O país secreto.
4 Votamos.
Notas iniciais
Hellena e eu descemos as escadas cautelosamente. Sinceramente, não sei o que pretendíamos fazer lá embaixo, mas ficar no quarto eu já não conseguia. Quando caminhamos pelo longo corredor escuro, sinto a mão de Hellena segurar no meu braço. Por mais rebelde que fosse, sei que ela morre de medo de escuro.
Chegamos à sala e a atravessamos. Abro a janela para admirar o céu à noite. Sei que está bem longe da hora do sol despertar. Mas quero ver a lua. As estrelas. Hellena está em algum lugar atrás de mim. Não presto muita atenção ao que ela está fazendo, somente foco no céu.
–Emma...- Sinto Hellena puxar o meu braço.
–Ora, ora. Achei que a solzinha só ia para a janela ver o sol nascer.- Conheço essa voz... Me viro quase imediatamente e vejo quem está parado atrás de mim.
–Liam...- Digo entre os dentes.
Não só Liam, como Will, Chris e Amélia.
–Acho que ela gosta de ver a lua também.- Chris ri.
–Cala essa boca, carente de cérebro.- Digo irritada. Hellena está parada em um canto observando.
–Mas... o que fazem aqui uma hora dessa?- Pergunta Will.
–Sabia que não é da sua conta?- Falo.
Will arregala os olhos.
–Tive uma ideia!
–Vindo de você, suponho que não seja lá essas coisas...- Ri Hellena.
Liam revira os olhos.
–Fala logo!-Ele diz.
–Não acham que é muita coincidência termos vindo parar aqui quase na mesma hora?- Disse Will. Apesar da pouca luz, pude ver que seus olhos brilhavam.- Isso é coisa do destino!
Chris gira os olhos.
–Era só o que me faltava...- Ele murmura, balançando a cabeça.
–Coincidência sim.- Começa Amélia.- Mas destino... Você realmente acredita nisso?
–A Emma, o Chris e a Hellena sabem qual é minha ideia.- Diz Will.
–Sabemos?- Pergunta Hellena.
Então uma ideia louca vem na minha cabeça. Lembro de uma vez, quando eu tinha oito anos, e estávamos na barraquinha no quintal. Talvez Hellena não se lembre mesmo, pois tinha apenas cinco anos, mas me admira Will ter lembrado, já que tinha seis.
Estava chovendo, e nosso refúgio era a barraquinha, onde oito crianças, de quatro a onze anos, se espremiam para caberem. Stive, o mais velho, contava histórias de monstros, e Dianna o ajudava, deixando a história mais assustadora. Me lembro de estar encolhida, com um braço envolto na pequenina Annabely de quatro anos, e o outro em Hellena, que tapava seus olhos com minha mão. Eu nunca tive muito medo dessas histórias bobas, mas gostava de “proteger” as crianças menores.
Pouco antes da história ser concluída, mamãe chamou todos nós para entrarmos, afinal poderíamos acabar pegando um resfriado. Lembro de alguém gritando que já iríamos, e poucas palavras foram ditas por Dianna: Ela propôs um pacto entre nós.
“Se algum dia surgir uma oportunidade, viveremos grandes aventuras.” Foi o que ela disse.
Desde então, tenho esperado as tais grandes aventuras, que nunca aconteceram.
–Espere.- Digo.- Will, está se referindo aquilo...?
Will sorri, entusiasmado.
–E ao que mais eu estaria me referindo, maninha?
–Mas não podemos!- Falo, caminhando até o sofá e me sentando nele. Hellena se senta ao meu lado. Will, Liam, Amélia e Chris se aproximam de nós.- Quer dizer, não com eles aqui.
Aponto de Liam à Amélia.
–E se fôssemos. O que sugere que faríamos?- Pergunta Chris.
–Ir para a rua. No meio da noite.- Ele responde.
–Rua?- Amélia ergue as sobrancelhas.- Nem pensar.
–Vamos resolver em votação.- Diz Hellena. Céus, até ela...- Quem topa ir levanta a mão.
–Espera.- Interrompo antes que as mãos sejam erguidas.- Não podemos decidir sem a Dianna, o Stive, a Luize e a Annabely.
–E o Júnior.- Completa Amélia.
–Podemos viver sem o Júnior.- Diz Hellena.
–O.K., então vamos chamá-los.- Digo.- Hellena vai chamar a Dianna, Will vá chamar o Stive e Amélia vá chamar a Luize e a Annabely.
Depois que todos foram, sobraram apenas Liam, Chris e eu. Liam logo se foi, para chamar o metidinho de seu irmão, e logo sobrou Chris e eu.
Quando todos voltaram, os dorminhocos pareciam intrigados com o por quê de serem despertados.
Assim, Hellena repetiu a proposta de votação.
–Quem vota em sim, ir para a rua, levanta a mão.
A primeira a levantar a mão foi Dianna. Logo sua irmã Annabely fez o mesmo. Então as Hellena e Chris também levantaram. Em seguida Liam. Então, os meus dois irmãos. Assim, eu me convenci a ir, e ergui o braço.
–Oito votos sim, e três não.- Diz Hellena.- Nós vamos.
–Eu não vou.- Diz Amélia.
–Nem eu.- Disseram Luize e Júnior em uníssono.
–Claro que não.- Stive ri.- Estão morrendo de medo.
–Eu não tenho medo.- Retruca Júnior.- Só não quero ir.
–O.K., então não vá.- Diz Dianna, dando de ombros.
Acontece que quando passamos pela porta de saída e fomos para a rua, os três apareceram correndo, dizendo que queriam ir conosco. Sabia que Luize ia fazer isso, como sempre fez, mas os dois desmiolados, eu não esperava.
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