Uma trovoada na noite escura e todos sabiam que a chuva estava para vir.

A moto andava muito rápido, e Veronika segurava firme nele, mesmo não querendo. Ela chorava. Chorava e sentia seu coração sendo partindo em mil pedaços enquanto lembrava de tudo o que tinham passado. Isso explicava os atrasos de vez em quando, as ligações no celular que ela não podia ver e ela nunca pode mexer no celular dele. Tudo fazia sentido e só agora os tapas de realidade vieram. Passaram pelo mato e logo depois pela estrada de terra, e logo estavam na cidade.

A chuva começava devagar, com pequenos pingos.

Ela desceu da moto e foi rapidamente entrando pra dentro de casa, mas ele desceu da moto e a pegou pelo braço.

– Eu preciso explicar...

– Não tem o que explicar! — ela gritou, e ele parou, sem a soltar. — Simplesmente não tem! Como assim você vai se casar?! Como assim você faz com que eu me apaixone por você, me beija e depois o seu primo diz que você vai se casar?!

– Eu vou, mas é um casamento que fui obrigado... Ela foi uma diversão por uma noite e acabei engravidando a garota. Eu não gosto dela, eu estava bêbado, e os pais dela me obrigaram a casar com ela.

– Muito bem. Mais irresponsável ainda! Case com ela. A faça feliz. Cuide do seu futuro filho. Seja feliz, mas nunca iluda alguém!

– Eu acabei me apaixonando por v...

– NÃO! Não diga isso! Você vai se casar amanhã... — desceram mais um milhão de lágrimas ao mesmo tempo e ela sentia o próprio coração despedaçado no chão, embaixo do pé dele.

Ela sabia o que ele ia dizer... Ele não deveria ter começado.

– Você vai ser casar amanhã. Vá ficar com sua futura esposa e cuide do seu futuro filho. E me esqueça. Como eu vou tentar fazer com você.

A chuva começou a cair forte. Diego subiu na moto e acelerou. Olhou para a casa dela e ela já tinha entrado, fechando o portão com toda a força.

Olhou para perto do portão e viu uma coisa verde. Desceu da moto e foi pegar.

Ela tinha deixado cair seu lenço verde.