Notas iniciais
Para Rai Chan com essa lindíssima recomendação! Talvez a última que eu receba. Obrigada querida! Meninas vocês são incríveis, me dar vontade de imprimir seus comentários e recomendações e pendura-las na minha parede! Desculpem pelo capítulo grande. PENÚLTIMO CAPÍTULO!

https://www.youtube.com/watch?v=WOKI_tIBWVI

Tudo estava indo conforme o planejado, bastava agora Clair conseguir fazer com que Dante fizesse o que ela queria e ela sabia exatamente como fazer isso.

Sofia irá fazer um aninho daqui a três semanas e Clair não queria de verdade que isso se passasse em branco.

Clair foi até o quarto da filha e viu Dante sentado no chão com a filha colidindo vários carrinhos um no outro, as risadas de Dante e Sofia se misturam.

Clair se sentia culpada apesar de tudo, quando ela fosse embora com a filha, Sofia iria sofrer com a ausência do pai, mas ela precisava ir embora, não aguentava ficar presa na própria casa, precisava de liberdade! Clair não sabia se Dante iria prender Sofia como ela, não poderia arriscar. Tinha que agir agora enquanto Sofia era nova para que ela não se lembrasse de nada.

–Hora de comer, querida – Sussurrou Clair pegando a filha.

–Mama! – Gritou Sofia pegando no cabelo da mãe.

Dante sorriu ao vê-las e se levantou, Sofia ergueu os braços para o pai e ele a pegou, então eles desceram. Clair colocou a comida na mesa e Sofia na cadeirinha, entre comer sua própria comida e dar a comida de Sofia ela começou a conversar com Dante.

–Está chegando o aniversário de Sofia... – Comentou Clair.

–Eu sei – Murmurou Dante – O que vamos fazer? – Perguntou olhando firme para ela.

–Quero fazer uma festa para ela, no Canadá.

–No Canadá? – Perguntou Dante aumentando a voz, Sofia parou de comer na hora, olhando para o pai – Mas por que no Canadá? Por que não podemos fazer aqui?

–Sinceramente Dante quantas pessoas viriam? Vinte? E quantas crianças? Vocês nos deixa trancada aqui! Sofia só brinca com outras crianças quando saímos! – Disse Clair sem piedade, olhando para Dante com aqueles olhos verdes imensos e acusadores.

Dante se enfureceu e se levantou da mesa, deixando-as sozinhas. Sofia virou a cabecinha e ficou observando o pai até ele desaparecer, depois olhou questionadora para a mãe. Clair beijou a filha e terminou de dar o jantar da menina.

Depois que Clair colocou Sofia para dormir ela foi para o seu quarto.

–Então você estava aqui esse tempo todo? – Murmurou Clair e entrou no banheiro.

Ela tomou seu banho, penteou seu cabelo e colocou sua camisola.

–Vamos fazer a festa no Canadá então – Murmurou Dante – Seus amigos têm filhos?

–Cinco deles tiveram, há também meus vizinhos... Eu conheço bastante gente lá – Sussurrou Clair e se sentou ao lado de Dante.

Dante estava triste, pensativo, Clair suspirou e pegou sua mão, apertando-a forte.

–Por que sinto que você vai me abandonar?

–É aniversário da nossa filha, só quero que ela tenha uma festa e que ela se lembre Dante! Eu não estou mentindo sobre isso! – Disse Clair olhando em seus olhos.

Castanho no Verde. Desconfiança e medo.

–Eu sei que você não está mentindo... É nossa filha, você nunca a usaria – Disse Dante rouco – Sabe Clair... Eu sou feliz por ter vocês, você não é?

Este não era o tipo de conversa que Clair esperava, ela ficou em choque.

–Não completamente – Respondeu um pouco rouca. Clair puxou Dante para se deitar e se deitou ao seu lado, próxima de seu rosto – Eu vou ligar para Julie amanhã para que ela possa resolver algumas coisas para mim. Quero que a festa de Sofia seja no mesmo local onde eu tive minha primeira festa de aniversário. Eu tinha treze anos – Murmurou Clair pensativa.

