Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Oi flores. Conforme o prometido, mais uma fic sendo atualizada. Esta nem tá tão atrasada, ainda bem, rsrsrsrsrs. Como já sabemos, toda ação provoca uma reação proporcional a que a originou. Lei da Física. Lei da vida. Conforme o titulo avisa, os atos de Tommy trazem as primeira consequências para os dois, nada agradáveis a principio. Como diz o velho deitado, agora é que a porca torce o rabo! Aguardo as rewiews de vocês neste retorno. Boa leitura. Bjinhos flores. P.S: lembrem que nada é exatamente o que aparenta e guardem na memoria as palavras de Tommy lá atrás, quando se ofereceu no lugar da Thea e agora. P.S 2: neste capitulo, Dominique Snow mostra sua face (não, ele não irá se revelar um vilão oi algo assim. Apenas escolhi quem dará rosto ao pai de Cait)

“Se a gente não tivesse feito tanta coisa;

Se não tivesse dito tanta coisa;

Se não tivesse inventado tanto;

Podia ter vivido um amor grand’ hotel;

Se a gente não dissesse tudo tão depressa;

Se não fizesse tudo tão depressa;

Se não tivesse exagerado a dose;

Podia ter vivido um grande amor...”

Grand Hotel

Kid Abelha

***Residência Snow (Sábado, 4/9 – 23:55 p.m)***

Narrador

Sentada num canto, Olivia observa a reduzida movimentação em sua casa ..“As coisas por certo irão acalmar-se agora ” , pensa, suspirando profundamente — Ou talvez não! – murmura ao notar a fisionomia fechada de sua mãe sentada alguns metros de distância.

Após a chegada inesperada de Thomas e tudo que essa gerara, os convidados foram-se dispersando, indo embora em grupos, restando apenas a criadagem, a senhora Danvers e sua filha, Kara, Moira e Thea Queen, Laurel e Sara Lance ( a segunda havia chego juntamente com Oliver e os demais pouco depois de Thomas), além de sua mãe e ela mesma.

Os gritos da irmã mais velha quando o marido começara passar mal com a agitação, bem como os brados de sua mãe, ainda ecoavam na mente da jovem.

—CADEIA! Este infeliz tem que ir para a cadeia! Desonrou minha filha, minha pobre filhinha! Uma criança praticamente!!— acusara tão logo recuperara-se do desmaio, recusando o atendimento do doutor Hallowey, que fora chamado às pressas.

Adrian Chase, propositadamente, piorara a situação ao insinuar que o rapaz poderia tê-la tomado a força e a obrigado manter segredo para evitar ser preso, gerando revolta entre os amigos de Thomas, sendo necessária a intervenção do delegado e do prefeito a fim de evitar tanto um tumultuo maior quanto o jovem ser agredido por Slade Wilson, que tomara as dores da família.

Tão logo teve a situação sob controle, Quentin Lance levara Thomas prisioneiro seguido de perto por Dominique Snow, Robert e Oliver Queen, Stephen e Raphael Crumble enquanto Sebastian Blood e outros dois convidados auxiliavam o médico a conduzir um desfalecido MacKinney ao consultório deste, a esposa, tranquila, seguindo-os, cabendo aos jovens Allen e Harper dirigirem-se a residência dos Merlyn a fim de comunicar o ocorrido a Malcom.

—Aqui minha querida, tome um pouco desta água com açúcar – Moira Queen oferece a Carla Snow, entregando-lhe o copo que o serviçal trouxera, dirigindo um olhar atento a filha sentada ao lado das amigas – Sente-se melhor? – pergunta, dando atenção a mulher outra vez, sentando-se de frente para ela.

—Como posso sentir-me melhor? Minha filha, minha menina, desonrada, exposta ante nossos amigos, a sociedade local e vizinha... ante seus pretendentes! Como farei para andar de cabeça erguida doravante? Que futuro minhas filhas terão agora que nosso nome foi jogado na lama!? – queixa-se, pesarosa.

—Não é uma situação fácil, minha cara, reconheço – Lucy Danvers começa, cuidadosa –Sequer passa-me pela cabeça como deve sentir-se neste momento, mas infelizmente o mal já foi feito. Resta obriga-lo reparar o erro casando-se com a menina o mais...

—Isto nunca!! – decreta Carla, batendo o copo no tampo da mesa, assustando-a – Jamais permitirei que a despose. Aquele patife traidor no qual meu marido teve a infelicidade de confiar, aquele aproveitador, facínora, cafajeste não terá sucesso nesta vingança pérfida que planejou contra nós – acusa – Antes prefiro vê-la morta! – decreta.

—Por Deus, não diga isto! Mesmo tendo dado um passo em falso, é sua filha, e, como Lucy bem disse, a melhor solução nestes casos é o casamento – abona Moira.

—Como vosso filho fez com a filha da rameira?? – rosna, fazendo a outra reter o ar – Não. Meu sangue não irá misturar-se ao dos Merlyn. Se vosso marido foi louco o suficiente para permitir cometer tal insanidade , não deixarei meu marido fazer mesmo. Jamais! Antes vejo-a morta – repete, decidida.

—Sinto que pense desta maneira – Moira declara, levantando-se – Thereza, vamos. A noite já adianta-se e não é seguro demorar-nos mais – chama, a jovem hesitando um segundo, abaixando a vista ao receber o olhar duro da mãe, despedindo-se de Olivia e das demais – Aconselho-a descansar e refletir acerca de tudo que passou-se aqui. Amanhã, com a cabeça mais tranquila, irá dar-nos razão – afirma, mantendo a calma.

—Descanso nenhum farar me mudar a decisão – assegura a mulher, olhando-a com frieza – Não misturo-me aos porcos como uns e outros! – cospe, fazendo a matriarca dos Queen inchar.

—Pois bem, fique com seu orgulho e rancor. Por certo hão de consumi-la por inteiro! – exclama, segurando a mão da filha, guiando-a para fora da casa apressadamente.

—Também vou-me indo – Lucy avisa, sinalizando para a filha segui-la – Espero, honestamente, que perceba o quão errônea é sua atitude e reconsidere. Para o bem de sua filha – deseja, retirando-se sem aguardar resposta.

—Senhora Snow... – Laurel Lance aproxima-se, porém ela não a deixa prosseguir.

—Melhor que se retirem senhoritas Lance. Desejo seguir o único conselho sensato que me foi dado : recolher-me – afirma, pondo-se de pé, encarando as irmãs – É tarde e estou certa de que vosso pai não ficara satisfeito em tê-las zanzando pela cidade desacompanhadas...ou talvez isto não seja algo tão incomodo em vossa família– insinua de forma irônica.

