Notas iniciais
Oiie gente linda, queríamos agradecer os comentários de vcs (Giubs está emocionada até agora), bom se alguém ficar meio perdido vou logo avisando que isso é uma lembrança. Boa leitura!!! ~Naure

As meninas decidiram então ir para um lugar onde pudessem conversar sossegadas e sozinhas. Foram para a cachoeira de cristal. Ao chegar lá, sentaram se nas pedras à beira da cachoeira e permaneceram em silêncio. Então Adelia começou a se lembrar como era o lugar onde morava há um tempo.

~FlashBack On

O Vilarejo dos Céus, assim chamava-se o lugar onde Adelia morava, já foi um lugar bonito, alegre, com danças, festas e comemorações, algo muito diferente do que era nesses últimos tempos.

Por volta de uns 10 anos atrás, Adelia lembrava-se perfeitamente, aconteceu à festa dos Dragões. Ela estava feliz e super empolgada, pois adorava se exibir com seu fiel amigo, Ramsés, o qual também gostava muito desta celebração, pois era um dragão formoso, robusto, diferente dos demais, e isso despertava olhares completamente encantados para ele, pois no meio de todos, ele se destacava e apesar de viver ali, sempre com aquelas mesmas pessoas, naquele dia ele ficava diferente, uma luz forte refletia dele e até mesmo Adelia ficava encantada em vê-lo.

Adelia era apaixonada por aquele lugar, pela comunhão que todos tinham uns com os outros. Pela amizade e pela familiaridade que tinham. Ela adorava correr pelos arredores das casas, brincando com as outras crianças do vilarejo, gritando, cantando, dando risadas até caírem ao chão e ficarem completamente sem forças. Era feliz ali, na verdade todos eram. Era uma época de paz entro todos os povos. Até os deuses estavam em paz, quer dizer, quase todos.

Hades e o mundo inferior eram o único que, como sempre, estava contra tudo e todos, sempre semeando a discórdia, entre todos os mundos. Não sossegava até fazer com que todos estivessem em guerra, era um sanguinário, adorava ver a destruição, se alegrava com a tristeza e o sofrimento dos outros.

O dia girou todo em torno da festa dos dragões, foram feitas danças dos dragões, musicas sobre dragões, teatros sobre a história dos dragões, tantas coisas que Ramsés sentiu-se honrado, seus grandes e amarelados olhos brilhavam com todas aquelas homenagens e Adelia estava contente com a alegria de seu amigo. Após toda essa celebração, já à noite, os anciões, todas as crianças e seus pais se reuniram ao redor de uma grande fogueira, onde eram contadas histórias passadas que eram dos avós das crianças, que ficavam perplexas com cada aventura que seus avós e seus pais participaram.

Adelia era sempre a ultima a ir para casa, não dormia e nem ao menos se mexia do lugar até todas as histórias serem contadas e ao final sempre pedia que contassem mais uma. Porém naquela noite foi diferente, por algum motivo desconhecido lhe caiu sobre ela um sono profundo. Ela, seus pais e a pequena Moriah foram para casa mais cedo.

Foi uma noite inesquecível, que mudou toda a história daquele vilarejo. Pouco tempo depois de a pequena Adelia ter se recolhido para casa, algo sobrenatural tomou conta da fogueira. Dela surgiu uma besta enorme, com grandes cascos e chifres que por pouco não passavam das copas das árvores, começou a lançar chamas para todos os lados e seus olhos corriam de um lado para o outro, como que procurando algo.

De repente começou a andar em volta das casas e a lançar fogo em todas elas, gritava, dava gargalhadas. Todos começaram a correr de um lado para o outro e os homens tentando proteger suas famílias pegaram seus suas armas e começaram a atirar na enorme fera, mas tudo isso pouco a afetava, na verdade, não lhe fazia mal algum.

As famílias começaram a ficar desesperadas sem saber o que fazer e muitos já não tinham mais suas casas, pois já haviam sido consumidas pelo fogo. A casa de Adelia ficava mais ao fundo do vilarejo, mas a besta já se aproximava dela. A única coisa que Adelia lembrava era de acordar, olhar pela janela e ver o vilarejo inteiro tomado pelas chamas, não conseguiu reagir, ficou sem ação. Ramsés então apareceu em sua janela, com os olhos que expressavam dor e sofrimento, com um gemido tentou falar a Adélia para subir nele, imediatamente apareceram os pais da menina. Adelia, sua irmã e sua mãe então subiram no dragão, Baltasar porem não quis subir, disse que precisava ajudar o resto do povo.

