O preço de uma dívida
7 Desaparecidos (II): onde estão nossos filhos?
Notas iniciais
Starling City (sexta, 23/7-18:45 p.m)
Narrador
Nervoso, Dominique Snow anda de um lado para outro na varanda em sua residência, parando vez ou outra para olhar em direção a entrada da cidade na esperança de ver a carruagem chegando.
— Nada ainda? – Carla Snow pergunta, adentrando a varanda, apertando firme contra seu corpo o grosso robe que usava.
— Não, nada. Chegaram duas conduções, uma de carga outra de passageiros e nada deles – conta, passando as mãos pelo cabelo, exasperado – E essa maldita chuva que não cessa! – bufa.
— Não pragueje contra a chuva papai, estávamos precisando – Yvie Snow pede, parando a porta de casa – Eles já devem estar a caminho. A chuva pode tê-los atrasado. Tente acalmar-se – sugere a jovem.
— Isso pai. Vai ver tiveram que diminuir o ritmo por causa da tempestade – Olivia, filha do meio do casal, reforça, surgindo a janela.
— Se o cocheiro tivesse obedecido minhas ordens Caitlin já estaria de volta em casa, em segurança. Quando chegarem farei com que aquele incompetente não conduza sequer carroças!! – esbraveja o homem, apoiando as mãos no peitoril olhando a rua novamente.
— Dom, e se o culpado pelo atraso for o filho do Merlyn? E se o infeliz resolveu fugir ou pior: sequestrar nossa menina!? – Carla teoriza fazendo o marido voltar-se rápido para ela.
— Não fale bobagens mulher! O que lucraria com isto? O contrário. Só teria a perder – rebate o banqueiro – Não, o rapaz tem seus defeitos, mas não é criminoso. E apesar de meus receios, tenho confiança de que não faria mal a nossa filha – afirma, demonstrando uma confiança que estava longe de sentir.
— Como pode ter certeza disso? Não confio nele e por mim não o teria enviado em companhia de nossos filhos– revela fazendo o marido respirar fundo.
— Devo lembra-la de que Eu não queria deixa-la ir? Você e Yvie que me convencerem permitir essa bendita viagem por conta das tais inadiáveis compras? – lembra, irritado, voltando a apoiar-se no peitoril – Maldita hora em que cedi! Deveria ter me mantido firme em minha decisão de não permitir a Cait ir – resmunga.
– O senhor meu marido quem deveria ter escolhido melhor as pessoa responsável por leva-la e traze-la em segurança – acusa, recebendo um olhar fulminante dele.
— Cale-se mulher, antes que perca a paciência! – bufa Dominique, entrando em casa, saindo segundos depois munido de casaco e chapéu.
— Aonde vai? – interroga ela, vendo-o descer os degraus rumo a rua.
— Delegacia, onde mais? – questiona, fechando o casaco e ajustando o chapéu – Faça algo de útil: reze para que nada de grave tenha acontecido – diz rudemente, seguindo a passos largos em busca do delegado, deixando esposa e filhas ansiosas em casa.
*** Malcom Merlyn (18:56 p.m) ***
Me escoro no batente de casa cruzando os braços enquanto observo a chuva forte cair pesadamente, o solo encharcando-se rapidamente.
Fosse em outro momento ficaria feliz. Estava muito quente ultimamente e Rebeca sentia o calor chegando a passar mal algumas vezes. Mas agora tudo em que conseguia pensar era na segurança de Thomas e da jovem senhorita Snow.
O movimento do outro lado da praça, na casa dos Snow, chama minha atenção. Vejo-o sair pelas ruas debaixo da enxurrada dirigindo-se a passos largos presumivelmente indo ter com o delegado. Eu mesmo o havia feito quando retornava do trabalho visto que a carruagem alugada por Dominique, com previsão de chegada no final da tarde, não retornara até aquela hora deixando-me preocupado.
— Podem ter sofrido atraso por conta do mal tempo. Pelo que soube por alguns cavaleiros que vieram daquelas bandas, ventava muito em Central já no meio da tarde – Lance informara, o que não diminuiu em nada minha preocupação até porque minha esposa passara o dia inteiro agoniada, inquieta, aumentando minha preocupação por conta de seu estado.
— Senhor Merlyn, venha depressa! A senhora não está sentindo-se bem – a jovem ama, senhorita Tudor, que cuida de Davi, chama fazendo-me entrar.
Sigo-a escadas acima o mais rápido possível parando apenas quando adentro meu quarto.
— O que há? – pergunto assim que entro em nosso, abaixando-me ao lado da cama, segurando a mão de minha esposa, a aflição no rosto da senhora Stone, nossa governanta, preocupando-me.
— Acho...que ..chegou a hora..Malcom! – minha esposa sopra sorrindo fracamente e petrifico – Nosso filho vai nascer! – anuncia, fazendo uma careta, apertando minha mão com força.
— Agora? – pergunto, olhando de uma para outra, aflito.
— Bebês não escolhem hora, patrão. Apenas veem quando estão prontos para vir – minimiza a mulher, arregaçando as mangas do vestido – Cecilia, traga-me toalhas limpas, todas que tivermos, uma tesoura e álcool ...E ponha água para esquentar. Peça ajuda ao senhor Miller para pega-la – comanda, sentando aos pés da cama, as mãos sob o lençol que cobria minha esposa da cintura para baixo – Está começando senhora – avisa, posicionando-se de modo a ficar entre as pernas dela – Dobre os joelhos, firme os pés sobre o colchão e esteja pronta pra empurrar quando mandar – orienta, ajeitando os lençóis, formando uma espécie de cabana.
