O preço de uma dívida

9 Um longo caminho de volta para casa (I)


Notas iniciais
Olá flores! conforme prometi em Perfect a pouco, eis mais um capitulo de O preço. Demorei não apenas por corrigir alguns erros mas também por estar assistindo a semi final do Master chef Brasil. Amo programas de culinária, admito, rsrsrsrsrs. Bem, por aqui Tommy e Cait ficando mais e mais próximos. Grata por todas as rewiews passadas e pela paciência ....Aguardo mais rewiews Please...Boa leitura...Bjinhos flores P.S: MARIELLE SUA LINDA, SURTEI QUANDO VI QUE RECOMENDOU A HSTORIA !! AMEI, AMEI, AMEI...A.M.E.I!!! Este capitulo te dedico também por toda ajuda que sempre me dá em minhas fics com opiniões, sugestões e capas maravilhosas. Muito obrigada por sua imensa paciência comigo. Você e a Josi são minhas betas desta e de outras fics!! Grata as duas por aturarem meus surtos! kkkkkkkkkkkkkk

“More and more;

Your kiss feels like a half door;

I can’t get in;

You stop me just before I begin…

This endless urge;

Keeps my body right on the verge;

We touch and then;

I wanna do it all again..”

Hurts To Be In Love

Gino Vanelli

**Alguns quilômetros desfiladeiro adentro (domingo, 25/7- 00:05 a.m) **

Thomas

Abro os olhos piscando repetidamente, confuso. A princípio não atino o motivo pelo qual despertara. Somente quando sinto o rebuliço e a dor aguda em meu estomago compreendo o que se passava: fome. Fora a fome que me fizera despertar. Fome e sede. Sentia minha boca e garganta ressequidas provocando uma sensação incomoda de náusea.

Fecho os olhos quando a dor se faz presente mais uma vez, abrindo-os ao escutar o gemido agoniado ao mesmo tempo em que Caitlin mexe-se inquieta, erguendo-se quase imediatamente, sentando-se de frente para mim, a expressão tão confusa quanto a minha deve estar, umedecendo os lábios com a língua, engolindo em seco, uma mão pousando sobre minha perna enquanto a outra abraça o próprio ventre.

—Estou com fome! – declara com voz angustiada, encarando-me – E sede – acresce.

—Também estou – admito, sentando também, o estrondo de um trovão seguido do clarear de um relâmpago sobressaltando-nos – Este caiu perto – afirmo, olhando o tempo fechado lá fora, baixando a vista para a entrada da caverna preocupando-me ao notar que a água começava a acumular-se perigosamente – Se continuar a chover forte teremos que sair daqui – penso em voz alta.

—Para onde iremos? – ouço-a pergunta e volto-me me sua direção, paralisando.

Por mais errado e inadequado que seja mediante a situação a qual vivenciamos, não consigo evitar ser assaltado pelo mesmo sentimento: desejo.

Agora mesmo, tendo-a diante de mim, os lábios entreabertos, olhos brilhantes, face corada e marcada por ter dormido com o rosto sobre meu peito, os cabelos em desalinho, a respiração pesada fazendo seu peito subir e descer atraindo minha atenção para o colo alvo e delicado exposto pelo decote quadrado que permite-me uma visão parcial de seus seios, estava impingindo-me uma prova terrível de resistência. Para piorar a situação, a mão em minha perna (coxa mais precisamente) abria-se e fechava-se numa caricia suave, inconsciente, eu sei, porém forte o suficiente para provocar uma descarga elétrica que se espalhava rapidamente por meu corpo causando arrepios de prazer, fazendo meu membro latejar, endurecendo gradativamente sob minhas calças. Mais um pouco seria impossível a ela não notar minha ereção.

—Thomas, está me ouvindo? – questiona chamando-me de volta a realidade.

Contenha-se Tommy, contenha-se! , admoesto-me mentalmente, levantando sem aviso prévio – Não sei ainda senhorita – respondo, indo para a entrada da caverna – Para onde iremos caso continue e chover e a água invada, quero dizer- esclareço — Por favor, ignore meu comentário. Pensei alto – peço, estendendo uma mão para fora, a goteira formada pela água escorrendo pela rocha dando-me uma ideia – Será que....- pondero, unindo as mãos sob o filete a minha frente, ajuntando uma pequena quantidade de água fresca – Não está tão ruim – murmuro, observando alguns segundos antes de atira-la em minha boca, o liquido frio escorrendo por minha garganta trazendo alivio imediato.

—Que está fazendo? – Caitlin pergunta postando-se ao meu lado, enrugando a testa, curiosa.