—As senhoritas Não estão desacompanhadas – Raymond Palmer apressa-se dizer, surgindo ao lado delas – Venham, a senhora Snow necessita descansar – convida, oferecendo ambos braços as irmãs, que aceitam, dirigindo um olhar solidário a Olivia antes de saírem acompanhadas pelo rapaz.

—Hipócritas! Bando de fingidos! Como se não fossem passar a nos apontar e discriminar!! – vocifera Carla, atirando um jarro contra a parede próxima, por pouco não acertando Slade Wilson – Senhor Wilson? Ainda aqui? – surpreende-se, recompondo-se.

—Sim – responde o homem secamente, dirigindo um olhar significativo a Olivia.

—Olivia, suba para seu quarto – ordena Carla, voltando-se rápido ao escutar o resmungo emitido pela jovem – O que disse? – questiona, fuzilando-a com o olhar.

—Nada – responde a garota, cumprimentando o visitante ao passar por este rumo a escadaria, obedecendo parcialmente a mãe ordenara posto que esconde-se tão logo atinge o topo da mesma, curiosa em ouvir o que seria discutido entre a mãe e o homem.

—Senhor Wilson, sinto deveras tudo que aconteceu. Saiba que, dependesse apenas de mim, Caitlin já seria sua noiva a tempos – ouve a mãe declarar – Estou certa de que tudo não passou de uma deslavada calunia e amanhã meu marido irá esclarecer os fatos perante todos e fazer aquele infeliz pagar caro por tal ato – discursa, um silencio breve seguindo-se ao final de sua fala.

—Também sinto pelo ocorrido senhora Snow – Wilson começa dizer com voz fria – Sabe o quanto desejava desposar sua filha...

—Desejava? – repete a mulher, inquietando-se – Senhor Wilson, como disse a pouco, estou certa de que tudo não passou de calunia – reitera.

—Calunia ou não, há de convir que ficaria numa posição extremamente desagradável desposando uma jovem que admitiu, diante todos os presentes, ter-se entregue, por vontade própria, a outro homem – frisa, caminhando em direção a mesa com bebidas, obrigando a jovem encolher-se mais para não ser vista, servindo-se um pouco de uísque – Veja bem senhora, se tal fato tivesse sido revelado apenas diante da família e de mim, até pensaria em fazer vista grossa e aceita-la, mesmo não sendo mais virgem – declara, sorvendo a bebida de um só gole – Mas isto não ocorreu – diz, voltando-se para encarar a mulher – Vossa filha confirmou as palavras do maldito Merlyn em frente a todos, sem o menor pudor ou arrependimento – lembra, depositando o copo vazio sobre a mesa – Espera mesmo que firme compromisso ante tal fato? – questiona.

—Dê-me até amanhã e provarei ser mentira o que aquele maldito disse e que minha filha foi influenciada por ele a corroborar a história – garante – Ela é ingênua, tola, deixou-se enganar por aquele patife! – cospe – Estou certa de que meu marido está, neste exato momento, arrancando a verdade daquele infeliz e o fara apodrecer na cadeia por ter-se atrevido levantar tamanho falso contra nossa menina – assegura, tensa.

—Senhora Snow, a quem tenta enganar: a mim ou a si própria? – pergunta de forma irônica– Sabemos bem que vossa filha já nutria sentimentos pelo rapaz antes de partirem. Não a toa o mantinha sob vigilância durante o período que serviu em vossa casa. Ingênua? Tenho cá minhas duvidas posto que vivia de conversas e sorrisos com o Merlyn – comenta.

—Como sabe destas coisas? – questiona-o, intrigada – Acaso andou espionando minha casa? – pressupõe, ele rindo baixo.

—Tenho meus métodos senhora, que não veem ao caso agora – diz, fazendo uma leve careta de dor ao calçar suas luvas, o ferimento no dorso incomodando-o – Ao menos tive o prazer de vingar-me! – exclama, abrindo e fechando a mão.

—E pode vingar-se ainda mais desposando-a – sugere a mulher, esperançosa.

—Senhora, mesmo que seu marido assim o quisesse, eu não me submeteria a tal papel! – declara firme, caminhando em direção a porta – Além do mais, se desejasse mercadoria usada desposaria uma das meretrizes da casa de Madame Smoak – escarneia – Buscava uma moça de família, pura, para por em minha casa, em meu leito, como madrasta de minha filha. Que exemplo darei a Juliette tomando uma desfrutável por esposa? – arremata, despedindo-se com aceno de cabeça, deixando-a estática por alguns segundos, a interferência da governanta servindo tanto para tira-la do transe quanto para fazer Olivia correr em direção a seu quarto, evitando ser vista.

—Senhora, o senhor Torton pergunta se deve ir ao encontro do patrão – a serva questiona, apertando as mãos, tensa.

—Não – responde sem olha-la, segurando e erguendo a barra do vestido – Pode recolher-se senhora Gertrudes. Todos podem. Não quero vê-los zanzando pela casa aconteça o que acontecer – ordena, subindo a escadaria a passos firmes.

—Senhora, tenha piedade da menina Caitlin. É jovem e sonhadora. Deixou-se levar pelos arroubos da idade. Não a condene. Por certo o senhor irá encontrar uma maneira de concertar esta situação – implora, fazendo-a estancar e voltar-se, dirigindo-lhe um olhar gélido.

—Não lembro de haver pedido sua opinião – dispara, o tom baixo e grave não escondendo a raiva – Meta-se com sua vida! De minhas filhas cuido eu! – esbraveja – Recolham-se todos imediatamente– reitera, retomando a caminhada rumo aos quartos.

—Senhora Gertrudes, que fará ela a filha? – Adissa, que surgira tão logo a patroa sumira de vista acompanhada de perto pelos demais serviçais da casa, pergunta, chorosa – Temo pela segurança da senhorita Caitlin. E se a senhora a surrar? – inquire, a mais velha voltando-se para ela, triste.

—Há coisas bem piores do que uma surra menina – responde a boa senhora, unindo as mãos numa prece silenciosa, fazendo todos obedecessem a patroa.

*** Caitlin(00:25 a.m)***

Estico as mãos verificando ainda tremerem. Na verdade, tremia-me inteira mesmo após haver-se passado algum tempo do ocorrido.

Se fechasse os olhos podia vê-lo, sangrando por conta dos socos desferidos por meu pai e o senhor Wilson tão logo confirmei o que dissera, aumentando, o reboliço. As coisas não ficaram pior graças a interferência do delegado e do prefeito, apaziguando os ânimos entre os presentes.

