O namorado do Izaya

4 Segundo Capítulo - Parte III


Notas iniciais
Finalmente chegamos a ultima parte desse GIGANTE segundo capítulo! (; Agradeço a todos que estão acompanhando e espero que continue comigo nessa! Este capítulo está especialmente agitado, desejo que apreciem tanto ou mais do que eu enquanto escrevia xD

Shinra respondeu casualmente — Ah, sobre isso? Shizuo-kun estava contando sobre a incrível surpresa que você fez ano passado no aniversário dele — Izaya pareceu um pouco surpreso — Contou que Kasuka havia ficado tão agradecido que lhe presenteou com um gato — Shinra soltou a próxima frase por pura curiosidade em ver a reação de seu amigo — Shizuo afirmou que essa foi a melhor coisa que você fez a ele. — O moreno de óculos não deixou de notar um pouco de constrangimento no rosto do informante ao receber aquela informação

Izaya logo voltou a sua expressão habitual, quando sentiu seu rosto esquentar — Então foi isso — Riu satisfeito e ainda um pouco afetado — Então Shizu-chan ficou declarando todo seu amor por mim ontem, é? — O moreno soltou uma risada que saiu espontânea até demais para o seu padrão. Nem conseguia imaginar Shizuo sendo um bêbado meloso.

Shinra acompanhou a risada do informante — É, foi mais ou menos isso que aconteceu — Izaya o olhou incrédulo — Foram mais de seis horas ouvindo coisas sobre você, Izaya. Devo confessar que foi exaustivo, mas, de certa forma, interessante.

O moreno levantou as sobrancelhas, o amigo só pudia estar brincando — Não está falando sério, né?

Shinra levantou uma sobrancelha e sorriu — Não acredita? Shizuo chegou aqui chateado, até diria magoado. Tentei conversar com ele, mas ele não queria falar nada sobre o acontecido.- O moreno de óculos realmente havia se esforçado em tentar conversar com o "falante" guarda-costas, quase levou uma surra devido essa sua boa vontade — Consegui fazer ele aceitar o sake, dizendo que iria tranquilizá-lo... Depois que bebeu dois copos não parou de falar de você, quer dizer, de como você o irritava — O doutor ilegal suspirou e gesticulava muito com as mãos explicando a situação ao moreno que ainda não acreditava no que seus ouvidos captavam — Quando havia completado uma garrafa, foram só declarações de afeto, claro que no modo do Shizuo~

O informante ainda processava a informação, quando sentiu o hálito de Shizuo em sua orelha direta. Sua temperatura subiu e perdeu a fala por um momento. Que péssima hora o seu namorado foi aparecer. O loiro, sem cuidado nenhum, virou o corpo de Izaya sobre a cadeira giratória para que ficassem frente a frente — Não pense que vai sair ileso dessa, Izaya-kun — Sua voz saiu baixa e ameaçadora.

Izaya olhou para o ex-barman, mas manteve-se sem reação. Os sentimentos que rondavam seu coração eram deverás difíceis de equilibrar, por um lado, sentia-se verdadeiramente feliz por saber que o amor que Shizuo sentia por si era tanto que quando entorpecido só sabia falar dele, mas, por outro, se sentia terrivelmente exposto e até mesmo traído por saber que sua intimidade e a do loiro haviam sido escancaradas daquela forma. Não sabia como agir naquele momento, nunca havia passado por algo nem mesmo parecido antes.

Shizuo notou que havia algo errado. Sentou-se na cadeira desocupada por Shinra, que deixou os dois a sós, a fim de ver o informante mais de perto. Agora que estava próximo do moreno, conseguiu ver nitidamente as sobrancelhas do mesmo se juntando em claro sinal de desapontamento — O que houve? — Finalmente perguntou, Izaya moveu o rosto para o outro lado. Dizendo de forma muda que não queria responder. Shizuo com o auxílio das próprias mãos, contornou o rosto do moreno, o obrigando a fitá-lo — Diga alguma coisa pulga.. — Disse com uma voz amável. O loiro havia ficado desarmado, quando percebeu o rubor no rosto de Izaya. Não sabia o que havia acontecido, mas era certo que Izaya estava encabulado, desconcertado ou até mesmo envergonhado com algo.

