O nascimento de Pain
2 O mártir de Konan
Konan estava deitada em seu quarto. Não queria ter abandonado o corpo de Yahiko, mas também não queria acompanhar aquele jutsu horroroso que mais parecia um ritual macabro que exigia sacrifício humano. Pelo menos não quando o sacrificado era seu amado que seria mutilado e transformado em um mero fantoche, uma extensão do corpo e do poder de Nagato.
Culpa e remorso a consumiam por dentro. Se na primeira vez que Nagato a tivesse agarrado ela não tivesse tentado reagir, Yahiko nunca ficaria sabendo, e então nenhum dos atos sequentes teriam acontecido.
Ela não veria aqueles sentimentos de ódio no olhar do ruivo antes de dar início a conversa que também seria inexistente. Bem como o beijo, o flagra, a luta, a morte e a culpa.
Não, no fundo ela sabia que nada daquilo era culpa dela. Sempre havia deixado claro para o moreno que gostava do mesmo como um irmão, uma parte da família que havia sido tomada a força de cada um dos três.
Ela não era obrigada a aguentar o abuso da parte dele somente porque o poder de Nagato o fazia esquecer que nem tudo que ele deseja pode ser alcançado. E acima de tudo, não poderia jamais desejar não ter beijado Yahiko, mesmo que tenha sido uma vez só.
Aqueles dois iriam acabar se enfrentando mais dia, menos dia. Se não fosse por ela, seria por poder, se não fosse por poder seria simplesmente para provar quem dos dois era mais forte.
Levantou e saiu pela janela para sentar no telhado. Ela já podia sentir o aumento de chakra dentro da casa, o que indicava que o jutsu já estava sendo executado. Lá fora ela poderia pelo menos se distrair com as estrelas e com a lua, que hoje não tinha seu brilho perolado habitual, mas era encoberta por uma névoa rubra, dando a impressão de que a mesma fora levemente manchada com sangue.
Bela e imponente no céu. Sabia que Nagato não precisava de um sexto corpo, que estava fazendo o que fazia para castigá-la, para que tivesse que olhar para a face de Yahiko todos os dias lembrar-se de sua morte. Também sabia que ele era um troféu para Nagato, para “registrar” o triunfo sobre aquele que o “desrespeitou”, embora a única pessoa realmente desrespeitada ali fosse ela.
Tirou calmamente dos bolsos da roupa que usava alguns pedaços de papel e pôs-se a dobrá-los um a um, com uma mão apenas. Tinha que colocar Yahiko em um lugar seguro de sua memória agora e seguir em frente. Apertou o braço ferido contra si, passou a noite toda ali, revivendo pela ultima vez todas as lembranças boas que tinha com o finado ninja.
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Muito tempo havia se passado desde que a coleção de corpos de Nagato havia aumentado, e ele nunca mais havia procurado Konan para tentar algo com ela. E isto era algo que ela agradecia profundamente apesar de não entender.
Desde o dia que passara a noite no telhado, a jovem adquiriu novos hábitos. Konan passou a usar roupas largas e muito maiores que seu corpo, havia até encontrado uma pesada capa negra que passara a ser uma peça obrigatória em seu figurino, era sempre frio e úmido na vila da chuva o que tornava o uso da capa até justificável e nem a atrapalhava.
Vestir roupas que a deixasse mais bonita a fazia temer chamar atenção de Nagato, não queria parecer bonita para ele de forma alguma. Na verdade, como era de se esperar, ela vinha o evitando o máximo que podia.
Preparar refeições e cuidar do esconderijo, essas eram agora as únicas missões que ela recebia. Nagato a mantinha como prisioneira ali, sabia que se a mandasse em qualquer missão, o anjo de papel jamais voltaria.
Por esta razão ele a mantinha ali presa naquele lugar, deixando clones de olhos espirais que obedeciam somente ao seu comando para vigiá-la etodas as vezes em que saía para resolver coisas sobre uma organização que o antigo trio planejava criar. Ela apenas não se queixava, a dor da perda de Yahiko ainda lhe mantinha levemente atordoada com relação à gravidade de sua situação.
Naquele momento, o simples fato de Nagato não ter tentado lhe tocar, ou se aproximar de si de forma íntima novamente lhe servia de consolo.