–Tudo bem... – Murmurou Dante e segurou o laço das costas de Clair, aproximando-a de seu corpo – Eu sei que você está tramando algo, mas você também sabe que não vai dar certo, nunca deu.

Clair bufou e olhou debochada para Dante.

–Pense no que quiser – Respondeu Clair e eles ficaram em silêncio.

Clair estava quase dormindo quando Dante voltou a falar.

–Eu também nunca tive uma festa de aniversário... – Murmurou Dante e Clair despertou na hora, olhando surpresa para ele – Meu pai não nos deixava sair, eu e minha mãe... Ele não nos levava no shopping ou no zoológico, para ele nós tínhamos que ficar em casa, conversando com ele, brincando com ele, que o que importava era a família e que nós não precisávamos de mais nada – Murmurou distante.

–Ele não deixava vocês terem amigos? – Sussurrou Clair se aproximando mais ainda dele, para encoraja-lo.

–Não – Murmurou Dante sem se importar – Durante muito tempo eu também não via a necessidade disso, mas depois que comecei a trabalhar, a ter uma equipe, eu entendi que precisava e também que eu queria ser diferente dele, não queria fazer o mesmo que meu pai fazia, não queria ser louco e taciturno como ele. Não queria ser como ele que batia na minha mãe todas as noites, a torturava! Na minha frente! Eu sei que bati em você e me arrependo todas as noites! Ainda mais que depois que descobri que você estava grávida, nunca tiro da cabeça que talvez eu tenha te batido em você quando Sofia estava na sua barriga... Nunca me perdoei por isso...

Clair refletiu um pouco, em seu âmago ainda não era correto, mas em comparação a outro...

–Você está agindo diferente do seu pai, você é um pai maravilhoso! Sua filha se diverte, saí! Você é o ídolo dela – Respondeu Clair sincera.

–Eu sei! Eu sei disso tudo! Mas quando você me falou que ela não tem amigos eu percebi que eu não estava agindo tão diferente, eu prendo você a mim por que não tenho escolha, mas acabo privando ela! Não quero que ela tenha a merda da nossa infância!

–Ela é nova ainda, vai ter mais amigos quando começar a estudar. E nós não conhecemos ninguém que teve filho há pouco tempo... – Esclareceu Clair – Mas por que você disse que me prende por que não tem escolha?

Dante soltou a respiração e o ar quente envolveu o rosto de Clair, Dante continuou olhando daqueles olhos verdes, se perdendo dentro dele.

–Por que eu conquistei tudo que eu queria na vida, uma carreira, uma boa situação financeira, uma filha linda, mas... Eu ainda não tenho o coração da mulher que eu amo, durmo com uma estranha todas as noites.

Clair fechou os olhos e respirou fundo.

–Já lhe disse que nunca mais poderia lhe corresponder – Respondeu firme.

–Eu sei. Mas ainda tive esperanças depois que tivéssemos um filho e com o passar do tempo... Mesmo assim você continua a me olhar vazia.

–Não posso fazer nada quanto a isso, estou convivendo com você e não foi isso que você disse que era o suficiente? – Retrucou Clair.

–Sim, eu disse. Mesmo assim eu vou esperar até o dia que você vá mudar.

–Então vai ser assim? Vai me matar presa nessa casa até eu amar você? Porra Dante! Por que você não pode agir como um cara normal?! Isso só me faz ter mais raiva de você! Você sabe que é errado, mas mesmo assim me prende aqui! – Disse Clair furiosa.

–Sim! Vai ser assim Clair! – Disse Dante alto, calando-a – Mas que merda! Eu nunca vou deixar que você se separe de mim! Nem que eu tenha que no inferno atrás de você!

Clair se levantou furiosa, mas Dante a puxou de volta.

–Você não vai dormir no quarto de Sofia novamente! Você é minha mulher! Tem que dormir no nosso quarto! – Disse Dante sério, sentando na cama segurando o braço de Clair.

