O preço de uma dívida
12 O Amor é uma porta aberta!
Notas iniciais
“Raio de sol, brilho mais belo, olhar sincero;
Vibe de amor;
Seis da manhã, cheiro de mar, você a dançar;
Com seu Veuve Clicquot;
Eu sei que a vida é feita de momentos;
E o teu sorriso leu meus pensamentos...”
Sou Teu Fã
Dennis & Bruno feat. Vittin
***Planície do homem morto (terça-feira, 27/7 – 05:55 a.m)***
Thomas
Lentamente, abro os olhos mirando o teto da caverna, minha mente divagando alguns segundos antes que a ausência do peso sobre meu corpo fizesse-me despertar de vez.
—Caitlin? – chamo, levantando rápido, olhando a volta preocupado – Senhorita? Caitlin? – repito, correndo para fora, buscando-a com o olhar, minha aflição aumentando na medida em que caminho pelo terreno ermo sem encontra-la – CAITLIN? – arrisco-me chamar mais alto, voltando-me depressa ao escutar o som vindo da trilha a minhas costas, visualizando um dos filhotes a observando-me atentamente – Onde ela está amiguinho? Guie-me – peço, o filhote movendo-se em direção a clareira que havíamos descoberto dois dias atrás.
Mesmo julgando-me maluco, sigo o animal chegando ao local rapidamente. Engraçado como após termos ido até lá duas vezes, já não considerava a distância entre este e a caverna na qual nos abrigávamos tão grande.
Assim que alcanço meu objetivo paro, olhando a volta em busca de vê-la. Temia, intimamente, que Caitlin estivesse sentindo-se mais confiante após havermos desbravado o lugar no dia anterior acompanhados dos filhotes e, não tendo encontrado nada que pudesse impingir-lhe medo, decidira aventurar-se posto que mostrara-se surpreendentemente curiosa e corajosa, para meu desespero.
Passo as mãos pelo cabelo, respirando fundo, preocupando-me mais e mais a cada minuto por não notar sinal dela.
Quando aprontava-me para gritar seu nome mais uma vez, um movimento vindo do lago chama atenção fazendo-me caminhar naquela direção a passos largos. Estanco perto da margem, estupefato com a cena diante de meus olhos.
—Senhorita Cailtlin! – chamo, o mais calmo que consigo, ela voltando-se de imediato, sorridente – Que pensa estar fazendo? Acaso deseja enlouquecer-me? Ainda mais!, penso mas não verbalizo o final da frase.
—Estou a banhar-me senhor Thomas, qual o espanto? – devolve, realizando movimentos circulares na água, distraindo-me momentaneamente – Quanto a enlouquece-lo....Bem, não foi minha intenção – afirma, ainda sorrindo – Mas é bom que tenha-se sentido desta maneira para que saiba como Eu senti-me ao despertar e não tê-lo a meu lado – acresce.
—Como disse senhorita? Quando lhe fiz algo semelhante? – questiono-a tentando manter minha mente livre de pensamentos pouco ou nada pudicos visto que, sob a água, usava apenas suas roupas intimas, seu vestido largado sobre uma pedra tendo as botas por companhia.
—Na primeira madrugada na caverna e ontem repetiu o mesmo gesto: sair sem avisar-me – relembra, girando no próprio eixo de maneira displicente, fazendo surgirem círculos na superfície da água – Despertei sentindo frio por não estar a meu lado e a fogueira haver-se apagado – reclama, brincando com folhas que flutuavam próximas a ela.
—Não fiz para irrita-la ou amedronta-la, senhorita. Fui...
—Aliviar-se, já sei – corta-me, seu sorriso mudando-se para algo irônico ao encarar-me – Anda precisando de aliviar-se por demais ultimamente, Thomas! –insinua, fazendo aspas no ar.
E a culpa é de quem mesmo?— Sente-se bem senhorita? – pergunto, estranhando seu comportamento, o jeito trôpego que falava, um pensamento vindo-me a mente – Acaso andou bebendo do uísque que encontrei as escondidas? – interrogo, dando um passo à frente, estreitando os olhos, desconfiado. Havia mantido a bebida por ajudar acender o fogo mais facilmente e nada mais. Não tinha a menor intenção de fazer outro uso da mesma.
—Talvez – responde evasiva, mordendo o lábio inferior acintosamente, nadando em direção a mim– Talvez tenha confundido a garrafa com o cantil quando despertei sedenta...E talvez, só talvez, tenha apreciado o gosto depois de um tempo...E talvez o fato de sentir-me mais relaxada tenha deveras me agradado – insinua, parando a centímetros da margem – Junte-se a mim Thomas, não está sentindo calor? — convida-me, provocando novas ondas na superfície da água cristalina — Está quente e abafado mesmo sendo ainda cedo – diz a olhar-me, sedutora
—Por certo deva sentir-se quente após haver ingerido dose excessiva de uísque, a julgar por seu comportamento– acuso, lutando para controlar o formigamento em meu membro ao visualizar seu colo e parte dos seios expostos pelo tecido grudado a seu corpo sob a água.
—A bebida nada tem a ver com isto, Thomas, e sim o clima – contesta, afastando-se, os movimentos que realizava permitindo-me ver um pouco mais de seu corpo.
—Senhorita, melhor que saia da água. Não está em seu estado normal – aconselho, tenso e excitado ao mesmo tempo – Não é aconselhável nadar após ingerir bebida alcoólica. Seus reflexos ficam comprometidos, ainda mais quando não se tem costume fazê-lo, caso da senhorita– reforço, seguindo-a com o olhar.