Apesar de tanto tempo ter se passado, a bela kunoichi nunca vira o clone Yahiko. Já estivera em sua presença, mas evitara olhar para seu rosto e encontrar as espirais de Nagato. Não queria que a lembrança dos olhos alegres fosse substituída pela imagem fria do rinegan.
Sempre ouvia Nagato gritar com o ruivo. Apesar de serem completamente dominados pelo moreno cada clone mantinha algo de si, o que lhes permitia responder e conversar com seu mestre.
Isso era importante para quando ele mandava um corpo sozinho para alguma missão. Esse também era o detalhe que a fazia desistir de acabar com um ou dois clones e sumir dali, pois enquanto terminava com um, outro já estaria comunicando o fato a Nagato que mandaria todos atrás dela.
Enfim, ela ouvia Nagato brigar com Yahiko praticamente todos os dias, parecia que o ruivo oferecia certa dificuldade em obedecer ao seu comando não realizando as tarefas que lhe eram impostas. O que isso significava, ela ainda não sabia, mas lhe agradava a ideia de que mesmo morto, seu amado defensor oferecia momentos de teimosia e ira ao causador de seu infortúnio.
Saber que talvez Nagato estivesse arrependido do karma que impôs sobre o ruivo de servir como sua marionete humana morta-viva fazia com que Konan se conformasse que aquele era seu destino e que nada o mudaria. Apesar de sua vontade.
A menos é claro, que acabasse com o próprio Nagato, mas ela também nem pensava no assunto. Afinal se o ruivo não conseguira, ela também não seria capaz. Toda vez que pensava no assunto, ela se lembrava do moreno falando de como ela era fraca, dependente do resto do grupo para atacar.
No começo ela não aceitava embora sempre achasse que se não fosse por aquele poder infernal, Yahiko fosse o melhor dos dois. Só que isso não importava mais e ela não tinha como sair dali, sendo assim, fazia o que ele lhe pedia sem se queixar, achando bom o suficiente o fato dele nunca mais ter tentado algo consigo. Mas hoje, não seria um dia como os outros, hoje era o dia para reacender sua esperança.
Nagato já havia saído para se encontrar com algum outro ninja renegado. Desde que a ideia de montar a tal organização mercenária tinha se mostrado mais concreta do que nunca, o dono do rinegan passava seus dias dedicando seu tempo exclusivamente para aquilo.
Pesquisava ninjas com dons desejados, marcava reuniões. Konan não queria se quer conhecer o tipo de seres que se união à Nagato por vontade própria. Aquele Nagato, não o Nagato que conheceu em sua infância.
A tal organização já estava quase formada e ela tentava imaginar como seria ter aquele esconderijo cheio de ninjas poderosos enquanto terminava de enxugar a louça do almoço recém-consumido de forma distraída. Sabia que se aquela casa abrigasse mais homens Nagato iria praticamente colocar uma coleira em si. Estava tão distraída que não viu o corpo semi-vivo entrar na peça.
Foi quase como se estivesse em câmera lenta. Ela virou para guardar o prato que havia terminado de secar, e foi impossível não olhar para o rosto que vinha evitando fazia meses.
O susto foi tão grande que deixou a peça de louca cair no chão. O ruivo estava ali parado simplesmente olhando para si.
Quase exatamente como se lembrava dele, os ombros largos largados, o cabelo ruivo despenteado. Fisicamente, ainda era o mesmo, porém tinha algo de muito estranho na aura que ele emanava, era como se Yahiko estivesse olhando para si, mas não a enxergando.
Focado em algo além, incapaz de se mover ou falar. Era como se estivesse fazendo uma força imensa para simplesmente estar ali naquele lugar e não em outro.
Diferente do que ela imaginava o rosto dele não estava mutilado, os pircings apesar de serem muitos e de deixá-lo com ar mais agressivo, estavam dispostos de forma harmoniosa. Seus belos olhos agora continham o rinegan, mas diferente dos outros clones e de Nagato, os olhos de Yahiko não haviam perdido o calor nem o brilho.
– Yahiko... – A reação dela foi chamá-lo, embora soubesse que aquele corpo só conversaria com seu criador.
Ele ficou mais algum tempo apenas olhando para ela, procurando claramente uma concentração fora do comum. Algo que ninguém que fosse tão íntimo do mesmo, como Konan era, perceberia.