–Então você não está agindo muito diferente do seu pai! Se você quer mesmo ser diferente como diz teria que me deixar ir! – Respondeu Clair acidamente, puxando seu braço e se deitou no sofá de canto do quarto.

Dante lhe lançou um olhar que poderia tê-la queimado viva, mas ela ignorou. Clair sabia mais do que ninguém irritar ele, mas também deixa-lo sem palavras.

***

Clair, Dante e Sofia foram para o Canadá quatro dias antes do aniversário da filha, eles decidiram ir de carro, fazendo várias paradas para tirar foto com a filha com as atrações turísticas de vários estados. Sofia era um bebê calmo, adorava viajar de carro. Dante e Clair não se falaram muito depois daquele dia, mas seguiram os seus planos.

Depois de três dias de viagem eles finalmente chegaram a Montreal, onde ficaram em um hotel. Eles passaram a noite no hotel e logo de manhã Dante deixou as meninas na casa de Julie e foi conferir o local da festa de Sofia.

Clair não estava acreditando que ele havia deixado elas sozinhas, sem proteção e sem tranca-las em algum lugar, ele deu um voto de confiança?!

Assim que Julie e Clair se viram começaram a chorar, se abraçando. Depois que se separaram começaram a rir, Sofia alternava o olhar entre elas. Assim que Julie transferiu sua atenção para Sofia ela abriu um sorriso lindo, mostrando seus dentinhos, erguendo os braços para que Julie a pegasse.

–Por Deus, Clair! Essa menina se parece tanto com você! Só tem os olhos e o cabelo escuro! Mas o jeito, o olhar! Nossa! É todo seu! – Disse Julie brincando com o cabelo de Sofia.

–Eu sei... – Murmurou Clair encantada, olhando para a filha.

Julie pegou a mão de Clair e a olhou dentro dos olhos.

–Vamos embora agora! É o momento perfeito! Ele as deixou sozinhas! – Disse Julie nervosa, olhando para os lados esperando que Dante aparecesse ali a qualquer momento.

Quando ameaçava tirar Clair dele ele não tinha limites.

–Não.

–Como não, Clair? Está louca? – Gritou Julie.

–Hoje não! Amanhã é aniversário da minha filha! E eu faço questão que ela tenha a primeira festinha dela! Quero dar esse momento entre família para ela, que Dante e eu que nunca tivemos! Não vou estragar este dia fugindo.

–Você está louca! É o momento perfeito! Eu pensei que o que mais importava era você conseguir fugir dele!

–O que mais me importa é minha filha, ela vem em primeiro lugar. Entenda Julie, não é o momento para isso – Disse Clair firme, com o olhar que não aceita contradição, um olhar de mãe.

–Ah... Clair! Eu não entendo você! Juro que não entendo!

–Você entende, só não quer aceitar. Já esperei por tanto tempo essa oportunidade, posso esperar mais. Nós vamos conseguir fugir Julie, não se preocupe, só quero que minha filha tenha o dia dela, é pedir demais?

–Não... – Respondeu Julie e suspirou – Aqui está a lista de convidados, todos que nós conhecemos.

– E quantas pessoas confirmaram? – Perguntou Clair olhando para a lista, havia quase trinta crianças para brincar com Sofia na festa.

–Cem pessoas, estão todos animados para conhecer sua filha, todos querem conhecer “a filhinha da doida da Clair” – Disse Julie.

–Nunca tive uma boa fama mesmo – Murmurou Clair rindo.

–Ser destruidora de corações da nisso, a senhora Grinm diz até hoje que você deveria ser a nora dela – Disse Julie rindo e as serviu uma xicara de café.

–Eu só fui ao baile com o filho dela! Por Deus! Ela achava que eu amava o filho dela! – Respondeu Clair e revirou os olhos.

Julie riu – Fazer o que... Você foi à garota mais bonita que o filho dela saiu, acredite.

