Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Não disse que seriam duas atts? A partir deste capitulo nosso casal em formação não terá vida fácil. Uma vingança (mais uma) irá por os dois em sérios apuros dos quais os amigos irão resgata-los ...mas não agora e não tão rápido. Grata por todas as rewiews passadas....More rewiews,pelase...Boa leitura...Bjinhos flores

“Well I just heard the new today;

It seems my life is going to change ;

I close my eyes, begin to pray;

Then tears of joy stream down my face;

With arms wide open;

Under sunlight…”

With Arms Wide Open

Creed

Vilarejo de Starling, Quinta — 22 de Julho de 1773 (05:15 a.m)

Thomas

O barulho de algo caindo desperta-me. Ergo a cabeça olhando a volta, a pouca claridade dificultando-me reconhecer aonde encontrava-me. Uma coisa era certa: não estava em meu quarto.

Apoio as mãos no colchão forçando meu tronco para cima, a ardência e a dor fazendo-me recordar os acontecimentos do dia anterior e de súbito reconheço o lugar.

Viro o corpo na imensa cama de casal ficando de lado, o perfume da mulher a qual pertencia exalando dos lençóis.

— Bom dia meu bem – a voz aveludada de Donna Smoak chega a meus ouvidos fazendo-me olhar na direção da qual veio vendo-a sentada em seu camafeu arrumando o cabelo – Parece-me bem-disposto, mas quem não estaria após uma noite....de sono reconfortante – diz propositadamente maliciando a frase antes de finalizá-la, olhando-me através do espelho.

— Não poderia ser diferente em virtude do estado no qual encontrava-me – digo, deslizando até a borda, sentando, o lençol cobrindo minha nudez...Não que ela já não me tivesse visto neste estado antes – Estou em dívida com a senhora, mama....Outra vez –lembro, escutando-a rir melodiosamente, levantando-se e vindo em minha direção.

— Em primeiro lugar, já disse que não precisa me chamar de senhora meu bem – relembra, levando uma mão a meu rosto – Em segundo lugar, pelo que as meninas dizem, não seriam pequenos ferimentos e uma dorzinha a prejudicar seu desempenho na cama – afirma, e rio meio sem graça– Vire-se, quero ver suas costas – ordena e obedeço, seu toque suave tornando ainda mais dura minha ereção matinal – Humm, muito bom. Tudo seco e sem sangramento. O tal do permanganato é realmente eficaz. Arde feito o cão, mas eficaz sem dúvida. Devo lembra-me de agradecer o senhor Allen, o pai, está pequena jóia com a qual presenteou-me – comenta, dando duas tapinhas em meu ombro – Agora refresque-se. Mandarei trazer suas roupas. Assim que estiver pronto desça para tomar o desjejum conosco – manda, caminhando até a porta enquanto fico de pé – E Thomas – volta-se de repente fazendo-me puxar o lençol rapidamente sobre minha cintura– Sinta-se à vontade para aliviar-se enquanto banha-se. A água será trocada mesmo! –sugere, piscando antes de sair, fechando a porta.

Sorrio mais uma vez, jogando o lençol sobre a cama, caminhando nu até a banheira . Seria praticamente impossível não saber onde passei a noite após banhar-me na água perfumada, mas pouco importava-me. Estava imensamente grato pelo que fizera e não seria a língua ferina das pessoas a fazer-me mudar de opinião.

— Mas terei que explicar-me em casa – murmuro, saboreando o contato da água fria contra minha pele quente.

A tina em meu quarto (não dava para chamar de banheira) sequer chegava perto ao conforto experimentado ali dentro. Deito-me preguiçosamente, deixando meu corpo relaxar de toda tensão acumulada, aproveitando para refletir acercar dos últimos acontecimentos.

Minha vida mudara radicalmente em apenas um mês!

Já não podia mais desfrutar de noitadas em companhia de meus amigos, tinha horários a cumprir religiosamente todos os dias a exceção do domingo e meu corpo começava a reclamar do excesso de atividade física pesada, muito embora certa compensação tenha vindo junto: minha musculatura começava a ficar mais forte e definida e a resistência a certas coisas que antes me derrubariam aumentara. Por exemplo, um mês atrás certamente desmaiaria feito uma mocinha ante o castigo aplicado por Adrian Chase. No entanto, não apenas resisti como permaneci firme conseguindo finalizar minhas obrigações do dia. Certo que a raiva e o orgulho tiveram sua parcela nisto também. Não quis dar o gosto de vitória aquele infeliz!

A porta sendo aberta chama minha atenção e viro o rosto naquela direção.

— Bom dia, Mon Cher !– Camille, uma das meninas da casa (com a qual me deito com certa frequência) sussurra, adentrando, caprichando no sotaque Francês (falso evidente) — Trouxe suas roupas. Estão limpas e passadas – exibe-as antes de pô-las sobre o colchão – Quer ajuda para banhar-se, mon Cher? – pergunta, mordendo o lábio, caminhando sensualmente até mim, brincando com o laço de seu traje.

— Por certo que sim. Ajuda é sempre bem vinda ,Camy – respondo, abrindo espaço para ela, que atende meu convite mudo despindo-se com graciosidade, meu pênis endurecendo novamente. Na verdade, não havia “amolecido” quando entrara.