Ele era muito espontâneo, a pessoa que deixava os dias frios e chuvosos que passavam na rua durante a infância, mais divertidos. Às vezes parecia que ele primeiro fazia ou falava as coisas, para somente depois pensar no que havia feito e nas consequências. Agora estava ali, à um metro de distância de si e estava claramente se concentrando na próxima ação que faria.
Andou até a menina e sem poder dizer nada, abaixou-se e começou a ajuntar os cacos do prato quebrado por ela. Konan entendeu o que o ruivo queria lhe dizer com isso, simplesmente porque nenhum clone fazia nada que não fosse uma ordem e o moreno não estava nem perto para ordenar aquilo.
Sorriu. Tomada pela emoção e uma vaga ponta de esperança, mesmo sem saber esperança de que, sorriu. Apenas porque era ele ali, não apenas um clone de Nagato.
Ainda se lembrava de quando começou a cozinhar ali, ela teve um acidente no fogão que por pouco não a queimou toda. Havia dois clones a vigiando, ambos viram o que se passava ali e não moveram um músculo, suas ordens eram vigiar Konan e não ajudar Konan.
Por isso ela sabia que mesmo que exigisse concentração extra, ele estava fazendo o que queria e isso não era o comportamento normal de um clone de Nagato. Era claro que mais do que não obedecer, como ela ouvia os gritos quando o outro se irritava com o ruivo, ele ainda tinha vontade própria. Talvez ainda se lembrasse dela.
Talvez já estivesse se concentrando para manter sua vontade própria desde o momento que renasceu pelo jutsu de Nagato. Há quanto tempo será que não se concentrava para chegar até ali, para conseguir mover-se por conta e chegar até ela.
Ele terminou e voltou a encarar a mulher de cabelos azuis e olhos vivazes que lhe encarava da mesma forma. Essa era a primeira visão que tinha dele e tudo aquilo que ela se esforçou para manter adormecido dentro de si até então, desmoronou por alguns breves minutos.
Ela se aproximou sem desviar seus olhos dos dele por um minuto se quer. Tocou a pele fria e sem vida de seu rosto e buscou em um tocar de lábios uma última sombra de esperança, mas tudo que obteve foi o beijo não correspondido dos lábios que antes tão quentes agora pareciam tão frios quanto a própria morte. Ela chegou a se perguntar se ele ainda era capaz de sentir seu toque, pois se sentisse, por que não corresponderia seu beijo?
Ela já estava se afastando, quando viu o ruivo fechar os olhos. Como tudo que fizera até ali por sua vontade, era demorado e exigia muita concentração.
Konan sorriu e mais uma vez, tentou se aproximar. Devagar, dessa vez colocou os braços do ruivo em torno de si, fazendo com que a abraçasse e deixou seus lábios apenas encostados nos dele, esperado.
Depois de algum tempo o ruivo reagiu movendo seus lábios para um beijo paciente que fora atendido por ela. Por quanto tempo durou, ela não sabe, mas do nada o beijo havia sido interrompido e como um clone como os outros Yahiko saiu da sala. Konan o seguiu e o viu parar em uma das saídas do local como um cão de guarda.
– Então essa é sua função aqui,vigiar a porta dos fundos para eu não fugir.
A alegria de ter o ruivo perto de si havia acabado. Ela começava a entender que a concentração dele tinha um limite e que por hoje ele havia sido ultrapassado. Saiu dali e foi tomar um banho. Reparou com tristeza, que ele se quer a acompanhava com os olhos para ver onde ia, certamente apenas iria atrás dela se tentasse fugir.
Konan só representava algo pra qualquer um daqueles corpos se assumisse a posição de fugitiva e sabia disso. Mas nada disso abalaria a felicidade que tivera durante aquela tarde, ele estava ali e lembrava-se dela.
Ela havia evitado esse contato por tanto tempo, mas ele veio até si. Depois de meses desistindo gradativamente da vida que costumava ter, aquele encontro havia ascendido sua vontade de voltar a ser uma pessoa com liberdade.
Parada em frente ao espelho em seu quarto, ficou olhando todos os detalhes da kunoichi magra demais que se tornara; uma figura abatida. Ficou se olhando, lembrando-se de como costumava ser.
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Konan
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– Konan, não podemos errar está bem. Tem que ser rápido, direto e preciso.
