Notas iniciais
Oi flores! Prontas pra mais uma att!!?? Enquanto não finalizo S e P (ambas sob intensa revisão) e LH está no começo do capitulo 25, as que tem "gordura" acumulada serão att. Por aqui, nossos mocinhos se lançam em sua busca enquanto as garotas seguram o delegado o quanto podem. Apesar da tensão sempre rola um pouco de diversão afinal Raymond e Barry estão na área! Grata por todas as rewiews passadas...Aguardo mais rewiews, please...Boa leitura....Bjinhos flores.

“Há um brilho de faca;

Onde o amor vier;

E ninguém tem o mapa da alma da mulher;

Ninguém sai com o coração sem sangrar;

Ao tentar revê-la;

Um ser maravilhoso;

Entre a serpente e estrela..."

Entre A Serpente E A Estrela

Zé Ramalho

Residência Quentin Lance (Domingo, 25/7 -07:30 a.m)

Felicity Megan Queen

—Pela última vez senhoritas....e senhora, contem-nos o que foi planejado na reunião realizada nesta residência noite passada enquanto o conselho reunia-se na prefeitura – a voz exasperada do prefeito Darhk, que ficara sabendo das novidades (impressionante como as notícias corriam mais rápido do que rastilho de pólvora nesta cidade!) ecoa pelo ambiente enquanto encara minha cunhada, Laurel Lance e depois para mim alternadamente.

—Já dissemos tudo que sabíamos senhor prefeito. Juro! – minha cunhada sustenta com uma tranquilidade e altivez de darem inveja a qualquer um – Se os senhores não nos dão crédito, que culpa temos nós? – acresce fazendo a Lance e eu trocarmos um olhar abismado.

Além de mentir ainda os desafia? Céus, estaremos numa bela duma enrascada quando isto terminar!, penso, suspirando, olhando para fora da janela, sentindo-me um pouco mais aliviada ao notar que o tempo firmara, o que facilitaria as buscas por Thomas e Caitlin. Espero.

—Corrobora o que sua cunhada a esta a dizer, jovem senhora Queen? – a pergunta chega a meus ouvidos fazendo-me voltar minha atenção para o interior da casa novamente, encontrando os olhos incrivelmente azuis (e gélidos!) do prefeito fitando-me. Engulo a seco retendo o ar nos pulmões.

Quando meu sogro pedira a um dos criados que fosse chamar-me, sabia que a embrenhada de meu marido e os demais havia sido descoberta, um pouco antes do que esperávamos, admito, o que implicava dizer que “a missão”, como minha cunhada apelidara, corria sério risco de ser interrompida.

—Devemos retê-los o máximo que conseguirmos a fim de dar tempo meu irmão e os demais atingirem o objetivo determinado pelo senhor Thawne! — Thea confabulara ao pé do ouvido enquanto seguíamos meus sogros (sim, minha sogra insistira em ir conosco apenas para deixar-me ainda mais nervosa ante seu olhar inquisidor e acusador).

—Está dizendo que devemos mentir para seu pai, meu sogro, e quem mais estiver nesta bendita reunião para onde estamos sendo arrastadas? – questionei-a igualmente baixo, atenta a minha sogra, cujos ouvidos pareciam captar cada mínimo som emitido por mim nos últimos minutos.

—Mentir não. Omitir – corrigira-me, nosso dialogo sendo cortado por minha sogra, que volta-se nos encarando brava.

—Senhora Felicity Queen, poderia responder-me? – sobressalto-me ao escutar meu nome outra vez.

—Com todo respeito senhor prefeito, isto é pura perda de tempo. Nenhuma das três irá dizer-nos nada além do que já disseram. Estamos a perder um tempo precioso aqui – Dominique Snow reclama, andando de um lado para o outro, impaciente.

—Do que reclama Snow? Querendo ou não há um grupo de busca a procura de sua filha e do filho do Merlyn. Eles são jovens, destemidos e por certo não hesitarão em pular de um penhasco, caso seja necessário, para resgatar o amigo – o facínora Adrian Chase ironiza e neste momento decido que faria de tudo para acabar com a festa daquele pústula!

—Agradecer-lhe-ia se guardasse suas opiniões para si mesmo, senhor Chase – o senhor Merlyn declara, entredentes.

—De acordo – Snow anui de forma surpreendente – Que faz aqui afinal de contas? São nossos filhos a estarem desaparecidos. Não vejo seu interesse neste assunto – pontua, não escondendo o quão irritado estava.

—Esquecesse que o jovem Merlyn serve-me meu amigo? – relembra – A cada dia que passa desaparecido constitui-se em um dia a menos em pagamento a divida existente, o qual espero ser compensado no devido tempo – acresce causando um mal estar generalizado.

—Ouça bem senhor Chase....-Thea ergue-se juntamente com Laurel, ambas furiosas, e trato de intervir antes que o pior acontecesse.

—Já dissemos tudo que sabíamos senhor prefeito – começo dizer, imitando as duas, sinalizando para acalmarem-se.

—Esta certa de não haverem esquecido nenhum detalhe minha nora? – meu sogro inquire, dedos entrelaçados, olhando-me atentamente.

—Sim meu sogro – reitero – Discutimos acerca da suspeita do senhor Thawne sobre nossos amigos haverem sido sequestrados e estarem sendo mantidos em cárcere, provavelmente nas redondezas de Central City – sustento nossas declarações, de Laurel, Thea e minha, anteriores com uma tranquilidade e firmeza que até então desconhecia ter – Devido suas raízes nativas terem lhe proporcionado conhecimento amplo da área em questão, o referido senhor julga estar melhor preparado para realizar uma busca minuciosa. Por tratar-se de um espaço relativamente vasto, o senhor meu marido e alguns amigos decidiram que deveriam ajuda-lo. Pressupondo que o senhor meu sogro, o senhor delegado bem como os demais senhores que compõem o conselho iriam opor-se a tal ideia , optaram por não comunicar-lhes suas intenções – justifico, apertando minhas mãos, ansiosa.