—Estou bem Thomas, não carece preocupar-se tanto – assegura, avançando em direção as pedras de onde a água brota, apoiando as mãos em uma das saliências que forma um pequeno platô.
—Maldição! – xingo, virando-o em direção oposta a sua ao perceber que tencionava subir em tal local, o que a exporia por inteiro – Senhorita, saia da água por favor. É perigoso – reitero, controlando a muito custo a vontade de voltar-me para vê-la – Ouviu-me senhorita? – questiono, ainda de costas, ante seu silencio – Senhorita? – chamo uma vez mais, a ausência de resposta obrigando-me voltar-me a fim de saber o que acontecia, enrugando o cenho ao deparar-me com o lago vazio – Senhorita? – repito, adiantando-me até a margem, um calafrio agourento a percorrer-me a espinha – Caitlin? – torno a chamar, afligindo-me ao nota os cabelos sob a água, seus braços flutuando, imóveis – Caitlin!! – exclamo, despindo-me de camisa, calça e botas o mais rápido que consigo, ficando apenas de ceroulas, atirando-me na água tão logo termino, nadando vigorosamente em sua direção, segurando-a pelo braço tão logo a alcanço, sobressaltando-me quando me repele, erguendo-se de supetão – Mas que diabos!!??- xingo, afastando-me minimamente, encarando-a, confuso.
—O que aconteceu? – interroga, olhando em volta assustada – Por que assustou-me Thomas? – reclama, encarando-me.
—Eu assustei-a? – devolvo, tenso e irritado – Eu assustei-a!? E quanto a mim? Que pensa ter-me feito sumindo sob a água deste jeito? – inquiro, enfrentando seu olhar lívido – Esta zangada senhorita? Pois saiba que deveria ser eu, Eu – friso tocando meu peito com o dedo — Eu, a estar zangado, ou melhor, furioso por assustar-me desta maneira – esbravejo — Que tipo de brincadeira maléfica foi esta? Acaso achou que seria engraçado aterrorizar-me fingindo afogar-se? Ou simplesmente estava a dar-me o troco por ter-me ausentado de madrugada? – acuso.
—Não brinquei nem fingi afogar-me muito menos quereria dar-lhe troco algum! – rebate, empurrando-me – Estava apenas a observar o fundo do lago e suas cores sob os reflexos dos primeiros raios de sol quando surgiu, afoito, a segurar-me pelo braço, assustando-me – acusa, encarando-me, o rosto vermelho pela raiva ainda presente.
—Observar o fundo do lago? Completamente submersa após haver bebido? É mais tola do que julguei senhorita! – exclamo, sacudindo a cabeça negativamente – E eu a preocupar-me enquanto divertia-se a observar o fundo do lago e suas cores! – ironizo, dando-lhe as costas tencionando sair, estancando ao sentir o soco que desfere contra mim.
—Estupido, cretino! Como ousa julgar-me? E não dê-me as costas! – exige, desferindo mais socos fazendo-me voltar para si, segurando-a pelos pulsos a fim de contê-la – Largue-me seu bruto! – ordena, autoritária, debatendo-se, aumentando minha irritação....e excitação, reconheço.
—Não sou seu escravo para dar-me ordens senhorita. Não aqui! – revido, apertando mais firmemente seus pulsos.
—Está a me machucar Thomas! Solte-me, por favor! – implora, as lágrimas aflorando, caindo mansamente de seus olhos, fazendo-me tomar ciência de meus atos.
—Perdoe-me senhorita – peço, libertando-a bruscamente, afastando-me – Perdoe-me – reitero, encarando-a, chocado, ao ver as marcas vermelhas em seus pulsos – Caitlin, eu não quis....perdoe-me, por favor – imploro, passando as mãos por meu cabelo, nervoso, aproximando-me novamente, segurando-a gentilmente desta feita, massageando um , depois outro pulso – Perdoe-me – é tudo que consigo dizer.
—Eu que devo pedir-lhe perdão. Comportei-me como uma tola inconsequente – acusa-se, fungando, enxugando o rosto com o dorso da mão livre – Desculpe-me ter tomado a bebida. Não fiz intencionalmente...a princípio – assume, baixando a vista, sem graça – Estava sedenta, porém sonolenta, quando despertei de madrugada e acabei por confundir a garrafa com o cantil. Depois fiquei brava por ter-se ausentado sem avisar-me, mesmo que para aliviar-se....
—Não sai para aliviar-me. Acordei pensando ter ouvido algo e fui verificar do que se tratava. Não havia necessidade de acorda-la nem expô-la a riscos desnecessários – revelo, interrompendo-a – Deveria ter sido mais cuidadoso e separado o cantil da garrafa de uísque – admoesto-me, apertando os lábios, irritado comigo mesmo, não mais com ela.
—Não faria diferença posto que depois tomei um pouco mais...bem mais – admite, corando — Por vontade própria....E o fiz novamente ao despertar, por ainda estar brava e talvez tenha querido sim dar-lhe o troco ao ausentar-me sem avisá-lo – reconhece, suspirando profundamente, o movimento atraindo meu olhar para seu colo novamente – Perdoe-me Thomas, fui infantil, irresponsável, uma completa tola! – exclama.