Minha mãe praticamente arrastara-me escadaria acima, não permitindo Adissa acompanhar-me, jogando-me dentro de meu quarto, trancando a porta por fora e levando a chave consigo sem dirigir-me uma palavra sequer.

Entreguei-me ao pranto, a princípio, temendo tanto por Thomas quanto por mim. Depois, fui a janela ao escutar vozes, vendo o delegado levando-o seguido por meu pai, o senhor Robert e o senhor Oliver enquanto Barry Allen e o empregado do senhor Merlyn seguiam em direção a casa deste (para avisa-lo, por certo).

Por ela também, vi os convidados saírem em grupos, minhas amigas e suas mães sendo as últimas, Kara e Thea dirigindo olhares a janela de meu quarto um segundo antes de seguirem rumo as suas casas. Por fim, vi o senhor Wilson sair, juntando-se a Adrian Chase e outro homem que não consegui reconhecer, os três dirigindo-se ao saloon.

Recostei-me a cabeceira outra vez, aguardando o que me aconteceria tão logo meu pai regressasse. Apesar do medo, não arrependia-me ter-lhe dito a verdade. Desde que regressara desejava fazê-lo (de outra forma evidente) especialmente após haver liberado Thomas da servidão, enchendo meu coração de que poderia aceita-lo como meu pretendente mesmo contra a vontade de minha mãe, porém algo sempre impedia-me.

Quando mamãe chantageou-me, precisei me calar e aceitar o destino para mim traçado por ela. Mas Adissa acendera a chama novamente ao fazer-me escrever a carta esta manhã.

Durante todo o dia aguardei a chegada de meu pai na esperança de que Thomas, após a haver lido, viesse procura-lo para esclarecer os fatos e pedir-me novamente. Com o passar das horas, minha esperança fora definhando, seu último fio partindo-se quando desci para o bendito jantar, não o vendo entre os convidados. Soubera, através de Nora, que papai havia-lhe falado naquela manhã, mas não tinha conhecimento do teor da conversa.

Quando Thomas surgiu de repente, pouco após o jantar, alegrei-me...até notar seu estado de embriaguez.

Quando começou a falar, senti o chão sumir sob meus pés! De imediato busquei minha mãe com o olhar, apavorando-me com a expressão que vi em seu rosto.

Encarei a Thomas, desesperada, tentando faze-lo silenciar, assim como Thea o fizera , mas pareceu-me estar tão ferido, tão desesperado que não nos deu ouvidos e seguiu adiante, revelando ante todos o que minha mãe temia.

—Cait, mamãe esta vindo! – ouço Liv alertar-me e ponho-me de prontidão. Não sabia o que esperar, mas nada de bom haveria de acontecer caso sua ira não se tivesse aplacado.

Escuto a chave ser inserida e girar na fechadura, o estalar fazendo-me reter o ar enquanto a vejo entrar, fechando a porta atrás de si.

Durante longos minutos apenas encara-me em silencio tendo as mãos cruzadas sobre o quadril, mantendo a postura firme e elegante. Seu rosto nada comunicando-me sobre o que viria a seguir.

Tal qual fizera pela manhã, mamãe aproxima-se e desfere uma bofetada tão forte contra minha face que faz-me perder o equilíbrio, precisando buscar apoio em minha cama para não cair.

—Direi apenas uma vez e espero ouvir a resposta correta – avisa, olhando-me nos olhos – Irá desmentir cada palavra dita por aquele infeliz. Dirá que deixou-se levar pelo medo, que foi ameaçada por ele caso o desmentisse. Fará isto diante dos senhores Wilson e Crurmble e do filho deste, a princípio. Depois o fara diante de todos que estavam presentes neste mal fadado jantar. Estamos entendidas? – inquire e a olho por um segundo, surpresa.

Estava ciente de que obedece-la estar-me-ia condenando a um casamento que não desejo e Thomas a cadeia por calunia e o que mais mamãe conseguisse fazer meu pai impingir-lhe.

Desobedecendo-a, abriria a chance de ficarmos juntos, caso papai o obrigasse reparar seu erro desposando-me. Nosso erro, em verdade. Porém, estaria à mercê da raiva e rancor de minha mãe.

Opto pela segunda . Que mais poderia fazer-me além do que já fizera?

—Não posso fazer o que me pede, minha mãe, bem sabe disto – lembro-a, enchendo-me de coragem – De que adiantaria dizer tais coisas se a verdade já foi revelada? Não aguento mais fingir, mentir. Amo Thomas, por isso deitei-me com ele mesmo sabendo o que custar-me-ia – confesso, encolhendo-me quando ergue a mão, preparando-me para mais uma bofetada, que não vem.

Ao invés, abaixa a mão, encarando-me num misto de raiva, tristeza e rancor. Por um segundo penso que choraria, contudo, quando volta a dirigir-me a palavra, percebo o engano.

—Como pôde fazer isto comigo? Como pôde estragar seu futuro, sua vida, por um imprestável!?– questiona-me, a frieza em sua voz espantando-me – E ainda arrastou o nome de nossa família para a lama! – reclama.

—Thomas não é imprestável! — rebato — É bom e gentil, honesto e honrado – defendo-o mesmo arriscando-me apanhar novamente – Qualquer outro em seu lugar ter-se-ia omitido da responsabilidade por seus atos. Ele não. Chegou mesmo a falar com papai quando ainda estávamos sob os cuidados do doutor Hallowey, como bem sabe, pedindo-lhe que o permitisse cortejar-me – lembro, sua fala seguinte causando-me ainda mais espanto.

—Antes o tivesse feito! Antes se omitisse e não nos tivesse exposto ante meia Starling!! – exagera, amarga – Wilson aceitaria casar-se com você mesmo sabendo não ser mais pura. Disse-me isto com todas as letras a pouco – revela, massageando as têmporas – Se ao menos aquele infeliz tivesse escolhido outro momento, se não a tivesse exposto da forma como expos, a receberia, faria de você uma mulher honesta e não uma... – cerra os punhos, me olhando com fúria contida – Mas não. Tinha de vir justo em meio a recepção ao patrão de seu pai – reclama, pondo-se a andar de um lado para outro – Além de fazê-la perder um excelente pretendente, ridicularizou seu pai ante o chefe. Como um homem que sequer consegue controlar a filha, pode almejar um cargo de maior responsabilidade dentro do banco no qual trabalha? Evidente que não!! – resmunga.

