos em outro momento. Até mais ver – despeço-me de nossos amigos e irmã, beijando a face da mesma – Algo errado? – inquiro baixinho, olhando-a preocupado.
—Nada sério, não se preocupe – garante, sorrindo-me, retribuindo o carinho.
—Ok – anuo, apertando levemente sua mão antes de ergue o olhar a Ollie, este inclinando a cabeça discretamente em sinal ter entendido meu pedido silencioso. Não era normal Thea estar tão quieta e calada como estava, logo algo deveria estar preocupando-a – Bons dias – despeço-me.
—Bons dias – um coro responde.
Guio Cait ao encontro de meus pais, que nos aguardavam alguns metros adiante, Davi, Adissa e Annabelle junto a eles. Unimo-nos e todos seguimos para casa.
Lá chegando, subimos, Cait e eu, para nosso quarto sob o pretexto de nos aprontarmos para recebermos as visitas. Após adentrarmos o cômodo, fecho a porta.
—Thomas, acha possível minha mãe estar mancomunada com o senhor Chase? – Cait adianta-se, visivelmente aflita.
—Não saberei responder-lhe meu amor, mas isto não deve preocupar-nos por hora – digo, segurando sua mão, fazendo com que se sentasse em nossa cama – Cait, papai avisou-me que pretendia ter com vosso pai após a celebração a fim de convidá-lo conversar sobre os acontecimentos anteriores a nosso casamento. Creio tratar-se dele a vir tomar a refeição conosco logo mais – despejo de uma vez, vendo-a reter o ar – É bom estarmos preparados. Nós dois – admoesto.
—Decerto que sim meu marido – anui, tensa.
—Hei, estarei a teu lado todo o tempo. Nada tens a temer – tranquilizo-a, beijando-lhe a mão que segurava, seu riso fraco fazendo-me sentir vontade de protegê-la – Agora escolha um de seus vestidos novos e ponha-se linda para que vosso pai veja nossa felicidade – peço, beijando-a novamente – Irei pôr água fresca para que se banhe tranquila enquanto certifico-me se não estou enganado – aviso, erguendo-me, ela fazendo mesmo – Não se preocupe meu amor, tudo ficará bem – reitero.
—Acredito nisso meu amor – diz, me dando um de seus sorrisos doces que tanto me encantam.
Separamo-nos, ela indo escolher suas vestes, eu indo limpar e encher a banheira, descendo após o fazê-lo, indo ter com meu pai, descobrindo estar correto em minhas suspeitas: meu sogro e minha cunhada estariam em casa para o almoço.
Escondo minha ansiedade sob uma máscara de calma que estava longe de sentir, o temor ante a reação que meu sogro teria preocupando-me deveras. Encho um balde de água para banhar-me, subindo os degraus da escada devagar, refletindo em como, a partir daquela conversa, nossa vida mudaria.
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Narrador (12:22 p.m)
—Sejam bem-vindos a minha humilde residência – Malcolm Merlin declara, recepcionando Dominic e Olivia Snow a porta – Entrem por favor – convida, a jovem adentrando a frente do pai, indo ao encontro da irmã, sorridente enquanto o pai estende a mão em direção a Thomas.
—Como vai meu rapaz? – pergunta, encarando o genro, sério.
—Muito bem meu sogro – responde Thomas, mal disfarçando a ansiedade.
—Bom – Dom murmura, encarando-o um segundo antes de voltar-se primeiro para a esposa do anfitrião – Senhora Rebecca, folgo em vê-la bem. Aproveito para dar-lhe os parabéns por vossas filhas – completa.
—Agradecida, senhor Snow – Rebecca agradece, inclinando minimamente a cabeça.
Por fim, volta-se para a filha.