—Não senhorita, eu que fui um estúpido insensível – acuso-me, enxugando uma lágrima teimosa em seu rosto com o polegar, acariciando a pele macia na sequência – Ambos erramos – afirmo, sentindo a opressão em meu peito diminuir ante seu riso tímido.
Não sei se por instinto ou se devido ao movimento da água, o fato é que, quando me dou conta, estamos tão próximos que posso sentir sua respiração quente a tocar-me a face, sua mão repousando sobre meu ombro causando uma ardência gostosa na pele sob ela.
Me pego perscrutando seu rosto, os olhos castanho ainda brilhantes pelas lágrimas, o nariz afilado, levemente empinado a conferir-lhe um ar atrevido, a pele clara cuja maciez sentia sob meus dedos ao acariciando -lhe o rosto, e, por fim, sua boca.... Por Deus, que boca! Parecia haver sido desenhada a mão. Tão vermelha e polpuda! Tão convidativa! Como poderei resistir a provar seu sabor? Como não me entregar a vontade em descobrir ser tão doce quanto prometia?
—Thomas?! – ouço-a soprar, entreabrindo os lábios, todo e qualquer resquício de sanidade do qual ainda dispunha esvaindo-se por completo.
Venço o espaço mínimo que separava nossas bocas, parando um segundo antes de tocar a sua, olhando-a dentro dos olhos num pedido mudo ao qual responde fechando os seus. Sinto-a reter o ar em seus pulmões quando finalmente toco seus lábios; Apenas os toco, não fazendo nenhum movimento ou pressão maior sobre eles.
Durante um tempo impreciso permaneço na mesma posição, imóvel, temendo quebrar a magia do momento ou assusta-la causando seu afastamento.
Deslizo a mão em sua face para a nuca e atrevo-me pressionar seu rosto contra o meu mais firmemente, aumentado, por conseguinte, a pressão sobre seus lábios. Seu hálito morno invade minha boca quando suspira, provocando uma onda de arrepios ao mesmo tempo em que incentiva-me a sair da inércia movendo meus lábios sobre os seus suavemente. Sinto suas mãos deslizarem por meus ombros indo repousar em minha nuca, os dedos delicados enroscando-se em meu cabelo, brincando com os fios, acariciando. Em resposta, cinjo-a pela cintura trazendo-a para junto de mim, nossos corpos moldando-se perfeitamente.
Continuo com os movimentos suaves, aumentando e diminuindo a pressão sobre seus lábios sem nunca a força abri-los. Apenas saboreio seu gosto, descobrindo serem ainda mais doces do que prometiam ser, respeitando seu tempo.
Timidamente, começa a corresponder-me, desajeitadamente a princípio, em sintonia depois. Passam-se minutos sem que separemos nossos lábios, absortos em sentir, provar o gosto um do outro.
Mesmo sem aprofundar o beijo, sinto-me excitar cada vez mais com aquele casto contato e também por ter suas mãos a brincar em minha nuca, causando-me arrepios de prazer. Jamais, até esta data, havia me sentido desta maneira com mulher nenhuma. Nunca antes um beijo tão casto e puro exercera tamanho impacto em meu ser como acontecia naquele momento. Sequer tentava tocá-la mais intimamente temendo romper a mágica. Minhas mãos mantinham-se surpreendentemente quietas em sua cintura, limitando-se acariciar lhe as costas com suavidade e delicadeza.
Apesar de temer que perceba minha excitação, cada vez mais evidente sob minha veste, não consigo afasta-la, o calor que emanava de seu corpo aquecendo-me. O fato de ela não tentar afastar-se dá-me a certeza de que sente-se como eu.
O beijo teria demorado bem mais tempo não fosse a brusca interrupção de nossos amiguinhos peludos a atirarem-se dentro d’água, espirrando-a em nós, sobressaltando-nos.
—Ora seus pestinhas! – resmungo, soltando-a, enxugando a água em meu rosto com as mãos , Caitlin fazendo o mesmo, sorrindo timidamente — Agora sim farei casacos, echarpes e luvas de vocês! – ameaço, espirrando água contra eles, que mal dão-me atenção, refestelando-se em nadar a nossa volta.
—Por certo estavam a sentir calor – ouço-a dizer com voz tremula e a olho vendo sua face adquirir uma tonalidade rubra que a deixa ainda mais encantadora.
—Por certo – anuo, indeciso se tentava nova aproximação ou...- Devemos sair d’água e providenciar nosso desjejum antes que esquente demais, dificultando-nos caminhar em busca de alimentos – escuto-me dizer, meu subconsciente xingando-me de toda sorte de palavrões enquanto minha consciência elogia-me.
—Certamente – anui, titubeando ao olhar para a margem, possivelmente a imaginar como sairia d’água sem expor-se.
—Sairei por ali – indico o local aonde sentava-me para pescar – A senhorita saia por este lado posto que seu vestido e botas encontram-se ai. Peço-lhe apenas que atire minhas roupas e calçados para perto do local por onde sairei– prossigo, nadando em direção ao local por onde tencionava sair.
—Uhum – escuto-a responder porém evito voltar-me por julgar, acertadamente, que já encaminhava-se para a margem.
Aguardo, de costas, até que a ouço avisar já haver posto minhas roupas no local que pedira. Volto-me, agradecendo-lhe com um sorriso que a faz ficar rubra novamente, eu mesmo saindo da água quando afasta-se, minimamente para meu espanto, pondo-se de costas para mim.