—Não planejei nada, minha mãe. Apenas aconteceu – reafirmo, entristecendo-me ao dar-me conta de que não aceitaria Thomas. Jamais – Nos envolvemos, ele e eu, e fraquejamos, reconheço, mas não o fizemos propositadamente. Resistimos o quanto pudemos, garanto-lhe...

—Pois deveria ter resistido mais!! – corta-me, furiosa.

—Como poderia se o amo?? – reitero, irritando-a.

—Pare de repetir isto!! Não percebe a gravidade do que fez a si mesma e a sua família? – questiona-me – Ficara marcada para sempre. Será apontada na rua, desrespeitada pelos homens por julgá-la fácil demais, quem sabe até por este a quem diz amar. Sim, porque agora que conseguiu o queria, por que perderia mais tempo com você? – insinua, magoando-me.

—Thomas não irá deixar-me. Falou com papai e o fara novamente ...

—Falou porque tinha interesse em que seu pai cumprisse a maldita promessa de libera-lo da servidão! Não percebe que foi usada ? Não uma, mas duas vezes. Para saciar seus desejos carnais e para ter a liberdade de volta – insiste em acusar.

—Não!! Não usou-me!! – defendo-o — Nos amamos. Deitei-me com ele por amor!! – repito, deixando-a ainda mais furiosa.

—PARE DE REPETIR ISTO JÁ DISSE!! – grita, assustando-me – É uma tola se pensa que aquele cretino quererá casar-se depois de a ter possuído. Homem nenhum casa-se com uma desfrutável! – declara, sem importar-se com meus sentimentos – Se veio até em casa hoje foi puramente por orgulho ferido. Sabia sobre seus pretendentes, que seria dada em casamento a um deles num futuro próximo. Não foi amor que o trouxe aqui, foi orgulho, magoa por o estar ignorando abertamente, por haver sido preterido como pretendente! Se a amasse, como afirma, tria insistido em pedir permissão a seu pai mas não o fez. Quis garantir a liberdade prometida bancando o bom moço e nada mais. Já deve até tê-la esquecido deitando-se com uma das rameiras daquela maldita casa! – pragueja.

—Não é verdade! – exclamo, lutando contra as lágrimas – Não veio antes por saber que papai não encontrava-se em casa e que a senhora não o receberia – acuso, apontando-a – E saiba que escrevi-lhe uma carta contando-lhe o porque de meu comportamento para consigo, o que por certo o motivou enfrenta-la!! – revelo, arrependo-me tão logo as palavras deixam minha boca.

—Fez o quê?? – interroga, lívida, aproximando-se.

—Perdoe-me minha mãe, mas não poderia continuar mentindo – declaro — Não desejo ser de mais ninguém que não dele. Amo-o – reitero, encolhendo-me quando chega mais perto, encarando-me por breves minutos.

—Se é o que deseja, é o que terá! – decreta, segurar-me pelo pulso, obrigando-me levantar – Mas não enquanto viver sob meu teto – diz, arrastando-me para fora do quarto – Quer deitar-se com aquele infeliz? Deseja ser dele apenas não é? – repete enquanto obriga-me descer a escadaria ao seu lado, alcançando a porta de nossa casa – Terão o que desejam... você e aquele maldito! Mas para isto ele terá de pagar por exclusividade!! – esbraveja, levando-me arrastada porta afora, deixando-me confusa.

—Mãe, aonde vamos? – indago, olhando em volta em busca de socorro, tropeçando aqui e ali devido a pressa com que andávamos – Mamãe?? – chamo novamente, a escuridão e o silencio assustando-me. Passava e muito da meia noite. Não havia um ser vivente nas ruas. A pouca claridade provinha do Saloon, da delegacia ao final da rua, e da casa da senhora Smoak...para onde parecíamos rumar – Mãe? – insisto, tropeçando novamente, mas parecia haver-se esquecido que levava-me ou resolvera ignorar-me. Apenas quando paramos diante da casa, descubro sua intenção.

—Você ai, chame sua patroa – ordena a uma garota que encontrava-se sentada no alpendre, esta assustando-se ao notar nossa presença — Ande sua lerda! Chame a dona deste bordel de quinta!! – xinga, alterando levemente a voz – Diga-lhe que tenho mercadoria nova para ela – declara, chocando-me

—Mãe???? – interrogo, tentando soltar-me, apavorada, nenhuma resposta me sendo dada.

—Não precisa avisar-me Damaris – ouço a voz aveludada dizer, a mulher loira surgindo das sombras, a direita da porta principal – E dobre a língua para falar de minha casa, Senhora! – ordena de forma ousada, descendo os degraus devagar – Que traz a digníssima senhora Carla Snow a minha porta em tão adiantada hora? – questiona, a ironia transparecendo em sua voz, o cheiro de seu perfume alcançando-me.

—Estou certa de que não é surda – mamãe devolve, puxando-me forte, sem aviso, fazendo-me cair aos pés da mulher – Como disse a sua...funcionaria, vim trazer-lhe mercadoria nova. Garanto-lhe ao menos um interessado nela disposto a pagar o que pedir-lhe para ter exclusividade – escarneia e sinto meu corpo tremer ante a frieza que nem mesmo a tênue luz esconde quando olha-me – Faça bom proveito! – declara, girando nos calcanhares, indo-se sem olhar para trás.

—Mãe!! – chamo – Mãe!! Mamãe! – repito, tentando pôr-me de pé, o tremor de minha pernas e minhas vestes impedindo-me – Não me deixe, por favor! – imploro, chamando-a uma vez mais, sentando-me no chão, as lágrimas turvando-me a visão – Não me deixe! – emito um ultimo suspiro, abaixando a cabeça.

—Venha criança. Está frio e não tarda chover – escuto, sentindo meus ombros serem recobertos por um tecido grosso e quente – Vossa mãe está com raiva e não dar-lhe-á ouvidos neste momento – afirma, carinhosa, erguendo-me – Venha, meu bem, não tenha medo– convida, a voz suave inspirando-me confiança e mesmo insegura se era o melhor a fazer, obedeço-a, deixando-me guiar para o interior da casa.

Ao contrario do que esperava, há certo silencio lá dentro. Em minutos estamos em um quarto acolhedor.

—Deite-se meu bem e tente relaxar. Ficarei com você até que adormeça. Amanhã, quando a raiva passar, vossa mãe repensara e a buscara por certo – tranquiliza-me fazendo-me deitar, afagando meu cabelo, e entrego-me ao pranto até que finalmente, vencida pelo cansaço, adormeço.