– Não se preocupe, eu vou pela esquerda. Vou desviar a atenção deles e te dar cobertura – Disse já sumindo em pedacinhos de papel
– Conto com você! – Yahiko ainda disse na esperança que ela pudesse ouvir.
Ela se parou escondida entre as árvores, na posição que mais gostava. Flutuava pendida por asas de papel que a deixavam com ar de anjo.
Muito rápida lançou shurikens de papel no pescoço dos três ninjas que montavam guarda. O arremesso foi preciso, os três caíram mortos sem nem mesmo ver o que os tinha atingido.
Sumiu em pedaços de papel novamente e apareceu entre outras árvores, podia ver Yahiko indo. Estava onde deveria estar, lutava contra três ninjas, ela então sumiu novamente e com precisão envolveu um dos ninjas com um tornado de papel picado que o cortaram até lhe atingir um ponto vital e ele cair.
Olhou novamente para Yahiko e ele já tinha o artefato que tinham ido buscar. A missão estava quase completa, agora só tinham que voltar sem que ninguém os visse.
Em outra lembrança mais antiga, ela treinava com Yahiko e Jiraya:
– Hahaha, muito bom Konan! Está indo muito bem, você tem um talento brilhante. – Disse o eremita que estava se sentando sob a sombra de uma árvore. – Sua vez Yahiko, acabe com ele Konan.
– Jiraya- sama, porque Nagato não vem treinar também? – Ela quis saber
– O treinamento dele é outro, querida. Acabe com Yahiko por hora.
– Pode deixar sensei! – Ela riu e fez seu jutsu preferido ficando com asas de anjo, aquele jutsu lhe dava a incrível sensação de liberdade.
– Ei sensei, Konan parece um anjo não parece. – Yahiko gritou pro senhor dos sapos que riu e foi treinar com Nagato.
– Ela não parece um anjo ruivo, ela é um anjo. – O moreno abriu a boca pela primeira vez naquela manhã. – Um anjo de Deus – Completou.
O pensamento que veio na mente da Konan já adulta, enquanto a mesma usava a toalha que secara o corpo para enxugar os cabelos foi irônico, pensando que naquele tempo jamais poderiam imaginar que ele se intitularia este Deus. Ainda com ares de indignação, se deitou ainda nua na cama, fechou os olhos para deixar que outras lembranças viessem em mente.
Era o primeiro ano que ela estava sem família, vivendo pelas ruas com Yahiko e Nagato. Estava triste e o dia estava chovendo, como na maioria dos dias ali em sua vila natal. Mas hoje deveria ser um dia diferente, era seu aniversário. O primeiro que passaria sem família, sem casa, sem nada nem ninguém.
– Konan-chan, eu vou com Nagato arrumar algo para nós comermos, você quer ir conosco ou vai ficar aqui?
– Podem ir, eu quero ficar aqui. Depois eu arrumo algo para comer, não estou com fome agora. – Disse disfarçando que o que queria na verdade era a certeza de estar sozinha ali.
– O que tem com você? Está mais quieta que o de costume.
– Nada não, podem ir. – Sorriu.
– Ei Konan, me diz o que há, não vou deixar você aqui sozinha se não me contar o que ta te chateando.
– Sai logo daqui. – Ela quase gritou – Sai pra eu poder ficar sozinha. – o empurrava enquanto falava, colocando ele pra fora do aposento – Eu quero ficar sozinha pra me lembrar da minha família pelo menos no dia do meu aniversário. – Disse depois de bater a porta na cara dele.
Naquele dia mais tarde, Yahiko voltou com um sanduíche para ela jantar e um pedaço de bolo para os dois. Como ele conseguira aquilo ela nem quis saber, naquela hora já tinha se arrependido de ter dito que não queria comer, estava faminta e apesar de ter dito que queria ficar sozinha, a solidão apenas fazia mal para si. Os dois ficaram juntos a noite toda.
– Agora você tem uma nova família Konan-chan, eu vou cuidar de você. – Ele disse quando voltou e entregou o sanduíche pra ela.
No outro dia ficou sabendo que Yahiko não havia conseguido comida nenhuma para ela, então deixou de comer o que tinha para si. O pedaço de bolo ele havia roubado de uma confeitaria.
– Hei Konan, o que é isso que está fazendo? – O ruivo quis saber enquanto a via dobrar uma pedaço pequeno de papel inúmeras vezes em outra lembrança.