“Leve-as para o alto da Montanha Fria, Ramsés. Os Lamalecatos cuidaram de vocês. Vão!” – ordenou.

Aos prantos Adelia, sua mãe e sua irmã foram levadas por Ramsés, do alto não dava para reconhecer o vilarejo, porque as chamas já o devoravam quase que por completo. “Adelia então viu o temido ‘‘monstro” e no mesmo momento a fera também olhou para cima e avistou Adelia. A besta então deu um enorme e estrondante grito, e lançou mais fogo ao vilarejo. Foi a ultima cena que Adelia viu e então desmaiou em um profundo sono.

No outro dia Adélia acordou achando que tudo tinha sido um sonho, mas ao abri bem os olhos notou que não estava em casa. Levantou-se e saiu de dentro da oca à procura de sua mãe. Esta estava sentada do lado de fora junto dela Moriah que brincava na terra, pois ainda era muito pequena para entender, mas Amélia estava abatida com o semblante completamente triste, desolada. Foi quando Adelia notou que tudo tinha sido real, então correu em direção a sua mãe e a abraçou. Choraram abraçadas por um longo tempo.

Não tinham noticias de seu pai, não sabiam se estava tudo bem com ele e com os outros. Não sabiam nada. O pajé então se aproximou.

“Pobre menina, sorte triste. Mas tudo ficará bem, isso lhe servirá de grande ajuda mais tarde.”

Adelia o olhou sem entender nada e logo olhou para sua mãe esperando uma resposta, porem ela não respondeu ao olhar.

O pajé Raoni perguntou então a Amélia o porque dela estar tão triste se , afinal, ela tinha se salvado.

“Meu marido ficou no vilarejo, não tenho noticias dele, não sei se ele esta bem” – disse Amélia entre os soluços do choro.

O pajé então reuniu os índios mais corajosos e os mandou até o vilarejo a procura de Baltasar.

Adelia então se sentou ao chão junto de Moriah e se distraiu brincando com sua irmã, quando der repente é atingida na cabeça por uma pequena flecha. Foi ai que conheceu Hadassa...

“Me desculpe, ainda estou aprendendo ...” – Adelia levantou e alcançou a flecha para a indiazinha que para agradece-la foi logo lhe abraçando, e como de costume já, Adelia a empurrou.

“O que você está fazendo?” – disse Adelia franzindo a testa.

“Isso se chama a-bra-ço, fazemos isso quando sentimos afeição por outra pessoa. Gostei de você” – disse Hadassa sorrindo. Adelia não aguentou e sorriu também. Tinha feito uma grande amiga, desde aquele momento notara.

Brincaram durante todo dia, Adelia pode até esquecer por alguns minutos da tragédia que tinha acontecido. Mas à tardinha chegaram os índios que tinham ido à procura de seu pai, e o traziam desacordado. Adelia não conteve o desespero e correu em direção ao seu pai aos prantos.

Amélia então a agarrou e mandou-a ir cuidar de Moriah. Ela a principio tentou se soltar das mãos da mãe para ir ao encontro do pai, mas não conseguiu. Foi então cuidar da sua irmã.

Passou-se a noite e ninguém a deixara se aproximar da oca onde seu pai descansava na presença de sua mão. O pajé havia feito vários chás e coisas que Adelia não conseguiu identificar o que era. Hadassa então a convidou para dormir em sua oca junto com ela e seu avô. Adelia estava cansada e sua cabeça doía, mas apesar de tudo estava feliz porque conhecera Hadassa. Então, deu a mão a sua amiga e foi descansar, pois sabia que amanha o dia seria longo. Precisava saber se seu pai estava realmente bem e como estava o restante do vilarejo e seus amigos.

Hadassa então ajeitou um lugar para Adelia e sua pequena irmã dormirem. Moriah criança inocente sem saber de nada que acontecera, foi a primeira a dormir, sem problema algum. Já Adelia não conseguia tirar da cabeça a cena do seu pequeno paraíso completamente destruído. Ela então adormeceu e do seu olho escorreu uma lágrima de tristeza, uma parte dela havia morrido.

Notas finais