*** Delegacia de Starling (01:06 a.m)***

Narrador

—Muito bem meu rapaz. Agora que teve tempo para recompor-se um pouco da carraspana*, talvez queira contar-nos o que de fato aconteceu entre você e a senhorita Caitlin – Quentin Lance sugere, sentando na ponta da mesa, encarando o jovem algemado na cadeira a sua frente, Malcom Merlyn, Dominique Snow, Robert Queen e o prefeito Darhk ladeando-os. Conseguira, a muito custo, convencer o os jovens, incluindo seu mais novo ajudante, aguardarem do lado de fora, estes distribuindo-se entre as janelas a fim de poderem acompanhar o que se passava no interior da delegacia – Que me diz? Deseja reformular seu discurso? – Inquire, complacente, entrelaçando os dedos.

—Gostaria...- Thomas começa dizer, trazendo alivio momentâneo aos presentes – Mas não posso – declara, erguendo o rosto, os olhos vermelhos denunciando seu choro silencioso – Perdoe-me meu pai...Senhor Snow – pede, olhando de um para outro – Sei que faltei-lhes com a palavra dada. Tentei não o fazer, mas não consegui. Fui fraco – assume, abaixando a vista novamente, envergonhado.

—Confiei em você!! Deu-me sua palavra de que traria minha filha para casa em segurança – Snow relembra, passando as mãos pelo cabelo nervosamente.

—Ué, mas a moça não está viva?? – um dos presos questiona de dentro da cela.

—Viva sim. Porém....- outro tenta dizer sendo prontamente interrompido pelo delegado.

—Calem-se ou os ponho algemados no estábulo junto aos animais!! – Lance ameaça, o trio encolhendo-se no canto da cela, erguendo as mãos em concordância.

—Por que Thomas? — Malcom questiona-o – Como pode esquecer tudo que sua mãe e eu ensinamos-lhe? Acaso foi está a educação que te demos?? – inquire, o jovem negando com um gesto de cabeça – Então por que, Thomas? Por que tomou tal atitude?- repete.

—Por amor – declara o rapaz, erguendo o rosto, resoluto – Amo-a meu pai, de uma forma que jamais pensei algum dia amar alguém nesta vida e juro-lhes que tentei não ceder! – garante, voltando-se para Snow – Pretendia desposa-la senhor Snow, creia-me – pede – Pedi-lhe permissão para fazer-lhe a corte. Não tinha intenção abandona-la ou mesmo expô-la , nem mesmo ante o senhor....

—Então por que o fez? – Dominique interrompe-o, irritado – Por que não contou-me o acontecido em segredo quando teve chance? – pergunta.

—Pela mesma razão que negou-me sua permissão em fazer-lhe a corte: vossa esposa – justifica-se Thomas – Temia que a senhora, mesmo sabendo o que ocorrera, não permitisse casar-me com Cait. Odeia-me, sei bem – afirma com voz embargada – Temia que o fizesse manda-la embora, para longe, num convento ou a obrigar casar-se com outro e estava certo não estava? Iriam dá-la em casamento a outro, está noite, não iriam? – questiona, o som de uivos rasgando a noite, os jovens do lado de fora trocando olhares preocupados.

—Talvez – Snow diz, reticente – Ainda assim, deveria ter-me contado – insiste.

—E que faria Dom? Cumprimentaria o rapaz pela sinceridade ou o agrediria tal como deu-se em vossa residência? Acaso não ficaria lívido ao saber do ocorrido e quereria lavar a honra de vossa filha com sangue, talvez? – Robert Queen questiona-o, apoiando-se a mesa – Eu por certo ficaria caso ouvisse o mesmo em relação a minha filha, por mais bem intencionado que o rapaz dissesse ser – assegura, fazendo aspas no ar – Pai nenhum gosta de ouvir que sua menina já não o é mais de fato. É difícil, para nós pais, até mesmo quando nossas esposas avisam que já podemos providenciar-lhes marido, que as primeiras regras já desceram, quiçá numa situação destas – argumenta, Lance, Malcom, Darhk e mesmo Oliver inquietando-se – Acostumem-se senhores. Ser pai de menina é começar padecer com está preocupação já na primeira vez em que arrumam-se para irem num baile – afirma, rindo suavemente – Tome o aviso para si filho – acresce, voltando dar atenção a Snow outra vez – O rapaz não agiu corretamente, mesmo tendo motivos validos, devemos reconhecer – pondera o empresário – Mas está disposto a corrigir seu erro tomando a atitude que se espera de um homem honrado – afirma, dirigindo seu olhar a Malcom.

—E o fara, estejam certos. Meu filho não fugira a responsabilidade. Não o permitiria mesmo que não declarasse-se apaixonado pela menina – garante – Sei não tratar-se do genro que desejavam, vossa esposa e você Snow, mas posso assegurar-lhe que nada faltara a vossa filha. Será muito bem recebida em minha casa e tratada com o respeito que merece por todos – tranquiliza-o.

—Não tenho duvidas quanto a isto Merlyn – garante o homem, passando a mão na fronte – No entanto, não posso deixar de preocupar-me com o que dirão as pessoas da cidade ou com a maneira pela qual será tratada nas ruas mesmo estando casada com vosso filho. Sabem como a sociedade age em casos como estes. Por certo sofrera discriminação...

—Ninguém irá maltratar minha Cait! Não permitirei!! – Thomas exalta-se, tentando levantar-se, não indo ao chão com cadeira e tudo graças a presença de espirito do subdelegado Ferris, que segura-o, arrancando sorrisos curtos do pai e futuro sogro – Ninguém dirá nada dela ou a ela e quem o fizer irá ver-se comigo – ameaça, mais firmemente.

—Com ele e com o lobos!! – Barry deixa escapar fazendo Malcom e Dominique voltarem-se, encarando-o de sobrancelha arqueada – Os que estavam com eles quando os resgatamos. Aqueles três que quase nos devoraram ....Não sabiam sobre os lobos não é?? – indaga, olhando os amigos a seu lado.

—Não é exatamente algo a ser divulgado Allen! – Thawne exclama, apertando as têmporas, novos uivos o pondo em alerta.

—Estão perto – Oliver murmura, encarando-o.

—Muito – confirma o loiro, sinalizando com um gesto de cabeça em avio antes de afastar-se em direção a lateral da delegacia, seguido de perto por Harper e Cisco, que chegara acompanhando Jerome pouco depois do grupo que trouxera Thomas.

—Esqueçamos os lobos. Há coisas mais importantes a serem decididas aqui – Lance decreta, indo sentar-se atrás da mesa – Numero um: dará vossa filha em casamento ao rapaz mesmo sendo claramente contra o desejo de vossa esposa? Número dois: devo prendê-lo? – interroga, olhando de Dominique para Malcom alternadamente.