– Uma rosa. – Disse mostrando para ele a flor que acabara de fazer.
– Devíamos aproveitar mais o tempo para treinar o que o sensei nos ensinou. – Nagato disse olhando pra a flor de papel na mão dela.
Sem desvia o olhar do moreno, ela arremessou a rosa em uma árvore qualquer:
– Estou treinando – Disse quando o pedaço de papel cravou no tronco como se fosse uma shuriken de verdade. O que deixou o moreno impressionado.
– Brilhante Konan! – Disse o ruivo arrancando a arma da árvore, você era a mais fraca de nós, agora eu acho que tenho medo de enfrentar você. – Ele brincou – Você também deveria Nagato, o anjo da equipe está ficando cada vez mais poderosa e letal.
– Você é muito estúpido mesmo Yahiko. – Ele respondeu. O outro apenas riu.
– Vamos Konan, vamos treinar um pouco esses arremessos. – Yahiko disse estendendo a mão para ela.
E assim muitas lembranças vieram. Coisas boas e alegres, outras nem tanto. Lembrava-se de tudo como se tivesse acontecido ontem mesmo.
Com tanta coisa na cabeça ela nem reparou quando pegou no sono, deixando-se relaxar em seu quarto com o corpo nu ainda morno do banho. Sonhos estranhos invadiram sua mente, misturando o que antes eram suas memórias.
Sonhou com a noite em que fora ataca por Nagato, depois com a noite que beijou Yahiko. Nos seus sonhos ele não morria e eles fugiam.
Já estavam acostumados a nunca terem nada além de um ao outro, fugir dali sem nada não os afetaria. Poderiam procurar por seu sensei, quem sabe ele os ajudaria ou pelo menos os guiaria à direção certa a seguir.
Uma vila qualquer em outro país onde poderiam recomeçar. E era isso que acontecia em seu sonho. Eles fugiram para ir atrás e Jiraya- sensei, corriam pela floresta densa e escura sob a grossa chuva típica de seu país.
Mas não estavam sozinhos, sabiam que Nagato os seguia. Havia um exército de clones atrás deles, estavam espalhados por toda floresta a sua procura. Nagato havia feito da vila inteira sua queira apenas para pegá-los, matar Yahiko e levar Konan de volta ao esconderijo.
Uma coruja parou na árvore à sua frente. Ela tinha o rinegan e piava enfurecida atraindo todos os clones para ali. As árvores, o céu, as pedras, tudo para que olhava tinha um par de olhos em espiral, até mesmo a própria lua acinzentada havia se transformado em uma enorme esfera em espiral.
– Yahiko – Ela gritava, mas o ruivo não estava mais ali para ajudá-la.
Ela estava sozinha no meio daquilo tudo. No desespero, pôs-se a correr sem rumo algum.
– Aonde vai? – Yahiko a segurava pelo pulso, ele agora também tinha o rinegan de Nagato – Nossa missão é não deixar você fugir, nós vamos levar você de volta para o mestre. – Disse com voz fantasmagórica.
– Não não, Yahiko, não! Me solte! Me deixe ir! – Ela gritou se mexendo até conseguir se soltar do rapaz.
Mas já era tarde, Nagato já estava ali. Ela começou a correr o mais rápido que podia, mas a floresta acabava em um penhasco.
Como último recurso Konan se jogou pra a noite escura, mas se viu caindo em uma espiral sem fim. Sentiu o ar ao seu redor se condensando até o ponto de poder ser visto e tocado, estava tingido com espirais cinza e a prendia pela barriga.
Quente como o toque de mãos, mas ela sentia seu corpo tremer como se cada toque a ferisse. Olhou para si: Estava nua.
O ar se transformou em um braço, e ele era de Nagato que surgia por trás de si a abraçando. Ele lambia seu pescoço doentiamente enquanto alisava seu corpo.
– Não... Yahiko... Socorro... Não... Nagato.. Pare por favor... Yahiko – Ela continuou gritando até ser acordada com um tapa em seu rosto.
Acordada, a realidade não era melhor do que seu sonho:
– Cale a boca e pare de chamar por aquele imbecil! – Nagato gritava com ela.
Estava de volta ao seu quarto, mas não sabia ao certo se estava acordada ou se ainda estava presa naquele pesadelo. Nagato realmente estava sobre si, acariciando o corpo nu.