—Um tanto pretencioso este rapaz! – Slade Wilson, outro que viera no encalço das fofocas, comenta, alisando seu chapéu, olhando-nos desconfiado.

—Nenhuma novidade – o delegado bufa — Estes amigos que citou incluíam sua irmã e o jovem Allen? – questiona, encarando sua filha mais velha.

—Não senhor meu pai – Laurel nega – Apenas Oliver e o senhor Harper haviam acertado acompanhar o senhor Thawne nas buscas. Nem a presença de um dos Palmer no grupo ficara acertado. Não sabíamos que o jovem senhor Allen tencionava acompanha-los igualmente – assegura, calma – Quanto a minha irmã, cheguei desconfiar que tencionava fazer alguma loucura, porém não julguei que seria capaz de fazê-lo de fato. Honestamente meu pai, tinha como certa a presença de Sara em seu quarto. Apenas quando desci hoje cedo e escutei os pedidos de ajuda de nossa serva soube o que fizera – admite – Peço-lhe que perdoe-me por falhar em meus cuidados com ela. Tenho me empenhado em substituir nossa mãe a altura, mas falhei – dramatiza, baixando a vista, usando o lencinho de seda que segurava para enxugar uma lágrima no canto do olho.

—Não se culpe. Se alguém falhou em educa-las este fui eu – acusa-se o delegado, pesaroso – Por vezes dei-lhe mais responsabilidades do que deveria. Sei bem o quão teimosa e geniosa sua irmã pode ser quando enfia algo naquela cabecinha linda – discursa, passando a mão pelos poucos cabelos que lhe restavam (certamente por culpa das filhas. Ambas!) – Acredito no que dizem – declara, me trazendo alivio imediato – O que, no entanto, não diminui minha tristeza. Que Eddie Thawne duvide de minha capacidade e até questione minhas decisões aceito, em parte, afinal o rapaz desafiaria o próprio pai. Mas minhas próprias filhas! – lamenta-se fazendo-me sentir culpada...durante cinco minutos! – Mas deixemos meus assuntos pessoais de lado – afirma olhando-nos atentamente — Temos um grupo de jovens irresponsáveis a encontrar e dois a resgatar aonde e sob que circunstâncias estejam portanto não percamos mais tempo – declara, voltando-se para o grupo atrás de si – Senhores, aqueles que desejarem acompanhar-me peguem seus cavalos, armas e munição além de suprimentos. Apesar de já terem uma considerável vantagem sobre nós, ainda podemos alcançar vossos filhos e minha filha impedindo essa insanidade na qual tencionam lançarem-se. Assim que os encontrarmos, parte do grupo retornara a cidade acompanhando-os enquanto o restante de nós prosseguira em busca do jovem Merlyn e da senhorita Snow – comanda fazendo os homens mexerem-se apressadamente – Agradeço a senhorita e a jovem senhora bem como a minha primogênita terem-se prontificado nos ajudarem com as informações que necessitávamos para dar um rumo as nossas buscas – olhando-nos de maneira estranha e fico certa de que não engoliu nossa fábula. Pelo menos não toda ela – Passarei na delegacia posto que as primeiras carruagens já haverem chego a cidade a fim de verificar se tudo corre bem e partirei de lá mesmo. Aqueles que irão comigo estejam prontos a seguir-me quando o fizer – avisa.

—Estaremos Lance – Malcom Merlyn declara, fazendo uma mesura em nossa direção antes de retirar-se apressadamente, Snow e os demais, a exceção de meu sogro, fazendo o mesmo.

—Quentin, esse tal prisioneiro, quem é? – interroga parecendo tenso.

—Uma testemunha dos federais contra Leonard Snart, na verdade – revela, calçando as luvas de couro – Parece-me que desta vez aquele pústula petulante cometeu um erro que irá custar-lhe caro – acresce, rindo de lado, estreitando os olhos ao encarar meu sogro – Não precisa preocupar-se Queen. Além de meus homens, três agentes do governo estão em viagem com a tal testemunha. Permanecerão em nossa cidade apenas um dia e uma noite a fim de descasarem. Partirão na primeira carruagem para Central City- informa.

—Impossível não o fazer meu amigo, ante a fama que precede Snart! – meu sogro exclama, preocupado – Por via das dúvidas pedirei a meus homens que fiquem atentos a estranhos na cidade durante este período ainda mais que estaremos fora – avisa.

—Honestamente senhor meu pai, não vejo por que devam sair em busca de Ollie e os demais. São todos adultos e responsáveis, perfeitamente capazes de defenderem-se e a Sara caso haja necessidade – minha cunhada afiança de maneira imprudente.

—Thea – admoesto-a com um olhar.

—Creio que não entenda a dimensão da atitude que vosso irmão tomou senhorita, ou estaria sim preocupada não apenas com ele mas com todo o grupo. Não trata-se de um passeio ao Quênion que conduz ao mar aqui perto, muito menos de uma excursão, por assim dizer, as terras da tribo a qual a mãe do senhor Thawne pertence – o delegado alerta – Embrenhar-se-ão em uma caçada, um busca errática na qual podem deparar-se com mau feitores, ladroes e assassinos entre outros tantos perigos. Dormirão ao relento ou em barracas e sacos. Poderão perde-se ou ficarem sem comida antes de haverem sequer conseguido uma pista do paradeiro dos jovens desaparecidos – enumera causando-me certa dose de pânico.

Oh, céus! Como fui concordar com essa maluquice? Aonde estava com a cabeça Felicity Megan Queen??, questiono-me mentalmente levando uma mão a boca, o gesto involuntário acabando por fazer-me ganhar algo inesperado: a solidariedade de minha sogra.