—O que decidir respeitarei Snow – Malcom avisa, aguardando em silencio a decisão do outro.

—Eu...- vacila Snow, passando a mão pelo queixo, algo parecendo incomoda-lo – Como saberei que está dizendo a verdade? Como posso certificar-me que não mente a fim de impedi-la ser desposada por outro? Que provas além de sua palavra, com a qual já faltou, dar-me-á? – interroga, encarando o rapaz, o suspense sendo quase palpável no ar.

—Ela tem uma marquinha em forma de meia lua pouco acima do joelho direito – Thomas revela, em tom baixo, um sorriso bobo a orna lhe a face – E um sinal charmoso no vale entre....

—Basta!! Acredito no que diz – Dominique o interrompe, pondo-se de pé, exasperado – Ante os fatos.... e considerando que parece sincero quando diz amar minha filha... Não vejo alternativa que não casarem-se o mais rápido possível – declara, por fim.

—Yes!! – Barry vibra, recebendo o cutucão de Oliver – Desculpem – pede, sem graça ao notar os olhares de advertência dos mais velhos, algo chamando-lhe atenção nas celas por detrás destes fazendo-o enrugar o cenho – O que eles....- começa dizer, o delegado cortando-o.

—Prendo-o ou libero-o?? – reinquire Lance.

—Hã...eu...- titubeia outra vez Snow.

—Se permitem intrometer-me – Damien pede, erguendo a mão – Sugerir-lhes-ia que o rapaz passe ao menos esta noite na cadeia, a fim de que possa refletir sobre seus atos. Mesmo tendo-o tomado num momento de desespero, motivado pelas circunstâncias, maculou a honra de uma jovem e a expos, juntamente com a família, ante parte de nossa sociedade. Deve ser punido ou passaremos impressão errônea aos demais jovens de nossa cidade – argumenta, dirigindo seu olhar a Malcom – Não será de seu grado, por certo, meu caro Merlyn, mas julgo ser o correto a fazer – diz – Além de aplacar um pouco da fúria de vossa esposa Snow. Estou certo de que ficaria deveras zangada caso diga-lhe que o liberou da cadeia– completa.

—Estou de acordo – Malcom adianta-se, surpreendendo a todos – Peço-lhe apenas, caso seja possível, pô-lo sozinho na cela. Admito ter ficado deveras desconfiado depois do que aconteceu-lhes – confessa, franzindo o cenho ao olhar os presos – Que há com eles? – interroga fazendo Lance e Ferris voltarem-se.

—Fazia-me a mesma pergunta – Barry corrobora, erguendo a mão.

—Vai saber – Ferris declara, estranhando a aparente paralisia dos detentos – Vou pôr o rapaz na cela do canto. É mais fresca. Transfiro os três patetas para a anterior – avisa, pegando as chaves, abrindo as algemas e conduzindo Thomas – Para o canto vocês. Irão trocar de cela – ordena, surpreendendo-se quando o obedecem sem contestar – Mãos para...fora – novo espanto ante a obediência rápida e silenciosa, algemando-os a grade antes de abri-la.

—Será que pode ir mais rápido subdelegado?? – questiona o preso mais velho, inquietando-se.

—Não faça isso! – o mais novo pede, visivelmente assustado – Pode assusta-lo e por certo nos atacara – diz, encolhendo-se enquanto é algemado a grade.

—Que diabos há com vocês? – pergunta Ferris, conduzindo Thomas, àquela altura bastante sonolento devido a bebida, ao interior da cela, fazendo-o deitar-se sobre a frágil cama, abrindo a porta de ligação, espantando-se outra vez quando, ao soltar os presos, adentram por conta própria, fechando rapidamente a ligação entre as celas.

—Aconselho-o sair daí rápido ou virara jantar da fera senhor Ferris!! – exclama o preso mais velho, chamando a atenção do delegado e os demais.

—Que diabos está dizendo? Acaso ficou louco!! – impacienta-se Lance, retendo o ar ao olhar na direção apontada pelo homem, a figura cinzenta saindo debaixo da cama, revelando-se – Mas o que...????- interroga, sacando sua arma, Ferris fazendo o mesmo, ambos recebendo rosnados ameaçadores.

—Abaixem as armas – Eddie Thawne ordena, adentrando pela porta dos fundos, duas outras figuras o seguindo – Ande Ferris, abaixe sua arma – repete, voltando-se para os estarrecidos Lance, Queen, Darhk, Snow e Merlyn – O senhor também delegado. Não sei se conseguirei detê-los caso sintam-se ameaçados e mesmo em tratando-se de filhotes, podem causar-lhes estrago significativo – alerta, entrando na cela, puxando um estático Ferris para fora.

—Aonde estavam? – Oliver pergunta, passando por entre Malcom e Dominique.

—Próximos a casa de madame Smoak, e não pergunte-me fazendo o que pois não saberei responder – adianta-se, afagando a cabeça de um dos filhotes – Deram-me bastante trabalho traze-los aqui – revela, rindo quando os três deitam-se a volta de Thomas.

—Mas...o que significa isto? Que está acontecendo aqui? – Malcom interroga, abismado ao ver Eddie e Oliver afagarem os filhotes antes de saírem da cela, encostando a porta – Vão deixar meu filho ai, com essas feras? – questiona, fazendo menção ir até Thomas, Lance o retendo.

—Não farão mal a ele, acredite – garante, explicando-se – Sabe os lobos aos quais o jovem Allen referiu-se a pouco? Pois é, são estes. Estavam em companhia de vossos filhos quando os encontramos. Pereciam guarda-los – comenta.

—Homessa*!! Desde quando lobos fazem este tipo de coisa? – Snow pergunta, observando a cena intrigado.

—Não fazem...normalmente – Quentin confirma, cuidadoso – Estes no entanto, parecem ter desenvolvido afeto por vossos filhos. Deixaram-nos aproximar a muito custo e quando partimos seguiram-nos todo o tempo, afastando-se apenas para comer e beber quando o fizemos e as portas da cidade – relembra, voltando-se para Eddie – Julguei que haviam-se ido.

—Foram-se...mas não para longe – revela o loiro – Seguiram a Killi e Cisco. Estão na tribo...porém já os vi nas redondezas antes...inclusive, quando Tommy e a senhorita estavam sob os cuidados do doutor, passaram a noite a guarda-los. Os tirei antes que fossem vistos, causando pânico, e os reconduzi a aldeia ...

—No entanto parecem insistir em voltar – Oliver completa, “coçando” a nuca.