—Cait, minha pequena... – começa dizer, emocionado, trazendo-a para um abraço terno – Quanta saudade meu anjo! – murmura, fazendo brotarem lágrimas nos olhos de ambos quando se afastam minimamente – Vejo que o casamento te fez bem. Está ainda mais linda – elogia, dirigindo seu olhar a Thomas – Fico feliz em ver que, apesar do início tumultuado, está cumprindo sua palavra meu rapaz – relembra, enrugando o cenho ao ver o jovem baixar a vista – Disse algo de errado? – inquere, arqueando a sobrancelha.
—Nada meu caro – Malcolm adianta-se responder – Beca, mande que sirva-nos uma bebida na saleta – ordena, voltando-se para seu convidado – Dom, peço-lhe que nos acompanhe. Meu filho e eu temos um assunto a tratar convosco – convida.
—Decerto que sim – anui o bancário, seguindo a direção indicada.
—Thomas... -Caitlin chama, nervosa, recebendo o olhar carinhoso seguido de um beijo do marido, este seguindo ao pai e o sogro.
—O que há minha irmã? – Olivia pergunta, fazendo a jovem voltar-se em sua direção – Cait...
—Por que não leva vossa irmã até seu quarto onde podem conversar mais a vontade, minha nora? Quando os homens terminarem de falar, mando que as chamem para a refeição – adianta-se sugerir Rebecca, sorrindo gentil.
—Obrigada minha sogra – Caitlin agradece, tomando a irmã pela mão, conduzindo-a ao quarto do casal.
—Judith, providencie bebidas e petiscos para meu marido – ordena, acompanhando a nora com o olhar – Ordene a Annabelle e Adissa, tomarem a refeição com Davi antecipadamente – completa, indo sentar-se junto as filhas.
—Pois não senhora. Deseja que lhe traga algo? – pergunta a governanta.
—Um suco apenas – pede, tomando seu bastidor, recomeçando o bordado que interromper, a governanta apressando-se obedecê-la.
Enquanto isto, na saleta, Malcolm aguarda Dominic acomodar-se para fazer o mesmo, Thomas permanecendo de pé, alguns passos as costas do pai, preparando-se mentalmente para o que viria a seguir.
—Bom, como já havia me dito, meu convite para que viesse em minha casa hoje tem um propósito – começa o empresário, entrelaçando os dedos.
—E suponho envolva nossos filhos – Dom acresce, olhando dele para Thomas e de novo para Malcolm – Algo de errado? – quer saber.
—Sim, mas não agora – apressasse dizer ao notar a inquietação do bancário – Veja bem Dom, nossos filhos, ambos, tomaram certas atitudes antes de casarem-se – lembra, erguendo a mão ao ver o homem tencionar intervir – Peço-lhe, em nome da amizade que um dia tivemos, que escute-me e a Thomas até o final – pede, Dominic anuindo com um aceno de cabeça – Pois bem... – o empresário respira fundo, aguardando Annabelle deixar a bandeja com bebida e petiscos para começar narrar, pausadamente, dando tempo ao sogro do filho assimilar cada informação dada.
Por fim, Thomas conta ao sogro as razões, além da bebida e temor de perder a amada, que o levaram a invadir a casa durante o jantar, expondo, forçadamente, Caitlin e a si mesmo ante todos.
—Recentemente, Cait contou-me estar sendo chantageada pela mãe para repudiar-me em público sob pena de convencer o senhor a exigir lavar sua honra tomada com sangue caso não a obedecesse – informa o rapaz, atento as feições do sogro – Sei que talvez meu sogro não aceite como justificativa por minhas atitudes tão somente o amor que nutro por vossa filha, mas é a única que tenho a dar-lhe – afirma o moreno, ficando imediatamente tenso ao ver o homem levantar-se, andando de um lado para o outro diante deles, dirigindo um olhar preocupado ao pai.
—Como disse-lhe a pouco, Dom, não compactuei em momento algum com as atitudes de Thomas e por mais que me doa, aceitarei se porventura queira aplicar-lhe alguma punição – declara o empresário – No entanto, vejo-me também no direito de lembrar-lhe que minha nora, vossa filha, sofrerá tanto quanto minha esposa e eu posto ter deixado claro para nós não arrepender-se em ter sustentado a mentira dita por meu filho mesmo após este tê-la confessado – frisa, fazendo com que o bancário estancasse, voltando-se para eles.