— A água da goteira está relativamente limpa. Podemos bebê-la e aplacar um pouco da sede – explico, repetindo meu gesto anterior, mostrando-lhe a água junta em minhas mãos – Vê? Como quase não há vegetação no topo da caverna, a chuva escorre na pedra limpa. Após tantas horas é seguro dizer que a superfície lá em cima está....- silencio, retendo o ar ao sentir os lábios macios tocando minha pele ao mesmo tempo em que suas mãos seguram meu pulsos fazendo-me inclinar as minhas aonde uma pequena quantidade de liquido permanecia, este escorrendo para sua boca – Não faça isto! – ralho, puxando as mãos abruptamente, assustando-a, os lindos olhos castanhos encarando-me, surpresos – Desculpe-me, não quis....- paro, respirando fundo – Melhor que use suas mãos senhorita. Conseguira ajuntar mais água ... E manterá o que resta de minha sanidade intacta – Venha, vou mostrar-lhe como fazer – convido, ficando de lado para que pudesse aproximar-se da goteira – Primeiramente esfregue as mãos uma na outra sob a goteira para limpar o pó, depois junte-as o máximo que conseguir debaixo do filete d’água, aproxime-as da boca e beba – oriento, aguardando que fizesse como dissera, apertando os lábios retendo a vontade de rir ao vê-la atrapalhar-se, molhando-se – Tente de novo – recomendo vendo-a fazer bico, já não achando tão engraçado o tecido molhado a chamar minha atenção para certa parte do corpo delicado e curvilíneo.

Sem que possa controlar-me, meus olhos seguem o caminho trilhado pelas gotas que escorrem decote adentro, mergulhando convidativamente no vale entre os seios...Que diabos! Não posso permitir-me ser dominado por meus instintos desta forma. Deve ser a fome pregando-me uma peça...

—Thomas, está sentido alguma coisa? – ouço-a pergunta de cenho franzido, levando uma mão a minha testa – Está quente – alerta, preocupada, seu olhar dirigindo-se para algum ponto as minhas costas, a interjeição de espanto escapando de seus lábios – Oh céus, está sangrando! – exclama e é minha vez de espantar-me – Suas costas. Acho que reabriu algum fermento. Deixe-me dar uma olhada – pede, pondo-se detrás de mim, esquadrinhando-me com as mãos – Deve ter sido a posição na qual dormimos. Por certo meu peso forçou seu corpo contra a rocha e irritou os machucados ao mexer-se durante o sono. Desculpe-me – declara, insinuando as mãos por sob minha camisa, sobressaltando-se quando me afasto repentinamente – O que foi? Doeu? – pergunta.

—Não...não doeu – afirmo, evitando olhá-la....Que diabos está acontecendo comigo? Estarei de fato adoecendo? , interrogo-me mentalmente

—Então por que se afastou desta forma quando o toquei? – questiona, postando-se de frente a mim – Tem certeza de não estar doente? – interroga, erguendo a mão na tentativa de tocar-me novamente.

—Não estou doente senhorita – afirmo, segurando seu pulso, impedindo-a tocar-me – Quanto a ter-me machucado durante o sono, não deve culpar-se. Adormecemos. Meus ferimentos reabriram por não estarem totalmente cicatrizados, nada mais – tento tranquiliza-la.

— Porém meu peso certamente contribuiu para tal fato. Se não estivesse sobre você não iria machucar-se ao se mexer – insiste, olhando-me aflita – Desculpe-me – pede mais uma vez e suspiro.

— Façamos um trato senhorita: enquanto estivermos aqui, passando por esta situação, a menos que façamos algo grave um ao outro, não peçamos desculpas ok? Não por estas coisas pequenas – sugiro, ela olhando-me alguns segundos, pensativa, antes de responder.

—Se é o que deseja, estou de acordo – anui – Poderia soltar-me? Quero beber um pouco mais de água antes que a chuva cesse – pede fazendo-me dar conta de que a mantinha retida pelo pulso até certo ponto rudemente.

Solto-a, relutante, encarando-a algum tempo antes de ambos voltarmos nossa atenção para o lado de fora da caverna notando que a força da tempestade diminuíra consideravelmente.

Reaproxima-nos da goteira alternando-nos no exercício de coletar água a fim de saciarmos a sede senão integral, parcialmente.

—Acha que já anoiteceu? – pergunta, de repente, passando as mãos úmidas no rosto e cabelo, arrumando-os.

—É difícil saber. Não temos relógio, a tempestade escurece o tempo...pode ser muito cedo ou muito tarde – digo, erguendo os olhos para o céu – Quando a tempestade cessar poderemos ter uma ideia se é dia ou noite – pondero, fazendo uma careta ao sentir meu estomago doer mais uma vez.

—Que faremos quanto a comida? As frutinhas estão quase acabando – questiona, envolvendo o próprio corpo com os braços – E para ser franca não estão matando minha fome – confessa.

—A minha também não – admito – Mas é tudo que dispomos por hora. Novamente dependemos de a tempestade cessar para tentarmos ir em busca de algo diferente.

—E o que iremos buscar? – inquire, erguendo a saia (ou deveria dizer saias?), sentando-se pesadamente, fazendo uma careta ao fazê-lo.

