–Shiva, querido… não sente falta de suas meditações nas montanhas?- Perguntou Parvati, que já estava cansada da presença do marido.

Não a entenda mal. Não como se ela não o amasse mais, só...estava cansada da mesma rotina. Todo o dia era a mesma coisa ficar em casa, sem muito que fazer. E seu marido?...

Bem...

Quando não esta meditando esta fumando. Fuma tanto que ela nem consegue vê-lo por trás da fumaça.

Parvati esperava que, ao tirar o marido de casa, pudesse ter mais liberdade e divertisse mais.

–Amor, quando estou perto de você não preciso de mais nada. — Disse Shiva dando-lhe um sorriso.

“Ainda tenho jeito com as palavras”- pensou. Mal sabia ele que suas “palavras” de amor já estavam mais velhas que ele próprio.

– Além do mais, posso meditar aqui.

–Mas, querido, e o ar puro das montanhas? Isso você não encontra aqui. Um momento só seu para relaxar. O que acha? –Falou Parvati.

Ela não iria desistir de suas férias. Afinal, até deuses precisão de um “Break”. A eternidade cansa.

–Bem, realmente o ar daqui não é puro como o das montanhas. –Falou Shiva, passando a mão nos longos cabelos – Mas e você? Não ficaria chateada se eu fosse, ficaria?

–Talvez um pouco – disse a esposa, fingindo uma leve preocupação – Mas posso superar para o seu bem.

–Ótimo! Então arrumarei a mochila! Partirei amanhã!- falou animado.

–Irei agora ajuda-lo com os preparativos! – Disse a empolgada Parvati.

A esposa virou de costas para o marido, mas quando fez menção de que andaria Shiva a agarrou pela cintura e juntou seu corpo ao dele.

–Querida, ficarei longe por algum tempo. Vamos nos despedir propriamente. –Sussurrou no ouvido da mulher.

Parvati virou-se e viu o Deus de pele azul com um sorriso malicioso.

Ela lembrou-se de como o amava e naquele momento só admirou o belo e jovem rosto do marido. Seus olhos cor da noite refletiam a lua, menos um deles.

O seu terceiro olho. Capaz de trazer destruição instantânea a tudo que for posto em seu campo de vista. Shiva o mantinha sempre fechado...quer dizer...sempre que não perdia a paciência.

Deu um passo para trás, saindo dos braços do amado. Contemplou o corpo atlético do marido.

Sentiu-se um pouco mal por querer tanto férias, mas o sentimento foi passageiro.

O marido não havia mudado desde que se conheceram pela primeira vez...

Aquele dia...

Mas isso é historia para outro dia...

Ela nada disse, apenas retirou o sari e ficou completamente nua.

Os dois amaram-se a noite toda.

***

–Pegou tudo querido?

–Pela última vez Parvati, sim!

– Ótimo, vejo-o em breve! – Disse a esposa empurrando Shiva para a porta.

–Calma mulher! Já estou indo.

Shiva passou pela porta da casa, deu um beijo em Parvati e rumou em direção as montanhas.

O que nem Parvati e Shiva desconfiavam era que a esposa esperava um filho do casal.

Um filho inteligentíssimo, mas com um tenebroso futuro.