—Tenho certeza de que minha nora e nossas filhas não poderiam impedir ao rapazes lançarem-se nesta aventura após os mesmos haverem decidido o fazerem, meu caro Lance – ouço-a dizer, postando-se ao lado do marido – Menos ainda Laurel conseguiria impedir Sara fazer o mesmo – acresce – Sabemos o quão resolutos nossos filhos são e ficar lamentando ou desenhando quadros de terror em nada irá ajuda-los posto que o mesmo deve-lhes ter passado pela cabeça em relação ao jovem Thomas e a jovem Caitlin a ponto de os fazer agir da maneira como agiram. Resta-nos, a nós mulheres, rezarmos para que nada mau lhes aconteça antes que os encontrem e o que o mesmo ocorra aos jovens Merlyn e Snow – conclui trazendo-me lágrimas aos olhos.

—Sua esposa é uma mulher sensata Queen – o delegado comenta com admiração.

—De fato – anui meu sogro segurando a mão da esposa sem esconder o orgulho que sentia – Sou um homem de sorte em tê-la a meu lado – declara e é a vez de Thea ter os olhos marejando – Pode dizer o mesmo de sua primogênita – afirma meu sogro, a declaração do pai causando o mesmo efeito em Laurel.

—Eu sei meu amigo – concorda com um sorriso luminoso – Vamos indo. Quanto mais cedo partirmos, mais chance de os alcançarmos...Espero – convida, deixando um beijo na fronte da filha antes de retirar-se.

—Até mais ver senhorita Lance – despeço-me, passando-lhe uma mensagem muda.

—Até mais ver senhora Felicity – retribui, sorrindo fracamente – Senhorita Queen, senhora Moira – dirige-se a minha sogra e cunhada respectivamente.

—Até mais ver minha querida. Se precisar de algo mande-me avisar – minha sogra pede, beijando-lhe a face polidamente, Thea abraçando-a um pouco demorado, nós três seguindo meu sogro para fora da casa.

—Pedirei um de meus homens que fique de olho na casa do Lance – meu sogro avisa parecendo antever o pedido da esposa, que lhe sorri agradecida – Quanto a vocês, mantenham-se longe das ruas em especial nas próximas horas até este tal prisioneiro partir, entenderam? – admoesta-nos.

—Sim senhor meu pai – Thea anui, cordata.

—Sim senhor meu sogro – faço o mesmo, caminhando apressadamente, seguindo o ritmo ditado por ele, olhando rapidamente em direção a casa de minha mãe, pensando numa forma de avisa-la dos acontecimentos recentes muito embora creia que já saiba de quase tudo, questionando-me se minha sogra permitir-me-ia recebe-la em casa. Precisava desesperadamente de seus conselhos, seu apoio e principalmente seu carinho.

*** Residência Merlyn (09:15 a.m) ***

Malcom

Recostado a janela em meu quarto observo o grupo liderado pelo delegado Lance partir em sua dupla missão.

Quando retornei em casa a fim de preparar-me para a empreitada, encontrei-a em polvorosa. Minha esposa sentira-se terrivelmente mal necessitando que nossa governanta mandasse um criado a casa do doutor Hallowey apressadamente.

Por conta disto, decidi ficar em Starling.

Mesmo estando deveras preocupado com Thomas, jamais me perdoaria se algo acontecesse a Rebeca e não estivesse por perto

—Malcom – volto-me ao escuta-la chamar-me.

—Estou aqui meu amor — de imediato vou até ela, sentando-me junto a cabeceira – Sente-se melhor? – interrogo, tenso.

—Sim – responde tentando sentar-se. Mais que depressa ajudo-a afofando os travesseiros , posicionando-os de maneira a servirem-lhe de apoio – Não iria reunir-se ao delegado e o grupo de busca a nosso filho? – questiona-me, respirando lenta e profundamente ficando levemente pálida.

—Resolvi ficar. Jamais me perdoaria se algo acontecesse a você ou a nossas meninas e não estivesse presente – confesso beijando-lhe a mão – Estou certo de que nosso filho entenderá, além do que, confio em Lance e nos demais – completo vendo-a sorrir.

—Por certo que sim senhor meu marido – anui, suspirando – Sonhei com Thomas noite passada. Estava sentado sobre uma espécie de rocha. Parecia tranquilo. Será algum tipo de presságio? – interroga-me.

—Não exaspere-se senhora minha esposa, nem fique a sofrer antecipadamente imaginando coisas. Thomas está bem, estou certo disto. Nosso filho mostrou-se mais capaz do imaginava neste último mês a serviço dos Snow. Demonstrou uma maturidade que julguei não ter ao adentrar aquela sala – admito.

—Nunca duvidei da capacidade de nosso filho. Disse-lhe isto diversas vezes, lembra-se? – cobra e sorrio mais.

—Verdade – anuo, voltando minha atenção para a porta, que é aberta após uma leve batida.

—Desculpe-me interromper patrão mas a senhora Hallowey e eu devemos banhar a senhora agora – nossa governanta avisa – Preparei-lhe um banho de assento com várias ervas, como minha avó fazia, e precisa se dado ainda morno – avisa.

—Eu trouxe alguns sais curativos que meu marido prescreveu além da medicação para combater anemia – Julie Hallowey avisa.

— Seu marido não virá? – indago.

—Estávamos de saída para a residência dos Snow quando seu criado chegou – comunica, surpreendendo-me – A jovem senhorita Olivia caiu de cama repentinamente. Não esta nada bem pelo que sua aia nos contou – revela, amarrando um avental a cintura – Meu marido instruiu-me no que fazer enquanto não chega – conclui

—Muito bem. Irei deixa-las então – aviso, deixando um beijo suave no lábios pálidos de minha esposa.

—Poderia pedir a senhorita Tudor que suba patrão? Iremos precisar de ajuda caso as bebês despertem – pede-me nossa governanta.

