Notas iniciais
Potter Mellark e Isaah Marques acertaram o capítulo Para Livians que me deu uma recomendação que deixou-me sem reação, até mamis poderosa comentou "Que lindo, filha" obrigada mesmo querida, eu amei Enjoy

–Então você não vai mesmo me contar aonde vamos? – Perguntei a Dante.

–Não. E não precisa se arrumar, é um lugar normal – Respondeu.

–Não estou gostando disso – Resmunguei.

Dante ficou me observando o dia inteiro! Foi agoniante! Ele olhava para mim e sorria, às vezes ria sozinho.

Essa porra tinha enlouquecido de vez!

–CLAIR? JÁ ESTÁ PRONTA? – Gritou Dante impaciente.

Suspirei e desci da escada.

–Espero que está roupa esteja boa – Murmurei.

–Você está adorável, querida – Disse Dante gentil pegando minha mão, enquanto eu estreitava os olhos.

Ele dirigiu até a cidade, não estava muito interessada onde iriamos, para mim pouco importava. Agora o que me preocupava era o semblante de Dante, era... Inexpressível.

Nós paramos em frente ao um hospital e eu fiquei chocada.

–Mas... Mas por que estamos aqui? – Murmurei um pouco engasgada.

–Jura que você ainda não percebeu querida?

O ar saiu dos meus pulmões na hora. Eu me segurei na porta, meu mundo estava caindo literalmente.

Dante se aproximou de mim e segurou mesmo rosto, afagando minha mão, falando para me acalmar.

–Você acha mesmo? Quer dizer, eu não notei nada! Nada! – Comentei com a voz um pouco aguda.

–Você tem comido bastante, não percebeu?

É.

Dante levantou minha blusa.

–Toque para ver, está durinha – Disse e eu o fiz.

Minha barriga chapada, sem nenhuma dobrinha, estava com um levíssimo arredondamento. Do jeito que eu estava magra é claro que iria aparecer logo a barriga!

Então eu comecei a chorar. Descontroladamente, sem pausas.

Dante foi gentil, não vou negar. Ele me acalmou e limpou minhas lágrimas.

–Tem certeza que aguenta entrar? Nós podemos ir para casa... – Sussurrou.

–Não... Nós temos que ver isso logo, confirmar – Respondi.

–Respire Clair.

Nós entramos no hospital e eu comecei a ficar enjoada, maldito nervosismo!

Enquanto andávamos pelo corredor eu só conseguia pensar nos meus pais, no tempo que eu fiquei no orfanato... Tentava saber o que minha mãe biológica pensou enquanto estava na grávida de mim...

Um tremor percorreu meu corpo e eu abracei minha barriga. O pensamento ilógico de proteger aquela criança era incontrolável, necessário.

Dante me abraçou e beijou minha cabeça.

–Por que você está chorando amor? – Sussurrou.

–Eu nunca vou abandona-la! Nunca! Essa criança nunca saberá o que é isso! – Disse trêmula.

Dante ficou sem reação e me puxou para sentar no colo dele.

–Não vai querida. Não pense assim, vai tudo dar certo, você vai ver – Disse fortemente, mas notei que ele controlava o choro.

Uma enfermeira pigarreou chamando nossa atenção e disse que a médica nos aguardava.

Fiz um exame de sangue e fiquei aguardando algumas horas pelo resultado. Nunca pensei que a surpresa de Dante seria ir a um hospital para fazer um teste de gravidez! E eu pensando que teria um dia normal... Cada dia na minha vida é um capítulo chocante.

–Senhor e senhora De La Torre? – Chamou a médica – Os resultados saíram vocês podem entrar na minha sala?

Nós entramos e a médica sorriu para a gente. Então eu comecei a rir, Dante me olhou chocado e começou a rir.

–Mudanças bruscas de humor, essa é uma reação engraçada da gravidez – Comentou.

–É sim – Concordou a médica – Senhora De La Torre – Disse a médica se virando para mim, tendo minha atenção — Precisa ganhar peso, está muito magra! Vou te encaminhar para uma nutricionista e vou te receitar umas vitaminas também, mas antes vamos fazer uma ultra? Ver de quanto tempo à senhora está?

–Claro – Respondi sorrindo.

Depois de tirar o cachecol e o casaco me deitei na maca, levantando a blusa. Dante pegou minha mão, ele estava mais nervoso que eu.

–Olhem... – Murmurou a médica – Deste tamanho a senhora já está com um mês – Disse sorridente.

A médica nos mostrou uma imagem embaçada, aparecia um cogumelo ou algo assim. Era interessante a imagem, parecia uma meia lua deitada, mas ver aquele pequeno borrão se movimento, ver que ali havia um coração... Foi incrível.

–Dante olha só! – Disse alto, com as mãos no rosto – Tira uma foto homem! – Resmunguei.