Acompanho seus movimentos graciosos enquanto entra na banheira, inclinando-se sobre meu corpo, as mãos em meu peito, a boca, macia e doce, descendo sobre a minha, sugando meus lábios, o beijo evoluindo rapidamente. Inverto nossas posições, penetrando-a numa estocada única, forte, seu grito saindo abafado contra minha boca.

Apoio as mãos na borda da banheira, cessando o beijo, saindo dela apenas para entrar de novo, mais forte e fundo, estocando cada vez mais rápido, o movimento fazendo a água transbordar. Mantenho o ritmo fazendo-a gemer alto, agarrando-se a meus braços, o corpo delicado estremecendo segundos antes de gozar.

Aproveito sua pulsação para sair dela, gozando sob a água. Apoio minhas costas contra a toalha felpuda pendurara na borda fechando os olhos enquanto as mãos macias e hábeis continuam trabalhando em meu membro, mantendo-o duro. Segundos depois, sinto-a posiciona-se sobre ele, cavalgando-me com maestria.

Já havia me deitado com outras garotas da Mason de mama, mas Camille era quem melhor me satisfazia.

Sorrio mantendo os olhos fechados, escutando-a gemer aumentando o ritmo até gozar mais uma vez, saindo de mim antes que o fizesse dentro dela. Solto um grunhido rouco ao sentir a boca macia e quente engolir meu membro por inteiro mesmo estando parcialmente submerso, a língua brincando com meus testículos.

— Porra! – solto o impropério, apertando as mãos na borda, gemendo quando sobe devagar lambendo desde a base até a cabeça – Porra vou gozar! – aviso, o jato atingindo seu rosto mal acabo de falar, meu corpo relaxando.

Satisfeito, encaixo-a a meu lado, aquietando-me, nossa respiração voltando ao normal lentamente.

— Não poderei paga-la neste momento, Camy – aviso, afagando seu cabelo.

— Nem precisa Mon Cher. Essa foi cortesia – diz, acariciando meu peito – Uma compensação pelo que passou ontem – oferece.

— Não, faço questão de pagar. Só terá que esperar um pouco – aviso, erguendo seu rosto para vê-la e ao fazê-lo estremeço, outro rosto vindo-me a mente: Caitlin Snow.

Pisco diversas vezes a fim de espantar a imagem da filha mais nova dos Snow, levantando abruptamente quando não consigo fazê-lo.

— O que foi, Mon Cher?? – Camille pergunta, surpresa com minha atitude.

— Hã..Nada. Não foi nada – titubeio, pegando a toalha, enxugando-me enquanto caminho até a cama.

— Lembrou de algo desagradável? – questiona ela, abraçando-me por trás.

— Sim – minto, libertando-me, vestindo-me relativamente rápido, congelando ante a cena que vejo ao voltar-me: graciosamente sentada no banquinho outrora ocupado por Mama Smoak, Camille enxugava seus cabelos cacheados da cor de mel...A mesma cor dos dela! , penso ao notar a incrível semelhança entre a mulher a minha frente e Caitlin Snow: a mesma altura e cor de cabelo, a pele clara, a boca rosada...

— Até os olhos! – sussurro ao vê-la ergue-los para mim — Estou ficando louco! – resmungo, sacudindo a cabeça a fim de espantar tais pensamentos, calçando minhas botas – Vou descer. Tenho que apresentar-me na casa dos Snow – anuncio, indo até ela, tocando seus lábios num beijo rápido, saindo sem esperar resposta.

No andar de baixo, encontro Mama na cozinha em companhia de Dayna , Piper e duas outras garotas.

— Sente-se e coma algo meu bem. Ainda dispõe de um tempinho – mama pede, indicando o velho carrilhão que por alguma razão mantém no local e não na sala.

— Grato Mama, mas não quero atrasar-me – declino, pegando um sanduíche e uma maçã – Isto aqui está bom. Acerto tudo depois – aviso, abrindo a porta.

— Atreva-se vir pagar-me e sentira o peso de minha mão rapazinho! – admoesta-me e rio — Cuide-se Thomas. Não permita aquele verme maltratá-lo novamente – pede, sorrindo gentil.

— Tentarei Mama, tentarei – prometo – Tenham um bom dia – despeço-me, descendo os degraus de acesso a casa, a porta telada fazendo um barulho fofo ao bater no dormente.

Sigo a passos rápidos em direção a casa dos Snow, respondendo o aceno do senhor Miller, o leiteiro da cidade, terminando de comer o sanduíche quando estou entrando no beco que leva aos fundos da residência.

Paro ante a porta telada, na cozinha, batendo, acenando para a governanta que prontamente abre-a para mim.

— Bom dia jovem Merlyn – cumprimenta-me, sorridente como sempre.

— Bom dia senhora Gertrudes – respondo, sorrindo-lhe de volta.

— Bom dia senhor Thomas, como está? – Caitlin Snow cumprimenta-me, surgindo por detrás dela.