—Posso caçar – digo, dando de ombros, permanecendo de pé.

—E comeremos cru? – questiona, fechando os olhos com força.

—Está doendo, não é? Seu estomago, está doendo não está?– pergunto, recebendo um aceno afirmativo – Caso encontre lenha seca posso fazer uma fogueira, se conseguir lembrar de como fazê-lo sem fósforo, evidente – afirmo, rindo ao ver sua expressão surpresa – Não sei se sabe, mas meu amigo Eddie Thawne é um mestiço. Sangue indígena corre nas veias dele. Viveu parte da infância e início da adolescência entre os familiares de sua mãe. Durante um momento rebelde, fugi de casa – conto, fazendo aspas no ar – Indo esconder-me, ou refugiar-me, como preferir, na tribo de seu povo. Obvio que meu pai descobriu-me, mas para castigar-me fingiu não o saber deixando-me alguns dias por lá. Aprendi algumas coisas. Resta saber se lembrarei de como fazer– brinco, fazendo-a rir.

—Se aprendeu dificilmente desaprendera – afirma, esfregando os braços.

—Está com frio? – pergunto, ponderando se deveria ou não socorrê-la devido ao meu, digamos, excesso de sensibilidade ao contato de nossos corpos nas ultimas horas, as coisas poderiam facilmente sair de meu controle trazendo consequências graves.

—Um pouco – admite – Será que aceitar-me-iam na matilha? – pergunta, indicando os filhotes.

—Pode ser. Resta saber se a senhorita aguentaria o cheiro – digo, rindo junto com ela, olhando para fora mais uma vez, tomando uma decisão – Vou pegar algumas frutinhas para nós. Como disse, por hora é o que temos – aviso, preparando-me para enfrentar a chuva novamente.

—Vou com você e por favor, chame-me de Caitlin – pede, tentando levantar.

—Melhor que fique. Correrei até lá e seus trajes não lhe permitirão fazer o mesmo. Quero demorar-me o mínimo possível – justifico-me, vendo a indecisão estampar-se em seu rosto – Não se preocupe, não irei perder-me e serei rápido – prometo, encaminhando-me para a saída, esquadrinhando o terreno lamacento a minha frente focalizando o melhor trajeto até as frutas – Um banho frio irá fazer-me bem –sussurro, acenado antes de sair correndo escuridão adentro.

**** Caitlin ****

Observo Thomas mergulhar na escuridão seguindo-o com o olhar até que desapareça, sua última observação dita em tom não suficientemente baixo ecoando em minha mente.

Suspiro mordendo meu lábio, relembrando suas atitudes desde que despertamos.

A princípio julguei que a fome o estava afetando. Depois, vi as manchas de sangue e pensei estar febril e delirante, seu estranho pedido para que desculpássemos apenas se fizéssemos algo grave um ao outro fortalecendo está suspeita... até notar o volume abaixo da linha de sua cintura. Estava excitado. Melhor dizendo, Eu o estava excitando e tomar ciência deste fato trouxe-me sentimentos confusos a mente. Como sabia disto? Bem, mesmo sendo virgem e tendo passado parte da vida em um colégio interno comandado por freiras, sempre fui muito curiosa. Por conta dessa curiosidade acabei, juntamente com algumas amigas, lendo certos livros que não deveríamos onde vimos figuras do corpo humano (algo tremendamente vergonhoso, diga-se). Os mesmos livros continham informações acercar do acontecia entre um homem e uma mulher após casarem-se. Nada detalhado, evidente, posto que deveriam ser nossas mães a orientar-nos neste quesito, como a madre fazia questão de lembrar sempre que era inquirida a este respeito. Na verdade, confesso ter-me arrependido de ler tais livros pois deixaram-me ainda mais insegura e temerosa para quando minha vez de passar por aquilo chegasse. Portanto, minha pressuposta descoberta sobre Thomas trouxe-me preocupação. E se tentasse forçar-me ter algo com ele, conseguiria impedi-lo? É maior e mais forte que eu. Dificilmente oferecer-lhe-ia alguma resistência. Pior: quereria eu oferecer-lhe resistência?

Não posso negar o quanto sua presença perturbava-me desde a primeira vez em que ficamos mais próximos, no quintal de minha casa. Seu riso, sua voz, seu jeito debochado e meio arrogante, seu ar compenetrado em alguns momentos, jocoso em outros, suas observações afiadas em reposta as minhas provocações e mais recentemente, por força das circunstâncias, seu cheiro, seu toque e calor vem potencializando este sentimento deixando-me confusa, tensa, sem saber como agir, falar e mesmo comportar-me diante dele. Cada pequeno detalhe em Thomas atraia-me como a luz das lamparinas atraia os mosquitos.