Elas riram e Sofia as acompanhou, fazendo-as rirem mais ainda. As amigas deram as mãos e ficaram no chão da sala conversando, enquanto Sofia brincava do sofá com seus brinquedos.

***

Para a festa de Sofia é claro que o tema não poderia ser outro, sendo a filhinha do papai, Sofia teria a festa das princesas da Disney, vestindo-se como uma.

Clair adorou passar o dia com a filha no salão, elas pintaram a unha, cachearam o cabelo.

–Igual mama? Igual? – Perguntou Sofia frenética olhando para o reflexo da mãe no espelho.

–Estamos iguais filha! Nós duas! Cabelo cacheado, igual às princesas! – Disse Clair amorosa.

Sofia deu aquela risada linda, mostrando suas covinhas e batendo as mãozinhas, fazendo as mulheres do salão suspirarem encantadas.

Clair praticamente tirava fotos com Sofia todos os dias, não perdia um momento com a filha, queria lembrar Sofia como ela era mais nova, contar cada história por trás da foto.

Dante chegou no horário combinado para buscar as mulheres da sua vida no salão, ele já estava pronto, vestido com uma calça e uma blusa social branca, destacando todos os seus músculos.

Assim que Sofia viu o pai pulou da cadeira e correu em direção a ele, gritando seu nome. Dante mergulhou a filha em beijos, elogiando ela, fazendo que os sorrisos dela aumentassem, depois olhou para Clair, dando um sorriso imenso para ela, encantado.

Eles três saíram de mãos dadas do salão, Sofia no meio, segurando a mão de ambos os pais. Ela era o laço que unia os pais, a única coisa que os unia.

***

O local da festa era um salão imenso e claro, com carpete dourado e bege, com lustres de cristais imensos iluminando todo o local. A maioria das paredes eram de vidros imensos que davam a visão de todo o jardim, principalmente do chafariz principal. A decoração de todo o salão estava igual a um palácio, Dante pagou quase o dobro pare ter mais detalhes e objetos, queria que Sofia achasse que estava mesmo em um palácio.

Assim que os convidados chegaram eles logo se acomodaram e as crianças começaram a correr por todo salão ou foram para os brinquedos. Sofia não gostava de correr, ficou o tempo todo na piscina de bolinhas ou descendo do escorrego, às vezes ela tentava correr como as outras crianças, mas acabava caindo e voltava para o colo do pai com um bico imenso irritada e depois fazia tudo de novo.

Dante ria o tempo todo, conversou naturalmente com todos, Clair percebeu que ele estava se divertindo. Quando Sofia ganhava algum presente ia correndo mostrar aos pais toda sorridente, ela deu um abraço em todos que lhe deram presentes, radiante.

Clair e Dante ficaram de mãos dadas toda a festa, eles estavam felizes pela filha, sempre que a olhava ela estava sorrindo e não há felicidade maior que essa.

Sofia gostou muito de Julie e cismou que era sua amiguinha e que podia ir ao pula-pula com ela. Enquanto estavam na casa de Julie, elas brincaram de bonecas, Julie maquiou Sofia e isso bastou para que a criança grudasse nela. Julie sendo Julie nem gostou quando Sofia insistiu puxando sua mão para que fosse ao pula-pula com ela. Julie expulsou as outras crianças do brinquedo e entrou com Sofia, pulando loucamente, elas foram à atração da festa.

A festa terminou tarde, todos cansados e cheios. Sofia ficou acordada até o final, mas quando chegou ao hotel apagou completamente.

Dante e Clair dormiram juntos naquela noite olhando para a filha.

***

Dante acordou mais cedo que Clair e a deixou dormindo, ele iria ao salão pegar as filmagens e pôsteres da filha, mas Clair já estava acordada.

Assim que Dante saiu ela arrumou a bolsa da filha e colocou todos os documentos dela ali, pegando os seus também. Ela se arrumou e arrumou a filha ainda sonolenta e saíram do hotel.

Clair pegou um taxi e foi direto para a casa de Julie, não tinha muito tempo até Dante perceber.