—Como? – pergunta, parecendo momentaneamente confuso – Punição? – inquere, enrugando o cenho – Por que puniria o homem que minha filha escolheu amar e pelo qual foi capaz de arriscar-se tanto quanto ele o foi por ela? – questiona-os, anuviando as feições ao encarar Thomas – E saiba meu rapaz, que em momento algum acreditei piamente no que dizia – revela, deixando ambos, pai e filho, boquiabertos.
—Mas então... eu pensei ... na delegacia me interpelou e pareceu dar-me crédito – contesta Thomas, Malcolm soprando baixinho.
—De fato, naquele momento cheguei mesmo a crer estar falando a verdade – Dom assume, sorrindo triste – Mas já no caminho para casa comecei me questionar acerca disto e se não retomei o assunto deveu-se a situação complicada na qual me vi envolvido em minha própria casa – prossegue, tomando forte respiração – Aquele dia, quando adentrei minha residência, deparei-me com minha esposa ensandecida, quebrando, rasgando e atirando ao lixo os pertences de nossa filha. Somente após controlá-la pus-me a par do que fizera. Discutimos feio. Carla ameaçou não apenas abandonar-me, mas expor algumas situações nossas a cidade, coisas que prejudicariam não apenas a mim, mas a nossas filhas – revela, sentando-se, passando a mão pelo cabelo – Quis poupar Cait a mais um escândalo logo cedi – conta, passando a mão sobre os cabelos outra vez – Passei aquela noite refletindo em tudo que ouvira e vira e um detalhe acabou por chamar-me atenção: as vestes de Caitlin. Minha filha explicou-nos, quando ainda estava sob os cuidados de Halloway, o porquê de suas vestes estarem em estado deplorável, que fora preciso cortá-las a fim de facilitar-lhe os movimentos e a havia ajudado, meu rapaz. Logo, fazia todo sentido que tivesse visto a pinta de nascença acima do joelho direito – conta, deixando Malcolm surpreso – Quanto a ter visto o sinal mais intimo, suponho que os trajes menores quando molhados o revelaram posto que, por sua localização, o decote do vestido não o permitia fazê-lo – conclui, rindo minimamente ante o espanto do rapaz – Mas antes que sigamos adiante, poderia pedir a Caitlin que venha? Desejo que participe do restante da conversa – pede.
—Irei chamá-la – Thomas prontifica-se, retirando-se em busca da esposa, deixando Malcolm e Dominique a sós.
—Dom, de antemão agradeço-lhe a compreensão demonstrada ante as atitudes de meu filho. Presumo não ser fácil saber que um filho lhe mentiu. Eu mesmo ainda estou a digerir tudo que Thomas revelou-nos – declara o empresário, recebendo um sorriso triste do outro.
—Já que estamos apenas nós dois aqui por hora, poderia fazer-lhe uma pergunta? – Snow pergunta, Malcolm acenando afirmativamente – Que aconteceu no passado entre você e Carla? Minha esposa odeia-o quase tanto Chase demonstra sentir – questiona-o.
—Sendo-lhe sincero, não faço idéia – admite o empresário – Não recordo-me tê-la conhecido em momento algum antes de apresentar-me como sua noiva – relembra – Se acaso a conheci anteriormente a isto e se porventura a prejudiquei de alguma forma, honestamente não lembro – diz, sincero – Chase até entendo seu ódio – afirma, Snow enrugando o cenho ao encara-lo – O que posso adiantar-lhe é que tem a ver com uma rixa antiga. Por hora é isto que tenho a dizer-lhe – diz, indicando a porta da saleta com um gesto de cabeça, fazendo Dominique voltar-se para ver Thomas, Caitlin e Olivia descendo as escadas – Outro dia explico-lhe tudo – promete o empresário, aguardando-os chegar.
