O perigo mora ao lado
1 Capítulo 1
Notas iniciais
—É aqui senhora?
—Aham... Sim, terceiro andar... – Murmuro distraída.
O homem bufou impaciente e entrou no prédio com as caixas, sendo seguindo por mais dois homens robustos.
Eu estava me mudando.
Havia acabado de alugar meu primeiro apartamento aqui nos EUA.
Olhei mais uma vez para o prédio, ainda me encantava com ele desde a primeira vez que o vi. Era um prédio da década de 60, de tijolos marrom-avermelhados, muito bem conservado. O tipo de prédio que qualquer um imaginária para morar, algo simples, bonito e normal.
Normal.
É tudo que eu preciso para minha vida, normalidade, conforto e segurança. Soltei o ar e subi.
Os carregadores já me esperavam junto a sindica, abri a porta para eles colocaram as caixas no piso de cerejeira da sala, então eles desceram para buscar mais.
—Srta. Clair está animada com a mudança? – Perguntou a sindica.
—Ah, sim! É minha primeira casa, mal posso esperar para decora-la – Digo e sorrio.
A sindica começou a elogiar o prédio me fazendo companhia até subirem com todas as caixas. Vinte e três caixas e alguns móveis depois os entregadores e a sindica foram embora. Eu estava sozinha... Na minha casa.
O silêncio era um pouco perturbador, ainda mais para um ambiente no qual você não está acostumado e quando alguns pisos rangem quando você pisa neles... Definitivamente perturbador.
Comecei a arrumar as roupas na cômoda e desempacotar as caixas. Já era tarde da noite quando terminei. Enchi meu colchão inflável e fui dormir, amanhã seria outro dia cansativo.
***
—Senhorita Delacour? – Perguntou à senhora receosa entrando em minha sala.
—Senhora Walker – A cumprimentei e indiquei para que se senta-se.
Eu trabalho como gerente de riscos para um banco canadense, minha profissão faz com que os clientes me procurem quando estão em uma situação critica, minha função é acalma-los e resolver tudo. Geralmente costuma ser um trabalho bem parado, só às vezes tenho que contatar o FBI para relatar algum desvio milionário na conta de algum cliente ou alguma tentativa de golpe... Acreditem essas coisas acontecem com mais frequência de que pensam, às vezes a quantia desviada é tão pequena que muitos não notam ou não se importam... Agora imaginem fazer isso com milhares de pessoas!
Deixando estes detalhes enfadonhos de lado, vou lhes explicar melhor o que aconteceu comigo.
Acabei de ser transferida para Washington (capital) para a nova filial do banco, fora isso que aconteceu na minha vida recentemente. Nunca pensei que iria embora de Montreal (minha cidade natal no Canadá) e viria morar nos EUA.
Mas está é minha nova vida e estou me habituando a ela. Temos que saber lidar com as mudanças.
***
Assim que saí do trabalho fui a algumas lojas de móveis e eletrodomésticos, admito que me diverti comprando, como uma criança em uma loja de brinquedos, ou talvez, o estilo de vida americano seja bem influenciador, de qualquer forma era bom.Tudo estava previsto para chegar ao sábado.
Fui até algumas lojas de departamentos para comprar utensílios para a nova casa, agora colocar tudo dentro do carro foi à parte fácil, difícil fora entrar no elevador com duas colchas de cama e várias sacolas, ainda mais quando essa pessoa tem nervoso de elevadores...
—Ah... Não fecha! – Choramingo enquanto segurava as colchas, a porta do elevador e tentava pegar algumas sacolas do chão, tentando não morrer de medo daquela caixa metálica maligna não fechar no meu pescoço.
—Aqui – Disse um cara de repente e pegou minhas sacolas antes que as portas se fechassem – Você está bem? – Perguntou olhando minha expressão.
—Sim... Só não gosto de elevadores – Respondi colocando tudo no chão e passei a mão no rosto para me acalmar – Obrigada por me ajudar – Digo e recolho tudo, saindo apressada do elevador.
—Sou seu vizinho, à proposito – Diz abrindo a porta de frente para a minha e entrando.
—Okay – Murmuro, mas a porta já tinha se fechado.