— E quanto a mim? O que faço? Como ajudo?– questiono, tenso.
— Ficando calmo, de preferência, para o caso de precisarmos que busque ajuda – recomenda.
— Titio? – escuto chamar e volto o rosto encontrando Davi parado a porta esfregando os olhos no exato momento em que a jovem retorna.
— Senhorita, fique com nosso sobrinho. Ajudarei a senhora Stone – ordeno, levantando-me, dobrando as mangas de minha camisa – O que faço? – pergunto novamente enquanto a jovem se retira levando Davi consigo após entregar as toalhas que trouxera.
— Sente-se atrás da senhora, apoie o corpo dela ao seu – orienta e obedeço, sentando-me recostado a cabeceira, Rebeca deitando-se parcialmente sobre meu dorso.
— Thomas, onde está? – pergunta minha esposa, ofegante.
— A carruagem esta atrasada por conta do mau tempo – minto recebendo o olhar tenso da senhora Stone.
— Toda essa chuva Malcom...não gosto disso – sopra, gemendo alto.
— Não pense nisso agora senhora. Concentre-se em respirar. Precisa relaxar o máximo que puder – orienta a mulher andando de um lado para outro em nosso quarto.
— A água – Miller, nosso mordomo, avisa, entrando no aposento.
— Ponha aqui perto e fique a porta caso precisemos – orienta a mulher, pondo as mãos sobre os joelhos de minha esposa – Muito bem senhora, quero que respire fundo quantas vezes precisar. Quando sentir-se pronta, empurre – ordena, Beca acenando afirmativamente, obedecendo-a.
Durante os primeiros minutos, tudo parece correr bem. Minha esposa seguindo as instruções fielmente, empurrando quando ela mandava fazer. No entanto, pela demora, começo a suspeitar que algo não vai bem. Havia presenciado o nascimento de Thomas e aprendi o suficiente para reconhecer os sinais de preocupação.
— O que há senhora Stone? – pergunto, aproveitando uma pausa para que minha esposa pudesse recuperar-se.
— Acho que o bebê está atravessado – confidencia em tom baixo – Vou precisar de ajuda senhor. Busque alguém por favor – pede e anuo com um gesto de cabeça.
— Voltarei o mais rápido possível – aviso, saindo discretamente.
Saio de casa correndo, ignorando a chuva, que atingira o nível de tempestade com raios e trovões muito embora apenas agora me desse conta disto. Me dirigo a casa do doutor Hallowey apenas para descobrir que não se encontrava.
Sua esposa oferece-se para ajudar e agradeço, aguardando-a pôr um casaco grosso a fim de proteger-se da chuva. Ao sairmos, encontramos Donna Smoak e uma de suas meninas que também vinham em busca do médico, a primeira oferecendo ajuda a qual, orientado pela senhora Hallowey, aceito prontamente.
Regresso a minha casa acompanhado pelas duas mulheres o mais rápido que os ventos e a chuva nos permitem fazer, o estrondo de um trovão impedindo-me escutar, a princípio, o chamado de Dominique Snow, notando sua presença apenas quando me retém no portão de casa.
— Merlyn, temos que conversar – declara, me encarando tenso – A carruagem não chegou até agora. Começo a suspeitar que algo aconteceu– informa e aceno afirmativamente.
— Sei disso e também estou preocupado — asseguro, sinalizando para as duas mulheres entrarem — Mas no momento não posso fazer ou pensar em mais nada além de minha esposa. Meu filho está nascendo – conto, ele liberando-me imediatamente – Irei ter com você assim que possível – asseguro.
— Certo. Estarei a sua espera – concorda, quase gritando por conta do ruído do vento e trovões – Espero que corra tudo bem com sua senhora – deseja, afastando-se após agradecer-lhe.
Observo-o um segundo refletindo o quanto os filhos podem nos fazer mudar. Um mês atrás uma conversa amistosa entre nós jamais me passaria pela cabeça.
Respiro fundo, entrando em casa apressadamente, juntando-me as mulheres em nosso quarto, precisando de um segundo para recuperar-me do choque ao ver a quantidade de sangue nos lençóis.
— Malcom – o chamado fraco faz-me sair da letargia indo até Rebeca, segurando a mão que me estendia, beijando-a – Thomas, já chegou? Onde está nosso filho? – questiona-me elevando meu nível de tensão ao máximo.
— A caminho – minto, reassumindo a posição as suas costas, apoiando-a – Snow esperava-me no portão. Disse-me que a chuva os atrasara – completo, envolvendo-a em meus braços quando começa a gemer.
— Certo, minha querida. Precisamos que se concentre agora. Vamos ajudá-la, mas precisamos que nos ajude também – Donna Smoak pede, ajoelhando sobre o colchão, as duas mãos na barriga de minha esposa enquanto a senhora Hallowey assume o lugar de nossa governanta deixando-a descansar – Agora, quando eu pedir, respire fundo e empurre – orienta, ela própria o fazendo – Respire...Um...respire...Dois...Respire...Três e...empurre – ordena, pressionando a barriga de Beca – Mais uma vez...Empurre! – ordena novamente, repetindo-a mais três vezes até que ouço Jane Quinn anunciar.