—Por favor, digam-me que enganei-me, que ouvi errado!! Estão a dizer que estes filhotes andam passeando pela cidade após o anoitecer? – inquire o prefeito, tenso.

—Algumas noites sim – Eddie confirma – E dias também – acresce para desespero do delegado.

—Deve estar a brincar comigo!!! Agora além de preocupar-me com foras da lei, o terei de fazer com estes três ai também? – aponta-os, os rapazes abrindo os braços – Só me faltava essa. Lobos cismarem ser cachorros!! – exclama, dirigindo um olhar estressado aos filhotes – E ainda por cima são folgados. Já puseram-se a vontade – diz, provocando risos discretos – Muito bem. Acho que devemos dar o dia por encerrado. Estamos todos exaustos e precisando recuperar nossas energias – declara, encarando Thawne – Suponho que irá pernoitar aqui não é mesmo? – questiona-o.

—Irei – confirma o loiro – Sei como lidar com os filhotes caso fiquem indóceis – justifica-se, voltando-se para Cisco – Avise na tribo sobre a presença deles aqui. Peça a Killi vir busca-los antes do amanhecer para evitar pânico – pede, o jovem guerreiro anuindo com um gesto antes de voltar-se e sumir madrugada adentro.

—Hã....e se eles sentirem fome e nos atacarem? – um dos presos indaga, preocupado.

—Não permitirei que o façam – garante Thawne – Além disto, estou certo de já estarem bem alimentados – diz, sentando-se calmamente.

—Muito bem, neste caso vou-me indo. Minhas filhas estão sozinhas em casa e preciso descansar, assim como todos aqui, suponho – Quentin Lance declara, levantando-se – Jerome, faça companhia a Thawne – ordena, o rapaz acenando afirmativamente – Boas noites senhores – despede-se, preparando-se para sair.

—Irei com você Quentin – o prefeito anuncia, postando-se ao lado do homem.

—Também iremos. Minha esposa, filha e nora devem estar aflitas por informações e ante seu provável estado não é aconselhável a esposa de meu filho passar por este tipo de situação – pondera.

—Provável estado?? – Barry interroga, arqueando a sobrancelha ao encarar o amigo.

—Conto depois – desconversa o rapaz – Pedirei a um dos servos de casa que traga algo para os filhotes comerem por precaução – avisa – E para vocês também – acresce, voltando-se para o pai — Vamos?

—Sim – anui o patriarca Queen, fazendo uma reverencia curta aos presentes antes de sair, seguido de perto pelo filho e o jovem Allen.

—Também devo ir-me. Minha esposa deve estar ansiosa e igualmente a nora do Queen, não é aconselhável que se preocupe em excesso. Basta-lhe precisar lidar com as atitudes de nosso filho – Malcom Merlyn declara – Agradeço-lhe a atitude paciente e digna para com meu filho, Snow. Reitero o que disse-lhe instantes atrás: sua filha será muito bem tratada em nossa casa bem como faço minhas as palavras, mesmo trôpegas de meu filho, de que não permitirei a ninguém destrata-la. Terá o respeito que uma senhora casada merece – assegura, sério, estendendo a mão ao outro.

—Não tenho dúvidas acerca disto – garante Dominique, aceitando o cumprimento – Devo ir-me também, levar noticias e comunicar a minha família a decisão tomada. Amanhã, com mais calma, iremos ter com Monsenhor Robinson e acertaremos os detalhes do casório. Que se dê o mais rápido e discretamente possível – decide, despedindo-se dos presentes, dirigindo um ultimo e curioso olhar ao futuro genro antes de retirar-se, pensando em como faria para aplacar a ira da esposa e fazê-la ver que o melhor seria aceitar o casamento entre os dois.

—Não hesite em mandar-me chamar caso algo estranho...mais estranho aconteça durante o restante da madrugada Thawne – Quentin recomenda, imitando Snow, balançando a cabeça negativamente ao sair.

—Já viu este tipo de coisa acontecer antes? – Jerome pergunta, chamando atenção de Eddie.

—Não...mas conheço alguém que sim. Falarei com ele sobre isto o quanto antes – diz, indo até a jarra com água, pondo um pouco numa tigela – Deitem-se e durmam em paz. Nada lhes acontecera – ordena aos demais presos, adentrando a cela de Thomas, agachando-se com a vasilha de água para os filhotes, acariciando lhes a cabeça enquanto os presos obedeciam-no, mesmo temerosos, e Jerome assumia posição de guarda sentando-se junto a porta entreaberta, observando a madruga lá fora.

**** Dominique Snow (01:49 a.m)****

Entro em casa sentindo-me física e emocionalmente exausto, agradecendo mentalmente por todos parecerem adormecidos.

Sento-me pesadamente em minha poltrona, escondendo o rosto entre as mãos, refletindo um pouco mais sobre tudo que se passara em minha residência e fora dela nas últimas horas.

Pressentira, desde que os vira chegar, que teria problemas tanto pelos comentários maldosos que de imediato começaram espalhar-se feito rastilho de pólvora, quanto pelo desejo manifesto, ainda na enfermaria, por Thomas Merlyn em cortejar minha filha. E também pelo evidente sentimento que ela nutria por ele. Estava explicito em seus olhos cada vez que o nome do rapaz era citado ou o vi mesmo que a distância.

Minha esposa já havia, semanas antes, alertando-me acerca do que julgava ser uma “aproximação indesejada” entre os dois quando serviu-nos em casa e que por isto vinha mantendo vigilância sobre eles.

Mesmo assim, quando da viagem de nosso filho, não hesitei em manda-lo junto com Caitlin e sua acompanhante a Central City despedir-se do irmão e fazer as benditas compras pedidas pela irmã para o casamento.

Minto, hesitei sim, mas não via escolha. Não poderia ausentar-me aquele dia posto que todos os funcionários do banco no qual trabalho estavam sob investigação (fato que jamais revelei a minha esposa) e igualmente não podia permitir uma jovem viajar unicamente em companhia do cocheiro e uma dama mesmo tratando-se de um percurso relativamente curto entre as duas cidades. Era demasiado arriscado e meus temores acabaram por confirmar-se quando não regressaram como esperado.

A partir daquele momento, só podia contar que o rapaz, estando ou não interessado em minha filha, conforme minha esposa suspeitava, mantivesse a palavra e a trouxesse em segurança para casa.

—E a trouxe Dom, isto não pode negar – digo a mim mesmo, levantando-me, indo servir-me de uma bebida – Só não foi capaz resistir a seus impulsos e desejos! – amarguro-me, sorvendo o liquido de um gole, o movimento na escadaria chamando-me atenção. Estreito os olhos na escuridão tentando divisar de quem tratava-se – Carla?? – chamo, o soluçar sentido indicando-me estar errado – Caitlin? – arrisco.