—Poderia, por favor, fechar meu vestido após vestir-se Thomas? – pede-me.
—Sim – respondo, terminando de vestir-me rapidamente, dirigindo um olhar as suas costas, o trançado complexo da fita de cetim fazendo-me franzir o cenho, intrigado – Posso atrever-me perguntar como conseguiu despir-se sozinha senhorita? – verbalizo o questionamento em minha mente, puxando as pontas da mesma, apertando-o gradativamente – Acaso nossos amiguinhos a ajudaram? – brinco a fim de quebrar a tensão evidente, satisfeito em escutar seu riso suave.
—Despir é mais fácil que vestir , senhor Thomas. Basta-nos estufar o peito enquanto soltamos o laço secando-o o máximo que conseguirmos ao terminar. Geralmente o tecido cede e nos permite despi-lo sem muita dificuldade – explica e sorrio.
—Truques femininos – brinco outra vez, deliciando-me com o som melódico de seu riso.
—Precisamos ter em caso de necessitarmos despir-nos rápido e não haver nenhuma aia por perto para ajudar-nos – acresce.
—Entendo – digo, pegando-me a imaginar qual situação obrigaria uma dama a despir-se apressadamente – Pronto – aviso, dando um passo para trás de forma a permiti-lhe voltar-se.
—Obrigada – agradece, apertando as mãos.
Nos encaramos em silencio, a lembrança do beijo ardendo em meus lábios. Luto contra o desejo de provar os seus novamente, minha razão a alertar-me para não apressar-me, por mais que o deseje fazer.
—Que acha de procurarmos frutas para nosso desjejum? Podemos deixar o peixe para mais tarde – sugiro, sustentando seu olhar ansioso.
—Concordo – anui, ainda a olhar-me intensamente – Por onde começamos? – questiona-me.
—Vamos buscar por aqueles melões selvagens que vimos ontem – convido, estendendo-lhe a mão.
—E quanto a eles? – pergunta, indicando os filhotes, que permaneciam a brincar na água, com um gesto de cabeça.
—Irão seguir-nos, esteja certa. Parecem ter grudado em nós como carrapatos! – exclamo, segurando sua mão, conduzindo-a até ao local aonde viramos as frutas no dia anterior, os filhotes, conforme previ, surgindo tão logo sentem nossa falta, correndo a nossa frente e redor enquanto comíamos as frutas sentados à sombra.
***Acampamento primeiro grupo de busca (05:55 a.m)***
Sara Lance
Desperto antes de os rapazes o fazerem, a exceção de Thawne, evidente. Este acorda antes mesmo que o sol e os passarinhos, se é que dorme! E se o faz, por certo deve manter um dos olhos abertos.
Dobro minha manta e cobertor arrumando-os na bolsa, um sorriso bobo dançando em minha face. Após o domingo era praticamente impossível não sentir-me otimista!
Havíamos cavalgados durante todo o dia anterior parando apenas para uma refeição frugal pouco depois da metade do dia, mas valera a pena.
Depois que saíramos da passagem que dava acesso a planície, Thawne dividira-nos em três duplas cavalgando lateralmente mantendo a distância de duzentos metros uns dos outros numa espécie de varredura. Tomara essa decisão após ter-lhe dito que não precisa arcar com a responsabilidade de escolher a direção a ser seguida por nós, posto que de tal dependia não apenas o sucesso de nossa busca mas a vida de nossos amigos...
“-Não tem que ser o único assumir tal fardo senhor Thawne “- argumentara eu, encarando-o decidida –“- Acho que falo por todos quando digo isto. Viemos para somar, ajudar, não apenas seguir suas ordens como cordeirinhos!” – prossegui, fuzilando ao Palmer com o olhar quando insinuara ser isto algo que não sei fazer. O que não deixa de ser verdade, admito –...“- A senhorita Sara está certa Eddie” – Oliver apoiara-me –“-Não podemos permitir-lhe carregar tamanho fardo sobre os ombros. Deve haver algo que possamos fazer a fim de dividi-lo convosco” — concluíra.
Thawne então ficara em silencio por um tempo indeterminado, olhando o horizonte, decidindo pela divisão, instruindo-nos a buscar pistas da passagem da carruagem que carregava nossos amigos – “- É impossível uma carruagem daquele tamanho não deixar vestígios de sua passagem” – afirmara. E estava certo.
Perto do final do dia, após havermos avançado bastante planície adentro, encontráramos uma pista de qual direção tomar. Melhor ainda: Eu encontrara!
Estava a caminhar ao lado do senhor Raymond, ambos a conduzir nossos cavalos pela rédea, desmontados, conversando acerca das motivações que levaram Caitlin e Thomas a passarem por esta situação e o provável responsável por tal, quando um brilho chamou-me atenção. A principio julguei ser algum pedaço de vidro ou metal, ou até mesmo o famoso ouro de tolos, bem comum naquela região. Porém, ao fixar meu olhar, notara tratar-se de um pequeno baú.
Damos o alerta fazendo os demais juntarem-se a nós, correndo em direção ao objeto, confirmando tratar-se mesmo de uma pequena arca. Dentro, alguns cortes de tecido, bicos e rendas apropriadas para a confecção de um vestido de casamento, tudo embrulhado em papel timbrado de uma das lojas em Central City. Ao nos espalharmos pelo terreno próximo, encontramos um cantil, restos do que parecia um caixote e o mais importante item: a bolsa de mão que minha amiga levava consigo quando saiu de Star, atrelada a seu chapéu!