Se aparentemente para ele estava sendo difícil aquela situação, para mim também o estava. Ele ao menos tinha como aliviar-se, a julgar pelo que vi ( julguei ter visto, não sei bem) acidentalmente. Quanto a mim...

—Isto é tão injusto! – revolto-me – Que faço com essa gama de sensações e emoções novas que venho experimentando desde que o conheci? Como saberei lidar com esta vontade de tê-lo junto a mim, sentir seu toque em meu corpo, descobrir que gosto tem um beijo? Seu beijo! – murmuro para o vento, suspirando profundamente, abraçando a mim mesma com força, olhando para fora no instante em que surge correndo em direção a caverna, meu coração batendo descompassado na medida que aproxima-se.

— Consegui colher bastante frutas antes que a chuva apertasse novamente. Dará para manter-nos satisfeitos até que possamos buscar outra fonte de alimento que não elas – declara, sentando de frente para mim, uma pequena parte de seu abdômen a mostra por estar usando a camisa como cesto para as frutinhas.

Sinto meu rosto esquentar não apenas por esta pequena amostra (embora o tivesse visto sem camisa, de costas, na noite do noivado de Yvie), mas por meu olhar haver-se desviado para outra parte de seu corpo a qual vira rapidamente (bem, não tão rápido assim!) algumas horas atrás e fizera-me sentir calores até então desconhecidos – O que há? Não está mais com fome? – ouço-o questionar e ergo os olhos encontrando os seus. É difícil pensar de forma coerente ante aquele azul vivo – Parece-me que estamos dispersos! – comenta em tom brincalhão e sorrio.

— Estamos, não é? – respondo, esticando a mão a fim de pegar algumas frutas, levando-as a boca parcimoniosamente – Thomas, estive pensando no que disse-me – começo dizer, o estrondo de um trovão assusta-me e silencio momentaneamente.

—Pensando sobre o quê senhorita? – questiona e o encaro.

—A respeito de minhas vestes – minto, muito embora o pensamento cruze minha mente naquele exato momento – Está certo ao dizer que não são adequadas. Por hora não são grande problema, no entanto, quando precisar segui-lo, e vou fazê-lo posto que não pretendo ficar sozinha aguardando que explore o terreno...

— Nunca foi minha intenção deixá-la sozinha, senhorita – interrompe-me e o encaro, sorrindo, vendo-o ficar sem graça – O que pensou? – pergunta após limpar a garganta.

— Bem, teremos que dar um jeito para que fiquem menos, como direi, incomodas – digo – Torná-las maleáveis facilitando-me andar ou correr, caso seja necessário – especifico – Não quero que precise carregar-me em seus braços a cada vez que precisemos avançar com rapidez, por mais que isto me agrade – solto sem pensar sentindo meu rosto esquentar novamente ante o sorriso que dirige-me – Hã... é possível fazê-lo? – questiono, baixando o olhar para minhas mãos, brincando com as frutas que segurava... Excelente Caitlin. Por que não aproveita e conta como sente-se em relação a ele? Estúpida!

— Não sei ao certo – ouço-o dizer e ergo os olhos notando que o riso dera lugar uma expressão pensativa – Posso retirar os saltos de suas botas, o que certamente lhe daria mais mobilidade – pondera, uma mão massageando o queixo marcado pela sombra da barba por fazer – Quanto ao vestido...não sei....talvez...- cala-se, parecendo indeciso.

—Talvez?? – instigo-o a prosseguir, imaginando por conta própria o que poderia ter pensado.

—Bem, talvez possamos, digo, a senhorita possa cortar parte dos forros deixando apenas o principal... quantas saias tem aí? – pergunta, apontando meu vestido.

Pondero alguns segundos refletindo sobre o que dissera.

— Algumas – respondo vagamente — Como irei corta-las se não temos uma tesoura? – verbalizo a dúvida em minha mente, encarando-o confusa.

—Bom...- começa, cuidadoso, inclinando-se, levando uma mão a perna direita, erguendo a calça – Podemos usar isto – diz, retirando uma pequena faca de dentro de sua bota.

—Uma faca? Carrega uma faca consigo? – espanto-me, fazendo-o rir.

—Um punhal para ser exato – corrige-me – Não daria para causar grandes danos a menos que tenha a chance aproximar-me de meu agressor, mas para esta finalidade e para cortar a carne de algo que consiga caçar poderá nos ser útil – enumera e arqueio a sobrancelha.

— Caçar? Irá caçar? – questiono-o, contendo a vontade de rir, vendo uma expressão de indignação forma-se em seu rosto.

— Não sou totalmente inútil diante da situação na qual nos encontramos senhorita. E como disse, Eddie Thawne e seus irmãos de sangue ensinaram-me algumas coisas no curto período em que estive com eles, truques e medo de sobreviver sem muitos recursos – defende-se, invocado.