— Bom dia senhorita Snow – respondo de maneira polida, porém fria, dando atenção exagerada a governanta – Por onde começo senhora? – pergunto, a resposta vindo-me através da dona da casa, que surge ao lado da filha

— Limpe toda a área lateral e o quintal. Ao terminar, coloque as pedras que estão empilhadas ali de maneira a formar um caminho até os fundos da casa. Daqui a pouco chegarão os homens que meu marido contratou para armar a tenda. Ajude-os em todo o serviço a ser feito – ordena a mulher, voltando-se para a filha – Vá para a sala ajudar suas irmãs, e fique lá – frisa — Irei ao armazém com o mordomo e seu pai pegar minha encomenda – avisa fazendo meu estomago embrulhar – O que está esperando Merlyn? Ao trabalho! – comanda, batendo palmas, tirando-me da letargia.

— Pois não senhora – respondo, dando meia volta após dirigir um olhar rápido a senhorita Snow – Só espero não queira surrar-me também! – murmuro, pegando as luvas sobre a lavanderia, calçando-as antes de começar meu serviço.

**** Caitlin ****

A batida na porta provoca uma contração em meu baixo ventre.

Antes mesmo que a senhora Gertrudes a abra, já sei de quem se trata.

— Bom dia jovem Merlyn – cumprimenta ela, lhe dando passagem e retenho o ar quando fixa seus olhos sobre mim.

— Bom dia senhor Thomas, como está? – pergunto a guisa de puxar assunto mesmo tendo ciência de que hoje não teríamos chance de conversar quer fosse amistosa ou calorosamente (o mais comum visto que amava provocá-lo!).

— Bom dia senhorita Snow – responde de maneira fria, voltando-se para nossa governanta, me ignorando acintosamente, a chegada de mamãe impedindo-me soltar o comentário irônico que preparava.

Após dar-lhes as ordens, tempo durante o qual aproveito para observá-lo, volta-se para mim, ordenando-me ir ter com minhas irmãs em alguma tarefa.

Confesso: não escutei metade do que dissera! Tudo porque, mesmo que disfarçadamente, sentia o olhar dele sobre mim despertando as já costumeiras sensações em meu corpo.

— O que está esperando Merlyn? Ao trabalho – o tom áspero de minha mãe tira-nos, a ele e a mim, da letargia.

Trocamos um olhar rápido antes de ele retirar-se. Faço o mesmo ao perceber o olhar desconfiado de mamãe, apressando-me a fazer o que mandara.

Na sala, ajudo minhas irmãs a escolherem toalhas e enfeites para as mesas e outros a serem pendurados nos postes que ergueriam a tenda (mamãe optara por fazer a festa do lado externo da casa por ser mais fresco) enquanto Adissa, minha dama de companhia, polia e limpava a prataria junto com as demais damas de minhas irmãs, o grupo ganhando o reforço de uma mulher que trabalhava para o senhor Chase e viera reforçar a criadagem de nossa casa.

Estaria feliz com a festividade não fossem três coisas que me desgostavam deveras: as presenças de Adrian Chase (não suportava aquele homem!), de seu amigo e candidato a pretendente (meu, infortuna mente), Slade Wilson (outro a quem não suportava) e o fato de Thomas ter que servir na festa, o que implicava ele ser serviçal, mesmo que por uma noite, de pessoas com as quais sempre conviveu como igual incluindo a família Queen, que para meu alivio e alegria confirmara presença.

Desejava falar-lhe sobre isto, mas não houve a menor chance para tanto. Durante toda a manhã a correria é tal que mal tenho tempo para respirar. Terminamos uma coisa e já há outra a ser feita. Sem contar os preparativos para acompanhar meu irmão no dia seguinte a Central City (e fazer as “comprinhas” pedidas por Yvie!), este encontrando prazer em comandar a montagem da tenda, colocação das mesas, etc. Milagrosamente, Charlie não tentou humilhar Thomas em momento algum chegando mesmo a ajudá-lo algumas vezes. Não nego: gostei de vê-los trabalhando lado a lado sem discutirem. No meio da tarde tudo estava pronto.

Após o almoço, mamãe nos faz subir para nossos quartos recomendando relaxarmos antes de nos preparamos para a ocasião, avisando já ter escolhido a roupa que cada uma usaria.

Sozinha, tento lê deitada em minha cama, porém a conversa que escutara ao passar defronte a porta do gabinete usado como escritório por meu pai inquietava-me a mente.

Segundo escutara, a encomenda que mamãe fora buscar no armazém do senhor Chase havia sido quebrada e o responsável fora devidamente (palavras dela) punido.

Como Thomas estava a serviço deste no referido armazém, meu coração inquietou-se a ponto de fazer-me optar por banhar-me e me arrumar mais cedo, descendo antes que minha família o fizesse.

Caminho a ermo pela casa em busca de vê-lo, entrando e saindo dos cômodos movimentados. Estava por desistir quando o vejo acompanhando nosso mordomo rumo aos aposentos da criadagem. Sigo-os parando a distância segura, observando-os entrarem em um dos quartos. Pouco depois, Elliot sai do aposento deixando Thomas sozinho lá dentro.

Encho-me de coragem indo bater à porta, abrindo-a sem esperar resposta,corando ante a nudez parcial dele, uma interjeição de espanto escapando de minha boca antes que pudesse conte-la fazendo-o voltar-se rápido.

— Oh!! O que aquele homem horrível fez a você? – questiono, entrando no aposento de forma impetuosa.

— Que faz aqui? – Thomas devolve, evitando minhas mãos, afastando-se cada vez que me aproximo.