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“...Especially for you;
I wanna tell you, you mean the world to me;
How I’m certain that our love was meant to be;
You changed my lfe;
You showed me the way;
And now that i’m next to you...”
Caitlin
—Então nada havia acontecido, de fato, entre Thomas e você enquanto estavam longe? – Liv pergunta a encarar-me abismada.
—Nada – confirmo, sorrindo fraco.
—Mas então por que nossa mãe julgava ter acontecido? Como pode enganar-se tanto? – interroga, empertigando-se.
—Minhas vestes estavam manchadas e ela supôs ter-me entregado a Thomas, mas na verdade eram minhas regras que haviam descido – conto, suspirando – Uma série de coincidências fez-me crer nisto também e por isto corroborei as palavras de Thomas aquela noite – revelo, vendo-a abrir a boca, surpresa – Somente quando ele foi-me buscar em casa de madame Smoak contou-me a verdade. Àquela altura já o amava e pensar em perdê-lo doía-me o coração – confesso, suspirando – Papai decerto o mataria caso soubesse a verdade e se não o fizesse, mamãe o convenceria mandá-lo para a prisão pelo resto de seus dias e isto não suportaria Liv!
—Imagino – minha irmã responde, olhando-me solidária – E agora que finalmente são marido e mulher de fato, seus sogros descobrem a verdade e resolvem contar a nosso pai. Ah, minha irmã, queira Deus que isto não estrague sua felicidade – lamenta e rio triste.
—Rezo para que papai compreenda o que fizemos e não queira punir meu marido – desejo, Liv apertando levemente minhas mãos em sinal de apoio, mas antes que pudesse dizer algo, ouvimos uma leve batida na porta, que se abre, meu marido adentrando.
De imediato ponho-me de pé, ansiosa, Liv fazendo o mesmo.
—Então? Terminaram? – inquiro, tensa.
—Diria que melhor do que esperava, mas ainda não posso garantir que nada fará – conta e sinto meu estômago revirar – Pediu que viesse buscá-la. Deseja que participe do final da conversa – avisa, estendendo-me a mão, que prontamente aceito – Estou a teu lado – tranquiliza-me, beijando minha mão carinhosamente e sorrio-lhe em resposta, anuindo com um aceno, o nó em minha garganta impedindo-me falar.
Em silêncio, seguimos, meu marido, minha irmã e eu, até a saleta onde meu pai e meu sogro nos aguardavam. Noto, ao nos aproximarmos, que estavam a conversar, porém cessam a nos ver.
Adentro a saleta lado a lado com Thomas, o que me faz sentir segura, Liv imediatamente atrás de nós. Assim que ver-me, papai levanta-se, estendendo-me as mãos.
—Minha menina linda!! – exclama e sinto meu rosto esquentar. Ainda assim, sorrio, aceitando o novo abraço carinhoso que me dá. Confesso ter sentido muita falta disto
—Também senti – murmuro, esforçando-me para não chorar.
Durante um tempo impreciso fico assim, quietinha, abraçada a meu pai, sentindo-me amada e protegida como quando era criança, papai sendo o primeiro a romper o contato, afastando-me gentilmente, olhando dentro de meus olhos.
—Vejo que meu genro a está fazendo feliz. Está radiante – elogia, afagando meu rosto – Isto, por si só, dá-me a resposta que precisava. Ainda assim necessito ouvir. Estou ciente de tudo que aconteceu anteriormente a seu casamento. E agora diga-me: está feliz? – pergunta, olhando em meus olhos.
—Muito – não hesito responder, desviando meu olhar brevemente para meu marido – Amo Thomas e ele a mim e apesar de reconhecer termos errado em mentir-lhes, não me arrependo tê-lo feito. Mamãe jamais permitiria nossa união e decerto o convenceria opor-se também – desabafo, sentindo o peito aliviado.
