Notas iniciais
Aposto que pensaram que eu tinha esqueci de finalizar o flashback kkkkk Boa leitura! ~Naure

O dia clareou e quando Adelia acordou todos já estavam de pé. Correu até a oca onde estava seu pai e antes de entrar ouviu a conversa que Baltasar e Amélia estavam tendo. Sua mãe chorava bastante.

“Como isso foi acontecer?” – disse a mãe de Adelia aos prantos, ela ficou do lado de fora ouvindo a conversa, sem ser vista.

“É a profecia Amélia, sabíamos que mais cedo ou mais tarde ele viria atrás dela.” – Baltasar acariciava a cabeça da esposa tentando acalma-la. Adelia se perguntava, quem viria? E, atrás de quem?

“Nossa pobre e inocente menina” – Adelia não conseguia entender, achava que estavam falando de Moriah. Decidiu entrar na oca.

“Adelinha...” – exclamou o pai, abrindo os braços. Ela então correu até ele e lhe deu um abraço forte que fez lhe faltar o ar.

“Fico feliz que esteja bem papai, não saberia viver sem...” – Baltasar a interrompeu.

“Estamos juntos agora minha pequena, tudo ficará bem.” – Adelia viu que havia temor nos olhos do pai, mas resolveu lhe perguntar sobre as pessoas do vilarejo.

“Como estão todos papai? Onde estão? Quando o veremos novamente?”

“Acalme-se menina, deixe seu pai descansar, vá ver como esta Moriah” – Disse Amélia levando a menina até o lado de fora da oca.

Adelia ficou furiosa tentou bater pé, mas sabia que com a mãe era sempre em vão tentar desobedece-la. Foi então ao encontro da irmã, que estava com Hadassa.

“E ai Moriah, tudo bem?”

A pequena Moriah levantou os olhos à irmã, sorriu e balançou a cabeça em sinal de afirmação, depois seguiu brincando.

Hadassa então se aproximou de Adelia, colocou a mão no ombro da mais nova amiga e deu suas condolências a ela.

“Sinto muito pelo que aconteceu...” – Adelia a olhou sem entender o que a indiazinha lhe dizia. Hadassa então entendeu que tinha falado demais – “Ah, não é nada não, é... hmm... droga!“– Adelia ainda não conhecia tanto a nova amiga, mas sabia quando alguém lhe escondia alguma coisa.

“Hadassa, o que você sabe que eu não sei? Anda logo, fale sem demora!”

Hadassa não tinha outra opção a não ser lhe contar o que ficara sabendo.

“Seu vilarejo... A fera que lhes atacou era uma das formas horrendas de Hades. Dizem que ele buscava a escolhida, mas como não a encontrou, as crianças que não matou, levou todas com ele, não sobrou uma criança para contar o acontecido, só vocês duas, todos os pais estão desolados...”.

Adelia ficou perplexa com o que acabara de ouvir.

“Quanta crueldade, meu Deus!” – Não pode conter as lagrimas – “ Ouvi meus pais falando sobre isso, a profecia, ele estava atrás de Moriah” – Levantou, pegou Moriah no colo e a abraçou, aos prantos. Moriah sem entender, respondeu ao abraço, pois não era algo que Adelia costumava fazer.

Seus pais então vieram ao encontro delas, Adelia desolada contou aos pais o que acabara de descobrir e principalmente sobre achar que a escolhida era Moriah. Baltasar e Amélia se olharam e abraçaram as filhas sem lhes falar nada, não queriam mentir, mas não podiam contar-lhe a verdade.

Alguns dias se passaram e Adelia, juntamente com sua família, com alguns Lamalecatos, principalmente Hadassa, desceram até o Vilarejo. Ramsés apareceu, oferecendo-se para leva-los. De primeiro, Adelia negou a oferta, queria ficar junto dos seus pais, porem Hadassa ficou tão eufórica com a presença do dragão que somente para satisfazê-la Adelia decidiu montar em Ramsés junto da indiazinha.

Ao chagarem no local onde antes era um lindo vilarejo, encheram os olhos de lagrimas. Naquele lugar onde antes era o paraíso de Adelia, agora só havia destroços. Os corpos já haviam sido retirados, poucas pessoas ainda estavam por ali, tentando recuperar alguns pertences. A menina andou até sua casa, não havia mais nada, só alguns poucos tijolos que ainda estavam de pé. O choro foi inevitável, até Hadassa se emocionou. Ela havia perdido tudo o que até então tinha sido sua vida. Sua casa, amigos, a alegria de viver com todas aquelas pessoas, tudo isso agora era só lembranças. E o coração ferido da pequena Adelia, agora eram só destroços, assim como o Vilarejo dos Céus.

