Notas iniciais
Este é o prologo de toda história. Ele é um trecho spoiler do que está por vir, porém, sem ele, o primeiro capítulo que, ainda está por vir, perderia toda a graça;

Eu corria o mais rápido que podia, me permitindo guiar pelo desespero e pela claustrofobia das ruas pequenas e retorcidas. Precisava correr, tinha de chegar ao lugar onde eu a tinha deixado, caso contrário, ela provavelmente morreria. Não, primeiro ela seria estuprada, e depois, a matariam.

Na minha frente, tudo era pó, tudo era cinza e marrom, sujo e destruído. O céu nunca mais foi azul, as nuvens nunca mais foram brancas e a água já havia perdido sua transparência á meses. Tudo era em tons mortos, entristecidos.

Me lembrava daquela rua, onde todas as casas tinham varandas com balaústres coloridos, lembravam -me um eterno carnaval. Os portões todos cuidados, os vizinhos eram amigos uns dos outros, e em tempos felizes, as crianças saíam nas ruas para brincarem de pega-pega e esconde-esconde, escorregarem na lama, permitir-se um dia todo debaixo do sol e a sorrir.

Mas o “fim” tinha mudado esses dias felizes.

Virei em uma das ruas e ouvi o som do ar cortando bem do lado do meu ouvido. “Uma flecha, quase me acertou.”. Meu nível de desespero já era alto demais pra conseguir ficar ainda mais assustada com a droga da flecha, tudo que podia fazer e fiz foi correr.

Passei desesperada por paredes pichadas e quebradas. Passei por corpos pendurados em paredes, muros ou caídos no chão de tijolinhos que acumulava a água da chuva nas vértices.

Nem me lembrava de quando tinha novamente ido para outra rua, já havia perdido totalmente o rumo ou o sentido, não tinha a menor ideia de onde estava, mas atrás de mim ainda ouvia os gritos e as risadas de garotos e garotas, como se estivessem brincando de caçar em um labirinto. E eu sou a caça.

Mais uma rua. Pisei em uma poça e quase cai, mas não perdi o equilíbrio. Porém, ao levantar os olhos, percebi que provavelmente perderia a vida naquele instante.

Era uma rua sem saída, os muros eram altos demais para se pular e eles sequer estavam quebrados, tantos muros em toda a cidade quebrados, mas aqueles permaneceram intactos. Era como se só estivessem em pé com o propósito de me matar, ou nesse caso, de ver outras pessoas me matarem.

Não havia portões, não havia carros. Apenas poças com água suja acumulada, a rua de tijolinhos e mais nada. Era meu fim.

Entreguei-me ao medo. Rezei uma prece silenciosa pedindo perdão por todos os meus pecados e ainda pedi por proteção por minha mãe, que nesse momento, me esperava, escondida, ansiando por comida, por um abraço. E eu ansiava pelo sorriso dela. Uma última vez queria vê-la sorrindo. Mentalizei a imagem.

Virei-me para encarar meus caçadores e me ajoelhei. O cabelo caia na frente do meu rosto, estendi os braços em silêncio e fechei os olhos, esperando o choque de uma flecha me acertando em cheio.

– Vai desistir? – perguntou o ruivo, ele tinha uma faca na mão e me parecia familiar.

– Que fraca... – disse o outro garoto, de cabelo castanho, com uma jaqueta de couro.

– Mate-a logo Joshua. – dessa vez foi a garota, cabelo curto e repicado, magricela, com a pele machucada e o vestido azul de rendas com alguns cortes.

“Joshua” – Pensei – “Sério que é o Joshua que vai me matar? Que patético.”

– Cale a boca – respondeu Joshua

“Será que ele percebe que sou eu?” Me perguntei.

– Eu faço – jaqueta de couro pegou o arco e preparou a flecha.

– Não. – respondeu Joshua – Eu vou.

Ergui a cabeça e encarei com coragem o olhar assassino do garoto que se aproximava, e por um instante, me senti perdidamente atraída. Ele não esboçou reação, não havia nenhuma expressão, seu rosto era imóvel e frio como pedra, parecia que nem me conhecia. Pensei em clamar para que me deixasse viva em nome dos nossos amigos em comum, mas não tinha certeza se ele havia ou não me reconhecido, a caso tivesse reconhecido, não queria dar o gosto de me ajoelhar e pedir por clemencia a ele. Ele se aproximou, com a faca ainda na mão.

“Não vou morrer nas mãos desse imbecil”

Ele se agachou com o rosto se próximo ao meu. Senti seus olhos em mim. Senti sua mão na minha nuca. Senti o cheiro de menta no hálito dele, quase podia ouvir seu coração bater.

“Não vou morrer, não agora.”

Então, fechei o punho e reuni toda a coragem que tinha.


Notas finais
Gente linda, esse é o prólogo! Novamente, peço que desculpem meus erros de gramática! Aliás, se alguém botar fé na história e quiser me salvar desses erros... profundamente agradecido rs!
Obrigado por terem lido!
Domo arigatou gozaimasu!