—Entendo – limita-se dizer, encarando-me por um longo tempo antes de voltar falar – Tenho a resposta que desejava ouvir. Nada farei contra ti, meu genro – afirma, voltando sua atenção a meu marido – Enquanto fizer minha amada filha feliz estaremos entendidos – avisa, estendendo a mão a Thomas, que aceita, sendo surpreendido ao se vê puxado para um abraço.
Ponho-me de lado um segundo, olhando os dois homens que amo em paz. Impossível segurar as lágrimas neste momento.
—Quanto a minha esposa, por hora a manterei alheia a tudo. Será melhor para todos – papai declara, afagando meu rosto delicadamente –Não concordo com vossas atitudes, mas reconheço terem sido obrigados a tais atos – acresce.
—Fico-lhe grato Dom – meu sogro agradece, surpreendendo-me ao tratar papai com intimidade – Agora que nos entendemos, devemos ir tomar a refeição. Rebecca decerto já deve estar em cólicas a nossa espera – sugere.
—Decerto – meu pai concorda – Também devemos regressar antes que minha esposa. Não desejo contendas em casa – acresce.
—Sigamos então – meu sogro anui, sinalizando a mim e Liv irmos a frente.
Conforme dissera, minha sogra estava ansiosa a nossa espera, muito embora procure disfarçar.
—Mandarei servi a refeição. Minha nora, acompanhe vossa irmã ao lavabo para que possam lavar as mãos – ordena, voltando-se para meu sogro – O senhor meu marido, meu filho e nosso convidado podem fazer uso da tina que providenciei – avisa, indicando uma bancada próxima a janela da cozinha onde encontra-se disposta uma bacia de ágata, jarra, sabão e toalhas para os três – Seremos apenas nós, adultos. Davi tomou sua refeição juntamente as aias – comunica, dirigindo-se a governanta – Senhora Stone, avie o almoço, por favor – ordena, ela mesma indo encarregar-se de dispor talheres e copos.
—Deve ser estranho não poder fazer nada em casa, não é? – Liv cochicha enquanto caminhamos – Quero dizer, casastes-vos com o filho dela e moram aqui, mas a dona da casa permanece a mesma – explica-se, sorrindo complacente.
—Sim – limito-me dizer, sorrindo fraco.
De fato, era minha sogra que determinava o cardápio diário, muito embora sempre perguntava-me ser de meu agrado. Também era ela a determinar horários de cada uma bem como quando devíamos nos recolher, estando com sono ou não. Limpeza, organização, escolha de cortinas, qualquer coisa referente a casa ela determinava. Apenas em nosso quarto tinha liberdade fazer o que quisesse, tipo mudar a disposição dos móveis.
Claro que procurava me ensinar e explicar os afazeres diários para quando estivesse em minha própria casa, mas nada além disto. Acho que somente quando recebemos os amigos em meu aniversário pude tomar a frente nos preparativos e mesmo assim sob seu olhar criterioso.
Era-lhe grata, evidente, posto que poderia ter impedido minha vinda mesmo após estar casada com Thomas, afinal, não aprovara nossa suposta atitude. Mas vez por outra me pegava pensando até quando teríamos de viver sob a tutela de meus sogros, entristecendo ao constatar que tal arranjo poderia demorar, já que meu marido, mesmo tendo sido liberado por meu pai, ainda estava sujeito a pena imposta como pagamento da dívida de meu sogro, o que o impedia trabalhar de forma remunerada.
Havia a promessa de que, com meu sogro assumindo a construção do porto da cidade, está situação poderia mudar, mas nada a curto prazo. Também havia meu dote, mas deste sequer ouso falar com Thomas. Sei que iria sentir-se ofendido caso o fizesse. Provavelmente. E não poderia fazê-lo sem causar uma contenda entre meus pais posto que mamãe jamais permitiria tal fato. Era meu direito, mas não podia usufruir neste momento e talvez jamais viesse a poder.
—Algo errado amor? – a pergunta feita em meu ouvido de forma discreta tira-me do devaneio.
—Não. Nada – respondo, sorrindo-lhe.