— Acredito, e não quis desdenhar de suas habilidades, por favor não zangue-se – retifico-me – É que, bem, afora os filhotes não vi sequer uma lebre neste tempo em que estamos presos aqui e não pretendo come-los mesmo que para sobreviver. Não teria coragem – justifico-me, tentando parecer séria....Homens! Sempre tão sensíveis a comentários que mexam com seus brios!

— Deve levar em conta que a chuva quase não cessou e muitos animais não saem de suas tocas com este tempo. Assim que estiar aparecerão – afirma, seguro – Também posso tentar pescar, caso haja algum rio perto e com peixes, evidente – acrescenta, atirando duas frutinhas boca adentro, erguendo o queixo convencido – E só para constar, também não mataria os três pestinhas ali – completa fazendo-me sorrir.

— Excelente. Só precisaremos conseguir fazer fogo e pronto, teremos comida quente! – não resisto provocá-lo, rindo mais ao vê-lo enrugar o nariz em uma careta gozada, uma lembrança nada puritana vindo à tona repentinamente, flashes de uma conversar que escutara, sem querer, entre duas das “meninas” da casa de mama Smoak fazendo-me enrubescer outra vez — Oh céus, isto não é nada bom! – deixo escapar, retomando o assunto sobre meus trajes antes que pudesse questionar-me acerca do comentário – Então, como faremos? Eu mesma terei que cortar ou me ajudará na tarefa? – indago, limpando as mãos na saia, esticando um braço com a mão aberta num pedido mudo pela fa...punhal.

— Hã... tente. Caso não consiga a ajudarei – diz sem muita vontade, entregando-me o objeto após retirá-lo da bainha – Quer que eu... que...assim, apenas virar-me está bom para a senhorita? Admito que a ideia de molhar-me novamente desagrada-me – titubeia, sem graça.

Demoro uns bons minutos até compreender o sentido de seu questionamento. Para cortar o tecido sob a saia principal teria que erguê-la, o que por consequência iria expor-me, mesmo que pouco, mais iria.

—Oh, entendo – digo, finalmente – Basta que vire-se, por favor – peço, ficando de pé.

O vestido que usava era um modelo, digamos, intermediário. Não tinha uma armação exagerada como os de baile costumavam ter, mas não era tão comum quanto os que costumava usar para passear pela cidade no dia a dia. Mais uma vez questiono-me o porquê de tê-lo escolhido, meu subconsciente dando a resposta quase que imediatamente em um único nome: Thomas.

Quando ouvi meu pai dizer que iria acompanhar-nos, mais que depressa mudei o vestido que escolherá por este, mais elegante, que, conforme Adissa dissera, desenhava meu corpo com perfeição sem ser vulgar.

Suspiro ao recordar nossa conversa rápida enquanto ajudava-me trocar de roupa. Havíamos rido juntas ao imaginarmos a reação que Thomas teria. Olho-o atentamente aproveitando que estava de costas para mim. As costas largas marcadas pela camisa coincidentemente na mesma tonalidade que meu vestido, os músculos das pernas marcados pela calça relativamente justa...

— Está conseguindo? – a pergunta sobressalta-me e pisco diversas vezes.

— Hã...eu...vou tentar agora – informo, erguendo minha saia ruidosamente.

Minha primeira providência é despir a crinolina (completamente estragada, diga-se) que deixava o tecido levemente armado pondo-a de lado. Em seguida, ergo minha saia novamente tentando enfiar o punhal no tecido outrora branco, descobrindo que não seria uma missão exatamente fácil visto que precisaria me contorcer para girar o mesmo em volta de meu corpo a fim de cortar o forro por completo.

Após uma falha primeira tentativa, consigo furar o tecido relativamente grosso, esforçando-me por fazer o artefato romper a trama intrínseca, sentindo o suor escorrer por minha testa, braços (sob a manga longa), costas e pernas, minha respiração tornando-se ofegante na medida em que esforço-me mais e mais. Paro ao passar a linha de meu quadril esquerdo, ofegante, pensando seriamente em pedir-lhe ajuda.

Evidente que não seria nada recomendável tê-lo sob minha saia...Bem, não estaria sob ela propriamente posto que está erguida...pondero mentalmente, mordendo o lábio, insegura. Estava claro que não conseguiria cortar muito menos rasgar ambas as saias sem ajuda. Necessitaria de uma força da qual não dispunha no momento.

—Tho...Senhor Thomas – acho importante usar de formalidade neste momento – Preciso que ajude-me. Não conseguirei fazê-lo sozinha – admito, corando quando volta-se – E-eu...não alcanço nem tenho força suficiente para cortar o tecido – justifico-me, notando a tensão em seu semblante, os olhos correndo da armação atirada no chão a meu lado direito para a saia parcialmente rasgada. Por um breve segundo penso que não irá socorrer-me, porém, após colocar as frutinhas que restavam sobre duas folhas que trouxera, vem até mim, ajoelhando-se a minha frente sem nada dizer, tirando-me o punhal da mão com delicadeza.