O informante tirou as mãos do ex-barman de sua face com um movimento ágil. Queria esconder seu rosto em algum lugar e ao mesmo tempo queria demonstrar seu carinho ao loiro. Sem pensar muito nas alternativas, fez as duas coisas ao mesmo tempo. Abraçando Shizuo de forma desajeitada enquanto escondia seu rosto no peito do maior.

Izaya não estava acostumado.

Não estava acostumado em receber tanto amor assim e aceitar.

Mesmo depois desses quatro anos e alguns meses, Izaya se constrangia ao receber tal dose de amor vinda de Shizuo. O loiro entendia essa característica do moreno. Na verdade, achava extremamente adorável a forma como o namorado aceitava suas demonstrações de afeto. Apertou o corpo que o apertava forte de volta. Acariciou as costas do informante com toda ternura que suas mãos podiam proporcionar.

Todavia, aquele terno abraço não durou por muito tempo. Izaya levantou o rosto, se afastando de forma brusca do ex-barman e disse em claro e bom som — Shizu-chan é um puta de um fofoqueiro! Não acredito que fez isso!

O loiro olhou para o moreno sem entender a razão para aquele insulto.

Enquanto isso, Shinra e Celty observavam de uma distância segura o casal mais perigoso de Ikebukuro. Estavam achando a reação de Izaya assustadoramente fofa. Se tivessem ouvido este relato de alguém, nunca acreditariam que o informante faria algo como o que havia acabado de fazer. Além do mais, depois de terem presenciado aquela cena com os próprios olhos, olhos no sentindo figurado no caso de Celty, todas as histórias de Shizuo se tornaram automaticamente e estranhamente verídicas. Não que duvidassem do loiro, mas era complicado relacionar o Izaya que conheciam, com este que foi apresentado pelo guarda-costas. Contudo, teriam que se acostumar.

Voltando ao casal Shizaya, o moreno levantou-se da cadeira, andando irritado até a sala onde os donos do apartamento estavam. Shizuo o seguiu tentando entender que merda estava acontecendo, pois em um momento repentino Izaya estava envergonhado e dócil, e de uma hora para outra, estava atrevido e indomável novamente. Ele só pudia estar tirando sarro da cara dele.

Chegando a sala, o informante de Shinjuku abriu seu tipico sorriso de trabalho e dirigiu-se ao doutor ilegal — Nee~ Shinra, Shizu-chan contou que ele cho-ra toda vez que assiste o filme Frozen? — O sorriso de Izaya alargou-se ainda mais quando encarou o loiro — E que ele já me chamou de "Mãe" mais de uma vez?

O médico underground e a dama sem cabeça permaneceram quietos. Mesmo rindo, gargalhando, internamente. Será que só de ouvir "Let it go" algumas lagrimas apareciam nos olhos do ex-barman? Bom, não iriam se arriscar a descobrir. Olharam para o loiro com a expectativa de alguma resposta.

Shizuo respirou. Izaya descobriu que ele havia falado dele na noite anterior e agora estava se vingando. Tipico do informante. Agora tudo fazia sentindo. "Fique calmo, não cai na pilha dessa pulga, se acalme, calma....Shizuo, calma... Mas como caralhos ele não ia chorar com a droga de um filme onde o plot gira em torno do amor fraterno e que um dos irmãos, logo o mais velho, não consegue controlar a própria força?! COMO?!!" O guarda-costas pensou indignado. Aquele filme reviveu um dos seus maiores temores; o medo de machucar Kasuka. Ele simplesmente não tinha como não se identificar com a historia. Era impossível para o loiro, não se emocionar e até mesmo chorar assistindo o longa. Mas deixando isso de lado, ele havia ouvido direito? Izaya havia falado AQUILO mesmo!?!