—Estas certa disto? Me pareces um tanto quanto triste – Thomas observa, segurando-me a mão por sob a mesa de maneira carinhosa.
—Estou. Apenas sinto-me um pouco cansada. Deve ser por conta da tensão que a conversa entre nossos pais e ti gerou – sugiro, olhando dentro daquele azul que me encanta.
—Entendo – murmura, pensativo, voltando dar atenção a comida a sua frente.
Faço o mesmo, a conversa fluida entre meus sogros e meu pai fazendo-me pensar em como tudo poderia ser tão mais tranquilo se minha mãe estivesse em sintonia com eles.
Após o término da refeição, nos assentamos na sala onde a senhora Stone serve-nos um café, papai, meu sogro e meu marido, afastando-se minimamente, iniciando uma conversa sobre o futuro da cidade enquanto Liv, eu e minha sogra sentamo-nos junto a Adissa, Annabelle e as crianças. Retomo um bordado que havia parado, mantendo minimamente atenta ao que Liv dizia.
Passada meia hora, papai levanta-se, anunciando ser hora de irem, Liv pondo-se de pé imediatamente, aguardando-o.
Despedimo-nos com a promessa de meu pai em manter minha mãe a margem dos fatos até que considerasse seguro torná-la ciente de tudo.
Depois que se vão, meu sogro decide aproveitar o final de tarde para se debruçar no projeto do porto, levando meu marido e Davi consigo. Permaneço ao lado de minha sogra, bordando, em silencio, até esta levantar-se para amamentar minhas sobrinhas, subindo em companhia de Annabelle, deixando-me sozinha posto que Adissa estava a ajudar na cozinha.
Suspiro, olhando em volta, pensativa. Me pego imaginando o que mudaria na decoração caso fosse minha casa. Como disporia os móveis, que tipo de arranjos florais teria, que cor teriam cortinas e almofadas, se reservaria parte da ampla sala para receber os amigos vez ou outra ou manteria, como era o caso, um ambiente único.
A fim de evitar ficar melancólica, deixo o bordado de lado, decidindo ir ter com Adissa na cozinha. Quando era minha aia, costumávamos ficar em companhia uma da outra, lendo, bordando ou apenas jogando conversa fora. Aqui suas tarefas eram outras.
—Deseja algo senhora Caitlin? – pergunta assim que me vê e nego.
—Não. apenas senti-me sozinha – confesso, apoiando-me a mesa – Estão a fazer pão? – quero saber, observando os ingredientes dispostos sobre a bancada.
—Sim. Fizemos uma fornada e agora iremos preparar outra – a boa senhora Stone confirma.
—Posso ajudá-las? – pergunto, não esperando resposta, adiantando-me a pia onde após erguer as mangas de meu vestido lavo caprichosamente as mãos, indo juntar-me a elas, perscrutando tudo com atenção – Senhora Stone, acaso dispomos de frutas secas? – quero saber.
—Acredito que sim, jovem senhora. Deseja que lhe traga algumas? – pergunta.
—Por favor – peço, escolhendo uma bacia de tamanho médio – Grata – agradeço quando as frutas me são entregues, dispondo os ingredientes na bacia sob os olhares curiosos de Adissa e da senhora Stone – Farei pão de frutas com cobertura doce – explico – Poderia separar uma xícara de açúcar, essência de baunilha e meio copo de água para mim Adissa? – peço, atentando-me as medidas. Sabia-as de cor tamanho número de vezes fizera a receita quando no internato – Ah, e um ovo – lembro.
—Pois não senhora – responde, indo fazer o que lhe pedira.
Nas horas seguinte, envolvo-me no preparo do pão e em ajudar nas demais tarefas, relegando para o fundo da mente os pensamentos tristes de antes. Distraio-me a ponto de não notar a chegada de minha sogra até ouvi-la comentar qual bonito o pão de frutas estava. Sorrio, encabulada, continuando ajudar, retirando-me quando é chegada a hora de preparar o banho de meu marido.