Com precisão e força insere-o no tecido da segunda saia fazendo-me reter o ar nos pulmões. Vencida aquela barreira, restaria apenas a combinação bege que protegia minha intimidade.

Involuntariamente, estremeço ao escutar e ver o tecido cedendo com facilidade, soltando-se do restante do vestido.

— Gire – pede, sua voz soando mais grave e profunda do que habituara-me a ouvir (reconhecia-a de olhos fechados).

Obedeço sentindo-me exposta como jamais senti-me antes na presença de um homem, nem mesmo meu pai. Bem, teve o médico que atendeu-me no colégio interno quando senti-me mal, mas este não conta visto que além de ser idoso, não fiquei a sós com ele. Fecho meus olhos, envergonhada.

— Feito – ouço-o dizer segundos depois e volto-me – Vamos guardá-los. Podem vir a ser úteis em algum momento – diz, levantando-se rapidamente, os tecidos em suas mãos, a respiração alterada e o leve rubor denunciando-o.

Prendo meus olhos aos seus fazendo-o encarar-me por um tempo indeterminado. Retenho o ar mais uma vez ao perceber o quão próximo seu rosto estava, o hálito morno fazendo-me entreabrir meus lábios instintivamente, soltando-o lentamente.

— Botas – sopro quando a proximidade é tanta que nossos lábios quase tocam-se, um arrepio que começava em minha nuca e descia espinha abaixo tornando-me ainda mais ciente de sua presença.

— Botas – repete num sussurro, piscando algumas vezes antes de voltar a falar — Melhor sentar-se para que possa avaliar o que fazer – sugere, o tom ainda rouco.

—Uhum – anuo, sem conseguir articular uma palavra sequer, minha boca repentinamente ficando seca.

Acomodo-me recostada a parede da caverna, observando-o agachar-se a minha frente sempre mantendo contato visual.

Em um movimento preciso, segura meu pé direito, pondo-o sobre sua coxa para somente então libertar-me do laço invisível que me prendia e volto a respirar.

— Importa-se se a retirar? – pergunta, olhando-me novamente e consinto com um gesto de cabeça.

Com cuidado, solta o laço desfazendo o nó do cadarço, folgando o calçado gradativamente, descalçando-me com gentileza. Uma onda mais forte de arrepios percorrer-me ao sentir o toque firme de sua mão diretamente na pele nua de meu calcanhar quando põe meu pé sobre sua coxa.

— Parece-me que posso quebrar o salto sem danificar a peça – comenta após alguns minutos examinando a bota – Posso tentar? Antes que responda, saiba que ficara descalça caso não dê certo – alerta.

— Neste caso aceitarei de bom grado as botas de pele de lobo que ofereceu-me mais cedo– brinco, um dos filhotes erguendo a cabeça como se entendera minha fala, dirigindo-me um olhar aborrecido – Estou brincando fofinho – digo, jogando um beijo com a mão na direção dele, que deita sobre os irmãos, perdendo o interesse.

— Neste caso, vejamos o que acontece – Thomas diz, posicionando o salto na metade de uma rocha ao seu lado, usando o punhal para retira-lo completamente, mexendo no local após fazê-lo – Talvez se eu puser...- olha a volta – Dê-me esta armação – pede, indicando a crinolina a minha direita.

— Chama-se crinolina – informo, entregando-lhe a mesma.

— Para mim mais parece uma armadilha para coelhos e afins – brinca, desmanchando a armação e ambos rimos aliviando um pouco da tensão que nos envolvia – Essas tiras reforçarão o local de onde retirei o salto e evitarão que fure. Ao menos espero – explica enquanto enrola o tecido na bota, ajustando-a em meu pé quando termina, o arrepio repetindo-se quando toca minha pele outra vez – Vamos ao esquerdo agora – anuncia, repetindo todo o processo – Vejamos como se sente – diz ao terminar, ajudando-me levantar – Então? – pergunta, observando-me caminhar pela caverna.

— Estranho, mas confortável – garanto, aproximando-me dele – Obrigada Thomas – agradeço, ficando na ponta dos pés lhe dando um beijo estalado na bochecha – Muito melhor agora que posso mover-me – comemoro, girando a sua volta, sacudindo o vestido infinitamente mais leve, animada.

— Que bom – limita-se dizer, massageando o pescoço – Que tal comermos as frutinhas antes que estraguem? Além do mais a chuva está aplacando. Quem sabe descobrimos se é dia ou noite e tenhamos a chance de saber se a mãe de nossos amiguinhos ali seguiu à risca o que se espera de uma loba – indaga.

— Uhum, concordo – digo, sentando-me juntamente com ele perto das folhas onde depositara o que restara das frutas silvestres.

Comemos em silencio enquanto observamos o tempo lá fora. Vez ou outra o olho de esguelha, flagrando seu olhar triste sobre mim deixando-me confusa.

