O levante de Hogwarts
3 Por onde anda Harry Potter ?
Três dias se passaram desde a crise de raiva que Ginny tivera, Muriel se fora naquela manhã juntamente com Arthur e Bill, que foram ao Ministério, Molly ficava desolada com qualquer menção à Rony ou Percy e passara a proteger ainda mais os filhos, obrigando a Bill adiar a ida para o Chalé, a viagem de Charles para Romênia e fazia os gêmeos chegarem mais cedo da loja, e eles passaram a dormir no quarto de Rony. Depois de algumas discussões entre Ginny e a mãe que se apavorava com a ideia de ter sua filha única sozinha em Hogwarts, mas por fim cedeu, principalmente pela pressão do Ministério, já era difícil abafar o sumiço de Ron, mais outro Weasley seria outra dor de cabeça. A Ordem pouco agiu durante esse tempo, ainda procurava se reerguer desde a morte de Alastor, que até hoje não teve seu corpo encontrado, mas encontraram em Kingsley Shacklebolt uma nova liderança no grupo. A Ordem tentava se estabelecer dentro do Ministério, mas a Comissão de Registro dos Nascidos Trouxas, um novo projeto do ministério do Thicknesse, estava prestes a ser aprovado, o que significaria a perseguição de vários membros da Ordem, incluindo o Sr.Weasley, por ser apoiador fanático dos trouxas. A Ordem da Fênix estava cada vez mais pressionada. O clima estava começando a ficar mais e mais escuro e frio, e os dementadores eram vistos constantemente, a Toca virou sede principal da Ordem desde que Belatrix descobriu que o local era usado pelo falecido primo. E havia o principal : Onde estava Harry? Que tarefa Dumbledore lhe enviara? Geralmente essa era a pauta das reuniões, e a Ordem nem fazia mais questão de esconder isso de Ginny, apesar da rigidez sobre somente membros maiores de idade participarem das reuniões... Alguma coisa estava diferente. Estavam esperando pela noite, quando a Ordem se reuniria pela quarta vez desde o casamento. Como era um sábado, eles ficariam por mais tempo para conversar, quem sabe até dormir por lá. — Terra para Ginny — o irmão passou a mão em seu campo de visão — Os meninos chegaram, que tal uma partida de Quadribol? Ginny ergueu as sobrancelhas, os irmãos nunca a deixavam jogar, Charlie percebeu isso e lhe estendeu a mão. — Vamos, vejamos... estamos em... — ele parou para pensar — Somos sete, isso se Gabrielle quiser jogar — Ginny fez uma careta, não que sentisse ciúmes ou algo assim, mas não gostava de Gabrielle, com Fleur bem... ela se acostumara. — E desde quando a Fleur joga? — ela indagou — Bem, imagino que para uma campeã tribruxa isso deve ser moleza — a ruiva revirou os olhos. Mas seguiu o irmão, nos jardins viu que todos estavam com suas vassouras, e a sensação de voar era incrível, não se cansavam disso. Para dos times ficarem equilibrados, Fred, Fleur e Charlie de um lado, e George, Gabrielle, Ginny e Bill do outro. O jogo era mais diversão do que competição, algumas vezes Fleur usou o seu charme no marido, que deixou várias goles passar, fazendo George protestar veementemente. Mesmo brincando, a jovem Weasley mostrava uma destreza fenomenal com as goles e isso chamou a atenção de Bill algumas vezes, que, querendo provocar para ver até onde a irmã iria se arrependeu quando a goles atravessou como um raio e por pouco não quebrou um dos dedos por ir com mãos de alface " Ufa, estou ficando velho, ou minha irmã realmente é ótima" eles resolveram parar, assim tiveram tempo de se trocar antes da Ordem chegar. Nessas horas, Ginny e Gabrielle compartilhavam a mesma lamúria : não podiam participar das reuniões, nessas horas, Gabrielle não lhe parecia tão chata e superficial assim,e as duas comparavam as suas vidas na França e na Inglaterra, somente quando lhe importunava algumas perguntas incômodas sobre o Harry é que la se trancava. Mas nesse dia foi completamente diferente, Quim lhe chamou por que queria fazer recomendações à ela, e deixar um recado para Minerva, estava cada vez mais difícil o contato com a diretora de Grinffindor pela série de complicações em Hogwarts, os rumores sobre Snape como diretor só faziam aumentar e com isso o risco em se encontrar com a Ordem cresciam proporcionalmente. Sentiu empatia pela menina Delacour, sabia exatamente como era ser deixada para trás, mas seja lá o que for, não teria como exigir levá-la, não tinha nem como exigir alguma coisa. Chegou a sala e se debateu com um Lupin cansado e triste, ainda mais desleixado do que da última vez que o vira. — Olá Lupin — sorriu — Como vai o Teddy e a Tonks? — o menino nascera a quase dois meses. — Oi Ginny, eles estão bem — o Lupin ficou observando-a por mais tempo que o normal, analisando. Antes