Dias se passaram. Ouviu-se boatos que houve um lindo casamento na Igreja central da cidade.

Veronika não conseguia dormir de jeito nenhum. Parecia que algo atrapalhava seus sonhos, seus olhos, sua mente. Sua imaginação não parava de pensar. No quê, em quem, nos perguntamos.

Nele.

Tudo o que ela pensava ou fazia vinha ele em sua cabeça. Mas ela tentava se distrair. Jogava video-game, tentava pegar um livro e ir para a praça municipal para esfriar a cabeça. Fazia de tudo e ao mesmo tempo parecia que não estava fazendo nada. Não tinha muitas amigas, não falava muito com sua família. Não era muito social.

E assim, solitária mas sempre tentando ocupar a mente, se passou um ano.

Ela continuava parecendo triste, mas aquele já tinha virado seu estado normal.

Foi para a praça municipal, como fazia praticamente todos os dias para ler. Até que ela ouviu um barulho de alguém caindo. Quando foi olhar, um skate vinha vindo, sozinho, com um pano verde em cima.

Ela fechou o livro e olhou para os lados. Não havia ninguém. Colocou o livro ao seu lado e pegou o pano.

Era seu echarpe.

Mas como? Ela não o via desde que ele fora embora, e ela o procurou demais. Como poderia estar ali?

– Ei, moça do lenço verde.

Ela olhou para trás rapidamente, reconhecendo o jeito que era chamada.

– Pode devolver meu skate? — Era ele. Ele, que ela tanto sonhou voltar, que ela tanto ouviu ele a chamando desse apelido idiota que ela tanto amava, era ele. Ele que ela tanto amava. Sentiu seu coração pulsar, sair pra fora da boca como ela não sentia a muito tempo.

A exato um ano.

"Controle-se", ela falou para si mesma. "Ele deve estar muito bem casado e sua mulher e filho deve estar por perto. Controle-se."

Ela sentiu aquele nó na garganta de lembrar de tudo o que aconteceu. Empurrou o skate para onde ele estava e desviou o olhar para o livro, começando a pegá-lo novamente.

– Ei, calma... Parece nervosa.

– Onde estão sua mulher e filho? Devem estar procurando por você. E não acha que já tem muitas responsabilidades para estar andando de skate? Irresp...

O livro foi tirado de sua mão.

– O que você p...

Ela foi puxada para ele e foi beijada com todo o carinho do mundo. Daquele jeito abrupto que ela tinha sonhado por um ano, daquele jeito que era só dele. Ela começou a relutar mas logo parou, o abraçando, o abraçando forte e firme.

O beijo durou o bastante para ela perder um pouco do ar, mas lembrou-se de respirar. O beijo parou e suas testas ficaram juntas, ele dando um sorriso e ela suspirando, com os olhos fechados.

– Eu te esperei... Idiota.

– Fez bem, boba.

Ela abriu os olhos e se afastou, olhando para os lados, procurando a esposa furiosa com um bebê no colo.

– Não tem ninguém comigo. Eu voltei por você. Depois de um tempo, consegui convencer a garota de que eu não gostava dela e muito menos ela gostava de mim. Era birra, era ódio por eu tê-la engravidado. Consegui me separar com todos os papéis certos. Estou oficialmente solteiro. Continuarei sustentando meu filho, mas vim procurar... A minha moça do lenço verde.

Ele pegou o lenço do banco e passou em volta dela, puxando para si.

– Eu voltei por você. E nunca mais vou sair de perto de você. Tá bom assim?

Ela não sabia o que dizer.

Ela sorriu. O abraçou forte e sussurrou no ouvido dele:

– Eu te amo, garoto idiota. Meu idiota do skate.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!