Houve um velório, onde foram enterrados os corpos que não haviam sido cremados por completo. Foi um final de tarde cinzento, para falar a verdade os últimos dias após a tragédia tinham sido assim.

O sofrimento e o medo estavam estampados nos rostos de todos. Era algo que lhes perseguiria para sempre, uma lembrança que não poderia ser apagada. Amélia então, vendo o quanto sua filha estava sofrendo e o quanto ela era jovem para passar por tudo isso, lembrou-se de uma grande amiga que poderia ajuda-la. Após o enterro conversou com Baltasar.

“Não podemos deixar que sofra assim!” – Disse Amélia ao marido – “Levarei ela até o clã da fada, elas farão um conjuro de esquecimento que limpara essa tragédia da mente da minha pequena, ela não merece passar por tudo isso” – e então chorou.

Baltasar abraçou sua esposa, via o quanto ela estava sofrendo pela sua Adelinha.

“Tesouro, não posso acompanhar vocês, preciso construir novamente nossa casa e ajudar o resto do povo que se mudarão para o oeste a fim de tentar esquecer o acontecido, mas vão vocês três, fiquem na casa de tia Bete que fica perto do clã das fadas. Fiquem por lá por um bom tempo, quando as coisas estiverem em ordem aqui, buscarei vocês.” – Amélia sorriu para o marido, o amava, o admirava. Abraçou-lhe forte e foi contar às meninas que iriam visitar uma tia.

~FlashBack Off

Hadassa então sacudiu a amiga verificando se tudo estava bem. Adelia sacudiu a cabeça como que recobrando a consciência.

“Estou bem Hada, apenas lembrei-me de tudo o que acontecera.” – Hadassa a abraçou e desculpou-se por nunca ter tocado no assunto.

“Vovô também fez uma poção que meio que desviava meus pensamentos disso, para que eu não comentasse com você.”

Elas ficaram ali, sentadas por um tempo, em silêncio. Então notaram que já estava anoitecendo, era hora de voltar e encarar a realidade.

Despediram-se ali e cada uma seguiu seu caminho. Adelia subiu no seu fiel amigo, que a olhava com olhar triste, tentando dizer a ela que sentia muito, por não poder falar, por não poder lhe contar.

“Tudo bem amigão, você esteve este tempo todo ao meu lado, isso já é o suficiente. Obrigado por não mentir para mim.”

Voaram, subiram às nuvens. Ramsés conhecia a amiga e sabia que ela precisava de um pouco de ar puro. Adelia abriu os braços, sentindo como se ela estivesse voando. As lagrimas escorriam dos seus olhos. Não podia acreditar no que tinha descoberto, foi então que lhe veio a duvida. Se seus pais não eram seus pais e se Hades era seu verdadeiro pai, quem era sua mãe?

Ainda um pouco distantes de casa avistaram a fumaça que subia e um grande clarão vindo de sua casa. Não podia acreditar no que estava vendo. Ramsés se apreçou em chegar e ao descer Adelia correu para frente da casa onde estava Hadassa que correu abraçar a amiga, que sem forças caiu ao chão aos prantos. Tudo o que tinha, tudo o que lhe era mais preciso, fora destruído novamente, seus pais, sua irmã, o livro, tudo tinha se perdido.

Adelia não conseguia mais chorar. Ali ajoelhada em frente ao lugar onde crescera, onde vivera toda a sua vida, seu olhar mudou. Já não sentia somente dor, agora fazia parte dela também o ódio, estava sedenta por vingança, queria sangue em suas mãos. Sabia quem tinha feito aquilo, não lhe importava se era seu verdadeiro pai ou não, alguém assim não merecia seu amor, não sossegaria enquanto não acabasse com a vida de Hades.

“Eu lhes prometo que só pararei de lhes vingar, quando em mim não existir a vida!” — exclamou.

E Hadassa como fiel companheira, disse a Adelia...

“E em quanto em mim houver vida, estarei ao seu lado, para o que der e vier, até o fim dos tempos.”

Adelia havia perdido tudo, mas ainda tinha uma amiga verdadeira, um cavalo selvagem veloz e é claro, Ramsés que não a abandonaria por nada, estava decidida, iria até o fim do mundo, mas vingaria todo o seu povo.

Deu um ultimo olhar para aquela casa, as ultimas lagrimas rolaram. Então ela secou o rosto banhado em lagrimas, olhou para cima, de modo que pedindo forças e então se levantou e foi junto dos seus três amigos, eles eram tudo o que ela tinha.

Notas finais
Quando eu li esse capítulo eu pensei: tenho que parar de falar sobre As Crônicas de Gelo e Fogo com a Giubs. Ai vcs vão dizer mas nem foram tantas mortes e eu lhes repondo é assim que tudo começa. Bom até o próximo esperamos que tenham gostado. Abraços e beijoos!! ~Naure
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.