A médica e Dante começaram a rir. Com as mãos trêmulas Dante tirou a foto do meu borrãozinho e outra com meu sorriso imenso ao observa-lo.

***

Depois de começar a tomar as vitaminas e mudar toda minha alimentação para poder engordar começaram os enjoos e essa foi a pior parte. Tudo me enjoava, inclusive o Dante.

Com certeza não contaria para o meu bebê que a mãe dele foi uma bruxa nos primeiros meses de vida dele. Outra coisa que eu não administrava bem era minhas mudanças de humor, uma hora eu estava abraçada ao Dante chorando por que ficava muito enjoada, outra hora estava gritando pela casa irritada perguntando quanto tempo aquilo duraria.

Essa parte da minha vida eu posso me orgulhar que deixei Dante enlouquecido.

Eu fazia Dante fazer todas as minhas vontades. Se ele queria tanto que eu fosse dele teria que me aturar. Mostrei minha vadia interior.

Mesmo assim ele fazia tudo que eu queria, tudo! Sem reclamar ou dizer algo. Às vezes eu pensava que ele estava tão desesperado para me agradar e mostrar que podíamos ficar juntos que não se importava, mas comparando ao que ele fez comigo, eu nunca seria ruim o suficiente.

Fiz Dante gastar uma pequena fortuna com produtos estéticos. Quando começou aparecer estrias na minha barriga eu pirei, definitivamente!

–Meu bebê vai nascer de uma mãe cheia de estrias! De uma estriuda! – E comecei a chorar.

E lá veio Dante para ver o que tinha acontecido.

Liguei animada para contar que estava grávida para Julie. Dante estava começando a confiar mais em mim, deixando o telefone na minha mão, mesmo assim ele ficou no quarto comigo ouvindo a conversa.

Assim que contei para Julie ela ficou em silêncio, eu estranhei, mesmo assim continuei a olhar minha barriguinha de grávida, linda, branquinha e redondinha.

–Então ele te engravidou... E como você pode estar feliz Clair?! Eu nem quero imaginar o que esse desgraçado fez para você, agora você está feliz por estar carregando o monstrinho dele? Como você pode não se importar? Se você não vê que essa criança é uma abominação? Você está doente igual ao Dante!

Eu estava sem reação, em choque, mas Julie ainda não tinha terminado.

–Você não vê que ele fez você engravidar para prender mais ainda você? Assim como algumas mulheres engravidam para prender o cara! Essa criança é sua sentença! Ele sabe que você não vai abandona-la, nem ira abortar e ele vai usar essa criança para te ameaçar mais ainda!

–Você tem razão – Respondi chorando – Eu não me importo! Não me importo mais com o que ele fez comigo, aprendi do jeito mais difícil aceitar que essa é minha vida agora. Não vou fazer que meu bebê veja a mãe sofrendo, que ele tenha uma família desfeita. Tudo que me importa agora é que ele tenha uma família que o ame, uma casa confortável e que seja saudável. Essa criança não vai passar por nada que eu passei! Eu seria uma hipócrita se tentasse abandona-lo ou aborta-lo! Eu estaria fazendo tudo que meus pais biológicos fizeram comigo! E eu nunca vou fazer isso! Eu só lamento que você não esteja nem um pouco feliz comigo! Você sabe que ser mãe sempre foi meu sonho, mas você tem que se lembrar de que independente de como essa criança veio ao mundo ela não tem culpa por ter sido gerada ou se vai nascer! Eu nunca transferiria meu ódio pelo que aconteceu com ela! Ela não tem culpa de nada!

–Então continue assim, Clair! Fique com essa ilusão de vida! Tudo bem que você quer proteger essa criança e já a ama, mas vai ser a custo da sua liberdade?! Da sua vida?! Esse homem pode estar bonzinho agora Clair, mas e depois? Ele é louco de ciúme, já parou para pensar se ele tiver ciúme do seu filho com você? Por que eu sei que você já o ama e vai passar todo esse amor para essa criança, agora eu devo lembra-la de tudo que esse doente é capaz de fazer e isso não isenta está criança. Muito cuidado Clair, eu sobrevivi, mas também estou pagando um grande preço, mas nada é pior do que vê-la com ele! – Disse Julie chorando – Eu te amo amiga, minha irmã, só... Sobreviva.

Meu choro ficava cada vez mais forte – Tudo bem, eu vou... Eu também te amo Julie – Disse de todo coração e desligamos.

–Clair... – Dante murmurou próximo de mim.

–Não! Por favor, deixe-me sozinha! – Pedi e saí do quarto chorando.

Fui para o quarto do bebê e fiquei encolhida no pequeno sofá que havia.