Como Clair estava em seu país ela tinha como agilizar muitas coisas. Ela deixaria Sofia com Julie por um tempo e elas sumiriam do mapa, assim como Clair iria fazer, elas só se encontrariam depois .

Estando no Canadá e sendo filha de uma canadense seria muito mais difícil Sofia ser deportada para ficar com o pai durante o julgamento. Julie já havia juntado algumas provas contra Dante e Clair já tinha gravado um depoimento denunciando tudo que ele fez com ela. Por estarem no Canada ele seria julgado inicialmente aqui e isso daria a Clair a distância que precisava dele, já que ele seria preso e ela poderia ficar com a filha.

Tudo estava planejado, tudo estava organizado, tudo tinha que dar certo!

Clair sabia que Dante iria segui-la, pensando que a filha estava com ela, era o que ela precisava para Julie fugir com a menina e ela o despistá-lo, assim ele não a encontraria, nem a filha para usar contra ela.

Clair desceu correndo do taxi e gritou para que ele a esperasse, ela entrou correndo na casa de Julie. Logan e Julie já esperavam por ela.

–Vamos! Vamos! – Gritou Logan – As malas já estão no carro! – Ele pegou as malas de Sofia e as colocou no carro.

Clair deu a menina para Julie e correu enlouquecida pela casa.

–O que está fazendo? – Gritou Julie enquanto Clair escrevia furiosamente em um papel.

–Estou lhe passando a minha guarda para você – Respondeu Clair sombriamente.

–Mas por quê? Não precisa Clair! Vai dar tudo certo! As denuncias já estão encaminhadas! Neste momento já devem estar atrás dele!

–Eu sei! Mas não posso arriscar! – Gritou Clair, então pegou a filha no colo – Se algo acontecer comigo, eu quero que você fique com ela! Talvez Dante seja preso e eu não quero que ela passe um dia se quer em um orfanato, está me entendo Julie? Você é a guardiã dela!

Julie começou a chorar e Clair não aguentou, cobriu a filha de beijos, sentia que algo horrível iria acontecer, não queria perder sua filha! Mas o que ela estava fazendo era para a liberdade de ambas.

–Cuide dela como sua filha, okay? Eu não sei por quanto tempo vou ficar fugir dele e vou ficar longe da minha filha, só cuide dela tudo bem? – Disse chorando.

–Vamos! Agora! – Gritou Logan.

Ele entregou um celular para Clair e eles correram para os carros. Julie foi para o seu carro e Clair ajudou a colocar Sofia na cadeirinha, Sofia acabou acordando e pediu colo. Clair desabou e deu um abraço apertado na filha, beijando sem parar.

– Je t'aime! – Disse Clair em francês.

Eu te amo.

Julie entrou no carro e Clair se afastou, Sofia começou a chorar desesperadamente batendo as mãozinhas no vidro, Clair tampou a boca e saiu correndo.

Julie saiu com o carro primeiro.

Clair entrou no carro correndo gritando para o motorista partir agora. Ele estava dando a última tragada no cigarro do lado de fora do carro quando houve um disparo.

Clair gritou na hora quando o motorista foi jogado para trás com o impacto.

Dante gritou seu nome saindo de trás da casa de Julie ao mesmo tempo em que o motorista do taxi gritava de dor, com a mão em seu ombro. Clair agiu rápido demais.

O carro de Julie estava virando a esquina, ela tinha que agir agora.

Ela pulou para o banco do motorista e bateu a porta do carro, acelerando na hora, saindo em disparada, por pouco não passou por cima das pernas do taxista.

Clair acelerou o carro e saiu virando a rua oposta ao que Julie foi. Não demorou até Clair conseguir chegar a uma rodovia, ela dirigiu em disparada para a direção oeste. Clair estava dirigindo muito rápido e isso fez com que um carro da policia começasse a correr atrás dela, mas ela não poderia parar.

–Vocês estão atrás da pessoa errada! – Ela gritou então bateram na parte traseira do seu carro, a cabeça de Clair foi diretamente no vidro, fazendo um pequeno corte em sua testa.