Só então ela se lembrou que havia deitado ali daquele jeito para pensar no passado e devia ter adormecido. Imediatamente começou a se mover, tentando tirar o outro de cima de si, para impedir o que havia conseguido evitar até ali.
– Saia daqui Nagato, eu não quero isso. Me deixa em paz por favor. Eu sempre fiz tudo que você me pediu, não faça isso comigo. – Ela implorou enquanto se debatia.
Tudo em vão. Ao invés de ouvi-la, preferiu calar-lhe a boca dela com um beijo forçado enquanto suas mãos afastavam as pernas dela e tocavam sem pudor sua intimidade.
Numa última tentativa de se livrar dele, Konan mordeu sua língua com força, e sentindo o gosto metálico do sangue de Nagato em sua boca o chutou para longe. Ele se levantou furioso do chão e correu contra ela novamente, mais rápida uniu as mãos e pedaços de papel a cercaram voando rapidamente em círculos ao seu redor. Quando se aproximou, Nagato teve seu rosto cortado por um pedaço de papel.
– Por quanto tempo vai conseguir manter esse jutsu Konan? – Ele perguntou zombando dela – Sabe que não vai ter chakra pra me manter longe pra sempre.
Ao ouvi-lo ela sumiu em sua tradicional chuva de papeis picados, antes que resurgisse, os pedaços de papel viraram kunais e a chuva mortal foi totalmente direcionada no moreno. Após o ataque ela apareceu do lado da cama, mas foi surpreendida por Nagato que a segurou pelo pescoço, ela viu o corpo atingido pela chuva de kunais explodir e inundar o tapete com água.
Ele a jogou com força contra a parede e colocou dois dedos em frente de seu rosto, imediatamente três de seus clones surgiram no local. Nagato jogou a kunoichi na cama e a teve a força.
Havia um clone segurando cada um de seus braços e outro mantendo sua cabeça parada, suas pernas eram presas por Nagato que parecia não se importar nem um pouco com as lágrimas de dor que ela deixava cair. Ou com o fato dela não querer aquilo de forma nenhuma.
Após o que aos olhos dela pareceu ser muito tempo, o gosto de sangue dele em sua boca se misturou ao dela que escorria de um corte em sua testa feito em um dos empurrões que levara. As lágrimas salgadas de dor também entravam em sua boca misturando os gostos.
Ele não se importou com a dor dela, nem com a quantidade absurda de sangue que ficou no lençol. Apenas a teve muitas vezes, da forma que mais o convinha, não parou nem mesmo quando a dor nem um pouco lasciva foi tanta que a kunoichi não aguentou e desmaiou.
Acordou no dia seguinte, zonza, dolorida, com olhos e pulmões doendo devido ao choro excessivo. O corpo todo dolorido pela força que tentava fazer para se livrar dos clones e de Nagato, com a boca seca e podre.
Deitada no lençol lavado em sangue, seu sangue. Apesar da ninja forte que era não pode ter outra reação a não ser chorar como uma criança, então, sem ligar para nenhuma das dores saiu correndo para o banheiro para lavar-se.
Sentia-se suja demais. Esfregou o corpo milhares de vezes e o cheiro da noite que tivera parecia não sair de sua pele já vermelha de tanto ser esfregada sob a água escaldante. Neste dia não saiu de seu quarto, nem no outro ou no dia seguinte...
Passou a semana ali até que resolveu fazer algo por si. Saiu com passos leves de seu quarto, antes de qualquer coisa precisava saber se Nagato estava em casa ou não. Como imaginava ele havia saído, provavelmente para se reunir com ninjas que muito em breve formariam a tal organização e ela estava sozinha com os clones que vigiavam as saídas.
Ela saiu para a cozinha e não esperou para ver se o ruivo a procuraria, logo atrás dele. O jardim dos fundos era permitido para ela treinar, então saiu pela porta dos fundos, de frente de onde Yahiko ficava.
Começou a arremessar kunais em uma árvore qualquer, sem nem mesmo prestar atenção, o que ela queria era ficar na mira do ruivo. Ela contou três minutos, foi o que ele levou para se concentrar e ir na direção dela.
Estranhamente a fez sorrir, era a primeira vez que isso acontecia depois que ele havia morrido. Principalmente depois do que passara com Nagato na semana anterior. A breve lembrança do estupro, aumentando seu foco no que ela precisava fazer agora; reunir toda força que lhe restara para dar um jeito de sair dali.