“...And it hurts to be in Love;

When you only want me half as much;

I tell you it hurts to be in love…”

**** Vilarejo de Starling (madrugada de domingo, 25/7 – 04:00 a.m) ****

Eddie Thawne

Levanto bem antes do horário que havia combinado com Oliver e os demais preparando-me com calma. Escolho duas mudas de roupa para levar e uma para vestir, pego meu colt, meu arco e aljava (apesar de saber atirar prefiro o arco por ser silencioso), mochilas dois cobertores, dois cantis, um capote e chapéu. Ponho tudo sobre a cama e vou banhar-me.

Visto-me, calço as botas e começo a dobrar o que levaria de modo a caberem dentro de duas das quatro mochilas que levaria. Uma seria exclusivamente para mantimentos e outra para munição e fosforo. Fecho-as após terminar, visto o casaco, penduro as mochilas em meus ombros, prendo os cantis a meu cinto, aljava e arco em uma mão, chapéu na outra olhando a volta para certificar-me de que não esquecera nada antes de abrir a porta e sair.

Deixo o quarto que ocupo na pensão o mais silenciosamente possível para não acordar ninguém. Desço as escadas atento. Nem mesmo a bondosa senhora Tafter, a faz tudo do lugar, que preparara-me uma generosa quantidade de suprimentos para levar na viagem (não sei porque pensou que iria passar fome quando avisei que partiria logo cedo ao encontro de minha mãe na tribo e não sabia quando retornaria, o que implicava dizer que perderia o emprego no saloon) que costuma despertar cedo, despertara ainda. Toda a casa se encontrava no mais absoluto silencio salvo pelo tilintar dos badalos do velho carrilhão na sala de estar.

Opto por sair pelos fundos posto que chamaria menos atenção caso algum notívago estivesse a vagar pelas ruas. Abro a porta lentamente, saindo para a madrugada fria, caminhando a passos largos em direção da cocheira nos fundos do terreno. La chegando, ponho as coisas sobre um monte de feno para poder selar meu cavalo, uma das poucas coisas que trouxera quando vim morar na cidade.

—Bom dia Hidalgo, como está amigo? – converso afagando o focinho do Mustang malhado, uma raridade na espécie – O que acha de partirmos para uma pequena aventura? Vai gostar disso não vai? Sair desse tédio ao qual te submeti – digo, abrindo o portão de sua baia, entrando.

Cubro seu dorso com a manta de algodão antes de colocar a sela. Aperto-a bem, confirmo se está firme, ponho os arreios, ajustando-os. Conduzo-o para fora parando junto a pilha de feno onde deixara minhas coisas. Prendo as mochilas, os cantis, o arco e a aljava a sela de forma a ficarem penduradas em ambos os lados, equilibrando o peso. Seguro a rédeas conduzindo-o para fora do estabulo, visto o capote, coloco o chapéu na cabeça e monto.

—Vamos lá amigo, Thomas e a senhorita Caitlin contam conosco para encontra-los antes que o pior aconteça – digo, apertando levemente suas ancas com meus calcanhares (não uso esporas, é cruel demais) – Mas antes temos que passar na casa do Allen. Espero que esteja acordado – murmuro, direcionando-o para a residência de meu jovem amigo a poucos metros da pensão.

Para minha surpresa, Barry não apenas estava acordado, mas também a minha espera completamente paramentado.

—Que significa isto Allen? Pretende ir a algum lugar? – questiono, apoiando as mãos na sela, encarando-o de sobrancelha arqueada.

—Sim. Vou com vocês – afirma, decidido, fechando a porta detrás da residência de sua família – Com todo respeito, duvido que qualquer um de vocês saiba manusear as drogas que preparei para levar e de toda a forma não conseguiria ficar em casa enquanto se embrenham em regiões desconhecidas a procura de nosso amigo. Caso tenha esquecido, Tommy é meu amigo também – relembra, montando em seu cavalo (o qual sequer sabia que possuía) – E antes que pergunte, deixei meu pai avisado de ambas as coisas – diz, incitando o animal a cavalgar meio atabalhoadamente.

—Ambas as coisas? Quais coisas? – questiono, seguindo-o.

—Deixei um bilhete avisando que iria acompanha-los na busca...e que levaria seu cavalo – conta me deixando estupefato.

—Como assim deixou um bilhete? Não falou com ele pessoalmente? Sobre nada? – pergunto, balançando a cabeça negativamente ante sua confirmação – Allen, deveria....

—Thawne, não se preocupe, sei o que estou fazendo – interrompe-me, seguro, empertigando-se sobre a cela.

—Assim espero Allen, assim espero – declaro enquanto seguimos cavalgando mansamente pelas ruas da cidade adormecida.

Ao passarmos em frente ao armazém de Adrian Chase, noto uma luz nos fundos do local trazendo-me preocupação a mente.