que pudesse tomar completamente consciência do momento embaraçoso, os membros da Ordem chegaram aos montes. E Quim surgiu com seus trajes anil, a capa esvoaçante, contrastando completamente com as roupas velhas e surradas de Lupin. — Boa noite Remo — ele acenou — Srta.Weasley — completamente cortês — Posso falar por alguns minutos a sós? Molly chegara sorrateiramente e encarou Quim silenciosamente. — Não se preocupe Molly — Ginny virou-se e encarou a mãe — Falaremos sobre isso mais tarde, somente com alguns membros, tenho certeza que será mais fácil para a menina. A jovem Weasley franziu o cenho e seguiu Quim, caminharam lentamente para próximo do porão. -Não entre aí — ela avisou, ele levantou as sobrancelhas — Há um vampiro aí — ela deu de ombros — Siga-me, por favor. — eles caminharam até o galpão onde guardavam as vassouras. Quim ficou um tempo observando as estrelas, e os jardins, aquilo estava deixando a garota ansiosa. — Vim aqui,primeiramente informa-lhe que terá um meio passe para as reuniões da Ordem — ela se chocou, e Quim deu um tempo para ela se recuperar. — Você é a nossa melhor ponte com Hogwarts, mas não fará nada que te ponha em risco, apenas se atente aos comentários de seus colegas Slytherin — ele olhou-a sugestivamente. -Hum... É por isso então que vocês facilitaram para que escutasse algumas conversas da Ordem? — Quim se mexeu desconfortável, imaginava que a menina não ligaria os pontos facilmente, afinal, não tiveram tantas reuniões assim. A menina estava presa nos próprios pensamentos, Kingsley queria pegá-la desprevenida. A mãe lhe avisara sobre enfurecer a filha, e por muitos motivos não duvidava de Molly... — Em parte, eles já começaram a reunião — ela então fez uma cara de indagação — Não se preocupe, é mais de caráter informativo.De qualquer forma, os dias que irá a sala da Minerva e entregar os seus relatórios e os dela irão variar, não ponha os relatórios em e seus estudos. Compreender ? — a garota apenas assente — Não deverá ler os relatórios da Mcgonagoll e os dias em ê-Sabe-Quem despreza — mais importante, achamos que Você-Sabe-Quem colocou seu nome como Tabu, a partir de hoje, usá-lo pode significar nossa morte. Ele esperou ver alguma nota de desespero na garota, mas a mesma estava cada vez mais calma, "Daria para ser uma Auror, ela tem uma calma e frieza que me lembra o..." interrompeu seus pensamentos ao se deparar com os dementadores ao redor da proteção. -Eles não podem invadir, correto? — Kingsley a olhou e depois encarou os dementadores, tinham feito uma série de novos feitiços, mas contra dementadores... Não sabia se seria forte o bastante para aguentar o número que estava ali, estavam reproduzindo fora de Azkaban. — Talvez, mas por via das dúvidas, um patrono não seria nada mau — ele sacou a varinha, a garota colocou os braços em sua frente e apontou para um ponto na colina, os dementadores não estavam querendo atacá-los... -Luna! — Ginny correu e transpassou a barreira, olhou um instante para trás e nada viu, sentiu um terror por alguns instantes, se concentrou nas aulas que teve com a A.D. Fechou os olhos, e sentiu quando Kingsley lançou o patrono, e logo em seguida fez o seu. Eram muitos, e praticamente era o mais velho quem cuidava da maioria, quando um dementador realmente chegou próximo dela, se concentrou com mais vontade, ainda tinha dificuldade quando se deparava com os dementadores, eles eram uma constante sensação do horror que sofrera cinco anos atrás. -Expecto Patronum ! — desta vez conseguiu fazer a forma corpórea e juntos ela e Quim expulsaram boa parte deles dali. Ela se sentia satisfeita, mas ao olhar o rosto severo do homem soube que viria um sermão. Ele segurou sua mão e passaram a barreira, agora a Toca completamente a vista. Ficaram em silêncio toda a caminhada de volta, lá dentro ninguém notara o que ocorrera. — Você sabe o que as palavras regras significam? — ele estava com um ar severo, e a jovem levantou o queixo, decidida — Prometi a seus pais que você não se machucaria e você corre diretamente para milhares de dementadores. — Eu sei usar o Patrono — ela respondeu — Além do que,- ela se virou para a paisagem que se estendia, talvez Luna nunca soubesse do que ela fez, mas isso não importava — aquela casa é de uma amiga minha. — Você se machucaria gravemente se estivesse ali sozinha — ele continuou — Você não fez um Patrono direito da primeira vez, e se eu não estivesse lá? Aquilo a atingiu como um raio, sempre diziam que não podia, que não era forte o suficiente, que não tinha idade suficiente, resolveu engolir a sua raiva, tanto si por falhar, tanto pela