— Suas costas...O que houve? – pergunto, estancando ao notar que não permitir-me-ia tocá-lo.

— Não lhe diz respeito – responde, grosseiro — Queira retirar-se senhorita. Sua mãe ficara possessa em saber que esteve nos aposentos da criadagem – alerta, não permitindo-me retrucar – Por favor senhorita, não complique ainda mais minha vida. Retire-se antes que alguém a veja aqui – pede, evitando minhas mãos novamente.

Encaro-o alguns segundos, suspirando, dando-lhe as costas, relativamente magoada, saindo sem nada dizer.

***** Jantar de noivado *****

Narrador

Aos poucos os convidados chegam sendo conduzidos pelo mordomo a área externa onde os senhores da casa os esperavam em companhia de suas filhas e filho. Adrian Chase, Slade Wilson e o noivo, Harry McKinney, são os últimos a chegarem.

Dominique Snow toma a palavra, abrindo a oficialmente o evento, dizendo-se honrado em receber a todos em sua humilde residência em tão festiva ocasião. Em seguida, é a vez de Harry McKinney fazer o pedido oficial presenteando a noiva com uma belíssima jóia, recebendo uma salva de palmas e felicitações aos noivos e seus familiares ao final.

Terminadas as formalidades, os convidados espalham-se pelas mesas formando pequenos grupos debaixo da tenda principal e arredores, o dono da casa e sua esposa esmerando-se em dar atenção a todos igualmente.

Disposta a evitar Slade Wilson a qualquer custo, Caitlin passa grande parte da noite em companhia de Thea, Íris e Sara, que decidira vir acompanhando a irmã e o pai, as três jovens ajudando-a a esquivar-se do homem sempre que tentava aproximar-se, este aproveitando-se do único momento de distração da jovem tirando-a para dançar.

Durante a dança, tecer elogios a sua beleza, resistindo afastar-se quando a música termina.

Aflita com o assédio e temendo que o homem decidisse verbalizar o pedido de cortejá-la, a jovem pede autorização aos pais para recolher-se usando como desculpa estar cansada e precisar acordar cedo a fim de acompanhar o irmão no dia seguinte, recebendo-a. Despede-se das amigas retirando-se discretamente para seus aposentos após trocar um olhar furtivo com Thomas, que lhe sorri igualmente discreto.

Este, por sua vez, serve a todos com calma e elegância, ignorando os comentários maldosos feitos por jovens das demais famílias ricas de Starling que antes o acompanhavam nas noitadas de farra.

— Não fosse prejudicá-lo meu amigo, acertaria esses patifes esnobes um por um! – Oliver Queen rosna ganhando o apoio de Raymond Palmer, seu irmão Ronald, e do jovem Barry Allen.

— Mas irá, portanto acalme-se senhor meu marido. Não quero terminar nossa noite na sala do delgado Lance – Felicity pede.

— Por falar nele, o que tanto conversava com o prefeito e seu pai antes deste ir embora Oliver? –Raymond Palmer questiona, arqueando a sobrancelha ante o riso do loiro.

— Nada além de um pequeno ajuste de contas – responde, evasivo.

— Ajuste de qual conta? – Thomas pergunta, pondo-se em alerta.

— Digamos que depois desta noite o senhor Chase irá repensar sua forma de tratar as pessoas – Oliver assegura.

— Ok...- Thomas o olha intrigado, a conversa sendo interrompida pelo chamado do senhor Snow – Dê-me licença – pede, indo até o homem.

— Merlyn, amanhã servirar-me novamente. Irá acompanhar Charlie e as meninas a Central City junto com as respectivas damas. Irá ajudá-lo a embarcar sua bagagem. Depois ficara a disposição de minhas filhas – avisa, o rapaz assentindo com um gesto de cabeça.

— Espero que não quebre ou destrua nada! – Carla Snow bufa, encarando-o, os olhos faiscando de raiva.

— Certamente senhora – concorda o jovem.

— Ande, sirva nossos convidados. Estou a ver vários copos vazios – ordena a mulher, sorrindo afável para Adrian Chase quando este aproxima-se.

— Pois não senhora – Thomas responde, voltando-se para fazer o que ordenara, Chase retendo-o.

— Soube que dormiu no bordel ontem Merlyn. Que houve? Medo de enfrentar seu pai? – ironiza, não esperando resposta – Pena não ter tido o mesmo cuidado com outros – sibila, aproximando-se mais do jovem, aumentando a pressão na mão que segurava o braço deste – Mas fique tranqüilo, nada acontecera a sua mãe, primo ou irmã...O mesmo não posso dizer de você! – ameaça, liberando-o, indo ter com o casal Snow.

— Melhor assim – Thomas murmura, retomando suas tarefas.

O restante da festa transcorre calmamente, encerrando-se após a meia noite, os senhores da casa recolhendo-se enquanto os criados, incluindo Thomas, permanecem para a arrumação antes de recolherem-se.

***** Starling, sexta — 23 de julho (06:05 a.m )*****

Thomas

Chego à casa dos Snow ainda sonolento.