***
Todos os dias desta semana fiz algum tipo de compra, o que era bastante desgastante. Na sexta tomei coragem e falei com o porteiro antes de subir.
—Oi, Sr. Gidon.
—Olá senhorita Delacour, precisa de ajuda com as compras?
—Não, está tudo bem, obrigada. O senhor poderia me dizer o nome do meu vizinho? – Pergunto cadenciada.
—Oh! Pelo visto vocês já se encontraram – E deu um sorriso subjetivo – Está semana ele fez a mesma pergunta que a senhora – Disse rindo – O nome dele é Dante De La Torre, ele é militar.
—Ah... Obrigada – Digo vermelha e subo as escadas antes que o senhor Gidon perguntasse se estou interessada nele.
Como eu só o possuía como vizinho e o fato de ser homem, com todo aquele porte físico, poderia ser perigoso. No prédio são apenas dois apartamentos por andar, três andares.
Todos os dias eu subia e descia três andares para evitar o elevador. O porteiro e a sindica me garantiram que nunca houve algum problema ou acidente, mesmo assim...
***
O sábado e o domingo foram loucos e cansativos! Havia tantas coisas para serem feitas! Estava ajeitando a cozinha quando tocaram a campainha, por segurança peguei uma faca e fui até a porta. Pelo olho mágico e eu me vizinho nos encarávamos.
Abri um pouco a porta – O que houve? – Perguntei atenta ao seu semblante raivoso.
—Já são onze da noite, não vai parar com o barulho?!
—Ah! Desculpe! Não percebi que estava fazendo barulho – Digo estupefata.
—Tudo bem... – Disse mais calmo depois que percebeu que fui sincera.
Ele arregalou os olhos quando viu a faca em minha mão e me observou com mais atenção, mudando sua expressão.
—Obrigada por não ter chamado a polícia – Digo. Os americanos não tem costume de pedirem para diminuir o barulho ou som, sempre chamam a polícia.
—Não precisa agradecer – Disse de costas e entrou no seu apartamento... Branco e cinza?! Só vi estas cores antes da porta ser fechada.
—Nossa... Que cara mais mal-humorado – Murmurei e fechei a porta.
***
Uma semana se passou e eu dei uma de decoradora, particularmente, gostei do que fiz. Na quinta eu já havia terminado de ajeitar tudo e decidi descer com as latas de tinta.
—Escada ou elevador? – Murmurei sozinha.
—Te ajudo a descer com elas.
Virei-me assustada.
—Pregou-me um susto! – Digo com a mão no peito.
Ele riu... Riu?
—Você é mesmo canadense – Disse meu vizinho.
—Como sabe que sou canadense?!
—Educação exacerbada, nome francês e você ainda têm um pouco de sotaque.
—Hum... Dante, certo? – Pergunto e ele estende a mão.
—Dante De La Torre – Diz com um sotaque espanhol ou italiano, e nos cumprimentamos – Você vai optar pelas escadas, não é?
Olhei para as latas vazias de tinta – Sim... – Sussurrei.
Dante pegou duas latas e eu uma então descemos.
—A proposito, meu nome é Clair Delacour – Digo.
—Ah, eu sei – Diz Dante. Há certo tom de prepotência em sua voz, mas eu não entendi o porquê daquilo e ignorei.
Nós jogamos tudo na caçamba atrás do prédio e subimos.
—Você tem que superar seu medo pelo elevador, Clair – Diz Dante.
Era engraçado como os americanos pronunciavam meu nome.
—Não tenho medo, só... Revira meu estomago toda vez que o elevador desce e sobe, por isso o evito – Esclareço.
—Entendo. Já procurou algum especialista para isso?
—Não, não vejo como algo sério, não é pânico, simplesmente não gosto.
—Tudo bem – Responde e chegamos ao nosso andar.
—Sábado irei fazer uma social para comemorar a nova casa. Apareça se estiver desocupado, será as sete, okay?
—Você vai cozinhar algo? – Perguntou Dante de repente.
—Vou... Por quê? – Digo surpresa.
—Sua comida cheira muito bem, sinto da minha casa quando você cozinha.
E eu ri.
—Irei aparecer – Respondeu Dante e entramos em nossos apartamentos.
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