Subo a nosso quarto, lavo a banheira utilizando o restante da água que ficara de nosso banho anterior ao almoço, ponho os baldes no corredor tocando a sineta para avisar ao senhor Miller trazer baldes novos. Separo as roupas que Thomas e eu usaríamos para o jantar bem como as de dormida, sorrindo ao lembrar o pedido que fizera-me na madrugada. Do mesmo modo, deixo nossa cama preparada para logo mais, meu corpo formigando em antecipação ao que viria tão logo estivéssemos a sós.
No exato instante em que termino de prepara tudo, ouço a batida na porta anunciando o senhor Miller.
—Entre – libero, o homem adentrando com dois imensos baldes, pondo-os junto a banheira, indo pegar um terceiro – Obrigada – agradeço, fechando a porta, indo preparar o banho para Thomas, que não tarda surgir, vindo abraçar-me – Teu banho está pronto. Desejas tomá-lo agora? – pergunto, arrepiando-me inteira ao sentir a barba ralha roçar minha nuca, meu centro pulsante deixando-me úmida.
—Desejo se o fizeres comigo – condiciona, a voz grave potencializando as sensações enquanto suas mãos passeiam por minhas curvas, apertando-me em pontos estratégicos. Sinto-me derreter como manteiga ao sol, suspirando de olhos fechados, me entregando as deliciosas sensações por ele despertadas – Cait, não me respondestes. Banha-te comigo? – reitera.
—Uhum – concordo, segurando-lhe as mãos de forma a permitir-me girar em seus braços, ficando de frente para ele – Sim – reforço, pondo-me na ponta dos pés para beijá-lo – Fechastes a porta a chave? – inquiro sem afastar meus lábios dos seus.
—Não – responde, soltando-me, correndo até a mesma, trancando-a. Esta era outra coisa a faltar-nos: privacidade – Um dia teremos nossa própria casa e não mais precisaremos trancar portas – diz, me envolvendo a cintura, puxando-me para junto de seu corpo – Isto pode acontecer bem antes do que esperado – acresce, atiçando-me a curiosidade.
—Como assim? – quero saber, suspirando quando beija meu pescoço, sugando a pele com cuidado.
—Papai disse-me estar a pensar em dividir este terreno e dar-nos parte dele – comunica, olhando em meus olhos – Não será uma casa grande como esta ou como a de vossos pais...
—Mas será nossa!! – completo, enlaçando-lhe o pescoço, sorrindo-lhe – Não me importo com luxo Thomas. Contanto que estejamos juntos, qualquer lugar será um palácio. Mesmo uma caverna pequena e irregular – brinco, fazendo-o rir.
—Concordo – anui, tomando meus lábios em um beijo que tira-me o ar.
Separamo-nos, despindo-nos. Como tem feito desde que começamos banhar-nos juntos, Thomas aguarda-me entrar para somente então fazer o mesmo, ainda de ceroulas, terminando de despir-se sob a água, de costas para mim. Sento-me de forma a encaixá-lo entre minhas pernas, pegando esponja e sabonete, esfregando lhe as costas vigorosamente. A seguir, esfrego seu pescoço e peito, colando meu corpo ao seu, uma onda de prazer invadindo a nós dois ante o contato pele contra pele. Timidamente, desço até seu quadril e coxas, estremecendo ao tocar, de leve, seu membro ereto.
Recolho a mão, instintivamente. Mesmo tendo-me permitido maior intimidade, não o havia tocado ali, nem sei se algum dia teria coragem de o fazer. Ouvira as meninas em casa em mama Smoak comentar ser está uma artimanha para deixar um homem em “ponto de bala” para as possuir. Naquela época não entendi e quando, curiosa, lhes perguntei do que se tratava, Camile apressou-se em dizer que aquilo era serviço delas e não de esposas recatadas. Que decerto jamais um marido pediria tal coisa a esposa, que era algo feito apenas por meretrizes tal qual brincar de “lamber o pirulito”. Evidente que sua pretensão era fazer-me pensar que quando Thomas desejasse tais coisas a procuraria e não a mim e por conta disto jamais deixaria de vê-la.... Isto é mais uma coisa que pretendo saber de mama qualquer dia!... penso, saindo do devaneio no qual entrara ao sentir meu marido tocar minha intimidade delicadamente, e somente então me dou conta de que havia mudado de posição, estando de frente para mim.