—O farei senhora Stone – digo, deixando o aposento.

Na sala, faço a jovem ajudante subir encarregando-me pajear meu sobrinho, Davi.

—Oh de casa! – ouço chamarem seguido de palmas.

Levanto-me, Davi acompanhando-me.

—Monsenhor Robinson, seja bem-vindo – recepciono o religioso convidando-o entrar – Por certo já soube a respeito de minha esposa – concluo, indicando-lhe uma cadeira, sentando-me após ele haver se acomodado.

—Soube e também soube da senhorita Olivia – conta, pondo seu chapéu de lado.

—Ouvi falar. Que aconteceu a jovem? Parecia saudável quando a vi ontem no final da tarde – lembro.

—Ainda não sei posto que vim primeiro ver como sua senhora estava. A menina é jovem e pelos comentários não passa de uma forte constipação – comenta, abanando-se.

—Permita-me oferecer-lhe um copo com água – prontifico-me, dirigindo-me a cozinha, retornando com a água.

—Obrigado meu filho. O dia hoje promete ser sufocante! – exclama.

—Esperado depois de haver chovido o quanto choveu recentemente – acresço, respirando profundamente ao pensar em meu filho – Espero que Thomas e a senhorita Caitlin tenham-se abrigado. Uma tempestade oferece muitos riscos além de constipação e resfriado. Relâmpagos podem ser perigosos quando a céu aberto.

—De fato, mas estou certo de que o jovem Thomas terá sabido proteger-se e a jovem senhorita – tenta tranquilizar-me.

—Assim espero Monsenhor, assim espero – digo, pensativo.

—Tente manter uma atitude positiva meu caro Merlyn. Sei o quanto deve estar sendo desesperador não ter noticias de seu filho. Os Snow têm passado pela mesma aflição. Até um pouco mais por tratar-se de sua filha mais nova. Mas sofrer por antecipação em nada irá ajuda-los nem a vossos filhos. Um pensamento positivo e oração são melhores atitudes – aconselha, pondo o copo vazio sobre a mesinha a sua frente – Estou confiante que o grupo organizado pelo jovem Thawne irá ser bem sucedido – afirma me causando espanto – É, eu deposito mais confiança nos instintos do jovem mestiço, muitas vezes renegado por esta nossa sociedade aristocrática e um tanto purista, do que na logica e racionalidade de nosso bem quisto delgado Lance – acresce fazendo-me rir discretamente, uma leve batida em minha porta se fazendo ouvir – Está aberta – aviso, voltando-me para a mesma.

—Bons dias senhor Merlyn, Monsenhor – Adam Hallowey cumprimenta-nos, adentrando em minha residência – Vim ver sua esposa.

—Esta sob os cuidados de sua esposa e nossa governanta mas pode subir se desejar – libero, levantando-me e apertando a mão que me estendia.

—Antes, caso não importe-se, diga-me: a jovem Olivia, como está? – Monsenhor quer saber.

—Resfriada. Fortemente resfriada. Estava com uma febre de quarenta graus e respirando com dificuldade. Como já teve pneumonia cerca de um ano atrás suscita cuidados especiais – explica – A mediquei, fiz as recomendações de praxe e despedi-me.

—Estranho ela ter adoecido tão repentinamente. A vi perto do final do dia e parecia-me muito bem – comento mais uma vez.

—Parece-me que tomou chuva em algum momento. Por certo não trocou de roupa tão rápido como deveria e, como já citei, sua saúde é frágil – comenta, sua esposa surgindo no topo da escadaria.

—Algum problema senhora Hallowey? – preocupo-me, tenso.

—Tranquilize seu coração senhor Merlyn, Rebeca está bem – assegura-me, secando as mãos, sorridente – Ouvi a voz de meu marido e vim avisar-lhe que pode subir para vê-la – avisa.

—Bom. Irei agora mesmo, posto que ainda precisarei ir a residência dos West. Parece que a senhorita Iris também encontra-se acamada. Deem-me licença senhor Merlyn, Monsenhor Robinson — pede, subindo em companhia da esposa após nos dirigir um breve cumprimento.

—Parece-me que a tempestade trouxe consigo bem mais do que alivio para o calor. Acho que nosso bom doutor terá bastante trabalho nos próximos dias – Monsenhor comenta – Agora diga-me Merlyn, é verdade o que ouvi pelas ruas da cidade? O jovem Thawne organizou o próprio grupo de busca a seu filho e a senhorita Caitlin? – pergunta-me.

—Sim – respondo – Oliver Queen, Barry Allen,Roy Harper, meu braço direito na empresa, Raymond Palmer e para desespero de nosso dedicado delegado, a jovem senhorita Sara Lance se juntaram a ele nesta empreitada – enumero – Planejaram tudo ontem enquanto estávamos nós reunidos na prefeitura, partindo durante a madrugada de hoje – conto, um pensamento surgindo em minha mente.

—O que há meu filho? Algo o preocupa? – questiona-me o religioso ante minha expressão interrogativa.

—Estava a refletir aqui com meus botões enquanto lhe narrava os fatos Monsenhor– digo, a ruga entre meus olhos aumentando– A temperatura normalmente cai muito na cidade quando anoitece, especialmente após um dia inteiro de chuva – lembro, massageando meu queixo – Agora pergunto-me: o que duas jovens senhoritas, moças de família, solteiras, estariam a fazer na rua após o anoitecer expondo-se a tais intempéries, como parece-me o caso? – pressuponho, imaginando quais motivos teriam levado os referidos jovens tomarem uma atitude tão temerária.

*** Residência Snow (10:27 a.m) ***

Olivia Ann Snow

—Devo ser a criatura mais azarada na face da terra! – lamento-me, tossindo forte mais uma vez, Adissa vindo em meu socorro prontamente.