—Vamos acelerar Allen. Quero ganhar tempo – comunico, cutucando as ancas de Hidalgo outra vez fazendo-o trotar mais acintosamente, suspirando ao perceber a dificuldade dele em seguir-me – Barry, está certo de querer realmente fazer isto? Pense bem. Não estamos indo a um passeio. Trata-se de um resgate. Poderemos enfrentar percalços pelo caminho – advirto-o.

—Sei bem disso Eddie, mas desejo ajudar. E falei sério quando disse de minha preocupação em não saberem manipular as medicações que separei – argumenta, recuperando o equilíbrio – Estou ciente dos perigos que podemos encontrar e não vou atrapalhar vocês, pode ficar tranquilo – afirma.

Respiro fundo, desistindo da discussão, passando a refletir acerca de qual seria o melhor caminho a seguir.

Se o que pensamos for verdadeiro, o mais provável será terem sido levados para a região a oeste, mais desértica, com poucas fontes de água e comida. As chances de sobrevivência naquela área são infinitamente menores do que nas demais próximas ao desfiladeiro. Chuva e sol podem ser inimigos ferrenhos...

—Parece que todos já chegaram – Barry diz, tirando-me do devaneio e olho adiante visualizando três cavaleiros parados a sombra de arvores nativas voltando-se para nós ao escutarem o som dos cascos de nossos animais – Bons dias senhores – cumprimenta-os animados.

—Dia – Harper e Palmer respondem ao mesmo tempo, tocando a aba de seus chapéus.

—Parece que o Palmer mais novo conseguiu o que queria – comento, parando próximo a Oliver, que me encara de sobrancelha erguida – Não diga nada a menos que queira escutar uma verdadeira ladainha – admoesto vendo-o rolar os olhos – Nos aguardam a muito tempo? – pergunto, uma leve inquietude fazendo-me olhar para trás.

—Coisa de uns vinte minutos mais ou menos – Oliver afirma – Teria chego mais cedo não fosse a insistência de Felicity em verificar tudo meticulosamente, recomendando-me quinhentas vezes para termos cuidado – conta e rio com o canto da boca.

—Imagino – digo, voltando-me para Raymond – Como fizeram para decidir Palmer? – quero saber, ele dando de ombros.

—Havíamos combinado decidir num jogo de cartas já que Ronnie não aceitou o desafio que propus: uma carreira no quintal de casa – conta, posicionando seu garanhão de frente para o caminho juntamente conosco, incitando o animal a andar.

—Ganhou de Ronald em um jogo de cartas? – Oliver pergunta, tão surpreso quanto eu visto que sabíamos o quanto Ray é péssimo jogador – Como isto foi possível? – desconfia.

—Fazia-me a mesma pergunta – assumo.

—Dei sorte, acho – diz, dando de ombros – Se preferirem podem dizer que era para ser, destino ou algo do gênero A verdade é que numa melhor de três ganhei duas – vangloria-se.

— Não me leve a mal senhor Raymond, mas já tive oportunidade de jogar com seu irmão e não diria que ele seja exatamente um bom perdedor. Como fez para que aceitasse a derrota ainda mais numa situação como esta? – Harper questiona.

—Bem, para ser franco ele não aceitou – revela – Jogamos mais duas vezes, ganhei novamente e mesmo assim não estava dando o braço a torcer.

—E como o convenceu aceitar sua vitória? – Barry reforça, mais confortável sobre a sela.

—Simples: o prendi na dispensa – revela, sorrindo marotamente.

—Está brincando não está? – Oliver pergunta, abismado.

—Não – confirma, estalado a língua, apressando-se a dizer – Mas podem ficar tranquilos, dei ordens a nosso mordomo que o libertasse...assim que parasse de esbravejar – informa.

—Perfeito! Allen deixou um bilhete ao pai e Palmer deixou o irmão preso em uma dispensa. Que surpresas mais esta comitiva nos reserva? – questiono, olhando-os um a um, vendo-os erguerem os braços rindo divertidos.

Mal sabia que a resposta a este questionamento encontrava poucos metros em nosso encalço e seria-me dada bem antes do que imaginava...

Continua

Notas finais
Explicações: alguns livros eram proibidos a mulheres terem acesso mesmo em se tratando de assuntos escolares, como os de anatomia por exemplo, por conterem figuras de corpos humanos despidos. Havia também certas literaturas proibidas por serem picantes, tipo Contos Proibidos do Marques de Sade. Claro que sempre havia aquelas senhoritas mais afoitas e curiosas que não resistiam e sempre que podiam faziam uso dos mesmos por pura curiosidade. É a este tipo de livro que Cait se refere. Influenciada por suas colegas de colégio, acabou por lê-los e isto atiçou sua imaginação. A imagem é dos bebês encontrados por Tommy e Cait. Não era exatamente a que queria porém é bem parecida. Explicações dadas, nos vemos em breve. Bjinhos flores