O lenço verde
3 Capítulo 3
No quarto dia, ele disse que queria fazer algo diferente. Queria levar para um lugar onde seu tio ficava nas horas vagas, mas que não tinha ninguém lá hoje, então poderia levá-la para conhecer. Pediu a moto de seu primo emprestada e a levou para uma estrada de terra fora da cidade. Começaram a entrar no mato e ela começou a ficar com medo, mas algo nela dizia para confiar naquele garoto. Depois de uns vinte minutos, saíram do mato e ele estacionou perto de um casebre muito bonito. Ele pegou na mão dela e foi a puxando para a parte da frente do casebre, onde ela avistou uma lagoa e uma árvore gigante perto. Era tudo lindo... O lugar parecia ter saído de um conto de fadas.
– Gostou? — Ele sorriu ao ver sua expressão. – É fantástico. Eu nunca tinha v... — Não deu tempo de terminar. Ele tinha a puxado de uma forma tão abrupta que ela estava pronta para xingá-lo... Só que não dava. Aquele beijo... Tinha sido o mais perfeito da sua vida. Era suave e intenso ao mesmo tempo... Ela não sentia a necessidade de falar e muito menos de respirar. Passou a mão por suas costas e ele a puxou para mais perto. Logo o beijo foi parando e ele respirou fundo, não afastando o rosto do dela. – Me desculpe... Eu não sou assim. Eu só... — olhou nos olhos dela, com a testa franzida — precisava do teu beijo. Ela sorriu e ele viu os lábios dela. Roxos. Ela desmaiou. Logo acordou, não sabendo quanto tempo tinha se passado. Abriu os olhos devagar e viu ele a olhando fixamente. – Será que existe outra pessoa que desmaia tanto quanto você?Ele estava bravo, dava pra sentir em sua voz e em seu olhar. – Eu só... Esqueci de respirar. Sua expressão foi suavizando, abrindo um sorriso e logo depois uma risada baixa. – Você é a garota mais desastrada que eu conheço, moça do lenço verde. Ela sorriu e olhou para a janela, vendo o pôr-do-sol. Sentiu a tristeza vir com tudo... Mas não deixou nenhuma lágrima rolar. Somente levantou, devagar e se jogou nos braços dele. – Calma, pra que a pressa?– Porque amanhã você vai... — Não conseguia mais conter. Duas e logo depois milhões de lágrimas rolaram de seus olhos. — Porque talvez eu nunca mais te veja. Porque você não sabe o efeito que causa em mim. Desde que me olhou daquele jeito no hospital, na primeira vez que me derrubou, até naquele maldito beijo que eu tanto amei. Porque todas as noites eu passo horas pensando em como foi o nosso dia e como será o próximo. Porque eu choro... Choro de verdade quando penso que uma hora você vai ter que ir embora. Porque eu nem sei se você não tem uma namorada, porque eu não sei se, quando voltar, pode arranjar uma. Porque eu não faço ideia se sente a mesma coisa e, se sentir, se vai me esperar. Porque, a minha vida toda... Eu só gostei de garotos... Nunca cheguei a sofrer por alguém. Nunca cheguei a me apaixonar por alguém. Como eu tenho certeza... Que estou apaixonada por você. Ela chorou em seus braços e ele afagou sua tristeza. Ele não sabia o que dizer. Ela se deu conta de que deveria calar a boca a partir de agora, que falou tudo o que estava trancado. Ele não sabia o que fazer. Tudo o que ele podia fazer era abraçá-la forte... Ouviram um barulho de carro chegando. Ele a soltou e olhou pela janela. Voltou logo e apressado, a pegando pela mão.– Vamos. Meu primo chegou. Foi a puxando para a moto, como se estivesse fugindo de alguém. – Mas não é que ele conseguiu mesmo? Hahaha!Ele subiu na moto e a colocou atrás com delicadeza mas rapidez. Foi ligar a moto e seu primo chegou, se colocando na frente.– Se eu fosse você, desligaria essa moto agora.Diego parou, mas ficou em cima da moto. – Não vai me apresentar a garota, Diego?Diego parecia furioso, com as sobrancelhas afundadas nos próprios olhos. – Este é seu primo, Diego? — ela perguntou, um pouco envergonhada e com medo. – Então eu me apresento. Tiago, a seu dispor.Ela sorriu um pouco, mas estava preocupada demais para ser educada. – Então... Pronto para o casamento Diego? Estão dizendo que vai ser perfeito. Você também está convidada, viu? A noiva do Diego é muito simpática e com certeza vai adorá-la. Tudo parecia ter desabado. Aquele lugar não parecia mais de um conto de fadas e sim vindo de um terrível pesadelo. – No... Noiva? — Veronika gaguejou, uma lágrima descendo ao mesmo tempo. – O que foi? Ah... Não acredito. Que feio, Diego! Não tinha contado a ela? — Ele fez uma expressão sarcástica, sabendo de tudo muito antes. Veronika não acreditava no que estava acontecendo. Não podia ser. Diego respirou fundo. – Vou te levar pra casa, garota. Segura aí. E você, Tiago... Depois a gente conversa. Tiago deu uma gargalhada alta e Diego acelerou a moto com raiva.
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