—Não diga isso senhorita, não é verdade – chama minha atenção, entregando-me um lencinho para que pudesse enxugar meus lábios.

—Não? Você está doente? A senhorita Queen está? Ou a senhora Felicity? Não. Apenas a tonta aqui, que por estar terrivelmente apavorada em ser descoberta pelos pais, optou em deitar-se com a combinação molhada – resmungo, minha cabeça, garganta e corpo doendo imensamente- Ai Adissa, por que sou tão tola? Deveria saber que iria adoecer tomando toda aquela chuva. E ainda teve o vento frio e...

—Senhorita não se martirize – corta-me, arrumando as cobertas ao ver-me tremer – Fez o que era correto alertando-os quanto ao senhor Chase. Quanto ao resfriado, com o devido tratamento e repouso logo estará recuperada. Cuidarei da senhorita com o mesmo carinho que cuidaria da senhorita Cailtin – assegura, fungando, fazendo menção retirar-se mas a retenho segurando-a pela mão.

—Estou certa de que o senhor Thomas não permitira nada de mal acontecer a minha irmã. Sei bem o quanto é difícil posto que eu mesma não estou a conseguir fazê-lo, mas tente acalmar vosso coração – peço, tocando meu colchão com uma mão – Sente-se aqui. Permaneça um pouco mais em minha companhia por favor. Conversemos mais um tempo até que adormeça. Quem sabe assim acalmemos uma a outra – sugiro vendo-a sorrir fracamente – E não quero correr o risco de minha mãe adentrar a questionar-me como fui adoecer de forma tão abrupta. Sinto que, no estado no qual encontro-me, poderia acabar por falar mais do que deveria e você estando por perto sentir-me-ei mais segura – confidencio.

—Pois não senhorita – anui, fazendo o que pedira-lhe.

Conversamos, em tom moderadamente baixo para não parecer que cochichávamos, acerca de tudo que ocorrera em casa e na cidade nos últimos dias. Também confidenciamos nossos temores do que uma convivência forçadamente longa entre minha irmã e o senhor Thomas, pressupondo que estariam vivos evidente, poderia acarretar já que ambas havíamos percebido o interesse mútuo que começara brotar entre eles, rogando ao Senhor que fossem fortes o suficiente para resistirem a tentação. Ambos.

Ao contrário do que esperava, quem vem ver-me é meu pai por breves minutos, verificando se estava sentindo-me melhor, contando-me as novidades (que já sabia!), deixando meu quarto quando começava a bocejar. Minutos após ele haver-se retirado, adormeço, mergulhando num mar de sonhos pouco agradáveis envolvendo minha irmã desaparecida e seu belo companheiro.

*** Estrada para Central City (domingo -11:17 a.m) ***

Quentin Lance

—Pensa seguir qual direção delegado? – a pergunta tira-me do devaneio fazendo-me olhar em direção a quem a fizera.

—Quando atingirmos a bifurcação decidiremos – limito-me dizer, irritando-me com a observação seguinte feita pelo mesmo interlocutor.

—Deveríamos traçar uma estratégia desde agora a fim de evitar novas surpresas. Eles já tem vantagem por demais em relação a nosso grupo – adverte.

—Sei disso senhor Wilson, não preciso que fique lembrando-me a cada meia hora – retruco, observando o horizonte a frente, pensativo – Antes de atingirmos a bifurcação qualquer decisão que tomemos pode reverte-se em erro. Estou certo de que Thawne tinha algo em mente, uma direção que presumiu ser, por alguma razão que me é desconhecida, a correta a ser seguida – prossigo – Temos uma pequena vantagem sobre eles pelo fato de que poderemos nos dividir em dois grupos ao passo que não o puderam fazer...

—Como pode ter certeza disto? – corta-me, Robert Queen respondendo por mim.

—O grupo é formado, já contabilizando a senhorita Sara, por seis pessoas, quatro das quais não possuem nenhuma experiencia em cavalgar dias e noites por terrenos acidentados, sob condições precárias — começa dizer, alinhando-se sobre a sela – Eddie Thawne praticamente nasceu e cresceu no lombo de um cavalo. Aprendeu a defender-se e a sobreviver em circunstancias extremas. É de longe o mais experiente dentre eles....

—Esta narrativa chegara a algum lugar? – corta-o, visivelmente irritado. Wilson não era exatamente um admirador dos nativos, todos sabiam.

—O que Robert quer dizer é que Thawne jamais iria dividir um grupo pequeno e inexperiente – é Henry Allen quem fala agora – É inteligente e astuto, apesar da pouco idade, o suficiente para saber que sua maior força consiste em mantê-los sob sua guarda – afirma tão tranquilamente que chega a surpreender-me – Sabem, desde que conversamos com as jovens na cidade tenho refletido sobre o assunto – revela, voltando seu rosto para mim – Conforme Robert explanava Thawne é experiente apesar de jovem, e como dizia eu, é astuto e inteligente. Se permitiu aos demais o acompanharem, afora Oliver Queen, o qual sabemos ser um excelente cavaleiro e exímio atirador – elogio e rio com o canto da boca lembrando-me de alguém que certamente iria contestar tal afirmação – além de ter amizade estreita com ele... Se Thawne permitiu a um cavaleiro inexperiente como meu filho e a uma mulher os acompanharem....

—Está sob a proteção dos seus! – elucido num estalo.

—Como é? Sob a proteção de quem? – Wilson questiona, intrigado.

—Thawne é uma espécie de príncipe em sua tribo. A mãe é filha do chefe ou Cacique, acho. Lembro-me de Oliver haver comentado algo a respeito – Robert revela.

—E no que raios isto tem alguma influência na situação? – rebate, parecendo ainda mais irritado.

—Tem que é um herdeiro e como tal nunca é deixado totalmente sem proteção– elucida meu amigo – Lógico! Por isto permitiu aos demais o acompanharem: sabe que se precisar recebera auxilio – conclui.