– QUE PORRA, Izaya! Porque você não esquece isso?!! — Explodiu — FORAM SÓ DUAS VEZES! Sendo que uma eu estava praticamente INCONSCIENTE AINDA, eu estava DORMINDO e você, COMO SEMPRE, estava me irritando para levantar da cama! E na outra, NÃO SEI COMO CARALHOS, mas você estava falando as mesmas coisas que ela!! — O ex-barman respirou — Falando sobre legumes, reclamando dos meus doces, ENCHENDO O MEU SACO! Eu já estava TÃO CANSANDO que acabei falando aquilo.... Será que não dá para você esquecer isso de uma vez, merda!

O moreno sorriu vitorioso, Shizuo estava reagindo como ele queria — Nada muda o fato que você disse nitidamente nas duas vezes: "Me deixa, mãe" — Izaya disse com a voz mais fina que suas cordas vocais pudiam produzir e riu alto na cara do Loiro — Não sabia que eu me assemelhava tanto assim a minha estimada sogra~

– Não se compare com a minha mãe. — Shizuo bufou e virou o rosto para o lado. O loiro tinha grande apreço por sua família. Sua mãe, Heiwajima Namiko, sempre mimou muito os dois filhos e como reflexo desse grande cuidado Shizuo relutava em abandonar certos hábitos que poderiam ser classificados facilmente como infantis. Todavia, não eram de todo ruim os frutos decorrentes de sua criação, pois como o mesmo foi criado em um bom ambiente familiar, ele se tornou um homem educado, carinhoso e muito dedicado a quem amava. Muito diferente de Izaya.

– Shizu-chan, por que não obedece a mamãe e conta aos seus amiguinhos o que te deixou tão chateado ontem que o trouxe até aqui? — Desafiou o informante.

Shizuo encarou o namorado, sentia vontade de deixá-lo mudo, arrancando a língua dele. Sabia que não pudia fazer isso, infelizmente. Também estava ciente que essa discussão perduraria até a raiva do informante passar — Ah, que se foda, Izaya... — Suspirou — Eu estava no meu dia de folga e queria passá-lo com você, só isso....

– E a parte que você brigou comigo por causa de um misero pedaço de bolo, desmereceu meu trabalho como informante, teve um ataque de ciumes em relação ao meu gato e uma crise de necessidade de atenção são fatos irrelevantes nessa historia, é? — Orihara ironizou.

– Olha só, para começar, eu não tive porra de crise nenhuma! Você nunca come meus bolos, e nem venha com "você disse que eu pudia comer", por que você sabe muito bem que é só modo de dizer! — Shizuo bufou — Já falei milhares de vezes que não tenho ciume nenhum do Yue, só acho fudido, ele ter mais privilégios do que EU! Que não posso nem chegar perto da porra da sua mesa, que você vem logo me afastando, enquanto ele pode andar por cima dos seus papeis e encher sua cadeira de pelos!

Izaya riu mentalmente, mas não transpareceu. Por algum motivo sua raiva estava passando mais rápido que o normal. Talvez o fato de ser cômico para si expor o loiro, estivesse o acalmando.

O guarda-costas continuou como que desabafando — Eu não posso nem te beijar antes de você sair que você me afasta reclamando que eu amasso a sua roupa. Enquanto que o gato você faz questão de pegar no colo e dar 'até logo', não se importando nenhum um pouco com os pelos agarrados em você!

– A pelagem do Yu-chan é predominantemente negra como as minhas roupas, Shizu-chan — O moreno pronunciou-se, ainda achando graça intimamente.

– Sim, mas as patas dele não são, deixando pelos brancos que ficam bem evidentes nas suas roupas pretas, Izaya-kun. Como esse aqui — O loiro apontou para a blusa do moreno que realmente continha um fio nada discreto grudado no tecido.

Izaya pensou rápido em uma retórica satisfatória — Yu-chan quando se aproxima de mim antes de sair, só quer demonstrar seu singelo zelo por mim, como eu poderia recusá-lo?

– E você acha que eu estou fazendo o que quand- Shizuo parou no meio da fala quando pensou no que ia dizer, ia apenas declarar "seu singelo zelo por Izaya"- Você é um merda... — Disse derrotado.