Sopro, ofegante, apoiando as costas a banheira no local onde pusera a toalha dobrada, saboreando as sensações que meu marido proporcionava-me. Gemidos sôfregos saem de meus lábios ao sentir os seus sugando meu seio direito, sua mão direita apertando meu mamilo esquerdo, rijo aquela altura, enquanto a esquerda continua a tocar-me lá embaixo com gentileza e habilidade.
—Thomas ...- sopro em um gemido mais alto, mordendo o lábio inferior a fim de conter-me. Não podia esquecer que ainda era cedo e meus sogros estavam despertos – Thomas...por favor...quero ser sua.... agora – balbucio, agarrando-o, cravando as unhas em suas costas.
Em resposta, ele cessa o contato em meus seios, retira a mão que acarinhava meu centro, levando-as a minha bunda, erguendo meu quadril de forma ficar-lhe mais acessível e ao mesmo tempo suas mãos me protegeriam do atrito contra a banheira.
Lentamente sinto-o deslizar para dentro de mim, preenchendo-me, parando um segundo para que me habituasse a sua presença.
‘Senhor Thomas, vosso pai avisa que os aguardam para o jantar ‘ a voz de Annabelle ressoa junto com a batida leve.
—Estamos indo – responde, sua voz soando um tanto quanto esganiçada e rio junto a seu ombro, onde apoiava a cabeça – Divertindo-se minha esposa? – inquere, o tom divertido me fazendo rir mais.
—Decerto que sim, meu marido – sopro, mordendo o lóbulo de sua orelha, o grunhido rouco avisando-me que começaria mover-se.
Retenho o ar ao senti-lo sair para logo em seguida voltar, estocando forte, fazendo meu corpo subir e descer, esborrando água. Repete o gesto duas vezes mais, aumentando o ritmo, o pouco espaço da banheira fazendo com que nossos corpos ficassem ainda mais juntos, tornando-nos um só. Suspiro de gemo de prazer a cada nova investida dele, mordendo seu ombro quando o ápice chega, contendo o grito em minha garganta. Mais algumas investidas e o sinto derramar-se em meu interior, relaxando, a cabeça repousando na curva de meu pescoço.
Permanecemos imóveis, nos aquietando devagar, nossas respirações e pulsações voltando ao normal. Thomas sai de mim deixando um vazio.
Rapidamente terminamos o banho, arrumando-nos com rapidez, porém ainda se faz necessário que aguardemos um pouco até ele estar completamente restabelecido, o volume sob suas calças reduzindo a um nível que nos permitiria tomar a refeição com meus sogros.
—Cait, importa-se em não demorarmos demais após a refeição? – surpreende-me ao perguntar enquanto seguimos pelo corredor.
—Não, mas por quê? – pergunto, olhando-o o mais inocente que consigo.
—A senhora minha esposa sabe bem o porquê – responde, olhando-me de soslaio – E saiba far-te-ei pagar por este risinho sapeca! – avisa, tocando a ponta de meu nariz.
—Não sei a que riso refere-se, senhor meu marido, mas estarei a vossa disposição para acertarmos as contas! – devolvo, seu riso alto fazendo-me rir e vibrar ante a promessa de mais uma noite em seus braços, amando e sendo amada.
“...You were in my heart;
My love never changed;
No more dreaming about tomorrow;
Forget the loneliness and the sorrow;
I’ve got to say;
It’s all because of you;
And now we’re back together, together;
I wanna show you my heart is oh so true;
And all the love I have is;
Especially for you”

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