Aos poucos fui controlando minhas lágrimas, refletindo em tudo que havia sido dito. Enquanto eu observava o por do sol alaranjado meu bebê se mexia dentro de mim impaciente, como se também estivesse aborrecido como eu, esfreguei minha barriga para acalma-lo, sussurrando que estava tudo bem, que nós ficaríamos bem.

O quarto de bebê estava quase pronto, ainda havia algumas caixas para serem abertas, mas já havia alguns móveis, tudo estava pintado e suas roupinhas estavam guardadas no guarda-roupa. Branco, azul e o amarelo eram as cores do quarto, faziam ter tanta paz dentro daquele cômodo que às vezes eu vinha aqui para relaxar, a imensa janela a oeste permitia que toda a luz do por do sol entrasse no quarto, misturando as cores, tornando ali um verdadeiro paraíso.

Eu e Julie nunca havíamos brigado daquela forma, nunca tínhamos descontado nossas raivas uma na outra, nunca tínhamos gritado ou chorado por causa da outra e era isso que mais me doía, magoava a alma.

Eu mereci ouvir todas aquelas palavras, como uma tapa na cara, mas ela também precisava entender o meu lado, doeu dizer aquelas palavras? É claro que sim, mas também tirei um peso dos ombros.

Desde que Dante tirou meu anticoncepcional eu sabia que ficaria grávida, me preparei para isso. Podem me julgar, me xingar, mas eu queria está criança, não a culpava ou achava que ela fosse uma abominação como Julie havia tido, crianças são sempre uma benção; E depois de passar tantos meses com Dante nesta casa e antes de tudo mudar loucamente, eu já estava acostumada com ele, com a vida de casal, isso tornou tudo mais fácil de aceitar.

***

No dia seguinte Dante e eu fomos à outra consulta para fazer aqueles exames chatos, mas super importantes para o bebê, e é claro tentar novamente descobrir o sexo. Dante não se importava qual seria o sexo, mas eu queria uma menina.

Minha médica tinha um senso de humor muito peculiar, ela achava engraçado nossa ansiedade, somente no final da consulta ela nos disse o sexo do bebê.

Vocês devem estar pensando qual é o sexo, mas não lês contarei agora, quero me deleitar com a descoberta mais um pouco.

Depois de sair da consulta fomos ao shopping comprar mais roupas e outras bugigangas para a criança. Passei no salão de beleza e acertei meu corte de cabelo, ele estava na metade do pescoço todo desfiado na ponta, então pedi para cortar tudo reto em um Chanel. Meu rosto fino e aquele cabelo brilhoso da gravidez me deixaram com rosto de boneca.

***

Faltava apenas um mês para o nascimento e eu estava imensa, grande e redonda, como um planeta.

Para minha surpresa Dante tirou férias do trabalho e agora ficava comigo em casa, ele me disse que ficaria por quatro meses em casa, isso não é algo agradável de ouvir, mas tendo em vista que a criança estava prestes a nascer era bom saber que ele também cuidará dela.

Dante ia comigo nas aulas de como cuidar de um bebê. Trocar fralda em um bebê de mentira era fácil, difícil era quando ele desatava a chorar, eu fiquei tão irritada uma vez com que tirei a pilha do bebê, a professora me elogiou dizendo que eu sabia cuidar de uma criança, Dante riu na hora, mas eu dei uma cotovelada nele tão forte que ele reclamou a noite toda.

As coisas mais interessante que aprendi neste curso foram como agir caso o bebê parasse de respirar e se tivesse que fazer uma mensagem cardíaca nele, isso realmente me surpreendeu.

Eu saia de casa quase todos os dias, estava fazendo hidroginástica para melhorar a circulação, evitando que meus pés inchassem tanto, sem contar que a bebê adorava.

Sofia... É o nome que decidi para minha filha. Sofia Delacour... Ah! Soa tão bem!

Não posso expressar minha felicidade ao saber que era uma menina, Dante ficou todo bobo, dizendo que ela seria a minha cara, e eu nem gostei disso... (risos).

Dante queria que o nome fosse Christianne, mas eu bati o pé e disse que seria Sofia, pelos deuses onde ele achou que esse nome fosse combinar com algo?

***

Na semana do parto eu fiquei em casa. Como estávamos no verão procurei comer comidas leves e ficava boa parte do dia perto da piscina lendo. Li muitos livros sobre gravidez no inicio da gestação, mas quando li um livro sobre possíveis doenças e defeitos que uma criança poderia nascer eu parei, isso é traumatizador para qualquer mãe.

Eu tinha acabado de sair da piscina quando senti um liquido quente escorregando entre minhas pernas, eu fiquei paralisada na hora, não tinha reação.

Quando Dante apareceu eu estava apoiada nos arbustos tendo a quarta contração.

–Clair! Clair! – Ele veio correndo na minha direção.

Fiz um sinal com os dedos para ele se calar e apertei mais ainda as folhas dos arbustos, um minuto depois soltei a respiração.