Fora para casa apenas após terminar de limpar tudo com os demais criados, bem depois das duas da madrugada. Mal pregara o olho já era hora de levantar novamente. Estava desatento, irritado, cansado, meu corpo inteiro doía por conta dos acoites na tarde da quarta. Apesar de não estarem sangrando os ferimentos incomodavam em contato com o tecido da camisa. Por sorte meus pais não haviam notado nada. Ainda.

Sigo o já habitual caminho para a residência dos Snow deparando-me com a porta da cozinha ainda trancada ao chegar. Sento nos degraus encostando a cabeça à mesma e cometo o erro de fechar os olhos achando que não adormeceria. Ledo engano!

Bastam alguns segundos para que cochile , caindo dentro do cômodo quando a porta é aberta abruptamente.

Ergo-me rápido pronto a receber a bronca, que não vem posto que fora ninguém menos que a causadora de minhas insônias (afora a festa da noite passada, óbvio) recentes a abri-la : Caitlin Snow.

— Bom dia senhor Thomas. Parece-me sonolento não? – brinca, ficando séria logo a seguir – Oh céus, perdoe-me! Deve estar sofrendo por conta dos ferimentos em suas costas. Que insensível eu sou! – admoesta-se, agoniada – Está doendo muito? Quer que busque alguma medicação para aliviar-lhe? Melhor: prefere que peça a meu pai para liberá-lo da tarefa de nos acompanhar? – interroga, olhando-me ansiosa.

— Não precisa, mesmo porque não o faria, sei bem, mas se puder arranjar-me algo que alivie as dores ficarei muito grato, senhorita – peço, caprichando propositadamente no tom e cara de sofrimento.

— Claro, claro. Entre e sente-se – convida, ficando de lado para me dar passagem — Meus pais ainda não desceram, a senhora Gertrudes também não está aqui, mas sei onde guardam os medicamentos – diz,conduzindo-me pela mão, fazendo-me sentar em uma das cadeiras.

Ok,deveria ter-lhe dito que estou bem, que as dores são suportáveis, que já havia tomado medicação (escondido) em casa, mas a verdade é que estava gostando de receber sua atenção. Atenção de fato, não as provocações usuais e corriqueiras com as quais, como o senhor Harper dissera, acostumei-me e até senti falta (mas não admitira em voz alta nem sob tortura!). Vê-la preocupada com meu bem-estar massageia meu ego.

— Vejamos o que posso oferecer-lhe – ouço-a dizer revirando uma caixa que pusera sobre a mesa.

Estava para dizer-lhe não precisar quando o irmão aparece junto com o mordomo.

— Que diabos está fazendo aqui, sozinho, com minha irmã!? – bufa e levanto de imediato.

— Aguardava as ordens senhor Charlie. A senhorita ofereceu-me...

— Não interessa – corta-me, sacudindo as mãos – Pegue as malas na sala e leve-as a carruagem em frente. O cocheiro está à espera. Seja rápido, não quero atrasar-me – ordena e aceno afirmativamente, fazendo menção sair por onde entrara – Por Deus Merlyn, poupe tempo! Siga por aqui mesmo – irrita-se, indicando o cômodo a suas costas e apresso-me a fazer o que pedia.

Na sala, o número de malas é bem menor do que esperava.

— Evidente. Quem está indo embora é ele não ela, estúpido! – xingo-me baixinho, pegando duas malas quando o senhor Snow, o pai, desce as escadas.

— Onde está meu filho? – pergunta direto, olhando a volta.

— Na cozinha senhor – respondo, saindo com duas malas, levando-as a carruagem parada defronte da casa.

Com a ajuda do cocheiro arrumo-as retornando ao interior para buscar o restante.

— Mas pai, prometeu-me que poderia ir despedir-me de Charlie – ouço a voz da senhorita Caitlin e ergo os olhos vendo-a adentra em companhia do pai e irmão – E tem as compras que Yvie pediu-me. Permita-me ir, por favor! – implora.

— Não Caitlin. Suas irmãs ainda dormem assim como sua mãe....- o velho Snow argumenta, ela o cortando.

— Mas Yvie e mamãe não iriam mesmo, apenas Liv, eu e nossas damas. Minha dama está pronta, eu também, acordei mais cedo, já tomei meu desjejum – enumera, impedindo-lhe o caminho – Estarei com Charlie toda manhã, até sua partida, e depois com minha dama e o senhor Thomas – aponta-me fazendo os dois olharem em minha direção e baixo a cabeça rapidamente fingindo não prestar atenção ao que diziam.

— Mas nem que o Merlyn fosse um eunuco permitiria a você viajar de volta para casa sozinha com ele! – Charlie Snow esbraveja.

Nossa, essa magoou! , penso, segurando o riso, aproveitando para sair com mais três malas restando apenas o baú.

Do lado de fora as coloco junto às demais que trouxera anteriormente avisando faltar apenas um volume a ser trazido. Retorno ao interior da residência, não encontrando nem sinal dos três. Dou de ombros arrastando o pesado baú para fora.

— Que raios tem aqui dentro, um corpo esquartejado? – resmungo baixinho, parando no topo da escadaria externa para respirar, o cocheiro vindo ajudar-me.

Acomodamos o objeto na parte traseira da carruagem, recostando-nos a mesma à espera dos passageiros, ou do passageiro visto que a senhorita, ao que tudo indicava, não iria mais acompanhar o irmão.