Partindo destas pistas, Thawne, que rastreava o solo agachado, conseguiu encontrar marcas do que poderiam ser as rodas de uma carruagem. Estavam pouco visíveis, ele tivera praticamente que colar o rosto ao chão para visualiza-las melhor, mas estavam lá e agora sabíamos exatamente qual rumo tomar.
E foi assim que, munidos de esperança renovada, cavalgamos até escurecer, parando quando tornara-se perigoso seguir devido a escuridão, levantando cedo na segunda, mantendo o ritmo do dia anterior.
Para minha surpresa, a convivência com os rapazes estava sendo muito boa. Excelente na verdade. Apesar das brincadeiras e provocações que Raymond e Barry faziam-me ocasionalmente quando assustava-me com algum som estranho (como se eles também não o fizessem!). A única nota preocupante era o fato de haver notado Oliver a olhar para trás diversas vezes durante o dia enquanto Thawne praticamente não o fazia.
Outro fato estranho era meu pai não haver nos alcançado ainda. Por certo não descansaria até pôr as mãos em mim por o haver desafiado desta maneira.
A verdade é que ele não iria permitir-me acompanha-lo na busca mesmo sabendo o quão capaz sou (o lado delicado da família ficara para Laurel, ambos tínhamos ciência disto). Por isto quando Thawne resolveu tomar a iniciativa de sair antes que ele, não hesitei segui-lo mesmo sabendo que poderia obrigar-me retornar.
Não entendia como sua comitiva (por certo já formara uma ) ainda não chegara até nós, mas não estava reclamando por isto. De forma alguma.
Suspiro, afastando tais pensamentos, erguendo os olhos ao escutar Raymond suspirar virando-se de frente para mim.
Perco alguns segundos admirando-o dormir. Já havia notado o quanto era bonito. Agora, as ultimas horas cavalgando a seu lado, fizeram-me descobri o quanto era doce, gentil, inteligente e divertido, o que culminava numa combinação letal para corações femininos, mesmo os mais duros, por assim dizer. Como o meu.
—Pare com isto agora mesmo Sara Lance! Não é mulher de romances e não veio em busca disto. Além do mais, sabe que este é um caminho perigoso de se tomar – admoesto-me baixinho, prendendo o cabelo num rabo de cavalo alto, sacudindo a cabeça a fim de limpar minha mente – Desjejum. Isto no que deve pensar. Preparar nosso desjejum – ordeno-me, levantando decidida, voltando-me para a fogueira – OLIVER! – o grito sai antes que possa impedir fazendo com que não apenas este desperte, mas os demais igualmente, Raymond, Harper e o próprio sacando suas armas numa velocidade surpreendente.
—O que há? O que viu Lance? – Oliver interroga, olhando de um lado para outro.
—Sara, fale-nos: o que viu? – é Ray quem interroga, tocando meu braço.
—Ali. Há alguém ali! – aponto o arbusto alto que servira-nos de abrigo contra o vento, minha mão tremendo.
—Deve ser Eddie. Tem que ser ele – ouço Barry dizer com voz assustada.
—Tem que ser eu o que Allen? – a pergunta faz-nos virar em direção a voz nos deparando com o próprio a carregar dois coelhos – Que esta havendo aqui? – questiona de cenho franzido.
—A senhorita Lance disse ter visto alguém a nos observar bem ali – Barry informa ligeiro, apontando o arbusto como eu fizera segundos antes.
—Tem certeza de haver visto mesmo alguém Sara? Pode ter-se enganado – Ray indaga.
—Eu sei o que vi senhor Raymond, estou certa disto e se não dá-me cré ...- começo dizer, calando-me ao escutar Thawne dizer algo em sua língua materna em direção ao arbusto, repetindo-a, em tom imperativo e até um pouco grosseiro, após alguns segundos, irritado.
—Saia ou vou tira-lo daí pelas orelhas! – ameaça, usando nossa língua, dando dois passos na direção do arbusto, o som de galhos estalando fazendo a mim e aos demais encararmos a barreira natural sobressaltando-nos quando um jovem surge de dentro dela – Que diabos pensar estar fazendo? Acaso deseja ser morto ? – Thawne interroga ainda mais bravo, o rapaz respondendo na língua que ele usara antes e compreendo tratar-se de um nativo, um índio, muito provavelmente da tribo a qual pertence sua mãe– Em Inglês Ramon – ordena, encarando o rapaz.
—Estou cumprindo ordens ...e aperfeiçoando meu treinamento para o deserto – explica ele, sorrindo – Ou tentava fazê-lo – corrige-se, massageando a própria nuca, meio sem jeito.
—Aperfeiçoando? Deixou uma mulher vê-lo! – Thawne contesta, dando as costas a todos nós, agachando-se, dedicando-se a caça que trouxera.
—Sim, mas vocês não !- retruca o garoto, satisfeito.
—Cisco, já o havia visto desde o entardecer de ontem – Oliver informa – Eu e o Raymond ali – acresce fazendo o jovem murchar.
—Espera...Ele está seguindo-nos desde ontem, os dois viram....- paro, me voltando para Eddie – Melhor dizendo, os três – me corrijo, encarando Oliver novamente – E não avisaram-nos nada? – questiono, bufando ante a confirmação – E o conhecem, presumo! – constato, irritada – E que tem haver sido Eu a tê-lo descoberto? Acaso sou inferior a qualquer um dos senhores? – interrogo, caminhando a passos firmes de encontro a Thawne, parando com as mãos na cintura.