O informante alargou seu sorriso — Por que não termina sua frase, Shizu-chan? É lamentável essa sua reivindicação sobre seus direitos, ou como você diz, "privilégios", em relação ao Yu-chan, quando é notório que o meu querido gato me dá muito menos trabalho que você. Senhor nosso posso lavar roupa porque a maquina de lavar me irrita, não posso assistir a série com você Izaya porque os personagens me irritam com suas personalidades estupidas... Francamente, Shizu-chan...- O moreno disse, balançando a cabeça em reprovação.

O ex-barman apenas ouviu, não tinha o que falar sobre isso. Na verdade, estava cansado de discutir com o moreno.

– Sem mencionar, nos meus móveis e outros utensílios domésticos que acabaram em pedaços pelos seus momentos de raiva — A expressão do moreno se tornou realmente irritada antes de falar a próxima frase — E eu não quero nem falar sobre seu insuportável hobby de quebrar meus celulares — Orihava realmente odiava quando Shizuo fazia aquilo, já tinha perdido a conta de quantos celulares o loiro havia quebrado. — Como eu, um informante, vou trabalhar sem celular... — Era uma pergunta retórica cheia de indignação.

Shizuo revirou os olhos com desdem — Se você chama aquilo que você faz de trabalho...

– Ah, claro, porque espancar as pessoas é um emprego super digno~ — O moreno atacou.

O clima de repente ficou deverás pesado. Ambos se encararam com os olhos faiscando, depois das ultimas sentenças. Se existia um tabu entre o relacionamento de Shizuo e Izaya era com certeza sobre o trabalho do informante. Shizuo não suportava o emprego de Izaya. Detestava a forma como era feito, as consequências que ele tinha, as pessoas com que Izaya tinha que ter contato, detestava tudo. Tudo mesmo. Mas, o que mais detestava, sem dúvida alguma, era o fato de que o moreno não tinha nenhuma intenção de abandonar seu oficio.

Todavia, antes que a briga se tornasse física, o dono do apartamento se pronunciou — Por que vocês não vão discutir em outro lugar? — O médico clandestino levantou do sofá, ficando em pé como seus dois amigos que ainda se encaravam. Sua voz saiu firme, estava saturado de Shizuo e Izaya na sua residencia perturbando sua paz e de sua amada.

Shizuo suspirou, sendo o primeiro a "desistir" daquele confronto de olhares. Olhou para Shinra e disse — Tem razão — Foi até sua pulga irritante e o pós no seu ombro, como se ele fosse um saco de batatas ou de cimento. Izaya cogitou a possibilidade de reclamar, mas estava cansado de queixar-se. E levando em consideração que já estava satisfeito com sua vingança, não viu motivos para impedir o guarda-costas de carregá-lo. — Desculpe o incomodo e agradeço pela estada aqui. Pagarei pelas garrafas de sake que consumi ontem — O Loiro abaixou-se em agradecimento.

Shinra deu um curto riso e sorriu dizendo — Ah, não foi nada. Não será necessário, Shizuo-kun. Até que foi divertido beber com você. — O moreno de óculos disse sincero.

– Faço questão — O loiro disse já andando até a porta. O casal o acompanhou casualmente, Izaya permaneceu quieto.

Antes de cruzar a porta, o ex-barman deu um curto adeus para o casal Kishitani e sacudiu Orihara para que o mesmo dissesse alguma coisa. O moreno revirou os olhos com indiferença, mas obedeceu — Foi ótimo compartilhar com vocês um pouco da minha vida pacata com Shizu-chan, temos que fazer isso mais vezes..! — Disse totalmente irônico. Shizuo apenas suspirou, partindo para o elevador ainda com o moreno em seu ombro.

Notas finais
O Filme Frozen nunca mais será o mesmo depois desse capitulo kk O próximo será o desfecho de todos os acontecimentos que começaram no primeiro capítulo, será o fim! Quero escrever alguns capítulos extras, então não me abandonem ainda ;3