—Está vindo! – vibra Julie Hollowey, o choro de meu filho sendo ouvido pouco depois – Menina. É uma menina – anuncia, enrolando-a na toalha branca, amarrando o cordão antes de cortá-lo, entregando o bebê a nossa governanta que o traz para que vejamos, porém no momento em que aproxima-se, Rebeca começa a fazer força novamente.
— O que está acontecendo? Que há de errado? – pergunto, olhando-as aflito.
— Julie?? – Donna Smoak indaga, tão confusa quanto eu.
— Não sei...acho que...me parece que temos outro bebê! – exclama entre tensa e feliz – Sim, de fato são dois! – confirma, posicionando-se outra vez, fazendo Donna saltar da cama indo pegar novo cordão e toalha. Desta vez o esforço é menor e em poucos segundos o choro anunciando o nascimento de meu terceiro filho inunda o ambiente espalhando-se pela casa.
–Outra menina! – anuncia Smoak, sorridente, ajudando a senhora Hollowey a repetir todo processo de amarrar e cortar o cordão, evolvendo o bebê na toalha antes de pegá-la e traze-la até mim e Rebeca.
— Duas!? – consigo falar, finalmente, abismado, olhando de Donna para a senhora Stone, ambas pondo os bebês nos braços de minha esposa – Duas meninas meu amor! Fizemos duas meninas de uma vez só! – vibro, olhando os rostinhos maravilhado, beijando o rosto suado de minha esposa – Obrigado amor. Muito obrigado – agradeço vendo-a sorrir fracamente, tomando uma respiração forte, fechando os olhos – Beca? – chamo, voltando a ficar tenso.
— Está cansada pelo esforço excessivo senhor – nossa governanta diz, pegando um dos bebês, Donna o outro – Deve sair agora para que possamos limpar mãe e filhas, trocar lençóis, vesti-las... – enumera, pondo o bebê no berço ao lado da irmã – Ordene a Cecilia vir nos ajudar – acresce, me encarando – Agora senhor Merlyn, agora! – exclama, imperativa, fazendo-me reagir.
—Sim – digo simplesmente, deixando um beijo nos lábios pálidos de minha esposa antes de sair de nosso quarto, indo ao quarto de meu sobrinho a fim de fazer o que pedira.
Sento no colchão ao lado de um adormecido Davi olhando o nada, alegria, tristeza e preocupação alternando-se em minha mente e coração, atento através da porta entreaberta a movimentação lá fora.
Três horas e meia depois, sou chamado a voltar a nosso quarto.
— Sua esposa está muito fraca por conta do sangue que perdeu. Precisa descansar o máximo possível nas próximas vinte e quatro horas e evitar emoções fortes – Julie Hallowey alerta – Assim que meu marido retornar peço-lhe que venha vê-la. Por hora, repouso, alimentação e carinho – aconselha, tocando meu ombro – Meus parabéns, senhor Merlyn – cumprimenta, afastando-se minimamente.
— Obrigado – agradeço num sussurro, indo até o berço ver minhas meninas que dormiam tranquilas, inclinando-me sobre Rebeca, beijando-lhe a fronte e face ao mesmo tempo em que caricio seus cabelos ainda úmidos.
— Vou preparar uma canja para a senhora – nossa governanta avisa, retirando-se.
— Também vou indo. Tenho que ver como as coisas estão em minha casa – Donna Smoak avisa e ergo os olhos para as duas mulheres paradas no meio do aposento.
— Senhora Smoak, senhora Hollowey, muito obrigado por tudo – agradeço, emocionado, as duas mulheres fazendo uma reverencia antes de retirarem-se.
— Malcom – minha esposa chama e sento a seu lado, segurando e beijando-lhe a mão – Os bebês, como estão? – quer saber.
— Estão bem meu amor. Estão muito bem – tranquilizo-a — São lindas Beca! – digo, beijando-a castamente – Obrigado amor – repito, acariciando seu rosto.
— E Thomas, quando chega? – pergunta fazendo-me ficar tenso.
— Thomas está bem amor, não se preocupe – garanto – Agora descanse. Daqui a pouco a senhora Stone trará comida para você – peço, fazendo-a deitar a cabeça em meu peito.
Alguns minutos depois, nossa governanta adentra trazendo a canja, fazendo-a tomar quase todo o prato enquanto nino uma das meninas, que chorava. Mesmo fraca, Beca insiste em amamentar as duas, reclinando-se após tê-lo feito, adormecendo quase que automaticamente. Sento na poltrona ao lado de nossa cama descalçando minhas botas molhadas, observando-a dormir tranquila, o rosto readquirindo parte da cor.
Permaneço desperto, a seu lado, até que amanheça.
Levanto silenciosamente indo até o berço, constatando que minhas filhas continuavam, assim como a mãe, a dormir tranquilamente. Olho pela janela notando que o sábado amanhecera nublado com promessa de mais chuva, o que não era nada bom. Deixo um beijo na fronte de Beca antes de sair.
— Senhorita Tudor, por favor fique com minha esposa – peço adentrando a cozinha, calçando botas secas.