—Sou eu meu pai – Olivia responde, vindo abraçar-me, o choro desesperado deixando-me aflito.

—O que houve meu anjo? – pergunto, mantendo-a junto a mim.

—Perdoe-me por trazer-lhe mais más notícias meu pai, mas sinto que se não tomar uma providência imediata, Caitlin estará condenada a um futuro terrível!! – diz, fazendo-me retesar de pronto.

—O que está querendo dizer com isto? Onde está sua irmã? – interrogo, afastando-a o suficiente para ver-lhe o rosto úmido pelas lágrimas – Olivia, fale. O que houve a sua irmã? Acaso Caitlin cometeu alguma loucura? – questiono-a, preocupado.

—Ela não. Mamãe – diz – Depois que todos se foram, mamãe foi ter com Cait no quarto. Estava furiosa. Gritou com ela...E depois a levou embora – conta, soluçando – Quando regressou, não a trazia consigo e quando perguntei-lhe disse que estava no lugar que mulheres como ela merecem estar e quando insisti esbofeteou-me e mandou-me dormir, que não era de minha conta e deveria comportar-me, ser obediente se não quisesse ter o mesmo destino...- dispara, parando apenas quando o choro a impede falar.

—Onde sua mãe está agora? – quero saber, a raiva fazendo meu sangue ferver.

—No quarto de Cait...quebrando suas coisas, rasgando seus vestidos e....- não a aguardo terminar.

Solto-a, subindo os degraus de dois em dois, alcançando o quarto de minha filha mais nova em poucos minutos, encontrando minha esposa sentada sobre o colchão.

—Que diabos pensa estar fazendo mulher?? Acaso enlouqueceu?? – vocifero fazendo-a estancar, olhando-me com olhos vermelhos.

—Diga-me que aquele infeliz vai apodrecer na cadeia pelo que fez!? – pede, soltando o vestido que segurava, o amontoado de tecidos indo ao chão – Ao menos isto me deixara de alma lavada! Saber que aquele infeliz não vai....

—Para onde levou nossa filha? – pergunto, ignorando-a tal qual fizera – Onde está Caitlin? – repito.

—Onde mulheres que se dão desfrute devem estar – diz, amarga, pegando outro vestido de nossa filha.

—O que fez Carla? Que loucura cometeu em sua raiva? – pergunto, tomando-lhe o vestido antes que o picotasse – Onde está nossa filha mulher? Responda!! – ordeno, impacientando-me com a demora – RESPONDA!! – altero-me.

—Na casa de tolerância!! – revela, por fim – É lá que rameiras como ela devem ficar, a disposição de quem pode pagar por elas! – cospe, deixando-me chocado.

—Nossa filha não é uma rameira, sabe bem disso – rosno, cerrando o punho em busca de controlar a raiva – Cometeu um erro por amor, algo completamente comum em sua idade – digo, passando a mão pelo cabelo – Como pôde fazer tal coisa? Como pôde leva-la aquele....lugar?? É uma criança apaixonada e...

—É UMA RAMEIRA, ISTO QUE ELA É!! – exalta-se, pondo-se de pé – Não ama coisa nenhuma! Foi enganada, usada, por aquele sedutor de meia tigela e a culpa é toda sua!! – acusa-me, o dedo em riste – Se não o tivesse posto naquela carruagem, se a tivesse deixado ir sozinha com a dama, nada disso teria acontecido – reforça.

—Se ele não estivesse com ela, estaria morta!! – declaro – Não me arrependo de tê-lo mandado com ela a cidade. Estou certo de que, fossem outras as circunstancias, não tocaria em fio de cabelo dela – afirmo, sentindo meus nervos “estalarem” tamanha tensão que sentia – O que aconteceu foi uma fatalidade. Ninguém poderia prever o que ocorreria assim como qualquer um fraquejaria estando dias seguidos ao lado da mulher amada.

—Do jeito como fala parece que apoia o que fizeram – diz, encarando-me de olhos arregalados.

—Não aprovo e doeu-me por demais saber que não resistiram ao sentimento, que o rapaz não foi capaz de controlar-se mas nem por isto os irei condenar – declaro, buscando ar outra vez – E por esta razão a dei em casamento a Thomas Merlyn – aviso, vendo-a abrir a boca, nenhum som saindo no entanto – É o que deve ser feito a fim de garantir o mínimo de respeito perante a sociedade a qual tanto preocupa-se. Amanhã mesmo irei ter com monsenhor Robinson a fim de marcar a data o mais rápido possível. Será feito de forma discreta para não aumentar o falatório já existente – comunico – E agora vou busca-la para casa. Reze para que não a tenham tocado – digo, dando-lhe as costas.

—Se ela entrar, eu saio – ameaça e estanco – E levo nossa filha e meu dote comigo...além de todas as provas que tenho contra você – diz fazendo-me voltar-me para encara-la, chocado – É isto mesmo que ouviu, senhor meu marido. Se a trouxe para dentro de casa, nosso casamento termina e o entrego ao senhor Crumble – reitera – Não obrigue-me tomar tal atitude, por favor – pede, tentando tocar-me porém me esquivo.

—Por que tanto ódio dos Merlyn? – inquiro-a, sustentando seu olhar frio.

—Não gostara de saber, creia-me – responde, evasiva como sempre cada vez que toco no assunto.

Durante um tempo impreciso nos encaramos, travando uma luta na qual nenhum dos dois sairia vencedor. Suspiro.

—Sai – ordeno, pondo-me de lado, ela hesitando um segundo antes de obedecer-me, saindo do quarto de nossa filha em silencio.

Olho em volta, entristecendo-me com o caos reinante. Sento na cama de Caitlin, agarrando uma almofada, uma das poucas coisas intactas ali dentro, deitando-me, dor, tristeza, angustia, decepção, tudo mesclando-se em meu peito. Mesmo assim, mantenho minha decisão: daria Caitlin em casamento ao jovem Thomas, Carla gostando ou não.

—Não permitirei que minha filha pague por um ódio que não é seu. Caitlin será feliz, eu juro – prometo, fechando meus olhos, adormecendo lentamente.

“...Qual o segredo da felicidade?

Será preciso ficar só pra se viver?

Qual o sentido da realidade?

Será preciso ficar só pra se viver?

Só pra se viver;

Ficar só”

Notas finais
"...Um dia um caminhão atropelou a paixão, sem o teu carinho e tua atenção, o nosso amor se transformou em bom dia" Até breve. Bjinhos flores