Havia pontos positivos e negativos em o ponto de guarda de Yahiko ser nos fundos. Ruim era que dali era mais difícil de fugir, e como o ruivo demorava para poder fazer o que queria, eles não teriam tempo de sair dali sem serem percebidos.
Sem falar que por causa dos pircings, Nagato encontraria Yahiko em qualquer lugar, mas sem os pircings o ruivo morreria de vez. Por outro lado, o ponto positivo era que dali onde estavam, nenhum outro clone podia vê-los.
Sem esperar mais, ela o abraçou e como na vêz anterior, esperou até que ele a beijasse. Novamente ela pode contar, três minutos.
Ele começou o beijo dificultoso, pois cada movimento exigia uma concentração absurda do ruivo. Ela não pode se conter, estar ali, vendo o esforço dele em te-la tão singelamente para si, trouxe a tona em sua mente as lembranças da noite em que servira de objeto de prazer à Nagato contra sua vontade.
Chorou, chorou muito. Estava se odiando por chorar mais uma vez por culpa do moreno, se odiando por não conseguir ser forte nem ali, nos braços de quem a queria tão bem, quem estava se esforçando tanto para deixar claro que a amava. Um amor de verdade e não aquela doença que Nagato chamava de amor.
Tempos depois de perceber que ela não estava bem, Yahiko conseguiu parar o beijo e ficou olhando para ela. Como se entendesse ela o abraçou.
– Ele conseguiu o que queria afinal. Temos que sair daqui, eu não posso mais ficar aqui. Há um meio de matarmos ele e ainda assim você viver, ele me disse quando o vi fazer o primeiro clone.
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– Nagato-kun, por que trazer esse cadáver pro esconderijo? Que importância isso tem afinal?
– Você já vai ver. Não conte nada a Yahiko, só sei disso em teoria, nunca fiz, não quero que ele ria de mim caso não de certo.
– Caso o que não de certo? – Ela não entendia.
– Jiraya-sensei me contou mais sobre esse poder dos meus olhos. Ele disse que posso controlar e executar jutsus de todos os elementos e juntando todos eles, posso ressuscitar pessoas.
– Ressuscitar? Nagato apenas deus pode isso.
– Então eu sou Deus Konan, eu sou Deus.. veja – Disse se sentando no centro de um círculo com inscrições no centro, onde deitava o cadáver.
Nagato se concentrou e desenhou selos no corpo da vítima. Enquanto ele fazia o jutsu, os selos abriam a carne e dela saiam os pircings. Era uma mutilação, e ela quase não suportou ver aquilo, depois o finado ninja se erguia e em seus olhos cintilavam o rinegan. – Agora ele é parte de mim.
– Isso é ao mesmo tempo horrível e brilhante. Agora você controla esse corpo?
– Hai, ele obedece somente a mim, estamos ligados através desses pircings. Eles são uma fusão do meu chakra com o deles.
– Nagato, isso faz de você um ninja invencível.
– Sim, embora o sensei me tenha me dito que há um ponto fraco. Mas nenhum deles será capaz, veja, parece uma marionete, ele somente obedece a mim.
– Do que você está falando?
– Sabe, se eu morrer, cada clone que eu criei morre. Mas Jiraya disse que se por acaso eu perder o controle sobre um dos corpos e caso esse corpo me ataque, por ter meu chakra ele pode me matar e ainda assim ficar vivo, ou semi-vivo. Mas isso é muito improvável, veja, lute com ele, vou ordenar que não reaja.
E ela o socou, chutou, aplicou-lhe jutsus até o clone cair sem revidar. Depois ele ordenou e o outro atacou o anjo, até que Nagato o mandou parar.
– Viu, ele só obedece, não há a menor chance de algum dia ele revidar uma ordem. São paenas corpos sem vida, mentes ocas.
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Rapidamente contou tudo a Yahiko. Acreditava que se havia um clone capaz, seria ele.
– Você só precisa se concentrar por alguns dias. É arriscado, mas vamos ter que agir em equipe. Eu vou te dar cobertura, vou fazer um escarcéu, mas quem vai ter que derrotar Nagato ainda vai ter que ser você.
– Ele a apertou mais contra si. – Ela sabia que aquilo era um sim, que iriam tentar e uma hora iam conseguir sair dali.
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