—Vai sair patrão? – o senhor Miller, nosso faz tudo, como meu filho costuma dizer, questiona.
— Irei senhor Miller. Volto assim que possível. Peço-lhe que ajude a senhorita Tudor e a senhora Stone no que precisarem – digo, saindo pela porta dos fundos, dirigindo-me para a casa de Dominique Snow, encontrando-o sentado em uma cadeira na varanda, a cabeça pendendo entre as mãos – Snow, bom dia – cumprimento fazendo-o levantar de um salto permitindo-me ver o quão abatido estava .
— Não sei se será um bom dia Merlyn – declara, olheiras profundas confirmando que dormira tanto quanto eu – Sua esposa, como está? – quer saber.
— Recuperando-se – digo – Alguma notícia? – quero saber sentindo cada musculo de meu corpo retesar-se ante sua resposta.
— Não, nada ainda – diz, olhando a estrada, desolado – Nem sinal da carruagem...nem de nossos filhos! – completa.
Passo as mãos em meu rosto e cabelos, sentando-me nos degraus da escada de acesso a sua varanda, o cansaço e a tensão acumulados me atingindo finalmente.
Puxo o ar com força, soltando-o lentamente, meu olhar perdendo-se no horizonte ainda fechado anunciando que a chuva persistiria por mais um dia deixando-me desanimado.
— Sinto-me completamente impotente como nunca me senti antes na vida – murmuro baixinho, o nó em minha garganta aumentando a ponta de quase sufocar-me.
— Que faremos? – a pergunta faz-me erguer o rosto encontrando o de Snow a me observar, atento – Não sei você, mas não pretendo passar o dia agoniado a espera de notícias – afirma.
— Digo o mesmo – asseguro, levantando – Vamos ter com Lance acerca das providencias a serem tomadas – declaro, começando a caminhada em direção a casa do delegado, ele seguindo-me decidido.
No caminho cruzamos com o doutor Adam Hollowey acompanhado por sua esposa, este avisando-me estar indo ver Rebecca, detendo-me um segundo a fim de saber como ela e os bebês haviam passado a noite, cumprimentando-me pelo duplo nascimento.
— Duas meninas! Meus parabéns Merlyn – Snow cumprimenta, sorrindo minimamente quando retomamos nosso caminho, subindo os degraus da varanda na casa de Lance no momento em que o mesmo saia.
— Imaginei que os veria logo cedo – afirma o delegado, olhando-nos atentamente, arqueando a sobrancelha ao ver algumas manchas de sangue em minha roupa (não havia trocado) – Que aconteceu? – interroga.
— Não brigamos, se é o que o preocupa – Snow adianta-se – A esposa de Merlyn deu à luz está madrugada. Gêmeas — anuncia, o grito eufórico sobressaltando a nós três.
— Gêmeas? Meninas, é isso mesmo? – Laurel Lance pergunta, surgindo as costas do pai, batendo palmas entusiasmada quando confirmo com um gesto de cabeça – Que coisa linda! Parabéns senhor Merlyn. Podemos visita-la? – pede, não esperando resposta – Oh, queiram perdoar-me. Os senhores aflitos com a ausência de Caitlin e Thomas e eu aqui, toda eufórica! Mil perdões – pede, sem graça.
— Não se preocupe senhorita Lance. Durante algumas horas esqueci-me das preocupações atento apenas a minha esposa e filhas recém-nascidas, alegrando-me momentaneamente – assumo, sorrindo fracamente.
— Compreensível. Como está sua esposa? – Quentin Lance pergunta, indicando as cadeiras a nossa direita.
— Fraca. Além do esforço por uma das meninas estar atravessada no inicio do parto, perdeu muito sangue. O doutor Hollowey foi vê-la junto com a esposa agora mesmo – aviso, sentando-me, Snow fazendo o mesmo.
— Neste caso deixarei para visita-la mais tarde. Muita gente só irá agitá-la. Deseja que lhes traga algo para beber meu pai? Um café? –Laurel Lance pergunta, solicita.
— Por favor querida – Lance agradece, a jovem fazendo uma reverencia antes de voltar ao interior da casa – Imagino que devam querer saber o que farei para descobrir o que houve com a carruagem desaparecida – começa dizer fazendo-me gelar. Ouvir em alta voz tonar a coisa toda real.
— Sim. Pensou em algo? – quero saber, encarando-o.
— Irei com dois homens refazer o trajeto da carruagem – avisa, entrelaçando os dedos – Apesar de os viajantes que chegaram ontem pouco antes da tempestade terem dito não ter encontrado nenhuma com problemas durante o trajeto até Starling, quero refaze-lo assim mesmo, indo um pouco fora da rota a princípio. O cocheiro conhece bem a região, pode ter buscado abrigo no caso de terem sido pegos pela chuva quando esta ficou mais forte – teoriza acendendo uma chama de esperança.
— Quando irá? Quero acompanha-lo – peço, recostando-me para dar espaço a criada nos servir.
— Dentro em pouco. Irei até a delegacia, escolherei dois ajudantes, darei as ordens do dia aos que permanecerão e partirei – avisa, sinalizando a mulher não o servir.
—Também quero acompanha-lo delegado. Não conseguirei ficar em casa à espera de notícias – Snow afirma, levantando antes de terminar seu café – Vou preparar-me – avisa, estancando no primeiro degrau – Devo levar minha arma? – pergunta.