—Se é assim, por que deveríamos faze-los regressar? Aliás , se o príncipe guerreiro tomou para si a tarefa de salvar o amigo, que sentido há neste grupo? – resmunga.

—Pelo simples fato de tudo isto não passar de mera suposição – resolvo intervir, erguendo a mão a fim de calar o protesto ensaiado por Allen e Queen – Quero lembra-los, senhores, que por mais importante que este rapaz seja em sua tribo, houve uma ruptura entre eles. Thawne quase nunca vai a tribo, pelo que se sabe. Vive na cidade. Também não o vejo sendo procurado por seu irmãos de sangue e garanto-lhe que é capaz de socar a quem o chame de príncipe guerreiro – faço aspas no ar – Em minha opinião não permitiu a ninguém ir com ele. Não teve escolha. Nossos filhos, e incluo minha Sara na conta – digo, apontando de mim mesmo para Queen e Allen – São uns tremendos de uns turrões! Quando enfiam algo na cabeça não desistem até o conseguirem. O jovem Harper tem ao Merlyn como um pai, portanto faria de um tudo para ajuda-lo – enumero, rindo amarelo – Thawne sabia que iriam com ou sem ele, logo optou pelo mais seguro, como bem o disse Allen: mantê-los sob suas vistas para que possa protege-los...Espero!. Mais ainda: sabe que viremos em seu encalço. Dou quase como certo que irá dar um jeito de reunir aqueles que escolham o caminho correto a eles....Portanto Quentin, trate de pensar como o rapaz pensaria. Não quer os homens de Wilson encontrando-os antes que você quer? — questiono-me mentalmente dirigindo um olhar discreto ao referido homem.

Não havia gostado do fato de Wilson ter-se unido a nós trazendo três de seus homens, mesmo isto tendo significado um reforço significativo posto que contava apenas com dois de meus auxiliares, dois homens que trabalhavam para Robert Queen, o próprio , Henry Allen e dois auxiliares do delegado de Central City que haviam chego com notícias de meu colega acerca das buscas não arredores da cidade (que se revelaram inúteis). Algo no comportamento de Wilson não inspirava-me confiança mas como havíamos perdido Merlyn e Snow, ambos com familiares doentes, seria estranho não aceitar sua oferta.

—Pois ainda tenho para mim que Thawne tem proteção, com ou sem desavença com seus parentes – Allen insiste.

Dirijo-lhe um olhar de censura e ao faze-lo noto um de meus ajudantes, Jerome, sorrindo de maneira enigmática. Antes que pudesse interrogar-lhe acera do motivo para tal gesto, alcançamos a bifurcação, estancando.

Hora de sondar as verdadeiras intenções de Wilson , penso mas não verbalizo, apoiando-me a sela – Muito bem senhores. Aqui nos dividimos – aviso – Wilson, seus homens irão com um dos meus, um dos enviados por meu colega de Central City e os dois trazidos por Queen – determino – Jerome, vira conosco – digo – Quero lembra-los senhores, de que os ajudantes representam a lei portanto devem obedecer-lhes – enfatizo, os três dirigindo um olhar inquisidor ao patrão antes de anuírem com um aceno de cabeça – Seguirão na direção leste até os limites do penhasco sentido Central City. Caso os encontrem, levem-nos para a cidade e envie-nos alguém para avisar-nos. Seguiremos em direção oeste – informo.

—Planície do homem morto – Jerome sussurra, os olhar perdido no horizonte.

—Estejam atentos, dia e noite, tanto aos jovens quanto aos perigos no caminho. Montem guarda sempre com um dos subdelegados assim estarão protegidos diante da lei – alerto-os.

—Pode deixar delegado. Estaremos atentos – Karl, meu assistente, assegura fazendo-me sentir mais confiante.

—Partamos senhores, que temos uma vasta área a ser coberta. Boa sorte a todos nós – desejo, e, após nos despedirmos, rumo, juntamente com meu auxiliar Jerome, Robert Queen, Henry Allen e Slade Wilson, ao desfiladeiro que nos levaria a planície do homem morto.

—Percebeu que nos deixou em menor numero Lance? – Wilson questiona-me.

—Para onde estamos indo, quantidade não é sinônimo de qualidade meu caro – garanto, respirando profundamente antes de guiar meu cavalo em direção ao desfiladeiro, os demais seguindo-me de perto.

*** Início da planície do homem morto (segunda, 26/7- 06:00 a.m) ***

Sara Lance

Sentada sobre a manta que serviu-me de cama noite passada, observo os homens moverem-se ao meu redor concentrados na tarefa de preparem nosso desjejum, impressionada, reconheço, por não haverem me delegado nenhuma tarefa.

Após havermos cavalgado um dia inteiro fazendo apenas uma breve parada no que julguei ser o meio da tarde posto que o sol já começava a se deitar, havíamos montado acampamento mal saíramos do estreito trecho de desfiladeiro íngreme que desembocava na imensidão de terras a nossa frente, em sua maioria áridas.

“Harper estava certo. Teremos muito chão a cobrir!”, penso, franzido o nariz numa careta.

—Algo errado senhorita? – Raymond Palmer questiona, encarando-me sério.

—Apenas estranhando o fato de ainda não me haverem delegado a função de cozinheira posto ser a única mulher do grupo – minto, em parte, acerca do motivo de minha quietude.

—Por que? – inquire ele, pondo a manta que dobrara sobre um tronco de arvore próximo.

—Por que o quê? – devolvo, olhando-o atentamente.

—Por que estranha não a termos convocado para cozinhar? – interroga, parando a minha frente.

— Bem, deixe-me pensar – peço levando um dedo ao queixo, fingindo ponderar nova resposta – Ah, lembrei-me: sou a única mulher do grupo! – repito ironicamente, vendo-o dar um de seus sorrisos de menino que sempre me encantam.

