Notas iniciais
Preguica de colocar acento em está entao encarem esta=está e ate=até

–Ganesha, está me ouvindo?- Perguntou Parvati.

–A...Desculpe mãe...estava só terminando de ler...

–Tudo bem. – Interrompeu a mãe.

Parvati assustou-se com a dureza em sua voz. Ela não estava irritada com o filho...

Bem...

Talvez um pouco. O menino era muito inteligente, mas estava sempre distraído lendo ou refletindo sobre as coisas ao seu redor.

Não que isso seja ruim, mas quando Parvati percebeu que estava gravida esperava que finalmente tivesse uma companhia fiel. Que não a trocaria por nada.

Às vezes parecia que o amor do filho pelo conhecimento era maior do que o amor pela própria mãe.

Ela nunca admitiria isso, mas o que, no seu inconsciente, realmente a incomodava era a semelhança com seu marido...

Os dois tinham esse amor maior por meditar e conhecer. Frequentemente acabavam se esquecendo dela...

Magoava...

E, principalmente, deixava a vida dela muito, muito, muito monótona...

Ela contemplou o rosto de seu filho. Um homem já...

Shiva há vinte anos saíra para meditar...

Vinte anos...

Sim...Um homem...

A cara do pai....

Com dezenove anos Ganesha tinha um rosto que causaria inveja em qual quer homem e encantaria qualquer mulher.

(Infelizmente, caro leitor, nem eu, nem ninguém sabe ao certo como descrever a aparência de Ganesha antes dos terríveis acontecimentos que virão em seguida).

–Mãe? Está tudo bem?

A voz do filho tirou Parvati dos seus pensamentos.

–Sim...Sim... Filho, vou tomar um banho...Vigie a porta e não deixe ninguém entrar. Ninguém!

–Ninguém!- Ganesha repetiu assustado com o tom de voz da mãe.

Parvati deu as costas para o filho e andou em direção a casa.

Ela sentiu um aperto no coração...

Uma sensação de que algo ruim aconteceria...

“Não deve ser nada...”- Pensou.

Ao chegar à sala de banho, onde havia várias banheiras com água quente (em temperaturas tão equilibradamente perfeitas que só podia ser a banheira de um Deus), ela retirou seu sari e observou sua imagem no reflexo na água. Ao contrario do seu filho, não havia mudado nada em vinte anos.

Seus olhos castanhos eram os mesmos.

Seus cabelos longos e pretos eram os mesmos...

Lábios, nariz, bochecha, corpo...

Mesmos, mesmos, mesmos...

A mesma beleza divina que nunca mudaria...

Chato...

Monótono....

Ela suspirou e entrou na água até que seu corpo e cabeça estivessem totalmente submersos.

Ela ficou de baixo da água pensando sobre o marido. Mais uma coisa que ela nunca admitiria, estava com saudades de Shiva.

Ela ficou submersa por...3 segundos? Minutos? Horas?...

O tempo realmente importa? Afinal...ela era uma deusa.

Quando tirou seus divinos ouvidos para fora da água ouviu um grito...

Ganesha...

Saiu nua pela casa até o lado de fora para deparar-se com a pior cena de sua vida.

***

Ganesha não sabia o que tinha feito para irritar a mãe.

Ele começou a estudar muito por ela. Queria que ela tivesse orgulho do filho que tem. Queria, também, que quando seu pai voltasse da longa jornada pudesse ter longas e intelectuais conversas com ele...

Mas tudo isso parecia cada vez mais inútil...

A mãe quanto mais ele estudava mais parecia chateada...

E o pai..já perdera as esperanças que ele fosse voltar...

A verdade é que ele tomou gosto pela coisa. Adora estudar e saber sempre mais.

Assim que Ganhesha viu Parvati entrar na casa ele pegou seus papeis e começou a devora-los com os olhos.

Passaram-se 3 (segundos? minutos? Horas? O que importa? Ele era um Deus)quando ele levantou a cabeça percebeu que um homem estava andando em direção a sua casa.