—Sim – Lance responde após breve hesitação, Snow acenando antes de retirar-se sem me aguardar.
—Vou em casa preparar-me também. Encontro-os em frente à delegacia?? – questiono, levantando.
— Sim – responde, pensativo – Merlyn – chama e estanco, voltando-me para ele – Evidente que espero o melhor...Mas devem prepara-se igualmente para o pior – alerta, ficando de pé – Além dos perigos habituais, a tempestade de ontem foi severa. Se os cavalos se espantaram, a carruagem pode ter-se desgovernado e...
— Entendo o que quer dizer delegado – ergo a mão, o cortando, não querendo ouvir em voz alta os temores que trazia no coração — Estarei preparado para o que for – garanto com uma calma que não sentia – Nos vemos dentro em pouco – despeço-me, fazendo o caminho de casa a passos rápidos.
Ao chegar, sou recebido pela senhora Stone, doutor Hollowey e sua esposa, que conversavam acerca dos cuidados que Rebeca deveria receber nos próximos dias.
— Bom que tenha chegado Merlyn – Adam diz, voltando sua atenção para mim – Sua esposa está muito debilitada pela perda excessiva de sangue. Precisa de repouso absoluto e nenhum aborrecimento – recomenda e suspiro – Providencie a medicação que receitei. Já orientei sua governanta acerca dos cuidados com a alimentação e banhos dela e dos bebês – avisa, entregando-me a receita – Meus parabéns, suas filhas são lindas e saudáveis – elogia.
— Obrigado doutor. Senhora Hollowey, não tenho palavras para agradecer sua ajuda ontem – digo, ela sorrindo discretamente.
— Não foi nada senhor Merlyn. Virei visitar Rebeca mais tarde, caso não importe-se – condiciona.
— De forma alguma. Na verdade, gostaria de pedir-lhes, a ambos, para que não se retirassem agora. Preciso contar algo a minha esposa e não sei como irá reagir – peço, respirando fundo antes de falar – A carruagem dos Snow ainda não apareceu. Oficialmente não estão desaparecidos ainda, no entanto, a tempestade, a falta de notícias...Tudo leva a crer que algo aconteceu. O delgado sairá em alguns minutos e Snow e eu iremos com ele. Refaremos o trajeto até Central City. Não vejo outra maneira de explicar minha ausência a Rebecca se não com a verdade – concluo.
— Estou ciente. Nossa criada comentou algo a respeito enquanto servia o desjejum. Parece que os criados de Snow comentaram no armazém que seu senhor não dormira preocupado com a filha – Adam Hollowey revela – Não sei se é recomendável sua esposa ter conhecimento deste fato – pondera.
— Será bem pior se ela não souber meu marido. Ontem perguntou diversas vezes pelo filho, se havia chegado, se estava bem. Melhor que saiba logo e pelo marido. Este tipo de notícia nunca fica em segredo muito tempo, como bem sabe – Julie Hollowey recomenda, pousando a mão sobre o braço do marido – Melhor que conte enquanto estamos aqui para o caso de Rebeca sentir-se mal – recomenda.
— Está certa meu amor – Hollowey concorda, pondo sua mão sobre a dela – Ficaremos a entrada de seu quarto enquanto conversa com sua esposa. Se precisar, basta chamar-nos – diz e agradeço com um aceno.
Subo os degraus até meu quarto com os dois logo atrás, entrando devagar na esperança de que Beca estivesse dormindo.
—Titio, olha os bebês como são bonitos – Davi vem a mim correndo, puxando-me pela mão até a cama onde minha esposa segurava uma das meninas.
— Nossas meninas são famintas! – Beca exclama, sorridente e sorrio em resposta, afagando seu rosto – E Thomas, onde está que não veio ver as irmãs? – quer saber, fazendo-me estremecer.
— Senhorita Tudor, pode, por favor pegar o bebê e depois levar Davi para a sala? -peço, Beca olhando-me desconfiada, a jovem obedecendo-me após uma breve reverencia.
Sento-me ao lado de Beca, segurando-lhe as mãos entre as minhas, olhando dentro de seus olhos.
— Beca, preciso lhe contar uma coisa, mas quero que tente manter-se calma – peço vendo e sentindo-a retesar-se.
— É Thomas não é? Aconteceu algo a nosso filho não foi? – pergunta, ansiosa e busco ar antes de contar-lhe o que ocorrerá.
— A carruagem ainda não regressou meu amor – conto, explicando o que se passava, contando minha intenção em seguir com Lance e Snow – Não há motivos para desespero meu amor, eles podem estar, como o delegado disse, escondidos em algum abrigo. Quem sabe os encontramos já na ida – digo, otimista.
— Deus o ouça meu amor! – exclama, enxugando os olhos.
— Beca, só irei se estiver bem, caso contrário ficarei em casa – condiciono, segurando suas mãos frias.
— Ficarei bem, prometo. Só traga nosso filho de volta, por favor – pede, envolvendo meu pescoço com os braços, me dando um beijo casto – Mas troque essa roupa. Está fedendo! – ralha e rio minimamente – E coma algo. Sei que não se alimentou direito desde ontem à noite – pede.
— Farei isto – digo, retribuindo o beijo, afagando seu rosto pálido e tenso, permitindo-me perder em seus olhos alguns minutos.