Clair ficou desnorteada por alguns segundos, fazendo seu carro cambalear pela pista. Ela arrancou o retrovisor direito batendo em outro carro e por pouco não bateu novamente senão tivesse desviado. Quando ela olhou pelo retrovisor viu Dante no carro atrás dela, ele não falava nada, mais seu semblante estava completamente mudado, transtornado, como das vezes que ele batia nela, como de um demônio.

Ela fez outro corte entre na pista, entrando no lugar de outro carro, foi quando ela viu o carro de Logan mais atrás. Ela acelerou mais ainda, costurando entre os carros, mas Dante não saia de seu encalce, ele estava quase a alcançando.

Clair olhou novamente para trás, mas não viu o carro que entrou na sua frente.

O carro bateu com tudo na picape, destruindo a traseira do mesmo, fazendo o carro capotar uma vez, sendo lançado para o lado, uma vã tentou parar, mas era tarde demais e acabou batendo no táxi na parte do motorista, estourando os vidros.

Os veículos entorno frearam bruscamente, causando vários engavetamentos. Bateram no carro de Dante duas vezes, fazendo sua cabeça bater com força no vidro, cortando-a, manchando sua roupa de sangue. Após alguns segundos do impacto as pessoas começaram a sair do carro, podiasse ouvir os gritos, os choros, os pedidos de socorro.

O carro da policia estava logo atrás do de Dante, ele podia ouvir vagamente os policiais gritarem ordens para as pessoas se controlarem.

Dante saiu do carro cambaleante, com os ouvidos zunido. Ele começou a caminhar lentamente até o carro de Clair, a parte traseira e a parte do motorista estavam completamente amassados. Dante viu Clair saindo do carro rastejando, gemendo de dor, havia sangue por onde ela passasse.

Dante tentou correr até ela e caiu ajoelhado, colocando a cabeça dela em suas pernas, ela não parava de cuspir sangue, estava se engasgando.

–DANTE! Saia de perto dela! – Gritou Logan um pouco distante, ao lado de dois policiais também machucados.

Dante não conseguia olhar para ninguém, seus olhos estavam presos naquelas orbitas verdes, era a única coisa que conseguia ver, o rosto de Clair estava mergulhado no próprio sangue, havia vários cortes.

–Vamos Clair! Fique calma, já vai chegar ajudar – Disse Dante erguendo mais ainda o rosto dela, para que ela não engasgasse.

Clair não conseguia parar de tremer, ela segurou o rosto de Dante e olhou fixamente para ele enquanto falava...

Logan se aproximou mais ainda deles, os policiais começaram a gritar para ele se afastar quando viram a mão de Clair cair para o lado...

Todos ficaram paralisados na hora até que Dante começou a gritar enlouquecido, sacudindo o corpo de Clair... Ele começou a fazer massagem cardíaca, respiração boca-a-boca, gritando sem parar para ela reagir, mas não havia mais reação, não havia mais nada.

–Afaste-se do corpo! – Gritou um dos policiais fazendo Dante ficar paralisado.

Ele olhou para as suas mãos cobertas pelo sangue da Clair, olhou para ela e começou a chorar.

–Não faça isso Dante! – Gritou Logan quando Dante pegou uma arma – Não reaj...

E ficou mudo quando Dante apontou para o próprio coração.

Os policiais sacaram as armas e começaram a gritar, mas Dante os ignorou, olhando somente para Logan.

–Não faça isso! Pense na sua filha! – Gritou Logan com as mãos para o alto, desesperado tentando acalma-lo.

–Diga a ela que eu a amo mais do que tudo! Diga que ela sempre será minha princesinha... Mas eu não posso viver sem ela – Disse e olhou para Clair — Não posso conviver com essa dor – Sussurrou.

Então ele disparou.

Notas finais
Já coloquei a armadura e peguei o guarda-chuva! Podem começar Novamente desculpe pelo capítulo grande. Até o último capítulo! Não demorarei a postar. Bree