—Bem, acredito que não possamos lhe oferecer condições adequadas para tanto, logo não seria justo pedir-lhe que o fizesse – responde e reviro os olhos.

—Um: o fato de ser mulher não a qualifica, aqui em particular, ser responsável por cozinhar para o grupo– Oliver intervém, de seu canto, atiçando o fogo – Dois – para, olhando-me com um riso divertido no rosto – Já tive uma pequena amostra de seus dotes culinários e honestamente não estou disposto a repetir a dose tão cedo! – declara, fazendo os demais rirem.

—Pois saiba que aprimorei-os desde sua última visita a nossa casa, caro senhor Queen, muito embora não pretenda deixar-me escravizar em serviço domésticos, como cozinhar, para homem nenhum– friso, levantando-me de queixo erguido – Agora, digam-me em que posso ajudar-lhes, afinal de contas não vim nesta comitiva para servir de enfeite – protesto, encarando-os, notando a ausência de nosso “comandante” – Thawne, onde está? – pergunto, segurando a caçarola que Harper entregava-me.

—Foi com Allen encher nossos cantis – Oliver informa, colocando um pequeno caldeirão sobre as chamas da fogueira– Doravante teremos que começar a racionar. Estamos entrando em território inóspito e fontes de água são raras de encontrar – explica – Pode quebrar alguns ovos na caçarola senhorita? – pede-me.

—Uhum – anuo, sentando-me perto de uma das mochilas com mantimentos, abrindo-a a fim de pegar o que pedira – Isto quer dizer que estamos próximos do destino almejado? – questiono.

—Nem de perto! – responde-me – Este é a abertura da planície. Há muito ainda a percorrer...ou não. Isto irá depender do quão longe nossos amigos foram levados – diz, suspirando – Mais a frente o descampado tem início e logo estaremos expostos a sol, chuva e sereno, como eles devem estar caso estejam deslocando-se...

—Acha que Tommy arriscar-se-ia caminhar a ermo tendo a senhorita em sua companhia? – Raymond questiona, interrompendo-o, passando-me uma colher para mexer os ovos os quais pus para fritar na segunda fogueira que haviam preparado.

—Se não tiver escolha sim – Oliver responde fazendo-me morder o lábio, temerosa – Abrigos nesta região são poucos e muitas vezes ocupados por ursos, lobos e outras espécies nativas – acresce, aumentando meu nervosismo – Caso tenham encontrado algum, acredito que Tommy irá refletir se devem ou não caminhar posto que, suponho, não tenham lhes deixado nada com que possa orientar-se em qual direção tomar ou mesmo recursos para manterem-se vivos, como um cantil por exemplo – cita.

—Por certo terão de buscar por ambos, alimento e água, a fim de manterem-se vivos enquanto a ajuda não chega – Harper comenta, estendendo-me uma caneca com café fumegante a qual aceito prontamente passando para Ray a tarefa de finalizar os ovos, ele pondo pedaços de bacon na mistura fazendo um aroma delicioso subir aos ares – E se o encontrarem travarão outra batalha: permanecer a espera de que os encontrem ou sair em busca de auxilio, o que constitui-se uma decisão nada fácil posto que o jovem senhor Merlyn não deve ter meios para defende-se a si próprio e a senhorita – pondera.

—E se ficarem parado, mesmo que em segurança, mas longe de rotas ou em local recluso, de difícil acesso ou pouco usou para viajantes, correrão o risco de não serem encontrados – Raymond acrescenta, sentando-se a meu lado, entregando-me um prato com ovos, bacon e pão.

—Poderão comer amoras silvestres até encontrarem algo mais substancioso – a voz de Thawne faz-nos voltar em sua direção vendo-o aproximar-se tendo Barry a seu lado – Tommy saberá reconhece-las da época em que acampamos junto a minha tribo – relembra.

—E aonde encontrarão algo mais substancioso? – Barry interroga, sentando-se a meu lado após colocar os cantis junto as mochilas, Thawne fazendo o mesmo.

—Caso encontrem um dos pequenos lagos escondidos pela planície, poderá pescar.... Isto se lembrar-se de como o fazer e também como obter fogo – Oliver relembra, sorrindo de forma saudosa – Nossos pais por certo agradecerão nossa pequena aventura no princípio da adolescência – relembra.

—Ainda hoje lamento não tê-los seguido! – assumo, suspirando, os rapazes rindo.

—Quanto as demais dificuldades e escolhas que supostamente terão de fazer, só podemos esperar que Tommy esteja suficientemente forte para toma-las com sabedoria – Oliver acresce, pensativo – Os ferimentos sofridos por meu amigo ainda não estavam completamente cicatrizados quando partiram – lembra, espantando-me.

—Ferimentos? Quais ferimentos? – interrogo, tensa, Thawne impedindo-o responder.

—Chega de conversa – decreta de repente, caminhando até suas mochilas – Devemos comer e partir o quanto antes. Temos um longo caminho a percorrer antes do anoitecer. Quero estar bastante avançado quando o sol pôr-se mais uma vez. Precisamos avançar até o meio da planície antes de redirecionarmos nossas buscas – avisa, carrancudo, abrindo um saco de pano, tirando broas lá de dentro.

—Deixe-me adivinhar: presentes de sua bondosa senhoria! – Barry exclama, aceitando a que lhe era oferecida – Melhor dizendo, da cozinheira da pensão – corrige-se, cheirando-a antes de comer – Quitute dos deuses! – exagera e rimos – Quando provarem me darão razão – afirma.

—Diga-me senhor Thawne por que estabeleceu tal meta? – interrogo-o, curiosa, a questão dos tais ferimentos sendo deixada de lado por hora.