Levanto-me, caminho até o armário, pego uma muda de roupa, minha arma (disfarçadamente) e me retiro do quarto, agradecendo ao casal Hollowey por oferecerem-se a permanecer com Beca mais um pouco, seguindo direto para o quarto de Thomas, onde banho-me, visto roupas limpas, descendo direto para a cozinha após terminar. Tomo uma refeição rápida, faço algumas recomendações aos empregados, peço a Miller que sele meu cavalo enquanto subo, despedindo-me de minha esposa e filhas antes de ir ao encontro do delegado.
***** Delegacia de Starling, (sábado, 24/7 — 08:00 a.m) ******
Narrador
— Não esqueça de ficar atento a qualquer estranho que chegue a cidade – Quentin Lance recomenda, calçando as luvas enquanto sai da delegacia, arqueando a sobrancelha ao encontrar Robert e Oliver Queen, Eddie Thawne, Raymond Palmer além de Dominique Snow, todos prontos para partir.
— Disseram que irão conosco delegado – informa o sub delegado Ferris, apoiando as mãos sobre a sela de seu cavalo, encarando seu superior.
— Queremos ajudar Quentin e acredito que um grupo maior poderá cobrir uma área mais extensa em ambos os lados da estrada – Robert Queen argumenta, voltando-se ao escutar um cavalo aproximar-se, cumprimentando Malcom Merlyn assim que este aproxima-se – Bom dia Merlyn. Soubemos da novidade. Parabéns pelos bebês.
— Obrigado Queen – agradece o homem, olhando o grupo de cenho franzido.
— Iremos com os senhores e o delegado em busca de Tommy e da senhorita Snow – Oliver Queen anuncia – Quanto mais gente, maior nossa chance de encontra-los rápido – argumenta.
— Toda ajuda é bem-vinda – Snow declara, ajeitando-se sobre a sela em seu cavalo.
— Muito bem. Mas quero todos atentos e seguindo minhas ordens. Nada de afastarem-se excessivamente muito menos usarem suas armas a ermo, fui claro? – Quentin Lance alerta, montando seu cavalo, acenando para as filhas, que se aproximavam – Sara e Laurel, fiquem em casa. Não preciso de mais preocupações na mente – ordena, Laurel adiantando-se, evitando o protesto da irmã.
— Ficaremos meu pai, não se preocupe – garante – E os senhores tenham cuidado, por favor- pede a jovem, preocupada.
—Teremos – assegura o delegado, acenando mais uma vez antes de iniciar o trote sendo seguido pelos demais, o grupo deixando a cidade sob o olhar atento e carinhoso das irmãs Lance, de Thea, Felicity e Moira Queen...E do olhar satisfeito e vitorioso de Adrian Chase.
— Podem procurar à vontade. Não encontrarão nada! — sibila o comerciante baixinho recostado a uma das colunas.
— Que grupo é este e aonde estão indo? – Slade Wilson pergunta, fazendo o comerciante sobressaltar-se.
— Grupo de busca. Estão indo a procura da carruagem desaparecida – informa, encarando o amigo.
— Maldição, bem que queria ter vindo mais cedo! – esbraveja o homem, apertando as mãos – Sabia da intenção do delegado, mas minha filha teve febre boa parte da noite e acabei atrasando-me – explica-se.
— Acaso pretendia ir com ele? – pergunta, parecendo surpreso ante a confirmação deste – Me diria o porquê?
— Quer melhor chance de impressionar pai e filha do que salvando a donzela em perigo? – indaga, sorridente – Aposto que toda animosidade que a senhorita Caitlin demonstrou em relação a mim desapareceria como que por encanto – teoriza sorridente.
— Por certo que sim meu amigo – concorda Chase, sorrindo de volta, voltando-se em direção a entrada de seu estabelecimento a fim de que o outro não visse sua expressão irônica .
— Infelizmente perdi a oportunidade – lamenta-se.
— Não se deixe abalar. Quem sabe não terá outra oportunidade muito em breve – diz, evasivo – Agora diga-me, em que posso ser-lhe útil? Ou veio apenas fazer uma visita? – questiona, voltando a dar atenção o amigo.
— Visita a esta hora ainda mais após uma noite mal dormida!? Não meu caro, por mais que preze sua amizade, o que me trouxe aqui logo cedo foi necessidade – garante Wilson
— Neste caso entremos, então, e verei no que posso lhe ser útil meu amigo – Chase convida, ambos entrando no armazém.
****** Estrada para Central City (10:35 a.m) *****
Oliver
Estávamos cavalgando a mais de duas horas e nada. Não havia nem sinal da carruagem ou seus ocupantes. Dentro em pouco chegaríamos a Central City. Estávamos cavalgando em grupos, o delegado, meu pai, Snow e Merlyn na estrada, o sub delegado Ferris e outro ajudante seguindo a margem direita, uns cem metros afastados sempre que o terreno irregular permitia, enquanto Eddie, Ray e eu seguíamos pela margem esquerda, mais regular, vez em quando o delegado chamando nossa atenção por nos afastarmos um pouco demais.