—Antes dir-lhe-ia que sim – admite, sincero, erguendo os olhos para mim – Hoje digo-lhe apenas que para um guerreiro, pretenso guerreiro – retifica-se, dirigindo um olhar ao rapaz – Deixar-se ser visto por quem quer que seja em sua preparação para o deserto, é motivo de chacota perante os demais jovens da tribo e antes que acuse-me de algo, saiba que não compactuo com tais atitudes, maneira de agir ou pensar, porém é assim que funciona na tribo – adianta-se, cortando o protesto que ensaiava, voltando a concentrar-se nos coelhos.
—Deserto? Que raios é isto? – Barry verbaliza minha dúvida.
—Uma preparação para o rito de transição da infância para a idade adulta – Thawne informa sem erguer os olhos.
—Os jovens da tribo, ao atingirem certa idade, passam por um ritual que consiste em ser levado e deixado em local ermo, como esta planície que adentramos, sozinho, munido apenas de seu arco, flechas e uma faca ou punhal, para que retorne a tribo por conta própria. Se sobreviver, torna-se um adulto, um guerreiro capacitado a defender a tribo, casar-se e procriar – Oliver elucida deixando-nos, a exceção de Raymond, estarrecidos.
—Está a falar sério senhor Oliver? – Harper indaga, voltando-se para Thawne ante a confirmação que recebe – Passou por isto? – questiona-o.
—Não, sou protegido por ser mestiço – responde de forma irônica.
—Ainda bem! – Barry suspira, limpando a testa.
—Barry, ele está sendo irônico – Ray diz, olhando-o com um sorriso no canto da boca – Evidente que passou ou seria um párea! – esclarece.
—Nossa. E sobreviveu! – Allen deixa a observação escapar fazendo-nos o olharmos boquiabertos – Logico que sobreviveu! – exclama, rindo amarelo.
—E eu falhei já na preparação! – ouço o rapaz dizer tristemente – Urso pardo ficara desapontado – lamenta-se.
—Se não contar, faço o mesmo – escuto Thawne dizer – E para que saiba: também falhei em minha primeira missão – conta, levantando-se, e pela primeira vez o vejo rir – Agora diga-me, onde ele está? – pergunta.
—Ele quem? – mais uma vez não consigo segurar minha língua.
—Urso pardo – o rapaz esclarece – Foi ao encontro do outro grupo após o sentinela avisar que um deles ferira-se – revela fazendo meu estomago revirar.
—Outro grupo? Refere-se ao delegado Lance? – Oliver questiona, olhando-me preocupado.
—Sim – confirma – Não o líder, um dos que o seguiam, sofreu uma queda e feriu-se – conta, parecendo relutar em falar.
—O que não está nos falando Cisco? – Thawne interroga, ele fazendo uma careta antes de responde-lo.
—O coronel – diz e noto Oliver, Thawne e Harper inquietarem-se – Foi ele a ferir-se. Seu cavalo assustou-se com algo levando-o ao chão. O machucado foi sério o suficiente para atrasa-los ou já os teriam alcançado – afirma, apontando-nos – Killy ordenou-me seguir adiante enquanto retornava ao encontro deles com o sentinela...
—E vira ter conosco após o fazer, por certo – Harper se pronuncia, finalmente – Não vou dizer estar triste em saber que o coronel precisou abandonar o grupo. Tenho razões para acreditar que tenha más intenções em relação ao senhor Thomas – conclui.
—Pergunta: que raios é este coronel e o que tem contra Tommy? -Raymond adianta-se.
—Fazia-me o mesmo questionamento senhor Palmer – corroboro.
—Vocês o conhecem por Slade Wilson. É amigo do senhor Chase – Cisco (finalmente gravei seu nome!) diz – Nós como coronel pois usava fardamento do exército americano quando perseguiu alguns de nossa tribo três verões atrás acusando-os de roubar seu animais – revela, a raiva transparecendo em sua voz — O senhor seu pai, delegado Lance, o enfrentou na época e quase perdeu o emprego por isto – relembra e sinto a raiva aflorar.
—Agora lembro-me. Canalha! Não sabia que o chamavam desta maneira. Para mim será sempre o biltre que atreveu-se chicotear um pobre garoto em plena rua principal apenas por este haver derrubado algo que carregava para ele – lembro, cerrando os punhos.
—Por que julga que ele tenha algo contra Tommy? – Barry repete o questionamento de Raymond.
—Porque andava cercando Caitlin – conto, respirando profundamente – Aquele....asqueroso, tencionava corteja-la com a permissão dos pais, o que certamente aconteceria posto que a digníssima senhora Snow valoriza imensamente uma boa e polpuda conta bancária ao invés de caráter e decência para marido de suas filhas! – bufo.
—Então que fazia num grupo que busca resgatar seu maior rival? – Allen inquire, abrindo os braços, rindo quando o encaro surpresa – Não sou cego senhorita – diz, rindo divertido – estava a notar a maneira como Thomas passara a referir-se a jovem senhorita Caitlin depois que começara servir seu pai- conta.
—Nenhum de nós o é, e por certo o digníssimo senhor Wilson também não – Harper acresce – E meu jovem patrão estava fazendo um péssimo trabalho em esconder seus sentimentos pela senhorita Caitlin.