falta de confiança que lhe tinham. Ele esperou alguma resposta, mas encontrou um silêncio e uma barreira na garota, suspirou, seria mais difícil do que ele imaginara a princípio. Ao entrarem a conversa cessou, viu o olhar alarmado da mãe, e Ginny se perguntou se ela sabia de sua saída, só então percebeu que seu sapato estava mais sujo do que o normal, e a respiração ainda cortada. Ignorou aquele olhar, tocou novamente a moeda em seu bolso, iria visitar Luna Lovegood amanhã, custe o que custasse. Eles introduziram uma conversa sobre como iriam se comunicar, o que meio eles iriam usar. Os códigos seriam simples e trouxas, fáceis de aprender e decodificar. Logo o rumo da conversa chegou aonde Ginny menos queria : Harry. Nesse momento alguns membros subitamente se despediram e aquilo fez a garota relembrar as palavras de Quim para mãe " Droga, fechar minha mente." Eles olharam sugestivamente esperando que ela desse sua opinião sobre o assunto. — Creio que teremos que viabilizar grupos de busca pelo Harry — disse Molly — Tenho certeza que interpretou mal a mensagem de Dumbledore, ele é só uma criança! Não pode esperar vencer essa guerra sozinho. — É, mas lembre-se que também temos uma situação complicada Molly, Tonks está de licença e com o Moody morto as coisas estão complicadas na sessão de Aurores, aliás todo o Ministério está. Eles discutiam a viabilidade de separar gente para buscar Harry, cogitaram Charles, já que este, teoricamente partiria para Romênia mas procuraria pistas. Os gêmeos não apoiavam aquela atitude, e Ginny agradeceu mentalmente os irmãos. Bill estava mais calado, analisando tudo aquilo, assim como Arthur, Lupin encarava Ginny, e resolveu finalmente se pronunciar. — Acho que devemos deixar Ginny falar agora, você passou mais tempo com eles durante o tempo que eles planejaram a fuga , diga o que sabe, qualquer coisa ajuda. — Eu não sei de nada — disse categoricamente, já tinha esse discurso pronto — Harry não tinha o porquê me contar nada, e Hermione e Rony eram fiéis à eles. -Mas ouvi algumas coisas sobre você e... -Não há nada — ela interrompeu, e agradeceu por estar muito ocupada beijando o garoto que até se esquecera mandar cartas para a mãe — São fofocas, não é a primeira vez que inventam algo a respeito do Harry. Os gêmeos sabiam que aquilo era uma mentira deslavada, mas nada comentaram, e sua mãe lhe encarava sugestivamente. — Então a reação dele durante o casamento não foi nada demais? — Lupin sugeriu. Agora elas estava genuinamente surpresa "Reação?!?!" Ele sumiu quase que de imediato ao que o ataque começou!" Lupin não deixou aquela barreira se armar novamente. — Pois é, ele estava muito interessado em proteger uma garota ruiva que estava lutando com um comensal, conhece? -ele falou ironicamente, o que não era do seu feitio — Parecia ter esquecido que era a brecha para fugir. — Harry faria isso por qualquer amigo- ela sabia a verdade das suas palavras, mas não deixou de se emocionar por ele ainda pensar nela com carinho, " Concentre-se, aquele cabeça oca sai, causa o incêndio e eu é que tenho que apagar" — ele é nobre demais para não se ajudar -ela deu de ombros. — Mas sinceramente, enquanto vocês perdem tempo tentando procurá-lo, deveriam se preocupar em impedir o avanço dos comensais. Deviam confiar mais no Harry. Dumbledore confiava. "Bingo" pensou satisfeita, viu a cara vermelha dos membros da Ordem. Lupin recordava as últimas palavras de Albus Dumbledore para ele e tinha certeza que era exatamente nisso que Kingsley estava pensando, infelizmente Lupin não podia ver o filho dos seus amigos se arriscar assim, enquanto ele constituía uma família e ele por aí sem destino certo. Fred e George pensaram no diabinho que haviam criado,com orgulho. -Você realmente é osso duro de roer- Remus suspirou — Me lembra o James e a determinação dele,foi a assim que ele conquistou Lily — era estranho ouvir alguém falar sobre os pais de Harry para ela,estava acostumada com as comparações do professor, ele comentara com ela algumas vezes sobre eles, mas foram raros os momentos. — Mas não se consegue esconder um olhar Ginny, e o Harry olhou para você como James fazia com Lily anos atrás. — ela ficou um pouco corada, não esperava por isso, eram coisas muito profundas e assustadoras, ela e Harry namoraram por um curto tempo — de qualquer forma, — ele se virou para Quim, cansado, e com um misto de orgulho e irritação pela atitude da garota — eles são parecidos demais com James e Lily, mais do que eu gostaria de admitir, ela não vai entregar ele, seja lá o que ela saiba.
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