Qual não é minha surpresa ao vê-la sair da casa calçando luvas com um sorriso luminoso no rosto. E que sorriso!

— Merda, preciso parar com isso ou terei problemas! – resmungo, torcendo o nariz, levantando-me, indo a seu encontro – Irá conosco senhorita? – a pergunta sai antes que possa evitar e me recrimino em pensamento.

— Certamente – confirma, empinando o nariz – Acalme-se Thomas, não precisara tornar-se eunuco! – exclama, atrevida, dando uma tapinha leve em meu rosto.

Abro e fecho a boca, engolindo a resposta malcriada ao notar a aproximação de seu pai e irmão seguidos por uma mulher mais velha, a mesma que ajudara a governanta nos preparativos para a festa.

— Merlyn, venha aqui – Dominique Snow ordena, estancando alguns passos da carruagem, irritado – Escute bem, Caitlin irá acompanhar o irmão a Central City. Após a partida de Charlie ficará responsável por ela – avisa, pondo o dedo diante de meu nariz – Atrever-se-á toca em um fio de cabelo de minha filha e eu, pessoalmente, providenciarei para que seja castrado está me ouvindo?- ameaça.

—Se não confia em mim, por que permite que ela vá? – a resposta malcriada sai antes que impeça – Desculpe-me senhor Snow – peço de imediato, o homem bufando de raiva.

—Eu realmente devo estar perdendo o juízo! – resmunga, encarando-me – Escute rapaz, as decisões que tomo em minha casa não lhe dizem respeito. Cabe-lhe apenas assegurar que minha filha vá e retorne em segurança, está entendendo-me? – questiona.

— Sim senhor – respondo mansamente.

— A senhora Jilian os acompanhará após a partida de Charlie fazendo às vezes de dama de companhia de minha filha. Permanecera com elas o tempo todo, protegendo-as – ordena, voltando-se para o cocheiro – Traga-os de volta antes de a noite cair. Não quero minha menina por essas estradas correndo riscos desnecessários – declara, encarando-me mais uma vez.

Vá se ferrar Snow! Não deitaria com sua filha mesmo que fosse a última mulher na face da terra!, bufo mentalmente, engolindo a raiva.

— Por que não posso levar Adissa comigo? – Caitlin questiona, parando ao meu lado – Essa mulher ...Eu mal a conheço – reclama.

— A senhora Jilian é mais experiente e responsável ao passo que sua dama é tão tola quanto você – justifica-se Snow e tenho que engolir outra coisa desta vez: o riso! — Se deseja ir será com ela ou não irá — impõe, Caitlin torcendo o nariz antes de girar nos calcanhares, retornando para a carruagem – Filhos! – bufa o homem seguindo-a e faço o mesmo, alguns passos atrás – Tenha cuidado meu anjo, não fale com nenhum estranho, não afaste-se de seu irmão nem da senhora Jilian depois que ele se for – recomenda – Senhora, não a deixe sozinha um segundo sequer – acresce, nossa atenção sendo chamada pela chegada do senhor Wilson.

— Ainda bem que cheguei a tempo de despedir-me – diz, estendendo a mão para o filho de Snow — Tenha uma boa viagem meu rapaz. Espero que sua estadia na Inglaterra seja satisfatória – deseja.

— Será, tenho certeza – responde ele – Melhor irmos agora ou atrasaremos. Venha Cait, ajudo-a subir – convida, a irmã lhe dando a mão.

— A senhorita irá acompanhá-lo? – Wilson pergunta olhando direto para Snow.

—Sim. A mãe pediu para fazer umas compras – confirma ele, fechando a porta após os filhos haverem se acomodado.

— Acha uma boa ideia? Digo isso porque essas estradas são perigosas depois que anoitece – observa, arqueando a sobrancelha quando sento-me ao lado do cocheiro – Ele vai? – questiona, não escondendo seu desagrado.

— Ele a senhora Jilian – Snow responde – Faça como disse meu anjo – reforça, sorrindo para a filha – Tenha uma boa viagem filho e escreva-nos assim que chegar – recomenda, dando dos passos atrás – Não esqueçam minhas recomendações.Ambos — reforça, apontando o cocheiro e a mim.

— Sim senhor – respondo enquanto o homem sacode as rédeas, comando que põe a carruagem em movimento.

— Esses almofadinhas acham que não sei fazer meu trabalho! Acaso ele pensa que gosto de por minha vida em risco viajando a noite? – resmunga o homem e rio baixinho, olhando de lado ao passarmos defronte o armazém de Adrian Chase, notando sua presença a nos observar, o olhar que dirige-me provocando um calafrio na espinha.

**** Adrian Chase (algumas horas antes) ****

— Aqui – chamo ao notar que a mulher passaria reto, fazendo-a voltar-se – Conseguiu?

— Sim senhor. Fiz exatamente como ordenou – garante.

— Eles aceitaram? – questiono.

—Certamente. Sei ser convincente quando necessário – vangloria-se – Caso não mude de ideia, a senhora somente permitirá a garota ir em minha companhia.