Ganesha estava tão distraído quem nem percebeu o sujeito passando por ele.

“Ninguém!”- A voz da mãe surgiu em sua cabeça...

Ele não podia deixar o forasteiro entrar ou a mãe arrancaria sua cabeça.

O jovem Deus correu até o homem e pôs a mão no peito e disse:

–Pare! Ninguém entra! Ordens de Paravati.

–Ora! Moleque ousado! Eu entro onde quiser!- Shiva respondeu agarrando a mão do menino e girou ela com o intuito de quebra-la.

Mas o deus não foi bem sucedido.

Ganesha foi mais rápido. Ele tirou sua mão do aperto de Shiva e deu-lhe um soco na cara.

Shiva não acreditara que alguém poderia cometer tal disparate contra ele...

O moleque catarrento havia lhe dado um soco?...

O deus estava transbordando de raiva... o menino havia conseguido tirar-lhe a paz de 20anos de meditação.

Shiva fez a pior coisa que poderia fazer...

Abriu seu terceiro olho e com ele olhou para a cara de Ganesha...

O jovem deus só teve tempo de gritar por 3...

Não importa o tempo...

Ele gritou...

E em seguida sua cabeça foi destruída.

O corpo do menino caiu no chão.

Shiva encarava o que havia feito com satisfação.

“Dei-lhe uma lição. Bem feito moleque atrevido. Se bem...que seu rosto não era estranho...”

Os pensamentos do deus foram interrompidos por um grito de horror de sua esposa.

Parvati estava nua e saiu correndo para o corpo do menino. Ela agachou perto de Ganesha e logo em seguida abraçou seu corpo.

“Ora! Um servo não seria tão especial para Parvati ao ponto que ela o abraçasse e chorasse sobre seu corpo...Será...que ela estava me traindo com ele?”

–É o seu amantezinho? – Perguntou Shiva cheio de ciúme e desprezo na voz.

Parvati lançou lhe um olhar assassino.

Shiva deu um passo para traz. Lembrou que a esposa, como qualquer deus hindu, tinha varias formas e uma delas era Kali.

Kali era a destruição em pessoa...ou deusa...tanto faz...

Se Parvati se irritasse ao ponto de virar Kali não haveria como a controlar. Nem com um, dois, três mil olhos.

Ele acalmou-se e perguntou de maneira mais educada possível:

–Querida...quem é esse jovem?

Parvati respondeu chorando:

–Nosso filho.

Isso não ajudou. O deus da destruição continuava confuso...

–Filho? Que filho? Até onde eu sei nunca tivemos um filho.

–Você me engravidou no último dia antes de sua partida... Esse era Ganesha nosso filho... E agora você o matou!-Falou a mãe em prantos.

Shiva percebeu que acha o menino familiar, pois suas feições lembravam muito as dele próprio.

Ele havia decapitado o próprio filho...

Tentando arrumar a bagunça que fizera ele disse:

–Ora! Não seja tola mulher! Se ele é mesmo nosso filho, é um deus! Ele é imortal! Não está morto, só desacordado.

–Está sem cabeça Shiva! Arranje uma nova então ou pegarei a sua para substituir!- Parvati olhou para o marido. A sua íris estava vermelha...

Ele tinha que se apressar para achar uma cabeça nova para o filho, caso contrário...

Não queria nem pensar nisso.

Shiva avistou um bebê de elefante ao longe e pensou:

“Vai ter que servir”

O deus correu ate o elefantezinho e sem dó nem piedade arrancou-lhe a cabeça.

Ele correu em direção ao filho e colocou a cabeça ensanguentada sobre os ombros do filho. O pai do menino fechou os olhos e concentrou-se.

Parvati observava tudo. Assim que o elefante abriu o olho e falou com a voz do filho ela começou a dar pulinhos de alegria.

“Ganesha não estava mesmo morto e agora ele não parecia fisicamente com o pai.”- Pensou Parvati sorrindo.

Notas finais
opaaaaa favoritem pelo final feliz!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!