—E ela por ele – emendo, sorrindo ao lembrar como minha amiga ficara nervosa a ponto de gaguejar quando insinuara estar-se apaixonando por Thomas – Wilson deveria estar a querer ganhar pontos junto a ela bancando o herói, garantindo seu retorno em segurança ao seio familiar – ironizo.
—Já não podemos dizer o mesmo em relação a Tommy – Oliver rosna – Por certo infiltrou-se para livrar-se de nosso amigo na primeira oportunidade – teoriza.
—O senhor delegado deve pensar o mesmo posto que o separou de seus homens – Cisco revela, esclarecendo ante nossos olhares inquisidores – Dividiu a comitiva em três grupos: um seguiu para Central City tendo os homens do xerife de lá a frente, outro a leste tendo o ajudante do Lance e o dele, tendo o coronel como membro, nesta direção – conta, voltando-se para Oliver – Vosso pai e o boticário da cidade estavam com eles bem como Jerome – avisa trazendo um sorriso aos lábios de meu amigo – Assim manteve a corja separada – cospe.
—Lance é um homem esperto – Thawne elogia, fazendo-me sorrir – Só não consegue por rédeas as filhas – acresce, apagando meu sorriso.
Volto-me pronta para briga, porém Oliver interfere.
—Cisco permanecera conosco? – interroga.
—Certamente – Thawne avisa sem deixar de olhar-me a princípio – Traga suas coisas para cá. Quanto aos demais, devemos providenciar nosso desjejum e seguirmos adiante. Já perdemos tempo por demais nesta conversação – alerta, agachando-se novamente.
—Não iremos esperar meu pai e este tal urso pardo? – interrogo.
—Killy é um guerreiro experiente. Logo os trará até nós,...se assim desejar – respondem sem olhar-me.
—E se não o desejar? – indago.
—Os levara de volta a Starling em segurança – afirma tranquilamente.
—E...- tento argumentar mas impede-me.
—Senhorita, caso tenha esquecido ainda temos uma missão. Quanto mais tempo perdemos, menos chances nossos amigos tem de sobreviver – alerta-me, erguendo os olhos para mim – Acaso deseja sentar-se e aguardar vosso pai ou tentar salvar a vida de nossos amigos? – questiona-me, sério.
Sustento seu olhar alguns segundos antes de voltar-me indo ajudar os demais no preparo do desjejum, engolindo a malcriação que desejava dizer-lhe.
*** Caverna da planície (19:55 p.m)***
Caitlin
Adentramos a caverna segundos antes de uma chuva torrencial desabar, tendo os filhotes em nosso encalço.
Havíamos protelado retornar ao local que servi-nos de abrigo o máximo que pudéramos aquele dia. Ficara evidente que as coisas seriam diferentes entre nós doravante. Nada seria igual. Não depois de havermos nos beijado.
—Como está senhorita? – ouço-o perguntar fazendo-me parar de estapear minha sai a fim de eliminar os vestígios de lodo, mato e folhas que grudara nela enquanto corríamos trilha afora a fim de evitar novo banho.
—Bem e o senhor? – devolvo, olhando-o atentamente, apertando os lábios para segurar o riso ao ver a enorme quantidade de folhas, galhos e ramos espalhados por seu corpo, da cabeça aos pés – Perdoei-me o que lhe direi, mas está a assemelhar-se uma arvore rústica de natal! – exclamo, não conseguindo mais conter o riso ao vê-lo atrapalhar-se na tentativa de limpar-se – Aqui, deixe-me ajuda-lo – peço, indo até onde estava, limpando suas costas a começar do cabelo.
Durante alguns minutos concentramo-nos na tarefa, rindo ocasionalmente ante algum comentário que faz sobre si mesmo. Por um segundo as coisas pareciam querer ficar iguais de antes do beijo, mas a sensação esvai-se assim que ficamos de frente um para o outro.
A principio mantivemos um pouco do bom humor de segundos atrás. Mas bastou-me ficar na ponta dos pés para retirar alguns galhos presos a seu cabelo, precisando apoiar uma mão em seu peito, para sentir o calor voltar a minha face e espalhar-se por meu corpo ao mergulhar naqueles olhos de um azul límpido.
—Obrigado pela ajuda senhorita. Posso terminar sozinho – escuto a voz grave dizer fazendo-me sair do devaneio no qual entrara ao mesmo tempo em que suas mãos seguram-me pelos pulsos, afastando-me gentilmente – Acha que poderia montar nossa fogueira enquanto limpo os peixes para nosso jantar? – questiona, dando um passo para longe de mim.
—Por certo que sim – respondo, suspirando – Limparei as frutinhas também – aviso, passando as mãos nervosamente pela saia de meu vestido evitando encara-lo – Deixarei a fogueira pronta para que a acenda – aviso, pondo uma mecha de cabelo por detrás da orelha, agachando-me junto ao local aonde montávamos a fogueira escutando-o murmurar algo indecifrável.
Nos minutos seguinte dedicamo-nos no preparo daquela que seria nossa ultima refeição até o dia seguinte. Ao contrário de casa, não haveria lanches ou petiscos antese de dormir. Isto se conseguisse dormir posto que a simples ideia de deitar-me ao lado de Thomas fazia-me estremecer.
Se antes começava acostumar-me a esta necessidade por conta do frio após anoitecer, hoje tudo ganhara novas conotações, novas cores e sabores. Ao menos para mim.