— Excelente – comemoro, entregando-lhe o vidrinho escuro – Coloque quatro gotas dentro de água, suco, o que seja, e faça-os tomar, mas apenas depois que o irmão embarcar e estejam prestes a irem para a carruagem. Não quero que desmaiem em via pública – recomendo – O cocheiro já foi instruído sobre o que deve ser feito. Aqui está o pagamento combinado. Devem desaparecer e nunca mais retornarem sob pena de sofrerem as conseqüências tanto por parte das famílias quanto de minha parte – ameaço, encarando-a.

— E quanto às compras que a menina fará? – questiona, guardando o vidrinho dentro do decote.

— Fiquem com tudo. Nada pode aparecer. Nada – alerto- Agora vá, logo irá amanhecer. Nem pensem em trair-me ou irão arrepender-se – ameaço novamente.

— De jeito nenhum senhor – garante, afastando-se rapidamente.

Retorno para casa, mas não consigo dormir, a ansiedade a consumir-me

Toda a raiva que sentira quando Lance, Queen e Darhk encurralaram-me na festa estava latente. Tanto quanto sentia do imbecil Snow. Como aquele verme atrevera-se não apoiar-me após tê-lo feito com ele?

— Irá arrepender-se por não ter-me traído, Dom! – murmuro, cerrando os punhos, sorrindo ao lembrar a ingenuidade do pobre diabo ao pensar que não guardara magoa por sua atitude a ponto de contar-me os planos para o dia seguinte.

A ideia ganhou forma em minha mente ao observar a interação entre os dois jovens. Estava evidente que ambos nutriam sentimento um pelo outro. Somente um cego não perceberia.

Ansioso, levanto cedo indo para minha loja observar os preparativos de longe. Mal consigo disfarçar a satisfação ao ver a carruagem passar diante de mim.

— Adeus Merlyn, senhorita Caitlin. Pena não poder ter a chance de viver o amor que sentem – murmuro acompanhando a carruagem até que suma de vista.

**** Central City (13:45 p.m) ****

Narrador

—Venha aqui, deixe-me abraçá-la apertado – Charlie Snow pede, retendo a irmã em seus braços carinhosamente – Sentirei sua falta mocinha atrevida – diz, beijando-lhe a cabeça.

— Também sentirei a sua – responde a jovem, retribuindo o gesto.

— Deixe-me ver se estão cuidando de minha bagagem direito – pede, afastando-a com carinho, encaminhando-se a carruagem – Merlyn, venha aqui um segundo – chama-o indo pra um canto reservado – Apesar de nossas diferenças e independente das desconfianças de meu pai e minhas, sei que jamais faria mal a Caitlin – declara, sincero — Peço-lhe que cuide dela como cuidaria de Thea. Não deixe nada de ruim acontecer-lhe, por favor- pede, deixando o rapaz confuso.

— Por que todos cismaram que algo vai acontecer? – questiona o jovem – Desculpe-me senhor Snow – pede levando uma mão ao pescoço.

— Quem falou isso? Que algo daria errado, digo – Charlie quer saber, enrugando a testa.

— Minha mãe, em casa, mais cedo. A todo o momento detinha-me sem razão aparente – revela, rindo com o canto da boca.

— Minha mãe também estava esquisita – Charlie revela após alguns segundos – Devemos considerar seus avisos – pondera, voltando-se ao escutar a chamada para o embarque – Fique alerta Merlyn. Não abaixe a guarda por nada – recomenda, surpreendendo-o ao estender-lhe a mão – Diferenças a parte, espero encontrá-lo bem quando retornar – afirma, indo ao encontro da irmã – Cait, dê-me outro abraço – pede, a garota atendendo – Sentirei sua falta princesinha!

— Disse isto um incontável número de vezes. Começarei a duvidar que seja verdade – brinca a garota – Escreva-nos assim que chegar – pede, erguendo o rosto, as lagrimas aflorando sem que pudesse impedir.

— Nada de lágrimas. Isso não é um adeus. Votarei nas férias letivas e depois que graduar-me – garante o rapaz, enxugando a face da irmã com um lenço – Venha, acompanhe-me – ordena, seguindo de mãos dadas a ela estancando no sopé da escada do navio, Thomas e a dama acompanhando-os a distância – Até breve irmãzinha. Juízo nessa cabecinha linda! – recomenda, tocando-lhe a testa com o indicador.

— Por acaso não o tenho meu irmão? – questiona ela, rindo minimamente – Boa viagem, bons estudos e caso encontre a garota certa, case-se com ela! – aconselha fazendo-o rir alto.

— Farei isto com certeza. Dê um beijo em nossa mãe e irmãs por mim. Diga-lhes que mandarei presentes apenas para você já que me trocaram pelos lençóis – reclama, começando a subir a bordo juntamente com os demais passageiros – Até mais ver Cait – acena, mandando-lhe beijos com a mão.

—Até mais ver – devolve ela, limpando o rosto com o lenço deixado por ele, acenando até que o navio começar a afastar-se lentamente, permanecendo olhando o mar após o mesmo ter sumido de sua vista.

— Senhorita, devemos terminar as compras e partirmos para evitar a noite– a voz de sua dama de companhia aquele dia a desperta fazendo-a voltar-se, os olhos marejados – As horas passam muito rápido – acresce a mulher.

—Está certa senhora. Terminemos as compras então – anui, dobrando e guardando o lenço em sua bolsa – Senhor Thomas, nos acompanha?

— Certamente senhorita – confirma o rapaz, sinalizando para que caminhassem a sua frente.