— Honestamente, não acho que vamos encontra-los mantendo tão pouca distância da rota original – Eddie comenta, irritado – Tínhamos que nos espalhar mais, ir um pouco além. Se os cavalos assustaram-se com a tempestade, que por sinal parece querer retornar – comenta, olhando o céu cinzento – Se assustaram-se e dispararam não escolheram caminho. Apenas correram a ermo seguindo seus instintos. O cocheiro nada poderia fazer além de tentar manter a carruagem inteira – argumenta.
— Entendo sua frustração meu amigo, mas também entendo o delegado. Ele não quer arriscar-se perder mais alguém – justifico-o, Eddie arqueando a sobrancelha – Certo, eu sei, de vez em quando esquecemos suas origens. Mesmo assim tenho que dar-lhe razão – reafirmo, fechando meu casaco ante a forte lufada de vento que nos atinge.
— Acham que foi isto que aconteceu? Os cavalos dispararam saindo da rota? -Ray pergunta, prosseguindo antes que eu pudesse responder – Porque se foi o caso, devo lembra-los que há um penhasco a direita não muito distante da rota e outro mais a frente, a esquerda, cujas quedas dificilmente permitiriam sobreviventes – lembra.
— Sabemos meu amigo, mas vamos tentar ser otimistas – peço, respirando fundo.
— Não há muito espaço para otimismo aqui Oliver. Se os cavalos dispararam a carruagem pode ter ido parar em um dos penhascos ou se despedaçado contra algum rochedo. Podem ter sido atacados por ladrões...Ou índios – Eddie pondera, tenso – Nenhum dos quadros é agradável ou favorável a eles...Infelizmente – conclui, pensativo.
—Sei disso – murmuro, trocando um olhar tenso com Ray – Mas precisamos manter a esperança – reitero, ele acenando afirmativamente.
Seguimos em silencio o restante do percurso chegando a Central mais ou menos no meio da manhã, o delegado, Malcom, Snow e meu pai seguindo direto para a delegacia da cidade a fim de ter com o delegado enquanto eu e os demais nos dividimos fazendo perguntas pelo comércio e porto.
Nos reunimos no saloon aproximadamente uma hora e meia após havermos chegado a cidade ganhando a companhia do delgado Shore.
— Damon Shore, Oliver Queen, Raymond Palmer, Eddie Thawne e meu assistente Patrick Ferris – Lance nos apresenta.
— Senhores – diz o homem, um pouco alto para a média local, nos cumprimentando com um meneio de cabeça – Como expliquei a meu colega, não tivemos, nas últimas horas, notícias de nenhum acidente nem de assaltos a qualquer carruagem em qualquer direção– relata.
— Também não descobrimos nada de anormal – afirmo, olhando o tempo lá fora – O navio zarpou no horário esperado. Alguns doqueiros lembraram de sua filha e Tommy pela descrição que dei – informo, olhando diretamente para Snow.
— No comercio também lembraram deles – Devoe, o assistente do delegado Lance, informa – Pelo que pude apurar, a senhorita fez compras durante boa parte da manhã sempre em companhia de sua dama, o irmão e o jovem Merlyn- conta — A última loja na qual a senhorita Snow esteve foi o armarinho em busca de bordados e rendas. Nesta já sem um dos rapazes, o irmão evidente, e com a dama a seu lado – conclui.
— Ninguém notou nada de estranho? Ninguém os seguindo ou observando? – Snow questiona, Devoe negando – Como pode ser? Se tudo estava normal, se partiram antes do final da tarde, conforme fomos informados, onde estão? Por que não chegaram a Starling? – interroga, nervoso.
— Vamos ao último local onde estiveram novamente. Alguém pode ter visto algo e não estar querendo falar com estanhos – o delegado Shore sugere, todos, a exceção de Ray e Eddie levantando-se – Os senhores não irão conosco? – pergunta, os dois entreolhando-se antes de Eddie falar, erguendo-se devagar.
— Na verdade, a última loja onde estiveram foi a confeitaria no final da rua, perto da oficina onde a carruagem ficara estacionada em frente – comunica – Tomaram um lanche antes de partirem. A garota que os atendeu lembra de ter preparado dois embrulhos com doces para viagem a pedido da senhorita Snow e de ter-lhes servido, a Thomas e a aia inclusive, suco e café – informa, trocando outro olhar com Raymond que não me passa despercebido.
— O pessoal da oficina contou ter tido um atrito com o cocheiro quando foram pedir-lhe que pusesse a carruagem um pouco mais para o lado pois estava atrapalhando a entrada – Ray informa, usando o mesmo tom cauteloso que Eddie usara — Disseram que o homem foi irônico em sua resposta dizendo que em breve estaria livre de aporrinhações como aquela – revela.
— O que estão insinuando? – Lance questiona, visivelmente tenso.
— Que os jovens possam ter sido sequestrados — o delgado de Central se adianta – Já vi isso acontecer, infelizmente.
— Se foi isso, por que não entraram em contato conosco? – o pai de Tommy questiona, igualmente tenso.
— Primeiro porque ainda é relativamente cedo – Shore começa explicar — Segundo para deixá-los ansiosos, dispostos a pagarem a quantia que pedirem para ter seus filhos de volta – teoriza – Venham, vamos falar com essa garota e com o pessoal da oficina. Talvez possamos conseguir algo mais que os jovens não conseguiram – sugere, meu pai, o delegado, seus assistentes e os senhores Snow e Merlyn o seguindo para fora.