—Porque levaremos mais dois dias, na melhor das hipóteses, para atingir o meio da planície, ponto decisivo para sucesso de nossa empreitada – diz, silenciando, olhando o horizonte, pensativo, por alguns segundos antes de prosseguir – Caso eu tenha feito a escolha errada, não teremos tempo hábil de encontrar nossos amigos com vida – alerta, franco, fazendo meu coração falhar uma batida.

—O fez Eddie, tenho certeza disto – Ray assegura com seu entusiasmo de sempre – E Thomas há de lembra-se de tudo que aprendeu em sua tribo e manter-se-á a si mesmo e a senhorita Caitlin vivos até que o encontremos – diz, categórico.

—Desta vez estou com Ray – Oliver afirma, tocando o ombro de Thawne – Confie em seus instintos meu amigo. Até hoje nunca lhe deixaram na mão correto? – interroga, ele confirmando com um aceno, ainda visivelmente tenso.

—Ouça o que dizem Oliver e o senhor Raymond, senhor Thawne. Confie em si mesmo como eles confiam no senhor – digo, encarando-o – Tudo dará certo e estaremos de volta a Starling com nossos amigos antes que está semana finde, bem a tempo do aniversário de Laurel, e celebraremos todos juntos numa grande festa – discurso.

—Por certo que sim! – Barry concorda, animado – E todos, incluindo nossos pais, os pais da senhorita Caitlin, os de Tommy e principalmente o senhor seu pai, delegado Lance, irão perdoar-nos por termos os desobedecido....De certa forma, o que salvara nossas peles! – acresce, erguendo um brinde imaginário ao finalizar a frase.

—Sabe que eu até já havia esquecido este pequeno detalhe! – Raymond exclama e o olho de sobrancelha arqueada – Do senhor seu pai querer nos matar – diz, pondo uma generosa colher de ovos com bacon na boca.

—Ou prender-nos em celas escuras sob a terra e atirar a chave fora – Oliver sugere.

—Ou ainda levar-nos diante do pelotão de fuzilamento apenas pelo fato de termos dormido ao lado de sua filha durante sete a dez dias, quem sabe – Harper acresce.

—Não temam. Nada irá acontecer-nos contanto que a devolvamos em segurança e do jeitinho que deixou sua casa – Thawne afirma, um sorriso enigmático no rosto.

—Não entendi – digo, encarando-o.

—Idem – Raymond corrobora minha fala, erguendo a mão, ele e eu ficando vermelhos como pimentões enquanto Harper e Allen engasgam com o café que tomavam, ao escutarmos sua explicação.

—Sem que nenhum de nós tenhamos nos deitado com ela, senhor Palmer e não me refiro a dormir! – declara calmamente, servindo-se de mais ovos com bacon – Salvo meu amigo Oliver aqui, os demais estarão sob a mira de nosso amado delegado tão logo pusermos os pés na cidade e seremos culpados até que provemos o contrário – acresce em tom divertido, rindo.

—Não vejo qual o motivo para graça senhor Thawne! – bufo, encarando-o – Se estou aqui é por confiar em cada um dos senhores – afirmo, taxativa, irritando-me ainda mais ao ver que continuava a rir – Escute aqui Thawne...

—Baixe a guarda senhorita Lance. Eddie está apenas a brincar para provoca-los – Oliver intervém mais uma vez, também sorridente – Aliviar um pouco da tensão – diz.

—Ah mas não aliviou foi nadinha! – Allen reclama.

—Para mim aliviou sim – provoca-nos ele, prepotente erguendo-se repentinamente, sobressaltando a todos.

—Porra Eddie, desse jeito morro antes que encontremos Tommy! – Raymond resmunga, uma mão sobre o coração.

—Somos dois! – Allen corrobora, encarando-o – O que foi? Ouviu o som outra vez? – questiona pondo-se de pé igualmente rápido e fazemos o mesmo, alertas.

—Thawne, se isto for mais uma de suas tentativas malfadadas de ....- começo dizer, ele cortando-me.

—Cavaleiros – quebra seu silencio apontando o horizonte.

Olhamos a direção indicada notando uma nuvem baixa de poeira relativamente distante.

—Mas como foi que....- tento arguir mas novamente sou interrompida.

—Estarão vindo em nossa direção? – Oliver questiona, tenso.

—Muito cedo para dizer. Teremos que aguardar aproximarem-se mais – afirma travando o maxilar visivelmente – Preocupa-me no momento quem sejam e o que os traz a estas bandas – diz.

—Teme que possam cruzar com Tommy e a senhorita Snow – Oliver responde a pergunta muda feita por mim e os demais – Doravante montaremos turnos de guarda quando pararmos. Sempre em dupla – avisa, olhando-me – Estará pronta senhorita? – pergunta, encarando-me.

—Sim – respondo, pressentindo que a pergunta ia além do estar disposta a permanecer acordada – Sim – reitero.

—Terminemos nossa refeição e desmontemos nosso acampamento o quanto antes. Quanto mais cedo partirmos mais avançaremos a luz do dia – Thawne decreta, voltando a sentar-se.

Suspiro dando uma ultima olhada em direção a nuvem distante, milhares de pensamentos surgindo em minha mente quando me sento junto a eles a fim de terminar o desjejum.

Vinte minutos depois estamos montados e partindo num galope acelerado, primando por fazê-lo sobre a relva tanto para esconder nosso rastro quanto para não fazermos o mesmo que os cavaleiros ao longe: denunciarmos nossa presença com uma nuvem de pó.

Rezo baixinho pedindo que Tommy e Caitlin estejam vivos e protegidos das intempéries....E de más companhias!

“....Toco a vida pra frente;

Fingindo não sofrer;

Mas o peito dormente;

Espera o bem querer;

E sei que não será surpresa;

Se o futuro me trouxer;

O passado de volta;

Num semblante de mulher;

O passado de volta;

Num semblante de mulher!”

Notas finais
Próximo capitulo o inevitável acontece! Nos vemos em breve. Bjinhos flores