— Comprei quase tudo da lista de minhas irmãs. Faltam apenas algumas linhas e rendas – Caitlin informa, obedecendo-o a princípio – Quando terminarmos, tomaremos um lanche e partiremos – avisa, parando e voltando-se – O que acha de um sorvete?

— Parece-me bom – Thomas responde distraído, assustando-se quando enlaça-lhe o braço – O que pensa estar fazendo? – protesta, tentando desvencilhar-se.

— Caminhando ao lado de meu guardião temporário, o que mais!? – responde, apertando mais firme – Acalme-se senhor Merlyn. Quem o vir agir dessa forma julgara ter medo de mulheres – provoca-o.

— Da senhorita tenho – afirma o moreno escutando-a rir.

— Por quê? Eu não mordo sabia!?- rebate, olhando-o de soslaio, escutando-o resmungar algo ininteligível, sorrindo enquanto caminham, nenhum dos dois notando o riso desdenhoso da mulher poucos passos atrás.

****** Em algum lugar ermo (dez horas depois) ****

Thomas

Abro os olhos lentamente sentindo meu cabelo sendo puxando pouco acima da orelha, a vista embasada dificultando-me enxergar.

Pisco seguidamente, o grunhido abafado em meu ouvido junto com as unhas arranhando meu ombro fazendo-me ter ciência de que algo estava sobre mim.

Um novo puxão, mais forte, seguido por uma espécie de silvo faz minha respiração acelerar levantando poeira, meu coração disparando ao perceber o que se passava.

—Um lobo! – sussurro, fechando os olhos ante novo puxão, abrindo-os ao sentir a língua áspera em minha face,o animal encarando-me com olhos brilhantes, mostrando todos os dentes ameaçadoramente.

Fecho as mãos agarrando um punhado de areia em cada, tentando raciocinar com clareza, aguçando os ouvidos ao escutar um gemido abafado que repete-se segundos depois.

O grito feminino faz-me erguer de um salto, assustando o animal, que dispara para longe na escuridão da noite.

— THOMAS! THOMAS! – me volto em direção ao chamado vendo Cailtin acuada por outro lobo alguns metros de onde estou.

—XOO! SAI, VÁ EMBORA! – grito, correndo até ela, atirando a terra em minhas mãos contra o bicho que,assim como o outro fizera, dispara noite adentro, uivando – Caitlin...Senhorita Snow, está ferida? – pergunto ajoelhando-me a sua frente, erguendo seu rosto apavorado – Caitlin, fale comigo! – peço, perscrutando seu corpo com os olhos em busca de ferimentos.

— Thomas!? – interroga, surpreendendo-me ao atirar-se sobre mim, os braços delicados envolvendo meu pescoço, apertando – Tive tanto medo! – exclama, chorando – Abri os olhos e aquele bicho cheirava-me e lambia...Nunca senti tanto medo em minha vida – repete, soluçando.

— Está tudo bem agora – digo, abraçando-a de volta, olhando por sobre sua cabeça, confuso, afastando-a delicadamente, olhando seu rosto atentamente, vendo medo e confusão em seus lindos olhos castanhos.

— Está ferido! – espanta-se, tocando meu rosto junto à boca e fronte – Está sangrando. Aquele bicho o mordeu – apavora-se.

— Não, não mordeu....acho...acho que já estava ferido...Ele só lambeu – afirmo sentindo a cabeça latejar.

— Thomas...Onde estamos? Que lugar é este? – pergunta, olhando em volta, apavorada.

— Eu não sei senhorita – respondo, ambos assustando-nos ao escutarmos o ribombar de trovões seguido do clarão de relâmpagos cortando o céu, grossas gotas de chuva começando a cair quase que imediatamente.

Ergo o rosto notando a ausência de estrelas, percebendo tratar-se de uma tempestade. Em segundos a chuva aumenta caindo pesadamente sobre nós, os trovões e relâmpagos repetindo-se.

— Precisamos buscar abrigo! – falo em alta voz a fim de fazer-me ouvir.

— Onde? Não vejo nada! – responde, encarando-me.

Olho novamente à volta, o clarão de um novo relâmpago fazendo-me enxergar o que parecia ser uma caverna.

— Ali – aponto fazendo-a olhar na direção indicada – Vamos para lá – digo, segurando firme sua mão, fazendo-a correr, mesmo aos tropeços, junto comigo parando apenas ao entrarmos na fenda entre duas rochas enormes – Ficaremos protegidos da chuva aqui dentro – afirmo.

— Onde estamos Thomas? Onde estão o cocheiro, a senhora Jilian? – questiona, abraçando-me, assustada, ante nova rodada de trovões e relâmpagos – Onde estão eles? Por que nos deixaram aqui? – questiona, chorosa.

— Não tenho resposta a essas perguntas senhorita – digo, abraçando-a de volta – Nenhuma resposta – reitero, olhando a tempestade lá fora.

Continua....

“...Well I don’t know If I’m ready;

To be the man I have to be;

I’ll take a breath, I’ll take her by my side;

We stand in awe, we’ve created life;

With arms wide open..”

Notas finais
A região da imagem representa mais ou menos o que pensei para o local onde foram abandonados. Nos vemos em 20 dias. Bjinhos flores