Faço o mesmo seguindo alguns passos atrás do grupo tendo Ray e Eddie ao meu lado, protegendo-nos da chuva fina que começara a cair com nossos capotes e chapéus.
Na confeitaria, a jovem confirma tudo que dissera a Eddie e Ray acrescendo que ambos, Tommy e Caitlin, haviam saído juntos do local. O ponto estranho fora a aia ter-se ausentado alguns minutos e tomado a bandeja da jovem atendente antes de chegar a mesa fazendo questão de servi-los.
Já os empregados da oficina que os viram entrar na carruagem disseram que os três estavam bem. Também confirmaram que a carruagem seguiu o trajeto normal, o que, segundo Eddie me confidencia, não quer dizer grande coisa visto que há várias rotas alternativas cercando a cidade. Ao final, estávamos praticamente na mesma.
— Que faremos? — Malcom Merlyn pergunta quando nos reagrupamos na delegacia.
—Sugiro os senhores retornarem a suas casas para o caso de tentarem contato visto que a hipótese de sequestro ainda não foi descartada – Shore aconselha fazendo meu pai bufar não tão discretamente – Irei designar homens para realizarem diligências no entorno da cidade a procura de possíveis cativeiros – avisa, encarando Lance.
— Concordo – Lance anui, voltando-se para nós — Devemos retornar a Starling antes do anoitecer. Sua esposa não está em condições de se expor a tamanho estresse Merlyn e a sua certamente aguarda notícias Snow – argumenta
— Concordo – Snow anui, passando a mão pelo cabelo – Se estes marginais fizerem qualquer coisa contra minha menina...- insinua, cerrando os punhos.
— Voltemos então – Quentin Lance decreta – Agradecemos sua ajuda. Manteremos contato – avisa, apertando a mão do colega.
— Digo o mesmo. Investigaremos daqui e caso surja algo informaremos o mais rápido possível – assegura o delegado de Central, nos acompanhando até o lado de fora da delegacia – Os encontraremos, fiquem certos disto – assegura, dirigindo-se aos senhores Merlyn e Snow, estes respondendo com um aceno breve.
Despedimo-nos do delegado, tomando nossas montarias a fim de retornamos para casa.
— Não estou gostando disso Ollie – Eddie confidencia enquanto cavalgamos alguns metros atrás de meu pai e os demais responsáveis – Central tem menos homens do que Starling. Como poderão dar conta de procurar Tommy sem comprometer a segurança da cidade ou deixarem a desejar nas buscas? – questiona, irritado.
— Outra coisa: sequestro ?? Honestamente!!! – Ray murmura, inclinando-se sobre a sela a fim de ficar mais perto de nós – Todos na cidade sabem da atual condição financeira do senhor Merlyn. Com todo respeito, duvido que disponha de recursos para um resgate. Quem, em sã, consciência arriscaria tanto por algo incerto? Mesmo Snow não dispõe de tanto dinheiro assim a ponto de chamar atenção para si – lembra meu amigo.
— E por que a jovem Caitlin? – Eddie indaga – Snow tem duas filhas. Elas sempre estiveram por lá. Por que justo agora e justo a mais nova? E quanto a essa dama? Por que afastou-se da senhorita e por que quis ela servi Tommy e ela? – questiona.
— Há mais uma coisa: meu pai, o delegado e o prefeito chamaram atenção de Chase por ter chicoteado Tommy – revelo, surpreendendo-os – Ele ameaçou a senhora Merlyn e Thea caso nosso amigo contasse ao conselho – conto, vendo o rosto de Eddie contorcer-se pela raiva.
—É muita coincidência Tommy sumir justo neste momento – Ray pondera – Não podemos ficar de braços cruzados! – exclama, decidido.
— Não ficaremos – garanto, acenando a meu pai, que se voltara – Por hora, vamos retorna a cidade. Hoje à noite, enquanto o conselho estiver reunidos, nos reuniremos em casa de minha sogra ou outro lugar, não sei. Organizaremos nosso próprio grupo de busca – aviso vendo-os sorrir.
—E quanto a nossos pais e o delegado? Acha que permitirão sairmos a procura de Tommy e Caitlin? – Ray questiona.
— Uma coisa por vez. Primeiro nos organizamos, depois veremos como convence-los. Pensarei em algo – asseguro.
— E sempre podemos contar com a ajuda das senhoritas Lance!- Eddie diz, rindo divertido – Garanto que as duas irão atormentar o pobre delegado até que concorde conosco – brinca e rimos, ficando sérios com sua observação seguinte – Só espero que nosso amigo esteja bem o suficiente para se defender e defender a senhorita Snow – deseja.
— Como assim bem? Acha que pode estar ferido Eddie? – Ray questiona, tenso.
— Espero que não, mas Tommy dificilmente se deixaria levar estando são – afirma – Para que não tenha oferecido resistência, alguma coisa deve ter-se passado.
— Eddie está certo – anuo, acenando para meu pai mais uma vez – Só nos resta torcer para nosso amigo não estar muito debilitado. Vamos nos reunir, estudar alguns mapas e depois veremos como proceder. Uma coisa é certa: não ficarei de braços cruzados – afirmo, acelerando a cavalgada a fim de alcançar meu pai e os demais, Eddie e Ray seguindo-me.

Fale com o autor