–A bolsa estourou – Consegui dizer em um sussurro.

–E por que você não me gritou? – Perguntou desesperado segurando meu corpo curvado.

–Por que quando eu ia te gritar veio uma contração – Sussurrei – As contrações estão vindo rápido demais, Dante.

Ele ficou desesperado, dez minutos depois veio outra, eu estava na porta do carro, me apoie na porta até conseguir reagir a algo.

Cheguei ao hospital com uma calça e um maiô por baixo, com certeza isso daria uma boa piada futuramente.

***

Três horas depois nasceu Sofia Delacour De La Torre... Minha princesinha, a bebê mais bonita de todo o berçário, saudável como um touro.

Sofia era branca-fantasma como eu, tem os mesmo sinais clarinhos que eu tenho no queixo e na bochecha. Ela era cabeluda, a cor do cabelo era a mesma que de Dante, assim como os olhos, ambos castanhos escuros. Ela só tinha isso do pai, o restante era tudo meu.

Dante ficava olhando para ela todo bobo e quando ele a pegou no colo ela abriu os olhinhos, eu vi nos olhos dele que ela já tinha o ganhado. Os dois dias que fiquei no hospital eu só o ouvi a chamar de “minha princesinha”.

Depois que levamos Sofia para casa tudo ocorreu bem, conseguíamos nos equilibrar para cuidar dela. O que nos preocupou foi o fato dela praticamente não chorar, a levamos no pediatra e ele fez inúmeros exames, mas constatou que ela estava bem, ela só era “muito sossegada”.

Com os passar dos meses Sofia foi crescendo bem, ela só chorava quando ficava com a fralda suja, isso sim a incomodava, não importava a hora ou o local que estávamos se ela ficava suja na mesma hora começava a chorar descontroladamente até alguém troca-la. Dante e eu ficávamos chocados.

–Essa menina vai ser uma pessoa muito higiênica... – Murmurei enquanto a trocava.

–É... – Concordou Dante um pouco chocado, fazendo carinho na cabeça de Sofia para ela se acalmar.

Com seis meses Sofia estava naquela fase de engatiar e tentar ficar em pé, ela adorava quando eu pegava suas mãozinhas e colocava para tocar Little Mix, ela adorava aquela banda! Começava a dançar fazendo Dante dar altas gargalhadas enquanto ela tentava cantar e se agachando e subindo enquanto eu segurava suas mãos.

Eu já tinha voltado a falar com Julie novamente, ela já tinha visto Sofia pelo webcam e Sofia já tinha conquistado o coração da tia Julie com aqueles olhões brilhantes. Julie tinha conseguido sair da cadeira de rodas e agora estava andando de muletas.

Nós três estávamos no carro a caminho do zoológico quando Julie ligou para mim, como Dante estava no volante me deu o telefone.

–Clair? – Perguntou Julie receosa.

–Oi Ju! Como está?

–Estou muito melhor Clair... – Disse tensa com a voz forte – Estou conseguindo andar devagar sem as muletas... – Comentou e eu senti a emoção em sua voz.

–Oh... Amiga! Isso é maravilhoso! E vai continuar assim, você vai ver – Comentei, mas queria dizer outras coisas, mas Dante estava atento.

Vire-me um pouco para brincar com Sofia e esperei Julie falar.

–O telefone está no viva- voz?

–Não querida, pode falar, estamos no carro indo ao zoológico.

–Entendi... Clair eu já comecei a agir, tenho informações... Assim que conseguir andar normalmente iremos ai, todos já estão prontos.

–Eu sei... – Murmurei descontraída.

Nos últimos meses em cada conversa que tinha com Julie eu lhe contava algo, Julie captava tudo que eu dizia, cada indireta e palavras vagas que eu dizia. Ela estava investigando, juntando as peças para poder comprovar o que ele estava acontecendo.

Dante havia ameaçado tirar Sofia de mim quando discutimos. Já que eu não trabalhava, era ele quem me sustentava e minha filha era americana, algo que eu não sou era já que não somos casados. Eu fiquei louca.

“Se você fugir com essa nova liberdade que eu estou lhe dando, você nunca mais ver nossa filha”, foram essas suas palavras.

–Agora tire uma foto da Sofi e mande para mim, aja naturalmente e... Boa sorte amiga vai tudo dar certo – Comentou por fim.

–Tudo bem – E eu sorri – Sofi faz uma cara seduzente para a tia Julie! Ela está com saudades de você amor! – Disse carinhosa e tirei a foto.

Tudo iria dar certo...

Notas finais
Sinceramente sou apaixonada por essa bebê, que coisinha mais fofa >< Esse capítulo foi uma droga para escrever, mas espero que vocês gostem... O próximo será o penúltimo... Até ^^ Bree