E para o senhor? Terá feito alguma diferença ou serei apenas mais uma que beijou? Terá minha inexperiência sido capaz de agrada-lo ou não mais irei sentir seus lábios sobre os meu novamente? E se os sentir, conseguirei resistir caso deseje ir além? Que estará passando por sua cabeça?— questiono-me mentalmente enquanto comemos, sentados de frente um para o outro, ele atirando pequenos nacos aos filhotes, evitando claramente olhar-me, o que causa-me uma pontada de dor no peito.
Ao termino da refeição frugal, levantamos indo a entrada da caverna, aproveitando a água corrente da chuva apara lavarmos nossas mãos retornando para perto do fogo tão logo o fazemos.
Mais alguns minutos passam-se sem que digamos uma palavra sequer. Apenas sentamos mantendo certa distancia um do outro e observamos a chuva cair forte lá fora.
—Vou deitar-me – anuncio, afastando-me até tocar a parede da caverna, trazendo um pedaço do forro que cortara de meu vestido para envolver meus braços e pescoço.
—Uhum – Thomas responde sem olhar-me, mantendo-se de costas.
Suspiro, fechando os olhos na tentativa de encontrar o sono, o que não ocorre. Abro-os vendo Thomas a cochilar sentado, quase caindo sobre a fogueira.
—Isto é ridículo Thomas! Venha deitar-se junto a mim, como temos feito desde o primeiro dia – convido, esticando o braço, tocando-lhe as costas – Nada mudou – afirmo.
—Engana-se senhorita – escuto-o dizer com voz pesarosa, voltando-se lentamente para mim – Nada será como antes. Não há como o ser – assegura parecendo triste – Por isto controlei-me por tanto tempo – confessa.
—Como disse? – questiono, surpresa – Então....Quer dizer que...o senhor tencionava....queria...- titubeio, confusa.
—Quero beija-la desde que foi até mim, levando-me um pedaço do bolo que preparar para o lanche – relembra fazendo-me abrir a boca espantada – Um pouco da cobertura sujava o canto de sua boca. Foi-me deveras difícil controlar-me aquele dia – admite.
—Eu...Eu não entendo – balbucio retendo o ar nos pulmões ao vê-lo inclinar-se, diminuindo a distância entre nossos rostos.
—O que não entende senhorita? – pergunta, tocando meu rosto carinhosamente – Que senti-me atraído pela senhorita praticamente desde o primeiro dia em servi vosso pai – relembra, olhando-me intensamente, silenciando e assim permanecemos por um tempo impreciso, apenas o barulho da chuva lá fora e dos chorinhos emitidos pelos filhotes vez ou outra fazendo-se ouvir.
—Thomas!? – como fizera no laguinho mais cedo, sou a primeira a quebrar o silencio, soprando seu nome talvez a espera de que tomasse a iniciativa de beijar-me tal qual o fizera anteriormente, o que não ocorre – Thomas? – repito, olhando-o interrogativamente.
—Quero muito beija-la senhorita. Por Deus, como quero fazê-lo! – confessa fazendo meu rosto esquentar.
—Por que não o faz? – desafio, inclinando-me de encontro a ele.
—Não devo. Não sei se terei forças para parar – confessa, suspirando, tencionando afastar-se, porém, antes que o faça, atrevo-me, de forma imprudente, tomar a iniciativa, tocando seus lábios com os meus fazendo com que estancasse.
Tal como acontecera pela manhã, no começo o contato é mínimo e passivo, mas logo evolui. Levando uma mão a meu rosto, Thomas começa a mover seus lábios sobre os meus, pressionando um pouco mais.
Cedo a seu pedido mudo abrindo a boca minimamente, mas o suficiente para que seu lábio inferior se pusesse entre os meus, sugando meu lábio superior, a sensação de milhares de borboletas batendo assas em meu estomago surgindo quando sinto sua língua passeando por ele. Suspiro, levando minhas mãos a seu rosto.
Quando dou-me conta, estamos deitados, Thomas a cobrir-me com seu corpo, suas mãos passeando pelo meu, ora apertando algumas partes, ora alisando suavemente. Estremeço, não sei bem porque, quando delicadamente faz uma perna deslizar por entre as minhas, algo rígido a pressionar-me o quadril.
Novas e desconhecidas sensações acometem-me na medida em suas mãos apalpam meu corpo de forma mais intensa. Não reconheço minha própria voz ao escutar o gemido que escapa-me por entre os lábios ao sentir o toque quente em meu seio esquerdo por sobre o vestido ao mesmo tempo que ergue saia com a outra mão, alisando minhas coxas por cima da combinação. Um calor misturado a um reboliço em meu baixo ventre se apoderam de mim fazendo-me arquear, gemendo de forma mais acintosa.
—Caitlin. Minha doce Caitlin – ouço-o murmurar, sua boca abandonando a minha, os lábios permanecendo colados a minha pele enquanto descem por meu pescoço indo repousar em meu colo, o calor transmitidos por eles espalhando-se como rastilho de pólvora por minhas veias.
E muito embora a chuva permaneça a cair, ruidosa, trazendo lufadas gélidas de vento sobre nós, o tremor a acometer-me vem de outra fonte, fazendo-me desejar esquecer o mundo lá fora e mergulhar nas promessas contidas no beijo de Thomas a convidar-me provar sabores até então desconhecidos para mim.
“...A minha boca diz te amo pra dentro;
Só eu posso ouvir...”
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